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Cardápio tem opções com itens da nossa floresta, como cupuaçu, açaí e cumaru

Faz tempo que a Amazônia vem adentrando o salão carioca. Demorou para os chefs daqui entenderem a força e originalidade dos ingredientes que vêm a floresta. É isso que vai nos trazer mais prestígio e, portanto, prêmios. Se é o que almejamos. Ana Castilho, no seu Aprazível Território, foi audaciosa e empurrou na carta uma sessão inteira dedicada à gastronomia amazônica. Teresa Corção sempre fez isso. O francês Jérôme Dardillac repensou todo o cardápio do Marine, Fairmont, dando destaque aos insumos que vêm do Norte. E nessa leva que só faz crescer, o restaurante-escola da francesa Le Cordon Bleu apresentou as novidades com algo precioso aos brasileiros: sabores da Amazônia. Bravo!
Logo de entrada, o duo de foie gras chega com créme brûlée au cognac e torchon mi-cuit com especiarias, chutney de figo e pão brioche maison, acompanhados de sorvete de cumaru (R$ 175). O inesperado, à mesa, às vezes faz todo sentido.
O mesmo cumaru - considerada a baunilha brasileira (não gosto dessas comparações) - é a dama de companhia do mais franceses das desserts: o Crêpe Suzette, panquecas finas servidas com molho de laranja caramelizada e flambado no salão com licor Cointreau (R$ 83). Amo esse equilíbrio entre a doçura e a acidez cítrica, com cumaru então…
Ainda no campo das sobremesas, a mais amazônica delas leva creme de cupuaçu, calda de taperebá, sponge cake de açaí, telha crocante de castanha de caju, terra de cacau e sorvete de cumaru, a baunilha brasileira (R$ 65). Já imaginou a reação dos franceses que realmente buscam sabores originários nos países que visitam?
Agora vem o prato principal, não podia faltar, e nesse, os chefs Yann Kamps, Philippe Brye e Mbark Guerfi entregaram tudo. Magret de pato com molho de frutas vermelhas, fagottini de pera e cupuaçu, mousseline de beterraba assada (R$ 148). Além de superalimento amazônico, o cupuaçu é tão diverso que dele se faz até chocolate (cupulata), a joia cítrica da floresta, muito bem aproveitada no salão onde ainda desfilam duas novidades: Oeuf Fermier — ovo perfeito cozido a baixa temperatura acompanhado de cogumelos de Paris trufados e espuma de porcini (R$ 85), e Vieiras ao beurre blanc, funcho cozido lentamente ao vinho e caju fermentado (R$ 135).
Uma festa de técnicas francesas, mas com intensidades que nos deixam aqui nos trópicos com o coração orgulhoso.
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