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Como foi a primeira noite de desfiles do Grupo Especial na Marquês de Sapucaí

Acadêmicos de Niterói empolgou; Imperatriz impressionou, Portela emocionou e Mangueira foi a melhor da rodada. Leia análise

Bruno Calixto
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Bruno Calixto
Time Out Rio de Janeiro
Mangueira 2026
Tata Barreto | Mangueira 2026
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Alegorias imponentes contaram o início da vida sertanejo do presidente Lula, em meio a tanta polêmica. Na última quinta-feira, o plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou, por unanimidade, dois pedidos para que o desfile da Acadêmicos de Niterói não ocorresse por configurar propaganda eleitoral antecipada. Os ministros da Corte afirmaram que a proibição antes de o desfile ocorrer configura censura prévia, mas ressaltaram que poderá haver punição futura caso ocorram ilícitos eleitorais na avenida. O presidente, presente na avenida, saudou o casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira beijando o estandarte da escola (uma tradição diante do camarote do Prefeito) e, para evitar mais polêmica, fez o mesmo com as outras agremiações da noite.

Acadêmicos de Niterói 2026
Luiza MonteiroAcadêmicos de Niterói 2026
Imperatriz 2026
Tata BarretoImperatriz 2026

Mestre Lolo deu um show na bateria da Imperatriz, só não foi maior que o da Rainha Isa, vestida de serpente, referência à capa do álbum de Ney Matogrosso "Pecado", lançado em 1977. Em busca do décimo título, o enredo “Camaleônico”, contou o carnavalesco Leandro Vieira, foi inspirado na arte livre e provocadora de Ney Matogrosso. “É corpo, é performance, é metamorfose em forma de samba”, postou Vieira. Um desfile que trouxe cor, atitude e uma alegoria de lobisomem que impressionou do primeiro ao último setor. A comissão de frente trouxe palco e camarim, o casal de mestre-sala e porta-bandeiras foi coreografado por Ana Botafogo. E foi bonito... Pavão misterioso, a rosa de Hiroshima e o mundo de Ney, que nunca foi tão aplaudido.

Portela 2026
Alex FerroPortela 2026

A energia positiva da noite ficou por conta da Portela, salve ela, que levou os componentes às lágrimas ao fim do desfile. “Há muitos carnavais, não vejo minha escola com esse acabamento”, disse Teresa Cristina, numa entrevista. Houve um pequeno problema na entrada do carro-saideira, com a Velha Guarda, Certamente, vai ter punição na evolução, mas pensando pelo lado energético, você imagina a quantidade de poder concentrada num carro só? Impossível deslizar tão fácil como os outros. O desfile lindo fez jus ao enredo sobre o príncipe do Bará. Teve até homem voando numa geringonça para narrar a fábula do Batuque, religião afro-brasileira de culto aos orixás, popular na região Sul do país. A maior campeã da festa, depois de muitos mas muitos anos, comprovou que está de volta.

Mangueira
Clara RadoviczMangueira

Bela, bela, bela. A Mangueira fez bonito do início ao fim, sem poréns. Arrisco a dizer: a mais provável campeã da noite. Evelyn Bastos, a sempre Rainha de Bateria, deu um show. Tudo para o sábio das ervas, xamã e babalaô Mestre Sacaca (1926-1999), com direito a um desfile cheios (de patchouli, alfazema e alecrim) e som de pássaros, onças, macacos e pássaros. Benedita de Oliveira, a benzedeira do Morro da Mangueira, não saiu da boca do público, que teve a oportunidade de conhecer a Amazônia negra e o “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju”. Tudo com aquele lirismo que é a marca da Ver e Rosa. É certo de que está no páreo para voltar no sábado das campeãs.

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