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Marca portuguesa aposta em produção manual, peças em edição limitada e estética vibrante para conquistar o público brasileiro

A Otherwise acaba de chegar ao Brasil trazendo na bagagem uma proposta que valoriza o tempo, o fazer manual e a construção de peças com história. Fundada em Lisboa, em 2017, a marca se distancia da lógica acelerada da moda para apostar em processos mais lentos e cuidadosos. “Fazer moda de uma maneira diferente sempre foi a nossa base”, diz Manuel Ochoa, fundador da marca. “Quase todas as nossas peças passam por processos artesanais, seja na tecelagem, na estampagem ou no bordado.”
Esse olhar se traduz em coleções que exploram técnicas tradicionais como block print, ikat e jamdani, executadas por artesãos especializados. Em alguns casos, o tempo de produção impressiona: “Temos tecidos que demoram cerca de três meses a produzir apenas 100 metros, o equivalente a aproximadamente 50 camisas”, conta Manoel.
Não à toa, as camisas se tornaram uma espécie de assinatura da Otherwise. Com padrões marcantes, cores vibrantes e texturas naturais, elas condensam a essência da marca, que mistura referências mediterrâneas com tradições têxteis de diferentes culturas.
A escolha do Brasil como próximo passo na expansão veio quase de forma intuitiva. “O Brasil surgiu como uma escolha muito natural para a Otherwise”, explica Ochoa, que tem quatro lojas em Lisboa. “É um país onde o sol, o calor e um estilo de vida mais leve fazem parte do dia a dia e sentimos que o nosso produto, pelas cores vibrantes, pelos padrões e pelos materiais naturais, tem uma afinidade muito forte com esse contexto.”
Mais do que uma questão estética, há também uma conexão cultural. “Depois da consolidação em Portugal, fazia sentido dar o próximo passo num país irmão. Existe uma proximidade evidente, mas também uma energia muito própria que nos atrai muito”, diz. “Temos sentido cada vez mais um carinho genuíno por parte do público brasileiro, o que nos dá ainda mais confiança.”
Para o fundador, essa identificação vai além da primeira impressão visual. “A estética é sempre o primeiro ponto de ligação, mas o que realmente nos diferencia é o trabalho manual”, afirma. “Hoje, nem sempre esse tempo e esse cuidado são valorizados. Mas acreditamos que, cada vez mais, o mercado vai procurar peças com história, feitas com tempo, como contraponto à fast fashion.”
Se tivesse que traduzir o espírito da marca em uma cidade brasileira, Ochoa não hesita: o Rio de Janeiro. “Pela luz. Pelo contraste entre o bruto e o delicado. Pelo mar sempre presente”, diz. “É uma cidade onde tudo parece acontecer sem esforço, onde o natural e o expressivo coexistem. Há uma beleza imperfeita que sentimos muito próxima da forma como criamos os nossos tecidos.”
Essa relação com o Brasil, aliás, não é recente. “Acho que muitos brasileiros não têm noção, mas os portugueses inspiram-se muito no Brasil”, comenta. “Crescemos a ouvir música brasileira, a ver novelas, a incorporar expressões. Existe uma presença muito natural do Brasil no nosso dia a dia.” A chegada ao país também passa por uma história pessoal. O primeiro contato com o mercado brasileiro aconteceu em 2019, a partir de uma conexão com o fotógrafo Vinicius Longato. “Houve logo uma vontade mútua de avançar, mas com a pandemia o projeto ficou em pausa”, relembra.
A parceria foi retomada anos depois. “Em 2024 voltámos a aproximar-nos, trabalhámos juntos numa campanha e, a partir daí, a relação fortaleceu-se. A ideia de entrar no Brasil ganhou nova energia”, diz. “Foi no final de 2025 que decidimos dar o passo.”
Agora, com vendas online para todo o país, a Otherwise começa a construir sua presença por aqui com a mesma lógica que guia suas coleções: sem pressa, mas com intenção. “A nossa ideia é criar peças que permaneçam no guarda-roupa por muitos anos”, resume Ochoa. “Peças com personalidade, feitas com tempo e cuidado.”
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