Carismática, faladeira, curiosa. Desde muito pequena, Liana faz amizades na mesma velocidade que a luz. Adora vinhos e pessoas na mesma proporção. Também adora comer, e come de tudo, ainda mais se tiver em boa companhia – de vinhos e pessoas. Antes de especialista e comunicadora de vinhos era produtora audiovisual. Basicamente, previa problemas e os resolvia. Mas o que Liana nunca previu, era que seria seduzida pelo néctar de Baco. Resolveu se entregar e mergulhar nesta paixão avassaladora. Está muito mais feliz assim. 
Liana Saldanha

Liana Saldanha

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Tintos no Verão? Sim, e temos provas

Tintos no Verão? Sim, e temos provas

Vivemos tempos de temperaturas altíssimas em Lisboa. E, claro, a tendência natural é deixar os tintos de lado. Mas será que temos de nos divorciar do vinho tinto quando os termómetros sobem? A resposta rápida é: não. O problema de muitos tintos em dias de 35°C não é a cor, é a estrutura. Um vinho com taninos muito agressivos, álcool alto e sem acidez suficiente para equilibrar a carga alcoólica torna-se pesado e cansativo. O segredinho, então, está precisamente no contrário: procurar tintos com taninos menos extraídos, álcool mais baixo e uma acidez vibrante que nos faz salivar. Existe um truque técnico que pode facilitar a drinkability (amo essa palavra, mesmo sendo em inglês): a temperatura de serviço. Muitas vezes, um tinto de corpo médio, servido a uns refrescantes 12°C / 13ºC, ganha uma nova dimensão. É a ciência da temperatura a actuar sobre a nossa percepção sensorial: o frio atenua a sensação de álcool e faz a acidez parecer mais viva e refrescante. Indicamos cinco tintos que brilham mesmo quando o Verão lisboeta resolve transformar a cidade num forno. Sirva-os fresquinhos, chame os amigos e depois nos conte se tinto não merece também um lugar à mesa na estação quente. Recomendado: As melhores piscinas em Lisboa para dar mergulhos este Verão
O que esperar do mundo dos vinhos em 2025? Estas são as nossas apostas

O que esperar do mundo dos vinhos em 2025? Estas são as nossas apostas

O vinho não é só uma bebida deliciosa, também faz parte de um mercado super dinâmico e atento às mudanças. Acompanhar as tendências ajuda produtores, comerciantes e consumidores a conectarem-se melhor do que está por vir. De técnicas ancestrais revisitadas a vinhos que cabem num estilo de vida mais leve, aqui estão as cinco grandes apostas para o ano de 2025 (para descobrir antes ou depois de brindar com três espumantes portugueses que transformam qualquer momento numa celebração). Este artigo foi originalmente publicado na edição de Inverno 2025 da Time Out Lisboa.
Vinho de Talha: uma viagem no tempo pelas adegas do Alentejo

Vinho de Talha: uma viagem no tempo pelas adegas do Alentejo

O vinho de talha do Alentejo é, sem dúvida, uma das tradições vínicas mais fascinantes de Portugal – arrisco dizer: do mundo. Além de sua conexão com a ancestralidade romana, esta prática artesanal chegou a Portugal há mais de dois mil anos e permanece quase inalterada em diversas vilas alentejanas, onde a tradição foi passada de geração em geração. As talhas de barro são estruturas imponentes, gordas e lindas. Quando as vemos nas adegas alentejanas, a sensação que dá é que viajamos no tempo. Uma lufada de ar fresco, principalmente para quem vive na agitação da capital, como esta que vos escreve.  Todo o processo de vinificação ocorre dentro da talha, e talvez por este motivo, como me contou uma vez uma pessoa de Vila de Frades, as ânforas na antiguidade eram chamadas de “a mãe”. O vinho sai das talhas pronto para ser consumido, sem a necessidade de intervenções adicionais, preservando sua pureza artesanal e expressando directamente este mágico terroir. Muitos vinhos brancos de talha têm estrutura semelhante à de tintos, enquanto alguns tintos, ou palhetes, possuem corpo similar aos vinhos brancos. O resultado é um vinho delicioso, rústico e autêntico, que harmoniza perfeitamente com os pratos poderosos e intensos da região. Tradicionalmente, a 11 de Novembro, dia de São Martinho, ocorre um grande evento em que as adegas abrem algumas das suas talhas, oferecendo os vinhos novos que acabaram de fermentar há poucas semanas. Como este ano calha numa segunda-feira, algumas adegas
Vinho e sardinha assada: quatro garrafas perfeitas para os Santos Populares

Vinho e sardinha assada: quatro garrafas perfeitas para os Santos Populares

Junho é o mês mais esperado do ano em Lisboa. Arraiais por todo o lado, músicas de Quim Barreiros, Rosinha ou José Malhoa em cada esquina, gente feliz e o icónico cheirinho de sardinha assada a invadir as ruas. Sou uma completa apaixonada pelos Santos, pela sardinhada e por este ambiente de festa que nos faz querer dançar até a música acabar. Mas vamos ao que interessa: o que beber com a rainha da festa? A sardinha é um peixe azul, de gordura vincada e sabor intenso – e a minha relação com uma sardinha gordinha e fresca é de devoção absoluta. Embora a cerveja geladinha seja a companhia de eleição nas festas de rua, venhp mostrar que este peixe pode ter um casamento um pouco mais ambicioso. Seleccionei quatro vinhos portugueses que trazem frescura, estrutura e a personalidade necessária para acompanhar a gordura da sardinha, o sal grosso e os aromas fumados da grelha. Preparem os copos: a festa vai começar. Recomendado: Santos Populares em Lisboa – onde jantar antes do arraial, bairro a bairro
Pét Nat: O guia para fazer boa figura nos wine bars de Lisboa

Pét Nat: O guia para fazer boa figura nos wine bars de Lisboa

O mundo do vinho adora vender como novidade algo que os monges do sul de França já criaram, por puro acidente, no século XVI. O Pét Nat (pétillant naturel) é o avô mais rústico do Champagne, porém com bolhas mais subtis, tampa de carica e rótulos que costumam ser bastaaaante criativos e livres. No seu processo de produção, acontece apenas uma fermentação que começa no tanque e termina na garrafa, o que cria uma bebida mais turva (quando não é filtrada), leve e refrescante. Ao nariz chegam aromas de fermentação e de fruta. Podemos encontrar notas de frutas cítricas, maçã, pera ou morango, além de nuances de casca de laranja – e, juro que já senti aroma de xarope de guaraná, uma bebida super comum no Brasil. Feito para ser bebido jovem, ele substitui na perfeição uma sidra ou uma cerveja leve e acompanha o mesmo tipo de comida descomplicada e gulosa. Enquanto os puristas torcem o nariz aos aromas pungentes de levedura, o resto de nós aproveita algo que não exige um curso de sommelier para ser decifrado. Alguns dizem que é "bolha de hipster", mas o Pét Nat é perfeito para um piquenique na Gulbenkian ou num wine bar na Praça das Flores. É despretensioso, delicioso e refrescante, perfeito para os dias quentes que estão a chegar. Siga para a nossa lista e descubra os Pét Nats que vão refrescar as suas tardes na esplanada ou noites no wine bar. Recomendado: Chega de fingir que percebe da coisa – cursos de vinhos em Lisboa que valem a pena
Pizza e vinho: quando a química fica séria

Pizza e vinho: quando a química fica séria

Há uns tempos, dissemos que na hora de combinar vinho e comida, há dois caminhos clássicos que podemos seguir: o da semelhança e o do contraste. Com a pizza não tem de ser diferente (e, não, pizza não vai bem só com refrigerantes ou cerveja): existe, aliás, uma química quase sexual quando abrimos o vinho certo para acompanhar uma fatia. Não é exagero: alguns vinhos conseguem tirar a pizza do lugar comum e transformar a refeição em algo mais especial, mais provocador, mais sexy. Sem mais delongas, vamos directo ao ponto porque sabemos que já estão curiosos: quatro pizzas clássicas e o que abrir com cada uma. Recomendado: Cursos de vinhos em Lisboa que valem a pena
Chega de fingir que percebe da coisa: cursos de vinhos em Lisboa que valem a pena

Chega de fingir que percebe da coisa: cursos de vinhos em Lisboa que valem a pena

Ouvimos por aí que “vinho bom é aquele que a gente gosta”. Eu concordo, mas deixo aqui um segredinho: a gente costuma gostar muito mais quando entende o que está no copo.  Lembro-me quando fui à Ilha do Pico e aprendi sobre a cultura e os métodos de produção por trás daqueles vinhos nascidos em currais de basalto. Depois disso, cada trago parecia contar uma história diferente. O vinho passou a ser muito mais interessante e delicioso para mim.  Estudar vinho não é só sobre enriquecer a experiência, é expandir nosso paladar. É treinar o nariz para reconhecer aromas que antes passavam despercebidos e ensinar a língua a decifrar estrutura, acidez, textura. É olhar para uma carta de vinhos num restaurante ou para a prateleira de uma garrafeira e escolher com mais segurança, sem depender apenas do rótulo mais bonito ou do preço mais alto (dois critérios que, convenhamos, já nos enganaram muitas vezes).  Para ajudar nessa jornada de autoconhecimento, eis três lugares em Lisboa para fazer cursos de vinhos: aqui, o estudo é levado a sério, mas sem esquecer o prazer que o vinho exige.  Recomendado: 🍷 Os melhores bares de vinho em Lisboa
Vinhos para o Dia dos Namorados. Spoiler: Não são só para os casais!

Vinhos para o Dia dos Namorados. Spoiler: Não são só para os casais!

O Dia dos Namorados é aquela data que, ano após ano, se recusa a caber numa caixa só. Se antes o mundo parecia dividido entre os casais super-românticos, com as suas reservas em restaurantes e publicações melosas nas redes sociais, e os casais mais práticos, adeptos da pizza no sofá e do vinho descomplicado, hoje o cenário é muito mais rico (e realista).  Em 2026, celebrar o 14 de Fevereiro é, acima de tudo, um exercício de liberdade. Há espaço para quem está naquela deliciosa (e confusa) fase sem rótulos, para quem decidiu que o melhor plano é um brinde barulhento entre amigos, e, claro, para os solteiros-que-querem-ficar-em-casa e que não abrem mão de uma boa série com o prazer da sua própria companhia. Afinal, o amor-próprio continua a ser o melhor dos clichés.  Seja qual for o seu estado de espírito – ou o "status" da sua relação no momento – uma coisa é certa: o vinho é sempre uma excelente ideia.  Seleccionámos quatro sugestões de vinhos que podem acompanhar este dia especial em qualquer situação possível, com a melhor companhia possível.  Recomendado: 💕 Ideias de presentes do Dia dos Namorados para ela e para ele
Se é para oferecer, que seja dos bons! Quatro vinhos para dar (e beber) no Natal

Se é para oferecer, que seja dos bons! Quatro vinhos para dar (e beber) no Natal

O famoso “vinho para oferecer no Natal” não é necessariamente o vinho que a pessoa compraria para ela própria. Normalmente, a escolha recai num Porto básico, num tinto genérico do Alentejo ou num espumante que brilha mais pela cápsula dourada do que pelo conteúdo. Presentes que resolvem o problema, mas raramente emocionam o bebedor. E, convenhamos, ninguém merece passar minutos a lutar com papel de embrulho e fita-cola para oferecer um vinho que ninguém vai lembrar no dia seguinte. Se existe uma altura do ano perfeita para surpreender alguém com uma garrafa das boas, é agora. E não é preciso estourar o orçamento, nem fingir que tem um certificado de especialista pendurado na sala. Basta escolher um dos vinhos que indicamos neste artigo. Estas são o tipo de garrafas que valem, de verdade, todo o tempo para embrulhá-las. Vamos a elas Recomendado: 🍷 Presentes de Natal perfeitos para quem adora vinho
Presentes de Natal perfeitos para quem adora vinho

Presentes de Natal perfeitos para quem adora vinho

Oferecer uma boa garrafa no Natal é um presente clássico, delicioso e certeiro, e, modéstia à parte, qualquer um dos vinhos que Liana Saldanha tem recomendado nos últimos meses na Time Out – laranjas, da ilha do Pico, que mais parecem uma obra de arte ou de palhete –, será sempre uma excelente escolha. No entanto, acreditamos que o universo do vinho tem muito mais a oferecer. Por este motivo, reunimos sugestões que vão surpreender e agradar os verdadeiros apreciadores da bebida sagrada. Vamos a elas. Recomendado: A culpa da sua dor de cabeça é dos sulfitos? Dez mitos sobre o vinho
Vinho laranja ou a prova de que nem todo hype é passageiro

Vinho laranja ou a prova de que nem todo hype é passageiro

Durante um tempo, muita gente pensou que o vinho laranja era só uma moda passageira. Mas não: ele chegou para ficar. Também conhecido como ‘âmbar’ ou ‘branco de maceração’, é bastante antigo: nasceu há mais de 8 mil anos na Geórgia, quando deixavam uvas brancas fermentar com as cascas dentro de ânforas de barro (só as cascas das uvas, ok? Este vinho não tem nada adicionado da fruta laranja). Ou seja, o vinho laranja pode até parecer novo, mas é mais velho que a roda. A difusão do vinho laranja para o cenário mundial começou na década de 1990, quando produtores do Friuli (Itália) e da vizinha Eslovênia, como Josko Gravner e Stanko Radikon, se inspiraram na técnica ancestral georgiana. Depois, o estilo cruzou fronteiras e, por volta de 2010, já brilhava nos copos dos wine bars de Londres e Nova Iorque. A chegada do Instagram, o culto do “natural” e a pandemia empurraram o vinho laranja do nicho para o desejo de muitos. A diferença entre os brancos e os laranjas é simples: nos brancos, as cascas são separadas do sumo (mosto) logo que chegam da vinha; nos laranjas, elas ficam e fermentam junto. É essa maceração prolongada que faz o "milagre": confere a cor âmbar, a textura, os taninos e os aromas complexos de chá preto, frutas secas e casca de frutas cítricas, principalmente de laranja. Este branco, que ganhou corpo e alma de tinto, demonstrou ser extremamente versátil à mesa, harmonizando, principalmente, com pratos de especiarias complexas (como a culinária indiana e tailandesa
Vinhos da Ilha do Pico: um terroir fascinante no meio do Atlântico

Vinhos da Ilha do Pico: um terroir fascinante no meio do Atlântico

Chegar ao Pico, nos Açores, é como desembarcar noutro planeta. O clima húmido e o contraste entre o verde vibrante das plantas, o azul intenso do mar e o negro das lavas cria uma atmosfera poética, bucólica, dramática – como muitos gostam de descrever. Não podemos esquecer a magia que é ver a montanha do Pico pela primeira vez. Confesso: eu chorei. As vinhas do Pico não se alinham em fileiras verdes. Crescem dentro dos currais – muros de pedra negra de basalto, dispostos em pequenos retângulos que, vistos de cima, lembram um labirinto. Cada pedra desses muros é, na verdade, um registo vivo de quem trabalhou aquela terra, geração após geração, ao longo de mais de cinco séculos. Se não fosse esta malta resiliente e batalhadora, talvez hoje não houvesse nem vinhas, nem este artigo que está agora a ler. Uma tradição tão poderosa que a paisagem da cultura da vinha da ilha do Pico é reconhecida como Património Mundial da UNESCO. Beber um vinho do Pico é provar uma história de resistência, beleza bruta e ligação profunda com a natureza. É sentir no paladar o equilíbrio improvável entre mar e lava, vento e pedra, tradição e futuro. As castas rainhas da ilha (Arinto dos Açores, Verdelho e Terrantez do Pico) são representantes da sua identidade e dão origem a vinhos minerais, com frescor vibrante e uma estrutura em boca que parece ecoar a própria rocha vulcânica onde nasceram. Temos que falar sobre o porquê dos preços elevados destes vinhos: a colheita é 100% manual nos currais de lava