Eurico de Barros

Eurico de Barros

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Os filmes em cartaz esta semana, de ‘Projecto Hail Mary’ a ‘Palestina 36’

Os filmes em cartaz esta semana, de ‘Projecto Hail Mary’ a ‘Palestina 36’

Tanto cinema, tão pouco tempo. Há filmes em cartaz para todos os gostos e de todos os feitios. Das estreias em cinema aos títulos que, semana após semana, continuam a fazer carreira nas salas. O que encontra abaixo é uma selecção dos filmes que pode ver no escurinho do cinema, que isto não dá para tudo. Há que fazer escolhas e assumi-las (coisa que fazemos, com mais profundidade nas críticas que pode ler mais abaixo nesta lista). Nas semanas em que há estreias importantes de longas-metragens no streaming, também é aqui que as encontra. Bons filmes. Recomendado: Os melhores filmes de 2025
Erros que ficaram para a história na entrega dos Óscares

Erros que ficaram para a história na entrega dos Óscares

A cerimónia dos Óscares não é perfeita e também se faz de falhas e erros. A mais recente, e provavelmente a mais grave, aconteceu em 2017, quando houve uma troca de envelope na entrega do prémio de Melhor Filme. O erro demorou a ser corrigido e só quando a equipa de La La Land – A Melodia do Amor já estava em palco, com os discursos de agradecimento a decorrer, é que se percebeu que o verdadeiro vencedor era Moonlight. Ao longo dos anos, porém, não foi caso único. Entre trocas de nomes e momentos insólitos – incluindo um homem nu em palco –, a cerimónia soma vários episódios embaraçosos. Recomendado: Os filmes com nomeações aos Óscares que pode ver em casa
As estreias de cinema para ver em Março, de ‘A Noiva!’ a ‘Projecto Hail Mary’

As estreias de cinema para ver em Março, de ‘A Noiva!’ a ‘Projecto Hail Mary’

Com os Óscares no horizonte, o apetite pela sala de cinema aumenta sempre. Para alimentar essa vontade de consumo cinéfilo, damos-lhe as principais estreias de filmes para ver em Fevereiro. Escolhemos oito. O destaque vai para Projecto Hail Mary, uma grande produção feita com um orçamento astronómico, de 150 milhões de dólares. Também se apresentam no grande ecrã um punhado de histórias baseadas em figuras reais: O Mago do Kremlin (Jude Law interpreta Vladimir Putin), La Femme la Plus Riche du Monde (Isabelle Huppert faz uma personagem inspirada em Liliane Bettencourt) e a animação Marcel et Monsieur Pagnol (a partir de uma fase da vida de Marcel Pagnol). E há mais. Eis as estreias de cinema a não perder em Março. Recomendado: As séries a não perder em Fevereiro
As actrizes e os actores com mais Óscares

As actrizes e os actores com mais Óscares

Desde a primeira cerimónia dos Óscares, em 1929, centenas de actores e actrizes receberam a prestigiada estatueta dourada. No entanto, repetir o feito é bem mais raro: pouco mais de quatro dezenas de intérpretes conseguiram duas vitórias ao longo da carreira. Ultrapassar esse número é ainda mais excepcional. Katharine Hepburn continua a ser a mais premiada de sempre, com quatro Óscares de Melhor Actriz, conquistados entre 1934 e 1982. Logo atrás surgem Frances McDormand, Daniel Day-Lewis, Meryl Streep, Jack Nicholson, Ingrid Bergman e Walter Brennan. A lista pode crescer já na cerimónia de 2026, caso Sean Penn (Batalha Atrás de Batalha) e Emma Stone (Bugonia) vençam nas respectivas categorias. Recomendado: Os filmes que ganharam mais Óscares
As únicas comédias que ganharam o Óscar de Melhor Filme

As únicas comédias que ganharam o Óscar de Melhor Filme

Tal como a maior parte das cerimónias de prémios, os Óscares tendem a privilegiar um certo tipo de filmes – mais sérios, por assim dizer – em detrimento de quase tudo o resto. Embora haja sempre excepções, as comédias raramente estão nas boas graças da Academia de Hollywood. Uma tendência que foi recentemente contrariada, em 2025, graças a Anora. De resto, ao longo dos anos, só oito filmes cómicos levaram para casa o cobiçado Óscar de Melhor Filme. Frank Capra, Leo McCarey, Billy Wilder, Tony Richardson, Woody Allen, a dupla Daniel Kwan e Daniel Scheinert, e Sean Baker foram os realizadores dos filmes premiados. Recomendado: Os filmes que ganharam mais Óscares
Grandes actrizes e actores que nunca ganharam o Óscar

Grandes actrizes e actores que nunca ganharam o Óscar

Hollywood continua a ser implacável com algumas das caras mais conhecidas do cinema. Timothée Chalamet, a jovem coqueluche da indústria, espera conseguir contrariar a tendência este ano. Na cidade dos anjos contam-se histórias que traduzem amores e desamores da condição humana, histórias de força e superação, histórias de desastre e redenção, para que nos seja possível suportar a existência. Mas, no fim, há mais em jogo do que uma linha que nos estremece ou um monólogo que nos acompanha como bíblia para o resto dos dias. A estatueta dourada é a bitola que separa o que é bom do que é divino, mas nem sempre é consensual. Esta é a lista das actrizes e dos actores que nunca ganharam o Óscar. Recomendado: As actrizes e os actores com mais Óscares
Um ano doce: as melhores séries portuguesas de 2021

Um ano doce: as melhores séries portuguesas de 2021

O ano de 2021 foi marcado pela produção da primeira série portuguesa para a Netflix, Glória, uma história de espionagem passada em Portugal no tempo da Guerra Fria e antes do 25 de Abril. Não foi a única. Houve outras séries que se destacaram na produção nacional, mostrando que o investimento na ficção televisiva e para streaming começa a apresentar resultados apreciáveis, com a RTP a funcionar como catalisador na maior parte dos casos. Ainda assim, continuam a estrear-se muitos títulos medíocres ou esquecíveis. Pesando prós e contras, estas são as melhores séries portuguesas exibidas este ano. Recomendado: As melhores séries do momento
Os filmes que ganharam mais Óscares (e onde os ver)

Os filmes que ganharam mais Óscares (e onde os ver)

Ben-Hur, Titanic e a terceira parte da trilogia O Senhor dos Anéis lideram a lista dos filmes com mais estatuetas douradas na história dos Óscares, cada um com 11 prémios. A versão de 1961 de West Side Story – Amor sem Barreiras, distinguida com dez, é outro dos filmes em destaque. Apesar de hoje em dia a Academia optar por dividir os prémios por várias produções –, existem títulos que, teoricamente, podem ultrapassar o recorde em 2026. Pecadores fez história ao tornar-se o filme com mais nomeações de sempre (16). O que não quer dizer nada: nem sempre os filmes com mais nomeações são os que saem da cerimónia com mais prémios. Outros filmes com oportunidade para entrar neste top incluem Batalha Atrás de Batalha (13 nomeações), Frankenstein, Marty Supreme e Valor Sentimental (todos com nove). Recomendado: Todos os filmes com nomeações aos Óscares que pode ver em casa
Os 26 filmes que nos vão levar ao cinema este ano

Os 26 filmes que nos vão levar ao cinema este ano

A televisão foi a primeira grande culpada. Depois vieram os clubes de vídeo, os VHS e os DVD, a pirataria na internet. Agora é o streaming. Há mais de 60 anos que a queda no número de espectadores nas salas de cinema gera preocupações, dilemas e estratégias para a combater. Nem todas funcionam. Por cá, propomos a única solução ao nosso alcance: sugerir bons filmes. Pelo menos, filmes que queremos ver. Até ao final do ano, haverá muito mais, mas destacamos 26 longas-metragens que chegam aos cinemas em 2026. Do cinema independente aos grandes blockbusters, há espaço para todos. Estas são as estreias de cinema a não perder. Recomendado: Os melhores filmes de 2025
Os piores e mais estranhos filmes com o Pai Natal

Os piores e mais estranhos filmes com o Pai Natal

Toda a gente conhece filmes de Natal clássicos e reconfortantes, com o Pai Natal no papel de herói. Esta lista vai noutra direcção: reúne alguns dos piores e mais estranhos filmes alguma vez feitos com o bom velhinho no centro da acção. Produções falhadas, ideias absurdas e execuções desastrosas que, em muitos casos, acabaram por ganhar estatuto de culto precisamente por serem tão más. Há demónios, marcianos, wrestlers, fadas, canções embaraçosas e muita falta de noção. Para os mais curiosos, há ainda uma boa notícia: a maioria destes filmes pode ser vista gratuitamente no YouTube. Recomendado: Os melhores filmes de Natal para ver em família
Os melhores filmes animados de Natal

Os melhores filmes animados de Natal

Entre clássicos intemporais e produções mais recentes, estes filmes de Natal atravessam décadas, estilos e tecnologias, mas partilham o mesmo objectivo: celebrar o espírito da quadra através da animação. Há espaço para a melancolia suave de Feliz Natal, Charlie Brown, para a sátira moral de How the Grinch Stole Christmas, ou para adaptações incontornáveis de Dickens com personagens da Disney. Ao mesmo tempo, surgem propostas contemporâneas como Arthur Christmas ou Klaus. Seja com humor, música ou fantasia, esta selecção reúne filmes que continuam a marcar gerações e a confirmar que o Natal ainda conta com muita animação. Recomendado: Os melhores filmes de Natal para ver em família
Os melhores filmes de 2025

Os melhores filmes de 2025

É tempo de balanço. Antes de dirigirmos toda a nossa devoção para os doces de Natal, está na altura de cumprir outro ritual: quais foram os melhores filmes deste ano? Para isso, fomos vasculhar as estreias de cinema a que Portugal assistiu em 2025 e escolhemos os filmes que mais se destacaram. Entre longas-metragens vindas do Irão, da China, da Roménia ou de França, de realizadores consagrados e de estreantes, nos géneros mais variados, do terror ao romance, da animação ao suspense, eis os melhores filmes de 2025 (quatro dos quais já estão no streaming). Recomendado: Os melhores filmes de 2024

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Kill Bill: Toda a Obra Sangrenta

Kill Bill: Toda a Obra Sangrenta

4 out of 5 stars
Na sua origem, Kill Bill era para ser um só filme com quatro horas de duração, tal como Quentin Tarantino o havia pensado. Por razões comerciais, alguma pressão do produtor e porque Tarantino queria ter mais tempo disponível para trabalhar naquele que seria o segundo filme, foi lançado em duas partes e o realizador apenas passou a versão de quatro horas (que teve estreia mundial no Festival de Cannes de 2006, fora de competição) em visionamentos privados, para amigos e gente da indústria cinematográfica, com uma breve estreia comercial na sala de cinema de que é dono em Los Angeles. Ei-la agora enfim nos cinemas, combinando os Volumes 1 e 2, com cenas eliminadas na montagem e planos alternativos, uma remasterização da luta dos Crazy 88 com a Noiva de Uma Thurman, um acrescento à sequência de anime e uma nova curta-metragem de 10 minutos, feita em 2025. Total: 4 horas e 35 minutos de filme, com intervalo incluído.
O Mago do Kremlin

O Mago do Kremlin

3 out of 5 stars
Quem é Vladimir Putin? Como é que ele apareceu na paisagem política da Rússia após o fim do comunismo? Quem é que o ajudou na sua ascensão ao poder e a instalar-se no Kremlin? Foi para responder a perguntas como esta que o consultor político e escritor italo-suíço Giuliano da Empoli assinou O Mago do Kremlin, uma obra de ficção com alicerces na realidade, publicada em 2022, pouco antes do início da guerra na Ucrânia. O narrador, um investigador que foi à Rússia em trabalho, é contactado, em Moscovo, por Vadim Baranov, antigo encenador de teatro e produtor de reality shows, que ajudou a levar Vladimir Putin ao poder e se tornou na sua “eminência parda” e homem de total confiança, antes de se retirar da vida política activa. Baranov, cuja figura é inspirada muito livremente por Vladislav Surkov, um publicitário, homem de negócios e político, e durante muitos anos o principal conselheiro político de Putin, conta então toda a sua vida antes de entrar nos bastidores do poder e se tornar unha com carne com Putin. O que abrange cerca de três décadas da história recente da Rússia, começando nos anos 90, no pós-comunismo, abrangendo a Perestroika, a presidência de Boris Ieltsin, o advento dos oligarcas e o ambiente de total liberdade e de euforia social e artístico-cultural, mas também de violência e de caos político, e de desastre económico eminente vivido na Rússia de então. Segue-se o aparecimento de Vladimir Putin, um homem do FSB (o organismo sucessor do KGB), escolhido pelo olig
Saltitões

Saltitões

3 out of 5 stars
A nova animação da Pixar/Disney põe em cena Tamara, uma rapariga de 19 anos que adora animais, em especial castores, e que aproveita uma nova tecnologia que transfere a mente humana para animais robóticos, para incarnar num castor e ir avisar aqueles que vivem perto da sua cidade que uma nova obra da Câmara Municipal ameaça destruir o seu habitat. Só que o alarme vai causar uma insurreição em todos os animais da zona, que ameaça os humanos, e muito em especial o velhaco presidente da Câmara. O antropomorfismo sempre deu bons resultados para a Disney, e o mesmo se pode dizer para a Pixar em Saltitões, uma animadíssima e muito bem-disposta comédia passada no reino animal (com alguns gags cinéfilos lá pelo meio, caso de um que remete para Tubarão, de Steven Spielberg), que veicula uma simpática (e nunca intrometida) mensagem em prol da conservação da natureza. E que pode ser apreciada igualmente por miúdos e crescidos.
Blue Moon

Blue Moon

4 out of 5 stars
Durante quase 25 anos, entre 1920 e 1942, o compositor Richard Rodgers e o letrista Lorenz Hart, amigos de juventude, assinaram em parceria 26 musicais da Broadway, incluindo clássicos como A Connecticut Yankee, Jumbo, Babes in Arms, Pal Joey ou By Jupiter, que incluem melodias que se tornaram clássicos absolutos do cancioneiro popular americano, como Blue Moon, The Lady is a Tramp ou My Funny Valentine, entre muitas outras. E que transcenderam os enredos e o palco para que foram compostas originalmente, passando a ser entoadas por crooners e cantoras, e a conhecer versões de jazz e mesmo interpretações pop/rock.  Em 1943, e devido ao alcoolismo de Lorenz Hart, juntamente com o choque que este sofreu com a morte da mãe (com a qual sempre viveu), a parceria, uma das de maior sucesso do século XX na área da música, desfez-se. Richard Rodgers virou-se então para Oscar Hammerstein, com o qual trabalharia, também com imenso sucesso, até 1960, data da morte deste. Hart, cuja condição psicológica vinha a deteriorar-se, acabaria por morrer a 22 de Novembro de 1943, de pneumonia. Tinha só 48 anos. Ainda assistiu à estreia de Oklahoma!, o primeiro musical de Rodgers e Hammerstein, e colaboraria uma derradeira vez com o seu velho amigo e parceiro, numa nova versão de A Connecticut Yankee, para a qual escreveu as letras de várias canções. O filme Blue Moon, de Richard Linklater, escrito por Robert Kaplow e com Ethan Hawke no papel de Lorenz Hart, passa-se precisamente na noite da estreia
Sem Alternativa

Sem Alternativa

3 out of 5 stars
Autor de alguns dos melhores filmes sul-coreanos dos últimos anos, caso de Em Nome da Vingança, Oldboy – Velho Amigo, Thirst – Este é o Meu Sangue ou A Criada, bem como da série de espionagem A Rapariga do Tambor, Park Chan-wook centra Sem Alternativa, a sua nova realização, em Man-su (um excelente Lee Byung-hun, de Squid Game), um homem que trabalha na indústria do papel, ficou desempregado e está a cair no desespero, porque a sua família vai perder o confortável estilo de vida que conseguiu atingir, bem como a moradia onde ele passou a infância e que conseguiu voltar a comprar, e melhorou e tornou mais acolhedora com as suas próprias mãos. Man-su descobre então a maneira de garantir uma possibilidade de trabalho que apareceu: eliminar os outros candidatos mais fortes ao lugar. Sem Alternativa baseia-se em The Ax, um livro do americano Donald E. Westlake, já filmado por Costa-Gavras em 2005, em Golpe a Golpe, e é uma combinação de comédia muito negra, policial de recorte slapstick e sátira com alerta embutido a uma nova modalidade de capitalismo e a um mundo do trabalho em rápida alteração, no qual os robôs e a Inteligência Artificial estão a eliminar milhares e milhares de empregos. Chan-wook consegue manter tudo interligado e levar a azafamada história a bom e amoral termo, mesmo apesar de um enredo quebra-costas que se extravia aqui e ali, de alguma palha narrativa e de uns 15 minutos que podiam ter saltado na montagem.
Girls on Wire

Girls on Wire

3 out of 5 stars
Tian Tian, mãe solteira de uma menina de cinco anos, mata um traficante de droga e foge da máfia da cidade da China em que vive, e que a sequestrou por causa das dívidas da família. Vai então procurar a ajuda da prima, Fang Di, que trabalha como dupla num grande estúdio de cinema em Pequim e não vê há bastante tempo, mas esta recebe-a com desprezo. Mas as primas vão passar de estranhas a familiares, e tentar iludir mafiosos que perseguem Tian Tian. Vivian Qu realiza este policial algo laborioso mas que nos faz interessar pela sorte das duas personagens principais, e que integra com habilidade no enredo o mundo do cinema por onde Fang Di se move.
Living the Land – O Vento é Imparável

Living the Land – O Vento é Imparável

4 out of 5 stars
O pequeno Chang é o terceiro filho de uma família que vive na China rural, em 1991. O país atravessa profundas mudanças sócio-económicas e o pai e a mãe de Chang migraram para uma grande cidade, em busca de trabalho e melhores condições de vida. Mas o rapaz tem que ficar na aldeia com os avós e os tios, seguindo os planos da sua família, dividida entre o peso da tradição e a força do progresso, que chega sob várias formas, levando cada vez mais pessoas a deixar o campo e ir para as urbes, mesmo que muito distantes, labutar na indústria, onde se ganha mais dinheiro. Realizada por Huo Meng, Living the Land é uma saga familiar que atravessa quatro gerações e ganhou o Urso de Ouro de Melhor Realização do Festival de Berlim. E que tem peso autobiográfico, já que o realizador nasceu e viveu numa aldeia como a do filme, onde faz uma recriação detalhada, pausada e nostálgica desses tempos duros mas únicos, em que as vidas de todos seguiam os ciclos da natureza e dependiam deles, numa China que praticamente já não existe e rompeu quase todos os laços que a ligavam a um passado ancestral.
Marty Supreme

Marty Supreme

3 out of 5 stars
Timothée Chalamet ganhou o Globo de Ouro de Melhor Actor num Filme Dramático pela sua interpretação de Marty Mauser, um jovem tenista de mesa egocêntrico, ambicioso, ultra-manipulador e capaz de tudo (até mesmo de se humilhar publicamente) para chegar à fama e à fortuna, nesta segunda realização de Josh Safdie, e primeira sem a participação do seu irmão Benny, de quem se autonomizou em 2024. O filme, nomeado para nove Óscares passa-se na Nova Iorque de 1952 e conta também com interpretações de Gwyneth Paltrow, Kevin O’Leary (sim, o empresário milionário do programa Shark Tank, no papel de… um empresário rico e implacável), Abel Ferrara, Fran Drescher e Odessa A’Zion, e se há uma coisa de que Marty Supreme não pode ser acusado, é de não ter enredo: tem, e para dar e vender. De tal forma, que sofre de overplotting, por vezes há demasiadas coisas a acontecer ao mesmo tempo ao protagonista (inspirado numa figura real do mundo do ténis de mesa dos EUA, e da Nova Iorque popular) e a fita, tão frenética como Marty, ameaça tombar na inverosimilhança e transformar-se num desenho animado em ambiente realista. Mas Safdie lá consegue que a vertigem visual e a aceleração narrativa não causem um descarrilamento de credibilidade, e Chalamet, que treinou longo tempo para não ser dobrado por um profissional nas sequências de jogos de ténis de mesa, mergulha tão profundamente na personagem de Marty, que se some nela. Podemos sair exaustos de Marty Supreme, mas nunca indiferentes, gostemos ou n
O Bolo do Presidente

O Bolo do Presidente

3 out of 5 stars
Iraque, anos 90. O país está a sofrer as consequências de ter invadido o Kuwait pouco tempo antes. É o dia em que as escolas de todo o país seleccionam os alunos que vão contribuir para o aniversário do presidente Saddam Hussein. Lamia tem nove anos e a avó ensina-lhe como evitar que seja escolhida para fazer o bolo de anos daquele. Mas o seu severo professor nomeia-a para a tarefa. E Lamia sabe que, se falhar, poderá ser severamente punida. Esta fita de Hasan Hadi ganhou a Caméra D’Or no Festival de Cannes e representa o Iraque na selecção à nomeação ao Óscar de Melhor Filme Internacional. Apesar de algumas ingenuidades e facilidades para agradar ao público internacional, e em especial ao ocidental, Hasan Hadi mostra, através da aventura vivida por Lamia e pelo seu amigo e colega Saeed, quando procuram encontrar e comprar os ingredientes para o bolo numa cidade em agitação patriótica e cheia de perigos, o culto da personalidade, as arbitrariedades e os absurdos do regime ditatorial de Saddam Hussein.
Song Sung Blue

Song Sung Blue

4 out of 5 stars
Mike (Hugh Jackman) e Claire Sardina (Kate Hudson) vivem em Milwaukee, são casados, admiradores incondicionais de Neil Diamond e formam um duo musical chamado Lightning and Thunder, em que homenageiam o seu cantor favorito. Ao longo do seu percurso artístico, Mike e Claire vão conhecer um grande e entusiasmante sucesso à sua escala, mas passar também por momentos difíceis e dolorosos. Craig Brewer baseou-se no premiado documentário homónimo de 2008 de Greg Kohs (que pode ser visto no YouTube) para realizar esta história de gente comum que vive na América profunda e trabalha numa subcultura desconhecida do meio do espectáculo dos EUA – os imitadores de grandes nomes da música – para pagar as contas e espalhar alegria pelos fãs, ao mesmo tempo que homenageia aqueles que admira sincera e apaixonadamente. Brewer é fidelíssimo à história real dos Sardina, prime todos os botões certos do melodrama sem nunca exagerar no tom, no volume ou no efeito lacrimejante, e Hugh Jackman e Kate Hudson (que está cada vez mais parecida com a mãe, Goldie Hawn) são portentosos a interpretar Mike e Claire, a cantarem e dançarem, e a transmitirem toda a felicidade que o casal sentia e irradiava em palco. Incrivelmente, os Globos de Ouro ignoraram Jackman nas nomeações e Hudson, que foi nomeada, perdeu o prémio para outra actriz. Se algo semelhante acontecer nos Óscares, será escandaloso.
Kontinental ’25

Kontinental ’25

3 out of 5 stars
A nova fita do romeno Radu Jude passa-se na cidade de Cluj, onde Orsolya (Eszter Tompa) uma oficial de justiça encarregue de fazer despejos, fica profundamente afectada pelo suicídio de um homem que ia retirar da cave de um prédio antigo, destinado a ser transformado num hotel de luxo. Ela abdica de ir de férias com o marido e os filhos e fica a remoer o sentimento de culpa, partilhando-o com uma série de pessoas, incluindo uma das suas colegas e melhores amigas, um antigo aluno de Direito que encontra por acaso e só arranjou emprego a fazer entregas de moto, e um padre. Através desta angustiada personagem, Jude mostra como as grandes cidades da Roménia são também vítimas da especulação imobiliária desenfreada, expõe os defeitos crónicos e a corrupção da sociedade romena e as tensões históricas ainda hoje existentes (e parece que cada vez mais exacerbadas) entre romenos e húngaros (a protagonista e a mãe são ambas húngaras), e ironiza sobre a má consciência social da classe média a que Orsolya pertence. Kontinental’25 é o melhor filme de Jude até à data, e aguardamos com curiosidade o seu (parece que muito heterodoxo) Drácula. 
Nouvelle Vague

Nouvelle Vague

4 out of 5 stars
A génese e os bastidores da rodagem de O Acossado, primeira longa-metragem de Jean-Luc Godard e um filme-farol da Nova Vaga francesa, bem como a Paris do início dos anos 60 e o ambiente que se vivia entre uma nova, criativa e arrojada geração de realizadores e de actores que iam definir e marcar o cinema, em França e internacionalmente, são aqui recriados por Richard Linklater a preto e branco, até ao mais ínfimo pormenor e com uma vivacidade e um regozijo que replicam de alguma forma os das filmagens originais. É o próprio espírito da Nouvelle Vague que Linklater quer aqui convocar, mais do que apenas lembrá-la e celebrá-la. Interpretado por um grupo de actores que evocam na perfeição as pessoas a que dão corpo, sem as imitarem ou fazerem de clones delas (Guillaume Marbeck, Aubry Dulin e Zoey Deutsch são formidáveis, respectivamente, como Godard, Jean-Paul Belmondo e Jean Seberg), Nouvelle Vague é um gesto de nostalgia, uma homenagem, um elogio e um preito de gratidão a uma época, uma geração e um movimento cinematográfico. E assinado por um realizador americano e não francês…

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‘Projecto Hail Mary’: perdido no espaço e sem memória

‘Projecto Hail Mary’: perdido no espaço e sem memória

O cinema de ficção científica está cheio de astronautas perdidos no espaço, sozinhos ou em equipa, mas foi na televisão que apareceu o primeiro título memorável sobre o tema, com a série Lost in Space (1965-1968), produzida por Irwin Allen. Inspirada no clássico da literatura juvenil A Família Robinson Suíça, escrito em 1812 por Johann David Wyss, Lost in Space põe em cena os Robinsons, uma família de colonos espaciais que fica perdida no cosmos após um acidente causado por um sabotador, e vai protagonizar uma série de aventuras, ao mesmo tempo que procura sobreviver nas profundezas do espaço sideral. Em 1998, Stephen Hopkins assinou uma versão para cinema, Perdidos no Espaço, e a série teve dois remakes televisivos no nosso século, The Robinsons: Lost in Space (2004) e Lost in Space (2018). Entre os vários filmes que glosam este mesmo tema, de forma mais realista e com preocupações de rigor científico, ou dando asas à especulação e incluindo elementos extraterrestres, podemos citar Perdidos no Espaço, de John Sturges (1969), Missão a Marte, de Brian De Palma (2000), Stranded, de Maria Lidón (2001), que conta com Joaquim de Almeida no elenco, Pandorum – Universo Paralelo, de Christian Alvart (2009), Relatório Europa, de Sebastián Cordero (2013), Interstellar, de Christopher Nolan (2014), Passageiros, de Morten Tyldum (2016), ou Perdido em Marte, de Ridley Scott (2015), este baseado no livro The Martian, de Andy Weir (publicado em Portugal como O Marciano). É precisamente nout
O Pátio das Antigas: Star, o cinema das cadeiras como nuvens

O Pátio das Antigas: Star, o cinema das cadeiras como nuvens

“É como se estivéssemos sentados numa nuvem”, dizia um espectador do Cinema Star sobre as suas cadeiras a um jornalista de um vespertino no dia da inauguração da sala, que ficava na Avenida Guerra Junqueiro e abriu em 1975 com O Gato, o Medo, o Rato e o Amor, de Claude Lelouch. O qual, alguns anos depois, em 1981, daria ao Star o seu maior sucesso de bilheteira, Uns e os Outros, que ali ficaria em cartaz muitos meses a fio. Mas, além de privilegiar o cinema francês, o Star ficaria também conhecido pelo invulgar conforto das cadeiras, verdadeiras poltronas, que se tornaram na sua imagem de marca.  Os 18 mil contos que custou foram alvo de muitos comentários, porque Portugal vivia então em pleno as convulsões do PREC, e um investimento desta monta ia a contraciclo do clima económico do país. Da decoração e da comodidade à qualidade da projecção, o dinheiro ali empregue estava bem visível, e ajudado por uma programação cuidadosa, o Star encontrou logo o seu público e singrou. Mesmo que alguns lhe chamassem “o cinema das tias”, devido à zona em que estava localizado e ao tipo de filmes que exibia, ao gosto da chamada classe média. Fechou em 1992, vítima, tal como muitas outras salas lisboetas, dos multiplexes, do home video e das pressões imobiliárias. Hoje, está lá uma loja de vestuário. Mas quem frequentou o Star nunca mais se esqueceu das suas magníficas cadeiras. Coisas e loisas de outras eras + Cafés e chás é na Mariazinha há quase 100 anos + Xarope de Rosas e Pó da Visconde
‘Saltitões’: uma viagem ao reino dos castores

‘Saltitões’: uma viagem ao reino dos castores

O uso de animais robóticos, ou “espiões animais”, está a vulgarizar-se em várias áreas do estudo e da captação de imagens do reino animal. Estes bichos electrónicos altamente realistas são usados por estações de televisão e produtoras e realizadores de documentários sobre o mundo animal, caso da PBS ou da BBC, entre outras; pelos estudiosos dos habitats ou do comportamento da fauna de todo o mundo; por governos e instituições públicas ou privadas visando a vigilância e a protecção e limpeza de ecossistemas; ou ainda para a interacção com vários espécies ou grupos de animais, para melhor os estudar sem causar perturbações ou tensões no seu seio. Estes animais robóticos com funções de rodagem de filmes documentais, de investigação científica e de vigilância ecológica já andam em terra, no ar e na água, contando-se entre eles tubarões, baleias, crocodilos, pássaros, macacos, esquilos e até mesmo elefantes. Foi neles que se inspirou Daniel Chong, o realizador e co-argumentista (com Jesse Andrews) de Saltitões, a nova longa-metragem animada da Pixar/Disney, para conceber e escrever o filme, que conta com produção de um dos nomes históricos da casa, Pete Docter. “Achei que era uma ideia que estava madura para ser explorada em comédia, esta forma como os humanos tentam tão esforçadamente entrar no mundo animal, e as situações insólitas que daí resultam”, disse Chang numa entrevista.   Feito com um orçamento digno de uma superprodução, 150 milhões de dólares, Saltitões tem como heroí
‘Se Eu Tivesse Pernas, Dava-te um Pontapé’: alarme! Mãe em crise!

‘Se Eu Tivesse Pernas, Dava-te um Pontapé’: alarme! Mãe em crise!

Dizer que nada corre bem a Linda, a heroína de Se Eu Tivesse Pernas, Dava-te um Pontapé, de Mary Bronstein, e interpretada por Rose Byrne, é dizer pouco. Parece que o mundo lhe desabou em cima. Ela tem uma filha pequena que sofre de uma doença que não é explicada mas que a obriga a ter uma sonda no umbigo e estar ligada a uma máquina, que tem que ser a mãe a manejar; o marido (Christian Slater) é comandante de barcos de cruzeiro, costuma estar muito tempo fora de casa e ausentou-se por um mês; o tecto do quarto do casal cedeu porque houve uma inundação no andar de cima e Linda e a menina tiveram que se instalar num motel; e o empreiteiro que ela contactou para ir fazer as obras no quarto não foi a melhor das escolhas, porque depois de aceitar o serviço, comunicou-lhe que tem que se ausentar por alguns dias por motivos familiares.   Linda é terapeuta, mas está num tal estado de nervos que começou a consultar um colega que trabalha na mesma instituição, e que por sua vez tem cada vez menos paciência para a aturar; e está com problemas com os seus pacientes, nomeadamente uma jovem e insegura mãe que acaba por fugir durante uma consulta e deixa Linda com o seu bebé nos braços. À medida que o filme progride, o calvário de Linda torna-se cada vez mais grave. Ela começa a embirrar com toda a gente, nomeadamente com aqueles que simpatizam com a situação e a podem e querem ajudar, como é o caso do seu colega terapeuta, da médica da filha ou do jovem gerente do motel.  Com cada gesto,
‘O Monte dos Vendavais’: uma nova visão do amor de Cathy e Heathcliff

‘O Monte dos Vendavais’: uma nova visão do amor de Cathy e Heathcliff

Ainda o cinema não falava quando foi rodada a primeira adaptação de O Monte dos Vendavais, de Emily Brontë, em 1920, realizada por um inglês, A.V. Bramble, que também era actor, e que se julga perdida para sempre, já que não há registo de nenhuma cópia. Quase 20 anos depois, em 1939, William Wyler assinou, para a MGM, aquela que é, ainda hoje, a mais carismática e marcante versão cinematográfica da história de amor arrebatado e funesto entre Cathy e Heathcliff nas paisagens agrestes do Yorkshire, interpretados por Merle Oberon e Laurence Olivier. No elenco surgem ainda David Niven, Flora Robson ou Donald Crisp. Apesar de tomar bastantes liberdades com a narrativa, este sumptuoso O Monte dos Vendavais foi nomeado para oito Óscares, tendo ganhado o de Melhor Fotografia. A primeira versão para televisão deste clássico absoluto da literatura data de 1953. Foi escrita para a BBC pelo lendário Nigel Kneale, um nome que associamos muito mais ao cinema de ficção científica e fantástico, do que histórias como a de O Monte dos Vendavais. As interpretações foram de Richard Todd e Yvonne Mitchell. Cinco anos mais tarde, em 1958, foi a vez da televisão americana estrear a sua adaptação, pela mão da CBS, embora com dois britânicos nos papéis principais: Richard Burton e Rosemary Harris. Seguiram-se os franceses, com Les Hauts de Hurlevent, em 1964, produzida pela ORTF, a estação estatal. A partir daí, nunca mais o cinema e a televisão deixaram de apresentar regularmente novas versões do li
Cafés e chás é na Mariazinha há quase 100 anos

Cafés e chás é na Mariazinha há quase 100 anos

Cafés e chás, mas também biscoitos de todo o tipo, farinhas, frutos secos e frutas cristalizadas, chocolates e rebuçados, são as especialidades de A Mariazinha, cujas portas estão abertas há quase um século em Lisboa e é uma das Lojas com História da capital. Foi inaugurada em Janeiro de 1934, na Baixa, na Rua Barros Queirós, ali ao Largo de São Domingos, e o fundador, Jerónimo Pinto Vicente Coutinho, deu-lhe o nome da sua filha. Num dos curiosos anúncios publicados um ano depois na imprensa, e reproduzido pelo blogue Restos de Colecção, lia-se: “O Mundo dá muita volta… Mas o café d’A Mariazinha é sempre o mesmo”. Noutro engraçado anúncio, anos mais tarde, A Marizinha enunciava os seus 10 Mandamentos, entre os quais constavam: “Usar de honestidade. Pessoal disciplinado e produtivo. Compras feitas em excepcionais condições de qualidade e preço. Tudo preparado por suas mãos, pelos processos mais rápidos e perfeitos. Não fia. Portanto… não têm uns de pagar o que outros ficam a dever”. A casa teve uma sucursal no Porto, na década de 50, e em Dezembro de 1957 abriu uma segunda loja, em Alvalade, na Avenida Rio de Janeiro. A loja original fechou em finais dos anos 70, mantendo-se a de Alvalade, comprada em 1992 pelos actuais proprietários e gerentes. Como manda a tradição, e tal como há quase 100 anos, o café continua a ser moído no local. Coisas e loisas de outras eras + Xarope de Rosas e Pó da Viscondessa, só na Farmácia Durão + Quarteto, uma aventura que começou há 50 anos + Os
‘Hamnet’: a tragédia do filho de William Shakespeare

‘Hamnet’: a tragédia do filho de William Shakespeare

Não faltam séries e filmes sobre William Shakespeare, muito menos obras de ficção sobre ele e a sua existência. No seu livro Hamnet, publicado em 2020, a escritora britânica Maggie O’Farrell escolheu um ponto de vista diferente para falar dele, da mulher e da sua vida familiar. Hamnet centra-se no casamento entre o dramaturgo e a sua mulher Agnes (ou Anne), e também no filho de ambos, Hamnet, que morreu quando tinha apenas 11 anos, pensa-se que vítima de peste bubónica, e que terá influenciado a escrita de uma das peças subsequentes de Shakespeare, e uma das mais celebradas, Hamlet. O’Farrell disse numa entrevista que sempre tinha estranhado “as raras menções a Hamnet nas biografias e nos estudos literários”, tendo por isso “decidido escrever um romance sobre ele, para lhe tentar dar uma voz e uma presença”. O livro dá assim mais destaque à figura de Hamnet, bem como à da sua mãe, dramatizando a doença do rapaz e o seu impacto sobre a família Shakespeare, bem como as consequências emocionais e psicológicas da sua morte sobre William e Agnes. Maggie O’Farrell combinou factos e ficção sobre a vida de William Shakespeare e a época histórica em que ele e a sua família viveram, e especula ainda sobre as causas da morte de Hamnet, bem como sobre a forma como esta tragédia poderá estar directamente ligada à criação de Hamlet. A obra já vendeu mais de dois milhões de exemplares e foi traduzida em 40 línguas, tendo ganhado, entre outros, o Women’s Prize for Fiction no Reino Unido, e o
‘Valor Sentimental’: uma família em crise numa casa centenária

‘Valor Sentimental’: uma família em crise numa casa centenária

Grande Prémio do Festival de Cannes, Globo de Ouro de Melhor Actor Secundário (para Stellan Skarsgard), seis Prémios do Cinema Europeu (incluindo Melhor Filme e Realizador) e nove nomeações para os Óscares. Este é o (bom) lastro de galardões e indicações com que Valor Sentimental, do norueguês Joachim Trier, chega aos cinemas portugueses (ganhou muitos outros até agora, mas estes são os mais destacados). O filme consta também na lista dos Melhores de 2025, de críticos de publicações como The Hollywood Reporter, Indiewire, Variety, Slate ou The Washington Post, ou ainda da BBC, só para citar títulos e meios de língua inglesa. Autor da chamada “Trilogia de Oslo”, composta pelos filmes Reprise (2006, este a sua longa-metragem de estreia), Oslo, 31 de Agosto (2011) e A Pior Pessoa do Mundo (2021, e que revelou a actriz Renate Reinsve), Trier consolida-se assim como o nome mais destacado, e internacionalmente considerado e premiado, de um cinema norueguês que tem vindo a dar nas vistas nos últimos anos, pela qualidade e pela variedade da sua produção. Que vai desde filmes de ambiente contemporâneo como os do autor de Valor Sentimental, ou de Dag Johan Haugerud (realizador da trilogia Sex, Love e Dreams, este último vencedor do Festival de Berlim) até títulos biográficos, fantásticos, policiais ou históricos, passados, por exemplo, durante a II Guerra Mundial (e isto sem falar nas séries de televisão). No país, fala-se de uma “idade de ouro” do cinema norueguês, que agora pede meça
‘O Bolo do Presidente’: a menina, o galo e o aniversário de Saddam Hussein

‘O Bolo do Presidente’: a menina, o galo e o aniversário de Saddam Hussein

Quando Saddam Hussein governava o Iraque, as escolas (e não só) tinham que fazer bolos comemorativos do seu aniversário. O Bolo do Presidente, primeiro filme de Hasan Hadi, passa-se nos anos 90, após o Iraque ter invadido o Kuwait, e baseia-se em recordações de juventude do realizador, que ensina cinema nos EUA. O aniversário de Saddam aproxima-se e a pequena Lamia, de nove anos, uma órfã que vive com a avó, Bibi, no interior do país, foi escolhida pelo professor para confeccionar o bolo com o qual a sua turma vai assinalar os anos do ditador (entre outras, é também preciso fazer uma oferta de fruta, que fica a cargo do colega e amigo daquela, Saeed, cujo pai é mendigo e para o qual o rapaz rouba carteiras quando não está na escola). Lamia incorre num severo castigo se não conseguir fazer o bolo, ou se este não estiver a gosto do professor. E fazer um bolo é muito difícil para ela, porque a avó é pobre de pedir e porque o Iraque está a sofrer sanções dos EUA e de outros países ocidentais por causa da sua agressão ao Kuwait, e faltam muitos bens essenciais (que são caríssimos se forem procurados no mercado negro, onde vão aparecendo). A menina elabora uma lista de todos os ingredientes necessários ao bolo, e quando a avó pega nela, e no seu galo de estimação, Hindi, para irem à cidade, ela pensa que vão fazer compras para a confecção do bolo. Só que as coisas são muito diferentes. Bibi está cansada e doente e já não consegue cuidar da neta, por isso, vai entregá-la a uma senho
O Pátio das Antigas: Xarope de Rosas e Pó da Viscondessa, só na Farmácia Durão

O Pátio das Antigas: Xarope de Rosas e Pó da Viscondessa, só na Farmácia Durão

Entre os muitos remédios e produtos para a saúde insólitos e curiosos que ao longo dos anos se venderam na Farmácia Durão, um dos endereços históricos da Baixa lisboeta, situada na Rua Garrett desde tempos idos, contavam-se, por exemplo, o Xarope de Rosas Rubras (julgamos que contra a tosse), os Pós da Viscondessa, destinados à limpeza e ao branqueamento dos dentes, o Elixir Balsâmico do Dr. Ernesto (idem, idem), as Pastilhas Genesicas, que actuavam “contra o enfraquecimento dos órgãos sexuais” e prometiam o “regresso à mocidade” neste particular aspecto, ou ainda a Laranjada Purgante, de utilização óbvia. E não faltavam os célebres produtos do Dr. Scholl, como é o caso dos Zino-pads contra os calos. Se não é a mais antiga, a Farmácia Durão é decerto uma das mais antigas da capital, tendo passado pelas mãos de vários proprietários ao longo dos séculos. Segundo o blogue Restos de Colecção, esta casa “remontará ao século XVIII, altura em que o farmacêutico do Rei D. João V (1707-1750), João Gomes da Silveira, estabeleceu uma botica na loja, provavelmente onde esta farmácia esteve sempre instalada, na então Rua das Portas de Santa Catharina, 17, em Lisboa, actual Rua Garrett 90 e 92”. Nos anos 50 do século passado, começou também a vender artigos de perfumaria. A Farmácia Durão permanece no mesmo endereço e chama-se, desde 2012, Farmácia Sacoor do Chiado. Coisas e loisas de outras eras + Quarteto, uma aventura que começou há 50 anos + Os gloriosos pilotos do Circuito de Monsanto
‘Vida Privada’: Jodie Foster investiga um crime em Paris

‘Vida Privada’: Jodie Foster investiga um crime em Paris

Jodie Foster tem uma relação de longa data com o cinema francês, mais precisamente desde 1977, quando ainda era nova – tinha só 15 anos – e entrou numa comédia romântica (justamente esquecida), Não Me Chames Miúda!, de Eric Le Hung, fazendo de filha de Sydne Rome e contracenando ainda com Jean Yanne e com um também jovem Bernard Giraudeau. Muitos anos mais tarde, em 2004, Foster apareceu em Um Longo Domingo de Noivado, de Jean-Pierre Jeunet. E agora é a principal intérprete de Vida Privada, de Rebecca Zlotowski, falando mais uma vez o francês impecável aprendido como aluna (e brilhante) do Liceu Francês de Los Angeles, que frequentou durante todo o ensino secundário, ao mesmo tempo que era já actriz.  O papel que aqui assume, e que foi escrito “para ela, e só para ela”, como Zlotowski tem dito em várias entrevistas, é o de Lilian Steiner, uma psiquiatra americana que vive e trabalha em Paris. Ela está divorciada de um oftalmologista, Gabriel (Daniel Auteuil), do qual tem um filho, Julien (Vincent Lacoste), que já lhe deu um neto, ainda pequenino, e com quem não se dá lá muito bem. A rotina clínica de Lilian é, de repente, perturbada por dois acontecimentos. Primeiro, um antigo paciente comunica-lhe que a processou porque apesar de ter gasto milhares de euros em sessões com ela, não sentiu qualquer melhora no seu estado mental e emocional, e quer o dinheiro de volta; e depois, e muito mais trágico, Paula Cohen-Solal (Virginie Efira), uma das suas pacientes, suicida-se inespera
‘Avatar: Fogo e Cinzas’: uma nova ameaça no planeta Pandora

‘Avatar: Fogo e Cinzas’: uma nova ameaça no planeta Pandora

James Cameron não faz a coisa por menos. Depois do seu Titanic (1997) se ter tornado no filme mais rentável de todos os tempos e batido o recorde de Óscares ganhos, com 11 (empatado com Ben-Hur, realizado por William Wyler em 1959), voltou a bater um recorde com a ficção científica Avatar (2009), que se tornou no novo filme mais lucrativo de sempre, com 2,9 mil milhões de dólares de receitas. Mas Cameron não queria ficar-se só por um filme. Avatar é uma saga de cinco títulos, passada no planeta Pandora, situado em Alfa do Centauro, habitado pela espécie humanóide dos Na’avi, que reagem à chegada de humanos que vêm explorar um raro e precioso mineral. A sua presença ameaça o equilíbrio ecológico e a própria existência dos Na’avi. A fita ganhou três Óscares. Em 2022, James Cameron estreou o segundo filme desta epopeia interplanetária, Avatar: O Reino da Água (vencedor de um Óscar), que funciona também como um laboratório de tecnologia e de efeitos especiais, como o grafismo computacional em 3D ou as técnicas de motion capture. O realizador faz também questão de estrear o filme em vários formatos: tradicional, 3D (dividido em RealD 3D, Dolby 3D, XpanD 3D e IMAX 3D) e também 4D, este em cinemas muito seleccionados. Segundo Cameron, as quatro continuações do Avatar original são “extensões naturais de todos os temas, das personagens, e das implicações espirituais daquele”. Ao mesmo tempo que vão desenvolvendo novas tecnologias cinematográficas, bem como acumulando lucros astronómic