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Dida Bar chega à Lapa, em busca popularizar mais sua cozinha afro

Um ponto de resistência, a casa se destaca pelo menu afetivo de raízes brasileiras, pelo ambiente acolhedor e pelo resgate de sabores caseiros e memórias

Bruno Calixto
Escrito por
Bruno Calixto
Time Out Rio de Janeiro
Dida Bar
Divulgação
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Marielle Franco gostava do feijão nigeriano. Conceição Evaristo sempre pede bolinho de feijoada. O Rei da Nigéria escolheu o calulu de carne-seca. E Angela Davis brindou com um drinque feito para ela, com vodca preta e limão siciliano. Essa é parte da herança em dez anos de Dida Bar na Praça da Bandeira, um dos poucos restaurantes no Rio que joga luz sobre a comida do Continente Africano, de onde mais de quatro milhões de pessoas foram sequestradas e traficadas para o Brasil para serem escravizadas. Longe de premiações como Michelin e 50 Best, esta gastronomia resiste por aqui graças a pessoas como a chef Dida Nascimento que, depois de cinco idas à África (passando por diversos países), consolidou seu cardápio na história da mesa carioca. Este mês, a casa deixou a Praça da Bandeira, zona Norte, e passou a ocupar um casarão centenário na Lapa, região Central, onde as receitas ancestrais da Dida terão uma vitrine maior. Quem sabe, enfim, ganhar o respeito que merece nas listas que pontuam cardápios mundo afora.

Salão
DivulgaçãoSalão

“Era um sonho nosso chegar mais para o Centro, onde a circulação de pessoas é maior, estamos sentindo mais aconchegante, desafiados e continuar com o que já vem dando certo mas também criar novidades", diz Dida, que já lançou um petisco especialmente para Yemanjá, cujo dia é celebrado dia 02 de fevereiro. Trata-se de um barco que chega à mesa carregado de camarões, polvo, mexilhão, sardinha e lula (R$ 198, comem até três pessoas). 

O feijão nigeriano é um dos carros-chefe, fradinho com camarão defumado, dendê e carne bovina levemente apimentada (R$ 65). O famoso calulu vai com quiabo e fufu (um acompanhamento à base de farinhas muito consumido em Angola) de milho branco. O coquetel de vodca preta sai por R$ 35.

Fachada
DivulgaçãoFachada

Carioca da zona Norte, Dida nasceu no Cachambeer mas, aos 18, mudou-se com a mãe (que decidiu se separar) para a Pavuna, onde arriscou os primeiros passos com as panelas. As duas cozinhavam em casa para servir em eventos, e o primeiro prato que elas foram encomendadas foi algo bem diferente do que a chef serve hoje, estrogonofe.

Dida Bar e Restaurante
Reprodução/InstagramDida Bar e Restaurante

Formada em Economia, Dida conta com os filhos e netos para tocar o negócio que agora ocupa um sobrado histórico lindo de três andares, com 60 mesas. Tantas histórias e personalidades que garantiram reputação à luta de Dida colorem as paredes, decoradas com tecidos africanos e obras de arte que evocam que, independente da vontade de alguns, o apagamento é só uma tentativa frustrada de contar uma história sem diversidade e justiça. A comida, sim, tem o poder de combate.

Onde? Rua do Lavradio, 192, Lapa.

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