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Mega show da cantora colombiana na cidade surge num contexto de polarização política, em um ano eleitoral marcado por debates sobre a imigração nos EUA e crítica de Eduardo Bolsonaro à performance apoteótica do porto-riquenho Bad Bunny

Aos 49 anos, Shakira fica entre as suas duas antecessoras no palco do Todo Mundo no Rio: Madonna, 67, e Lady Gaga, 39 anos. Mas a Rainha do Pop Latino, convocada para o grande show gratuito de 2026 nas areias de Copacabana - pelo terceiro ano consecutivo -, pode superar o feito das duas americanas, já que a latinidade está em alta no mundo. Não se sabe ainda se a apresentação do dia 2 de maio (um sábado) vai ultrapassar os R$ 300 milhões de retorno com a vinda da Madonna ou, sendo muito otimista, o dobro (R$ 600 milhões) de Gaga. O que se espera, depois de menos de um dia da confirmação do show da cantora é que, na carona de Bad Bunny, é que a presença de Shakira em solo brasileiro tem potencial para bater recordes, segundo projeção do prefeito Eduardo Paes. Afinal, a missão de um evento de grande porte como esses é sempre surpreender.
“Agora é a vez de uma latina brilhar nas areias de Copacabana. Os turistas latino-americanos já são maioria dos estrangeiros que visitam a nossa cidade, e esse público com certeza vai fazer de tudo para viver esse momento histórico. Não é só um show: é mais uma grande oportunidade para o Rio atrair turistas, movimentar a economia, gerar negócios e ganhar ainda mais visibilidade no mundo”, diz Paes.
A confirmação de Shakira no palco foi feita pelo prefeito numa rede social nesta quarta-feira (11), três dias depois do Super Bowl em que Bunny dominou o mundo musical com sua latinidade. O que Shakira deve fazer por aqui em maio
Além de arriscar um português que não deixa a desejar e cantar em espanhol e inglês, a colombiana conversa com um público mais velho e com as novas gerações — ela surgiu nos anos 1990, explodiu na década de 2000 e lançou hits poderosos depois. Seu último grande sucesso, "Bzrp Music Sessions, Vol. 53", é de 2023. Aloba ícone para a comunidade LGBTI+ e celebrada por mulheres, especialmente após adquirir um forte discurso feminista no seu último álbum, "Las Mujeres Ya No Lloran, ou as mulheres já não choram, cheio de alfinetadas a seu ex-marido, o jogador Gerard Piqué. Não à toa, é conhecida como a “loba”.
Queridinha na América Latina e também nos EUA, na Copa do Mundo de 2014, aqui no Brasil, ela lançou "La La La", junto com Carlinhos Brown, quatro anos depois do megahit "Waka Waka", de 2010, para os jogos sediados na África do Sul. A música é citada até hoje como a mais memorável da história recente da Copa.
Fã que é fã, veste-se de ídolo. Luisa Santiago não vê a hora de chegar próxima ao palco onde a diva latina se apresentará. Até lá, a musicoterapeuta vai se fantasiar de Shakira no carnaval, como sempre faz. "Eu sempre saio assim [de Shakira] no carnaval. É uma brincadeira minha ja muito antiga, mas que no ano retrasado viralizou por causa do bloco O Glorioso Mergulho. AÍ acabou virando uma roda de samba, a Sambaquira. Fui no show ano passado, sou fã e adoro ela há muitos anos.”
No setor de bares e restaurantes, as expectativas são as melhores. Avisa o presidente do SindRio, Fernando Blower.
“Grandes eventos como esses nos fazem pensar a médio e longo prazo, porque o turista que vem, volta depois, come no restaurante que não conheceu, traz a família, os amigos. Visita o bar famoso e também o tradicional. É um reflexo da economia criativa. E em se tratando da Shakira, devemos ter a presença de muito mais latinos, o que empodera este setor da gastronomia por aqui.
Em relação à rede hoteleira, o presidente do HotéisRIO, Alfredo Lopes: acredita que o grande diferencial desse show realizado é o tempo de antecedência com o qual ele é divulgado, pois permite que as pessoas se programem.
“O da Lady Gaga foi quase um Réveillon fora de época. A Shakira também é um nome de repercussão mundial e, por conta da constância desses shows, poderá até ter um público maior, pois os espetáculos vêm sedimentando seu espaço no calendário de eventos do Rio. A cidade com certeza vai ficar cheia, em especial de visitantes latino-americanos, principalmente turistas argentinos”.
O retorno financeiro do show de Madonna foi superior à margem esperada de R$ 300 milhões. A informação do governo do estado disse ainda que a apresentação atraiu mais de 1,6 milhão de espectadores na praia de Copacabana. Cerca de 150 mil destes seriam turistas, nacionais e internacionais. No setor hoteleiro, foram 96% das vagas reservadas.
A também americana Lady Gaga, em sua passagem pelo Rio em 2025, aqueceu a demanda por serviços e os preços disparam. O impacto econômico foi de R$ 600 milhões, 27% a mais que Madonna no ano anterior.
“Gagacabana” teve um público de 1,6 milhão de pessoas, o equivalente a 25% da população da cidade em Copacabana.
À época, a plataforma de locações por temporada AirBnB informou que a procura por acomodações no Rio de Janeiro, para o fim de semana de show, quase quadruplicou. Com a maior demanda, os preços de hospedagem também dispararam. Em uma rápida pesquisa na plataforma, o InfoMoney verificou que dormir em Copacabana apenas na noite do show custava mais de R$ 5 mil para um casal, em um apartamento a poucos metros da apresentação.
Os supermercados projetaram um aumento de até 30% nas vendas. A concessionária Orla Rio, que administra mais de 300 quiosques nas praias cariocas, divulgou um aumento de até 40% na receita. Quatro a cada dez quiosques reforçaram equipes, contratando, em média, dois profissionais temporários.
A empresa responsável pela vinda de Madonna, Lady Gaga e Shakira é a Bonus Track, de Luiz Oscar Niemeyer, que espera dobrar o número de pessoas, já que a cultura latina está na crista da onda, e os hermanos estão aqui do lado.
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