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Nova intérprete da Beija-Flor tem a missão de fortalecer o time de vozes femininas na Sapucaí, engrossado por ninguém menos do que Teresa Cristina, pela Acadêmicos de Niterói

A voz feminina puxando os sambas-enredo este ano promete ser um quesito a mais no espetáculo. Muito disto em razão, não tanto do número de cantoras assumindo o posto, mas sobretudo por uma que deve ser a maior diferença durante os desfiles. Com a saída de Neguinho da Beija-Flor, quem veio para a sucessão é Jéssica Martin, a mais nova intérprete da Beija-Flor e também a primeira puxadora oficial da elite do carnaval carioca.
Com o enredo Bembé, a escola celebra o maior Candomblé de rua do mundo, que reúne todo ano mais de 60 mil pessoas no dia 13 de maio em Santo Amaro (BA).
O sonho de cantar é antigo na vida de Jéssica, remonta sua infância na zona Oeste. Aos 36 anos, a voz oficial da Azul e Branca de Nilópolis dividirá o microfone com Nino Nunes, compositor e intérprete com uma trajetória de duas décadas no carnaval, incluindo passagens pela Beija-Flor.
“Um casamento maravilhoso", diz ela, sobre o parceiro e o fato de os dois estarem substituindo uma lenda. "Tenho certeza que a gente vai renovar nossa história. A sucessão do nosso mestre Neguinho após 50 anos vai ser um marco, eu sendo uma voz feminina, ele sendo uma voz masculina."
A dupla foi escolhida por meio do reality "A voz do carnaval", que será transmitido em setembro pelo Multishow. A atração, com quatro episódios, é apresentada pelo ator Samuel de Assis e foi gravada na quadra da escola. A disputa contou com a participação de oito candidatos, todos com um histórico de ligação com a agremiação, sendo que somente três foram para a final, ontem. Neguinho e a cantora Teresa Cristina compuseram o júri artístico, complementado pelo voto popular.
Por falar na voz suprema do samba carioca, a notável Teresa compôs e gravou "Lula, o operário do Brasil", da Acadêmicos de Niterói, e estará na avenida (ao lado do puxador Emerson) defendendo sua obra, imprimindo aquele timbre único para contar a história do retirante que saiu de Garanhuns, em Pernambuco, para se tornar uma liderança nacional.
"Eu acho tudo isso muito revolucionário, porque trata-se do primeiro presidente do Brasil com três mandatos", destaca Teresa, que "teve o cuidado"de não musicar na primeira pessoa dele, e sim na da mãe, dona Lindu. "Eu tive o privilégio e a alegria de poder participar como compositora, um samba que me emociona muito, né? Assim como emocionou o Lula, como emocionou as pessoas em torno dele. Acho um ato corajoso da escola, eu me considero uma pessoa corajosa também."
Embora a maioria das escolas de samba do Grupo Especial ainda tenha intérpretes principais masculinos confirmados para 2026, como Evandro Malandro (Grande Rio), Wander Pires (Viradouro), Gilsinho (Portela), Igor Sorriso (Salgueiro) e Tinga (Vila Isabel), a presença de Teresa Cristina e Jessica Martin é um marco notável na busca por maior protagonismo feminino nesse segmento. Ainda mais quando se trata da Beija-Flor, que tem no canto uma aposta segura para vencer o campeonato. Será que tem grito de guerra com ela? "Olha a Beija-Flor aí, gente!"
A cantora amapaense Patrícia Bastos é uma das vozes que dão vida ao samba-enredo oficial da Mangueira, que trata do “Mestre Sacaca do Encontro Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”, lançado recentemente nas plataformas digitais. Além de interpretar o alusivo do samba, trecho que abre e introduz a obra, Patrícia teve participação direta no processo criativo do enredo, contribuindo com referências culturais e históricas que ajudaram a moldar a narrativa do samba que exaltará a cultura do Amapá e o legado do Mestre Sacaca, figura lendária da sabedoria popular nortista.
Chama atenção a dedicação de Patrícia que, durante o desenvolvimento do samba, desempenhou um papel essencial na conexão entre os compositores cariocas e a cultura amapaense. Segundo fontes na quadra, a artista acompanhou o grupo em visitas a lugares simbólicos do estado, compartilhando histórias, expressões e elementos da musicalidade local que enriqueceram o processo de criação. Assim a gente fica mais convencido de que o Amapá vai estar na Sapucaí com toda a força do batuque, da poesia e da sabedoria popular, eixo central do tema da escola.
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