Fiel zelador de uma cópia da sexta edição, corrigida e aumentada, do Dicionário de Língua Portuguesa da Porto Editora, em transumância desde 1991, deu-se às letras por livre e devota vontade – mas não por convicção. À falta de habilidade para futebolista e para rock star, optou por comprar bilhete para a fila da frente. Entre outras aventuras, trabalhou no jornal A Bola e, mais demoradamente, no Público, onde foi editor e certa vez publicou uma crónica sobre o super-herói pop Rui Reininho, o que o levou à escrita do livro GNR – Onde Nem a Beladona Cresce. É esse o seu nível de compromisso. Chegou à Time Out em 2018 e aqui empresta a sua pronúncia do Norte ao noticiário de Lisboa e a escrever sobre música, cinema, televisão e teatro. Na gastronomia, é um entusiasta dos clássicos: cabidelas, rojões e farinheiras.

Hugo Torres

Hugo Torres

Director-adjunto, Time Out Portugal

Articles (114)

Restaurantes com estrela Michelin no Algarve

Restaurantes com estrela Michelin no Algarve

O Algarve confunde-se com férias de Verão, praia, chinelo no pé. Mas a região é muito mais do que uma estância balnear – e não lhe faltam argumentos para se afirmar como destino gastronómico, garantimos nós e garante o Guia Michelin. É no Algarve que se encontram alguns dos restaurantes celebrados pelo famoso guia vermelho, cinco com uma estrela e dois com duas. Estes últimos, o Ocean e o Vila Joya, são provavelmente os mais sérios candidatos às três estrelas, distinção ainda inédita em Portugal. Eis a constelação algarvia da Michelin. Recomendado: Todos os restaurantes com estrela Michelin em Portugal
Todos os restaurantes com estrela Michelin em Portugal

Todos os restaurantes com estrela Michelin em Portugal

Desde 2024 que a Michelin tem um guia exclusivo para Portugal. Todos os anos o universo de restaurantes estrelados aumenta. Em 2026, são um total de 53 – nove restaurantes com duas estrelas Michelin, 44 com uma. As regiões de Lisboa e do Porto continuam a dominar, com o Algarve logo atrás. A estes somam-se sete estrelas verdes, que distinguem o compromisso dos restaurantes com a sustentabilidade (e podem não coincidir com as estrelas clássicas). O que continua a faltar é um projecto com a distinção máxima – três estrelas. Lá chegaremos. Abaixo, traçamos-lhe o roteiro dos restaurantes com estrela Michelin em Portugal. Recomendado: Os 100 melhores restaurantes em Lisboa
Os 100 melhores restaurantes em Lisboa

Os 100 melhores restaurantes em Lisboa

Lisboa é feita de clássicos inesquecíveis, projectos ambiciosos e novidades excitantes. A restauração, um dos sectores mais dinâmicos da cidade, é um reflexo desse cruzamento de tempos e vontades, de preservação e imaginação. A Time Out pode bem atestá-lo. Há quase duas décadas que a acompanhamos, dia-a-dia, refeição a refeição. Assistimos à ascensão de Lisboa enquanto destino gastronómico e não rejeitamos ter desempenhado um papel nesse fenómeno. Não é soberba, é dedicação. Nesta lista (ordenada alfabeticamente), trazemos esse lastro connosco. Mas sem cristalizações, sem imobilismos, sem reverências. Estes são os sítios que mais nos entusiasmam agora, das tascas à alta gastronomia, em todos os intervalos de preços, de todo o tipo de cozinha. Pela primeira vez, limitámos a escolha a Lisboa (nada de arredores) e aplicámos uma regra dolorosa, em prol da diversidade: um chef, um restaurante. Abrimos uma única excepção – até porque a ortodoxia é uma chatice. Recomendado: Os melhores novos restaurantes em Lisboa
Todos os restaurantes com estrela Michelin em Lisboa

Todos os restaurantes com estrela Michelin em Lisboa

Três restaurantes com duas estrelas, 16 restaurantes com uma. Assim se saldam as contas da região de Lisboa no Guia Michelin 2026. Desde que existe uma edição exclusiva para Portugal, o número de restaurantes estrelados tem subido sempre. Uma coisa puxa pela outra, é certo, mas não deixa de ser prova do dinamismo e da criatividade que, nos últimos anos, têm sido marca da gastronomia nacional. Ao todo, o país tem nove restaurantes com duas estrelas e 44 com uma. Em Lisboa, com o Eleven a perder a distinção e o Arkhe a fechar portas, este ano o universo de estrelados reduziu-se ligeiramente face a 2025 (eram 20, agora são 19). Para compensar, o Fifty Seconds conquistou a segunda estrela. E o Kappo a primeira. Abaixo, listamos todos restaurantes com estrela Michelin em Lisboa e arredores. Recomendado: Os 100 melhores restaurantes em Lisboa
As mulheres chefs que tem de conhecer em Lisboa

As mulheres chefs que tem de conhecer em Lisboa

As memórias de infância remetem-nos, muitas vezes, para os cozinhados das nossas mães e avós. São delas os pratos e sabores de que, secreta ou abertamente, andamos sempre à procura. Nos restaurantes, também não faltam mulheres. Então, como é que a gastronomia se transformou num mundo de homens? Durante muito tempo, salvo raras excepções, o reconhecimento público ficou todo para eles (como em quase tudo, aliás). Essa realidade está a mudar. Mais devagar do que deveria, é certo, mas já ninguém estranha – ou se atreve a estranhar – que uma mulher seja a empresária, a chef, a sommelier, o génio criativo. Em Lisboa, são delas alguns dos melhores restaurantes da cidade. Fizemos esta lista para o provar. Recomendado: Os 100 melhores restaurantes em Lisboa
The best restaurants in Lisbon for 2026

The best restaurants in Lisbon for 2026

As well as having an endless number of things to do, museums to visit, bars to try, and fado music to weep along to Lisbon has a truly incredible food scene, stretched all over the city. The best ones even make it into Time Out Market Lisboa, where you’ll find Lisbon’s most exciting dishes all under one roof. Our team of local experts has compiled this list to give you an insider look into what’s really worth eating in Lisbon, from classic Portuguese to global options. Here are our editor’s favourite restaurants in Lisbon right now. Enjoy! ➡️ READ MORE: Ultimate guide to where to eat in Lisbon Lisbon’s best restaurants at a glance ⭐ Best Michelin-starred: Belcanto 🥘 Best traditional Portugese: O Velho Eurico 🦞 Best seafood: Cervejaria Ramiro 🥩 Best steak: Sala de Corte 🥙 Best sandwich: As Bifanas do Afonso 🍔 Best burger: Ground Burger This guide was written by the editorial team at Time Out Lisbon, and translated into English for our global audience. At Time Out, all of our travel guides are written by experts across Europe. For more about how we curate, see our editorial guidelines.  🔔 BOOK NOW: Our favourite hotels and Airbnbs in Lisbon
Os 10 melhores croquetes de Lisboa

Os 10 melhores croquetes de Lisboa

Metemos-nos em cada uma... A primeira coisa que os leitores vão fazer ao ver esta lista é discordar. A segunda? Levar as mãos à cabeça. A terceira? Provavelmente vai envolver calão. Um croquete não é só um salgadinho, é o rei de todos eles – e o povo adora o seu macio, bem recheado e rechonchudo soberano. O problema é que Lisboa está dividida em vários reinos e cada um tem a sua corte e o seu exército. Mesmo assim, decidimos pôr-nos a jeito e levar a cabo uma prova cega. Convocámos toda a nossa acumulada sabedoria de comilões, pedimos consultoria externa para furar a bolha social e escolhemos os finalistas. Depois reunimos todos e pusemos seis experientes bocas a prová-los sem saber de onde era cada um, para evitar assomos de consciência. As condições eram duras: não se podia beber cerveja nem usar mostarda e, para garantir anonimato aos candidatos, todos foram degustados frios (mas fritos no dia). E houve surpresas. Prontos? Vamos lá: eis os melhores croquetes de Lisboa. Recomendado: O melhor de Lisboa em 2025
As melhores padarias em Lisboa

As melhores padarias em Lisboa

É difícil resistir ao cheiro do pão acabadinho de sair do forno. E pão quente com manteiga é um petisco que sabe bem a qualquer hora do dia. Infelizmente, fazer pão em casa não é tão fácil como comê-lo. A boa notícia é que nunca houve tantas e tão boas padarias em Lisboa. Massa-mãe, farinhas especiais, misturas de cereais, tudo faz diferença na hora de escolher. Para cortar à mão e comer simples ou com uma boa manteiga. Fresco, em tostas e torradas. Não há nada melhor do que pão.  Recomendado: Estas são as melhores padarias em Cascais
Restaurantes em Lisboa até 20 euros

Restaurantes em Lisboa até 20 euros

Comer fora está cada vez caro. É certo que ainda há verdadeiros achados na cidade – como demos conta na nossa lista de restaurantes até 10€ –, mas em muitos casos, se não prescindir de comer bem, o mais provável é que gaste um pouco mais do que isso. Da cozinha tradicional portuguesa às mais diversas gastronomias internacionais, passando por refeições rápidas e para diferentes horas do dia, nestes 30 restaurantes de Lisboa paga 20 euros ou menos por pessoa. Apesar de não ser exactamente barato, leva daqui a garantia de que vai sair satisfeito e feliz. Recomendado: As melhores tascas de Lisboa
Os melhores restaurantes em Lisboa até dez euros

Os melhores restaurantes em Lisboa até dez euros

Já foi mais fácil encontrar onde comer bem e pagar pouco. O turismo é habitualmente o bode expiatório – e tem a sua quota-porta de culpa. Mas a vida de uma cidade como Lisboa não se pode simplifcar assim. Há outros factores a ter em conta: os preços disparam nos últimos anos e, se os processos de gentrificação ajudam a explicar o aumento das rendas, já não servem para justificar o encarecimento da matéria-prima. Além do mais, nos restaurantes baratos, é preciso trabalhar muito para garantir que se sobrevive com margens tão estreitas. Quem se quer sujeitar? Na maior parte das vezes, a qualidade paga-se – mas ainda há excepções. Aqui damos-lhe conta de verdadeiros achados. E garantimos que este barato não lhe vai sair caro. Nestes 20 restaurantes em Lisboa até 10€, vai ser bem servido. Recomendado: Os melhores restaurantes em Lisboa até 20 euros
Os melhores sítios para comer pizza à fatia em Lisboa

Os melhores sítios para comer pizza à fatia em Lisboa

À romana ou ao estilo de Nova Iorque, as pizzas à fatia são uma óptima forma de despachar uma refeição sem grandes ponderações nem salamaleques. É pegar e andar. Ou é pegar, comer e andar. Ainda por cima fica barato. Seja como for, a rapidez e o preço não têm de comprometer a qualidade das pizzas. Nesta lista, encontra triângulos, quadrados e rectângulos que, al taglio ou ao peso, merecem a nossa devoção gastronómica. A maior parte fica nas zonas da cidade com mais actividade nocturna, mas já chegam a zonas residenciais como o Areeiro ou São Domingos de Benfica. Tome nota dos melhores sítios para comer pizza à fatia em Lisboa. Recomendado: As melhores pizzarias em Lisboa
Restaurantes abertos no dia 1 de Janeiro em Lisboa

Restaurantes abertos no dia 1 de Janeiro em Lisboa

Procurar uma agulha num palheiro. É muito provável, quase de certezinha, que a expressão não tenha sido dita pela primeira vez para descrever a situação de madrugadores esfomeados no primeiro dia do ano – mas assenta-lhe que nem uma luva. É que, quando está meio mundo a ressacar das festas de passagem de ano, encontrar mesa é toda uma aventura. Para evitar aquele desespero de última hora, aqui tem duas – três! quatro! – mãos-cheias de restaurantes abertos a 1 de Janeiro de 2026 em Lisboa, de brunches a mariscadas. Convém é fazer reserva, para evitar dissabores. Recomendado: Os melhores jantares de passagem de ano em Lisboa

Listings and reviews (17)

NOS Alive

NOS Alive

Arcade Fire, Dua Lipa and Pearl Jam lead the 16th edition of NOS Alive, returning to Passeio Marítimo de Algés on July 11, 12 and 13. Supporting acts include Smashing Pumpkins, Tyla and Sum 41, but it’s worth delving beyond the headline acts, especially as The Breeders celebrate 30 years of their classic album Last Splash. Our guide ensures you won’t miss a thing, big or small. Check out the full lineup below.  Concert Schedules July 11th NOS Stage - 6:30 PM: Nothing But Thieves - 8:00 PM: Benjamin Clementine - 9:50 PM: The Smashing Pumpkins - 12:00 AM: Arcade Fire Heineken Stage - 5:00 PM: Mazela - 5:50 PM: Unknown Mortal Orchestra - 7:15 PM: Kenya Grace - 8:40 PM: Black Pumas - 10:50 PM: Parcels - 1:30 AM: Jessie Ware - 3:00 AM: Moullinex ▲ GPU Panic WTF Clubbing - 5:00 PM: Conhecido João - 6:00 PM: Silly - 7:20 PM: Conjunto Corona - 8:50 PM: Bateu Matou - 10:10 PM: Zengxrl - 11:20 PM: Awen b2b Djeff b2b Xinobi - 1:30 AM: Me b2b Trikk - 3:00 AM: Fresko bsb Vallechi Bandstand - 5:30 PM: Inês Apenas - 6:50 PM: Tipo - 8:00 PM: João Não & Lil Noon - 9:50 PM: Ricardo Crávidá - 12:00 AM: Quant Fado Café - 5:15 PM: Francisco Moreira - 6:35 PM: Francisco Moreira - 8:05 PM: Maria Emília - 9:30 PM: Maria Emília - 11:30 PM: O Samba É 1 Só Comedy Stage - 5:00 PM: Mariana Rosária - 5:15 PM: Eduardo Marques - 5:30 PM: Pedro Sousa - 6:00 PM: Rui Xará - 7:30 PM: Carlos Vidal - 9:10 PM: Beatriz Gosta - 11:20 PM: Gilmário Vemba Portico - 3:00 PM: P'laguita - 4:15 PM: P'laguita - 5:30 PM: Tri
Lumi

Lumi

Luís Antunes e José Miguel Pereira sonharam juntos este projecto e fizeram nascer a Lumi Geladaria no coração de Benfica. Os sabores são muitos e variam consoante o que a oferta de frutas que a dupla vai encontrando diariamente no mercado do bairro. Há gelados de leite e sorvetes, que são gelados de fruta com base de água. Estes últimos são vegan. “Não têm nenhum derivado de animal”, assegura Luís. O destaque vai, no entanto, para o “sabor de infância”, uma mistura de sumo de laranja, banana esmagada e bolacha Maria que está sempre na carta. Isto para humanos. Porque os cães também são servidos – com o “patudo”, um gelado adequado para cães, de avelã sem açúcar. Mas a Lumi não se resume a gelados – que são servidos em copo ou cone. Há bolos, brownies, waffles, crepes, batidos, sumos naturais e uma oferta cafetaria que vai do café bio ao chocolate quente. Também tem brunch, em versão normal e veggie, com quiches, panquecas, gelado com granola e fruta, sumo natural e um café com sobremesa gelada. + Na Lumi, os gelados são servidos em copo, cone ou brunch
O Filme do Bruno Aleixo

O Filme do Bruno Aleixo

3 out of 5 stars
A estreia no cinema do sexagenário urso-cão mais famoso das Beiras é um absurdo. Embora não o completo e espertalhão absurdo por que ansiávamos. Quem estava a salivar por hora e meia de sitcom focada em conversas do quotidiano, chocarrice saloia pontuada por silêncios desconfortáveis e pequenos embustes, terá de recalibrar as expectativas. O Filme do Bruno Aleixo começa com o protagonista coimbrão (com ascendência na Bairrada e no Brasil) a revelar ter sido contactado por “um homem que tem uma empresa que faz filmes” – Luís Urbano, da O Som e a Fúria, que já tinha produzido as séries “Aleixo Psi” e “Copa Aleixo” –, que o desafiou a rodar uma biografia sua para o grande ecrã. E Aleixo convoca a grupeta do costume – Homem do Bussaco, Renato Alexandre e Busto – para o ajudar a ter uma proposta para apresentar... no último dia do prazo. O que nos é apresentado é a conversa de café que resulta daí, com a representação, por actores de carne e osso – Adriano Luz, Rogério Samora, Manuel Mozos, Gonçalo Waddington, José Raposo, João Lagarto –, das ideias que vão surgindo. Tem graça, claro. E uma das premissas da interacção entre estas personagens, a de que os diálogos são circulares e que o ponto de partida interessa pouco, é respeitada. Mas se os criadores João Moreira e Pedro Santo constroem este filme em cima do conhecimento prévio deste universo, também sentiram necessidade de se afastarem dele para garantir acção, dando demasiado espaço ao live action. Já deveriam saber que um bom
Bostofrio

Bostofrio

2 out of 5 stars
Filho de pai incógnito é uma condição que a lei portuguesa prevê, desde 1977, apenas para casos excepcionais. Mesmo assim, é uma realidade que persiste: em 2010, existiam 150 mil nessas condições, e o número de registos anuais tem aumentado. O pai de Paulo Carneiro, que aqui se estreia na realização, é um deles. E o propósito deste documentário é uma busca por respostas, por histórias e até por uma simples fotografia que o ajudem a conhecer o avô, que só é incógnito no papel – na aldeia barrosã de Bostofrio, 30 habitantes, toda a gente sabe quem foi, como foi, o que aconteceu. Carneiro (Lisboa, 1990) passou por dificuldades para fazer este filme, não em quebrar a “lei do silêncio”, como quer fazer crer, mas em ganhar a confiança daquela gente simples, intimidada pela câmara e por inquirições delicadas. Esse processo ficaria bem fora do filme. Seria igualmente vantajoso que preparasse as entrevistas, para evitar ser errático, repetitivo e disfarçar o mau jeito. Descontando redundâncias narrativas e as bucólicas paisagens transmontanas, sobra pouco. É aí, e não no plano técnico, que se sente a falta de meios: seria necessária outra dedicação para alcançar o resultado pretendido. O documentário é exibido em conjunto com a curta Cinzas e Brasas, de Manuel Mozos. Por Hugo Torres
Skin - História Proibida

Skin - História Proibida

3 out of 5 stars
Bryon Widner é um supremacista branco numa encruzilhada: depois de participar no espancamento de um jovem negro durante uma manifestação, o brutamontes, venerado entre pares, começa a duvidar do caminho da violência. Skin passa-se no Ohio, em 2009, e é baseado em factos reais. Bryon não é só uma personagem – é alguém que decidiu sair do movimento neonazi, penou para o conseguir (com a ajuda de um activista negro), agiu como denunciante para o FBI, e passou dois anos em dolorosas cirurgias para remover as tatuagens iconográficas do rosto. O filme tem pontos de contacto com a curta-metragem homónima com que o realizador Guy Nattiv, de origem israelita, ganhou um Óscar. Mas a longa demora-se no recrutamento, nas batalhas fratricidas e no romance que o mantém à tona. Nattiv optou por se aproximar do monstro para tentar compreendê-lo. Não é o mesmo retrato cru e impiedoso deste tipo de marginalidade. O que retira pujança à narrativa, mas oferece a excelente Vera Farmiga ao elenco. Por Hugo Torres
Avenida Almirante Reis em 3 andamentos

Avenida Almirante Reis em 3 andamentos

1 out of 5 stars
Lisboa tem poucas avenidas tão ricas, com gente de tantas proveniências, extractos sociais e projectos de
vida. É uma fonte virtualmente inesgotável de histórias e leituras da sua angulosa realidade, de leituras longitudinais ou trabalhos menos densos. É por isso frustrante ver Avenida Almirante Reis em 3 Andamentos esconder a sua inépcia atrás de um título pomposo e da paciente bondade com que a cinefilia classifica este tipo de projecto: “filme- ensaio”. Um ensaio pressupõe explorar uma ideia, um bem escasso por estas paragens. Recuando a Cândido dos Reis e à República, passando pelo 1.o de Maio de 1974, Renata Sancho propõe-se olhar para as mudanças em curso nesta avenida (a rodagem decorreu entre 2016 e 2018, quando os preços do imobiliário dispararam). Mas o resultado é uma sequência de planos desconexos, sem interesse nem narrativa, que parece feita só para iniciados. E sabe deus que interesse encontrarão esses por aqui. Por Hugo Torres
Santiago, Italia

Santiago, Italia

3 out of 5 stars
As “geringonças” sinistras não são uma originalidade portuguesa. Em 1970, Salvador Allende congregou quase toda a esquerda chilena na candidatura presidencial que o levou ao poder, com o apoio essencial dos democratas-cristãos. Socialistas, sociais-democratas, comunistas e outros marxistas tomaram La Moneda pela via democrática, um feito extraordinário em tempo de golpes e revoluções, e em plena Guerra Fria, que gerou entusiasmo no país e
 um alarmismo despeitado em Washington. Entendendo que era preciso impedir que a experiência fizesse escola, o nefasto Richard Nixon pôs a CIA em campo para precipitar a queda do governo, o que acabou por acontecer de forma trágica a 11 de Setembro de 1973. Neste regresso ao documentário, Nanni Moretti começa por mostrar o ambiente de festa que se seguiu à eleição, passa às divergências no seio da coligação e, quando damos por nós, já os militares saíram à rua para “restaurar” a democracia, bombardeando a capital, Santiago, e instaurar uma ditadura que durou até 1990. Allende suicida-se. Pinochet, o general que comanda as tropas, ordena a perseguição imediata
 de esquerdistas mais activos, que encontram na diplomacia italiana um refúgio e a possibilidade de uma nova vida, na Europa, ao contrário do que acontece com os migrantes do Mediterrâneo hoje. E é aqui que o realizador italiano quer chegar: a intenção nunca foi abordar aqueles anos de sonho materializado, que até inspiraram o “compromisso histórico” da política italiana nos anos 1970.
Onde Está Você, João Gilberto?

Onde Está Você, João Gilberto?

“Porquê tentar encontrar um homem que não quer ser encontrado?” O realizador franco-suíço Georges Gachot faz a pergunta e dá a resposta com o documentário João Gilberto, Onde Está Você?, que se estreia neste sábado no Cinema Monumental. É um enamoramento, uma obsessão feita policial, que nos leva no encalço do pai da bossa nova. João Gilberto, recentemente desaparecido, aos 88 anos, passou a derradeira fase da sua vida em reclusão doméstica, longe dos palcos e de quaisquer olhares indiscretos. Rever o cantor e compositor era, por isso, um desejo acalentado por fãs, amigos e jornalistas. Nenhum dos quais foi bem-sucedido nesse desígnio. Gachot – que tem uma filmografia recheada de música brasileira, tendo se debruçado sobre Maria Bethânia (Música é Perfume, 2005), Nana Caymmi (Rio Sonata, 2010) e Martinho da Vila (O Samba, 2014) – foi para o Rio de Janeiro seguir os passos do jornalista alemão Marc Fischer, que ali passou cinco semanas a tentar cruzar-se com João Gilberto, para que este lhe cantasse ao violão, e à sua frente, “Ho-ba-la-lá”. O tema tinha-lhe sido dado a ouvir por um japonês, anos antes, servindo de porta de entrada à bossa nova e a uma paixão ímpar pelo seu autor. Fischer falhou o objectivo, mas descreveu o processo em Ho-ba-la-lá – À Procura de João Gilberto, suicidando-se pouco antes do lançamento do livro, em 2011. Miúcha, João Donato, Marcos Valle e Roberto Menescal são entrevistados no filme, tal como o barbeiro que atendia o compositor baiano em casa e o
Aperta Aperta Com Elas

Aperta Aperta Com Elas

2 out of 5 stars
Uma pequena e alva aldeia no cantão suíço dos Grisões vive uma ilusão: a normalidade dos casais, dos filhos, dos bolinhos, dos ajuntamentos de vizinhos e das missas dominicais esconde uma paz podre que vai deixar esta comunidade à beira do precipício. O catalisador é a chegada de um forasteiro no lugar onde ele é menos esperado: o púlpito da igreja. A diocese destaca para ali um pároco indiano com uma mensagem mais cristã do que a hierarquia católica gostaria, centrada no amor. Não só o amor etéreo: o padre Sharma aconselha o seu rebanho sobre o amor executado entre lençóis. Se no início é recebido com desconfiança racista, quando os homens descobrem as mulheres de Kama Sutra na mão, tentam afastá-lo para camuflar infidelidades, inseguranças e impotências. O filme de Christoph Schaub não cria o clima de tensão que uma história destas teria numa aldeia remota, nem funciona como a comédia que se anuncia (o mais hilariante da fita é o título em português). Salva-se a possibilidade de ouvirmos diálogos em romanche, uma língua em risco de extinção. Por Hugo Torres
Linhas Tortas

Linhas Tortas

2 out of 5 stars
Luísa é uma jovem e bela actriz. Acaba de regressar a Lisboa, tendo importado de Londres uma relação infeliz. António é um arguto e reconhecido escritor, que assina uma celebrada coluna de jornal: “Linhas Tortas”. É casado, tem um filho da idade de Luísa, e conhecemo-lo quando se estreia a fazer figura “de parvo” como comentador na televisão. São ambos utilizadores de redes sociais – ela descontraidamente, nos intervalos do dia; ele à noite, no escritório de casa, com um copo de uísque a acompanhar. É nesse ambiente virtual, em que António se esconde atrás do nome e da imagem do místico russo Grigori Rasputin, que se cruzam e inevitavelmente se enamoram. Após hesitações várias, decidem encontrar-se. O que não chega a acontecer: António sofre um acidente de viação, perde parcialmente a memória e fica hospitalizado por muito tempo. Rita Nunes, que se estreou em 1996 com a temperamental e homicida curta-metragem Menos Nove, e tem vindo a trabalhar em publicidade e televisão, trouxe para a sua primeira longa-metragem parte do elenco da série Madre Paula, que co-realizou para a RTP em 2017: Joana Ribeiro (Luísa), Maria Leite (amiga de Luísa), Miguel Nunes (filho de António) e Joana Pais de Brito; aos quais se juntaram Américo Silva (António) e Ana Padrão (mulher de António). Os actores estão tão bem quanto lhes permite o argumento, que Carmo Afonso, uma das contribuintes líquidas do Twitter português, escreveu. Sem espaço nem tempo para se desenvolverem, as personagens avançam por
Quero-te Tanto!

Quero-te Tanto!

1 out of 5 stars
Vicente Alves do Ó faria bem em levar a comédia a sério. Quero-te Tanto não é um filme,
 é um passeio da fama para actores de telenovela,
 a desfilar no nível rasteiro a que anseiam ver os
 seus nomes encastrados numa rua qualquer. Personificam bonecos de cartão que não chegam
 a ser personagens, a ter espessura, vieses, sofisticação. O realizador dirá que estamos diante de uma rom-com ostensivamente cartunesca, mas nada justifica o texto preguiçoso, as caricaturas toscas, os estereótipos simplórios, as graçolas em esboço. Os protagonistas, Mia (Benedita Pereira) e Pepê (Pedro Teixeira), estão numa encruzilhada familiar, entre a alegria do filho que vem e a angústia do dinheiro que falta. O casal decide roubar “rapidinhas da sorte”, do interior da estátua do Marquês de Pombal, e acaba detido, julgado e encarcerado. Até que ele foge da prisão para se reencontrar com a amada em Serpa, recorrendo a ajudas voluntárias 
e involuntárias (incluindo de uma jornalista cujas boas intenções são abocanhadas pela voracidade inescrupulosa da estação para que trabalha, a 
TVI, que co-produz o filme e nos entra pelos olhos dentro). No seu encalço leva os agentes Coelho e Raposo, interpretados por Pedro Lacerda e Joana Manuel ao estilo Jacques Clouseau, cujas aparições são raríssimos momentos de oxigénio na fita. Dalila Carmo e Rui Mendes também merecem apreço, em contraste com as desaustinadas Alexandra Lencastre e Fernanda Serrano. A banda sonora – Doce, Paião, Cid, Sheiks – atinge o zénite
Besta

Besta

2 out of 5 stars
Jersey é um paraíso fiscal no Canal da Mancha. Esqueçam as congéneres caribenhas:
 esta ilha é austera, a alegria reside na família e no circuito fechado de amigos. Moll (Jessie Buckley) é uma jovem adulta sufocada por um pai demente e uma mãe rígida e controladora. Conhecemo-la pouco antes de ela fugir do seu aniversário, passar a noite a dançar com um estranho, e acabar a ser salva de uma possível violação por Pascal (Johnny Flynn), um “artesão” cadastrado, marginal e suspeito de ser um assassino em série. Moll apaixona-se e enfrenta toda a gente para o defender, criando uma tensão explosiva na pequena comunidade. Michael Pearce (Bafta para melhor estreia) não consegue dar à história o suspense que se exigiria e a força do filme perde-se na realização, no guião pouco subtil e na ineficaz direcção de actores. Por Hugo Torres

News (532)

Bonkers. Esta pizzaria quer pôr-nos a cabeça a andar à roda (ou às rodelas)

Bonkers. Esta pizzaria quer pôr-nos a cabeça a andar à roda (ou às rodelas)

Numa pacata rua de atravessamento, onde o eléctrico 25 sobe e desce entre Santos e a Lapa, está a formar-se um pequeno cluster gastronómico. Se na zona baixa encontramos as sandes de Leonor Godinho no Bibs e os peixes maturados de Leandro Carreira no Barbela, dobrando a esquina para a São João da Mata, damos de caras com a doBeco, padaria, pastelaria e sítio de eleição para amantes de brunch. Subindo mais, lá estão o Batata Doce, instituição do bairro com uma das grandes figuras locais ao comando, Isabel Jacinto, e o novo Georgia. Ainda antes de este último ter aberto as portas, em Outubro, tinha aberto em Maio um outro espaço, a meio caminho, com uma proposta diferente da restante vizinhança. Estamos a falar da Bonkers, a alegre, descomplicada e provocadora pizzaria de Rui Zuzarte e António Jardim. Já os conhecemos de outras andanças. Rui é o criador da marca de óculos de sol Palm3; António, da marca de hambúrgueres A-100. “Éramos os únicos com negócios próprios no nosso grupo de amigos e partilhávamos algumas ideias”, conta Rui. “Fomos crescendo, cada um com o seu negócio, e dizendo que um dia faríamos algo juntos. O nosso gosto em comum era muito automóveis, motos, corridas. Tentámos fazer uma coisa desse género, não foi para a frente. Mas eu sempre tive algum gosto por isto [restauração] e um dia liguei-lhe a dizer: pá, ò António, acho que vou abrir uma casa de bifanas. E diz ele: eu ando aqui com uma ideia que te vou apresentar e depois pensas nas bifanas.” A ideia era u
Fifty Seconds conquista a segunda estrela e brilha na gala Michelin 2026

Fifty Seconds conquista a segunda estrela e brilha na gala Michelin 2026

O Fifty Seconds é o grande vencedor da terceira edição do Guia Michelin exclusivamente para Portugal. O restaurante de Rui Silvestre conquistou a segunda estrela na noite desta terça-feira, 10 de Março, numa cerimónia no Savoy Palace, na Madeira. O JNcQUOI Table, de Filipe Carvalho, ficou com um prémio em estreia na Península Ibérica: Abertura do Ano. O Table entrou também na lista de restaurantes recomendados do famoso guia vermelho. O mesmo aconteceu com o JNcQUOI Fish, no mesmo edifício e também sob a tutela de Filipe Carvalho. Ainda em Lisboa, o Eleven perdeu a estrela, tal como o Arkhe, que fechou. Portugal partia para esta cerimónia com oito restaurantes com duas estrelas Michelin, 38 restaurantes com uma, seis restaurantes com estrela verde, 28 Bib Gourmand e 116 recomendados. O que faltava? Um restaurante com três estrelas Michelin, a distinção máxima. Em entrevista à Time Out, Henrique Sá Pessoa disse ter essa ambição – mas, com um restaurante ainda a estrear, dificilmente seria este ano. Ainda assim, o chef manteve as duas estrelas que eram do Alma, apesar da mudança de nome e de localização. Quanto às três estrelas, continuarão a faltar. Por outro lado, todos os restaurantes com duas estrelas Michelin mantiveram a distinção. Depois desta cerimónia, as contas saldam-se assim: há mais um restaurante duas estrelas (agora são nove), mais dez restaurantes uma estrela (agora 44, descontando o Fifty Seconds, que tinha uma, o Eleven, o Arkhe e o Al Sud, que mudou de concei
Deixe a tristeza para lá. No Flamma, a vida vai melhorar

Deixe a tristeza para lá. No Flamma, a vida vai melhorar

Termos o Tim Maia a ecoar na cabeça é uma felicidade, que se sublinha com o assomo de uma imagem do cantor a sorrir com o rosto todo. Não é comum. Acontece quando o rei faz anos, quando nos deparamos com algo bom. Começa o trompete, o saxofone, a flauta, a guitarra filtrada pelo wah-wah e lá vem ele: “Que beleza é sentir a Natureza (...)/ Uh uh uh que beleza”. Depois passa e seguimos com a nossa vida. Tão cedo não voltará. Por isso, se estamos há quase duas horas a murmurar a canção, em ininterrupta sequência, é porque algo de muito especial se passa. O motivo? A carta do novo Flamma, toda a carta. O restaurante de Alessandra Borsato em Campo de Ourique é uma alegria. É uma alegria a música, é uma alegria o ambiente contidamente conversador, é uma alegria a informalidade, é uma alegria a cerveja (Original, a pilsen da brasileira Antarctica, um achado em Lisboa), é uma alegria o vinho e, sobretudo, é uma alegria a comida – quase tudo a passar pelo fogo, quase tudo servido em espetadinhas. Como a chef vem de São Paulo, o primeiro instinto leva-nos para o churrasco brasileiro. E o ponto de partida até pode ser esse, mas o que aqui se come é uma mistura de influências nem sempre provável, reflexo do percurso de “Alê”. A experiência anterior da chef em Portugal tinha sido no Senhor Uva, cozinha que comandou durante três anos. Ainda antes disso, tinha trabalhado com Alexandre Silva no Loco e no Time Out Market, de onde saiu para tirar um mestrado em cozinha no País Basco. “Como sou
Rubro organiza Jornadas Gastronómicas de Valência nos dois restaurantes de Lisboa

Rubro organiza Jornadas Gastronómicas de Valência nos dois restaurantes de Lisboa

Começa esta quinta-feira, 5 de Março, e dura duas semanas: até dia 19, o Rubro acolhe nos seus dois restaurantes o que chamou de Jornadas Gastronómicas de Valência. “Uma oportunidade de provar novos pratos e petiscos, típicos de uma das regiões de Espanha mais ricas em cozinha do Mediterrâneo”, segundo o Rubro, que faz por “honrar as tradições gastronómicas ibéricas”, tanto Campo Pequeno, onde se instalou em 2006, como na Rua Rodrigues Sampaio, onde abriu um segundo espaço dois anos mais tarde.  “Com um conceito que privilegia a cozinha de produto e a promoção de sabores genuínos, apostando em confecções simples, o Rubro é o lugar perfeito para dar a conhecer novas identidades gastronómicas como a da Região de Valência e dos seus produtos típicos”, lê-se em comunicado. Além do seu prato mais popular, a paella, a gastronomia valenciana faz-se de outras tachadas de arroz e muita proteína do mar, peixe e marisco. Para Lisboa, o chef Filipe Quaresma preparou uma carta feita de tapas, raciones, paellas e sobremesas.  “Profundamente ligada ao Mediterrâneo, esta cozinha distingue-se pelo uso de ingredientes frescos, pela simplicidade e por um sabor autêntico”, continua a nota do Rubro, apresentando a carta especial para as próximas duas semanas. Nas tapas, há croquetes de tinta de choco ou bacalhau, tostadas de bacalhau e de cavala, e tartelete de sapateira. Nos pratos de partilha, as raciones, o destaque vai para propostas como a lula com cebola confitada e tinta de choco, o choco
Quatro noites a quatro mãos: Gancho festeja aniversário com chefs convidadas

Quatro noites a quatro mãos: Gancho festeja aniversário com chefs convidadas

O Gancho faz um ano no domingo, 8 de Março. A data de abertura não foi ao acaso. Foi “uma homenagem às mulheres que nos alimentaram e nos transmitiram o amor pela comida e pela hospitalidade”, apontam Louise Bourrat e Marco Cossu no convite para a festa de aniversário, que se vai estender durante quatro noites, com outras tantas convidadas na cozinha – precisamente quatro mulheres chefs, para celebrar também “o talento feminino”. Louise é uma cara bem conhecida da nossa gastronomia. A chef luso-francesa afirmou-se com o Boubou’s, um bistrô no Príncipe Real que evoluiu para fine dining com aspirações a estrela Michelin. Neste restaurante, em Alfama, serve a sua cozinha do coração, inspirada pelas receitas da avó Fátima, de Ponte de Lima – seja de forma mais directa, como no bacalhau à Brás, seja de forma mais indirecta, como no caso dos arancini de cabidela. Marco, mixologista italiano (ex-Ninho e Go A Lisboa) e companheiro de Louise, pode ser uma figura menos conhecida, mas é ele quem está no Gancho todos os dias e faz dele mais do que uma segunda casa da chef. É uma neo-tasca descontraída, mas rigorosa na cozinha e no serviço, que mereceu a distinção da Time Out para o melhor novo restaurante de 2025. Coincidentemente, foi a 8 de Março (de 2021) que chegou a Portugal. Este ano, calha a um domingo, dia de descanso no Gancho. Em compensação, vão assinalar o aniversário durante quase toda a semana. Na cozinha, Louise vai ser acompanhada por “quatro mulheres que brilham na gastr
Vítor Sobral coordena equipa para identificar espaços que “respeitam a tradição gastronómica portuguesa”

Vítor Sobral coordena equipa para identificar espaços que “respeitam a tradição gastronómica portuguesa”

Abrangente, inclusivo, rigoroso, independente e dinâmico (“em constante actualização”). É com este leque de adjectivos que a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) apresentou na BTL – Bolsa de Turismo de Lisboa, na passada semana, o seu novo guia gastronómico para a Área Metropolitana de Lisboa. Chamou-lhe Degusta Lisboa. E, se o nome da cidade se repete tantas vezes neste parágrafo, é porque a iniciativa é feita em parceria com a Entidade Regional de Turismo da Região de Lisboa. Não só. Os especialistas envolvidos no processo de selecção e verificação dos espaços a constar no guia são chefs, gastrónomos, jornalistas, comunicadores e promotores sediados na região de Lisboa. Coordenada por Vítor Sobral, chef e vice-presidente da AHRESP, a equipa de curadores conta com Virgílio Gomes, Júlio Fernandes, Henrique Sá Pessoa, Justa Nobre, Kiko Martins, Fontão de Carvalho, Teresa Vivas, Adriana Fournier, Edgardo Pacheco, Duarte Calvão e Paulo Amado. O critério que vão aplicar aos espaços é “simples”: “se têm boa comida e respeitam a tradição gastronómica portuguesa, têm lugar neste guia”. O Degusta Lisboa “nasce com o objectivo de criar um guia agregador dos estabelecimentos que realmente valem a pena visitar, sejam restaurantes aclamados pela crítica no centro da cidade, pequenos espaços tradicionais na periferia, pastelarias históricas ou mercados de bairro”, lê-se em comunicado. A AHRESP tem “a ambição de garantir uma cobertura abrangente e inclusiva
Ai que crescido! O Pils faz anos e a festa vai ter muitas bochechas para apertar (e comer)

Ai que crescido! O Pils faz anos e a festa vai ter muitas bochechas para apertar (e comer)

Uma festa precisa de música e de bebida. No Pils, não falta nem uma coisa nem outra. Só de cervejas e sidras há 24 torneiras ao balcão e, neste domingo, 22 de Fevereiro, o volume do som a sair das colunas também vai subir. O motivo é dos bons: a celebração do segundo aniversário do restaurante que desde 2024 tornou esta esquina do Conde Redondo num local de encontro de influências gastronómicas e técnicas de todo o mundo, do Brasil da chef Liz Almeida ao País Basco, da Alemanha e da Áustria ao Médio Oriente, da Europa de Leste aos Estados Unidos e ao México, sem esquecer Portugal e os produtos nacionais. “Define-se como um beergarden e um assador e tem um pouco de Munique e de San Sebastián. Um sonho, portanto”, escreveu Alfredo Lacerda, ainda no ano de abertura. Reconhecendo que “o menu é uma mescla difícil de categorizar”, o crítico sublinhava que o Pils era então “um achado”. Nesse arranque do restaurante, Liz Almeida já estava no Pils, mas não comandava a cozinha. A chef ganhou depois a confiança dos proprietários, actualmente os russos Pavel Kokkov e Tatiana Zamyatina (a chefe de sala), e, a partir de Novembro de 2024, não só foi capaz de segurar as pontas como continuou a elevar a fasquia. Na última edição dos prémios Mesa Marcada, esteve entre os cinco nomeados a chef revelação do ano, distinção que acabou por ir para Rafaela Ferreira (Exuberante). O próprio Pils esteve entre os nomeados na categoria Restaurante Destaque do Ano nos mesmos prémios. A festa deste fim-de-
Sismo de magnitude de 4,1 fez Lisboa tremer esta quinta-feira

Sismo de magnitude de 4,1 fez Lisboa tremer esta quinta-feira

O Centro Sismológico Euro-Mediterrânico registou um sismo de 4,1 na escala de Richter, às 12.14 desta quinta-feira, 19 de Fevereiro, na região da Grande Lisboa. Numa primeira estimativa, o Android Earthquake Alerts System adiantava que o epicentro tinha ficado a 23 quilómetros de Mafra. Pouco depois, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) apontava no mapa o significado dessa distância: o sismo ocorreu próximo de Alenquer, a 15 quilómetros de profundidade. A Protecção Civil enviou entretanto um SMS à população, pedindo calma e alertando para possíveis réplicas. "IPMA confirma sismo a quatro quilómetros de Alenquer. Mantenha a calma e esteja atento a eventuais réplicas", lê-se na mensagem. Na verdade, poucos minutos após o primeiro abalo, houve um segundo, igualmente de magnitude 4,1 e também sentido em Lisboa. O fenómeno não causou danos pessoais ou materiais e foi sentido com intensidade máxima IV/V (escala de Mercalli modificada) no concelho de Loures e com menor intensidade nos concelhos de Montemor-o-Novo (Évora), Peniche (Leiria), Alenquer, Lisboa, Sintra, Torres Vedras, Vila Franca de Xira, Benavente (Santarém), Almada e Barreiro (Setúbal), segundo o IPMA. Não sabe o que fazer em caso de sismo? Baixar, proteger, aguardar. Neste artigo, publicado em 2024, explicamos-lhe como se deve preparar, o que fazer durante e depois de um sismo, e qual o plano de Portugal em caso de tremor de terra. Esta informação não estava disponível em 1969, quando a cidade tremeu com
Guia Repsol vai fazer brilhar os “sóis” de 2026 em Évora

Guia Repsol vai fazer brilhar os “sóis” de 2026 em Évora

Depois do regresso a Portugal em 2025, o Guia Repsol prepara-se para uma nova sessão de gastronomia solar no nosso país. A próxima gala vai acontecer a 13 de Abril no Teatro Garcia de Resende, em Évora, anunciou a organização esta segunda-feira, dia em que foi apresentado a edição de 2026 do guia original, o espanhol – A Tafona, em Santiago de Compostela, o Ramón Freixa Atelier, em Madrid, e Voro, em Capdepera, são as novas entradas com a distinção máxima, três sóis. Por cá, ainda teremos de esperar para ver. Os números devem ser conhecidos ainda antes da cerimónia – quantos restaurantes serão distinguidos com um, dois ou três sóis, assim como a lista de recomendados –, mas os nomes só mesmo no dia. No ano passado, em Santarém, foram atribuídos 70 sóis à gastronomia nacional (três sóis para quatro restaurantes, dois sóis para 17 e um sol para 49) e a lista de recomendações (isto é, bons restaurantes que não estão na categorias dos sóis) ascendia às 124. Cerca de meio depois, foram entregues 285 soletes para Portugal. “A Gala Sóis Guia Repsol chega a Évora como um dos mais prestigiados eventos de reconhecimento da gastronomia, reunindo chefs, críticos e profissionais do sector para celebrar a excelência, a criatividade e a identidade da cozinha portuguesa”, refere o presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, José Manuel Santos, citado em comunicado. “A escolha de Évora reforça o papel crescente do Alentejo no panorama gastronómico ibérico e internaciona
JNcQUOI Asia reforça aposta na barra e tem agora um chef de sushi

JNcQUOI Asia reforça aposta na barra e tem agora um chef de sushi

O JNcQUOI Asia tem um novo chef. Mário Esteves não foi a lado nenhum. Braço direito de António Bóia no grupo Amorim Luxury, continua a ser o responsável pela cozinha deste pan-asiático. Acontece que passou a ter a sua própria pessoa de confiança, em particular para o menu japonês do restaurante: Rui Rosário. O chef do SUGOI – que já esteve também no Praia no Parque – integrou a equipa em Outubro e esteve mais de três meses a preparar a nova carta, numa abordagem “mais tradicional, mais autêntica”. “O que fiz aqui foi ter uma abordagem mais tradicional, mudar agulhas quase radicalmente”, diz Rui Rosário à Time Out. “O JNcQUOI foi incrível, porque disseram que estavam dispostos a isso. Outra casa, se calhar, não estaria”, observa ainda o chef. “O produto que temos é maravilhoso. Já era muito bom antes de eu chegar – e continua. Só que agora a abordagem é diferente, com um sushi mais autêntico. Foi o que me pediram, autenticidade. Algo mais tradicional, mais autêntico. E é isso que estamos a fazer.” Rui Rosário tem um currículo sui generis. Depois de 14 anos a trabalhar na Vodafone, percebeu que era a gastronomia que o fazia feliz. Largou tudo e lançou-se no sector da restauração, primeiro como empresário, em Luanda. Em 2018, decidiu especializar-se e foi para o Japão fazer ​​um curso de sushi e washoku, pelo qual recebeu um diploma de bronze homologado pelo Governo nipónico. “Quase todos os anos lá vou”, revela. “Revejo-me neste tipo de cozinha, de detalhe. Eu era um indiscipli
Arcádia vai abrir uma loja de rua junto ao Campo Pequeno

Arcádia vai abrir uma loja de rua junto ao Campo Pequeno

A padaria e pastelaria Granier que há mais de uma década alimentava quem transpunha a Avenida 5 de Outubro para a Júlio Dinis, no percurso entre a estação de Entrecampos e o Campo Pequeno, fechou no início do ano. É um dos muitos casos em Lisboa. Aqui, no entanto, não está em causa um espaço tradicional da cidade, só uma loja franchisada, da vasta cadeia espanhola “low-cost” que lhe dava nome. No seu lugar vai ficar uma marca bem conhecida dos portugueses: a Arcádia. As obras estão a decorrer há algumas semanas e ainda não há data de abertura, segundo a empresa. Mas as vitrines já ostentam o famoso logótipo da Arcádia, que nasceu em 1933 como salão de chá e confeitaria, no Porto, passou por diversas fases e ajustes de actividade, e chegou aos nossos dias como sinónimo indissociável de chocolates de qualidade. Nos últimos anos, a marca tem aberto lojas por todo o país: Braga, Guimarães, Vila Real, Viseu, Coimbra, Cascais, Setúbal, Faro…  Lisboa não é excepção. A Arcádia tem diversas lojas na cidade, a maioria de rua (como esta), embora com ofertas diferentes. Se chocolates, amêndoas, pastelaria, bolos inteiros e gelados se encontram em grande parte delas, algumas têm serviços mais completos, incluindo provas de degustação de Vinho do Porto e chocolates ou mesmo refeições. É o que acontece na Arcádia da Avenida da Igreja, em Alvalade. Questionada pela Time Out, a empresa não quis clarificar qual será a tipologia da futura loja. Com uma porta no número 16 da Avenida Júlio Dinis
Prémios Mesa Marcada. Ocean é o melhor restaurante, Avillez o melhor chef

Prémios Mesa Marcada. Ocean é o melhor restaurante, Avillez o melhor chef

O Ocean é o melhor restaurante do país. A escolha é do júri de 309 elementos dos Prémios Mesa Marcada, que incluem profissionais da restauração e hotelaria, jornalistas, críticos, comunicadores da área e gastrónomos. O restaurante de Porches, Armação de Pêra, com duas estrelas Michelin, subiu uma posição face ao ano anterior, beneficiando também de o Canalha, o vencedor do ano passado, não figurar na votação. João Rodrigues é um habitual nos lugares cimeiros destes prémios anuais, mas Miguel Pires, responsável pelo site Mesa Marcada, decidiu que os vencedores de cada edição seriam retirados duas duas seguintes. Os Papagaios, Queijaria e o Chefs on Fire também ficaram de fora das escolhas deste ano. Como vem sendo habitual, a cerimónia de entrega de prémios aconteceu no Centro de Congressos do Estoril e a uma segunda-feira – ontem, 2 de Fevereiro. Foi aí que se ficou a saber que as posições dos dois top 10, relativos aos restaurantes e aos chefs preferidos em 2025, se alteraram quase integralmente. Curiosamente, tanto o Prado, que ficou em terceiro, como o seu chef, António Galapito, em quinto, foram dos pouquíssimos casos a segurar as posições do ano passado. O outro foi a Cozinha das Flores, que manteve o oitavo lugar. Por outro lado, o chef deste restaurante do Porto (e do lisboeta Santa Joana), Nuno Mendes, subiu três posições para terceiro. Dir-se-ia que houve uma troca directa com Vasco Coelho Santos, do Euskalduna, também do Porto, que caiu três posições para sexto. Vam