A Felicidade das Pequenas Coisas

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2 /5 estrelas
A Felicidade das Pequenas Coisas

A Time Out diz

2 /5 estrelas

Só mesmo os italianos para representarem o Paraíso (ou a antecâmara do Paraíso) como uma gigantesca e caótica sala de espera da Função Pública, onde os recém-falecidos se aglomeram em confusão, gesticulando e barafustando com quem os atende. É o que descobre Paolo (o actor e realizador Pif, vulgo Pierfrancesco Diliberto), o herói de A Felicidade das Pequenas Coisas, de Daniele Luchetti, que morre quando a sua lambreta é colhida por uma carrinha num cruzamento em que passou um sinal vermelho, como costuma fazer habitualmente, e com enorme risco, num desafio diário ao cronómetro.

E quando a sua senha é chamada no Paraíso, o anjo que o atende descobre que houve um erro. O sistema informático que calcula a duração da vida das pessoas e determina a hora da sua morte não contabilizou os litros e litros de sumos saudáveis que Paolo tomou, pelo que houve um erro na hora da sua despedida do mundo: Paolo foi enviado para o Paraíso mais cedo do que devia. Por isso, é devolvido à Terra, e ao seio da família, com mais algum tempo de vida, pouco mais de hora e meia, e alguns bons conselhos para o aproveitar o melhor possível.

Nada do que se segue em A Felicidade das Pequena Coisas está à altura destes divertidos minutos iniciais. Luchetti, que escreveu o argumento em parceria com Francesco Piccolo, baseado no livro deste, pega em Paolo, um exemplo chapado do chamado “homem médio” e põe-no não só a tentar aproveitar o tempo que lhe resta para estar próximo da mulher, da filha adolescente e do filho mais novo, como também para passar em revista a sua vida, o que fez de bom e de menos bom com ela (descobrimos, por exemplo, que enganou a mulher várias vezes) e perceber a forma como os que lhe eram mais próximos o viam.

O filme transforma-se assim numa sucessão, temporalmente baralhada, de farrapos da vida de Paolo. Este toma consciência das suas falhas e insuficiências como marido, pai e amigo, revê alguns momentos de alegria e interroga-se sobre minúsculos enigmas do quotidiano (por exemplo, porque é que o primeiro táxi da fila numa praça nunca é na realidade o primeiro?), entre situações cómicas e dramáticas. E cuja coabitação Luchetti nem sempre gere bem, o que dá ao filme um tom incerto e errático.

Tudo isto para chegar à banalíssima, superficialíssima conclusão de que a felicidade reside essencialmente nas pequenas coisas da vida, que temos que valorizar como se fossem grandes e aproveitar o melhor que podemos, junto daqueles de quem mais gostamos. A Felicidade das Pequenas Coisas é uma historiazinha peso-pluma, canja de galinha emocional e existencial. E pensar que Daniele Luchetti já fez filmes relevantes como O Homem da Pasta, O Meu Irmão é Filho Único ou A Nossa Vida.

Por Eurico de Barros

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