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Porta do Céu: a laje da Rocinha que virou novo cartão-postal do Rio

Cenário com vista para a cidade viraliza nas redes, atrai filas de até duas horas e gravações feitas por drone que podem custar R$ 400

Lívia Breves
Escrito por
Lívia Breves
Editora, Time Out Rio de Janeiro e Brasil
Porta da Rocinha
Divulgação
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Se você abriu o Instagram ou o TikTok nas últimas semanas, é bem possível que já tenha visto o vídeo: uma pessoa atravessa uma porta em uma laje, anda até a beira, senta em uma cadeira simples e um drone se afasta lentamente, fazendo um plano bem aberto da paisagem e mostrando o mar, o Cristo Redentor e o emaranhado de telhados da Rocinha. Parece cena de filme. Tanto que o cenário, apelidado de “Porta do Céu”, virou um dos conteúdos mais compartilhados sobre o Rio nesse momento e transformou um terraço da comunidade no novo ponto turístico da cidade.

Porta da Rocinha
Divulgação

A experiência viral funciona quase como um mini set de filmagem. Turistas chegam à comunidade em tours guiados, sobem até a laje e aguardam a vez de gravar um vídeo de 30 a 40 segundos com drone. O preço normalmente varia entre R$ 150 e R$ 250, mas já há relatos de vídeos que chegam a R$ 400, dependendo do pacote e da edição. Em dias de maior movimento, a fila pode passar de duas horas. 

Turismo em comunidades em alta

Rocinha
Divulgação/Drone Leo

A febre da “Porta do Céu” faz parte de um movimento maior: o crescimento do turismo em comunidades cariocas. Só em janeiro deste ano, a Rocinha recebeu mais de 41 mil visitantes, um aumento de cerca de 37% em relação ao ano anterior, impulsionado por mototáxis turísticos, visitas guiadas e os vídeos de drone nas lajes.

Hoje, pelo menos 26 terraços e lajes da Rocinha e do Vidigal participam desse circuito, permitindo visitas e gravações. Para muitos moradores, o fenômeno abriu novas oportunidades de renda, desde guias e pilotos de drone até donos de casas que alugam seus espaços para gravações.

Entre a vista e o debate

Porta da Rocinha
Divulgação

Como toda tendência viral, a popularidade também levanta discussões. Enquanto moradores e guias destacam a geração de empregos e a chance de mostrar um lado positivo da comunidade, críticos apontam o risco de transformar a favela em cenário exótico para conteúdo de redes sociais. Polêmicas à parte, uma coisa é certa: em uma cidade conhecida por cartões-postais como o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar, a vista da Rocinha (agora mediada por drones e algoritmos) entrou definitivamente no mapa do turismo contemporâneo do Rio.

E fica a pergunta: será que o próximo grande mirante da cidade surgirá de em um vídeo de 30 segundos pronto para viralizar?

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