Notícias

Peça com Thai de Melo, no Copacabana Palace, aborda de violência doméstica a maternidade

Com direção de Bruno Guida, o espetáculo ‘Como é que eu vim parar aqui?’ chega ao Rio depois de estrear em São Paulo com sucesso de público e crítica

Bruno Calixto
Escrito por
Bruno Calixto
Time Out Rio de Janeiro
Com direção de Bruno Guida, Thai de Melo tem sido absoluto sucesso de público e crítica com o espetáculo Como é que eu vim parar aqui?.
Divulgação | Com direção de Bruno Guida, Thai de Melo tem sido absoluto sucesso de público e crítica com o espetáculo Como é que eu vim parar aqui?.
Publicidade

Thai de Melo, a influenciadora  roraimense formada em Jornalismo que despontou nas redes criando uma sátira debochada da classe média alta, da loja de roupas onde trabalhava, tem um importante papel na noite de hoje: conquistar a confiança das mulheres (e dos homens também) na plateia do Teatro do Copacabana Palace para assistir ao espetáculo “Como é que eu vim parar aqui?", dirigido por Bruno Guida (“A Última Entrevista de Marília Gabriela"), com Thai no palco, em vez de atrás do balcão.

Confiança porque não se trata de uma trama qualquer. “Aborda muitos temas que, de alguma forma, vivi e observei ao longo da vida, temas como beleza, poder, casamento, maternidade, dinheiro, sucesso, mentiras, expectativas, carreira e violência doméstica. Com essa convivi durante muitos anos e, infelizmente, não sou a única. Então quando ganhei um canal da vida na internet, achei importante usar a palavra pra quem sabe ajudar outras histórias", diz Thai, num bate-papo com a TimeOut. Por aqui, a peça está em cartaz até esta quinta-feira (12). A estreia foi em São Paulo, com sucesso de público e crítica. 

Ao longo de quase 55 minutos, a artista vai contar de que forma estas violências atravessam a mulher Thai e a artista Thai de Melo. “São experiências pessoais, provocações, críticas e reflexões que transitam entre humor, perplexidade, esmero cênico e emoção.”

“As palavras libertaram minha mãe. Foi lendo um trecho de um livro que ela começou a entender o que estava vivendo e, a partir dali, foi encontrando forças para sair de um relacionamento extremamente nocivo, o que só aconteceu depois da liberdade financeira. Mas tudo começou com a palavra. Entendi desde cedo a importância da comunicação.”

Um assunto caro às mulheres, os mitos da maternidade são um ponto alto do espetáculo, pelo grau de toxidade para as mesmas. “Ter qualquer tipo de expectativa é muito tóxico.”

Mas tratar a maternidade num monólogo que fala de dores requer humor, habilidade que Thai tira de letra. 

“O humor vem do que não dá certo. E, como fui criada com um ideal de maternidade, quando me deparei com ela, não me reconheci. Nessas horas, depois de chorar, procuro rir.”

A encenação aposta em uma construção estética singular, reunindo criadores de diferentes áreas. O figurino é assinado por Alexandre Herchcovitch e Flávia Laffer, a trilha sonora é de Dan Maia, a direção de movimento de Gabriel Malo e a direção de arte de Ana Ariette. O texto é de autoria da própria Thai de Melo, em parceria com Juliana Rosenthal.

Ver os machucados no rosto da mãe, “a ponto de não entender como a voz dela ainda estava ali", foi a maior dor para Thai, ela revela. 

Ao passo que a maior glória é ter sido dona de casa até os seus 30 anos, começar a trabalhar como vendedora e, aos 38, ter subido num palco sozinha pela primeira vez. “Por isso, eu só pretendo chegar no hoje: subir no palco, esperar a vida abrir a cortina e fazer o meu melhor, se possível me divertindo.”

Quando? 12/03, às 20h.

Onde? Teatro Copacabana Palace: Av. Nossa Sra. de Copacabana, 261 - Copacabana

Quanto? Plateia: R$ 160. Camarote: R$ 150. Balcão (ingresso popular): R$ 50.

Classificação?  14 anos.

Últimas notícias
    Publicidade