Quis ser muita coisa, mas depois cresceu e percebeu que era a escrever que ia traçar o seu caminho. Licenciou-se em Estudos de Cultura e Comunicação, na Faculdade de Letras, onde ganhou um gosto especial pela arte e cultura. Em 2023, à boleia de um estágio, chegou à Time Out, meio com o qual continua a colaborar hoje. Sempre actuou em várias frentes, ora ia a lojas acabadas de abrir, ora a peças de teatro. Agora, dedica-se a conhecer novos restaurantes, que é como quem diz a comer.

Beatriz Magalhães

Beatriz Magalhães

Jornalista

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Os melhores bares de vinho em Lisboa

Os melhores bares de vinho em Lisboa

Os bares de vinho (ou wine bars, como lhes chamam os ingleses) crescem a olhos vistos. Afinal, o nosso vinho é um dos melhores do mundo e fica bem em diversas ocasiões. Seja para se refrescar a meio da tarde, aconchegar-se ao fim do dia ou até para ganhar balanço numa noite de festa, reunimos os melhores bares de vinho em Lisboa, onde além de conseguir beber um copo (muitas vezes de referências fora da caixa) pode forrar o estômago com alguns petiscos tradicionais. Beber de barriga vazia é que não.  Recomendado: Os 20 melhores sítios para ouvir jazz em Lisboa
As melhores marisqueiras em Lisboa

As melhores marisqueiras em Lisboa

Se é verdade que o marisco parece saber sempre melhor no Verão, também é certo que as mariscadas nunca são demais. Há que aproveitar o facto de sermos um país costeiro, rico em matéria-prima. Nesta lista de restaurantes dedicados ao marisco, em Lisboa e arredores, encontra verdadeiras instituições da região. O melhor é pedir o seu babete, sem vergonha, e lambuzar-se à vontade. Camarão, lingueirão, amêijoa, caranguejo, santola, percebes, lavagante... há de tudo. Para rematar, uma clássica toalhita perfumada, um prego do lombo – a mais tradicional sobremesa de marisqueira – e uma, duas, três cervejas a estalar. Recomendado: As 12 melhores cervejarias em Lisboa
Aqui é mais bolos: as melhores pastelarias em Lisboa

Aqui é mais bolos: as melhores pastelarias em Lisboa

Bolos, pastéis, jesuítas, éclairs, madalenas, folhados... A lista podia continuar mais duas ou três linhas que nós ficaríamos aqui, a salivar, em frente ao ecrã. A pastelaria é talvez das melhores coisas da cultura urbana e gastronómica portuguesa (nem vale a pena negar) e muitas casas com fabrico próprio são verdadeiras tentações para os mais gulosos. Portanto, não deixe para amanhã o que pode fazer hoje, aproveite o pequeno-almoço, o lanche ou qualquer hora do dia para ir experimentar as especialidades destas 25 pastelarias com fabrico próprio em Lisboa. Prepare-se para sair de barriga cheia. Recomendado: Os 25 cafés imperdíveis em Lisboa
Os melhores campos para jogar padel em Lisboa

Os melhores campos para jogar padel em Lisboa

É, possivelmente, uma das modalidades desportivas criadas há menos tempo e com maior popularidade. Há quem diga que surgiu nos anos 1960, no México; que a sua prática remonta ao século XIX; ou que o desporto terá sido pensado por um americano nos anos 1920. A verdade é que cá o desporto massificou-se e agora não passa despercebido a ninguém. Na capital, os campos disponíveis escasseiam e é preciso uma ginástica de horários para conseguir marcar jogos. Mas nós fazemos a nossa parte e dizemos-lhe quais os melhores campos de padel em Lisboa. Recomendado: Os melhores ginásios em Lisboa para pôr o corpo a mexer
Do mobiliário aos azulejos: cinco lojas de antiguidades em Lisboa

Do mobiliário aos azulejos: cinco lojas de antiguidades em Lisboa

Se quer comprar um quadro, uma jarra, uma jóia ou uma peça de mobiliário do tempo da Maria Cachucha, mas com toda a propriedade, conheça alguns dos espaços em Lisboa onde o pode fazer sem medo de esquemas ou burlas. Isto não quer dizer que não faça o seu trabalho de campo na Feira da Ladra ou, quem sabe, num contentor de obras de um edifício, em busca daquele achado que o vai tornar no próximo grande milionário do país. Mas não se preocupe, há artigos para muitos tipos de bolsos nestas lojas de antiguidades em Lisboa. Recomendado: Lojas históricas em Lisboa: velhas, mas boas  
As melhores garrafeiras em Lisboa

As melhores garrafeiras em Lisboa

Ir a uma garrafeira pode ser quase terapêutico. Um verdadeiro exercício de paciência. Para apreciadores de vinho, pode dizer-se que é um ritual sagrado – mas não solitário. Ao contrário do que acontece em espaços mais impessoais, aqui existe aconselhamento personalizado, com profissionais apaixonados que guiam os clientes na escolha do rótulo certo, nem que seja apenas para aquele jantar com amigos ou para oferecer uma garrafa. Assim sendo, reunimos 10 garrafeiras em Lisboa, completas, diversas e imperdíveis. Vai encontrar vinhos de produção artesanal europeia, referências nacionais, ou até pratos tradicionais portugueses. Recomendado: Os melhores bares de vinho em Lisboa
Os melhores cursos de maquilhagem em Lisboa

Os melhores cursos de maquilhagem em Lisboa

Ter um aparador em casa recheadinho de maquilhagem que lhe serve de stand de trabalho para se embonecar todos os dias é o ponto de partida para admitir que sofre de um fanatismo perante pincéis, batons, sombras, bases e iluminadores. Se é sempre requisitado para maquilhar alguém para aquela ocasião especial também é um sinal de que, talvez, a maquilhagem ocupe um grande espaço na sua vida. Porque não aperfeiçoar a técnica? Nada tema, porém, se não der uma para a caixa, porque estes cursos de maquilhagem em Lisboa ajudam qualquer um a entrar neste mundo e a sair como um verdadeiro profissional.  Recomendado: Os melhores cursos de cozinha em Lisboa 
Os melhores novos restaurantes em Lisboa e arredores

Os melhores novos restaurantes em Lisboa e arredores

As novidades multiplicam-se de tal forma que, quando descobrimos os restaurantes que abriram nos últimos meses, já temos novas mesas à nossa espera. Entre os espaços que ainda cheiram a novo, em Lisboa e não só, há lugar para cozinhas de autor e de fast food, para peixe, marisco, neo-tascas e os mais diversos projectos internacionais. Preparámos um guia com os melhores novos restaurantes em Lisboa para quem quer estar constantemente a par do que se passa na gastronomia da cidade. Não fique desactualizado e faça uma reserva – tem muito por onde escolher.  Recomendado: Os 100 melhores restaurantes em Lisboa
Seis marcas portuguesas de snacks saudáveis

Seis marcas portuguesas de snacks saudáveis

Muitas horas em frente ao computador, em casa ou no escritório, significam assaltos constantes ao frigorífico e à gaveta da secretária. E isso normalmente não dá bom resultado. A pensar na sua rica saúde, e para evitar que devore todas as embalagens de bolachas e tabletes de chocolate, damos-lhe a conhecer algumas marcas portuguesas de snacks saudáveis. Fruta desidratada, barras de chocolate veganas (sim, são saudáveis), chips de húmus, mini bolinhas energéticas de manteiga de amendoim, ou tremoços (para comer sem a jola a acompanhar) são alguns dos que pode encontrar nesta lista. Recomendado: As melhores lojas para comprar a granel em Lisboa  
Os melhores cursos de cozinha em Lisboa

Os melhores cursos de cozinha em Lisboa

Não há dúvidas que todos queremos comer e beber bem. Estamos sempre prontos para sermos arrebatados por um prato feito como mandam as regras, um petisco inesperado ou uma bebida artesanal. Mas verdade seja dita: nem todos somos mestres da culinária, como canta um certo cantor popular. Por isso, o melhor é arregaçar as mangas e meter as mãos à obra para aprender a dar conforto às nossas barrigas, sedentas de fome (e gula). Mas já chega de conversa: vamos aos cinco melhores cursos de cozinha que encontrámos em Lisboa. Recomendado: Cursos e workshops em Lisboa para meter mãos à obra
Os melhores restaurantes com comida coreana em Lisboa

Os melhores restaurantes com comida coreana em Lisboa

Não é fácil encontrar restaurantes apenas de comida coreana autêntica no centro de Lisboa – mas a riquíssima gastronomia da Coreia tem vindo a ganhar seguidores e importância na cena gastronómica da cidade e já há opções para arriscar e provar. Neste roteiro, identificámos três restaurantes coreanos, em Odivelas, no Mercado Oriental, no Martim Moniz, e no Intendente. Mas, se é fã destes sabores, há maneira de comer alguns pratos típicos nos bons pan-asiáticos em Lisboa. Junte ao seu vocabulário gastronómico os nomes kimchi, bibimbap, japchae ou gojuchang, coma novos caldinhos, massas ou pratos de conforto. Recomendado: Os melhores restaurantes japoneses e de sushi em Lisboa 
Os melhores restaurantes com vista em Lisboa

Os melhores restaurantes com vista em Lisboa

O prato é tudo, mas se vier acompanhado de uma vista para admirar nos intervalos entre as garfadas melhor. E boas vistas são o que não falta a esta cidade de múltiplas colinas, de onde é possível olhar Lisboa em todo o seu esplendor, com os seus monumentos e praças cheias de gente. E se formos até Belém ou até à Margem Sul, a vista para o rio e para a outra margem faz-nos logo suspirar. Marque mesa num destes restaurantes, não se irá arrepender. Se o que procura é ar fresco, espreite as nossas listas com as melhores esplanadas e os melhores quiosques da cidade. Recomendado: Os 100 melhores restaurantes em Lisboa

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Lobby: de manhã tem pequeno-almoço, à noite cocktails de autor e DJ sets

Lobby: de manhã tem pequeno-almoço, à noite cocktails de autor e DJ sets

É no rés-do-chão do hotel CAIS Urban Lodge, no Cais do Sodré, que encontramos o Lobby, um café e bar aberto de manhã e à noite. O nome descreve exactamente aquilo que o espaço é: o lobby de um hotel. Neste caso, a primeira coisa que vemos não é a recepção, mas sim uma mesa comprida, onde tanto hóspedes como não-hóspedes podem tomar o pequeno-almoço. Mais adiante fica a zona do bar. Durante o dia, há croque madame, omeletes, café e matcha. À noite, imperam os cocktails de autor e os petiscos e pratos para partilhar, como arancini ou tártaro de novilho. Anna Aleshkovskaya e Yuriy Gushin são o casal que está por detrás do Lobby, que abriu no final do Verão. “A ideia é ter um espaço diferente e um pouco mais elevado, mas com uma carta simples, pensada para qualquer pessoa”, começa por explicar a co-proprietária russa, que, juntamente com o companheiro, detém também os cafés de brunch Liberty. “Queremos criar um storytelling em torno de Portugal. O nosso objectivo é encontrar produtos e histórias portuguesas que não sejam as coisas mais turísticas como o pastel de nata. Estamos interessados nisso e, como somos novos cá, também estamos a aprender e a descobrir várias coisas sobre o país”, continua. Rita ChantreLobby Foi através de um amigo, conhecido dos donos do edifício, que Anna e Yuriy souberam do espaço. O seu último residente antes do Lobby foi o bar de cocktails e sushi bar Paraíso, que havia aberto em 2023. Antes disso, em 2021, foi casa do MEL – Museu Erótico de Lisboa,
Para comer no local ou levar para casa, há lasanhas, almôndegas e tiramisù na Polpetta Cosmica

Para comer no local ou levar para casa, há lasanhas, almôndegas e tiramisù na Polpetta Cosmica

Federica Baldino não é chef, nem tem um restaurante. Mas gosta de cozinhar e receber pessoas, por isso é que decidiu abrir uma rosticceria, estabelecimento tradicional italiano com comida pronta para comer no local ou levar para casa. Chama-se Polpetta Cosmica e fica na Lapa. É lá que a cozinheira serve as suas famosas lasanhas e almôndegas, mas também focaccia, burrata ou tiramisù. E vende ainda produtos de mercearia, como queijos ou conservas. Tudo começou em casa, na pandemia, depois de umas amigas de Federica lhe terem encorajado a começar um negócio de comida caseira por encomenda. Inicialmente, disse que não, mas acabou por ceder e anunciou na página pessoal de Instagram alguns pratos que iria vender, nomeadamente lasanha, arancini e tiramisù. “A primeira pessoa que fez um pedido foi a Joana Barrios. Foi muito engraçado, estava a falar com a minha amiga quando, de repente, recebi a notificação da sua mensagem a pedir 31 arancinis, sete lasanhas e 12 tiramisùs. Pensei: ‘Como é que vou fazer isto tudo?’. Mas consegui entregar-lhe e expliquei-lhe a minha história. Foi, literalmente, a minha primeira entrega. Acho que era o aniversário da filha”, começa por contar a cozinheira e proprietária do Polpetta Cosmica, que vive em Lisboa há mais de dez anos. Rita ChantreFederica Baldino e o seu cão Ravi-oli O passa-a-palavra fez o resto. Federica deixou o trabalho corporativo para conseguir fazer entregas por toda a cidade, além de pop-ups, como o Night Stories. “Tinha pop-ups q
No Duna, os kebabs servem de refeição todos os dias

No Duna, os kebabs servem de refeição todos os dias

Quando decidiu abrir o Duna, Cristina Alonso tinha um objectivo: tornar o kebab uma refeição do dia-a-dia. “Queria que as pessoas começassem a associar este produto a algo que podem comer toda a semana, não apenas um produto que se come às quatro da manhã, que é muito barato e que tem pouca qualidade”, começa por explicar a proprietária do espaço no Arco do Cego, que inaugurou em Dezembro do ano passado. O menu dispensa explicações. O kebab, servido aberto ou enrolado, é o grande destaque. Para quem preferir uma refeição mais completa, existem agora duas entradas: ao falafel com molho de iogurte (5,50€) junta-se o novo húmus de romã, sumac e salsa acompanhado de pão pita (5,50€). Depois disso, vem o kebab. Escolhe-se a proteína, que pode ser frango ou falafel, e o pão, döner (estilo pita) ou dürüm (mais fino e achatado). Enquanto o primeiro vem aberto, o segundo é enrolado, como se fosse um burrito. Lá dentro os ingredientes são os mesmos: alface, cebola roxa, tomate, pepino, queijo feta, molho de alho, molho de iogurte e molho picante (este pode vir à parte). O kebab custa 9,50€, mas em combinado, com batatas fritas e bebida, fica por 13,50€. “A ideia não era reinventar o kebab, era simplesmente usar produtos de qualidade. Compramos todos os dias o frango fresco, marinamos a carne, o pão chega todos os dias fresco de um padeiro turco. Não queria fazer nada diferente, queria fazer com mais carinho e cuidado”, diz a espanhola Cristina Alonso, que trabalhava em recursos humanos
A cozinha tradicional portuguesa mora no Peão, em Campo de Ourique

A cozinha tradicional portuguesa mora no Peão, em Campo de Ourique

“Um restaurante português para toda a gente.” É assim que Duarte Peão descreve o seu projecto em Campo de Ourique, que abriu no início deste ano. E acrescenta mais algumas coisas: boteco, de bairro, não pretensioso, de preço razoável, para a família e amigos. “É um sítio alegre, onde cabem todos – uma mesa de quatro dá para seis pessoas, uma mesa de dois dá para quatro. Há uma confusão boa, saudável. Gosto muito do Brasil, então é um boteco português com muito entra e sai, em que se come um croquete ou um pastel à janela”, ilustra o chef e proprietário.  Junto à porta, há precisamente um postigo onde as pessoas podem pedir uma cerveja (2€), um cocktail (10€) – há moscow mule, amarguinha e basil smash –, ou um copo de vinho – o Covão Encruzado (Dão) é um dos preferidos de Duarte, que destaca também o Redoma e o Comboio do Vesúvio (Douro), e o Quinta Boa Esperança (Lisboa). Para acompanhar, preguinhos do lombo (15€) e cachorrinhos de tártaro de novilho (14€). Na visita da Time Out, não ficamos à janela. Sentamo-nos numa mesa em frente à cozinha, mesmo à entrada. À medida que a hora de almoço se aproxima, surgem pares ou pequenos grupos de pessoas que perguntam à empregada se lhes consegue arranjar uma mesa. Arranja sempre, guiando-os de seguida pelo estreito corredor entre a cozinha e a fila de mesas com tampo em mármore até ao fundo da sala. Está decorada com elementos de madeira, a condizer com o chão de azulejos. Rita Chantre “Ao almoço, isto é uma tasca portuguesa e, à no
Além de brunch, pastelaria e café, o TIMS tem workshops e exposições de arte

Além de brunch, pastelaria e café, o TIMS tem workshops e exposições de arte

Quem está atento às movimentações de certas celebridades, já deve ter ouvido falar do TIMS. O café que abriu em Março no edifício do Museu das Comunicações, em Santos, ficou viral nas redes sociais quando, em Abril, recebeu Rosalía, que estava de passagem por Lisboa para dois concertos na MEO Arena. Uns meses depois, foi a vez dos recém-casados Tom Holland e Zendaya. Houve quem perguntasse o que é que o casal comeu naquela segunda-feira de Agosto e, nos dias seguintes, quem se sentasse durante horas com o único propósito de os encontrar, partilha o proprietário Nikita Volkov. No entanto, defende o responsável, não são as visitas extraordinárias que tornam o TIMS atractivo – é antes tudo o resto. Ao pequeno-almoço e ao brunch, à pastelaria caseira e ao café de especialidade, junta-se uma animada programação artística e cultural.  “A nossa missão é criar espaços que melhoram o nosso quotidiano e que fazem parte da cultura e história da cidade”, resume o proprietário russo. “Tens a tua casa e o trabalho, e há algo entre os dois – um terceiro lugar. Essa foi a ideia. Há muitas pessoas que o frequentam que se tornaram clientes regulares e nossos amigos, porque nos vemos todos os dias, conversamos, eles trabalham e comem aqui”, continua. No fundo, o objectivo é criar uma comunidade. Num dos eixos dessa missão está o Aea: Culture Initiative, um laboratório cultural independente que procura juntar investigadores, artistas, arquitectos, designers, escritores e curadores, locais e estr
No Dong Coffee, os lattes e espressos são feitos com café torrado na casa

No Dong Coffee, os lattes e espressos são feitos com café torrado na casa

Ram Kumar Lama (Dong) já mudou de casa umas quantas vezes. É natural do Nepal, onde trabalhou numa quinta de produção de café durante três anos até ir para o Dubai, em 2012. Dois anos depois, regressou ao país-natal para fazer um curso em Hospitalidade e, em 2015, foi trabalhar para o Park Hyatt Abu Dhabi Hotel and Villas, nos Emirados Árabes Unidos. Passado um ano e meio, decidiu voltar para uma quinta de café, mas desta vez no Qatar, a última paragem antes da chegada a Portugal, em 2021. Por cá, foi barista no Copenhagen Coffee Lab e trabalhou na Buraca Coffee Roasters. Em 2025, concretizou o sonho de criar a sua marca de café e abriu o Dong Coffee. O espaço de Ram fica na Rua Quirino Fonseca, a meio caminho entre a Praça do Chile e a Alameda. Tem uma simpática esplanada junto à entrada e no interior vemos o essencial: um balcão com uma pequena montra de pastelaria, algumas mesas e, na parede, prateleiras repletas de recordações, como um troféu que o proprietário ganhou pelo segundo lugar numa competição de preparação de café de filtro em 2025, ou garrafas e copos assinados por amigos e conhecidos que participaram noutras competições de café. Por baixo das prateleiras, estão pendurados mantras alusivos ao budismo e uma tapeçaria colorida com um Buddha estampado. São os objectos mais especiais, já que a família de Ram é budista.    Rita Chantre     Rita ChantreRam Kumar Lama, proprietário do Dong Coffee Máquinas e utensílios para fazer café também estão expostas e à vend
Na Estrela, há uma deli típica de Nova Iorque com sanduíches e café

Na Estrela, há uma deli típica de Nova Iorque com sanduíches e café

Já assistiu a uma comédia romântica do início dos anos 2000 em que as personagens principais conhecem-se num momento aleatório das suas vidas? Esbarram um contra o outro no meio de uma das avenidas mais movimentadas de Nova Iorque, estão sentados na carruagem do metro a ler o mesmo livro, ou encontram-se habitualmente na deli do bairro, aonde vão quase todos os dias. A história de Berrak Atik e Nikola Jovanovic anda lá perto. Ela é turca, ele sérvio, e conheceram-se quando viviam em Nova Iorque. Curiosamente, tinham ambos uma paixão por delis, o que foi, de certa forma, o que os juntou. Há quase quatro anos decidiram mudar-se para Lisboa, mas quiseram trazer um pedaço da antiga morada consigo, o pedaço de que iam sentir mais falta – uma deli. Em Outubro de 2025, abriram a Tempo Deli na Estrela, com sanduíches, café e pastelaria. Na verdade, Berrak e Nikola conheceram-se numa app de encontros. Não esbarraram um contra o outro na rua, nem começaram a conversar enquanto pediam uma sandes de carnes frias na sua loja habitual – foi um simples “swipe right”. Ainda assim, as delis tiveram um papel importante na relação, tal como nas suas vidas, durante anos. “Nova Iorque é um lugar com um ambiente muito agitado – e estas delis também. Entras, pedes, eles sabem o teu pedido, gritam ‘um café quente e uma sandes italiana’... Há uma sensação muito familiar e confortável. Numa cidade como Nova Iorque, onde vivem milhões de pessoas, era bom ser lembrada pelo meu pedido. Nós adorávamos iss
The Plate Brunch Bistro: criatividade é a palavra de ordem na cozinha de Alex Horbenko

The Plate Brunch Bistro: criatividade é a palavra de ordem na cozinha de Alex Horbenko

Quem conhecia ou frequentava o The Capsule Neo-Bistro, por esta altura, já deve saber que o restaurante mudou de nome: chama-se agora The Plate Brunch Bistro. A mudança deu-se oficialmente em Janeiro deste ano, depois de Lilith Krychevska comprar o espaço aos antigos proprietários e ter-se tornado sócia do chef Alex Horbenko. “Trabalhei na cozinha durante um mês, até que o chef me disse que o restaurante ia fechar. Percebi que não podia sair daqui – tinha-me apaixonado pelas pessoas e pelo que estávamos a fazer. Mas notei em pequenas coisas que podíamos melhorar para ter mais clientes e uma estratégia de marketing mais forte, então decidi comprar o restaurante, manter toda a equipa e trabalhar com eles com um conceito um pouco diferente”, começa por explicar Lilith.  O espaço não mudou: a cozinha aberta para a sala e a decoração mantiveram-se tal como as conhecíamos. O que mudou foi a carta. “Fazemos o que fazíamos antes, mas agora queremos que os pratos ‘falem’ com as pessoas. Podes comer comida típica de brunch – sanduíches de frango, french toast com ovos mexidos, ou tostas de salmão –, mas agora é muito mais saborosa e interessante”, assegura o chef ucraniano Alex Horbenko, que pretende distanciar o The Plate Brunch Bistro dos outros cafés do género em Lisboa.  “Cerca de 70% dos espaços de brunch em Lisboa – ou em qualquer cidade – têm o mesmo menu. Não é mau, é um negócio. As pessoas comem tostas de abacate todos os dias e podes fazer uma das melhores tostas de abacate d
O balcão de pastelaria mais irresistível da cidade é o da Etma Bakery

O balcão de pastelaria mais irresistível da cidade é o da Etma Bakery

As redes sociais podem ser realmente poderosas. Hanna Lytvynenko apercebeu-se disso quando, há uns meses, começou a ver dezenas de vídeos no TikTok e publicações no Instagram e no Pinterest sobre um dos seus mais recentes projectos – a Etma Bakery. “Planeávamos trabalhar para as pessoas do bairro, não esperávamos que a Etma corresse tão bem e se tornasse tão viral”, confessa a proprietária e co-fundadora, juntamente com o parceiro Misha Lytvynenko, do grupo Neptune Commune, que detém também o Heim, o Seagull Method, o Pomme Eatery, o Kefi, e o Courage Bistro.  Os vídeos partilhados por quem já visitou, ou, entretanto, tornou-se cliente habitual da padaria são todos lisonjeiros. Não é, por isso, de admirar que numa manhã de quarta-feira, em Agosto, o espaço (que senta cerca de 20 pessoas) esteja completamente a abarrotar de gente. Em grande parte são turistas, provavelmente já mais do que fidelizados ao brunch, que aproveitam para tirar fotografias aos pratos, ler um livro, ou, ainda de chávena na mão, chamar o Uber que os levará ao próximo destino do seu roteiro esteticamente planeado. Mas não são os únicos que encontramos: também há locais. “As pessoas já se conhecem umas às outras. Vejo que se encontram de manhã e que há uma comunidade forte que se junta na Etma. Ficamos muito felizes com isso, porque queremos fazer parte do seu quotidiano”, afirma Hanna. As mães que vivem no bairro são, segundo a empresária, quem mais frequenta o espaço: “A Etma é uma espécie de ilha para
Há muito mais do que marisco na Marisqueira do Pateo. As lulas à basca são prova disso

Há muito mais do que marisco na Marisqueira do Pateo. As lulas à basca são prova disso

Quando, ao fim de 24 anos, o chef Manuel Costa saiu da Nunes Real Marisqueira para abrir a Marisqueira do Pateo com Manuel Ribeiro, trouxe consigo um prato: a lagosta (ou lavagante) à basca. Não o introduziu apenas na carta, decidiu também reinterpretá-lo. “Começou com a lagosta à basca, numa brincadeira com o Ricardo Sá Pinto, há uns nove ou dez anos. Como jogou à bola no Real Sociedad, no País Basco, comia muito esse prato e disse que me explicava como fazer e eu disse: ‘Então explica lá que eu faço’. Quando viemos para aqui, pensámos que tínhamos de inventar mais qualquer coisa e inventei as lulas à basca, para ser algo diferente”, explica Manuel Costa. Servidas com batatas fritas e ovo estrelado, as lulas à basca (23,90€) são um dos pratos favoritos de quem vai ao restaurante, que abriu no Pátio Bagatela, perto das Amoreiras, no Verão passado. Mas fique descansado, porque há muito mais além de lulas. Logo à entrada, mesmo antes de chegarmos à sala, encontramos uma montra recheada com tudo aquilo que esperamos ver numa boa marisqueira: diferentes variedades de camarão e gamba, carabineiro, sapateira, ou percebes. Uns passos mais à frente, no centro da sala, decorada em tons escuros e com elementos clássicos, salta à vista o aquário, onde permanecem outros bichos do mar, como a lagosta. “O marisco tem de ser de qualidade. Se não for, não entra cá”, afiança Manuel Ribeiro. “Se, por exemplo, não for época da conquilha, não temos. Mas quando é a época, temos todo o marisco. A
Do mate de maracujá à sanduíche de linguiça, o Rio de Janeiro vive neste pequeno café em Alcântara

Do mate de maracujá à sanduíche de linguiça, o Rio de Janeiro vive neste pequeno café em Alcântara

Thayene Alves e Brenda Souto sentiam falta do Rio de Janeiro. Sentiam falta do atendimento “mais caloroso”, da bossa nova a tocar de fundo, do pão francês típico do Brasil – da forma como começavam o dia. De repente, tornou-se óbvio: porque não abrir um café com tudo aquilo que tinham saudades de comer quando viviam no Rio de Janeiro? “Começámos este projecto porque a gente não achava um espaço assim fora do Brasil”, afirma Thayene Alves. A sócia acrescenta: “Era mais a falta nossa, de comer isso, de ter essa experiência. Provavelmente, muitos outros também têm essa falta”. O nome foi fácil de arranjar: Falta. O espaço abriu em Alcântara, em Março.  “Aqui tem muitos pães bons, mas o pão francês é uma coisa mais singular e acaba não sendo muito comum aqui”, diz Brenda, que vive há cerca de oito anos em Portugal. “É muito comum lá. Basicamente é o pão que todo o mundo come no Brasil. Então a gente fez algo muito nostálgico em relação ao Rio de Janeiro e também muito nostálgico para o Brasil inteiro”, continua Thayene, que atravessou o Atlântico há quatro anos.  Este pão está na base da carta, simples e sucinta. Até às 12.30, há pão na chapa, clássico do “café da manhã” brasileiro, com manteiga (2,50€); queijo e fiambre (4,50€); ovo e queijo (6€); queijo, ovo, bacon, tomate e orégãos (8,50€); abacate, ovo, tomate cherry e sementes (10,50€); ou ainda com cogumelos, ovo e cebolinho (10,50€). Rita Chantre As sanduíches, disponíveis a partir das 11.00, também são feitas em pão fra
Sem vergonha – fomos a uma festa de sexo no Chiado

Sem vergonha – fomos a uma festa de sexo no Chiado

Este artigo foi originalmente publicado na revista Time Out Lisboa, edição 673 — Primavera 2025 A música soa por todo o lado, mas é no piso inferior que junta a maioria das pessoas. À medida que a noite avança, o terraço vai-se tornando ponto de encontro, sítio para conversar e beber um copo. Lá dentro, na sala que dá acesso ao exterior, uns dançam acompanhados, junto à mesa de mistura do DJ, outros a sós, de olhos fechados, balançando de um lado para o outro. Mas fora desta sala, há quem encontre um outro tipo de dança, de ritmo e de vontade. No corredor que vai dar à pista há dois quartos, mais pequenos e a meia-luz. As estéticas são diferentes, mas partilham o facto de não terem grandes regras. Qualquer um é convidado a entrar e a conhecer-se melhor, mais intimamente, na cama, na poltrona ou no banco. Ora a um, ora a dois ou a cinco. O número não importa, nem tão-pouco o género ou a orientação sexual. O espaço é aberto a todos que queiram explorar-se a si mesmos e aos outros – e que não se importam com aqueles que preferem encostar-se à ombreira da porta a assistir e a bater levemente o pé ao som da música.  Estamos num edifício na zona do Chiado, onde se encontram cerca de 200 pessoas numa “Sensual Soirée”, festa em torno da sexualidade positiva, organizada pela Shame Less Society. A organização nasceu há cinco anos, em Berlim, e chegou a Lisboa em 2023. “Percebemos que a razão pela qual procuramos estes espaços são as pessoas que fazem a comunidade. E também a ligação e