Fiel zelador de uma cópia da sexta edição, corrigida e aumentada, do Dicionário de Língua Portuguesa da Porto Editora, em transumância desde 1991, deu-se às letras por livre e devota vontade – mas não por convicção. À falta de habilidade para futebolista e para rock star, optou por comprar bilhete para a fila da frente. Entre outras aventuras, trabalhou no jornal A Bola e, mais demoradamente, no Público, onde foi editor e certa vez publicou uma crónica sobre o super-herói pop Rui Reininho, o que o levou à escrita do livro GNR – Onde Nem a Beladona Cresce. É esse o seu nível de compromisso. Chegou à Time Out em 2018 e aqui empresta a sua pronúncia do Norte ao noticiário de Lisboa e a escrever sobre música, cinema, televisão e teatro. Na gastronomia, é um entusiasta dos clássicos: cabidelas, rojões e farinheiras.

Hugo Torres

Hugo Torres

Director-adjunto, Time Out Portugal

Articles (109)

Os 10 melhores croquetes de Lisboa

Os 10 melhores croquetes de Lisboa

Metemos-nos em cada uma... A primeira coisa que os leitores vão fazer ao ver esta lista é discordar. A segunda? Levar as mãos à cabeça. A terceira? Provavelmente vai envolver calão. Um croquete não é só um salgadinho, é o rei de todos eles – e o povo adora o seu macio, bem recheado e rechonchudo soberano. O problema é que Lisboa está dividida em vários reinos e cada um tem a sua corte e o seu exército. Mesmo assim, decidimos pôr-nos a jeito e levar a cabo uma prova cega. Convocámos toda a nossa acumulada sabedoria de comilões, pedimos consultoria externa para furar a bolha social e escolhemos os finalistas. Depois reunimos todos e pusemos seis experientes bocas a prová-los sem saber de onde era cada um, para evitar assomos de consciência. As condições eram duras: não se podia beber cerveja nem usar mostarda e, para garantir anonimato aos candidatos, todos foram degustados frios (mas fritos no dia). E houve surpresas. Prontos? Vamos lá: eis os melhores croquetes de Lisboa. Recomendado: O melhor de Lisboa em 2025
As melhores padarias em Lisboa

As melhores padarias em Lisboa

É difícil resistir ao cheiro do pão acabadinho de sair do forno. E pão quente com manteiga é um petisco que sabe bem a qualquer hora do dia. Infelizmente, fazer pão em casa não é tão fácil como comê-lo. A boa notícia é que nunca houve tantas e tão boas padarias em Lisboa. Massa-mãe, farinhas especiais, misturas de cereais, tudo faz diferença na hora de escolher. Para cortar à mão e comer simples ou com uma boa manteiga. Fresco, em tostas e torradas. Não há nada melhor do que pão.  Recomendado: Estas são as melhores padarias em Cascais
Restaurantes em Lisboa até 20 euros

Restaurantes em Lisboa até 20 euros

Comer fora está cada vez caro. É certo que ainda há verdadeiros achados na cidade – como demos conta na nossa lista de restaurantes até 10€ –, mas em muitos casos, se não prescindir de comer bem, o mais provável é que gaste um pouco mais do que isso. Da cozinha tradicional portuguesa às mais diversas gastronomias internacionais, passando por refeições rápidas e para diferentes horas do dia, nestes 30 restaurantes de Lisboa paga 20 euros ou menos por pessoa. Apesar de não ser exactamente barato, leva daqui a garantia de que vai sair satisfeito e feliz. Recomendado: As melhores tascas de Lisboa
Os melhores restaurantes em Lisboa até dez euros

Os melhores restaurantes em Lisboa até dez euros

Já foi mais fácil encontrar onde comer bem e pagar pouco. O turismo é habitualmente o bode expiatório – e tem a sua quota-porta de culpa. Mas a vida de uma cidade como Lisboa não se pode simplifcar assim. Há outros factores a ter em conta: os preços disparam nos últimos anos e, se os processos de gentrificação ajudam a explicar o aumento das rendas, já não servem para justificar o encarecimento da matéria-prima. Além do mais, nos restaurantes baratos, é preciso trabalhar muito para garantir que se sobrevive com margens tão estreitas. Quem se quer sujeitar? Na maior parte das vezes, a qualidade paga-se – mas ainda há excepções. Aqui damos-lhe conta de verdadeiros achados. E garantimos que este barato não lhe vai sair caro. Nestes 20 restaurantes em Lisboa até 10€, vai ser bem servido. Recomendado: Os melhores restaurantes em Lisboa até 20 euros
Os melhores sítios para comer pizza à fatia em Lisboa

Os melhores sítios para comer pizza à fatia em Lisboa

À romana ou ao estilo de Nova Iorque, as pizzas à fatia são uma óptima forma de despachar uma refeição sem grandes ponderações nem salamaleques. É pegar e andar. Ou é pegar, comer e andar. Ainda por cima fica barato. Seja como for, a rapidez e o preço não têm de comprometer a qualidade das pizzas. Nesta lista, encontra triângulos, quadrados e rectângulos que, al taglio ou ao peso, merecem a nossa devoção gastronómica. A maior parte fica nas zonas da cidade com mais actividade nocturna, mas já chegam a zonas residenciais como o Areeiro ou São Domingos de Benfica. Tome nota dos melhores sítios para comer pizza à fatia em Lisboa. Recomendado: As melhores pizzarias em Lisboa
Restaurantes abertos no dia 1 de Janeiro em Lisboa

Restaurantes abertos no dia 1 de Janeiro em Lisboa

Procurar uma agulha num palheiro. É muito provável, quase de certezinha, que a expressão não tenha sido dita pela primeira vez para descrever a situação de madrugadores esfomeados no primeiro dia do ano – mas assenta-lhe que nem uma luva. É que, quando está meio mundo a ressacar das festas de passagem de ano, encontrar mesa é toda uma aventura. Para evitar aquele desespero de última hora, aqui tem duas – três! quatro! – mãos-cheias de restaurantes abertos a 1 de Janeiro de 2026 em Lisboa, de brunches a mariscadas. Convém é fazer reserva, para evitar dissabores. Recomendado: Os melhores jantares de passagem de ano em Lisboa
Os melhores novos restaurantes em Lisboa (e arredores)

Os melhores novos restaurantes em Lisboa (e arredores)

As novidades multiplicam-se de tal forma que, quando descobrimos os restaurantes que abriram nos últimos meses, já temos novas mesas à nossa espera. Entre os espaços que ainda cheiram a novo há lugar para a cozinha de autor, de fogo, de peixe e marisco, para reinterpretações do receituário familiar, para neo-tascas, para aproximações à culinária japonesa, à italiana e à americana, sem esquecer o belo do frango assado. Preparámos um guia com os melhores novos restaurantes em Lisboa e arredores, abertos nos últimos meses. Não fique desactualizado e faça uma reserva – tem muito por onde escolher.  Recomendado: Os 124 melhores restaurantes em Lisboa
As 30 melhores séries na Netflix

As 30 melhores séries na Netflix

Entre conteúdos originais e reaproveitados (ou mesmo ressuscitados), a Netflix está sempre a convocar-nos para uma nova sessão de binge watching. Títulos como Adolescência, Gambito de Dama, Ozark, Stranger Things ou The Crown são o espelho do melhor que a plataforma consegue produzir. Outros, como Breaking Bad, são óptimos exemplos de como levar audiência ao seu moinho (o streaming) por meios comprovados. A apontar-lhe alguma coisa, será a oscilação de conteúdos. Por isso, não perca tempo: prepare um lanchinho, ponha-se confortável e siga estas sugestões das melhores séries para ver na Netflix. Recomendado: O melhor da Netflix para maratonas sem fim
O melhor de Lisboa em 2025

O melhor de Lisboa em 2025

A pós-modernidade está inundada de cinismo (e vocês não estão a ajudar, gen Z). Houve alguma coisa de bom este ano? O exercício é recebido com caras de dúvida. Ocorrem-nos amarguras, inferenças. Quais foram os melhores concertos? “Foram todos maus.” Mas é claro que não foram. E é claro que, enquanto o diabo do sarcasmo esfrega um olho, começamos a desfiar um rol de novidades e eventos que nos ficaram na memória pelas melhores razões. Tantas que o problema inverte-se: não dá para escolhermos mais do que um por categoria? E mais categorias? “Não me venham com menções honrosas!” É preciso escolher – e nisso a equipa da Time Out tem muita prática. Mãos à obra, então: eis o melhor de Lisboa em 2025. Recomendado: Os melhores filmes de 2025
Seis restaurantes que aceitam encomendas de Natal

Seis restaurantes que aceitam encomendas de Natal

Sabe bem ter a mesa da Consoada apetrechada, mas nem sempre apetece pôr o avental e suar à frente do fogão. Se é o caso, não há razão para abdicar do bacalhau, do peru, do cabrito ou das rabanadas. Felizmente, há cada vez mais restaurantes que aceitam encomendas de Natal – e com isso ajudam-nos a fazer um brilharete em casa. Tire proveito dos serviços natalícios de take-away e de entrega ao domicílio com os menus especiais criados para a quadra. O máximo de trabalho que pode ter é ir ao restaurante buscar a encomenda e empratar em casa. Recomendado: Cabazes para oferecer este Natal
Comer, beber e conviver: restaurantes com mesas comunitárias em Lisboa

Comer, beber e conviver: restaurantes com mesas comunitárias em Lisboa

É à mesa que se cozinham verdadeiras amizades: os amigos tornam-se melhores amigos, os conhecidos vão ganhando espaço nos nossos corações e os desconhecidos têm a sua prova de fogo (se falharem, adeus). Todos os restaurantes são bons para esse exercício de irmandade gastronómica, mas nesta lista encontra aqueles que promovem sobretudo a partilha de uma mesa comum entre pessoas que nunca se viram na vida. Além da boa comida, oferecem-nos uma oportunidade para fazer novos amigos na vida real – e isso, na era digital, é ouro. Eis os melhores restaurantes com mesas comunitárias em Lisboa e arredores. Recomendado: Os melhores restaurantes para jantares de grupo em Lisboa
Os melhores restaurantes em Benfica

Os melhores restaurantes em Benfica

Apesar de todas as transformações na zona, Benfica continua a ser um bairro tradicional, onde é possível conhecer e tratar os vizinhos pelo nome. Há restaurantes que resistem há décadas e se tornaram destino por si. Mas também há novidades do mundo e propostas contemporâneas. Nestes restaurantes em Benfica, há acima de tudo lugar para toda a família, mesmo para quem não mora no bairro. Pizza, marisco, peixe ou carne? Não procure mais. O que não pode é esquecer-se de reservar porque há restaurantes onde é sempre difícil ter mesa. Recomendado: Os melhores novos restaurantes em Lisboa (e arredores)

Listings and reviews (17)

NOS Alive

NOS Alive

Arcade Fire, Dua Lipa and Pearl Jam lead the 16th edition of NOS Alive, returning to Passeio Marítimo de Algés on July 11, 12 and 13. Supporting acts include Smashing Pumpkins, Tyla and Sum 41, but it’s worth delving beyond the headline acts, especially as The Breeders celebrate 30 years of their classic album Last Splash. Our guide ensures you won’t miss a thing, big or small. Check out the full lineup below.  Concert Schedules July 11th NOS Stage - 6:30 PM: Nothing But Thieves - 8:00 PM: Benjamin Clementine - 9:50 PM: The Smashing Pumpkins - 12:00 AM: Arcade Fire Heineken Stage - 5:00 PM: Mazela - 5:50 PM: Unknown Mortal Orchestra - 7:15 PM: Kenya Grace - 8:40 PM: Black Pumas - 10:50 PM: Parcels - 1:30 AM: Jessie Ware - 3:00 AM: Moullinex ▲ GPU Panic WTF Clubbing - 5:00 PM: Conhecido João - 6:00 PM: Silly - 7:20 PM: Conjunto Corona - 8:50 PM: Bateu Matou - 10:10 PM: Zengxrl - 11:20 PM: Awen b2b Djeff b2b Xinobi - 1:30 AM: Me b2b Trikk - 3:00 AM: Fresko bsb Vallechi Bandstand - 5:30 PM: Inês Apenas - 6:50 PM: Tipo - 8:00 PM: João Não & Lil Noon - 9:50 PM: Ricardo Crávidá - 12:00 AM: Quant Fado Café - 5:15 PM: Francisco Moreira - 6:35 PM: Francisco Moreira - 8:05 PM: Maria Emília - 9:30 PM: Maria Emília - 11:30 PM: O Samba É 1 Só Comedy Stage - 5:00 PM: Mariana Rosária - 5:15 PM: Eduardo Marques - 5:30 PM: Pedro Sousa - 6:00 PM: Rui Xará - 7:30 PM: Carlos Vidal - 9:10 PM: Beatriz Gosta - 11:20 PM: Gilmário Vemba Portico - 3:00 PM: P'laguita - 4:15 PM: P'laguita - 5:30 PM: Tri
Lumi

Lumi

Luís Antunes e José Miguel Pereira sonharam juntos este projecto e fizeram nascer a Lumi Geladaria no coração de Benfica. Os sabores são muitos e variam consoante o que a oferta de frutas que a dupla vai encontrando diariamente no mercado do bairro. Há gelados de leite e sorvetes, que são gelados de fruta com base de água. Estes últimos são vegan. “Não têm nenhum derivado de animal”, assegura Luís. O destaque vai, no entanto, para o “sabor de infância”, uma mistura de sumo de laranja, banana esmagada e bolacha Maria que está sempre na carta. Isto para humanos. Porque os cães também são servidos – com o “patudo”, um gelado adequado para cães, de avelã sem açúcar. Mas a Lumi não se resume a gelados – que são servidos em copo ou cone. Há bolos, brownies, waffles, crepes, batidos, sumos naturais e uma oferta cafetaria que vai do café bio ao chocolate quente. Também tem brunch, em versão normal e veggie, com quiches, panquecas, gelado com granola e fruta, sumo natural e um café com sobremesa gelada. + Na Lumi, os gelados são servidos em copo, cone ou brunch
O Filme do Bruno Aleixo

O Filme do Bruno Aleixo

3 out of 5 stars
A estreia no cinema do sexagenário urso-cão mais famoso das Beiras é um absurdo. Embora não o completo e espertalhão absurdo por que ansiávamos. Quem estava a salivar por hora e meia de sitcom focada em conversas do quotidiano, chocarrice saloia pontuada por silêncios desconfortáveis e pequenos embustes, terá de recalibrar as expectativas. O Filme do Bruno Aleixo começa com o protagonista coimbrão (com ascendência na Bairrada e no Brasil) a revelar ter sido contactado por “um homem que tem uma empresa que faz filmes” – Luís Urbano, da O Som e a Fúria, que já tinha produzido as séries “Aleixo Psi” e “Copa Aleixo” –, que o desafiou a rodar uma biografia sua para o grande ecrã. E Aleixo convoca a grupeta do costume – Homem do Bussaco, Renato Alexandre e Busto – para o ajudar a ter uma proposta para apresentar... no último dia do prazo. O que nos é apresentado é a conversa de café que resulta daí, com a representação, por actores de carne e osso – Adriano Luz, Rogério Samora, Manuel Mozos, Gonçalo Waddington, José Raposo, João Lagarto –, das ideias que vão surgindo. Tem graça, claro. E uma das premissas da interacção entre estas personagens, a de que os diálogos são circulares e que o ponto de partida interessa pouco, é respeitada. Mas se os criadores João Moreira e Pedro Santo constroem este filme em cima do conhecimento prévio deste universo, também sentiram necessidade de se afastarem dele para garantir acção, dando demasiado espaço ao live action. Já deveriam saber que um bom
Bostofrio

Bostofrio

2 out of 5 stars
Filho de pai incógnito é uma condição que a lei portuguesa prevê, desde 1977, apenas para casos excepcionais. Mesmo assim, é uma realidade que persiste: em 2010, existiam 150 mil nessas condições, e o número de registos anuais tem aumentado. O pai de Paulo Carneiro, que aqui se estreia na realização, é um deles. E o propósito deste documentário é uma busca por respostas, por histórias e até por uma simples fotografia que o ajudem a conhecer o avô, que só é incógnito no papel – na aldeia barrosã de Bostofrio, 30 habitantes, toda a gente sabe quem foi, como foi, o que aconteceu. Carneiro (Lisboa, 1990) passou por dificuldades para fazer este filme, não em quebrar a “lei do silêncio”, como quer fazer crer, mas em ganhar a confiança daquela gente simples, intimidada pela câmara e por inquirições delicadas. Esse processo ficaria bem fora do filme. Seria igualmente vantajoso que preparasse as entrevistas, para evitar ser errático, repetitivo e disfarçar o mau jeito. Descontando redundâncias narrativas e as bucólicas paisagens transmontanas, sobra pouco. É aí, e não no plano técnico, que se sente a falta de meios: seria necessária outra dedicação para alcançar o resultado pretendido. O documentário é exibido em conjunto com a curta Cinzas e Brasas, de Manuel Mozos. Por Hugo Torres
Skin - História Proibida

Skin - História Proibida

3 out of 5 stars
Bryon Widner é um supremacista branco numa encruzilhada: depois de participar no espancamento de um jovem negro durante uma manifestação, o brutamontes, venerado entre pares, começa a duvidar do caminho da violência. Skin passa-se no Ohio, em 2009, e é baseado em factos reais. Bryon não é só uma personagem – é alguém que decidiu sair do movimento neonazi, penou para o conseguir (com a ajuda de um activista negro), agiu como denunciante para o FBI, e passou dois anos em dolorosas cirurgias para remover as tatuagens iconográficas do rosto. O filme tem pontos de contacto com a curta-metragem homónima com que o realizador Guy Nattiv, de origem israelita, ganhou um Óscar. Mas a longa demora-se no recrutamento, nas batalhas fratricidas e no romance que o mantém à tona. Nattiv optou por se aproximar do monstro para tentar compreendê-lo. Não é o mesmo retrato cru e impiedoso deste tipo de marginalidade. O que retira pujança à narrativa, mas oferece a excelente Vera Farmiga ao elenco. Por Hugo Torres
Avenida Almirante Reis em 3 andamentos

Avenida Almirante Reis em 3 andamentos

1 out of 5 stars
Lisboa tem poucas avenidas tão ricas, com gente de tantas proveniências, extractos sociais e projectos de
vida. É uma fonte virtualmente inesgotável de histórias e leituras da sua angulosa realidade, de leituras longitudinais ou trabalhos menos densos. É por isso frustrante ver Avenida Almirante Reis em 3 Andamentos esconder a sua inépcia atrás de um título pomposo e da paciente bondade com que a cinefilia classifica este tipo de projecto: “filme- ensaio”. Um ensaio pressupõe explorar uma ideia, um bem escasso por estas paragens. Recuando a Cândido dos Reis e à República, passando pelo 1.o de Maio de 1974, Renata Sancho propõe-se olhar para as mudanças em curso nesta avenida (a rodagem decorreu entre 2016 e 2018, quando os preços do imobiliário dispararam). Mas o resultado é uma sequência de planos desconexos, sem interesse nem narrativa, que parece feita só para iniciados. E sabe deus que interesse encontrarão esses por aqui. Por Hugo Torres
Santiago, Italia

Santiago, Italia

3 out of 5 stars
As “geringonças” sinistras não são uma originalidade portuguesa. Em 1970, Salvador Allende congregou quase toda a esquerda chilena na candidatura presidencial que o levou ao poder, com o apoio essencial dos democratas-cristãos. Socialistas, sociais-democratas, comunistas e outros marxistas tomaram La Moneda pela via democrática, um feito extraordinário em tempo de golpes e revoluções, e em plena Guerra Fria, que gerou entusiasmo no país e
 um alarmismo despeitado em Washington. Entendendo que era preciso impedir que a experiência fizesse escola, o nefasto Richard Nixon pôs a CIA em campo para precipitar a queda do governo, o que acabou por acontecer de forma trágica a 11 de Setembro de 1973. Neste regresso ao documentário, Nanni Moretti começa por mostrar o ambiente de festa que se seguiu à eleição, passa às divergências no seio da coligação e, quando damos por nós, já os militares saíram à rua para “restaurar” a democracia, bombardeando a capital, Santiago, e instaurar uma ditadura que durou até 1990. Allende suicida-se. Pinochet, o general que comanda as tropas, ordena a perseguição imediata
 de esquerdistas mais activos, que encontram na diplomacia italiana um refúgio e a possibilidade de uma nova vida, na Europa, ao contrário do que acontece com os migrantes do Mediterrâneo hoje. E é aqui que o realizador italiano quer chegar: a intenção nunca foi abordar aqueles anos de sonho materializado, que até inspiraram o “compromisso histórico” da política italiana nos anos 1970.
Onde Está Você, João Gilberto?

Onde Está Você, João Gilberto?

“Porquê tentar encontrar um homem que não quer ser encontrado?” O realizador franco-suíço Georges Gachot faz a pergunta e dá a resposta com o documentário João Gilberto, Onde Está Você?, que se estreia neste sábado no Cinema Monumental. É um enamoramento, uma obsessão feita policial, que nos leva no encalço do pai da bossa nova. João Gilberto, recentemente desaparecido, aos 88 anos, passou a derradeira fase da sua vida em reclusão doméstica, longe dos palcos e de quaisquer olhares indiscretos. Rever o cantor e compositor era, por isso, um desejo acalentado por fãs, amigos e jornalistas. Nenhum dos quais foi bem-sucedido nesse desígnio. Gachot – que tem uma filmografia recheada de música brasileira, tendo se debruçado sobre Maria Bethânia (Música é Perfume, 2005), Nana Caymmi (Rio Sonata, 2010) e Martinho da Vila (O Samba, 2014) – foi para o Rio de Janeiro seguir os passos do jornalista alemão Marc Fischer, que ali passou cinco semanas a tentar cruzar-se com João Gilberto, para que este lhe cantasse ao violão, e à sua frente, “Ho-ba-la-lá”. O tema tinha-lhe sido dado a ouvir por um japonês, anos antes, servindo de porta de entrada à bossa nova e a uma paixão ímpar pelo seu autor. Fischer falhou o objectivo, mas descreveu o processo em Ho-ba-la-lá – À Procura de João Gilberto, suicidando-se pouco antes do lançamento do livro, em 2011. Miúcha, João Donato, Marcos Valle e Roberto Menescal são entrevistados no filme, tal como o barbeiro que atendia o compositor baiano em casa e o
Aperta Aperta Com Elas

Aperta Aperta Com Elas

2 out of 5 stars
Uma pequena e alva aldeia no cantão suíço dos Grisões vive uma ilusão: a normalidade dos casais, dos filhos, dos bolinhos, dos ajuntamentos de vizinhos e das missas dominicais esconde uma paz podre que vai deixar esta comunidade à beira do precipício. O catalisador é a chegada de um forasteiro no lugar onde ele é menos esperado: o púlpito da igreja. A diocese destaca para ali um pároco indiano com uma mensagem mais cristã do que a hierarquia católica gostaria, centrada no amor. Não só o amor etéreo: o padre Sharma aconselha o seu rebanho sobre o amor executado entre lençóis. Se no início é recebido com desconfiança racista, quando os homens descobrem as mulheres de Kama Sutra na mão, tentam afastá-lo para camuflar infidelidades, inseguranças e impotências. O filme de Christoph Schaub não cria o clima de tensão que uma história destas teria numa aldeia remota, nem funciona como a comédia que se anuncia (o mais hilariante da fita é o título em português). Salva-se a possibilidade de ouvirmos diálogos em romanche, uma língua em risco de extinção. Por Hugo Torres
Linhas Tortas

Linhas Tortas

2 out of 5 stars
Luísa é uma jovem e bela actriz. Acaba de regressar a Lisboa, tendo importado de Londres uma relação infeliz. António é um arguto e reconhecido escritor, que assina uma celebrada coluna de jornal: “Linhas Tortas”. É casado, tem um filho da idade de Luísa, e conhecemo-lo quando se estreia a fazer figura “de parvo” como comentador na televisão. São ambos utilizadores de redes sociais – ela descontraidamente, nos intervalos do dia; ele à noite, no escritório de casa, com um copo de uísque a acompanhar. É nesse ambiente virtual, em que António se esconde atrás do nome e da imagem do místico russo Grigori Rasputin, que se cruzam e inevitavelmente se enamoram. Após hesitações várias, decidem encontrar-se. O que não chega a acontecer: António sofre um acidente de viação, perde parcialmente a memória e fica hospitalizado por muito tempo. Rita Nunes, que se estreou em 1996 com a temperamental e homicida curta-metragem Menos Nove, e tem vindo a trabalhar em publicidade e televisão, trouxe para a sua primeira longa-metragem parte do elenco da série Madre Paula, que co-realizou para a RTP em 2017: Joana Ribeiro (Luísa), Maria Leite (amiga de Luísa), Miguel Nunes (filho de António) e Joana Pais de Brito; aos quais se juntaram Américo Silva (António) e Ana Padrão (mulher de António). Os actores estão tão bem quanto lhes permite o argumento, que Carmo Afonso, uma das contribuintes líquidas do Twitter português, escreveu. Sem espaço nem tempo para se desenvolverem, as personagens avançam por
Quero-te Tanto!

Quero-te Tanto!

1 out of 5 stars
Vicente Alves do Ó faria bem em levar a comédia a sério. Quero-te Tanto não é um filme,
 é um passeio da fama para actores de telenovela,
 a desfilar no nível rasteiro a que anseiam ver os
 seus nomes encastrados numa rua qualquer. Personificam bonecos de cartão que não chegam
 a ser personagens, a ter espessura, vieses, sofisticação. O realizador dirá que estamos diante de uma rom-com ostensivamente cartunesca, mas nada justifica o texto preguiçoso, as caricaturas toscas, os estereótipos simplórios, as graçolas em esboço. Os protagonistas, Mia (Benedita Pereira) e Pepê (Pedro Teixeira), estão numa encruzilhada familiar, entre a alegria do filho que vem e a angústia do dinheiro que falta. O casal decide roubar “rapidinhas da sorte”, do interior da estátua do Marquês de Pombal, e acaba detido, julgado e encarcerado. Até que ele foge da prisão para se reencontrar com a amada em Serpa, recorrendo a ajudas voluntárias 
e involuntárias (incluindo de uma jornalista cujas boas intenções são abocanhadas pela voracidade inescrupulosa da estação para que trabalha, a 
TVI, que co-produz o filme e nos entra pelos olhos dentro). No seu encalço leva os agentes Coelho e Raposo, interpretados por Pedro Lacerda e Joana Manuel ao estilo Jacques Clouseau, cujas aparições são raríssimos momentos de oxigénio na fita. Dalila Carmo e Rui Mendes também merecem apreço, em contraste com as desaustinadas Alexandra Lencastre e Fernanda Serrano. A banda sonora – Doce, Paião, Cid, Sheiks – atinge o zénite
Besta

Besta

2 out of 5 stars
Jersey é um paraíso fiscal no Canal da Mancha. Esqueçam as congéneres caribenhas:
 esta ilha é austera, a alegria reside na família e no circuito fechado de amigos. Moll (Jessie Buckley) é uma jovem adulta sufocada por um pai demente e uma mãe rígida e controladora. Conhecemo-la pouco antes de ela fugir do seu aniversário, passar a noite a dançar com um estranho, e acabar a ser salva de uma possível violação por Pascal (Johnny Flynn), um “artesão” cadastrado, marginal e suspeito de ser um assassino em série. Moll apaixona-se e enfrenta toda a gente para o defender, criando uma tensão explosiva na pequena comunidade. Michael Pearce (Bafta para melhor estreia) não consegue dar à história o suspense que se exigiria e a força do filme perde-se na realização, no guião pouco subtil e na ineficaz direcção de actores. Por Hugo Torres

News (515)

O Gigi, restaurante-bandeira do Algarve, vai instalar-se em Lisboa durante quatro dias

O Gigi, restaurante-bandeira do Algarve, vai instalar-se em Lisboa durante quatro dias

O Gigi está de volta a Lisboa. O histórico restaurante da Quinta do Lago, no Algarve, vai ocupar a cozinha do JNcQUOI Avenida, de quarta-feira a sábado, com as especialidades de peixe e marisco que há décadas fazem dele um destino gastronómico de eleição. Consigo, traz “um menu que celebra a autenticidade dos ingredientes e uma cozinha cheia de alma”. A iniciativa repete-se desde 2019, a convite do chef executivo do JNcQUOI, António Bóia, e já é quase uma tradição de Janeiro no restaurante do grupo Amorim Luxury. Desta vez, no entanto, é especial: o Gigi faz 40 anos em 2026 e esta é uma boa maneira de começar a celebrar esse marco, quando o Algarve e em particular o Parque Nacional da Ria Formosa são ainda uma miragem de bom tempo e boa vida para os lisboetas. O menu deste takeover, anunciou o JNcQUOI Avenida, inclui “propostas que celebram produto, simplicidade e muito sabor”. Para as entradas, conte com ceviche frio de atum (24€), marinada de vieiras à portuguesa (27€), xerém de berbigão (27€) e tomatada de ovos com camarão (25€). Nos pratos principais, há massada do mar (38€), carabineiros com morrones (75€), pampo com molho siciliano (42€) e tigres com molho de pimenta verde (45€). DRBernardo Reino, mais conhecido por Gigi Avenida da Liberdade, 182-184 (Avenida). 21 936 9900. Seg-Dom 12.00-00.00 As últimas de Comer & Beber na Time Out Começar o ano a comer fora é difícil, mas não impossível. Para evitar desesperos financeiros, juntámos os melhores restaurantes até dez e
O SEM vai fechar: “Este capítulo está pronto para chegar ao fim”

O SEM vai fechar: “Este capítulo está pronto para chegar ao fim”

O SEM é um farol da restauração sustentável em Lisboa. Desde o início que Lara Espírito Santo e George Mcleod mostram que é possível fazer boa comida, com muito sabor, frescura e criatividade, numa cozinha sem desperdício alimentar. Apresentaram-se à cidade em 2021 e logo a conquistaram. Na Time Out, poucos meses após a abertura, o crítico Alfredo Lacerda deu-lhes nada menos do que cinco estrelas e seu entusiasmo. Esta sexta-feira, porém, o casal anunciou que o restaurante tem os dias contados. Fecha a 19 de Abril. “Nos últimos cinco anos, quisemos provar que a comida e a hospitalidade podem ser ferramentas poderosas de mudança e que não é preciso [um grande] espaço nem terreno para o fazer. Talvez só um pouco de teimosia”, escrevem num comunicado publicado nas redes sociais. “Estamos agora aqui – com mais rugas, mais cabelos brancos e algumas cicatrizes de guerra – confiantes de que este capítulo está pronto para chegar ao fim. À medida que a nossa família cresce, decidimos viver mais perto da natureza e dos valores que tentámos trazer ao SEM todos os dias.” O que continuarão a fazer por mais três meses. “É o fim de um capítulo, mas há ainda tanta história para escrever. O SEM nunca foi pensado para ficar preso a uma sala, a uma cidade ou a uma morada. Faz parte de um projecto de vida, de um compromisso com uma causa pela qual continuaremos sempre a lutar. Por isso, é natural que vá assumindo formas, contornos e lugares diferentes ao longo do tempo. E que cresça e evolua con
No Barbela, o peixe não é fresco (e ainda bem)

No Barbela, o peixe não é fresco (e ainda bem)

O jogo de sedução começa nos olhos: límpidos, brilhantes, vivos. Os olhos são meio caminho andado para o nosso coração. Depois vem a pele firme, bem hidratada, a carne rijinha, o perfume salgado que se reconhece dos dias lentos de praia. Por fim, já à confiança, pedimos para espreitar o aparelho respiratório, que imaginamos a resfolegar, para confirmar as suas cores rosadas, quem sabe ruborescidas. O entusiasmo deixa-nos de água na boca e decidimos levar o belo exemplar para casa, para o salpicar sem demoras na banca e o deitar delicadamente na grelha. O peixe fresco é a nossa perdição. Uma paixão que há muito deu em casamento. Dificilmente seria de outra forma num país de pescadores com mais de 900 quilómetros de costa e quase outro tanto em anos de vida comum. Mas, quando nada o fazia prever, damos por nós a cobiçar o peixe alheio. O caso é sério. E a carne é fraca. Proverbialmente fraca. De repente, estamos ao balcão do Barbela, o restaurante a encher-se atrás de nós, adiante um vislumbre sobre a azáfama meticulosa da cozinha, o chef a cruzar o enquadramento de um lado para o outro, de dentro para fora, os pratos a sucederem-se, amiúde finalizados à mesa – o chutoro maturado com merengue de nori (6,50€), a mousse semi-fria de koji com molho de camarão e citrinos (12€), a couve com camarão e milho (8,50€), a cavala maturada por quatro, cinco dias, em soro de leite e citrinos (17€), o atum com mizuna envolto no que aparenta ser uma alga mas é uma folha de abóbora e carvão ve
Ao que sabe a Amazónia? Chef Bel Coelho vem a Lisboa aguçar-nos o gosto pela floresta

Ao que sabe a Amazónia? Chef Bel Coelho vem a Lisboa aguçar-nos o gosto pela floresta

O Guia Michelin tem duas entradas com o nome de Bel Coelho: o Clandestina e o Cuia, ambos em São Paulo, ambos com o selo Bib Gourmand (boa relação qualidade-preço). E em ambos a chef faz uso de ingredientes nativos e mostra como se pode preservar as diversas culturas gastronómicas do Brasil – palavra de inspector. Mas fazê-lo somente dentro de portas não bastava e Bel Coelho decidiu cartografar os sistemas alimentares nos seis grandes biomas brasileiros, registando alimentos, métodos de produção e culinárias populares, quotidianas. Não só o que é tradicional, mas como se empreende sem destruir.  Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal estão nos planos. Primeiro, a chef lançou-se à Amazónia – e o resultado, um livro e um documentário de 52 minutos, rodado em Julho de 2025 por uma equipa totalmente feminina, foi apresentado em Novembro, durante a COP30, em Belém do Pará. Na segunda-feira, 12 de Janeiro, chega a Lisboa. A partir das 19.00, Bel Coelho estará na Livraria da Travessa, no Príncipe Real, para o lançamento português de Floresta na Boca Amazônia – Pessoas, Paisagens e Alimentos. Com edição da Fósforo, o livro é um diário da viagem organizada pelo ecólogo Jerônimo Villas-Bôas, convidado a sugerir uma rota que espelhasse a riqueza ecológica e sócio-cultural daquele vastíssimo território. Teve de ser escolhida uma parte praticável. Ficou o Pará. “Visitamos comunidades que mantêm em pé sistemas agrícolas complexos, como os quintais agroflorestais, os roçados it
Nova série de ‘O Sexo e a Cidade’ já tem data de estreia

Nova série de ‘O Sexo e a Cidade’ já tem data de estreia

A série que vai dar continuidade ao universo ficcional de O Sexo e a Cidade estreia-se a 9 de Dezembro e vai durar até ao início de Fevereiro de 2022. Não haverá binge watching para ninguém. Os dez episódios de And Just Like That… vão ser disponibilizados semanalmente, às quintas-feiras, na plataforma de streaming da HBO. Só a primeira semana terá direito a dose dupla, para compensar os fãs pela década que estiveram à espera. Com Michael Patrick King ao leme, como habitualmente, And Just Like That… tem duas mudanças de relevo relativamente à série original, que foi para o ar entre 1998 e 2004: o título e o elenco. Isto porque as quatro amigas estão agora reduzidas a três – Carrie (Sarah Jessica Parker), Miranda (Cynthia Nixon) e Charlotte (Kristin Davis) – depois de Kim Cattrall, que interpretava a desempoeirada Samantha, ter recusado participar neste regresso. Segundo a HBO, a série vai retratar a “realidade ainda mais complicada da vida e da amizade aos 50 anos”, por oposição à “complicada realidade” de quem calçava Manolo Blahnik aos 30. O corpo de actores conta ainda com Sara Ramírez, Sarita Choudhury, Nicole Ari Parker, Karen Pittman, Chris Noth, Mario Cantone, David Eigenberg, Willie Garson e Evan Handler. Há dez anos que O Sexo e a Cidade não apresentava novidades no pequeno ou no grande ecrã (se descontarmos a produção juvenil The Carrie Diaries). Finda a série, criada por Darren Star a partir do livro homónimo de Candace Bushnell, houve ainda dois
Restaurante israelita de Lisboa vai fechar. Proprietários culpam anti-semitismo

Restaurante israelita de Lisboa vai fechar. Proprietários culpam anti-semitismo

Elad Budenshtiin e Itamar Eliyahu decidiram fechar o Tantura. O restaurante israelita existe desde 2017 e durante vários anos foi um restaurante como tantos outros no Bairro Alto – mas dois acontecimentos viriam a transformar o local numa “arena de luta diária”, nas palavras dos proprietários. Primeiro, um documentário sobre o dito massacre de Tantura, que se estreou em 2022 e entrou no circuito dos festivais de cinema no ano seguinte. Segundo, a partir do final de 2023, a destruição da Faixa de Gaza e o genocídio da sua população entretanto assim identificado pela Nações Unidas. O restaurante passou a ser visado por “militantes anti-sionistas”. Agora, o casal decidiu encerrá-lo de vez. “Nos últimos três anos, com a guerra e o alarmante aumento do anti-semitismo no mundo, fomos confrontados com uma realidade dura e dolorosa: graffiti nas paredes do restaurante, difamação online, campanhas hostis e um boicote total. O lugar que deveria ser um espaço de ligação e alegria transformou-se numa arena de luta diária”, escrevem num comunicado publicado esta terça-feira nas redes sociais, dando conta de que o último serviço do Tantura acontecerá no sábado, 10 de Janeiro. “A decisão de encerrar a Tantura está entre as mais difíceis que alguma vez tivemos de tomar. Escolhemos recolher-nos. Procurar tranquilidade. E criar um novo lar. Estamos a reconstruir uma antiga quinta cheia de charme”, revelam. Para o novo projecto, criaram uma página de angariação de fundos, no GoFundMe, para “apo
Coccinella. A Joaninha voou para Roma e trouxe pizza al taglio para Lisboa

Coccinella. A Joaninha voou para Roma e trouxe pizza al taglio para Lisboa

Um comedeiro é diferente de um comilão. O primeiro é um interesseiro, um aproveitador. O João Ratão, por exemplo, era um comedeirão. O segundo é um guloso, alguém que come muito. Na história que aqui nos traz, é com este último espécime que a carochinha quer casar. O outro pode preparar o seu próprio feijão, cair no caldeirão, que ninguém se importa. No que nos diz respeito – a nós, o narrador –, decidimos cruzar esse conto tradicional com a lenga-lenga da Joaninha, voa, voa, por um acréscimo de musicalidade e gulodice narrativa. Vamos também identificar desde logo uma curiosidade que parece muito oportunamente ficção: estamos a referir estas histórias infantis para falarmos sobre um novo espaço, a micro-pizzaria Coccinella, que abriu no mesmíssimo edifício onde quase em simultâneo se instalou a micro-livraria Lumaca. Ambos os nomes são italianos, ambos se referem a bichos. Lumaca quer dizer caracol; Coccinella, joaninha. Agora o que parece ficção: apesar das coincidências, os projectos não se relacionam, a livreira e a pizzaiola são portuguesas (com incursões por Itália) e, mesmo vizinhas, ainda não se conheciam aquando da nossa visita. Rita ChantreCoccinella A história da Lumaca já a contámos. Esta é a da Coccinella. Começa assim: nada e criada em Lisboa, Joana Paramés licenciou-se em História da Arte, especializou-se em Museologia e trabalhou como guia turística até a pandemia a obrigar a repensar a sua vida profissional. “Fazia passeios em Lisboa, falava do que me apaix
Quando cai a noite na cidade, esta casa de sandes dá lugar a um izakaya – até ser dia

Quando cai a noite na cidade, esta casa de sandes dá lugar a um izakaya – até ser dia

A ideia estava a germinar há algum tempo. Despontou em Julho, cresceu durante o Verão e agora está a ganhar o seu espaço. Apaixonado pela gastronomia japonesa, Matheus Simões Martins tinha a seu cargo o Boubou’s Sandwich Club e vinha conversando com Louise Bourrat e os restantes sócios sobre transformar aquela mesma casa do Príncipe Real num izakaya. Não para fazer desaparecer as sandes, mas para alternar entre ambos os conceitos. Um izakaya não funciona durante o dia, as sandes não funcionavam à noite. Em Março, aproveitando o entusiasmo de uma viagem ao Japão, Matheus sugeriu que o momento de avançar era aquele. Concordaram, avançaram. E chamaram-lhe After Dark. O espaço é mínimo, como uma verdadeira taberna japonesa: dois balcões, uma dezena de lugares. Para acomodar os dois projectos, teve de ser ligeiramente repensado. Lembra-se das caixas de sandes por cima do balcão? Agora estão lá fermentados. Lembra-se das mesinhas altas junto à parede? Agora está lá o segundo balcão. Lembra-se do néon do Boubou’s Sandwich Club? Bom, isso continua no sítio de sempre, embora fossemos capazes de jurar que está mais avermelhado, para condizer com as típicas lanternas japonesas que são penduradas à porta quando o After Dark entra em acção, às 19.00 de terça-feira a sábado (o Sandwich Club abre de quinta a segunda-feira, das 12.00 às 18.00). Cecile LopesMatheus Simões Martins Matheus Simões Martins, 31 anos, é um frequentador de longa data dos sabores japoneses. Nado e criado em São Pau
Filas para quê? Agora pode encomendar Pastéis de Belém para casa

Filas para quê? Agora pode encomendar Pastéis de Belém para casa

Os Pastéis de Belém são a mais quentinha novidade da Glovo. A plataforma anunciou esta segunda-feira que a histórica pastelaria de Lisboa, que por muitos alargamentos que opere tem sempre fila à porta, está agora disponível para entregas ao domicílio (ou a qualquer outro sítio, na verdade). Há caixas de seis pastéis ou de 50 (10€ e 80€, respectivamente) – e pouco mais. Nesta modalidade, a oferta da casa é reduzida. Para aproveitar a época, é possível pedir ainda bolo-rei (25€, 750 gramas) e marmelada (10€, 870 gramas), ponto. Não vale a pena fazer de conta: são os pastéis de nata – perdão, de Belém – que vão fazer movimentar motas e motoretas pela cidade. Aliás, já fazem. Apesar de só agora a Glovo o ter comunicado oficialmente, a loja fundada em 1837 já está na plataforma desde o dia 9 de Dezembro – há uma semana. E neste período de lançamento está tudo com 30% de desconto. Portanto, uma caixa de seis fica a 7€ e uma de 50 a 56€. Acresce sempre, com ou sem desconto, entre 0,49€ e 2,49€ do serviço de estafeta, dependendo da distância. As zonas abrangidas pelo serviço não incluem toda a cidade de Lisboa. Freguesias mais longínquas, a oriente – São Vicente, Penha de França, Beato, Marvila, Parque das Nações, Olivais, Santa Clara ou Alvalade –, estão fora do raio de entregas. No limite estão o centro de Lisboa até ao Saldanha, Carnide e Telheiras. Já as freguesias circundantes à loja estão garantidas – são os casos de Belém, Alcântara, Ajuda, Benfica, Estrela ou Campo de Ourique
Sushi no Ryōshi! Os pedidos eram tantos que Lucas Azevedo não os podia ignorar

Sushi no Ryōshi! Os pedidos eram tantos que Lucas Azevedo não os podia ignorar

O Ryōshi é um restaurante descontraído. Mal entramos, há uma triangulação que nos situa: o grande balcão, com o chef Lucas Azevedo a desdobrar-se em preparações, indicações e conversas com os clientes; a música alta, a pedir ouvintes assim mais… maduros; e o néon que anuncia que o “omakase está morto”. Se um Gen Z-er ficaria com aquela cara de não estar impressionado, um millennial ou um X-er ficam imediatamente a sentir-se em casa. Mas há um problema: esta gente chega aqui com memória. O Ryōshi não é o primeiro restaurante japonês aonde vão. Muitos passaram antes pelo Bonsai ou pela barra do Praia no Parque e lembram-se bem do que Lucas Azevedo sabe fazer com peixe fresco. Quando abriu o Ryōshi, no ano passado, o chef disse à Time Out que queria desmistificar “a ideia de que um restaurante japonês é sushi e come-se só peixe cru”. Queria também que o Ryōshi fosse propositadamente indefinido, sem rótulos. “Queria um restaurante que fosse divertido, que tivesse comida do dia-a-dia”, disse então. A provocação no néon vem daí. Um omakase é um sítio formal, com menus de degustação completamente a cargo do chef. Shin Koike, que trabalhou com Lucas Azevedo no Brasil, há mais de 20 anos, ainda agora abriu um em Picoas – o MITSU. Não é caso único. E o Ryōshi foi criado mesmo com a ideia de não compartimentalizar a cozinha japonesa. O omakase morreu, viva a escolha à carta! Salvador ColaçoSashimi de sarrajão Acontece que o problema é mesmo esse. Se os clientes têm escolha, têm opiniõ
Blade. O novo restaurante de carne do Cais do Sodré é todo pipoca

Blade. O novo restaurante de carne do Cais do Sodré é todo pipoca

Tanto sangue e nenhum vampiro à vista. Quando entramos no Blade, mais do que nos comics, é em Wesley Snipes que estamos a pensar, no seu glorioso anti-herói de óculos escuros à noite, espada à cinta e semi-automática na mão. “Vês aqueles valets ali? São vampiros. O porteiro também é.” Como é que ele sabe? “A maneira como eles se mexem, como cheiram.” Mas aqui ninguém parece andar de forma suspeita, nem o ar está carregado de odores peculiares. O que de certa maneira é uma pena, sobretudo para saudosistas dos filmes de acção dos anos 1990. Por outro lado, não há balas de prata a cruzar o espaço, o que é bem-vindo para uma refeição sossegada e bem digerida. Não há cenários perfeitos. E se é verdade que o Blade não investe na cinefilia, o facto é que procura ser popular por outra via. Instalado no Cais do Sodré – que, para manter a imagem vampiresca, vamos apelidar de aorta do turismo lisboeta –, este novo restaurante aposta numa carta de prato único, servindo-o com qualidade e a bom preço. Dito desta forma, é assim meio genérico. No entanto, se dissermos que se trata de um bife de 180 gramas, mal-passado, suculento, trinchado, e que o valor é 10€, fica tudo muito mais nítido. E não, não estamos numa tasca. Não há inox à vista e cada detalhe mereceu atenção redobrada. Os azulejos e os sofás vermelhos, as madeiras, os tons quentes, a iluminação baixa.  “Aquilo em que acreditamos é que poder comer um bom bife e uma boa carne não deve ser algo acessível a uma pouca quantidade de pe
Consegue comer um hambúrguer por dia? A Taste Invaders quer dar-lhe uma palavrinha

Consegue comer um hambúrguer por dia? A Taste Invaders quer dar-lhe uma palavrinha

O hambúrguer fechado, em formato de nave espacial, é a imagem de marca da Taste Invaders desde a abertura em Alvalade, em 2022. A política de refill também (é possível voltar a encher o copo duas vezes, imperiais incluídas). Entretanto, estreou um segundo restaurante nas Portas de Santo Antão que está a ganhar espaço enquanto sports bar e salão de jogos. E agora prepara-se, precisamente nessa morada, para um desafio olímpico. Entre 2 de Dezembro e 3 de Janeiro de 2026, quem pedir um combo na Taste Invaders do Coliseu dos Recreios vai ter direito a candidatar-se ao sorteio Never Ending Burger (se, com este título, começa imediatamente a ouvir a canção de Giorgio Moroder para Limahl nos anos 1980, e a imaginar um dragão branco de focinho canino, está na frequência certa). O prémio é um ano de hambúrgueres gratuitos, um por dia. Anda à roda a 4 de Janeiro. As regras são simples: um combo vale um cupão, não há limite de cupões por pessoa (até ao final da campanha, pode ir à Taste Invaders as vezes que quiser e submeter os cupões que quiser – ou conseguir). Mas é possível transformar cada combo em dois cupões em vez de um: “Para receberem um segundo cupão de participação é partilhar nas redes sociais a nossa publicação com info do concurso ou tirar uma fotografia no espaço e partilhar nos stories, marcando @tasteinvaders.pt e #TasteInvaders365”, lê-se na nota de divulgação. No fim, sorteado o vencedor, este terá direito a um “Passe Burger365”. Ou seja, um hambúrguer gratuito por d