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"Constelações" ocupa 12 salões e os pátios, com obras de artistas consagrados e novos nomes

Quatro décadas depois, o Paço Imperial, o casarão histórico de janelas amplas de frente para a Baía de Guanabara, segue fazendo o que se espera de um bom centro cultural: surpreender. A grande celebração dos 40 anos acontece em uma super exposição, batizada de "Constelações, 40 anos do Paço Imperial", uma mostra caleidoscópica que ocupa 12 salões e os dois pátios internos do prédio, reunindo cerca de 160 obras de mais de 100 artistas que já passaram por aqui.
Curada por Claudia Saldanha e Ivair Reinaldim, em parceria com a equipe do Paço, a exposição renuncia à hierarquia: mistura gerações, linguagens e territórios, da arte popular ao contemporâneo, do neoconcretismo às intervenções in situ, e convida o público a montar seu próprio percurso. Não há circuito fixo; todos os portões estão abertos, inclusive o principal, enfim reaberto desde a pandemia, e você entra por onde quiser.
O elenco é de causar orgulho: Adriana Varejão, Amilcar de Castro, Anna Maria Maiolino, Beatriz Milhazes, Cildo Meireles, Hélio Oiticica, Lygia Clark, Lygia Pape, Tunga, Debret, Zerbini, Arthur Bispo do Rosário, Roberto Burle Marx e muitos outros aparecem em núcleos temáticos como Paisagem, In Situ, Simbiose, Construção, Geografias, Corpos, Fortunas, Terra e Mar e Cidade. Há obras inéditas, destaque para a instalação Agrupamento, de José Damasceno, feita com materiais garimpados na feira da Praça XV, e um jardim assinado pelo Sítio Roberto Burle Marx montado no pátio principal.
A mostra também reserva espaço para um tesouro documental: 15 vídeos da série Rio Arte com registros dos artistas nas décadas de 1980 e 1990, tratados como obras em si e exibidos em sala dedicada. Paralelamente, a programação inclui mesa de abertura, seminários sobre a trajetória do Paço, oficinas em parceria com a Escola de Artes Visuais do Parque Lage e ações educativas, tudo pensado para reafirmar o papel do Paço como ponto de encontro do circuito de arte do Rio.
História resumida do Paço: construído no século XVIII e tombado pelo Iphan, o Paço já foi Casa dos Vice-Reis, Paço Real e até Agência Central dos Correios. Desde a restauração de Glauco Campello e a reabertura como centro cultural em 1985, tornou-se referência em exposições que atravessam tempos e estilos, e agora celebra esse percurso reunindo quem fez e faz sua história.
A exposição fica em cartaz até 07/06/2026.
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