Fiel zelador de uma cópia da sexta edição, corrigida e aumentada, do Dicionário de Língua Portuguesa da Porto Editora, em transumância desde 1991, deu-se às letras por livre e devota vontade – mas não por convicção. À falta de habilidade para futebolista e para rock star, optou por comprar bilhete para a fila da frente. Entre outras aventuras, trabalhou no jornal A Bola e, mais demoradamente, no Público, onde foi editor e certa vez publicou uma crónica sobre o super-herói pop Rui Reininho, o que o levou à escrita do livro GNR – Onde Nem a Beladona Cresce. É esse o seu nível de compromisso. Chegou à Time Out em 2018 e aqui empresta a sua pronúncia do Norte ao noticiário de Lisboa e a escrever sobre música, cinema, televisão e teatro. Na gastronomia, é um entusiasta dos clássicos: cabidelas, rojões e farinheiras.

Hugo Torres

Hugo Torres

Director-adjunto, Time Out Portugal

Articles (120)

Os melhores novos restaurantes em Lisboa e arredores

Os melhores novos restaurantes em Lisboa e arredores

As novidades multiplicam-se de tal forma que, quando descobrimos os restaurantes que abriram nos últimos meses, já temos novas mesas à nossa espera. Entre os espaços que ainda cheiram a novo, em Lisboa e não só, há lugar para cozinhas de autor, de fogo, para peixe fresco, neo-tascas e os mais diversos projectos de cozinha internacional. Preparámos um guia com os melhores novos restaurantes em Lisboa para quem quer estar constantemente a par do que se passa na gastronomia da cidade. Não fique desactualizado e faça uma reserva – tem muito por onde escolher.  Recomendado: Os 100 melhores restaurantes em Lisboa
Menus de almoço em Lisboa: onde comer bem e mais barato

Menus de almoço em Lisboa: onde comer bem e mais barato

Nem sempre há tempo e nem sempre dá jeito, mas é possível trocar a marmita por uma refeição num bom restaurante sem ter de gastar um dinheirão. Há quem lhes chame menus executivos e há quem opte pelo velhinho menu de almoço, quase sempre disponível nos dias úteis. Nomenclaturas à parte, o que importa é saber que estes menus costumam ser opções mais amigas da carteira e, por vezes, a maneira mais económica de conhecer um restaurante. Reunimos 11 sítios, que vão da cozinha tradicional portuguesa à asiática, onde pode encontrar belos menus de almoço.   Recomendado: Os melhores restaurantes em Lisboa até dez euros  
As 25 paragens obrigatórias na Estrada de Benfica

As 25 paragens obrigatórias na Estrada de Benfica

Demos corda aos sapatos para apresentar um roteiro com o que há de melhor para fazer na Estrada de Benfica, uma importante artéria da cidade que se estende ao longo de duas freguesias: Benfica e São Domingos de Benfica. Aqui, ainda se sente o forte pulsar da vida de bairro em cafés, restaurantes familiares, mercearias, padarias e lojas de comércio local. Há também dois antigos palácios que têm jardins perfeitos para se sentar a descansar ou a ler um livro. Descubra todas estas paragens obrigatórias e planeie as suas próximas compras em Lisboa através deste longo e recompensador passeio, do Jardim Zoológico até às Portas de Benfica. Recomendado: Os melhores restaurantes em Benfica
Os 25 melhores restaurantes no Chiado para todas as carteiras

Os 25 melhores restaurantes no Chiado para todas as carteiras

O Chiado é um dos bairros mais carismáticos e movimentados de Lisboa, mas encontrar a mesa perfeita no meio de tanta oferta pode ser um verdadeiro desafio. Entre armadilhas para turistas e filas intermináveis, é preciso saber exactamente aonde ir. Para que não perca tempo nem dinheiro, reunimos os melhores restaurantes no Chiado que valem realmente a pena. Esta lista actualizada conta com 25 moradas seguras, cruzando clássicos intemporais, tascas modernas e alta cozinha, com opções para todas as carteiras. Se procura o local ideal para um jantar inesquecível ou almoço rápido, entre compras, descubra onde comer no Chiado com confiança. Recomendado: Os 100 melhores restaurantes de Lisboa
Santos Populares em Lisboa: onde jantar antes do arraial, bairro a bairro

Santos Populares em Lisboa: onde jantar antes do arraial, bairro a bairro

Junho é mês de festa e assadores nas ruas, com sardinhas, entremeadas e salada de pimentos em cada esquina. Mas não estamos aqui para isso. Se é essa a experiência que procura, os arraiais populares têm oferta de sobra. Estamos aqui por quem não dispensa o bailarico, mas prefere começar a noite confortavelmente sentado à mesa. Preparámos o roteiro ideal, com duas opções para cada bairro (só para os que têm marchas a concurso). Propostas para todos os gostos, sempre perto das festas: de tascas tradicionais a espaços modernos, da estrela Michelin às cozinhas do mundo. Saiba onde comer nos Santos Populares antes de seguir para os melhores arraiais. Recomendado: As melhores tascas de Lisboa
Onde comer em Almada: 10 restaurantes que tem de conhecer

Onde comer em Almada: 10 restaurantes que tem de conhecer

Esqueça a ideia de que a grande oferta se concentra apenas em Lisboa. Do outro lado do rio, há excelentes mesas para descobrir, provando que a Margem Sul tem óptimos argumentos gastronómicos. Com uma diversidade que vai da comida tradicional portuguesa às cozinhas internacionais, em Almada as opções multiplicam-se para satisfazer todos os paladares. Não se deixe intimidar pelo trânsito da Ponte 25 de Abril: os rápidos cacilheiros deixam-no em Cacilhas num tirinho, transformando o percurso num passeio agradável. Atravesse o Tejo, fuja da rotina e vá experimentar estes 10 restaurantes em Almada. Não vai dar a viagem por perdida. Recomendado: Os 100 melhores restaurantes em Lisboa
Os melhores restaurantes em Benfica

Os melhores restaurantes em Benfica

Apesar de todas as transformações na zona, Benfica continua a ser um bairro tradicional, onde é possível conhecer e tratar os vizinhos pelo nome. Há restaurantes que resistem há décadas e se tornaram destino por si. Mas também há novidades do mundo e propostas contemporâneas. Nestes restaurantes em Benfica, há acima de tudo lugar para toda a família, mesmo para quem não mora no bairro. Pizza, marisco, peixe ou carne? Não procure mais. O que não pode é esquecer-se de reservar porque há restaurantes onde é sempre difícil ter mesa. Recomendado: Os melhores novos restaurantes em Lisboa (e arredores)
As melhores esplanadas em Lisboa

As melhores esplanadas em Lisboa

Comer, beber e conviver são verbos que se conjugam melhor ao ar livre. Anda à procura de um restaurante ou um café com esplanada? Numa cidade como Lisboa, com tanto sol, o número de opções é virtualmente infinito. Nos arredores, passa-se o mesmo – em Oeiras, Cascais, Sintra, Almada... O nosso trabalho é dizer-lhe quais são as melhores e mais entusiasmantes esplanadas para a Primavera e o Verão de 2026. Mais escondidas ou com mais animação, para refeições completas em família ou uns copos depois do trabalho, é nestas que gostamos de estar. Recomendado: Os melhores quiosques em Lisboa
Restaurantes com estrela Michelin no Algarve

Restaurantes com estrela Michelin no Algarve

O Algarve confunde-se com férias de Verão, praia, chinelo no pé. Mas a região é muito mais do que uma estância balnear – e não lhe faltam argumentos para se afirmar como destino gastronómico, garantimos nós e garante o Guia Michelin. É no Algarve que se encontram alguns dos restaurantes celebrados pelo famoso guia vermelho, cinco com uma estrela e dois com duas. Estes últimos, o Ocean e o Vila Joya, são provavelmente os mais sérios candidatos às três estrelas, distinção ainda inédita em Portugal. Eis a constelação algarvia da Michelin. Recomendado: Todos os restaurantes com estrela Michelin em Portugal
Todos os restaurantes com estrela Michelin em Portugal

Todos os restaurantes com estrela Michelin em Portugal

Desde 2024 que a Michelin tem um guia exclusivo para Portugal. Todos os anos o universo de restaurantes estrelados aumenta. Em 2026, são um total de 53 – nove restaurantes com duas estrelas Michelin, 44 com uma. As regiões de Lisboa e do Porto continuam a dominar, com o Algarve logo atrás. A estes somam-se sete estrelas verdes, que distinguem o compromisso dos restaurantes com a sustentabilidade (e podem não coincidir com as estrelas clássicas). O que continua a faltar é um projecto com a distinção máxima – três estrelas. Lá chegaremos. Abaixo, traçamos-lhe o roteiro dos restaurantes com estrela Michelin em Portugal. Recomendado: Os 100 melhores restaurantes em Lisboa
Os 100 melhores restaurantes em Lisboa

Os 100 melhores restaurantes em Lisboa

Lisboa é feita de clássicos inesquecíveis, projectos ambiciosos e novidades excitantes. A restauração, um dos sectores mais dinâmicos da cidade, é um reflexo desse cruzamento de tempos e vontades, de preservação e imaginação. A Time Out pode bem atestá-lo. Há quase duas décadas que a acompanhamos, dia-a-dia, refeição a refeição. Assistimos à ascensão de Lisboa enquanto destino gastronómico e não rejeitamos ter desempenhado um papel nesse fenómeno. Não é soberba, é dedicação. Nesta lista (ordenada alfabeticamente), trazemos esse lastro connosco. Mas sem cristalizações, sem imobilismos, sem reverências. Estes são os sítios que mais nos entusiasmam agora, das tascas à alta gastronomia, em todos os intervalos de preços, de todo o tipo de cozinha. Pela primeira vez, limitámos a escolha a Lisboa (nada de arredores) e aplicámos uma regra dolorosa, em prol da diversidade: um chef, um restaurante. Abrimos uma única excepção – até porque a ortodoxia é uma chatice. Recomendado: Os melhores novos restaurantes em Lisboa
Todos os restaurantes com estrela Michelin em Lisboa

Todos os restaurantes com estrela Michelin em Lisboa

Três restaurantes com duas estrelas, 16 restaurantes com uma. Assim se saldam as contas da região de Lisboa no Guia Michelin 2026. Desde que existe uma edição exclusiva para Portugal, o número de restaurantes estrelados tem subido sempre. Uma coisa puxa pela outra, é certo, mas não deixa de ser prova do dinamismo e da criatividade que, nos últimos anos, têm sido marca da gastronomia nacional. Ao todo, o país tem nove restaurantes com duas estrelas e 44 com uma. Em Lisboa, com o Eleven a perder a distinção e o Arkhe a fechar portas, este ano o universo de estrelados reduziu-se ligeiramente face a 2025 (eram 20, agora são 19). Para compensar, o Fifty Seconds conquistou a segunda estrela. E o Kappo a primeira. Abaixo, listamos todos restaurantes com estrela Michelin em Lisboa e arredores. Recomendado: Os 100 melhores restaurantes em Lisboa

Listings and reviews (19)

Vertigo Celebra Os 5 Elementos

Vertigo Celebra Os 5 Elementos

É um pop-up? É um ciclo? O Vertigo Celebra Os 5 Elementos acontece de 1 a 24 de Julho e promete quatro experiências distintas, a cargo de outros tantos chefs convidados. Cada um a interpretar um elemento da Natureza. A iniciativa arranca com a Água (1 a 3 de Julho), com Capucine (Marquise) a trazer o mar e a frescura bretã para a mesa. Segue-se a Terra (8 a 10 de Julho), com Duda, Tomas e Ira (Pequeno) a a darem protagonismo a legumes, vegetais e folhas. O Fogo (15 a 17 de Julho) é aceso por Jenisse Ferrari (Qué Leche!, de Las Palmas), servindo uma "cozinha canária com alma latina". Por fim, Nuno Gonçalves (Oficina Oito) explora o Ar (22 a 24 de Julho), cruzando o rigor do Japão com as memórias de Lisboa. O quinto elemento, que une toda a experiência, é o vinho. As harmonizações são do sommelier Leonardo Bravo, privilegiando vinhos de território, de pequenos produtores portugueses, e ainda referências francesas de intervenção mínima.
Festival Gastronómico do Solstício

Festival Gastronómico do Solstício

O Altis Belém vai abrir o Feitoria para uma festa gastronómica ao pôr-do-sol. André Cruz, o chef da casa, vai criar um menu especial com "vários chefs" convidados, resultado de uma mistura de ideias e influências. A ideia é partir da proposta do restaurante de Belém (estrela Michelin) e cruzá-la com a cozinha de cada um dos outros cozinheiros. A degustação, organizada nos eixos Horta, Mar e Fogo, decorre entre as 19.00 e as 22.00 do dia 20 de Junho, um sábado. Para acompanhar, conte com vinhos de pequenos produtores, além das opções clássicas de bar e o cocktail Paloma no terraço do Gastrobar 38°41'. O evento prolonga-se até à meia-noite, com música ao vivo a cargo do Conjunto Galante e DJ sets.
Casa do Lago: Unplugged

Casa do Lago: Unplugged

A romântica Casa do Lago by SOI, escondida nos jardins do Pestana Palace, preparou a desculpa perfeita para antecipar o feriado para o final de tarde da véspera. No dia 3 de Junho, o espaço recebe a primeira edição do Casa do Lago: Unplugged, um after work descontraído que cruza a cozinha asiática com o universo da marca de bebidas Phunk. A festa arranca às 18.00, com um DJ set de ZEF a ditar o ritmo da tarde. A entrada garante o acesso à zona exclusiva e a um cocktail, mas o grande trunfo é o "bar de baos": vai funcionar em regime livre ("open food") durante a happy hour, entre as 18.30 e as 20.30.
NOS Alive

NOS Alive

Arcade Fire, Dua Lipa and Pearl Jam lead the 16th edition of NOS Alive, returning to Passeio Marítimo de Algés on July 11, 12 and 13. Supporting acts include Smashing Pumpkins, Tyla and Sum 41, but it’s worth delving beyond the headline acts, especially as The Breeders celebrate 30 years of their classic album Last Splash. Our guide ensures you won’t miss a thing, big or small. Check out the full lineup below.  Concert Schedules July 11th NOS Stage - 6:30 PM: Nothing But Thieves - 8:00 PM: Benjamin Clementine - 9:50 PM: The Smashing Pumpkins - 12:00 AM: Arcade Fire Heineken Stage - 5:00 PM: Mazela - 5:50 PM: Unknown Mortal Orchestra - 7:15 PM: Kenya Grace - 8:40 PM: Black Pumas - 10:50 PM: Parcels - 1:30 AM: Jessie Ware - 3:00 AM: Moullinex ▲ GPU Panic WTF Clubbing - 5:00 PM: Conhecido João - 6:00 PM: Silly - 7:20 PM: Conjunto Corona - 8:50 PM: Bateu Matou - 10:10 PM: Zengxrl - 11:20 PM: Awen b2b Djeff b2b Xinobi - 1:30 AM: Me b2b Trikk - 3:00 AM: Fresko bsb Vallechi Bandstand - 5:30 PM: Inês Apenas - 6:50 PM: Tipo - 8:00 PM: João Não & Lil Noon - 9:50 PM: Ricardo Crávidá - 12:00 AM: Quant Fado Café - 5:15 PM: Francisco Moreira - 6:35 PM: Francisco Moreira - 8:05 PM: Maria Emília - 9:30 PM: Maria Emília - 11:30 PM: O Samba É 1 Só Comedy Stage - 5:00 PM: Mariana Rosária - 5:15 PM: Eduardo Marques - 5:30 PM: Pedro Sousa - 6:00 PM: Rui Xará - 7:30 PM: Carlos Vidal - 9:10 PM: Beatriz Gosta - 11:20 PM: Gilmário Vemba Portico - 3:00 PM: P'laguita - 4:15 PM: P'laguita - 5:30 PM: Tri
O Filme do Bruno Aleixo

O Filme do Bruno Aleixo

3 out of 5 stars
A estreia no cinema do sexagenário urso-cão mais famoso das Beiras é um absurdo. Embora não o completo e espertalhão absurdo por que ansiávamos. Quem estava a salivar por hora e meia de sitcom focada em conversas do quotidiano, chocarrice saloia pontuada por silêncios desconfortáveis e pequenos embustes, terá de recalibrar as expectativas. O Filme do Bruno Aleixo começa com o protagonista coimbrão (com ascendência na Bairrada e no Brasil) a revelar ter sido contactado por “um homem que tem uma empresa que faz filmes” – Luís Urbano, da O Som e a Fúria, que já tinha produzido as séries “Aleixo Psi” e “Copa Aleixo” –, que o desafiou a rodar uma biografia sua para o grande ecrã. E Aleixo convoca a grupeta do costume – Homem do Bussaco, Renato Alexandre e Busto – para o ajudar a ter uma proposta para apresentar... no último dia do prazo. O que nos é apresentado é a conversa de café que resulta daí, com a representação, por actores de carne e osso – Adriano Luz, Rogério Samora, Manuel Mozos, Gonçalo Waddington, José Raposo, João Lagarto –, das ideias que vão surgindo. Tem graça, claro. E uma das premissas da interacção entre estas personagens, a de que os diálogos são circulares e que o ponto de partida interessa pouco, é respeitada. Mas se os criadores João Moreira e Pedro Santo constroem este filme em cima do conhecimento prévio deste universo, também sentiram necessidade de se afastarem dele para garantir acção, dando demasiado espaço ao live action. Já deveriam saber que um bom
Bostofrio

Bostofrio

2 out of 5 stars
Filho de pai incógnito é uma condição que a lei portuguesa prevê, desde 1977, apenas para casos excepcionais. Mesmo assim, é uma realidade que persiste: em 2010, existiam 150 mil nessas condições, e o número de registos anuais tem aumentado. O pai de Paulo Carneiro, que aqui se estreia na realização, é um deles. E o propósito deste documentário é uma busca por respostas, por histórias e até por uma simples fotografia que o ajudem a conhecer o avô, que só é incógnito no papel – na aldeia barrosã de Bostofrio, 30 habitantes, toda a gente sabe quem foi, como foi, o que aconteceu. Carneiro (Lisboa, 1990) passou por dificuldades para fazer este filme, não em quebrar a “lei do silêncio”, como quer fazer crer, mas em ganhar a confiança daquela gente simples, intimidada pela câmara e por inquirições delicadas. Esse processo ficaria bem fora do filme. Seria igualmente vantajoso que preparasse as entrevistas, para evitar ser errático, repetitivo e disfarçar o mau jeito. Descontando redundâncias narrativas e as bucólicas paisagens transmontanas, sobra pouco. É aí, e não no plano técnico, que se sente a falta de meios: seria necessária outra dedicação para alcançar o resultado pretendido. O documentário é exibido em conjunto com a curta Cinzas e Brasas, de Manuel Mozos. Por Hugo Torres
Skin - História Proibida

Skin - História Proibida

3 out of 5 stars
Bryon Widner é um supremacista branco numa encruzilhada: depois de participar no espancamento de um jovem negro durante uma manifestação, o brutamontes, venerado entre pares, começa a duvidar do caminho da violência. Skin passa-se no Ohio, em 2009, e é baseado em factos reais. Bryon não é só uma personagem – é alguém que decidiu sair do movimento neonazi, penou para o conseguir (com a ajuda de um activista negro), agiu como denunciante para o FBI, e passou dois anos em dolorosas cirurgias para remover as tatuagens iconográficas do rosto. O filme tem pontos de contacto com a curta-metragem homónima com que o realizador Guy Nattiv, de origem israelita, ganhou um Óscar. Mas a longa demora-se no recrutamento, nas batalhas fratricidas e no romance que o mantém à tona. Nattiv optou por se aproximar do monstro para tentar compreendê-lo. Não é o mesmo retrato cru e impiedoso deste tipo de marginalidade. O que retira pujança à narrativa, mas oferece a excelente Vera Farmiga ao elenco. Por Hugo Torres
Avenida Almirante Reis em 3 andamentos

Avenida Almirante Reis em 3 andamentos

1 out of 5 stars
Lisboa tem poucas avenidas tão ricas, com gente de tantas proveniências, extractos sociais e projectos de
vida. É uma fonte virtualmente inesgotável de histórias e leituras da sua angulosa realidade, de leituras longitudinais ou trabalhos menos densos. É por isso frustrante ver Avenida Almirante Reis em 3 Andamentos esconder a sua inépcia atrás de um título pomposo e da paciente bondade com que a cinefilia classifica este tipo de projecto: “filme- ensaio”. Um ensaio pressupõe explorar uma ideia, um bem escasso por estas paragens. Recuando a Cândido dos Reis e à República, passando pelo 1.o de Maio de 1974, Renata Sancho propõe-se olhar para as mudanças em curso nesta avenida (a rodagem decorreu entre 2016 e 2018, quando os preços do imobiliário dispararam). Mas o resultado é uma sequência de planos desconexos, sem interesse nem narrativa, que parece feita só para iniciados. E sabe deus que interesse encontrarão esses por aqui. Por Hugo Torres
Santiago, Italia

Santiago, Italia

3 out of 5 stars
As “geringonças” sinistras não são uma originalidade portuguesa. Em 1970, Salvador Allende congregou quase toda a esquerda chilena na candidatura presidencial que o levou ao poder, com o apoio essencial dos democratas-cristãos. Socialistas, sociais-democratas, comunistas e outros marxistas tomaram La Moneda pela via democrática, um feito extraordinário em tempo de golpes e revoluções, e em plena Guerra Fria, que gerou entusiasmo no país e
 um alarmismo despeitado em Washington. Entendendo que era preciso impedir que a experiência fizesse escola, o nefasto Richard Nixon pôs a CIA em campo para precipitar a queda do governo, o que acabou por acontecer de forma trágica a 11 de Setembro de 1973. Neste regresso ao documentário, Nanni Moretti começa por mostrar o ambiente de festa que se seguiu à eleição, passa às divergências no seio da coligação e, quando damos por nós, já os militares saíram à rua para “restaurar” a democracia, bombardeando a capital, Santiago, e instaurar uma ditadura que durou até 1990. Allende suicida-se. Pinochet, o general que comanda as tropas, ordena a perseguição imediata
 de esquerdistas mais activos, que encontram na diplomacia italiana um refúgio e a possibilidade de uma nova vida, na Europa, ao contrário do que acontece com os migrantes do Mediterrâneo hoje. E é aqui que o realizador italiano quer chegar: a intenção nunca foi abordar aqueles anos de sonho materializado, que até inspiraram o “compromisso histórico” da política italiana nos anos 1970.
Onde Está Você, João Gilberto?

Onde Está Você, João Gilberto?

“Porquê tentar encontrar um homem que não quer ser encontrado?” O realizador franco-suíço Georges Gachot faz a pergunta e dá a resposta com o documentário João Gilberto, Onde Está Você?, que se estreia neste sábado no Cinema Monumental. É um enamoramento, uma obsessão feita policial, que nos leva no encalço do pai da bossa nova. João Gilberto, recentemente desaparecido, aos 88 anos, passou a derradeira fase da sua vida em reclusão doméstica, longe dos palcos e de quaisquer olhares indiscretos. Rever o cantor e compositor era, por isso, um desejo acalentado por fãs, amigos e jornalistas. Nenhum dos quais foi bem-sucedido nesse desígnio. Gachot – que tem uma filmografia recheada de música brasileira, tendo se debruçado sobre Maria Bethânia (Música é Perfume, 2005), Nana Caymmi (Rio Sonata, 2010) e Martinho da Vila (O Samba, 2014) – foi para o Rio de Janeiro seguir os passos do jornalista alemão Marc Fischer, que ali passou cinco semanas a tentar cruzar-se com João Gilberto, para que este lhe cantasse ao violão, e à sua frente, “Ho-ba-la-lá”. O tema tinha-lhe sido dado a ouvir por um japonês, anos antes, servindo de porta de entrada à bossa nova e a uma paixão ímpar pelo seu autor. Fischer falhou o objectivo, mas descreveu o processo em Ho-ba-la-lá – À Procura de João Gilberto, suicidando-se pouco antes do lançamento do livro, em 2011. Miúcha, João Donato, Marcos Valle e Roberto Menescal são entrevistados no filme, tal como o barbeiro que atendia o compositor baiano em casa e o
Aperta Aperta Com Elas

Aperta Aperta Com Elas

2 out of 5 stars
Uma pequena e alva aldeia no cantão suíço dos Grisões vive uma ilusão: a normalidade dos casais, dos filhos, dos bolinhos, dos ajuntamentos de vizinhos e das missas dominicais esconde uma paz podre que vai deixar esta comunidade à beira do precipício. O catalisador é a chegada de um forasteiro no lugar onde ele é menos esperado: o púlpito da igreja. A diocese destaca para ali um pároco indiano com uma mensagem mais cristã do que a hierarquia católica gostaria, centrada no amor. Não só o amor etéreo: o padre Sharma aconselha o seu rebanho sobre o amor executado entre lençóis. Se no início é recebido com desconfiança racista, quando os homens descobrem as mulheres de Kama Sutra na mão, tentam afastá-lo para camuflar infidelidades, inseguranças e impotências. O filme de Christoph Schaub não cria o clima de tensão que uma história destas teria numa aldeia remota, nem funciona como a comédia que se anuncia (o mais hilariante da fita é o título em português). Salva-se a possibilidade de ouvirmos diálogos em romanche, uma língua em risco de extinção. Por Hugo Torres
Linhas Tortas

Linhas Tortas

2 out of 5 stars
Luísa é uma jovem e bela actriz. Acaba de regressar a Lisboa, tendo importado de Londres uma relação infeliz. António é um arguto e reconhecido escritor, que assina uma celebrada coluna de jornal: “Linhas Tortas”. É casado, tem um filho da idade de Luísa, e conhecemo-lo quando se estreia a fazer figura “de parvo” como comentador na televisão. São ambos utilizadores de redes sociais – ela descontraidamente, nos intervalos do dia; ele à noite, no escritório de casa, com um copo de uísque a acompanhar. É nesse ambiente virtual, em que António se esconde atrás do nome e da imagem do místico russo Grigori Rasputin, que se cruzam e inevitavelmente se enamoram. Após hesitações várias, decidem encontrar-se. O que não chega a acontecer: António sofre um acidente de viação, perde parcialmente a memória e fica hospitalizado por muito tempo. Rita Nunes, que se estreou em 1996 com a temperamental e homicida curta-metragem Menos Nove, e tem vindo a trabalhar em publicidade e televisão, trouxe para a sua primeira longa-metragem parte do elenco da série Madre Paula, que co-realizou para a RTP em 2017: Joana Ribeiro (Luísa), Maria Leite (amiga de Luísa), Miguel Nunes (filho de António) e Joana Pais de Brito; aos quais se juntaram Américo Silva (António) e Ana Padrão (mulher de António). Os actores estão tão bem quanto lhes permite o argumento, que Carmo Afonso, uma das contribuintes líquidas do Twitter português, escreveu. Sem espaço nem tempo para se desenvolverem, as personagens avançam por

News (571)

Rock in Rio Lisboa, dia 2, dia do rock: “Isto é ganda som, boy”

Rock in Rio Lisboa, dia 2, dia do rock: “Isto é ganda som, boy”

Dez, nove, oito, sete, seis, cinco, quatro, três, dois, um… O último concerto de Linkin Park em Portugal tinha sido em 2014, no Rock in Rio versão Parque da Bela Vista. A espera não acabou. No regresso ao festival como cabeça-de-cartaz do habitual dia dedicado ao rock, a banda californiana é a única a começar fora de horas, para deixar as cerca de 90 mil pessoas que esgotaram o Parque Tejo desaguarem por completo diante do palco principal, gerações cruzadas, como é bom de ver, enquanto um relógio nos ecrãs gigantes faz a contagem decrescente. Uma multidão de fãs pronta para um esconjuro colectivo, para fazer o luto de Chester Bennington, que morreu em 2017, ali, olhos nos olhos, verter umas lágrimas talvez, e aceitar por fim que a vida segue. Mas não foi bem assim – e ainda teremos muito que aguardar. Tal como há mais de uma década, os Linkin Park dividiram o espectáculo em actos. Resultado? Intervalos desesperadamente longos e anti-climáticos entre canções. Estas, por sua vez, raramente levantaram voo. A expectativa era mesmo essa: que voassem, que fossem a catarse confessional que os Linkin Park têm inscrito no seu ADN e que os tornou uma das bandas inultrapassáveis do nu metal. Emily Armstrong não servirá de bode expiatório. Toda a banda estava em modo cumprimento de contrato e de marcas de adesivo no palco. E no entanto a performance da vocalista que tomou o lugar de Chester não ajudou. “Crawling” é a primeira prova de que Emily está desconfortável a interpretar os temas
O irmão mais novo do estrelado Grenache é um bistrô e mora nos Anjos

O irmão mais novo do estrelado Grenache é um bistrô e mora nos Anjos

Um encontro entre portugueses e franceses durante um grande torneio internacional de futebol tem tudo para se tornar tenso. Felizmente, este aconteceu antes de o Mundial arrancar e ainda não se vislumbra qualquer confronto entre as duas equipas. Felizmente vezes dois, o francês em causa, Philippe Gelfi, tem muitos argumentos que não os da bola para nos manter caladinhos e ordeiros. Estamos à mesa do Grenache The Bistro, nos Anjos, a experimentar alguns pratos deste novo projecto do chef, bem mais acessível do que o Grenache original (restaurante com uma estrela Michelin junto ao Castelo) e estamos caladinhos, antes de mais nada, por uma questão de educação: não se fala de boca cheia. E depois, porque a comer somos uns verdadeiros campeões – que disso não haja dúvida. A selecção que temos diante de nós é forte. Com técnicas e receituário tradicional francês sobre produto português (como um Raphael Guerreiro, um Adrien Silva, um Robert Pirès), embora sem desperdiçar o treino e a criatividade do chef (como um Griezmann, talvez), começámos por um vencedor absoluto: o risotto verde, com ricota de limão e avelã (16€). Um prato de conforto, aveludado, saboroso, com o queijo e os pedaços de fruto seco a acrescentar textura à cremosidade do arroz. Vale, só por si, uma visita ao Grenache The Bistro, que abriu no final de Abril na Angelina Vidal, no início da subida para Sapadores, num espaço onde durante muito, muito tempo, funcionou A Tabanca, tasca portuguesa que fez a transição para
Alfama “devolve o sonho e a tradição” ao bairro e vence as Marchas Populares

Alfama “devolve o sonho e a tradição” ao bairro e vence as Marchas Populares

Oito anos depois, a Marcha de Alfama volta a vencer o concurso das Marchas Populares de Lisboa. Desta feita, com o tema “Os santos devem estar loucos”, um enredo que pôs frente-a-frente o legado histórico da zona e as profundas transformações actuais do bairro. Na Avenida da Liberdade, os marchantes prometeram – a cantar – combater a perda de “chama” de Alfama e assumiram a missão de devolver ao bairro o “sonho e a tradição”. A decisão do júri foi conhecida nas primeiras horas de sábado, finda a habitual descida da principal artéria lisboeta na noite de Santo António. Este ano, as Marchas mobilizaram cerca de dois mil participantes directos – entre padrinhos, marchantes e equipas de ensaio – e atraiu “milhares de espectadores”, segundo a organização, a Egeac/ Lisboa Cultura. Na corrida ao título, Alcântara, que procurava manter o bom histórico recente, assegurou a prata, enquanto a Madragoa fechou o pódio no terceiro lugar. Pelo asfalto desfilaram enredos muito diversos, com homenagens visuais e sonoras à calçada portuguesa, à mítica lenda de Ulisses e Ophiussa, à figura dos cauteleiros e ao típico beijinho português. Ainda assim, a noite pertenceu inequivocamente a Alfama, que, além da consagração geral (o que conseguiu pela 22.ª vez), conquistou grande parte das distinções especiais. O bairro arrecadou o prémio de Melhor Desfile na Avenida, Melhor Composição Original (com a música que dava o mote à marcha), Melhor Coreografia (partilhada com a Madragoa), Melhor Musicalidade
Se Portugal marcar no primeiro jogo, o Dote oferece francesinhas a toda a gente

Se Portugal marcar no primeiro jogo, o Dote oferece francesinhas a toda a gente

O número de selecções a disputar o Mundial disparou de 32 para 48. Uma delas é a República Democrática do Congo, primeiro adversário de Portugal, que parte para a competição na posição 46 do ranking FIFA. É certo que há outras selecções que se qualificaram mesmo estando mais abaixo nesse barómetro (Gana, Cabo Verde, Arábia Saudita…), mas Portugal ocupa o 5.º lugar – e portanto é o favorito à vitória. Como para ganhar é preciso marcar, isso pode ser uma boa notícia para apreciadores de francesinhas. A partida está marcada para 17 de Junho, quarta-feira, às 18.00 e a cadeia de restaurantes Dote anunciou que vai oferecer uma francesinha – qualquer uma das francesinhas no menu, incluindo a versão que lançou recentemente, a Minhota, mas também a tradicional, a vegetariana ou a Picanochão – a todos os clientes que optarem por assistir ao jogo por lá. Só há uma condição: Portugal tem de marcar pelo menos um golo. Não importa o resultado final. A Selecção Nacional pode ganhar, empatar ou perder. Se marcar, a oferta acontece. “Mais do que um jogo, a iniciativa pretende transformar cada lance num motivo de partilha, juntando adeptos num verdadeiro ambiente de celebração à mesa”, lê-se no comunicado em que o Dote anuncia que “adere ao espírito do Mundial de futebol”. Para já, a campanha só é válida para o primeiro jogo de Portugal. Com restaurantes na Barata Salgueiro, na Avenida da República, em Alvalade, no Parque das Nações e em Odivelas, o Dote aconselha a reservar mesa, visto que
Ajitama continua a ser um restaurante de ramen, mas agora também é izakaya

Ajitama continua a ser um restaurante de ramen, mas agora também é izakaya

Pato, peixe e caranguejo passam a fazer parte das opções no Ajitama a partir desta quarta-feira, 3 de Junho. Não são ramens especiais, é toda uma outra secção no menu, chama-se Izakaya & Bites. O nome é auto-explicativo: os restaurantes do Saldanha e do Chiado vão deixar de estar inteiramente focados no tradicional e substancial prato que lhes está na origem, para passarem a incluir petiscos, como nas típicas tabernas japonesas. “O ramen continua a ser o coração do Ajitama. Mas o Japão não se vive apenas numa bowl. Queríamos trazer para a mesa dos nossos clientes uma experiência mais social, mais leve e mais próxima da forma como muitos japoneses comem fora”, afirma o sócio João Azevedo Ferreira, citado em comunicado. António Carvalhão, o outro sócio, acrescenta na mesma nota: “Continua a haver ramen. Continua a haver o nosso ADN 100% artesanal. Mas agora há mais momentos, mais ocasiões e mais formas de viver o Ajitama”. Com as opções do Izakaya & Bites, a dupla – que também detém a marca Ramen Station – dá resposta ao problema de sazonalidade do ramen. Com calor, a quem é que apetece um caldo que vem para a mesa ferver? É certo que existem ramens frios, mas não são um alimento tão leve quanto habitualmente apetece durante o Verão. Além das novidades na comida, e para mostrar que também pode ser um destino para os dias quentes, o Ajitama do Saldanha tem uma esplanada que convida a cerveja, vinhos frescos e cocktails da casa.  Arnaldo CellaniA carta Izakaya & Bites do Ajitama
Kiko Martins vai dar tudo para cumprir o sonho da estrela Michelin

Kiko Martins vai dar tudo para cumprir o sonho da estrela Michelin

Kiko Martins tem um trunfo na manga. Toda a gente sabe que tem um trunfo na manga, mas ainda não o quer usar. Está a guardá-lo, a fazer o seu jogo, cartada a cartada para depois, já seguro, já com as possíveis surpresas reduzidas ao mínimo, poder desfrutar do trunfo num momento apoteótico e fechar a partida. O chef está com aquele sorriso mal disfarçado de quem está convencido da vitória, um sorriso que contagia a bancada de espectadores, que estão mais à espera de ver como aquele trunfo será atirado sobre a mesa do quem em saber que trunfo é esse. Até porque toda a gente sabe que trunfo é: depois de 20 anos a montar um pequeno império em Lisboa, Kiko Martins vai finalmente apostar num restaurante de alta cozinha, com o objectivo declarado de conquistar os inspectores da Michelin.  A nossa metáfora recorre a um baralho de cartas. O chef prefere o futebol. “Eu andei durante 20 anos a mandar bocas da bancada... Eu também jogava, também marcava golos. Mas agora é a altura em que vou calçar as chuteiras e as caneleiras e vou entrar no Santiago Bernabéu. Agora é a altura em que tenho de mostrar. Só me compete a mim ter garra e competência para o fazer”, diz, num almoço com jornalistas n’O Talho, o seu único restaurante entre os recomendados do famoso guia vermelho (desde 2018, mas sem pretensões à estrela). Há cerca de dois anos, Kiko Martins já havia revelado à Time Out que estava a preparar um restaurante de fine dining. “Quero criar um projecto para estar no mais alto nível”, a
PetiscARia: no novo pop-up de Lisboa, rega-se o Verão com vermute

PetiscARia: no novo pop-up de Lisboa, rega-se o Verão com vermute

O Elevada, espaço multiusos em Arroios, prepara-se para a PetiscARia de Verão. Entre 3 de Junho e 31 de Julho, os finais de tarde ganham sotaque brasileiro, com vinhos artesanais, uma generosa lista de vermutes e pratos de partilha. O projecto efémero é assinado pela AR Cozinhas e Goles, a dupla criativa formada por Luciana Vale e pela sommelier Michelle Landgraf, que decidiu contornar a rigidez dos menus tradicionais para criar um ponto de encontro assente em bons copos e refeições descontraídas. Para garantir a qualidade gastronómica, chamaram dois chefs, um dos quais da casa – o anfitrião, Danilo Martins, vocacionado para uma cozinha de conforto e memória. E Thomaz Badia, o cérebro por detrás das seis cozinhas da doBeco (rede de padarias em expansão, tendo inaugurado recentemente uma nova localização nas Avenidas Novas, com vista para os jardins da Gulbenkian). Badia levará ao pop-up pratos demonstrativos do seu trabalho na área das curas, defumações e fermentações. “A promessa é simples: uma mesa partilhada onde entram e saem amigos, petiscos surpreendentes, e vinhos e vermutes a preços justos. O ambiente ideal para aqueles finais de tarde de Verão que dão vontade de eternizar”, lê-se em comunicado. “Serão apenas nove semanas dedicadas à arte de petiscar, beber bem e partilhar a mesa sem pressas”, embora não nove semanas inteiras: a PetiscARia funcionará apenas à quarta, à quinta e à sexta-feira, das 18.00 às 22.00. Esta é mais uma faceta do Elevada, que já nos habituou à
Pedro Amendola veio do Brasil para nos ensinar a fazer filetes como deve ser

Pedro Amendola veio do Brasil para nos ensinar a fazer filetes como deve ser

A comida ainda não chegou à mesa e já não vamos com a cara do chef. Também ainda não o vimos, nem o ouvimos, tão-pouco sobre ele inquirimos antes de aqui vir, à Associação Naval de Lisboa, experimentar a nova carta do Bonança. Não temos nada – e no entanto parece que temos o suficiente. A culpa é de Francisco Vasconcelos, que nos conta, como se fosse uma história curiosa, engraçada, que quando pediu ao chef, então recém-contratado, para manter um best-seller da casa, os filetes de peixe-galo com arroz de limão, a resposta que o director de operações ouviu foi desconcertante: porquê, se não o sabem fazer? E esta segunda pessoa do plural não eram eles, no restaurante. Éramos nós, os portugueses. Estão a ver o problema. A impertinência. Pedro Amendola é um jovem chef de 30 anos. Mudou-se de São Paulo para Portugal há quatro – e já acha que sabe alguma coisa sobre um dos mais adorados pratos da comida de conforto nacional, os ubíquos filetes, presentes em restaurantes de toalha de papel e de toalha branca de tecido. A troca da pescada pelo peixe-galo não eleva o prato o suficiente? O que mais há a fazer? As dúvidas dissipam-se quando o prato é finalmente servido. Pedro serve-o com um polme tipicamente japonês, firme. Não são as fish and chips inglesas, que podem ter uma capa dura. É estaladiço, mas delicado. Retiramos tudo o que pensámos até agora. O chef tem a nossa devota atenção. Pedro Amendola está no Bonança desde Julho de 2025. Chegou com Francisco Vasconcelos, 29 anos, con
Novo Honest Greens leva a comida saudável ao coração de Lisboa

Novo Honest Greens leva a comida saudável ao coração de Lisboa

O Honest Greens continua a sua expansão por Lisboa. Desta vez, a cadeia de comida flexitariana de origem espanhola instalou-se na zona histórica da Sé, ocupando a esquina entre a Travessa do Almada e a Rua de Santo António da Sé. O novo espaço funde o ADN da marca com o património arquitectónico do edifício, preservando tectos abobadados, arcos e pilares de pedra à vista, num espaço com 570 metros quadrados e 250 lugares. Existem duas entradas (como acontece, por exemplo, no restaurante do Cais do Sodré). As portas 18 e 20 da Rua de Santo António da Sé dão acesso “directo ao renovado menu de Primavera". Já os números 14 e 16 servem a cafetaria, permitindo “aproveitar imediatamente as novidades do menu de sobremesas”, como se lê em comunicado. A ementa mantém a habitual rotatividade sazonal e as opções sem açúcares refinados. O destaque desta morada recai sobre as novas bebidas de Verão. Segundo a marca, a inauguração serve de “convite para descobrir os novos Summer Shakers, que chegam já, e por agora, em exclusivo à nova localização”. São quatro as novidades: o Ube Collagen Glow (desde 5,25€), o Matcha Coconut Cloud (desde 4,45€), o Expresso Coconut Cloud (desde 4,45€) e o Pistachio Latte (desde 5,25€). Estão ainda disponíveis o Red Berry Shaker (desde 4,25€), um regresso do Verão passado, e o Fruit Matcha Latte (desde € 4,45). DRHonest Greens na Sé Com esta inauguração, pensada para ocorrer estrategicamente “a tempo dos Santos Populares”, o Honest Greens vai já em 13 resta
Os novos hotéis mais bonitos do mundo, segundo um prestigiado prémio de arquitectura

Os novos hotéis mais bonitos do mundo, segundo um prestigiado prémio de arquitectura

Para muitos viajantes, o hotel é o destino. Para sua sorte, não faltam opções deslumbrantes por onde escolher, desde novas aberturas entusiasmantes a estadias históricas. Mas, se anda à procura dos hotéis mais impressionantes de todos, não precisa de ir mais longe: aqui está a lista dos “mais bonitos” – 15 hotéis novinhos em folha, ou restaurados, que receberam um prestigiado prémio da organização de arquitectura Prix Versailles. Desde grandes cadeias a hotéis boutique, de locais remotos a espaços bem no coração da cidade, há uma espectacular variedade na lista. Fotografia: Booking.comOberoi Rajgarh Palace, Índia Vejamos o caso do The Oberoi Rajgarh Palace. Empoleirada no topo de uma colina no Parque Nacional de Panna, na Índia, a antiga fortaleza foi descrita como “um dos mais belos exemplos da hospitalidade indiana”, de acordo com o The Independent. Tem cerca de 350 anos e, hoje em dia, exibe villas, suites e quartos, além de um deslumbrante restaurante à beira-lago. Ah, e pode reservar um imperdível safari de tigres pelo parque nacional através do próprio hotel. Procura algo ainda mais remoto? O Desert Rock Resort pode ser o lugar ideal para si. O seu design amorfo emerge das antigas dobras das Montanhas Hijaz e apresenta detalhes interiores nelas inspirados, espalhados por todos os cantos. Ah, e também existem comodidades de spa e uma elegante piscina com vista para as montanhas. Mas isto está longe de ser tudo – abaixo, pode conhecer todas as entradas na lista deste an
Destruído por um incêndio, Matuta pede ajuda para voltar à vida na Penha de França

Destruído por um incêndio, Matuta pede ajuda para voltar à vida na Penha de França

O pequeno Matuta, ponto de encontro na Penha de França para café, pão de queijo e muita conversa, foi consumido pelo fogo na passada sexta-feira, 22 de Maio. “O incêndio destruiu mais de 80%” do espaço, segundo a proprietária, a brasileira Eduarda Meireles, que lançou uma campanha de angariação de fundos para reerguer o projecto: precisa de 16 mil euros. “Hoje a gente teve um susto daqueles que a gente nunca esquece. Um incêndio tomou a Matuta, e por falha no atendimento dos bombeiros, o que poderia ter sido controlado virou uma perda enorme: estoque, equipamentos, estrutura. O que foi construído com tanto cuidado e tanto amor, destruído em horas”, lê-se na página criada no GoFundMe. O título da campanha é, no entanto, de quem não está disposto a baixar os braços: “A Matuta pegou fogo. Mas a Matuta não vai acabar”. A comunidade que se criou à volta deste projecto também não está pronta para o deixar desaparecer. Logo no sábado, houve um evento de angariação de fundos na Penhasco Arte Cooperativa. E no GoFundMe registaram-se mais de 300 doações em quatro dias, num total de quase 12 mil euros. Ver esta publicação no Instagram Uma publicação partilhada por Quitandeira Mineira (@ma.tuta) Falta um quarto do objectivo para atingir o valor necessário. Antecipando a pergunta óbvia numa situação destas, Eduarda escreve na campanha de angariação de fundos: “A Matuta tem seguro. Mas seguro tem tempo, e tempo é o que a Matuta não pode perder agora. Ela é uma empreendedo
Adega Etelvina leva chefs ao Bairro Alto para servirem “pratos com memória”

Adega Etelvina leva chefs ao Bairro Alto para servirem “pratos com memória”

Tiago Pinheiro Alves abriu a Adega Etelvina no final do ano passado, com a missão de ressuscitar o velho Bairro Alto. Além de uma carta de vinhos portugueses, o pequeno espaço petiscos que o próprio define como “comida da avó” – tibornas, conservas, queijos, carnes frias, boquerones, lulas recheadas, alcatra estufada… Agora, vai acrescentar às opções “pratos com memórias” de cozinheiros convidados. Mas só ao almoço de domingo. A iniciativa chama-se À Travessa e é essencialmente um ciclo de almoços, embora com a proximidade que o pequeno espaço impõe. “Inspirado no espírito íntimo de um Tiny Desk Concert, mas em versão tacho e travessa de inox, À Travessa convida cozinheiros a ocupar cerca de dois metros quadrados de cozinha para servirem pratos com memória (comida de avó, receitas de infância, coisas para colocar no balcão e partilhar sem cerimónia)”, lê-se em comunicado. A primeira convidada – e única que se conhece para já – é Natalie Castro (ex-Isco), a 31 de Maio. “Profundamente ligada a uma cozinha de memória e afecto, era uma escolha natural para inaugurar este ciclo”, continua a mesma nota, que cita uma memória de infância de Natalie, em que ainda com nove anos de idade preparou uma feijoada para uma mesa cheia de gente. “O convite foi simples: trazer um prato com memória. Ou dois, se a memória vier com fome.” Arlei LimaNatalie Castro O formato “é deliberadamente pequeno”, informa a Adega Etelvina. O almoço será servido entre o meio-dia e as quatro da tarde, sem inte