Eurico de Barros

Eurico de Barros

Articles (570)

Os filmes em cartaz esta semana, de ‘A Morte de Robin Hood’ a ‘Toy Story 5’

Os filmes em cartaz esta semana, de ‘A Morte de Robin Hood’ a ‘Toy Story 5’

Tanto cinema, tão pouco tempo. Há filmes em cartaz para todos os gostos e de todos os feitios. Das estreias em cinema aos títulos que, semana após semana, continuam a fazer carreira nas salas. O que encontra abaixo é uma selecção dos filmes que pode ver no escurinho do cinema, que isto não dá para tudo. Há que fazer escolhas e assumi-las (coisa que fazemos, com mais profundidade nas críticas que pode ler mais abaixo nesta lista). Nas semanas em que há estreias importantes de longas-metragens no streaming, também é aqui que as encontra. Bons filmes. Recomendado: Os melhores filmes de 2025
As estreias de cinema para ver em Junho, de ‘O Dia da Revelação’ a ‘Supergirl’

As estreias de cinema para ver em Junho, de ‘O Dia da Revelação’ a ‘Supergirl’

O calendário de estreias de cinema é vasto e obriga a escolhas. Entre produções há muito esperadas, pérolas insuspeitas e títulos que chegam sem grande alarido, há muito para ver nas próximas semanas. Seleccionámos seis filmes que justificam a ida ao cinema em Abril. Se estes não lhe bastarem, pode sempre contar com propostas fora do circuito comercial: os festivais e ciclos de cinema em Lisboa continuam a dar personalidade, vanguarda e memória à agenda da cidade, onde não faltam salas de cinema entre as melhores do mundo e para todos os gostos. Recomendado: Os melhores filmes em cartaz esta semana
IndieLisboa 2026: 10 filmes a não perder no festival

IndieLisboa 2026: 10 filmes a não perder no festival

O 23.º IndieLisboa – Festival Internacional de Cinema de Lisboa decorre entre 30 de Abril e 10 de Maio, apresentando um total de 241 filmes nas habituais secções, entre curtas e longas-metragens, de ficção, documentais, de animação experimentais, com o selo do cinema independente. Destes, 29 serão vistos na Competição Nacional (oito longas e 21 curtas). A retrospectiva deste ano é dedicada ao Mockumentary, o documentário falso, simulado ou satírico, com o subtítulo Isto Não é Um Documentário. Para o ajudar a navegar num dos maiores festivais de cinema de Portugal, seleccionámos dez filmes imperdíveis. Espalhada por vários espaços da cidade, da Culturgest à Cinemateca, dos cinemas São Jorge, Fernando Lopes e Ideal à Piscina da Penha de França, a programação completa do IndieLisboa 2026 pode ser consultada aqui. Recomendado: IndieJúnior: seis motivos para levar a família toda ao cinema
Festa do Cinema Italiano: os melhores filmes em cartaz

Festa do Cinema Italiano: os melhores filmes em cartaz

É entre 9 e 19 de Abril que decorre a 19.ª edição da Festa do Cinema Italiano. Em Lisboa, a programação regressa aos cinemas São Jorge, UCI El Corte Inglês e à Cinemateca, com 12 filmes em antestreia nacional e um variado panorama do cinema italiano contemporâneo. O evento assinala os 50 anos da morte de Pasolini com o ciclo Pier Paolo Pasolini – Raridades, assim como da inesquecível comédia Feios, Porcos e Maus. Claudia Cardinale, que morreu em 2025, é homenageada. Na secção Cinema Transfronteiriço, está em destaque a Eslovénia. Entre os eventos paralelos, contam-se uma oficina criativa para crianças destinada à criação de cartazes de cinema, stand-up comedy italiana, colóquios ou conversas com convidados. Haverá também as habituais extensões a uma série de cidades, começando pelo Porto, de 9 a 11 de Abril. Seleccionámos seis fitas e uma retrospectiva de entre toda a oferta. A programação completa e demais informações podem ser consultadas aqui. Recomendado: O roteiro dos melhores festivais e ciclos de cinema em Lisboa
Erros que ficaram para a história na entrega dos Óscares

Erros que ficaram para a história na entrega dos Óscares

A cerimónia dos Óscares não é perfeita e também se faz de falhas e erros. A mais recente, e provavelmente a mais grave, aconteceu em 2017, quando houve uma troca de envelope na entrega do prémio de Melhor Filme. O erro demorou a ser corrigido e só quando a equipa de La La Land – A Melodia do Amor já estava em palco, com os discursos de agradecimento a decorrer, é que se percebeu que o verdadeiro vencedor era Moonlight. Ao longo dos anos, porém, não foi caso único. Entre trocas de nomes e momentos insólitos – incluindo um homem nu em palco –, a cerimónia soma vários episódios embaraçosos. Recomendado: Os filmes com nomeações aos Óscares que pode ver em casa
As actrizes e os actores com mais Óscares

As actrizes e os actores com mais Óscares

Desde a primeira cerimónia dos Óscares, em 1929, centenas de actores e actrizes receberam a prestigiada estatueta dourada. No entanto, repetir o feito é bem mais raro: pouco mais de quatro dezenas de intérpretes conseguiram duas vitórias ao longo da carreira. Ultrapassar esse número é ainda mais excepcional. Katharine Hepburn continua a ser a mais premiada de sempre, com quatro Óscares de Melhor Actriz, conquistados entre 1934 e 1982. Logo atrás surgem Frances McDormand, Daniel Day-Lewis, Meryl Streep, Jack Nicholson, Ingrid Bergman e Walter Brennan. A lista pode crescer já na cerimónia de 2026, caso Sean Penn (Batalha Atrás de Batalha) e Emma Stone (Bugonia) vençam nas respectivas categorias. Recomendado: Os filmes que ganharam mais Óscares
As únicas comédias que ganharam o Óscar de Melhor Filme

As únicas comédias que ganharam o Óscar de Melhor Filme

Tal como a maior parte das cerimónias de prémios, os Óscares tendem a privilegiar um certo tipo de filmes – mais sérios, por assim dizer – em detrimento de quase tudo o resto. Embora haja sempre excepções, as comédias raramente estão nas boas graças da Academia de Hollywood. Uma tendência que foi recentemente contrariada, em 2025, graças a Anora. De resto, ao longo dos anos, só oito filmes cómicos levaram para casa o cobiçado Óscar de Melhor Filme. Frank Capra, Leo McCarey, Billy Wilder, Tony Richardson, Woody Allen, a dupla Daniel Kwan e Daniel Scheinert, e Sean Baker foram os realizadores dos filmes premiados. Recomendado: Os filmes que ganharam mais Óscares
Grandes actrizes e actores que nunca ganharam o Óscar

Grandes actrizes e actores que nunca ganharam o Óscar

Hollywood continua a ser implacável com algumas das caras mais conhecidas do cinema. Timothée Chalamet, a jovem coqueluche da indústria, espera conseguir contrariar a tendência este ano. Na cidade dos anjos contam-se histórias que traduzem amores e desamores da condição humana, histórias de força e superação, histórias de desastre e redenção, para que nos seja possível suportar a existência. Mas, no fim, há mais em jogo do que uma linha que nos estremece ou um monólogo que nos acompanha como bíblia para o resto dos dias. A estatueta dourada é a bitola que separa o que é bom do que é divino, mas nem sempre é consensual. Esta é a lista das actrizes e dos actores que nunca ganharam o Óscar. Recomendado: As actrizes e os actores com mais Óscares
Um ano doce: as melhores séries portuguesas de 2021

Um ano doce: as melhores séries portuguesas de 2021

O ano de 2021 foi marcado pela produção da primeira série portuguesa para a Netflix, Glória, uma história de espionagem passada em Portugal no tempo da Guerra Fria e antes do 25 de Abril. Não foi a única. Houve outras séries que se destacaram na produção nacional, mostrando que o investimento na ficção televisiva e para streaming começa a apresentar resultados apreciáveis, com a RTP a funcionar como catalisador na maior parte dos casos. Ainda assim, continuam a estrear-se muitos títulos medíocres ou esquecíveis. Pesando prós e contras, estas são as melhores séries portuguesas exibidas este ano. Recomendado: As melhores séries do momento
Os filmes que ganharam mais Óscares (e onde os ver)

Os filmes que ganharam mais Óscares (e onde os ver)

Ben-Hur, Titanic e a terceira parte da trilogia O Senhor dos Anéis lideram a lista dos filmes com mais estatuetas douradas na história dos Óscares, cada um com 11 prémios. A versão de 1961 de West Side Story – Amor sem Barreiras, distinguida com dez, é outro dos filmes em destaque. Apesar de hoje em dia a Academia optar por dividir os prémios por várias produções –, existem títulos que, teoricamente, podem ultrapassar o recorde em 2026. Pecadores fez história ao tornar-se o filme com mais nomeações de sempre (16). O que não quer dizer nada: nem sempre os filmes com mais nomeações são os que saem da cerimónia com mais prémios. Outros filmes com oportunidade para entrar neste top incluem Batalha Atrás de Batalha (13 nomeações), Frankenstein, Marty Supreme e Valor Sentimental (todos com nove). Recomendado: Todos os filmes com nomeações aos Óscares que pode ver em casa
Os 26 filmes que nos vão levar ao cinema este ano

Os 26 filmes que nos vão levar ao cinema este ano

A televisão foi a primeira grande culpada. Depois vieram os clubes de vídeo, os VHS e os DVD, a pirataria na internet. Agora é o streaming. Há mais de 60 anos que a queda no número de espectadores nas salas de cinema gera preocupações, dilemas e estratégias para a combater. Nem todas funcionam. Por cá, propomos a única solução ao nosso alcance: sugerir bons filmes. Pelo menos, filmes que queremos ver. Até ao final do ano, haverá muito mais, mas destacamos 26 longas-metragens que chegam aos cinemas em 2026. Do cinema independente aos grandes blockbusters, há espaço para todos. Estas são as estreias de cinema a não perder. Recomendado: Os melhores filmes de 2025
Os piores e mais estranhos filmes com o Pai Natal

Os piores e mais estranhos filmes com o Pai Natal

Toda a gente conhece filmes de Natal clássicos e reconfortantes, com o Pai Natal no papel de herói. Esta lista vai noutra direcção: reúne alguns dos piores e mais estranhos filmes alguma vez feitos com o bom velhinho no centro da acção. Produções falhadas, ideias absurdas e execuções desastrosas que, em muitos casos, acabaram por ganhar estatuto de culto precisamente por serem tão más. Há demónios, marcianos, wrestlers, fadas, canções embaraçosas e muita falta de noção. Para os mais curiosos, há ainda uma boa notícia: a maioria destes filmes pode ser vista gratuitamente no YouTube. Recomendado: Os melhores filmes de Natal para ver em família

Listings and reviews (1202)

Toy Story 5

Toy Story 5

4 out of 5 stars
Tal como a Pixar não previa fazer Toy Story 4 (Quentin Tarantino chamou aos três primeiros filmes da série “talvez a mais perfeita trilogia da história do cinema”), também Toy Story 5 não estava inicialmente nos planos da produtora, cujos responsáveis queriam então centrar-se apenas em títulos originais. Mas a verdade é que logo em 2019, o ano da estreia de Toy Story 4, começou logo a falar-se na possibilidade de a saga dos brinquedos mais populares do mundo ser continuada em mais uma fita. Até que em 2023 a Pixar confirmou que haveria um Toy Story 5 e que Tom Hanks e Tim Allen voltariam a ser as vozes de Woody e de Buzz Lightyear, com Andrew Stanton a realizar e a assinar (mais uma vez) o argumento, em parceria com McKenna Harris. A Pixar não poupou em nada para pôr Toy Story 5 de pé, nem na tecnologia informática de animação, tendo sido usada a mais avançada disponível (foi posto de parte o recurso à Inteligência Artificial, apesar do estúdio ter já feito algumas experiências neste domínio, segundo revelou Thomas Jordan, o coordenador de efeitos visuais da produção), bem como alguns inovações do seu sistema de animação em 3D do filme anterior, Saltitões; nem no orçamento, que atingiu a impressionante soma de 250 milhões de dólares, tornando este quinto Toy Story num dos filmes mais caros de toda a história do cinema animado.  Ao longo destas três décadas, os brinquedos de Toy Story já passaram por muitos perigos e enfrentaram muitas situações difíceis. Em Toy Story 5, eles
18 Buracos para o Paraíso

18 Buracos para o Paraíso

João Nuno Pinto (Mosquito) ambienta 18 Buracos para o Paraíso no Alentejo, durante um Verão escaldante, em que uma família quer vender a improdutiva propriedade herdada do pai. Com Margarida Marinho, Beatriz Batarda e Rita Cabaço.
Pai Nosso: Os Último Dias de Salazar

Pai Nosso: Os Último Dias de Salazar

José Filipe Costa recria, entre o realista e o surreal, os tempos que Salazar (Jorge Mota) passou em São Bento após ter caído da cadeira e tido um AVC, desconhecendo, até morrer, que já não era presidente do Conselho. Todos os que o rodeavam e visitavam ainda se comportavam como se assim fosse.
Uma Mãe e o Seu Filho

Uma Mãe e o Seu Filho

Realizado por Saeed Roustayi, autor de A Lei de Teerão e Leila e os Irmãos, Uma Mãe e o Seu Filho põe em cena uma enfermeira de 40 anos, viúva e com um filho adolescente problemático e uma filha mais pequena, que vê o noivo, um paramédico, trocá-la pela sua irmã mais nova. É então que se dá um trágico acidente envolvendo o rapaz, que pouco antes tinha sido expulso da escola.
O Dia da Revelação

O Dia da Revelação

Steven Spielberg ambienta O Dia da Revelação num mundo à beira da II Guerra Mundial e onde um perito em cibersegurança e génio da matemática quer revelar um segredo sobre vida extraterrestre e visitas de alienígenas à Terra que roubou a empresa ultra-secreta em que trabalhava, e que pode mudar para sempre o destino da humanidade. O enredo envolve também o director daquela empresa, que quer capturar o seu ex-funcionário dê por onde der, e uma apresentadora de meteorologia da televisão, que descobre ter dotes aparentemente sobrenaturais. Com Josh O’Connor, Emily Blunt e Colin Firth.
Scary Movie: What's Up?

Scary Movie: What's Up?

O novo título da série satírica Scary Movie traz de volta Anna Faris, Marlon Wayans, Shawn Wayans, Regina Hall e muitos outros, para mais um gozo pegado (e com os inevitáveis gags de deliberado mau gosto) ao cinema de terror e aos seus reboots, remakes, prequels, spin-offs e outros. 
Masters of the Universe

Masters of the Universe

Continuação do filme de 1987 que tinha Dolph Lundgren no papel de He-Man, o homem mais poderoso do universo, e que aqui é substituído por Nicholas Galitzine. Quinze anos depois, a Espada do Poder conduz o príncipe Adam de volta a um planeta Eternia devastado por Skeletor. Também com Jared Leto, Idris Elba, Camila Mendes e Morena Baccarin.
Backrooms – O Labirinto

Backrooms – O Labirinto

3 out of 5 stars
Kane Parsons transpõe para o cinema, num filme de longa-metragem e com produção da A24, o fenómeno de terror que criou na Internet – baseado numa creepypasta que se tornou viral há alguns anos –, numa série de curtas-metragens, que por esta altura somam já quase três horas de duração e podem ser vistas no YouTube. Um arquitecto falhado (Chiwetel Ejiofor) que dirige uma loja de mobiliário falida onde mora  por se ter separado da mulher, descobre, na cave daquela uma entrada para o universo paralelo dos backrooms, uma sucessão aparentemente infindável de salas (vazias ou não), e pelas quais vagueia uma presença inquietante. Também com Renate Reinsve no papel da psiquiatra do arquitecto, que o segue na exploração da dimensão paralela descoberta. Parsons dá mais nexo, consistência narrativa e uma explicação mais clara ao inquietante e labiríntico universo das suas curtas, embora à custa da perda de algum do mistério e do denso clima de suspense existente nestas.
Star Wars: The Mandalorian and Grogu

Star Wars: The Mandalorian and Grogu

3 out of 5 stars
Em vez de uma nova temporada da série The Mandalorian, a Disney optou, devido à greve de argumentistas e actores de Hollywood de 2023, por fazer um filme de longa-metragem com as personagens do Mandalorian (Pedro Pascal) e do seu aprendiz Grogu, entregando a realização a Jon Favreau. Em Star Wars: The Mandalorian and Grogu, a Nova República recorre aos serviços de Din Djarin, o Mandalorian, e do pequeno Grogu, a seguir à queda do Império Galáctico e numa altura em que alguns senhores da guerra imperiais restantes ameaçam a galáxia. A missão: capturar um destes e salvar um dos membros da cruel e traiçoeira família Hutt, que ele tem em cativeiro. Star Wars: The Mandalorian and Grogu, é, basicamente, uma combinação de elementos e situações de alguns episódios da série de streaming, e o resultado é uma movimentadíssima space opera sem outras pretensões do que a de entreter durante um par de horas – e felizmente livre das arengas pseudo-místicas de outros filmes ou séries da saga Star Wars. Sigourney Weaver aparece no papel de uma oficial da Nova República e Martin Scorsese tem uma breve participação, dando a voz a uma criatura de características simiescas que tem uma rulote de comida e fala pelos cotovelos.
Águias da República

Águias da República

3 out of 5 stars
George Fahmy (Fares Fares), o protagonista de As Águias da República, de Tarik Saleh, é o mais popular actor do Egipto, de tal forma que é conhecido como “O Faraó do ecrã”. Fahmy tem tudo: fama, fortuna, privilégios de “estrela”, a admiração do país em peso, dos mais humildes aos mais poderosos, um agente que lhe faz todas as vontades, um apartamento luxuoso, uma namorada, também actriz, bastante mais nova do que ele, e controlo absoluto sobre os filmes que faz. Mas nem tudo são rosas na sua vida. Fahmy está divorciado da mulher, que vive com o filho adolescente de ambos, para o qual tem muito pouco tempo, o que tenta compensar dando-lhe presentes caros e vistosos, como o relógio que acaba de comprar para lhe oferecer nos anos. O actor acabou de rodar mais um filme e, juntamente com o realizador, está a tentar fazê-lo passar pelos censores (todos mulheres, e muito sisudas e exigentes) sem ser preciso cortar nem refilmar nada, e já a preparar a próxima produção. Uma noite, quando está num bar com a namorada, um pequeno grupo de pessoas de aspecto sofisticado interroga-o sobre o seu patriotismo e a sua lealdade ao Presidente da República, Abdel al-Sisi. Fahmi, que é cristão copta e não muçulmano, responde com humor e sarcasmo, pensando tratar-se apenas de uma brincadeira de mau gosto, e vai-se embora. A partir daí, tudo muda na sua vida. É retirado do filme que ia protagonizar e substituído por um actor de menor valia, a sua imponente caravana é removida do estúdio e o seu agen
Divina Comédia

Divina Comédia

3 out of 5 stars
Comédia satírica do realizador iraniano Ali Asgari, centrada num cineasta e na sua produtora que, após não conseguirem a obrigatória autorização das autoridades culturais para estrearem o seu novo filme, dado que é falado em turco e não em farsi, vão tentar exibi-lo sem terem a licença oficial. Um risco para eles, bem como para quem aceder a ajudá-los. E não vai ser nada fácil concretizar este plano. Pondo um colega realizador que já foi censurado e a sua sobrinha, uma jovem actriz que está proibida de trabalhar há alguns anos pelo Ministério da Cultura, mas não fez caso desta interdição, nos papéis principais de Divina Comédia, Ali Asgari assina um filme sobre os constrangimentos, a estupidez gritante e os absurdos da burocracia e da censura no Irão, ao mesmo tempo que pisca o olho ao cinema de realizadores como Woody Allen ou Nanni Moretti.
O Diabo Veste Prada 2

O Diabo Veste Prada 2

3 out of 5 stars
Vinte anos depois do primeiro filme, Meryl Streep e Anne Hathaway estão de regresso aos papéis de Miranda e Andy, tal como Stanley Tucci ao de Nigel. Emily (Emily Blunt), a antiga assistente de Miranda, é agora a influente executiva de uma grande marca de produtos de luxo, o tipo de anunciante que Miranda precisa para salvar a Runway, a prestigiada revista que dirige e que está em declínio de tiragens, vendas e influência, e sob o efeito negativo de um artigo desleixado que desencadeou uma onda de críticas e de troça nas redes sociais. Entra então em cena Andy, agora uma jornalista de renome, nomeada editora de reportagens pelo proprietário, para ajudar a melhorar a situação e a imagem da publicação. O realizador David Frankel e a argumentista Aline Brosh McKenna conseguem um filme melhor do que o original, mantendo o registo de comédia sofisticada e satírica, e incorporando na história, mesmo que com ligeireza, o tema da crise dos media tradicionais, em especial da imprensa escrita, e do advento e crescente influência da internet, do digital e das redes sociais. Os actores, todos impecáveis, fazem o resto, e é uma delícia ver Meryl Streep divertir-se a interpretar uma Miranda que agora tem que pendurar ela o casaco quando chega à revista e que voar em Económica.

News (467)

‘Dois Procuradores’: dentro da máquina trituradora do terror estalinista

‘Dois Procuradores’: dentro da máquina trituradora do terror estalinista

Em 2018, o realizador ucraniano Sergei Loznitsa fez um documentário intitulado Process, composto por imagens de arquivo e referente a um processo-fantoche em que o Estado soviético julgou e condenou um grupo de engenheiros, economistas e pessoas ligadas à indústria, acusadas de sabotagem e de planearem um golpe contra o poder estabelecido (as acusações eram todas fabricadas, e os réus estavam condenados à morte logo à partida). Do lado da acusação estava, entre outros, o temível Andrei Vishinsky, então presidente do Supremo Tribunal da União Soviética, e que anos depois chegaria a procurador-geral do país. Este documentário forma agora um díptico com Dois Procuradores, o novo filme de Loznitsa, e a sua primeira longa-metragem de ficção desde Donbass, de 2018, que esteve na Competição Oficial do Festival de Cannes do ano passado. E o citado Andrei Vishinsky volta a aparecer, desta feita interpretado por um actor. A história de Dois Procuradores foi inspirada por uma novela do escritor e cientista Georgy Demidov escrita em 1969. Demidov foi preso em 1938 e esteve internado num dos campos do Gulag durante 14 anos, e até à sua morte, em 1987, nunca deixou de ser vigiado pelo governo soviético e de ser regularmente importunado pelo KGB. O filme passa-se em 1937, quando as purgas estalinistas do Grande Terror estavam no auge. O protagonista é Kornyev (Aleksandr Kuznetsov), um jovem procurador de província recém-nomeado para o cargo, e que é um bolchevique convicto, mas também um ju
‘O Dia da Revelação’: Spielberg acredita mesmo em extraterrestres

‘O Dia da Revelação’: Spielberg acredita mesmo em extraterrestres

Passaram 49 anos sobre a estreia de Encontros Imediatos do Terceiro Grau, e 42 sobre a de E.T. – O Extraterrestre, e Steven Spielberg acredita, mais do que nunca, em ovnis e em extraterrestres. E volta a usá-los como matéria narrativa em O Dia da Revelação, a sua nova superprodução de ficção científica, que se estreia no dia 11 de Junho. Um filme com argumento do veterano David Koepp, seu colaborador de longa data (recordemos Parque Jurássico, A Guerra dos Mundos ou Indiana Jones e o Marcador do Destino), assente numa história escrita pelo realizador. E para o qual Koepp escreveu 42 rascunhos, o que constitui um recorde na sua já longa carreira de guionista. Numa entrevista dada ao número de Junho da revista francesa Première, Steven Spielberg disse, com toda a clareza: “Eu acredito [na vida extraterrestres]. Acredito mesmo. Nunca vi nenhum OVNI nem nenhum UAP (Unidentified Aerial Phenomenon), mesmo que tenha sempre sonhado com isso. Aliás, sempre achei bastante injusto que a pessoa que realizou Encontros Imediatos do Terceiro Grau e E.T. nunca tenha tido a oportunidade de ter um encontro do primeiro tipo digno desse nome! [Risos.] Dito isto, provas circunstanciais, elementos aos quais toda a gente tem hoje acesso, permitem-me dizer que pelo menos há 80 anos, fomos descobertos por uma espécie de um outro mundo, uma inteligência não-humana que interage connosco desde então nos ares e sob os mares”. O realizador acrescentou ainda que em O Dia da Revelação, tudo é “especulação c
O Pátio das Antigas: Estúdio do Império, a sala “arte e ensaio” pioneira

O Pátio das Antigas: Estúdio do Império, a sala “arte e ensaio” pioneira

Inaugurado em 1964 com Os Chapéus de Chuva de Cherburgo, de Jacques Demy, o Estúdio do Cinema Império (que havia aberto as portas 12 anos antes, em 1952), foi a primeira sala-estúdio, ou de cinema de “arte e ensaio”, de Lisboa, tendo aproveitado a alteração da lei municipal efectuada em 1959, que passava a autorizar a construção de pequenos cinemas nos prédios de habitação e comércio da capital. O Estúdio “nasceu” por cima do segundo balcão do Império, no lugar onde havia originalmente um bar, e tinha 243 lugares. O lado direito da sala, que dava para a Alameda Afonso Henriques, era totalmente envidraçado, e quando as sessões começavam era accionada uma espessa cortina deslizante que cortava por completo a luz exterior.  No início, algumas pessoas, habituadas às espaçosas “catedrais do cinema” de Lisboa, como o Monumental, o São Jorge ou o próprio Império, queixaram-se de algum desconforto e mesmo de claustrofobia, mas o Estúdio depressa vingou junto dos espectadores, para o que contribuiu a sua programação de filmes então ditos “difíceis”, ao gosto de um público mais militantemente cinéfilo. Foi o caso dos de Ingmar Bergman, que ali eram estreados com regularidade e faziam lotações esgotadas, ou de Jean-Luc Godard, e também títulos portugueses como Uma Abelha na Chuva, de Fernando Lopes. O Estúdio fechou as portas ao mesmo tempo que o Império, a 31 de Dezembro de 1983. Coisas e loisas de outras eras + O teatro que tinha um túnel secreto + As longas noites do Porão da Nau + S
‘Backrooms – O Labirinto’: os infindáveis espaços do terror

‘Backrooms – O Labirinto’: os infindáveis espaços do terror

Clark (Chiwetel Ejiofor), o herói de Backrooms – O Labirinto, de Kane Parsons, não podia estar mais na mó de baixo. É um arquitecto frustrado que não arranja emprego na sua profissão e que abriu uma loja de móveis para conseguir pagar as contas. Só que os clientes escasseiam e Clark, que se separou da mulher e saiu de casa, ficou reduzido a viver na loja. Está também a consultar uma psicanalista, Mary (Renate Reinsve), mas as sessões que tem com ela não parecem dar resultados concretos. E como se tudo isto não fosse suficiente, a loja está com problemas eléctricos. As luzes apagam-se e acendem-se de repente, em especial à noite, quando Clark está a ver televisão, e o electricista não percebe onde está a avaria. Um dia, Clark está na cave, junto ao quadro eléctrico, a tentar ver o que se passa com a iluminação da loja, que está de novo a falhar, quando, para seu enorme espanto, atravessa uma das paredes e vai dar ao que parece ser uma sala da loja ao lado da sua. Mas não é. Clark começa a explorar esse espaço e descobre que se trata de uma outra e muito estranha dimensão paralela à nossa, em que as salas se sucedem, umas vazias, outras com móveis ou outros objectos, outras ainda com escritos nas paredes. Clark não encontra ninguém, mas a certa altura dá-se conta de uma estranha e pouco nítida presença, que o enche de medo e o faz voltar à cave da sua loja, aterrorizado.  Clark vai logo contar a Mary que descobriu esta labiríntica e inquietante dimensão, mas ela não acredita, e
‘Star Wars: Mandalorian e Grogu’ – a aventura continua, agora no cinema

‘Star Wars: Mandalorian e Grogu’ – a aventura continua, agora no cinema

Se não tivesse sido uma greve, a série Guerra das Estrelas teria continuado sem ter uma longa-metragem desde Star Wars: Episódio IX – A Ascensão de Skywalker, realizada por J. J. Abrams em 2019; um filme desta saga nunca teria sido rodado inteiramente na Califórnia, em vez de andar por outros estados dos EUA e por países estrangeiros: e as personagens do Mandalorian e de Grogu não teriam passado do streaming e da televisão para o grande ecrã. É, assim, a um enorme litígio laboral ocorrido em Hollywood em 2023 que os fãs do universo de Guerra das Estrelas devem Star Wars: Mandalorian e Grogu, de Jon Favreau, que tem estreia em Portugal marcada para dia 21 de Maio. Em Fevereiro desse ano, Favreau, Dave Filoni e Noah Kloor tinham acabado de escrever a quarta temporada da série The Mandalorian, da Disney+ (a primeira de imagem real de Guerra das Estrelas, já que até aí apenas tinham sido feitas séries de animação). Mas a produção teve que ser suspensa por causa das graves e longas disputas laborais que atingiram a produção cinematográfica e televisiva nos EUA entre Maio e Novembro, quando os sindicatos do argumentistas e dos actores entraram em greve em simultâneo (o fenómeno ficou conhecida pela “Greve Dupla de Hollywood”, como os media então a baptizaram), apenas a segunda vez que tal sucedeu na história desta indústria (a primeira havia sido em 1960).   O início da rodagem desta quarta temporada de The Mandalorian estava marcado para Setembro de 2023, mas com a greve a prolong
‘As Ovelhas Detectives’: o rebanho investiga o assassínio do seu pastor

‘As Ovelhas Detectives’: o rebanho investiga o assassínio do seu pastor

A literatura policial já nos deu todo o tipo de detectives, policiais e particulares, mas nunca animais. Muito menos ovelhas. Isto até que, em 2005, a escritora policial alemã Leonie Swann publicou um livro chamado Three Bags Full: A Sheep Detective Story (título inglês, Glennkill: Ein Schafskrimi no original germânico). A história passa-se em Glennkill, na Irlanda, onde um pastor chamado George Glenn tem o hábito de ler livros todas as noites às ovelhas do seu rebanho. Um dia, George é encontrado assassinado e as ovelhas decidem investigar por conta própria e encontrar o criminoso. Os animais percebem o que os humanos dizem (até mesmo George o ignorava), mas não conseguem comunicar com eles, o que, naturalmente, complica a sua acção detectivesca. (Pormenor saboroso: uma das ovelhas chama-se Miss Maple, em homenagem à idosa mas argutíssima detective amadora criada por Agatha Christie). O livro foi um sucesso doméstico e internacional, tendo sido traduzido em 30 línguas até agora (embora ainda não para português). Em 2010, Swann escreveu uma continuação, Garou, publicada o ano passado em inglês com o título Big Bad Wool. A veterana produtora americana Lindsay Doran leu o primeiro livro pouco depois de ter sido traduzido em inglês, gostou muito e passou-o ao argumentista e realizador Craig Mazin (A Ressaca Parte II, Chernobyl) para o transformar num guião. No entanto, Doran apenas conseguiu adquirir os direitos para cinema de Three Bags Full: A Sheep Detective Story vários anos
O Pátio das Antigas: O teatro que tinha um túnel secreto

O Pátio das Antigas: O teatro que tinha um túnel secreto

Construído em 1888 num terreno entre o final da Avenida da Liberdade e a Rua dos Condes, onde se tinham erguido o Teatro Chalet e antes deste o Teatro da Rua dos Condes, e financiado pelo riquíssimo Francisco Grandella, o futuro dono dos Armazéns Grandella, o Teatro Novo da Rua dos Condes contrastava com os seus dois antecessores por apresentar uma programação mais cuidada e variada, e ser “muito fresco, muito elegante e muito aceado”, como então escreveu o dramaturgo, escritor e jornalista Gervásio Lobato. A abertura do Teatro Novo da Rua dos Condes teve honras de monólogo interpretado pelo lendário actor Taborda, e na cave do edifício havia um restaurante onde se reunia o grupo maçónico Os Makavenkos, fundado pelo mesmo Francisco Grandella, e do qual faziam parte, entre outros, Rafael Bordalo Pinheiro e Bulhão Pato. Foi lá que se conspirou contra a monarquia e preparou a revolução de 5 de Outubro de 1910. Este restaurante comunicava com o restaurante Abadia, aberto em 1917 nas caves do Palácio Foz, por meio de um túnel secreto, e nele os Makavenkos também se juntavam para comer e conviver. O túnel seria destruído, meio século mais tarde, pelas obras do Metro. Em 1915, e após sofrer obras, o Teatro Novo da Rua dos Condes passou a Cinema Condes. Foi demolido em 1951, para dar lugar ao novo Cinema Condes, que fecharia em 1997. Hoje está lá o Hard-Rock Café. Coisas e loisas de outras eras + As longas noites do Porão da Nau + Star, o cinema das cadeiras como nuvens + Cafés e chá
‘Good Boy – Terapia de Choque’: um genuíno OVNI cinematográfico

‘Good Boy – Terapia de Choque’: um genuíno OVNI cinematográfico

Há filmes que aparecem de vez em quando (embora cada vez menos) que parece que foram metidos numa máquina do tempo no passado e enviados para serem vistos na nossa época. Good Boy – Terapia de Choque, do polaco Jan Komasa, rodado na Polónia e em Inglaterra, é um desses filmes. Ajudará talvez dizermos que por trás dele está o veterano dramaturgo, actor e realizador polaco Jerzy Skolimowski, um dos nomes maiores do cinema de Leste. Quase à beira dos 90 anos e ainda activo, Skolimowski é o autor de fitas como Adolescente Perversa, O Uivo (um dos filmes de culto da década de 70), Moonlighting, Quatro Noites com Ana ou EO, Prémio do Júri do Festival de Cannes em 2022.  Good Boy – Terapia de Choque aparenta ter vindo directamente desses anos 70 abundantes em fitas originais, inquietantes, fora dos formatos convencionais, que desafiavam rótulos e classificações, e fugiam a identificações com tendências, escolas ou géneros bem específicos. O polaco Jan Komasa é o autor do muito bom Corpus Christi – A Redenção (2019), nomeado ao Óscar de Melhor Filme Internacional, sobre um jovem delinquente que sente uma vocação espiritual e vai para uma aldeia onde finge ser padre; ou do menos conseguido Anniversary – Mudança Radical, um thriller político rodado nos EUA. Foi o seu compatriota Skolimowski quem o abordou para lhe oferecer o argumento de Good Boy – Terapia de Choque, após ter visto, precisamente, Corpus Christi – A Redenção. Juntamente com Jeremy Thomas, Jerzy Skolimowski é também o pr
O Pátio das Antigas: As longas noites do Porão da Nau

O Pátio das Antigas: As longas noites do Porão da Nau

Charles Aznavour, Rita Pavone e Sammy Davis Jr., Adamo e Ella Fitzgerald, Art Blakey, Louis Armstrong e Sylvie Vartan, todos eles visitaram o Porão da Nau, uma das mais lendárias boates de Lisboa, levados por Vasco Morgado após actuarem no Monumental, que ficava mesmo ali ao lado. Inaugurada nos anos 60, com decoração a cargo de Octávio Clérigo, que reproduziu o interior de uma nau antiga, com modelos de canhões, os respectivos projécteis e tudo, o Porão da Nau ficava na cave de um prédio, no gaveto entre a Avenida Fontes Pereira de Melo e a Rua Pinheiro Chagas. Ponto de encontro de meia Lisboa, era frequentada por cidadãos anónimos, boémios e jornalistas, gente do teatro, da rádio, da televisão e da canção, futebolistas (Eusébio era um dos clientes habituais), músicos e actores, e muitos outros noctívagos, no tempo em que os jornais matutinos fechavam às duas da manhã e depois do cinema e do teatro se ia cear e beber um copo a uma boate. A banda residente era o Thilo’s Combo de Thilo Krasmann, e o Rádio Clube Português fez de lá várias emissões em directo. Por cima, ao nível da rua, havia um restaurante, O Convés, o primeiro a servir pizza em Portugal. Alguns anos após o 25 de Abril, o Porão da Nau transformou-se numa discoteca para a juventude de tarde, funcionando como clube de strip à noite. Encerrou na década de 90 e o prédio está hoje entaipado e devoluto. Coisas e loisas de outras eras + Star, o cinema das cadeiras como nuvens + Cafés e chás é na Mariazinha há quase 10
‘Projecto Hail Mary’: perdido no espaço e sem memória

‘Projecto Hail Mary’: perdido no espaço e sem memória

O cinema de ficção científica está cheio de astronautas perdidos no espaço, sozinhos ou em equipa, mas foi na televisão que apareceu o primeiro título memorável sobre o tema, com a série Lost in Space (1965-1968), produzida por Irwin Allen. Inspirada no clássico da literatura juvenil A Família Robinson Suíça, escrito em 1812 por Johann David Wyss, Lost in Space põe em cena os Robinsons, uma família de colonos espaciais que fica perdida no cosmos após um acidente causado por um sabotador, e vai protagonizar uma série de aventuras, ao mesmo tempo que procura sobreviver nas profundezas do espaço sideral. Em 1998, Stephen Hopkins assinou uma versão para cinema, Perdidos no Espaço, e a série teve dois remakes televisivos no nosso século, The Robinsons: Lost in Space (2004) e Lost in Space (2018). Entre os vários filmes que glosam este mesmo tema, de forma mais realista e com preocupações de rigor científico, ou dando asas à especulação e incluindo elementos extraterrestres, podemos citar Perdidos no Espaço, de John Sturges (1969), Missão a Marte, de Brian De Palma (2000), Stranded, de Maria Lidón (2001), que conta com Joaquim de Almeida no elenco, Pandorum – Universo Paralelo, de Christian Alvart (2009), Relatório Europa, de Sebastián Cordero (2013), Interstellar, de Christopher Nolan (2014), Passageiros, de Morten Tyldum (2016), ou Perdido em Marte, de Ridley Scott (2015), este baseado no livro The Martian, de Andy Weir (publicado em Portugal como O Marciano). É precisamente nout
O Pátio das Antigas: Star, o cinema das cadeiras como nuvens

O Pátio das Antigas: Star, o cinema das cadeiras como nuvens

“É como se estivéssemos sentados numa nuvem”, dizia um espectador do Cinema Star sobre as suas cadeiras a um jornalista de um vespertino no dia da inauguração da sala, que ficava na Avenida Guerra Junqueiro e abriu em 1975 com O Gato, o Medo, o Rato e o Amor, de Claude Lelouch. O qual, alguns anos depois, em 1981, daria ao Star o seu maior sucesso de bilheteira, Uns e os Outros, que ali ficaria em cartaz muitos meses a fio. Mas, além de privilegiar o cinema francês, o Star ficaria também conhecido pelo invulgar conforto das cadeiras, verdadeiras poltronas, que se tornaram na sua imagem de marca.  Os 18 mil contos que custou foram alvo de muitos comentários, porque Portugal vivia então em pleno as convulsões do PREC, e um investimento desta monta ia a contraciclo do clima económico do país. Da decoração e da comodidade à qualidade da projecção, o dinheiro ali empregue estava bem visível, e ajudado por uma programação cuidadosa, o Star encontrou logo o seu público e singrou. Mesmo que alguns lhe chamassem “o cinema das tias”, devido à zona em que estava localizado e ao tipo de filmes que exibia, ao gosto da chamada classe média. Fechou em 1992, vítima, tal como muitas outras salas lisboetas, dos multiplexes, do home video e das pressões imobiliárias. Hoje, está lá uma loja de vestuário. Mas quem frequentou o Star nunca mais se esqueceu das suas magníficas cadeiras. Coisas e loisas de outras eras + Cafés e chás é na Mariazinha há quase 100 anos + Xarope de Rosas e Pó da Visconde
‘Saltitões’: uma viagem ao reino dos castores

‘Saltitões’: uma viagem ao reino dos castores

O uso de animais robóticos, ou “espiões animais”, está a vulgarizar-se em várias áreas do estudo e da captação de imagens do reino animal. Estes bichos electrónicos altamente realistas são usados por estações de televisão e produtoras e realizadores de documentários sobre o mundo animal, caso da PBS ou da BBC, entre outras; pelos estudiosos dos habitats ou do comportamento da fauna de todo o mundo; por governos e instituições públicas ou privadas visando a vigilância e a protecção e limpeza de ecossistemas; ou ainda para a interacção com vários espécies ou grupos de animais, para melhor os estudar sem causar perturbações ou tensões no seu seio. Estes animais robóticos com funções de rodagem de filmes documentais, de investigação científica e de vigilância ecológica já andam em terra, no ar e na água, contando-se entre eles tubarões, baleias, crocodilos, pássaros, macacos, esquilos e até mesmo elefantes. Foi neles que se inspirou Daniel Chong, o realizador e co-argumentista (com Jesse Andrews) de Saltitões, a nova longa-metragem animada da Pixar/Disney, para conceber e escrever o filme, que conta com produção de um dos nomes históricos da casa, Pete Docter. “Achei que era uma ideia que estava madura para ser explorada em comédia, esta forma como os humanos tentam tão esforçadamente entrar no mundo animal, e as situações insólitas que daí resultam”, disse Chang numa entrevista.   Feito com um orçamento digno de uma superprodução, 150 milhões de dólares, Saltitões tem como heroí