007: Sem Tempo para Morrer

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5 /5 estrelas
007: Sem Tempo para Morrer

A Time Out diz

5 /5 estrelas

Daniel Craig despede-se de 007 com o que deve ser o melhor filme de James Bond desde ‘Casino Royale’.

Desviando-se de uma fórmula tão bem engomada quanto os smokings de James Bond, Sem Tempo para Morrer despede-se de Daniel Craig com tantas surpresas que é difícil saber por onde começar. Existem decisões narrativas sem precedentes e de grande magnitude; 007 relaciona-se não com uma, mas com várias mulheres como suas iguais; e, a certa altura, até faz panquecas para uma criança.

A melhor surpresa de todas, porém, é o quão bom este filme é. Muito atrasado, sobretudo devido a uma troca na cadeira do realizador (saiu Danny Boyle saiu pata entrar Cary Fukunaga), chega finalmente aos cinemas para nos lembrar do poder que o grande ecrã exerce sobre blockbusters bem urdidos. É também o Bond mais engraçado de sempre, com uma escrita vibrante (muito possivelmente devido às contribuições de Phoebe Waller-Bridge), concretizada com desenvoltura por Craig e companhia.

A reintrodução de James Bond na abertura do filme – que envolve a praça de uma cidade, o seu Aston Martin DB5 e metade de Spectre, enquanto Bond é puxado de um devaneio romântico com Madeleine Swann (Léa Seydoux) – é uma cena icónica que limpa as teias de aranha do franchise em dez minutos esmagadores. De elegante e enamorado, Craig rapidamente está de volta à forma como o conhecemos e amamos: ferido e maltratado, a ceder ao canto da sereia do dever, enquanto a CIA e o MI6 lutam por uma nano-arma perdida.

Fukunaga e o seu director de arte, Linus Sandgren (La La Land), encontram notas de elegância visual em todo o lado. Uma sequência numa quinta de Havana pode ser a coisa menos convencional de se ver num franchise que, não nos esqueçamos, já nos deu um submarino-crocodilo e Christopher Walken. Lá, Bond e Ana de Armas deambulam pelo que parece ser um sonho de David Lynch repleto de queijo, à procura de um cientista com acesso àquele MacGuffin todo-ameaçador da humanidade.

A reforçar o elenco de personagens femininas está Nomi, a agente 00 de Lashana Lynch, que partilha uma boa anti-química com Bond, no que parece um passo significativo para as duas personagens.

E o vilão? O Safin de Rami Malek puxa os seus cordelinhos quase sempre fora de cena, mas lá consegue o seu momento num terceiro acto que vai emocionar qualquer um que anseie pelos cenários massivos da era de Ken Adam e os sonhos megalómanos de Dr No.

Se uma duração de quase três horas faz soar alarmes, este Bond é um banquete surpreendentemente light. Ele voa de um local habilmente escolhido para outro (é favor adicionar Matera, no Sul da Itália, à sua bucket list), mas as cenas mais lentas e de desenvolvimento de personagens – o calcanhar de Aquiles de alguns dos Bonds mais recentes – vêem-se muito bem também.

Só a Moneypenny de Naomie Harris é que parece errada. Depois de uma introdução dinâmica como agente de campo em Skyfall, o franchise parece não saber o que fazer com ela, com a Nomi de Lynch a ocupar a lacuna que Harris poderia ter preenchido. Até mesmo o meme residente do MI6, Tanner (Rory Kinnear), parece ter tido mais com que trabalhar.

Outros resmungos centram-se numa batalha climática que permanece mais do que devia, e uma ou duas cenas de violência desnecessariamente chocantes. Mas por quaisquer métricas usadas para medir um filme de James Bond – trama rígida, vilões nojentos, sinceridade emocional – a apresentação final de Daniel Craig é um sucesso estrondoso. #CraigNotBond parece uma realidade muito distante, em todos os sentidos.

Detalhes

Detalhes da estreia

Elenco e equipa

Realização
Cary Fukunaga
Argumento
Cary Fukunaga, Robert Wade, Neal Purvis
Elenco
Daniel Craig
Lashana Lynch
Ralph Fiennes
Christoph Waltz
Rami Malek
Léa Seydoux
Ana de Armas
Ben Whishaw
Naomie Harris
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