Eurico de Barros

Eurico de Barros

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Os filmes em cartaz esta semana, de ‘O Convite’ a ‘George Washington’

Os filmes em cartaz esta semana, de ‘O Convite’ a ‘George Washington’

Tanto cinema, tão pouco tempo. Há filmes em cartaz para todos os gostos e de todos os feitios. Das estreias em cinema aos títulos que, semana após semana, continuam a fazer carreira nas salas. O que encontra abaixo é uma selecção dos filmes que pode ver no escurinho do cinema, que isto não dá para tudo. Há que fazer escolhas e assumi-las (coisa que fazemos, com mais profundidade nas críticas que pode ler mais abaixo nesta lista). Nas semanas em que há estreias importantes de longas-metragens no streaming, também é aqui que as encontra. Bons filmes. Recomendado: Os melhores filmes de 2025
As estreias de cinema para ver em Julho, de ‘Mínimos e Monstros’ a ‘Her Private Hell’

As estreias de cinema para ver em Julho, de ‘Mínimos e Monstros’ a ‘Her Private Hell’

O calendário de estreias de cinema é vasto e obriga a escolhas. Entre produções há muito esperadas, pérolas insuspeitas e títulos que chegam sem grande alarido, há muito para ver nas próximas semanas. Seleccionámos seis filmes que justificam a ida ao cinema em Abril. Se estes não lhe bastarem, pode sempre contar com propostas fora do circuito comercial: os festivais e ciclos de cinema em Lisboa continuam a dar personalidade, vanguarda e memória à agenda da cidade, onde não faltam salas de cinema entre as melhores do mundo e para todos os gostos. Recomendado: Os melhores filmes em cartaz esta semana
IndieLisboa 2026: 10 filmes a não perder no festival

IndieLisboa 2026: 10 filmes a não perder no festival

O 23.º IndieLisboa – Festival Internacional de Cinema de Lisboa decorre entre 30 de Abril e 10 de Maio, apresentando um total de 241 filmes nas habituais secções, entre curtas e longas-metragens, de ficção, documentais, de animação experimentais, com o selo do cinema independente. Destes, 29 serão vistos na Competição Nacional (oito longas e 21 curtas). A retrospectiva deste ano é dedicada ao Mockumentary, o documentário falso, simulado ou satírico, com o subtítulo Isto Não é Um Documentário. Para o ajudar a navegar num dos maiores festivais de cinema de Portugal, seleccionámos dez filmes imperdíveis. Espalhada por vários espaços da cidade, da Culturgest à Cinemateca, dos cinemas São Jorge, Fernando Lopes e Ideal à Piscina da Penha de França, a programação completa do IndieLisboa 2026 pode ser consultada aqui. Recomendado: IndieJúnior: seis motivos para levar a família toda ao cinema
Festa do Cinema Italiano: os melhores filmes em cartaz

Festa do Cinema Italiano: os melhores filmes em cartaz

É entre 9 e 19 de Abril que decorre a 19.ª edição da Festa do Cinema Italiano. Em Lisboa, a programação regressa aos cinemas São Jorge, UCI El Corte Inglês e à Cinemateca, com 12 filmes em antestreia nacional e um variado panorama do cinema italiano contemporâneo. O evento assinala os 50 anos da morte de Pasolini com o ciclo Pier Paolo Pasolini – Raridades, assim como da inesquecível comédia Feios, Porcos e Maus. Claudia Cardinale, que morreu em 2025, é homenageada. Na secção Cinema Transfronteiriço, está em destaque a Eslovénia. Entre os eventos paralelos, contam-se uma oficina criativa para crianças destinada à criação de cartazes de cinema, stand-up comedy italiana, colóquios ou conversas com convidados. Haverá também as habituais extensões a uma série de cidades, começando pelo Porto, de 9 a 11 de Abril. Seleccionámos seis fitas e uma retrospectiva de entre toda a oferta. A programação completa e demais informações podem ser consultadas aqui. Recomendado: O roteiro dos melhores festivais e ciclos de cinema em Lisboa
Erros que ficaram para a história na entrega dos Óscares

Erros que ficaram para a história na entrega dos Óscares

A cerimónia dos Óscares não é perfeita e também se faz de falhas e erros. A mais recente, e provavelmente a mais grave, aconteceu em 2017, quando houve uma troca de envelope na entrega do prémio de Melhor Filme. O erro demorou a ser corrigido e só quando a equipa de La La Land – A Melodia do Amor já estava em palco, com os discursos de agradecimento a decorrer, é que se percebeu que o verdadeiro vencedor era Moonlight. Ao longo dos anos, porém, não foi caso único. Entre trocas de nomes e momentos insólitos – incluindo um homem nu em palco –, a cerimónia soma vários episódios embaraçosos. Recomendado: Os filmes com nomeações aos Óscares que pode ver em casa
As actrizes e os actores com mais Óscares

As actrizes e os actores com mais Óscares

Desde a primeira cerimónia dos Óscares, em 1929, centenas de actores e actrizes receberam a prestigiada estatueta dourada. No entanto, repetir o feito é bem mais raro: pouco mais de quatro dezenas de intérpretes conseguiram duas vitórias ao longo da carreira. Ultrapassar esse número é ainda mais excepcional. Katharine Hepburn continua a ser a mais premiada de sempre, com quatro Óscares de Melhor Actriz, conquistados entre 1934 e 1982. Logo atrás surgem Frances McDormand, Daniel Day-Lewis, Meryl Streep, Jack Nicholson, Ingrid Bergman e Walter Brennan. A lista pode crescer já na cerimónia de 2026, caso Sean Penn (Batalha Atrás de Batalha) e Emma Stone (Bugonia) vençam nas respectivas categorias. Recomendado: Os filmes que ganharam mais Óscares
As únicas comédias que ganharam o Óscar de Melhor Filme

As únicas comédias que ganharam o Óscar de Melhor Filme

Tal como a maior parte das cerimónias de prémios, os Óscares tendem a privilegiar um certo tipo de filmes – mais sérios, por assim dizer – em detrimento de quase tudo o resto. Embora haja sempre excepções, as comédias raramente estão nas boas graças da Academia de Hollywood. Uma tendência que foi recentemente contrariada, em 2025, graças a Anora. De resto, ao longo dos anos, só oito filmes cómicos levaram para casa o cobiçado Óscar de Melhor Filme. Frank Capra, Leo McCarey, Billy Wilder, Tony Richardson, Woody Allen, a dupla Daniel Kwan e Daniel Scheinert, e Sean Baker foram os realizadores dos filmes premiados. Recomendado: Os filmes que ganharam mais Óscares
Grandes actrizes e actores que nunca ganharam o Óscar

Grandes actrizes e actores que nunca ganharam o Óscar

Hollywood continua a ser implacável com algumas das caras mais conhecidas do cinema. Timothée Chalamet, a jovem coqueluche da indústria, espera conseguir contrariar a tendência este ano. Na cidade dos anjos contam-se histórias que traduzem amores e desamores da condição humana, histórias de força e superação, histórias de desastre e redenção, para que nos seja possível suportar a existência. Mas, no fim, há mais em jogo do que uma linha que nos estremece ou um monólogo que nos acompanha como bíblia para o resto dos dias. A estatueta dourada é a bitola que separa o que é bom do que é divino, mas nem sempre é consensual. Esta é a lista das actrizes e dos actores que nunca ganharam o Óscar. Recomendado: As actrizes e os actores com mais Óscares
Um ano doce: as melhores séries portuguesas de 2021

Um ano doce: as melhores séries portuguesas de 2021

O ano de 2021 foi marcado pela produção da primeira série portuguesa para a Netflix, Glória, uma história de espionagem passada em Portugal no tempo da Guerra Fria e antes do 25 de Abril. Não foi a única. Houve outras séries que se destacaram na produção nacional, mostrando que o investimento na ficção televisiva e para streaming começa a apresentar resultados apreciáveis, com a RTP a funcionar como catalisador na maior parte dos casos. Ainda assim, continuam a estrear-se muitos títulos medíocres ou esquecíveis. Pesando prós e contras, estas são as melhores séries portuguesas exibidas este ano. Recomendado: As melhores séries do momento
Os filmes que ganharam mais Óscares (e onde os ver)

Os filmes que ganharam mais Óscares (e onde os ver)

Ben-Hur, Titanic e a terceira parte da trilogia O Senhor dos Anéis lideram a lista dos filmes com mais estatuetas douradas na história dos Óscares, cada um com 11 prémios. A versão de 1961 de West Side Story – Amor sem Barreiras, distinguida com dez, é outro dos filmes em destaque. Apesar de hoje em dia a Academia optar por dividir os prémios por várias produções –, existem títulos que, teoricamente, podem ultrapassar o recorde em 2026. Pecadores fez história ao tornar-se o filme com mais nomeações de sempre (16). O que não quer dizer nada: nem sempre os filmes com mais nomeações são os que saem da cerimónia com mais prémios. Outros filmes com oportunidade para entrar neste top incluem Batalha Atrás de Batalha (13 nomeações), Frankenstein, Marty Supreme e Valor Sentimental (todos com nove). Recomendado: Todos os filmes com nomeações aos Óscares que pode ver em casa
Os 26 filmes que nos vão levar ao cinema este ano

Os 26 filmes que nos vão levar ao cinema este ano

A televisão foi a primeira grande culpada. Depois vieram os clubes de vídeo, os VHS e os DVD, a pirataria na internet. Agora é o streaming. Há mais de 60 anos que a queda no número de espectadores nas salas de cinema gera preocupações, dilemas e estratégias para a combater. Nem todas funcionam. Por cá, propomos a única solução ao nosso alcance: sugerir bons filmes. Pelo menos, filmes que queremos ver. Até ao final do ano, haverá muito mais, mas destacamos 26 longas-metragens que chegam aos cinemas em 2026. Do cinema independente aos grandes blockbusters, há espaço para todos. Estas são as estreias de cinema a não perder. Recomendado: Os melhores filmes de 2025
Os piores e mais estranhos filmes com o Pai Natal

Os piores e mais estranhos filmes com o Pai Natal

Toda a gente conhece filmes de Natal clássicos e reconfortantes, com o Pai Natal no papel de herói. Esta lista vai noutra direcção: reúne alguns dos piores e mais estranhos filmes alguma vez feitos com o bom velhinho no centro da acção. Produções falhadas, ideias absurdas e execuções desastrosas que, em muitos casos, acabaram por ganhar estatuto de culto precisamente por serem tão más. Há demónios, marcianos, wrestlers, fadas, canções embaraçosas e muita falta de noção. Para os mais curiosos, há ainda uma boa notícia: a maioria destes filmes pode ser vista gratuitamente no YouTube. Recomendado: Os melhores filmes de Natal para ver em família

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Tuner: Ouvido Absoluto, Mão Leve

Tuner: Ouvido Absoluto, Mão Leve

4 out of 5 stars
O filme de ficção de estreia do oscarizado documentarista Daniel Roher (por Navalny) é um thriller em que um jovem e talentoso afinador de pianos, que sofre de hipersensibilidade acústica ao ponto de sentir dores por causa de certos sons, vê a sua vida mudar radicalmente quando descobre que a sua precisão meticulosa na afinação de pianos pode ser igualmente aplicada na abertura de cofres, para ajudar o seu sócio e mentor, que foi inesperadamente hospitalizado, e a mulher dele. Só que os perigos ligados a esta última actividade são mais e muito maiores do que os da afinação de pianos. Leo Woodall, Dustin Hoffman, Jean Reno, Havana Rose Liu e Tovah Feldshuh interpretam esta fita em que Roher se mostra completamente à vontade com os mecanismos narrativos, as atmosferas, as personagens características e as convenções da Série B policial, e dá natural primazia ao som e à música (jazz e clássica). Pormenor: o sonoplasta da fita sofreu do mesmo problema auditivo da personagem principal.
O Convite

O Convite

Olivia Williams realiza e é uma das principais intérpretes, com Seth Rogen, Penélope Cruz e Edward Norton, desta versão americana do filme Sentimental, do espanhol Cesc Gay (2020), baseado numa peça do mesmo e que já tem adaptações ao cinema em vários países. Em São Francisco, um casal em grave crise matrimonial (Williams e Rogen) convida para jantar no seu apartamento os vizinhos de cima (Cruz e Norton), que não são casados e fazem demasiado barulho quando estão a fazer amor, para grande embirração do marido.
Vaiana

Vaiana

Uma década depois da longa-metragem animada homónima, assinada por John Musker e Ron Clements, chega a versão com actores, prosseguindo o plano da Walt Disney de refilmar todos os seus sucessos de animação. Thomas Kail realiza, Dwayne Johnson retoma o papel do semi-deus Maui e Catherine Laga’aia substitui Auli’i Cravalho no de Vaiana.
Mínimos e Monstros

Mínimos e Monstros

4 out of 5 stars
Lembram-se daqueles actores e actrizes que tinham vozes desagradáveis ou pouco atraentes ao ouvido e que acabaram por ficar sem carreiras quando o cinema passou de mudo a sonoro? É exactamente o que sucede aos Mínimos no seu novo filme animado de longa-metragem, Mínimos e Monstros. Realizado por Pierre Coffin, que também escreveu o argumento com Brian Lynch e participa a fazer as vozes dos Mínimos, e tutelada, como sempre, pela produtora Illumination, a fita é a terceira interpretada exclusivamente pelos Mínimos, contando também como a sétima da série Gru, o Maldisposto, em que as irresistíveis, barulhentas e caóticas criaturinhas amarelas aparecem. E é igualmente a mais ambiciosa e elaborada de todas em que eles surgem sem Gru e as suas crianças (ou quase…).  Mínimos e Monstros é uma combinação de breve história dos Mínimos e de aventura em Hollywood, ou seja, quase dois filmes num só. Tudo começa num museu de história do cinema, onde é contada a história de dois dos principais Mínimos a um grupo de turistas. E a resenha histórica arranca com os Mínimos à procura de vilões a quem servir ao longo dos tempos. Só que, inevitavelmente, os Mínimos acabam sempre, e sem querer, por matar os seus mestres, deixando-os no desemprego, por assim dizer. Até que um dia, quando atravessam um deserto, algures no início do século XX, deparam com um comboio a ser assaltado. Ansiosos de terem um vilão que mande neles, os Mínimos perseguem o assaltante, para se oferecerem como seus seguidores.
Broken English

Broken English

3 out of 5 stars
Marianne Faithfull morreu algum tempo antes da conclusão deste documentário biográfico em que é entrevistada no enquadramento ficcional de um Ministério do Não-Esquecimento, estabelecido de fresco pelo governo inglês. Os realizadores são Iain Forsyth e Jane Pollard, autores de Nick Cave – 20.000 Dias na Terra (2014), e o dispositivo formal que conceberam para o filme é não só intrusivo como completamente desnecessário, tal como o grupo de mulheres britânicas célebres que, sentadas à volta de uma mesa, pontuam com encómios e comentários, as histórias da biografada. Basta-nos ouvir Marianne Faithfull falar da sua vida cheia de alegrias e tragédias, de altos muito altos e de baixos muito baixos, e da sua carreira artística, acompanhada por imagens e sons de arquivo, e vários depoimentos de colegas, amigos e colaboradores.
Letras Roubadas

Letras Roubadas

John Carney, o autor de No Mesmo Tom e Sing Street junta, nesta comédia, Paul Rudd e Nick Jonas, nos papéis, respectivamente, de um cantor de casamentos acabado e do vocalista já com pouco fôlego de uma boy band fora de moda. O primeiro escreve uma canção de sucesso para este, que não lhe dá o devido mérito, deixando-o furioso.
Homem-Aranha: Um Novo Dia

Homem-Aranha: Um Novo Dia

Tom Holland volta a ser Peter Parker/Homem-Aranha e Zendaya MJ, a sua apaixonada, nesta nova aventura do super-herói com poderes aracnóides. Peter está agora plenamente concentrado nos seus estudos na universidade, deixando o Homem-Aranha para trás. Só que isso vai revelar-se impossível, com o aparecimento de uma grande ameaça, sob a forma de mais um poderoso inimigo. Quando este põe alguns dos amigos de Peter em perigo, este é obrigado a vestir o fato de Homem-Aranha para os proteger, e descobre um aliado inesperado. Destin Daniel Cretton assina o filme.
Her Private Hell

Her Private Hell

É numa metrópole futurista que se passa a nova fita de Nicolas Winding Refn, o realizador de Drive – Duplo Risco e O Demónio de Néon. Trata-se de um thriller de terror com elementos de ficção científica distópica, interpretado por Sophie Thatcher, Charles Melton e Dougray Scott. Refn põe em cena uma jovem atormentada que procura o pai desaparecido, e um militar americano destacado para o Japão, e embarcado numa odisseia para resgatar a filha das profundezas do inferno. Há ainda na história uma entidade letal e esquiva, libertada por um misterioso nevoeiro.
Franz

Franz

Polónia, Alemanha, República Checa, Turquia e França juntaram-se para produzir Franz, que segue a vida de Franz Kafka (interpretado por Idan Weiss), desde a juventude em Praga, até à sua morte prematura em Viena, em 1924, com apenas 40 anos. A realização é da polaca Agnieszka Holland. O filme começa quando o jovem Kafka se encontra dividido entre as expectativas profissionais que o seu rigoroso pai tem para ele, a rotina monótona e estéril na companhia de seguros em que trabalha, e o seu desejo ardente de escrever.
Ku Handza

Ku Handza

André Guiomar assina Ku Handza, filme composto por três histórias de sobrevivência passadas em Moçambique, protagonizadas por dois homens e uma mulher.
O Amor Que Perdura

O Amor Que Perdura

Filme islandês de Hlynur Pálmason, passado ao longo de um ano de vida de uma família, enquanto o pai e a mãe lidam com a sua separação. Pálmason explora as complexidades da família, do amor e o impacto das memórias partilhadas.
Dia D: Sob Pressão

Dia D: Sob Pressão

Brendan Fraser interpreta o general Dwight D. Eisenhower e Andrew Scott o capitão James Stagg, director da Unidade de Meteorologia dos Aliados, nesta fita baseada na peça de teatro de David Haig. A acção passa-se em 1944, ao longo das 72 cruciais horas antes da marcação do Dia D, em que tudo dependia da previsão meteorológica o mais exacta possível. Realização de Anthony Maras.

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‘A Odisseia’: a mais cara e controversa adaptação de Homero ao cinema

‘A Odisseia’: a mais cara e controversa adaptação de Homero ao cinema

O poema épico de Homero, que é, com A Ilíada, um dos maiores e mais perenes da história da humanidade, fascinou o cinema desde o tempo do mudo, datando a sua primeira transposição à tela de 1911, numa versão muda assinada pelo italiano Giuseppe de Liguoro. Mas só mais de 40 anos depois, em 1954, vimos outra adaptação cinematográfica, para muitos uma das melhores – ou mesmo a melhor – de todas: Ulisses, de outro italiano, Mario Camerini, com Kirk Douglas no papel principal, e com uma interpretação histórica (o actor ficou para sempre associado à personagem no imaginário cinéfilo), Anthony Quinn como Antinous e, numa original ideia de casting, Silvana Mangano no duplo papel de Circe e de Penélope.  Mas é na televisão que encontramos duas das mais conseguidas adaptações subsequentes de A Odisseia. A primeira data de 1968 e é uma série em co-produção italiana, francesa, alemã e jugoslava, tutelada pela RAI. O jugoslavo Bekim Fehmiu desempenha o papel de Ulisses, acompanhado por nomes como Irene Papas, Renaud Verley ou Barbara Bach. Os realizadores foram três: Mario Bava, Franco Rossi e Piero Schivazappa. A segunda foi a minissérie assinada em 1997 por Andrei Konchalovsky, tendo Francis Ford Coppola como um dos produtores, através da sua Zoetrope, Armand Assante interpretando Ulisses e um elenco onde Irene Papas volta a aparecer, e que inclui Greta Scacchi, Isabella Rossellini, Christopher Lee, Eric Roberts, Vanessa Williams, Jeroen Krabbé, Geraldine Chaplin ou Bernadette Peters,
‘O Convite’: dois casais e um serão muito especial

‘O Convite’: dois casais e um serão muito especial

Na base de O Convite, realizado pela actriz Olivia Wilde (é a sua terceira longa-metragem atrás das câmaras), que também interpreta, acompanhada por Seth Rogen, Penélope Cruz e Edward Norton, está um filme espanhol de 2020 intitulado Sentimental, assinado por Cesc Gay, que se estreou em Portugal sem ninguém dar por ele. Gay adaptou aqui ao cinema a sua própria peça de teatro de grande sucesso, Los Vecinos de Arriba, que além dos americanos, também já atraiu a atenção de países tão variados como a Coreia do Sul, a Suíça, a Itália ou a França, onde já teve versões cinematográficas. Desde 2021 que este remake americano estava anunciado, e o projecto passou por várias mãos antes de chegar às de Olivia Wilde, alguns anos depois. Se os argumentistas de O Convite se mantiveram os mesmos desde o início – Will McCormack e Rashida Jones –, realizador e actores mudaram desde que o projecto surgiu até começar finalmente a ser rodado. A fita esteve para ser feita por Jonathan Dayton e Valerie Faris (Uma Família à Beira de um Ataque de Nervos), e Amy Adams, Paul Rudd e Tessa Thompson iam interpretar três dos quatro papéis, mas finalmente, Wilde assumiu a realização e uma das personagens, acompanhada pelos citados Rogen, Cruz e Norton. Wilde não tenta escamotear as origens teatrais de O Convite, uma “peça de câmara” que se passa integralmente no apartamento de São Francisco de Joe (Rogen) e Angela (Wilde), casados e com uma filha de 12 anos. O seu matrimónio está a desfazer-se porque deixar
O Pátio das Antigas: Pinóquio, ontem loja de brinquedos, hoje restaurante

O Pátio das Antigas: Pinóquio, ontem loja de brinquedos, hoje restaurante

Em Agosto de 1950, em pleno Verão lisboeta, abriu nos Restauradores, mesmo ao fim da praça, no canto esquerdo, junto ao quiosque homónimo, aquela que foi uma das melhores lojas de brinquedos da capital: a Pinóquio. Escrevia, à altura, o Diário de Lisboa, citado pelo blogue Restos de Colecção: “Os olhos de todos os meninos de Lisboa – e dos adultos também – vão ficar cativados por esse mundo maravilhoso onde não faltará nada para fazer a alegria de um pequenito”. A loja juntava-se, naquele ramo de comércio e na localização, às prestigiadas Biagio Flora e Kermesse de Paris, que ficavam no lado oposto dos Restauradores. Além de brinquedos, a Pinóquio vendia ainda artigos para crianças e bebés, desde roupas a carrinhos. E como as duas atrás citadas, tornou-se num endereço obrigatório para a miudagem ir ver brinquedos na Baixa, uma verdadeira caverna de Ali-Babá do género. A Pinóquio tinha também o seu próprio Pai Natal, que todos os anos, na quadra natalícia, estacionava o seu trenó puxado por renas (de cartão…) à porta, e tirava fotografias com os mais pequenos, trazendo também consigo “as últimas novidades em brinquedos nacionais e estrangeiros”, como rezava então a publicidade. A Pinóquio fechou em 1980. Em 1982, e mantendo o nome, abriu em seu lugar um restaurante e cervejaria, que ainda lá hoje se mantém. Coisas e loisas de outras eras + Estúdio do Império, a sala “arte e ensaio” pioneira + O teatro que tinha um túnel secreto + As longas noites do Porão da Nau + Star, o cine
‘Supergirl’: as aventuras da prima mais nova do Super-Homem

‘Supergirl’: as aventuras da prima mais nova do Super-Homem

Criada em 1959 nas páginas dos DC Comics por Otto Binder e Al Plastino, Kara Zor-El, ou Supergirl (ou ainda Linda Lee, na sua identidade pública em Metropolis), é a prima mais nova de Super-Homem, sendo filha de Zor-El, o irmão do pai do Homem de Aço, Jor-El. Supergirl já apareceu em séries de televisão como Smallville ou naquela com o seu nome, que durou entre 2016 e 2021, e interpretada, respectivamente, por Laura Vandervoort e Melissa Benoist. A personagem também já marcou presença em várias séries de animação, de Superman: The Animated Series a DC Super Hero Girls ou My Adventures With Superman. A sua estreia no cinema foi, no entanto tardia, em 1984, no filme Supergirl, de Jeannot Szwarc, que deveu a sua produção ao sucesso dos títulos da série Super-Homem interpretados por Christopher Reeve. Helen Slater foi a escolhida para personificar Supergirl na sua primeira aparição cinematográfica, na companhia de nomes como Peter O’ Toole, Faye Dunaway, Mia Farrow ou Brenda Vaccaro, numa história que a punha a enfrentar uma poderosa feiticeira chamada Selena (Dunaway). Só que Supergirl esteve bastante aquém de ter o impacto esperado, não conseguindo repetir os bons resultados de bilheteira dos três Super-Homem feitos até aí. A personagem foi metida na gaveta e os planos de Supergirl 2 cancelados e esquecidos. DRSupergirl (1984) Só 42 anos mais tarde, e após duas breves aparições em The Flash (2023) e no mais recente Superman, realizado por James Gunn em 2025, é que Supergirl v
‘Dois Procuradores’: dentro da máquina trituradora do terror estalinista

‘Dois Procuradores’: dentro da máquina trituradora do terror estalinista

Em 2018, o realizador ucraniano Sergei Loznitsa fez um documentário intitulado Process, composto por imagens de arquivo e referente a um processo-fantoche em que o Estado soviético julgou e condenou um grupo de engenheiros, economistas e pessoas ligadas à indústria, acusadas de sabotagem e de planearem um golpe contra o poder estabelecido (as acusações eram todas fabricadas, e os réus estavam condenados à morte logo à partida). Do lado da acusação estava, entre outros, o temível Andrei Vishinsky, então presidente do Supremo Tribunal da União Soviética, e que anos depois chegaria a procurador-geral do país. Este documentário forma agora um díptico com Dois Procuradores, o novo filme de Loznitsa, e a sua primeira longa-metragem de ficção desde Donbass, de 2018, que esteve na Competição Oficial do Festival de Cannes do ano passado. E o citado Andrei Vishinsky volta a aparecer, desta feita interpretado por um actor. A história de Dois Procuradores foi inspirada por uma novela do escritor e cientista Georgy Demidov escrita em 1969. Demidov foi preso em 1938 e esteve internado num dos campos do Gulag durante 14 anos, e até à sua morte, em 1987, nunca deixou de ser vigiado pelo governo soviético e de ser regularmente importunado pelo KGB. O filme passa-se em 1937, quando as purgas estalinistas do Grande Terror estavam no auge. O protagonista é Kornyev (Aleksandr Kuznetsov), um jovem procurador de província recém-nomeado para o cargo, e que é um bolchevique convicto, mas também um ju
‘O Dia da Revelação’: Spielberg acredita mesmo em extraterrestres

‘O Dia da Revelação’: Spielberg acredita mesmo em extraterrestres

Passaram 49 anos sobre a estreia de Encontros Imediatos do Terceiro Grau, e 42 sobre a de E.T. – O Extraterrestre, e Steven Spielberg acredita, mais do que nunca, em ovnis e em extraterrestres. E volta a usá-los como matéria narrativa em O Dia da Revelação, a sua nova superprodução de ficção científica, que se estreia no dia 11 de Junho. Um filme com argumento do veterano David Koepp, seu colaborador de longa data (recordemos Parque Jurássico, A Guerra dos Mundos ou Indiana Jones e o Marcador do Destino), assente numa história escrita pelo realizador. E para o qual Koepp escreveu 42 rascunhos, o que constitui um recorde na sua já longa carreira de guionista. Numa entrevista dada ao número de Junho da revista francesa Première, Steven Spielberg disse, com toda a clareza: “Eu acredito [na vida extraterrestres]. Acredito mesmo. Nunca vi nenhum OVNI nem nenhum UAP (Unidentified Aerial Phenomenon), mesmo que tenha sempre sonhado com isso. Aliás, sempre achei bastante injusto que a pessoa que realizou Encontros Imediatos do Terceiro Grau e E.T. nunca tenha tido a oportunidade de ter um encontro do primeiro tipo digno desse nome! [Risos.] Dito isto, provas circunstanciais, elementos aos quais toda a gente tem hoje acesso, permitem-me dizer que pelo menos há 80 anos, fomos descobertos por uma espécie de um outro mundo, uma inteligência não-humana que interage connosco desde então nos ares e sob os mares”. O realizador acrescentou ainda que em O Dia da Revelação, tudo é “especulação c
O Pátio das Antigas: Estúdio do Império, a sala “arte e ensaio” pioneira

O Pátio das Antigas: Estúdio do Império, a sala “arte e ensaio” pioneira

Inaugurado em 1964 com Os Chapéus de Chuva de Cherburgo, de Jacques Demy, o Estúdio do Cinema Império (que havia aberto as portas 12 anos antes, em 1952), foi a primeira sala-estúdio, ou de cinema de “arte e ensaio”, de Lisboa, tendo aproveitado a alteração da lei municipal efectuada em 1959, que passava a autorizar a construção de pequenos cinemas nos prédios de habitação e comércio da capital. O Estúdio “nasceu” por cima do segundo balcão do Império, no lugar onde havia originalmente um bar, e tinha 243 lugares. O lado direito da sala, que dava para a Alameda Afonso Henriques, era totalmente envidraçado, e quando as sessões começavam era accionada uma espessa cortina deslizante que cortava por completo a luz exterior.  No início, algumas pessoas, habituadas às espaçosas “catedrais do cinema” de Lisboa, como o Monumental, o São Jorge ou o próprio Império, queixaram-se de algum desconforto e mesmo de claustrofobia, mas o Estúdio depressa vingou junto dos espectadores, para o que contribuiu a sua programação de filmes então ditos “difíceis”, ao gosto de um público mais militantemente cinéfilo. Foi o caso dos de Ingmar Bergman, que ali eram estreados com regularidade e faziam lotações esgotadas, ou de Jean-Luc Godard, e também títulos portugueses como Uma Abelha na Chuva, de Fernando Lopes. O Estúdio fechou as portas ao mesmo tempo que o Império, a 31 de Dezembro de 1983. Coisas e loisas de outras eras + O teatro que tinha um túnel secreto + As longas noites do Porão da Nau + S
‘Backrooms – O Labirinto’: os infindáveis espaços do terror

‘Backrooms – O Labirinto’: os infindáveis espaços do terror

Clark (Chiwetel Ejiofor), o herói de Backrooms – O Labirinto, de Kane Parsons, não podia estar mais na mó de baixo. É um arquitecto frustrado que não arranja emprego na sua profissão e que abriu uma loja de móveis para conseguir pagar as contas. Só que os clientes escasseiam e Clark, que se separou da mulher e saiu de casa, ficou reduzido a viver na loja. Está também a consultar uma psicanalista, Mary (Renate Reinsve), mas as sessões que tem com ela não parecem dar resultados concretos. E como se tudo isto não fosse suficiente, a loja está com problemas eléctricos. As luzes apagam-se e acendem-se de repente, em especial à noite, quando Clark está a ver televisão, e o electricista não percebe onde está a avaria. Um dia, Clark está na cave, junto ao quadro eléctrico, a tentar ver o que se passa com a iluminação da loja, que está de novo a falhar, quando, para seu enorme espanto, atravessa uma das paredes e vai dar ao que parece ser uma sala da loja ao lado da sua. Mas não é. Clark começa a explorar esse espaço e descobre que se trata de uma outra e muito estranha dimensão paralela à nossa, em que as salas se sucedem, umas vazias, outras com móveis ou outros objectos, outras ainda com escritos nas paredes. Clark não encontra ninguém, mas a certa altura dá-se conta de uma estranha e pouco nítida presença, que o enche de medo e o faz voltar à cave da sua loja, aterrorizado.  Clark vai logo contar a Mary que descobriu esta labiríntica e inquietante dimensão, mas ela não acredita, e
‘Star Wars: Mandalorian e Grogu’ – a aventura continua, agora no cinema

‘Star Wars: Mandalorian e Grogu’ – a aventura continua, agora no cinema

Se não tivesse sido uma greve, a série Guerra das Estrelas teria continuado sem ter uma longa-metragem desde Star Wars: Episódio IX – A Ascensão de Skywalker, realizada por J. J. Abrams em 2019; um filme desta saga nunca teria sido rodado inteiramente na Califórnia, em vez de andar por outros estados dos EUA e por países estrangeiros: e as personagens do Mandalorian e de Grogu não teriam passado do streaming e da televisão para o grande ecrã. É, assim, a um enorme litígio laboral ocorrido em Hollywood em 2023 que os fãs do universo de Guerra das Estrelas devem Star Wars: Mandalorian e Grogu, de Jon Favreau, que tem estreia em Portugal marcada para dia 21 de Maio. Em Fevereiro desse ano, Favreau, Dave Filoni e Noah Kloor tinham acabado de escrever a quarta temporada da série The Mandalorian, da Disney+ (a primeira de imagem real de Guerra das Estrelas, já que até aí apenas tinham sido feitas séries de animação). Mas a produção teve que ser suspensa por causa das graves e longas disputas laborais que atingiram a produção cinematográfica e televisiva nos EUA entre Maio e Novembro, quando os sindicatos do argumentistas e dos actores entraram em greve em simultâneo (o fenómeno ficou conhecida pela “Greve Dupla de Hollywood”, como os media então a baptizaram), apenas a segunda vez que tal sucedeu na história desta indústria (a primeira havia sido em 1960).   O início da rodagem desta quarta temporada de The Mandalorian estava marcado para Setembro de 2023, mas com a greve a prolong
‘As Ovelhas Detectives’: o rebanho investiga o assassínio do seu pastor

‘As Ovelhas Detectives’: o rebanho investiga o assassínio do seu pastor

A literatura policial já nos deu todo o tipo de detectives, policiais e particulares, mas nunca animais. Muito menos ovelhas. Isto até que, em 2005, a escritora policial alemã Leonie Swann publicou um livro chamado Three Bags Full: A Sheep Detective Story (título inglês, Glennkill: Ein Schafskrimi no original germânico). A história passa-se em Glennkill, na Irlanda, onde um pastor chamado George Glenn tem o hábito de ler livros todas as noites às ovelhas do seu rebanho. Um dia, George é encontrado assassinado e as ovelhas decidem investigar por conta própria e encontrar o criminoso. Os animais percebem o que os humanos dizem (até mesmo George o ignorava), mas não conseguem comunicar com eles, o que, naturalmente, complica a sua acção detectivesca. (Pormenor saboroso: uma das ovelhas chama-se Miss Maple, em homenagem à idosa mas argutíssima detective amadora criada por Agatha Christie). O livro foi um sucesso doméstico e internacional, tendo sido traduzido em 30 línguas até agora (embora ainda não para português). Em 2010, Swann escreveu uma continuação, Garou, publicada o ano passado em inglês com o título Big Bad Wool. A veterana produtora americana Lindsay Doran leu o primeiro livro pouco depois de ter sido traduzido em inglês, gostou muito e passou-o ao argumentista e realizador Craig Mazin (A Ressaca Parte II, Chernobyl) para o transformar num guião. No entanto, Doran apenas conseguiu adquirir os direitos para cinema de Three Bags Full: A Sheep Detective Story vários anos
O Pátio das Antigas: O teatro que tinha um túnel secreto

O Pátio das Antigas: O teatro que tinha um túnel secreto

Construído em 1888 num terreno entre o final da Avenida da Liberdade e a Rua dos Condes, onde se tinham erguido o Teatro Chalet e antes deste o Teatro da Rua dos Condes, e financiado pelo riquíssimo Francisco Grandella, o futuro dono dos Armazéns Grandella, o Teatro Novo da Rua dos Condes contrastava com os seus dois antecessores por apresentar uma programação mais cuidada e variada, e ser “muito fresco, muito elegante e muito aceado”, como então escreveu o dramaturgo, escritor e jornalista Gervásio Lobato. A abertura do Teatro Novo da Rua dos Condes teve honras de monólogo interpretado pelo lendário actor Taborda, e na cave do edifício havia um restaurante onde se reunia o grupo maçónico Os Makavenkos, fundado pelo mesmo Francisco Grandella, e do qual faziam parte, entre outros, Rafael Bordalo Pinheiro e Bulhão Pato. Foi lá que se conspirou contra a monarquia e preparou a revolução de 5 de Outubro de 1910. Este restaurante comunicava com o restaurante Abadia, aberto em 1917 nas caves do Palácio Foz, por meio de um túnel secreto, e nele os Makavenkos também se juntavam para comer e conviver. O túnel seria destruído, meio século mais tarde, pelas obras do Metro. Em 1915, e após sofrer obras, o Teatro Novo da Rua dos Condes passou a Cinema Condes. Foi demolido em 1951, para dar lugar ao novo Cinema Condes, que fecharia em 1997. Hoje está lá o Hard-Rock Café. Coisas e loisas de outras eras + As longas noites do Porão da Nau + Star, o cinema das cadeiras como nuvens + Cafés e chá
‘Good Boy – Terapia de Choque’: um genuíno OVNI cinematográfico

‘Good Boy – Terapia de Choque’: um genuíno OVNI cinematográfico

Há filmes que aparecem de vez em quando (embora cada vez menos) que parece que foram metidos numa máquina do tempo no passado e enviados para serem vistos na nossa época. Good Boy – Terapia de Choque, do polaco Jan Komasa, rodado na Polónia e em Inglaterra, é um desses filmes. Ajudará talvez dizermos que por trás dele está o veterano dramaturgo, actor e realizador polaco Jerzy Skolimowski, um dos nomes maiores do cinema de Leste. Quase à beira dos 90 anos e ainda activo, Skolimowski é o autor de fitas como Adolescente Perversa, O Uivo (um dos filmes de culto da década de 70), Moonlighting, Quatro Noites com Ana ou EO, Prémio do Júri do Festival de Cannes em 2022.  Good Boy – Terapia de Choque aparenta ter vindo directamente desses anos 70 abundantes em fitas originais, inquietantes, fora dos formatos convencionais, que desafiavam rótulos e classificações, e fugiam a identificações com tendências, escolas ou géneros bem específicos. O polaco Jan Komasa é o autor do muito bom Corpus Christi – A Redenção (2019), nomeado ao Óscar de Melhor Filme Internacional, sobre um jovem delinquente que sente uma vocação espiritual e vai para uma aldeia onde finge ser padre; ou do menos conseguido Anniversary – Mudança Radical, um thriller político rodado nos EUA. Foi o seu compatriota Skolimowski quem o abordou para lhe oferecer o argumento de Good Boy – Terapia de Choque, após ter visto, precisamente, Corpus Christi – A Redenção. Juntamente com Jeremy Thomas, Jerzy Skolimowski é também o pr