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Violeta de Vasconcellos

Violeta de Vasconcellos

Crítica Comer&Beber

Reza a lenda que fez o primeiro bolo antes de saber escrever e que enriqueceu a vender fatias pelo bairro. Já tentou outras escalas, mas acaba sempre a usar-se como bitola. Crê nos Ovos e sonha um dia mandar o suficiente para ilegalizar a margarina.

Listings and reviews (30)

Marie-Thérèse Croquemboucherie

Marie-Thérèse Croquemboucherie

2 out of 5 stars

Não fui assim tantas vezes a Paris, mas da última vez fiz um bom périplo de estudo por pastelarias e cafezinhos. Não me recordo de ter encontrado nada que se assemelhe aos cafés de inspiração parisiense que por cá temos. O pacote completo integra nome francófono, tons pastel, flores, retratos da realeza (até parece que não resolveram tudo à guilhotina) e ementa a rigor, em volta dos clássicos de pastelaria francesa, essa instituição.  A especialidade deste local é a massa choux. Aliás, Marie-Thérèse apresenta-se como Croquemboucherie (um croquembouche é uma pirâmide de choux, colados por caramelo), mas na vitrine encontramos esta massa (que, por cá, é conhecida, há décadas, pelos éclairs) em várias formas: choux, Paris-Brest, rochoux. O princípio é sempre o mesmo – massa choux assada, recheada e coberta por uma infinidade de cremes, mais ou menos espessos, areados ou cremosos. Para saborear melhor a chuva exterior, pedi um choux de mocha (chocolate e café; 1,50€) e um chocolate quente (3€). A delicada chávena vinha ornamentada, à superfície da bebida, por esse típico doce francês que é o… marshmallow. Eis uma opção inexplicável. O chocolate era verdadeiramente agradável. Bastante líquido, sem grande untuosidade láctea, mas ainda assim bem aveludado, com um sabor de cacau sério. E essa seriedade foi toda atacada por uma insuportável baunilha sintética dos pequenos marshmallows industriais. Porquê? Acredito que se as pessoas que se empenham tanto nestes cuidados estabelecimento

Casa Piriquita - Lisboa

Casa Piriquita - Lisboa

4 out of 5 stars

Por mais voltas que dê à consciência e à cidade, não encontro jeito de me apaziguar com a impossibilidade de uma certa categoria de estabelecimento saltar uma flagrante contradição: o pezinho na artesanalidade e o fatal constrangimento dos mesmos moldes que enformam o resto do mundo, da Padaria Portuguesa ao Starbucks. Marx chamar-lhe-ia subsunção capitalista: a casa de que falamos foi fundada em 1862, mas eu e os demais clientes temos de nos sujeitar ao flagelo pós-moderno do pré-pagamento, do tabuleiro de plástico, da ausência de serviço de mesa. É uma pena, porque o requinte das massas a que a Piriquita nos habituou não vai nada bem em tabuleiro de plástico. O estofadinho das cadeiras é elegante, e há um bom mármore nas mesas, a dar robustez. Lá impossível era um serviço de mesa (e umas mesas menos amontoadas, com mais espaço per capita…). Mas há dignidades que sobrevivem: aquela montra é um pináculo. Ao lado de dois grandes tabuleiros de metal apetrechados de travesseiros, exibiam-se, em discreto esplendor, as demais especialidades da casa sintrense: queijadas, pastéis, tartes, essa série de criações que vejo como descendentes diletos da pastelaria conventual. Tudo apetitoso, mas tenho de confessar que eu, em havendo travesseiros, fico ceguinha da boca e não concebo comer mais nada. O meu pastel estava douradinho, muito bonito. Levei-o em ânsias à boca. Estava fresquíssimo, ainda morno (eu sei que há uma gente que gosta de pelar a boca, comendo-os a ferver, mas juro que a

Pelicana

Pelicana

3 out of 5 stars

Vamos pensar numa boa ideia: por exemplo, agarrar num terço de banana, espetá-la num pauzinho, mergulhá-la em chocolate, cobrir de algum fruto seco e congelar. Isto é coisa que não ofende: rápido, simples, deleite caseiro garantido. Agora pensemos que este simples gesto – não lhe podemos chegar a acrescentar o adjectivo gastronómico, pois não? – resulta num produto vendido a 3€ nos locais mais fancy-cool da cidade mais fancy-cool do universo. É precisamente esse o negócio da Pelicana. Como lidamos? Que sentimentos nos ficam? O que nos cabe dizer? Sobre o produto, pouco: é um terço de banana coberto por uma camada de um milímetro de chocolate, coberto de frutos secos (há opção sem). A mistura do chocolate e da banana é um clássico inatacável, o chocolate é de boa qualidade, o amendoim compõe muito bem a pirâmide gustativa. A banana funciona bem congelada, embora possa ser desafiante de trincar para dentes de maior sensibilidade, mas não se pode dizer que não pareça predestinada a ser gelado natural (a pouca percentagem de água no fruto ajudará certamente à criação de uma textura naturalmente mais cremosa). Como disse no início, isto é indubitavelmente uma boa ideia. O que eu pergunto, com total honestidade, é se qualquer boa ideia pode e deve ser transformada em produto comercializável. É isso que queremos enquanto sociedade? Isto deixa-nos confortável com o rumo da História? A mim, nem por isso. Eu quero frisar que comi esta banana congelada espetada num pauzinho, servida num

Matoli - Gelato Artesanal

Matoli - Gelato Artesanal

4 out of 5 stars

Não vou cair no cliché temporâneo de dizer que passo o Verão à procura de bons gelados porque a verdade é que passo o ano inteiro à procura de bons gelados. Com Lisboa elevada a capital mimetista do centro global, pelo menos no que à gastronomia toca, os gelados – ou gelatos – aparecem realmente em qualquer lado. Desta vez, fui levada às traseiras de Entrecampos, onde a discreta Matoli promete saber artesão na produção. Não enganam. Mas o que aqui achei mesmo curioso foi o equilíbrio entre grandes quantidades de açúcar – são gelados muito doces – que nem assim aniquilam o sabor preciso de cada variedade (pequeno - 2,90€; médio - 3,90€). Os que provei – manga, morango, queijo/goiabada e nata – eram realmente potentes! Particularmente no de manga, parecia que alguém se tinha limitado a espremer a polpa da fruta mais madura e adoçada pelo sol, diretamente para o pote refrigerado. Acho justo falarmos em experiência sensorial. Tendo cometido a (im)prudência de visitar o estabelecimento à hora de almoço, e em vista das demais opções doces (facto que ignorava), acabei por aproveitar para fazer rodízio. O bolo de chocolate (4€) foi dos mais satisfatórios que encontrei nos últimos tempos: massa bem chocolatuda com uma textura suculenta e diferente (desconfio que havia ali coco fresco ralado, bem miudinho!) recheada com uma ganache perfeita, brilhante, lisa, cremosa, praticamente um tónico de beleza. Percebendo a intenção, não fiquei fã da opção de o servirem morno (imagino que após um

Croissant da Serra

Croissant da Serra

3 out of 5 stars

Poderia até dar-me para acreditar que o domínio do brioche está para lá das competências do nosso rectângulo, não tivesse chegado a conhecer os croissants da saudosa Pekim (Matosinhos), materialização de uma obra-prima. Por Lisboa, as opções replicam-se. Uns são mais folhados, outros massudos, e os recheios infindáveis. Há uns dias, experimentei o Croissant da Serra, cujo espaço é mais um daqueles cenários indiferenciados, que tanto pode ser café, lobby de clínica, ou cadeia de fast slow food. Lâmpadas amarelinhas, plantas artificiais para dar toque de natureza e a tábua de xisto em vez do prato, imagino que a fazer referência à serra. Ainda assim, se só os olhos comessem, cinco estrelas estariam garantidas: os pequenos, postos em sossego, tinham um tostado dourado e um acabamento brilhante sublime. Passados pela boca, o que resta dizer? Que não é desta que se destrona Pekim. O brilho revelou-se uma calda demasiado gelatinosa, ao ponto de se separar da massa, o que se intrometeu na minha parte preferida do processo: descascar o croissant. A calda tinha uma aromatização que tomava conta da boca: canela? Algum álcool? Em teoria diria muito bem, na prática, facilmente briga com um dos 750 recheios disponíveis. Quanto à massa, continuo a observar que se procura suculência sacrificando tempo de cozedura, o que tem muitas desvantagens: o sabor da fermentação não se desenvolve (temos nota de cru, portanto), e a trinca torna-se tendencialmente elástica. É uma pena porque não achei o

Castro

Castro

4 out of 5 stars

Sou a considerar que o pastel de nata é das criações mais perfeitas da história da humanidade. Tendo a achar, inclusive, que um pastel de nata é sempre muito bom, até quando é muito mau. Isto foi uma tese científica que desenvolvi até, segundo o critério de falseabilidade de Popper, ter encontrado a sua refutação numa cidade onde todos os pastéis de nata eram incomestíveis, em consequência de uso abusivo de casca de limão, situação que acabou por praticamente espoletar em mim uma neurastenia.Facto é que, excepção essa, o pastel de nata é genericamente bem tratado pela produção semi-industrial, mais ou menos gourmetizada. Na Castro, mesmo ali à Rua Garrett, o ambiente procura mesclar um charme anos vinte do século passado com o voyeurismo castiço dos Pastéis de Belém, e uma elegante vidraça permite-nos observar o alvo lavor imaculado dos pasteleiros. Tudo muito a rigor, diga-se. Tudo, vá, menos aquele jazz softporn. E menos o anacronismo que me parece haver na concatenação dos factos: 1) toda a porcelana e vidro com filetagem e gravação do nome em dourado; e 2) o cliente ter de se levantar para pré-pagar e transportar o seu pedido para a mesa, por ausência de serviço de mesa para as três mesas do local. Insanáveis são as contradições da restauração urbana do século XXI. Quanto ao pastel (1,10€), o que mais nos importa, era belíssimo. Dei-lhe aquela apertadela-mola enquanto o segurava entre o polegar e o indicador, porque o barulho e a resistência do creme face ao movimento são

Pikocina

Pikocina

3 out of 5 stars

Devemos estar conscientes e eternamente agradecidos à Argentina por ser berço de duas das mais belas criações com que a humanidade conta agora para sua própria sublimação: Diego Maradona e doce de leite. É em Campo de Ourique que encontramos uma pequena catedral deste último, onde, em meia dúzia de solarengas mesas, nos podemos dedicar a devorar várias derivações de massas e construções onde esta pasta mágica é criativamente empregue pela tradição da pastelaria argentina. O que lá me levou foi a esperança de encontrar chocotorta, um dos meus doces favoritos. Trata-se de um bolo de bolachas de chocolate, embebidas em café, intercaladas com creme feito à base de doce de leite. Esta (4,50€) era bem mais escura e densa do que a que lembrava de outras paragens. Demorei a identificar os motivos da diferença. Não senti presença de café na humidade da bolacha e o creme não era trabalhado com a mistura típica de queijo creme, que confere uma acidez e leveza muito importantes. Este resultado, intenso, não deu asas à minha gula e impediu-me de passar da terceira garfada. Também não fiquei fã dos rolinhos de chocolate que guarneciam faustosamente a superfície da fatia: de qualidade modesta, mas em quantidade abundante, acabam por ocupar um espaço significativo de pouco deleite na trinca. Passei ao alfajor (1,35€), um doce composto por duas delicadas rodelas de massa, recheado por doce de leite e coberto por chocolate. Tem o tamanho e sabores ideais para suprir uma gula momentânea. Sendo

Bolo D'Oro

Bolo D'Oro

4 out of 5 stars

Finalmente, uma surpresa!Numa pequenina loja da discreta Rua do Forno do Tijolo, um aroma passeia-se das portas para fora, invocando, de imediato, as emoções de quem o sente e por ele se deixa levar. Eu deixei. No espaço, duas coisas entusiasmaram-me muito: uma zona de produção de pastelaria, onde filas e filas de forminhas faziam espera para marchar rumo ao forno; e uma montra puramente amorosa (lá se exibiam com brio, mas sem manias, os mesmos bolinhos, já prontos a encontrar a boca). O nome do estabelecimento é homónimo da criação que aqui se vende: uma única receita, com variações nas coberturas. O simpático rapaz que me recebeu, explicou-me que se trata de uma criação da avó – de nome Arminda, algarvia – feito à base de creme de pão. Fiquei intrigada. Décadas dedicadas a descobrir os doces sabores nacionais e nunca me tinham apresentado a este preparo. Não sei o que é, como se faz ou como se trabalha um creme de pão, mas o resultado é, mais que emocionante, emocional. É como se a tradição de doçaria portuguesa se encontrasse toda naquele pequeno. A comparação com o pastel de nata é imediata, até por causa do aspecto queimadinho e da forma, que é igual. Mas aqui não há lacticínios. O sabor, sendo bastante único, aproxima-se nalgumas notas das queijadas. O exterior é mais crocante, como uma massa areada de empada, muito, muito fininha. Sente-se logo um salgadinho certeiro. O creme é denso, mas não pesa. Passeia-se na boca e desce fácil e feliz. Ajuda ser muito equilibrado

Ceres Boulangerie

Ceres Boulangerie

2 out of 5 stars

Sem falsa contrição pascal vos digo que já não sei se o problema não é meu. Vejo-me acometida por uma falta de categorias para descrever estas realidades e acabo por laborar em questionamentos de hipóteses antipódicas: o que achar destes estabelecimentos de inspiração (inserir país do Centro/Norte europeu com mais ou menos tradição de pastelaria)? São pretensiosos ou o contrário? Querem muito ser alguma coisa ou são o que são? Isto pode parecer mera teorização fora do nosso objecto de análise mas, reparem, eu preciso de situar as minhas expectativas, que, sim, decorrem em larguíssima medida da proposta que me é feita por quem a faz. Costumamos chamar-lhe honestidade. Tratando nós, nesta semana, da visita a uma “Boulangerie”, qual é, por exemplo, o grau de frescura que devo exigir ao folhado – pináculo da proposta? Sabemos que estas massas têm uma resistência volátil às horas. Se Lisboa fosse Paris, isto não seria um problema, porque lá qualquer pâtisserie de esquina faz múltiplas fornadas ao dia: o afrouxamento das folhas não chega a ser uma questão. Mas Lisboa ainda é Lisboa – seja lá o que isso for – e, portanto, perguntava, o que devo esperar de um folhado num meio de tarde sabatina? Aceitar sem questionamentos de maior aquele pálido chausson de maçã (1,80€), sem crocância ou notas apuradas de manteiga folhada? Também o caracol de passas (1,80€) se apresentou mole, já embebido num discreto creme abaunilhado (saboroso e na quantidade certa para acamar as passas suculentas).

SMØR

SMØR

3 out of 5 stars

A história deste espaço começou ainda antes de Thaís Pires deixar o Brasil. Foi aqui que em 2019 João Luc e Catarina Terenas criaram o Miolo, o pequeno café com comida para todas as horas e que não tardou a ganhar um espaço maior no Castelo. Quem tiver conhecido o Miolo, perceberá que pouca coisa mudou no espaço. Continua um pequeno café bonito, de ambiente harmonioso, onde apetece entrar. O nome até pode ser dinamarquês, mas o que aqui se faz tem pouco de nórdico e muito de brasileiro. A SMØR é uma pastelaria artesanal e não faltam os brigadeiros de vários sabores aos brownies, que tanto podem ser simples como levar cobertura de brigadeiro, nido com nutella ou doce de leite, até aos croissants e bolos. E é nos bolos que Thaís é especialista. Para comer à fatia, há bolo do dia e bolo de coco, mas também há a mais-valia de haver sempre bolos maiores para levar para casa (perfeito para safar qualquer data que mereça um bolo que não foi encomendado a tempo). Sendo Thaís brasileira, não podia faltar aqui o famoso e guloso pão de queijo, embora de uma forma diferente do habitual. Em vez de uma pequena bolinha, o pão de queijo da SMØR tem a forma de uma waffle. E há ainda um pequeno menu brunch disponível todos os dias. Por 9€, inclui uma bebida quente, um sumo de laranja, um croissant, ovos mexidos e uma fatia do bolo do dia. Crítica Quando, em 1945, uma dedicada moça carioca inventava um docinho para animar a campanha presidencial do seu candidato – o brigadeiro Eduardo Gomes – e

Bread and Friends

Bread and Friends

4 out of 5 stars

A vista para a cozinha da Bread and Friends, no número 8 da Avenida Fontes Pereira de Melo, faz parar quem passa. É que o chef de padaria, Tiago Vaz, entra ao serviço pelas 03.30 (quatro horas antes do horário de abertura, às 07.30) e é possível vê-lo a trabalhar a partir da rua. Lá dentro, a paisagem estende-se, com uma das paredes em vidro. A ideia é tornar o processo totalmente transparente e convidar os clientes a acompanhar a produção, tanto do pão de fermentação longa como da pastelaria de assinatura. O conceito é do grupo Sana, que não se esqueceu do hábito bem português de beber café e apostou também numa máquina de torrefacção, instalada mesmo à entrada do espaço. Crítica E lá fui arrastada para mais um brunch dominical, num daqueles sítios que me arrepiam de caras: cá tínhamos mais um híbrido entre McDonald’s e lobby de hotel de 3 estrelas e meia, tudo assim muito a querer parecer sabe-se lá bem o quê. Em direcção à mesa, passei pela montra que olhei de soslaio, tentando não resvalar do meu desinteresse, mas logo fui impelida a analisá-la com genuína atenção: a oferta era muita, muitos clássicos da pastelaria francesa, muitos folhados bonitos, e pronto, também aquelas coisas de agora, uns inquietantes fulgores cromáticos. Na mesa aterraram umas quantas variedades. Atirei-me ao cruffin de doce de leite (2,50€). Que extraordinária criação! A parte exterior eram camadas folhadas tostadas, estaladiças, com aquele toque castanho da manteiga forneada. E mal se ultrapassa

Remi Coffee & Wine

Remi Coffee & Wine

3 out of 5 stars

Talvez o leitor se possa identificar com a minha obsessão pela culinária italiana (e italo-americana), que nos chegou através de pináculos da cultura pop como Os Sopranos e O Padrinho. Não raras vezes carregando símbolos outros – “Leave the gun, take the cannoli”, disse Clemenza a Rocco no filme de Francis Ford Coppola –, o cannoli desencadeava, além de fome, profundos debates filosóficos (prova derradeira de que vem tudo do mesmo sítio). Estas referências parecerão mais ou menos descontextualizadas, mas o que procuro explicar é, tão-só, que também nos sabores fundamos constantemente imaginários. Ignorando as demais opções, pedi um original e um de pistáchio (4€ cada). E uma sfogliatella (2,50€), sensibilizada que fiquei com aquele folhado. Trincar um cannoli é uma coisa bela porque, por mais delicado em que transformem o seu aspecto, este rolo está nos antípodas da sofisticação. A massa resistente, dura, obriga a que empreguemos força, força que determina esta relação: há uma espécie de dança dialética com o creme a fugir por alguma brecha entretanto aberta, para logo o tentarmos apanhar com uma ponta quebrada que sabe a ancestralidade. É quase natalícia, naquela fritura condimentada e escancarada, e que não queremos mais subtil. E depois o creme, denso, quase um queijo amanteigado. Ao de pistáchio, acresce uma generosa parte de creme do mesmo, gorduroso e fresco, e tudo muito doce, não desejei que fosse diferente. Infelizmente, a sfogliatella não foi assim feliz. Estava vel

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