Global icon-chevron-right Portugal icon-chevron-right Paragens obrigatórias entre a Sertã e Montemor-o-Novo

Paragens obrigatórias entre a Sertã e Montemor-o-Novo

Estamos no Centro do país, no coração de Portugal. Da Sertã para Sul a paisagem fica mais domesticada, as montanhas viram planícies e o horizonte alarga-se

Ribeira da Sertã
DR Ribeira da Sertã
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A Estrada Nacional embrenha-se pela Sertã adentro. Perdemos-lhe o rumo, andamos às voltas, mas se existe um bom sítio para andar perdido esta vila é um deles. Tem um castelo, uma igreja matriz, uma ponte filipina, uma praça com um coreto e uma ribeira, elementos que facilitam a vida a qualquer pessoa a precisar de indicações. Por estar no centro do país, quase a meio da EN2, muito perto do Zêzere e próxima de várias Aldeias de Xisto, a Sertã é uma base perfeita para explorar o interior português. E para descansar depois de fazer muitos quilómetros.

Paragens obrigatórias entre a Sertã e Montemor-o-Novo

Convento da Sertã Hotel
DR
Hotéis

Onde dormir: Convento da Sertã Hotel

O Convento da Sertã é uma unidade hoteleira que deu nova vida a um antigo e muito degradado convento franciscano do século XVII. Os frades viviam de esmolas e andavam a pregar pela freguesia até ao século seguinte, quando o convento passou a servir também de escola: ensinava-se latim em 1772, mas sete anos depois a Rainha D. Maria I deu autorização para se fazer ali uma escola para ensinar a ler, escrever e contar. A extinção das ordens religiosas, no século XIX, ditou o fim deste convento, que viria a ganhar nova vida (ou várias vidas) como edifício laico: foi quartel da GNR, casa de habitação, escola e sede dos escuteiros.

A mutação final em hotel fez-se com o cuidado de preservar a estrutura e as memórias daquele lugar. Ganhou-se conforto, mas manteve-se alguma solenidade. A capela de oração do convento é agora a recepção, o antigo claustro é sala de estar e de pequenos-almoços. Os quartos obrigaram-nos a ir ver qual o superlativo do verbo confortável – cá está: confortabilíssimos. E o pequeno-almoço, cheio de produtos locais e pormenores deliciosos, é mais eficaz para nos fazer sair da cama do que qualquer despertador. 

O edifício em si (já falámos da piscina? Há uma piscina) é suficiente para fazer uma visita. A tranquilidade daquele lugar e a gastronomia da Sertã também servem como desculpa. Mas a nossa sugestão é usar o Convento da Sertã como base a partir da qual pode explorar aquela zona do interior português – estamos perto de Pedrógão Grande, pelo que fazer turismo ali é também uma forma de ajudar. O próprio convento tem uma série de rotas muito bem delineadas que o ajudam a explorar o rio Zêzere, as Aldeias de Xisto e todo o património histórico e natural da zona.

 

Sopa de peixe
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Restaurantes

Onde comer: Santo Amaro

O bucho e os maranhos estão entre as especialidades regionais da Sertã. O bucho é feito com o bucho de porco, recheado com lombo de porco, galinha, presunto, ovos, chouriço magro, pão caseiro e vinho branco. Os maranhos são feitos à base de carne de cabra, arroz e hortelã. Ambos podem ser provados no restaurante Santo Amaro, que também serve a mítica sopa de peixe da Dona Helena.

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Picoto da Melriça
© Acscosta

Pela estrada fora

Visite o Picoto da Melriça

O ponto mais central do país tem um nome que podia ter sido dado a um pássaro, um doce conventual à base de amêndoas e ovos, ou ser a alcunha de um amolador de tesouras: “Vem aí o Picoto da Melriça, tragam as facas.” Na verdade, este é o nome do Centro Geodésico de Portugal, um obelisco branco (nome técnico: pirâmide geodésica) com uma grande risca preta que figura, imponente, 592 metros acima do nível do mar na Serra da Melriça. E assim se explica o porquê de metade do nome deste lugar. Mas porquê “picoto”? Foi o nome que a população da zona deu aquela protuberância que tem o nome técnico de “pirâmide geodésica”. Vale a pena perder uns minutos a admirar a vista de 360º sobre Portugal – é uma vista tão ampla que não nos atrevemos a especificar concelhos ou freguesias. No topo da serra existe ainda o Museu da Geodesia, que expõe os instrumentos de medição e conta as histórias dos homens que fizeram as triangulações que nos levaram ao centro do país. É aqui também que pode obter um diploma assinado pelo presidente da Câmara de Vila de Rei em como esteve realmente no Centro Geodésico de Portugal. Um íman de frigorífico com o picoto custa 2,40€.

Almoce num clássico da EN2

Chama-se Paragem do Motorista e tem nos camionistas que fazem a Nacional o seu público-alvo. A comida é barata e abrutalhada, o ambiente é de tasca e este restaurante tem uma particularidade inquietante: para atravessar de uma sala de refeições para outra passa-se pelo meio da cozinha.

Pare em Ciborro e conheça o bar “oficial” da EN2

É o único estabelecimento em 738 quilómetros de estrada que faz uso do estatuto da Estrada Nacional 2 para se promover. O snack-bar O Ciborro fica mesmo ao lado do marco que assinala o quilómetro 500 e vende autocolantes que celebram a “Historic Route” (0,80€ cada, disponível em preto e vermelho). Este café serve de pit stop para muitos motociclistas que fazem a estrada, como se pode comprovar pela quantidade de autocolantes de grupos motards.

Aldeia de xisto Água Formosa
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Fora da estrada

Dê um mergulho na praia fluvial de Fernandaires

Deixando Sertã pelas costas, siga para Sul cerca de 12 quilómetros até achar uma terra com o curioso nome de Relva do Boi. Aí deverá encontrar placas a indicar uma “Praia Fluvial” mas se passar por Souto e Vilar de Ruivo é porque está no caminho certo. Fernandaires é uma discreta baía que faz parte da Barragem de Castelo de Bode e diz ser o “Primeiro Resort de Wakeboard do Mundo”. A praia é muito bonita, está rodeada por pinhais e tem uma paz e sossego que os desportos náuticos insistem em desafiar. Num dia de calor é o melhor desvio à N2 que pode fazer.

Visite a aldeia de xisto Água Formosa

Fica a 15 minutos de Vila de Rei e implica um desvio de cerca de 10 minutos para o interior, deixando a EN2 para trás – a 3km de Vila de Rei vai ver uma placa a indicar Água Formosa. Esta pequena aldeia de xisto, enfiada no meio de um vale e cortada ao meio por um riacho, parece um cenário de um filme. O tipo de aldeias que até agora só tínhamos visto em aulas de Meio Físico e Social ou naqueles minidocumentários que davam antes do Vamos Jogar no Totobola. Passeie pelas ruas estreitas e abasteça-se de mel na pequena loja de produtos locais.

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