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Em paralelo ao RioFW, a Silvia Cintra + Box 4 recebe a mostra que conta com obras dos artistas Antonio Bokel, Marina Ribas, Hildebranda, Laura Rivoiro e Jonas Bueno

Fronteira Arte e Moda transforma a galeria Silvia Cintra + Box 4, na Gávea, numa espécie de ateliê expandido entre 15 e 18 de abril de 2026. Curada por Amanda Mujica, a mostra reúne peças concebidas como objetos híbridos, onde o vestir encontra a escultura e a performance, e propõe uma reflexão sobre tempo, autoria e processo num período em que a cidade respira moda com o RioFW (que acontece nas mesmas datas, no Píer Mauá).
Amanda, que também é estilista, diz que a exposição nasceu de uma inquietação sobre aproximações entre arte e moda e que a virada conceitual se consolidou durante a especialização em Arte e Filosofia na PUC-Rio. "Fronteira Arte e Moda nasce desse atravessamento entre prática e pensamento", afirma ela, explicando que o projeto desloca o vestir do campo exclusivamente funcional para um território experimental e reflexivo.
O eixo técnico da mostra é o moulage, procedimento em que o tecido é modelado diretamente sobre o corpo ou manequim, abrindo margem para o imprevisível e aproximando o fazer do gesto artístico. Amanda toma como dispositivo a chemise moulage da coleção Essa, disponível para compra em amuveste.com.br, e explica que essa peça funciona como ponto de partida para as variações apresentadas pelos artistas. Amanda frisa que há um diálogo explícito com a história da arte brasileira, lembrando os Parangolés de Hélio Oiticica ao ativar o corpo em movimento, mas também há uma dose de subversão cotidiana, peças que atravessam utilidade e excesso e que funcionam tanto como adereço quanto como obra de arte.
Os artistas Antonio Bokel, Marina Ribas, Hildebranda, Laura Rivoiro e Jonas Bueno foram convidados para desenvolver uma obra a partir da chemise, usando seus repertórios próprios e criando peças que transitam entre figurino e escultura. "A exposição reúne práticas distintas, que partem do mesmo dispositivo e o desenvolvem a partir de repertórios próprios", explica Mujica.
A mostra também propõe um descolamento em relação à lógica comercial da moda ao trabalhar o ritmo do tempo de modo distinto. Em vez de produção em escala, cada artista apresenta uma edição limitada: cinco peças por autor, numeradas, assinadas e acompanhadas de certificado. As chemises estarão à venda durante a exposição, mas enquadradas como múltiplos de arte, reorganizando a atribuição de valor do vestir. "O que se desloca não é a venda, mas a forma de atribuição de valor", resume a curadora.
Realizada em paralelo ao RioFW, a iniciativa carrega um viés autobiográfico para Mujica, que participou por seis edições do Fashion Rio, com a marca Soul Seventy, que tinha com Antonio Bokel. Estar nesse calendário hoje significa marcar um deslocamento de percurso e evidenciar um outro modo de operar dentro da moda, mais vinculado a curadoria, pesquisa e criação autoral. "A exposição nasce desse campo ampliado e propõe um movimento de contrafluxo", afirma.
Fronteira Arte e Moda funciona, na prática, como um convite a repensar onde termina a roupa e onde começa a obra.
Serviço:
Quando: 15 a 18 de abril, das 10h às 19h
Onde: Silvia Cintra + Box 4 Galeria de Arte (Rua das Acácias, 104, Gávea)
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