Quis ser muita coisa, mas depois cresceu e percebeu que era a escrever que ia traçar o seu caminho. Licenciou-se em Estudos de Cultura e Comunicação, na Faculdade de Letras, onde ganhou um gosto especial pela arte e cultura. Em 2023, à boleia de um estágio, chegou à Time Out, meio com o qual continua a colaborar hoje. Sempre actuou em várias frentes, ora ia a lojas acabadas de abrir, ora a peças de teatro. Agora, dedica-se a conhecer novos restaurantes, que é como quem diz a comer.

Beatriz Magalhães

Beatriz Magalhães

Jornalista

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As melhores mercearias em Lisboa, para comprar legumes ou doces artesanais

As melhores mercearias em Lisboa, para comprar legumes ou doces artesanais

O verbo “aviar” é perfeito para ser empregue em contexto merceeiro. É uma pena que se tenha perdido o hábito de dizer “vou ali aviar-me à mercearia da esquina”. Por isso, aqui estamos para trazer de volta essa máxima, ainda que nestas mercearias consiga encontrar mais do que laranjas ou brócolos. Nestas lojas existe o melhor dos dois mundos, o tradicional a casar bem com o moderno – os enchidos transmontanos a darem a mão aos queijos franceses, a bola de Mafra e o pão de fermentação natural, os doces conventuais e os de frasco. Eis oito das melhores mercearias em Lisboa. Recomendado: As melhores lojas para comprar a granel em Lisboa
Os melhores bares de vinho em Lisboa

Os melhores bares de vinho em Lisboa

Os bares de vinho (ou wine bars, como lhes chamam os ingleses) crescem a olhos vistos. Afinal, o nosso vinho é um dos melhores do mundo e fica bem em diversas ocasiões. Seja para se refrescar a meio da tarde, aconchegar-se ao fim do dia ou até para ganhar balanço numa noite de festa, reunimos os melhores bares de vinho em Lisboa, onde além de conseguir beber um copo (muitas vezes de referências fora da caixa) pode forrar o estômago com alguns petiscos tradicionais. Beber de barriga vazia é que não.  Recomendado: Os 20 melhores sítios para ouvir jazz em Lisboa
Os melhores restaurantes para comer comida coreana em Lisboa

Os melhores restaurantes para comer comida coreana em Lisboa

Não é fácil encontrar restaurantes apenas de comida coreana autêntica no centro de Lisboa – mas a riquíssima gastronomia da Coreia tem vindo a ganhar seguidores e importância na cena gastronómica da cidade e já há opções para arriscar e provar. Neste roteiro, identificámos três restaurantes coreanos, em Odivelas, no Mercado Oriental, no Martim Moniz, e no Intendente. Mas, se é fã destes sabores, há maneira de comer alguns pratos típicos nos bons pan-asiáticos em Lisboa. Junte ao seu vocabulário gastronómico os nomes kimchi, bibimbap, japchae ou gojuchang, coma novos caldinhos, massas ou pratos de conforto. Recomendado: Os melhores restaurantes japoneses e de sushi em Lisboa 
As melhores lojas para comprar a granel em Lisboa

As melhores lojas para comprar a granel em Lisboa

Grão a grão é realmente possível fazer a diferença no que toca à sustentabilidade. Para isso, basta tornarmo-nos adeptos de compras a granel. Feijão, quinoa, arroz, nozes, tremoços e até detergentes de limpeza – os dispensadores destes sítios estão carregados e prontos a abastecer a despensa lá de casa. Se estiver curioso para saber onde há destas lojas, o levantamento por todo o país está em agranel.pt, criado por Ana Martins e pelo projecto Lixo Zero Portugal. Em Lisboa, sugerimos-lhe algumas lojas onde pode comprar a granel e, assim, ser mais amigos do ambiente.  Recomendado: Os melhores restaurantes saudáveis em Lisboa
Aqui é mais bolos: as melhores pastelarias em Lisboa

Aqui é mais bolos: as melhores pastelarias em Lisboa

Bolos, pastéis, jesuítas, éclairs, madalenas, folhados... A lista podia continuar mais duas ou três linhas que nós ficaríamos aqui, a salivar, em frente ao ecrã. A pastelaria é talvez das melhores coisas da cultura urbana e gastronómica portuguesa (nem vale a pena negar) e muitas casas com fabrico próprio são verdadeiras tentações para os mais gulosos. Portanto, não deixe para amanhã o que pode fazer hoje, aproveite o pequeno-almoço, o lanche ou qualquer hora do dia para ir experimentar as especialidades destas 25 pastelarias com fabrico próprio em Lisboa. Prepare-se para sair de barriga cheia. Recomendado: Os 25 cafés imperdíveis em Lisboa
As melhores padarias em Lisboa

As melhores padarias em Lisboa

É difícil resistir ao cheiro do pão acabadinho de sair do forno. E pão quente com manteiga é um petisco que sabe bem a qualquer hora do dia. Infelizmente, fazer pão em casa não é tão fácil como comê-lo. A boa notícia é que nunca houve tantas e tão boas padarias em Lisboa. Massa-mãe, farinhas especiais, misturas de cereais, tudo faz diferença na hora de escolher. Para cortar à mão e comer simples ou com uma boa manteiga. Fresco, em tostas e torradas. Não há nada melhor do que pão.  Recomendado: Estas são as melhores padarias em Cascais
Das saladas às sobremesas. Os melhores restaurantes saudáveis em Lisboa

Das saladas às sobremesas. Os melhores restaurantes saudáveis em Lisboa

Comer de forma saudável não é equivalente a passar fome. E, em Lisboa, há cada vez mais restaurantes com opções leves, mas muito saborosas, perfeitas para desintoxicar o organismo depois de alguns excessos. E não. Não falamos só de saladas e de comidas de passarinho. Falamos de alimentos nutritivos, saciantes e bem apetitosos. Assim, se segue ou quer seguir um estilo de vida mais saudável, vai querer experimentar alguns destes restaurantes saudáveis em Lisboa, que se adaptam a todos os gostos e também às mais variadas restrições e preferências alimentares. Recomendado: Gaste calorias sem gastar dinheiro nestes ginásios ao ar livre em Lisboa
Os melhores novos restaurantes em Lisboa (e arredores)

Os melhores novos restaurantes em Lisboa (e arredores)

As novidades multiplicam-se de tal forma que, quando descobrimos os restaurantes que abriram nos últimos meses, já temos novas mesas à nossa espera. Entre os espaços que ainda cheiram a novo há lugar para a cozinha de autor, de fogo, de peixe e marisco, para reinterpretações do receituário familiar, para neo-tascas, para aproximações à culinária japonesa, à italiana e à americana, sem esquecer o belo do frango assado. Preparámos um guia com os melhores novos restaurantes em Lisboa e arredores, abertos nos últimos meses. Não fique desactualizado e faça uma reserva – tem muito por onde escolher.  Recomendado: Os 124 melhores restaurantes em Lisboa
17 sítios para comer bowls (doces e salgadas) em Lisboa

17 sítios para comer bowls (doces e salgadas) em Lisboa

Há alguns anos, as bowls ficaram famosas noutras partes do mundo e lá acabaram por chegar a Lisboa. A beleza destas malgas, ou tigelas, é que podem servir para quase tudo. Um iogurte com granola e fruta? Sim. Um prato de pescadores havaianos, feito com arroz, peixe cru e um molho de influência oriental? Claro. Um caldo quente e reconfortante, típico do Japão, de noodles, com carne? Também. E uma bela sopa alentejana? Então não! Basta espreitar esta lista de sítios com bowls em Lisboa para perceber que o mundo das malgas é um mundo de possibilidades. Recomendado: Os melhores sítios para comer ramen em Lisboa
Está na altura de cortar as pontas? Conheça os novos cabeleireiros em Lisboa

Está na altura de cortar as pontas? Conheça os novos cabeleireiros em Lisboa

Quantas vezes sentimos que um corte de cabelo poderia ser a solução para um desgosto amoroso? Ou para todos os problemas que nos apoquentam? Por isso, escolher um cabeleireiro nunca é só escolher um cabeleireiro – é decidir sobre o próprio destino com um par de tesouradas – e havendo uma mão cheia de novos espaços na cidade, a tarefa só pode sair facilitada. Dos que tratam apenas o cabelo aos que descem pelo resto do corpo (até chegar aos pés), tome nota dos novos cabeleireiros em Lisboa. Recomendado: Penteados e bem aparadinhos nas melhores barbearias em Lisboa
O melhor de Lisboa em 2025

O melhor de Lisboa em 2025

A pós-modernidade está inundada de cinismo (e vocês não estão a ajudar, gen Z). Houve alguma coisa de bom este ano? O exercício é recebido com caras de dúvida. Ocorrem-nos amarguras, inferenças. Quais foram os melhores concertos? “Foram todos maus.” Mas é claro que não foram. E é claro que, enquanto o diabo do sarcasmo esfrega um olho, começamos a desfiar um rol de novidades e eventos que nos ficaram na memória pelas melhores razões. Tantas que o problema inverte-se: não dá para escolhermos mais do que um por categoria? E mais categorias? “Não me venham com menções honrosas!” É preciso escolher – e nisso a equipa da Time Out tem muita prática. Mãos à obra, então: eis o melhor de Lisboa em 2025. Recomendado: Os melhores filmes de 2025
Dez cabazes para oferecer este Natal

Dez cabazes para oferecer este Natal

Nem sempre é fácil escolher ou saber o que oferecer a alguém, mesmo que conheçamos todos os seus gostos. Ou porque queremos dar alguma coisa diferente, ou porque já esgotámos todas as ideias. Um cabaz, mesmo que não surpreenda, será certamente de alguma utilidade. E é como se fossem várias prendas numa só. Doces e enchidos, vinho e azeite, chocolates e bolos, licores e conservas. Escolhemos estes cabazes para oferecer no Natal e quase que apostamos que os vai querer também para si. São várias as opções, para todos os gostos e carteiras.  Recomendado: 11 escapadinhas para fazer este Natal

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Monsanto Fest

Monsanto Fest

A 7.ª edição do Monsanto Fest assinala os 90 anos do Parque Florestal do Monsanto e, durante quatro dias, tem planeados passeios, piqueniques e concertos. Este ano, o festival junta as Juntas de Freguesia de Alcântara, Benfica, Campolide e da Ajuda e acontece em vários lugares, como na pista de radiomodelismo de Monsanto, onde tomam lugar os concertos, actuações musicais e ainda a transmissão do jogo de Portugal contra França para o Euro 2024. A entrada custa 5€ e inclui uma bebida. Abaixo, encontra toda a programação do festival.  O cartaz e os horários  4 de Julho, quinta-feira18.00 DJ Sun Set20.30 Califlow22.30 Tributo Popular 5 de Julho, sexta-feira 12.30 Piquenique15.00 Green Talent Monsanto18.00 Passeio Nocturno no Monsanto20.00 Transmissão em directo do jogo Portugal-França22.00 Monsanto Hip Hop Sessions com DJ Big, Sam The Kid, Phoenix RDC e XEG 6 de Julho, sábado09.30 Open Day Desportivo no Miradouro dos Montes Claros10.00 Passeio Cultural com Guia Famílias "90 anos de Monsanto" no Instituto Superior de Agronomia15.00 Foto-papper Família na pista de radiomodelismo17.00 Lisboa on Top – Subida à Torre do Galo18.00 Roda de Samba20.00 Tributo a Radiohead22.00 Prata da Casa00.00 Noise Dolls Club 7 de Julho, domingo09.30 Monsanto Run Fest 12.00 Mega Piquenique no Parque de Merendas da Vila Guiné 16.00 Pagode in Paradise 18.00 Tributo a Mamonas Assassinas21.00 O Pagode do Elias   Como chegar Se é da música que vai à procura em Monsanto, saiba que há várias formas de chegar

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Inception: o sítio de brunch inspirado no filme de Christopher Nolan

Inception: o sítio de brunch inspirado no filme de Christopher Nolan

Num antigo bar na Rua dos Douradores vive agora um café de brunch inspirado no filme Inception (ou A Origem, em português). “O filme é sobre outro mundo, um mundo de sonhos. Aqui é exactamente o mesmo. Estamos num noutro mundo em termos de serviço, qualidade e comida. Como gosto do nome do filme, chamei o café de Inception”, começa por explicar o proprietário (que não quer divulgar o nome). O espaço abriu no final do Verão do ano passado com uma carta que vai dos ovos e panquecas às sanduíches e saladas, com matcha e café de especialidade. As referências à longa-metragem de 2010, de Christopher Nolan, não se ficam pelo nome, inscrito no toldo à entrada. Numa das paredes, impõe-se uma peça, esculpida em diferentes materiais e finalizada em gesso, através da qual rostos de pessoas aparentam querer sair, como se esta se tratasse de uma passagem entre mundos ou dimensões. Estão a sonhar, por isso, os olhos estão fechados, tal como acontece com as caras que adornam os copos ou os puxadores de um dos móveis. Para o proprietário, está tudo nos detalhes. Os sofás verdes foram feitos à mão em Braga, as mesas vieram da Alemanha e as cadeiras de Espanha. A pedra que reveste o balcão é do norte de Portugal, a máquina de café La Marzocco foi personalizada em Itália. “Fiz este espaço de forma a que as pessoas gostem de tudo”, afirma o empresário e consultor imobiliário, natural do Dubai, que mora em Lisboa há cinco anos e, desde 2023, estava a planear a abertura do Inception. RITACHANTREI
Sanduíches japonesas, frango frito e dumplings. O Katsu é isso e muito mais

Sanduíches japonesas, frango frito e dumplings. O Katsu é isso e muito mais

A primeira ideia de Ilya Mochalin foi abrir um supermercado asiático que vendesse noodles instantâneos. Um 7-Eleven, no fundo. Mas depois de muito brainstorming com o sócio Rais Gainullin, os dois decidiram abrir um restaurante de inspiração asiática. Que fique bem claro, no entanto, que não é um restaurante asiático como outro qualquer. A cozinha não se rege por regras bem definidas e não serve pratos autênticos. É um sítio de “junk food feita com bons ingredientes”, descreve Rais Gainullin. Abriu há cerca de seis meses, no Cais do Sodré, e chama-se Katsu Asian Bistro. As famosas sandes japonesas que lhe dão nome não são as únicas iguarias que lá vai encontrar – conte com sushi, frango frito, sopas e dumplings. Rais e Ilya são sócios, mas também amigos e cozinheiros. Vieram da Rússia há mais ou menos três anos e conheceram-se no café Liberty, onde trabalharam juntos. Depois disso, Rais foi chefiar o Pils – agora chefiado por Liz Almeida – e Ilya foi trabalhar para o bar de vinhos Holy Wine, enquanto fazia trabalhos de consultoria. Acabariam por juntar-se novamente para abrir o Katsu. “Pensámos em vários conceitos diferentes, mas percebemos que é dos sabores asiáticos de que realmente gostamos. Todos os dias, cozinho algo asiático em casa e, aos fins-de-semana, como sempre comida asiática”, contextualiza Rais, que, tal como o amigo Ilya, é fã de sítios como o Mercado Oriental e o restaurante Sabores do Sichuan. “Fazemos comida de que gostamos. É comida simples, que todos conh
No Polémico, António Lobo Xavier quer ter boa comida, ambiente descontraído e preços acessíveis

No Polémico, António Lobo Xavier quer ter boa comida, ambiente descontraído e preços acessíveis

Já lhe chamaram muitas coisas: neo-tasca, tasca moderna, fine dining com pratos de tasca. António Lobo Xavier não se fica por nenhuma das definições. Decide antes chamar o seu restaurante pelo nome: Polémico. “Achámos que Polémico era um bom nome por sermos quatro amigos novos com vontade de trazer a Lisboa um restaurante aonde se possa ir comer bem e estar com amigos, e que tenha um serviço de fine dining – com os guardanapos de pano, por exemplo –, mas, ao mesmo tempo, super amigável”, explica o chef à Time Out. Quando chegamos ao Polémico, é exactamente isso que encontramos. Passando as portas de vidro e os pesados cortinados verdes à entrada, deparamo-nos com a primeira sala do restaurante e, mais à frente, a cozinha aberta. As mesas de madeira, as cadeiras e o balcão da cozinha verdes, a pedra exposta nas paredes e a meia-luz tornam o espaço acolhedor. Na sala ao lado fica o bar e uma mesa oval – aliás, a mesa comunitária. Depois da cozinha, percorrendo o corredor, temos a última sala. O tecto é retráctil, o que é útil nas noites quentes de Verão, e a decoração mantém-se simples: de um lado, a parede está revestida com uma colagem de fotografias e textos, do outro, as prateleiras expõem objectos diversos (incluindo um Labubu). Os funcionários com quem nos cruzamos são simpáticos e o ambiente descontraído. Sentados à mesa há, sobretudo, grupos de amigos. Alguns talvez sejam os regulares de que António Lobo Xavier nos fala: “Quando abrimos, começámos a perceber que tínhamo
Em Alcântara, Kosuke Saito está a fazer o que mais gosta – a servir-nos peixe ao balcão

Em Alcântara, Kosuke Saito está a fazer o que mais gosta – a servir-nos peixe ao balcão

Passam quinze minutos das oito da noite quando o chef Kosuke Saito decide dar início ao jantar. “Já esperámos tempo suficiente”, atira Renk, ajudante de cozinha do restaurante japonês Sushi Kosuke. Seis pessoas tinham feito reserva para este dia, mas duas acabam por não aparecer. Não havendo maneira de contactá-las, porque não há informações pessoais sobre este par mistério – questiona-se até se o momento da reserva aconteceu realmente ou se foi apenas imaginado pelo chef –, prossegue-se então para um jantar a quatro. Kosuke Saito torna as suas atenções para o peixe que tem na bancada à sua frente e começa a manusear a faca com uma destreza invejável. Aos demais, resta assistir com atenção.  Rita ChantreChawanmushi com ouriço-do-mar, caldo dashi e nabo ralado Rita ChantreSarrajão ligeiramente braseado com cebola, ponzu e molho de soja caseiros e gengibre O ambiente é informal e intimista, há apenas um balcão com sete lugares. Era, na verdade, exactamente aquilo que o chef japonês, natural de Kanagawa, tinha idealizado para o seu primeiro restaurante. “É da maneira que posso falar e ver toda a gente”, diz à Time Out, minutos antes de receber o resto do grupo. “Na verdade, adoro a cultura do izakaya. Antes, o izakaya japonês era sempre um lugar pequeno, em que as pessoas falavam e se ‘misturavam’ umas com as outras. Estava à procura de um espaço desse estilo, pequeno.” Kosuke formou-se na Tokyo Sushi Academy e veio para Portugal em 2016. Esteve quatro anos na cozinha do Tas
No 11:11, é sempre hora de brunch. Servem-se omeletes, sopas e café de especialidade

No 11:11, é sempre hora de brunch. Servem-se omeletes, sopas e café de especialidade

A cidade está repleta de brunches. Já estiveram na moda, continuam a estar e, provavelmente, não vão parar de estar. No entanto, o facto de Lisboa ter já muitos (e bons) sítios de brunch, não demoveu Iryna Zachepylo e Yliana Kharabara de abrirem o 11:11 (ou Onze Onze) em Belém, no ano passado. O café serve pequenos-almoços, pratos de conforto, pastelaria, café de especialidade e matcha. As parceiras de negócio vieram da Ucrânia no início da guerra e conheceram-se cá, através de um programa de acção social destinado a mulheres ucranianas refugiadas. Yliana queria abrir um café e foi em Janeiro de 2025 que encontrou o espaço para o fazer. Conhecia Iryna e sabia que ela era agente imobiliária, por isso, pediu-lhe que visse o contrato para ter a certeza que estava tudo certo. Nenhuma delas adivinharia que, nesse momento, as estrelas estariam prestes a alinhar-se. Anna LukashIryna Zachepylo e Yliana Kharabara “Eu disse: ‘O quê? É o meu sonho! Ando a pensar em ter um café há imenso tempo. Vamos ser sócias!’. Depois, tivemos uma reunião e tornámo-nos sócias”, recorda Iryna, que era gestora de projectos na área da informática antes de vir para Portugal. Assinaram o contrato e começaram, de seguida, as obras no local. Predominam os tons pastel – a mesa e os balcões são revestidos de azulejos cor-de-rosa –, que contrastam com os apontamentos em carmesim. Já outros detalhes, como a pintura pendurada numa das paredes ou as estrelas desenhadas no tecto, dão personalidade ao espaço. Estã
No Confissões, há influências de todo o mundo (e gelado de azoto líquido)

No Confissões, há influências de todo o mundo (e gelado de azoto líquido)

Foi em criança que Pedro Viana percebeu que queria fazer da comida a sua vida. Na altura, os pais levavam-no a restaurantes como o Gambrinus e o Tavares. Foi “quase um investimento para perceber a qualidade da gastronomia do nosso país”, acredita Pedro Viana, que, mais tarde, viria a estudar na Escola de Hotelaria e a estagiar e trabalhar em restaurantes estrelados pela Europa fora. Esteve em Itália, no Luxemburgo e em França, onde chegou a chef de pastelaria. Viveu depois na Austrália, Noruega e, por fim, na Suíça. Em 2016, voltou para Portugal e abriu uma geladaria em Alvalade – que entretanto fechou – e foi só no final de 2024 que foi para o Bairro do Rego, onde abriu o Confissões.  O chef tinha acabado de voltar de uma viagem ao Japão quando se deparou com o anúncio de um espaço disponível na Rua Cardeal Mercier. Não pensou duas vezes quando decidiu que estava na hora de abrir o seu restaurante. Hoje, mantém-se o mesmo conceito – fine dining, define-o Pedro – e o mesmo tipo de cozinha. “A cozinha francesa é a grande base. Depois, temos influências japonesas, australianas, norueguesas, um bocadinho de tudo. Vai haver algumas coisas com canguru, borrego ou queijos noruegueses. Em alguns pratos do menu de degustação existe influência japonesa – usamos wasabi e barriga de atum”, explica. Rita ChantreChef Pedro Viana A carta é relativamente curta. Além de cerca de duas entradas, oito pratos principais e cinco sobremesas (já vamos aos detalhes), existem três menus de degustaç
Bada: é uma casa coreana, com certeza

Bada: é uma casa coreana, com certeza

É fácil dizer quando nos sentimos em casa. Mas nem sempre conseguimos explicar a origem dessa sensação. Por vezes, sentimo-lo em sítios onde nunca estivemos ou com pessoas que não conhecemos, daí que nem mesmo nós sejamos capazes de perceber porque estamos a sentir algo tão familiar. Quando entrámos no Bada, foi isso que sentimos – que estávamos em casa. Não na nossa, mas na de Haebin Moon. Talvez tenha sido porque o espaço é pequeno e bastante simpático ou porque Haebin nos recebeu de braços abertos e nos deu a provar as suas melhores especialidades coreanas, como se estivéssemos mesmo em sua casa. Bem, de certa forma não está muito longe disso.  A história do Bada começa com uma viagem. Haebin nasceu em Seoul, na Coreia do Sul. Na escola, estudou música, mas acabou por seguir um rumo diferente e há 12 anos que é bartender. Em Seoul, tem um bar de cocktails e aperitivos de inspiração italiana. Há cerca de sete, oito anos teve vontade de ver o que a esperava fora do país, então foi viajar pelo mundo. Esteve em Melbourne, na Austrália, e também em Dublin, na Irlanda, até que decidiu assentar em Lisboa. “Na Coreia, é tudo muito competitivo, as tendências mudam rapidamente e já estava a ficar cansada. Queria ter uma vida mais calma, então vim para cá. Adoro o tempo e as pessoas são muito amigáveis”, começa por dizer a coreana de 35 anos. Rita ChantreCocktail Bada, com vodka, maracujá, lima, hortelã, flor de sabugueiro e preparado com clarificação com leite Rita ChantreCocktai
No Noisy Voices, o copo de vinho natural acompanha uma bola de gelado

No Noisy Voices, o copo de vinho natural acompanha uma bola de gelado

Em Paris, existe um bar chamado Folderol. Há um par de anos, ficou viral nas redes sociais depois de Dua Lipa ter dito numa entrevista que era um dos seus lugares preferidos na cidade. Bastou a partilha da cantora pop (que tem mais de 88 milhões de seguidores no Instagram) para que o bar viesse a ganhar uma afluência desmesurada. Os proprietários tiveram de pôr um aviso à entrada a proibir que se fizessem vídeos para o TikTok dentro do espaço e chegaram até a contratar um segurança. Não foi por causa de toda esta história que Eugene Bilousov mencionou o Folderol, mas sim porque o negócio francês o inspirou a abrir, no Verão passado, o Noisy Voices, um bar de vinhos naturais e gelados no Saldanha.  “O conceito é incrível. Em Portugal torna-se ainda mais incrível, porque as pessoas adoram vinho e gelado. É um match perfeito. Pensámos logo que seria muito fixe, até porque não havia nenhum sítio assim”, começa por dizer Eugene, também proprietário do Ouch e do The Layers. Os vinhos são naturais e, na sua maioria, portugueses. Destacam-se os Tomaralma, da região do Tejo, como o branco de 2021/2022 (7€ o copo, 29€ a garrafa), o rosé de 2023 (6€, 23€) e o fortificado de 2017 (8,50€, 37€); e os João Tavares de Pina, do Dão, entre eles o laranja de 2023 (7€, 27€) e o tinto de 2022 (6€, 23€). Também há vinhos da Humus e da Flui. Outros rótulos chegam de França, é o caso do Matassa, ou de Itália, como o Cantina Giardino ou o Ezio Cerruti. Da Dinamarca, Noruega e Suécia, há vinhos sem ál
Dos dumplings aos noodles, o Ouch mostra-nos o que é uma cantina asiática não autêntica

Dos dumplings aos noodles, o Ouch mostra-nos o que é uma cantina asiática não autêntica

Conhecemos bem cozinhas autênticas, cozinhas que procuram honrar as origens de uma gastronomia através de ingredientes, sabores, tradições e métodos de confecção que completam cada prato. Bem, o Ouch não é exactamente isso. Tal como deixa claro nas suas redes sociais e até está inscrito no menu, o restaurante é uma cantina asiática não autêntica. Nas palavras do proprietário, Eugene Bilousov, o Ouch procura ser uma “fusão” das diferentes gastronomias asiáticas, da japonesa à coreana. É por isso que vamos encontrar uma selecção curta e ao mesmo tempo abrangente de pratos, como kimchi, noodles, gyozas e dumplings. O restaurante fica na Avenida Sacadura Cabral e abriu em Outubro, depois de cinco meses de obras de remodelação. Ainda que por fora o espaço não seja vistoso, o ambiente conquista-nos à entrada. O chão em mosaico colorido contrasta com uma das paredes, com tijolos e cimento expostos, como se este se tratasse de um lugar em plena construção. Os detalhes, entre eles as mesas de alumínio e as cadeiras de madeira, as plantas que brotam de vários sítios e a tapeçaria com a imagem do monte Fuji, chegam para tornar a decoração interessante. A cozinha é aberta para sala. Rita ChantreOuch Rita Chantre A ideia era fazer algo diferente, já que, segundo Eugene, a zona não carece de restaurantes asiáticos. Essa vontade ditou a decoração e, claro, a carta. “Temos muitos estudantes e escritórios aqui à volta. É um bairro bastante calmo, mas faltava aqui um sítio cool. Foi então
Tiramisù de Biscoff? E de Nutella? A Misú tem e faz por encomenda

Tiramisù de Biscoff? E de Nutella? A Misú tem e faz por encomenda

Sonia Acqua cresceu a comer tiramisù. Não só porque é italiana, mas também porque a senhora que tomava conta dela em pequena  – a quem Sonia apelidava de “avó” – fazia muito tiramisù. “Todos os aniversários ela fazia um para cada um dos membros da minha família. Até tinha marcadas as datas no calendário. Eu ansiava por esses dias, porque era a melhor coisa do mundo”, recorda, em conversa com a Time Out. Foi por isso que quando Sonia deixou o trabalho de escritório para começar um negócio de sobremesas escolheu o tiramisù. Afinal de contas, já sabia a receita de cor, só faltava mesmo um nome. Acabou por ficar Misú, simples e eficaz.  “Sempre gostei de cozinhar e fazer bolos e sobremesas, mas no início deste ano comecei a pensar em fazê-lo mais a sério. Recebia bom feedback das pessoas que comiam as minhas sobremesas e pensei ‘se não o fizer agora, então quando?’. E foi então que comecei o negócio”, explica a confeiteira autodidacta, que vive em Lisboa há quatro anos. Esta foi uma das razões que a levou a desenvolver um negócio próprio. A outra foi motivada pelas visitas a restaurantes italianos da cidade, onde provou alguns tiramisùs. “Provei uns que não eram bons. O problema é que, às vezes, fazem-no de uma maneira diferente. Não usam os palitos Savoiardi, às vezes usam a bolacha Maria, e o sabor fica diferente. Ou então fica demasiado líquido, ou molham demasiado os palitos no café… Tudo isso faz a diferença.” Rita ChantreTiramisù clássico Para Sonia, os ingredientes de or
Nesta mercearia gourmet, até o gelado e o cheesecake levam caviar

Nesta mercearia gourmet, até o gelado e o cheesecake levam caviar

Otávio Melo formou-se em Londres. Lá, trabalhou no Nobu durante cinco anos, ao lado de Nakamura, chef executivo do restaurante naquela altura. Com ele, aprendeu tudo o que havia para saber sobre peixe. “Ele me deu a base. Eu não sabia cozinhar, não sabia nada. Aprendi tudo com ele”, conta à Time Out. Depois de Inglaterra, regressou a Portugal, onde passou pela cozinha do Altis Belém, do Feitoria e do Vila Joya. Hoje, encontramo-lo atrás do balcão do Gourmet House Caviar & Deli, na Avenida António Augusto de Aguiar. Há cerca de ano e meio, cansado de viver longe da capital, Otávio decidiu agarrar a oportunidade de liderar a cozinha do restaurante e mercearia gourmet, que abriu em Lisboa em 2022. O projecto nasceu em 1965 e está espalhado um pouco por todo o mundo. Além de Lisboa, o Gourmet House Caviar & Deli está presente em Londres, Vancouver, Los Angeles, Hong Kong e no Dubai, onde se apresenta como um restaurante de fine dining. DR / Gourmet House Caviar & DeliO chef Otávio Melo O caviar – produto estrela da casa – é importado de vários países como o Irão, a Polónia, a China, França, Roménia e Alemanha. Depois de chegar a Portugal, já totalmente preparado, é numa fábrica em Loures que o caviar é embalado, para ser, mais tarde, distribuído para restaurantes da cidade e para outros países na Europa. No espaço em São Sebastião, é possível comprá-lo em latas de diferentes tamanhos, de dez gramas ou até de um quilo. Há doze variedades, entre elas o Russian Oscietra, o Oscietr
De manhã, é café e à noite, bar de vinhos naturais. Bem-vindos ao TACT e ao After Hours

De manhã, é café e à noite, bar de vinhos naturais. Bem-vindos ao TACT e ao After Hours

TACT é um nome curto, mas carrega um significado importante. TACT vem da expressão em inglês “sense of tact”, ou seja, ter tacto. Neste caso, ter respeito pelos outros, pelos produtos e pela cidade. Assim o definem Viktoria Parfinskaia e Kirill Ivanov, o casal que abriu este exíguo estabelecimento. São russos, vieram de São Petersburgo há três anos e estão juntos há mais de dez. E sabiam, assim que chegaram a Lisboa, que queriam abrir um café. Bastou uma visita para assentarem numa antiga lavandaria, na pacata Rua Joaquim Casimiro, a menos de dez minutos a pé da Avenida Infante Santo.  “Começámos à procura de um espaço e quando chegámos aqui pela primeira vez ficámos muito surpreendidos. Este sítio estava fechado há cerca de 12 anos. Pensámos que seria um lugar fantástico para abrir um café por causa das janelas panorâmicas e da vista para a ponte. É óptimo”, conta Viktoria, engenheira no país natal. Foram precisas, por isso, poucas obras. Mantiveram o chão de mosaico e as paredes de mármore quinquagenários, e até o velho espelho da casa de banho. O balcão e as mesas de madeira foram compradas novas, já as cadeiras, os pratos e talheres quiseram-se antigos, ou seja, são vintage. Rita ChantreViktoria Parfinskaia e Kirill Ivanov, proprietários do TACT Rita Chantre O quadro que pintamos é simpático (comprovando-se na chegada ao local), mas o que torna o espaço verdadeiramente acolhedor é o cheiro a café que se difunde no ar. Kirill trabalha há quase 20 anos no sector da hosp