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Eurico de Barros

Eurico de Barros

Articles (510)

Os pecados de ‚ÄėO Crime do Padre Amaro‚Äô

Os pecados de ‚ÄėO Crime do Padre Amaro‚Äô

‚ėÖ‚ėÖ‚ėÜ‚ėÜ‚ėÜ Em 2002, tivemos uma adapta√ß√£o mexicana ao cinema de O Crime do Padre Amaro, de E√ßa de Queir√≥s, atrevidota em termos de sexo. Seguiu-se-lhe, em 2006, outra vers√£o, esta portuguesa, para cinema e televis√£o, que trazia a hist√≥ria para o nosso tempo, e para um bairro ‚Äúproblem√°tico‚ÄĚ de Lisboa, e carregava bastante na tecla er√≥tica. E quando parecia que o √ļnico livro de E√ßa que n√£o envelheceu l√° muito bem (sobretudo pelo ‚Äúrealismo de tra√ßo grosso‚ÄĚ, como notou Machado de Assis √† altura da publica√ß√£o) tinha sido deixado em paz, eis que surge mais uma adapta√ß√£o de O Crime do Padre Amaro (RTP1. Qua 22.30/RTP Play), para a qual s√≥ vemos duas raz√Ķes. Uma, √© o gozo f√°cil de zupar forte e feio na Igreja; e a outra √© o sexo, que at√© √© metido onde n√£o existe no livro (o padre que Amaro vem substituir morre de uma apoplexia ap√≥s uma ceia de peixe, e n√£o a copular com uma prostituta, como na s√©rie). Anticlericalismo cr√≥nico e abuso de carnalidade √† parte, este novo Crime do Padre Amaro √© uma coisa condensada, mastigada e modorrenta, com escassa vivacidade dram√°tica e ainda menos tens√£o er√≥tica, um Amaro assim para o pan√£o e uma Am√©lia p√£ozinho sem sal. O Primo Bas√≠lio e A Cidade e as Serras, entretanto, ainda continuam √† espera de quem os transforme numa s√©rie de televis√£o catita.

Os filmes em cartaz esta semana, de ‚ÄėBatem √† Porta‚Äô a ‚ÄėOs Esp√≠ritos de Inisherin‚Äô

Os filmes em cartaz esta semana, de ‚ÄėBatem √† Porta‚Äô a ‚ÄėOs Esp√≠ritos de Inisherin‚Äô

Tanto cinema, tão pouco tempo. Há filmes em cartaz para todos os gostos e feitios. Das estreias em cinema aos títulos que, semana após semana, continuam a fazer carreira nas salas. O que encontra abaixo é uma selecção dos filmes que pode ver no escurinho do cinema, que isto não dá para tudo (não sobra tempo nem dinheiro). Há que fazer escolhas e assumi-las (coisa que fazemos, com mais profundidade, na nossa página de críticas). Nas semanas em que há estreias importantes de longas-metragens no streaming, também é aqui que as encontra. Bons filmes. Recomendado: As estreias de cinema a não perder nos próximos meses

‚ÄėFunny Woman‚Äô, ‚ÄėThe Consultant‚Äô e mais 12 s√©ries a n√£o perder em Fevereiro

‚ÄėFunny Woman‚Äô, ‚ÄėThe Consultant‚Äô e mais 12 s√©ries a n√£o perder em Fevereiro

Christoph Waltz, David Tennant e Billy Crudup. √Č este trio que vamos poder ver na televis√£o este m√™s. Cada um na sua s√©rie: The Consultant, Litvinenko e Ol√°, Amanh√£!. E cada um no seu servi√ßo de streaming: Amazon Prime Video, Disney+ e Apple TV+, respectivamente. Para todos os efeitos, √© um bingo. Para a Netflix fica o regresso de Tu e para a HBO Max uma s√©rie documental sobre a produ√ß√£o da primeira temporada de House of The Dragon. H√° ainda regressos muito aguardados como os de Opera√ß√£o Mar√© Negra e Carnival Row. Mas h√° mais. Estas s√£o as 14 s√©ries que queremos ver em Fevereiro. Recomendado: As s√©ries do momento que est√£o a colar-nos √† televis√£o

As séries novas da Netflix de que anda à procura

As séries novas da Netflix de que anda à procura

A Netflix √© a terra da abund√Ęncia no que toca ao streaming. Todas as semanas se estreiam mais e mais s√©ries e filmes. √Č dif√≠cil, sen√£o imposs√≠vel, acompanhar o ritmo. Como escolher o que ver a seguir quando h√° tantas e t√£o variadas¬†op√ß√Ķes? Aqui concentramos a nossa aten√ß√£o nas s√©ries dispon√≠veis na Netflix. E nem sequer √© em todas s√©ries: aqui olhamos para as novidades. Nada de novas temporadas, reposi√ß√Ķes, fundo de cat√°logo, nada disso. Esta √© a lista das s√©ries novas da Netflix que valem a pena ver. Recomendado: As 20 melhores s√©ries para ver na Amazon Prime Video

Sete filmes sobre o Dia dos Namorados

Sete filmes sobre o Dia dos Namorados

Nem s√≥ de com√©dias rom√Ęnticas se fazem¬†as fitas dedicadas √†¬†data, porque h√° tamb√©m dramas indie e at√© anima√ß√Ķes com Charlie Brown e Snoopy. Nestes sete filmes sobre o Dia dos Namorados, encontra ainda nomes como Julia Roberts, Bradley Cooper, Anthony Michael Hall, Shirley McLaine, Nia Vardalos ou Ann Hathaway. Prepare-se para uma sess√£o de cinema no escurinho do quarto ou da sala de estar e¬†para rir, chorar ou comover-se na companhia do seu namorado ou da sua namorada. Para o mood perfeito, o melhor √© arranjar umas mantas, umas velas cheirosas e um bom vinho. Recomendado: Bares rom√Ęnticos em Lisboa para impressionar num encontro

As estreias de cinema para ver em Fevereiro, de ‚ÄėT√°r‚Äô a ‚ÄėImp√©rio da Luz‚Äô

As estreias de cinema para ver em Fevereiro, de ‚ÄėT√°r‚Äô a ‚ÄėImp√©rio da Luz‚Äô

Com os √ďscares no horizonte, o que nos leva √†s salas √© mais do que cinefilia. √Č FOMO. Queremos ver tudo o que est√° nomeado para concordar serenamente com a Academia norte-americana de Artes e Ci√™ncias Cinematogr√°ficas, ou discordar violentamente. Os americanos sabem l√°! √Č tudo pol√≠tico! Etc. (At√© sabem, mas nessa vers√£o do mundo as conversas de caf√© s√£o menos vivas e interessantes.) As estreias de cinema para ver em Fevereiro incluem dois dos filmes com mais indica√ß√Ķes √†s estatuetas douradas ‚Äď Os Esp√≠ritos de Inisherin e T√°r ‚Äď, mas n√£o se esgotam a√≠. H√° super-her√≥is,¬†M. Night Shyamalan, Sam Mendes e Mario Martone. Recomendado:¬†As estreias de cinema a n√£o perder nos pr√≥ximos meses

‚ÄėNot for Resale‚Äô, um portal para o mundo dos v√≠deo-coleccionadores

‚ÄėNot for Resale‚Äô, um portal para o mundo dos v√≠deo-coleccionadores

As pessoas s√£o capazes de coleccionar tudo. E o document√°rio Not for Resale, de Kevin J. James (TVCine Edition), √© dedicado aos coleccionadores de jogos de v√≠deo cl√°ssicos. Quando o digital ainda n√£o reinava tamb√©m neste meio, quando os grandes sucessos se chamavam Pac-Man, Super Mario Bros. ou Kung Fu Master, e quando E.T. the Extraterrestrial, um dos primeiros jogos tirado de um filme, podia ser uma decep√ß√£o global. James entra no mundo de nicho (mas um nicho consider√°vel) das lojas independentes especializadas e dos youtubers apaixonados, dos coleccionadores met√≥dicos e enciclop√©dicos (que por vezes acumulam com as duas actividades anteriores), e das conven√ß√Ķes; fala com gente de v√°rias gera√ß√Ķes e ouve as suas opini√Ķes, motiva√ß√Ķes, hist√≥rias, queixas e recorda√ß√Ķes, e visita o fascinante Museu Nacional de Jogos de V√≠deo, em Frisco, no Texas (tamb√©m os h√° na Europa), mostrando que n√£o √© s√≥ o gosto da acumula√ß√£o selectiva, a satisfa√ß√£o l√ļdica dada por este tipo de entretenimento na sua vertente cl√°ssica, ou a mera nostalgia, que os impele. √Č tamb√©m o prazer de possuir, manejar e preservar o objecto f√≠sico em si. Tudo isso faz Not for Resale transcender o seu cantinho espec√≠fico e conseguir interessar ‚Äď e emocionar ‚Äď qualquer coleccionador, que se sentir√° entre os seus.

‚ÄėTudo em Todo o Lado ao Mesmo Tempo‚Äô e outras raz√Ķes para ligar a TV esta semana

‚ÄėTudo em Todo o Lado ao Mesmo Tempo‚Äô e outras raz√Ķes para ligar a TV esta semana

√Č certo e sabido que somos adeptos de passeios¬†pela cidade, idas ao cinema e ao teatro, concertos, jantares fora e uns¬†bons copos. Mas √†s vezes tamb√©m sabe bem ficar a vegetar, agrafado ao ecr√£, no¬†conforto do lar. Para que n√£o desperdice estes valiosos momentos¬†de zapping, damos-lhe as melhores raz√Ķes para ligar a televis√£o esta semana. Porque h√° programas que ainda vale a pena ver em directo e estreias, nos canais tradicionais e nos servi√ßos de streaming, que n√£o vai querer perder. Recomendado: Os filmes originais Netflix que tem de ver

A baixa finança de Bernie Madoff

A baixa finança de Bernie Madoff

‚ėÖ‚ėÖ‚ėÖ‚ėÖ‚ėÜ A grande crise financeira de 2008 faz 15 anos e a s√©rie documental Madoff: The Monster of Wall Street (Netflix) cai como sopa no mel, porque foi gra√ßas a ela que Bernie Madoff foi preso e se descobriu o colossal e multinacional esquema de Ponzi que montou: n√£o tinha liquidez para pagar a todos os que correram a levantar o seu dinheiro. √Č uma hist√≥ria de gan√Ęncia, credulidade, poder e neglig√™ncia. Em quatro epis√≥dios, o realizador Joe Berlinger conta a ascens√£o, o esplendor e a queda de Madoff com a estaleca de um filme policial, vasculhando toda a sua vida e os neg√≥cios. Madoff: The Monster of Wall Street mostra que j√° desde que era jovem e se lan√ßou no mundo da finan√ßa, nos anos 60, que ele era tu c√°, tu l√° com a ilegalidade; como pessoas de todas as origens sociais lhe confiaram grandes fortunas ou todas as suas economias, sem desconfiarem de nada; ou a abismal neglig√™ncia das autoridades e do regulador, que apesar dos avisos de dois jornalistas e da tenacidade de um solit√°rio analista financeiro, que detectou a fraude e a denunciou continuamente, pouco ou nada fizeram para o investigar. E entre o crime e o castigo, e a morte de Bernie Madoff na pris√£o em 2021, ficaram milhares de vidas destru√≠das, e impunes muitos dos que o ajudaram e sustentaram.

‚ÄėAbandonados‚Äô, uma s√©rie para deixarmos a falar para o boneco

‚ÄėAbandonados‚Äô, uma s√©rie para deixarmos a falar para o boneco

‚ėÖ‚ėÜ‚ėÜ‚ėÜ‚ėÜ Recorrer √† prata da casa, ou por falta de meios, ou porque se acha que se pode fazer bem com o que est√° √† m√£o, pode resultar em situa√ß√Ķes de um rid√≠culo involunt√°rio e embara√ßoso, como vemos em Abandonados (RTP1/RTP Play), passada em Timor, em 1942, durante a invas√£o japonesa. Em vez de ir buscar actores australianos (ou ingleses) para personificarem os militares deste pa√≠s que estavam na ilha antes da chegada dos nip√≥nicos, os respons√°veis pela s√©rie puseram actores portugueses a interpret√°-los, falando portugu√™s macarr√≥nico √† inglesa. √Č pura e simplesmente imposs√≠vel acreditarmos em tal coisa, e sempre que um deles abre a boca largamos a rir, de t√£o absurdo e caricato. Faz lembrar o agente ingl√™s de Filipe Ferrer no Casino Royal de Herman Jos√©, s√≥ que este era deliberadamente c√≥mico. Abandonados deve ser tamb√©m a s√©rie mais tagarela da hist√≥ria da televis√£o nacional. A ac√ß√£o √© escass√≠ssima, atabalhoada e raqu√≠tica, e as personagens passam o tempo a dar √† l√≠ngua, em longas e chat√≠ssimas sequ√™ncias de explica√ß√£o, exposi√ß√£o, descri√ß√£o ou digress√£o. A guerra? √Č algo que acontece quase por acaso nos breves intervalos de t√£o abundante e sup√©rflua palheta, debitada por actores v√°cuos de express√£o e nulos de convic√ß√£o. √Č deix√°-los a falar para o boneco.

Os filmes de animação que vamos ver até à Primavera

Os filmes de animação que vamos ver até à Primavera

√Č com uma nova aventura do urso Ernest e da ratinha C√©lestine que abre, este m√™s de Janeiro, a √©poca da anima√ß√£o de 2023 nos cinemas portugueses. At√© ao in√≠cio da Primavera, v√£o estrear-se ainda longas-metragens com aranhas detectives, m√ļmias do Egipto que visitam Londres, um c√£o que quer a toda a for√ßa ser samurai, e os insepar√°veis Mario Bros., do c√©lebre jogo de v√≠deo, que na vers√£o original contar√° com um elenco de renome nas vozes ‚Äď Chris Pratt, Anya Taylor-Joy, Jack Black e Seth Rogen. Estes s√£o os filmes de anima√ß√£o que estamos prestes a ver no cinema. Recomendado: Os filmes de anima√ß√£o na Netflix que n√£o pode perder

‚ÄėCrimes Graves‚Äô, um caso raro entre spinoffs

‚ÄėCrimes Graves‚Äô, um caso raro entre spinoffs

‚ėÖ‚ėÖ‚ėÖ‚ėÜ‚ėÜ Quem segue s√©ries policiais conhece The Closer (2005-2012), com Kyra Sedgwick no papel de Branda Johnson, a nada convencional chefe da Brigada Especial de Homic√≠dios da Pol√≠cia de Los Angeles. The Closer vivia muito das personagens, j√° que Johnson liderava uma variada e bem caracterizada equipa, o que fazia da s√©rie um modelo de ensemble piece, em que a riqueza do colectivo provinha da individualidade especial de cada membro da unidade. The Closer deixou saudades e um rasto de culto. Por isso, os produtores pegaram na maioria do elenco e foram buscar a personagem da capit√£ Sharon Raydor, interpretada por Mary McDonnell, que apareceu em v√°rios epis√≥dios de The Closer, e puseram-na a chefiar a mesma unidade num spinoff, Crimes Graves (FOX Crime). McDonnell n√£o tem o carisma extravagante de Sedgwick, mas n√£o comete o erro de a tentar imitar: o temperamento de Raydnor est√° no oposto do de Brenda Johnson, mas partilham a mesma arg√ļcia e atributos intelectuais. O grupo de agentes, entre caras conhecidas e novas aquisi√ß√Ķes, e com o batido e resmung√£o tenente Louie Provenza (G.W. Bailey) √† frente, e a qualidade dos argumentos, garante que, embora fique um patamar abaixo de The Closer, Crimes Graves seja ‚Äď caso raro ‚Äď um digno spinoff. Bom trabalho de equipa.

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Ennio, o Maestro

Ennio, o Maestro

4 out of 5 stars

Na primeira vez que Pier Paolo Pasolini e Ennio Morricone colaboraram, o realizador informou o compositor que ia utilizar Bach em toda a banda sonora do filme. ‚ÄúEnt√£o n√£o estou aqui a fazer nada!‚ÄĚ, disparou-lhe Morricone, e foi-se embora. Pasolini abdicou de Bach e deu carta branca a Morricone para compor a banda sonora como quisesse. Esta √© apenas uma das muitas hist√≥rias contadas pelos muitos entrevistados do longu√≠ssimo document√°rio de Giuseppe Tornatore sobre o seu muito prol√≠fico compatriota, Ennio, o Maestro, que impressiona n√£o s√≥ pela dura√ß√£o (duas horas e meia), como pela quantidade e qualidade de informa√ß√£o sobre o biografado (que tamb√©m participa, numa grande entrevista que atravessa todo o filme, feita pouco tempo antes da sua morte, em 2020), pelos nomes da m√ļsica e do cinema que aparecem a incens√°-lo, pela variedade das imagens de arquivo usadas, e ainda da m√ļsica composta por Morricone ao longo da sua abundant√≠ssima carreira (s√≥ bandas sonoras, foram mais de 500). Se h√° um reparo que podemos fazer a Ennio, o Maestro, √© passar em branco as dezenas e dezenas de bandas sonoras ‚Äúalimentares‚ÄĚ e repetitivas que fez para outros tantos filmes menores, esquecidos ou muito maus, embora um dos seus colegas italianos refira de passagem que, a dado momento, Morricone andava a compor m√ļsica para westerns spaghetti a mais, e que era toda igual. De resto, Tornatore praticamente n√£o deixa nada por dizer, a come√ßar na inf√Ęncia musical do compositor (o pai era trompetista e queri

Batem à Porta

Batem à Porta

2 out of 5 stars

Em vez de filmar um argumento original, M. Night Shyamalan adapta aqui o premiado livro The Cabin at the End of the World, de Paul Tremblay. Dois gays e a sua pequena filha adoptiva v√™em a sua cabana de f√©rias, isolada num bosque, invadida por um quarteto de estranhos que empunham armas artesanais. S√£o manietados e dizem-lhes que se n√£o escolherem um deles para ser morto em sacrif√≠cio por um dos outros dois, o Apocalipse cair√° sobre a humanidade. Em Batem √† Porta, a surpresa, revela√ß√£o ou twist final caracter√≠sticos dos filmes de Shyamalan tomam a forma de uma d√ļvida: ser√° que os quatro invasores dizem a verdade e o mundo pode mesmo acabar se a pequena fam√≠lia n√£o sacrificar um dos seus membros, ou s√£o fan√°ticos criminosos? O enredo daria um bom epis√≥dio de The Twilight Zone, mas √© muito ‚Äúesticado‚ÄĚ, o que atenua o suspense e aligeira a tens√£o, h√° flashbacks a mais, as interpreta√ß√Ķes s√£o quase todas muito m√°s, os efeitos digitais toscos, e o desenlace √© mais convencional e menos dr√°stico que o do livro, embora n√£o seja preciso t√™-lo lido para n√£o ficarmos convencidos e impressionados. N√£o √© com Batem √† Porta que M. Night Shyamalan vai voltar √† m√≥ de cima do cinema fant√°stico e de terror.

Amadeo

Amadeo

2 out of 5 stars

Depois de Florbela (2012) e Al Berto (2017), Amadeo, dedicado ao pintor Amadeo de Souza-Cardoso, √© o terceiro filme de Vicente Alves do √ď sobre artistas portugueses, e o menos conseguido dos tr√™s. O realizador tem os actores (Rafael Morais √© um s√≥brio Amadeo), tem as paisagens, tem uma boa recria√ß√£o de √©poca e execu√ß√£o cinematogr√°fica, mas falta-lhe um ponto de vista sobre o artista e uma √Ęncora narrativa. O filme abre nos anos finais da vida de Amadeo, quando o eclodir da I Guerra Mundial o afastou e √† mulher, Lucie, de Paris, e os confinou √† casa da fam√≠lia em Amarante; tem alguns flashbacks pelo meio e conclui-se com a morte do artista, de gripe pneum√≥nica, em 1918, com apenas 30 anos. Amadeo n√£o tem quase nada de consistente, relevante ou comunicativo para dar ao espectador sobre a biografia, as rela√ß√Ķes com os artistas seus contempor√Ęneos, as opini√Ķes est√©ticas e a pintura do seu protagonista, e toda a √ļltima parte √© ocupada, arrastada e lugubremente, com os padecimentos dos familiares de Amadeo atingidos pela pneum√≥nica. √Č verdade que o facto de o pintor ser de uma fam√≠lia abastada, nunca ter conhecido dificuldades financeiras, ter tido uma vida sentimental est√°vel e feliz e gozado de algum reconhecimento (sobretudo internacional) ainda em vida, reduz bastante as hip√≥teses de dramatiza√ß√£o da sua curta exist√™ncia ‚Äď cuja √ļnica grande trag√©dia foi, precisamente, a morte prematura.

O Filho

O Filho

2 out of 5 stars

Depois do oscarizado O Pai (2020), com Anthony Hopkins no papel de um homem cuja doen√ßa degenerativa lhe est√° a baralhar a percep√ß√£o da realidade, o dramaturgo e realizador franc√™s Florian Zeller filma, em O Filho, outra das suas pe√ßas de teatro dedicadas √† fam√≠lia, voltando a assinar o argumento com o seu colega ingl√™s Christopher Hampton. Hugh Jackman interpreta Peter Miller, um bem-sucedido advogado nova-iorquino que se prepara para iniciar uma carreira na pol√≠tica. Peter est√° divorciado da primeira mulher, Kate (Laura Dern), de quem tem um filho com 17 anos, Nicholas (Zen McGrath). Entretanto, casou-se de novo, com Beth (Vanessa Kirby) e tiveram um beb√©. Quando tudo parece ir de vento em popa, Kate entra em contacto com o ex-marido e diz-lhe que Nicholas anda a faltar √†s aulas, est√° profundamente deprimido, quase n√£o fala com ela e s√≥ sente hostilidade da parte do rapaz, pedindo a Peter que o receba em casa por algum tempo. Este n√£o pode recusar, tal como a mulher n√£o lhe pode dizer que n√£o, e Nicholas instala-se com o pai, a madrasta e o meio-irm√£o. Mas apesar da mudan√ßa de ambiente e de companhia, o rapaz continua sorumb√°tico, ensimesmado, monossil√°bico e esquivo, e quando o pai lhe pergunta o que √© que ele tem, Nicholas s√≥ responde que est√° ‚Äúa sofrer‚ÄĚ. E o ambiente vai ficando cada vez mais pesado. Em O Pai, Florian Zeller instalava-nos no ponto de vista da personagem de Anthony Hopkins e tirava o m√°ximo partido emocional dessa partilha, mostrando-nos quer a afli√ß√£o e

Porquinha

Porquinha

3 out of 5 stars

Diz o ditado que ‚ÄúGordura √© formosura‚ÄĚ. Para a adolescente e anafada Sara (Laura Gal√°n), a protagonista de Porquinha, de Carlota Pereda, √© um inferno. √Č Ver√£o, um Ver√£o muito quente na aldeia onde ela vive com os pais, que t√™m um talho, e o irm√£o mais novo. Al√©m dos complexos por causa da obesidade, de uma m√£e controladora que parece estar sempre zangada com ela, e de um irm√£ozinho embirrante, Sara sofre com a tro√ßa permanente das raparigas populares locais, que a insultam e humilham nas redes sociais, em especial o trio formado por Maca, Roci e Claudia. Esta √ļltima √© a sua √ļnica amiga, mas n√£o tem coragem para a defender nem dizer √†s outras que deixem Sara em paz. Nem os rapazes a poupam. Mesmo quando vai dar um mergulho na piscina fluvial da aldeia, pela hora de maior calor para que ningu√©m a veja, Sara n√£o tem paz. Vendo-a na √°gua, Maca e Roci v√£o buscar uma rede de limpeza da piscina e quase afogam a ‚Äúporquinha‚ÄĚ, como elas a chamam, roubando-lhe depois a roupa e a mochila e deixando-a de biqu√≠ni. Mas quando Sara regressa a casa, chorosa, envergonhada e enraivecida, por um caminho secund√°rio, passa por ela uma carrinha. Dentro da qual Sara v√™ o seu trio de atormentadoras a pedirem socorro. Elas acabam de ser raptadas por um estranho que rondava na vila. Este p√°ra a carrinha, olha para Sara e devolve-lhe a toalha e a roupa em troca do seu sil√™ncio. A rapariga encontra a aldeia em desassossego com o desaparecimento das jovens, e o assass√≠nio do salva-vidas e da empregada da

Babylon

Babylon

1 out of 5 stars

Passado entre 1926 e 1932, abrangendo o final do mudo e o advento do sonoro, o novo filme de Damien Chazelle apresenta-se, em simult√Ęneo, como uma s√°tira dram√°tica e uma celebra√ß√£o dos ‚Äúanos loucos‚ÄĚ de Hollywood e do pioneirismo do cinema americano. S√≥ que Babylon √©, por um lado, de um reducionismo prim√°rio e historicamente falso na sua representa√ß√£o da ind√ļstria cinematogr√°fica da altura (orgias demenciais √† noite e filmagens a mata-cavalos de dia), ignorando qualquer envolv√™ncia comercial, pol√≠tica ou social (n√£o h√° qualquer men√ß√£o ao funcionamento interno dos est√ļdios ou √† Grande Depress√£o, por exemplo). Pelo outro, √© dominado pelo estere√≥tipo da histeria desbragada em todos os aspectos. O que Chazelle recria n√£o √© a Hollywood daquela era, mas sim uma Hollywood revisitada pelos clich√©s bo√ßais e excessivos do cinema nosso tempo, como se estiv√©ssemos numa com√©dia de Adam Sandler transposta para as d√©cadas de 20 e 30, e que atinge at√© as personagens (ver a insofr√≠vel Nellie de Margot Robbie). As refer√™ncias a Serenata √† Chuva s√£o uma ofensa √† mem√≥ria da era de ouro do musical de Hollywood e a invoca√ß√£o final do lugar-comum da ‚Äúmagia do cinema‚ÄĚ √© c√≠nica e posti√ßa. No papel de uma grande e af√°vel estrela do mudo que √© posta de parte com o sonoro, o pobre Brad Pitt anda por ali perdido, entre elefantes a defecar em jorro, starlets a urinar sobre produtores gordos, paradas de aberra√ß√Ķes plebiscitadas por gangsters histri√≥nicos e cenas de v√≥mito projectado que fariam corar o Sr. C

A Noiva

A Noiva

2 out of 5 stars

O novo filme do portugu√™s S√©rgio Tr√©faut, A Noiva, rodado no Iraque, come√ßou por ser sobre um jovem jihadista portugu√™s de origem africana que √© convertido ao islamismo por extremistas paquistaneses em Londres e vai combater nas fileiras do Estado Isl√Ęmico (EI). O realizador foi colher inspira√ß√£o na figura de F√°bio Po√ßas, que aspirava ser jogador de futebol como o seu √≠dolo, Cristiano Ronaldo, e se gabava de matar ‚Äúqualquer um que lute contra o Isl√£o‚ÄĚ (acabou morto em combate). Ao tomar mais tarde contacto com as imagens das mulheres, vi√ļvas e √≥rf√£os dos combatentes do EI nos campos de prisioneiros s√≠rios e iraquianos, Tr√©faut decidiu mudar o filme e centr√°-lo numa dessas ‚Äúnoivas da Jihad‚ÄĚ de origem ocidental. A jovem Barbara (Joana Bernardo) √© uma delas. Nascida em Fran√ßa mas origin√°ria da imigra√ß√£o portuguesa, a protagonista de A Noiva √© vi√ļva de um combatente franc√™s do EI fuzilado pelos militares iraquianos (o filme abre com a execu√ß√£o do marido, e de outros como ele). Barbara tem dois filhos pequenos e est√° gr√°vida de um terceiro. Encontra-se detida num prec√°rio campo de prisioneiros no Iraque, com outras mulheres como ela e v√°rias crian√ßas, e aguarda julgamento para saber qual ser√° o seu destino: a morte ou o encarceramento, j√° que a Fran√ßa n√£o aceita a deporta√ß√£o de ‚Äúnoivas da Jihad‚ÄĚ ali nascidas. S√©rgio Tr√©faut filma Barbara, deliberadamente, como um ponto de interroga√ß√£o, um mist√©rio vivo, e com secura descritiva, sem a procurar analisar ou explicar. Ela tanto ouve m

Maigret e a Rapariga Morta

Maigret e a Rapariga Morta

4 out of 5 stars

G√©rard Depardieu estreia-se auspiciosamente na pele do inspector Maigret neste filme de Patrice Leconte em que a personagem de Georges Simenon sofre em sil√™ncio por estar proibido pelo m√©dico de fumar o seu fiel cachimbo, enquanto tenta resolver o assass√≠nio de uma jovem com ar modesto que apareceu morta numa pra√ßa de Paris, sem identifica√ß√£o e usando um dispendioso vestido de marca. Leconte recria com fidelidade e detalhe o pequeno mundo profissional, pessoal e familiar deste pol√≠cia que prefere ‚Äúinvestigar em vez de julgar‚ÄĚ, respeitando a psicologia e a reserva emocional da personagem, numa Paris do p√≥s-guerra an√≥nima, invernosa e cheia de recantos inesperados; e Depardieu faz um Maigret adequad√≠ssimo, lac√≥nico, observador e arguto, calcorreando a cidade no decurso das suas investiga√ß√Ķes e pensando enquanto o faz, sempre atento √†s falhas, aos pecadilhos e aos podres da natureza humana, e saboreando pequenos prazeres como um copo de vinho, uma ‚Äúimperial‚ÄĚ ao balc√£o de um bistrot ou uma refei√ß√£o cozinhada pela Sra. Maigret. E, n√£o contente com isto, basta a Maigret e a Rapariga Morta a can√≥nica hora e meia para contar, e bem, a sua hist√≥ria.

Os Fabelmans

Os Fabelmans

4 out of 5 stars

Steven Spielberg realizou finalmente o filme autobiogr√°fico sobre a sua inf√Ęncia e juventude, a sua fam√≠lia e o traum√°tico div√≥rcio dos pais, que planeava h√° muitos anos e que chegou a chamar-se I‚Äôll Be Home e a ter um argumento escrito por uma das suas irm√£s (Spielberg acabou por assinar Os Fabelmans com o dramaturgo e argumentista Tony Kushner). O alter ego de Spielberg √© aqui o pequeno Sammy Fabelman, que vive com a m√£e, pianista, o pai, engenheiro electrot√©cnico e tr√™s irm√£s, e que acompanhamos entre os sete e os 18 anos, at√© √† ruptura entre os pais e √† separa√ß√£o da fam√≠lia, descobrindo de onde lhe vem a paix√£o pelo cinema, que mais do que um hobby, ele encara como uma carreira futura. O trabalho do pai leva os Fabelman da Costa Leste √† Costa Oeste dos EUA ao longo de mais de uma d√©cada, e durante esse tempo, Sammy vai dominando cada vez mais a t√©cnica cinematogr√°fica e fazendo pequenos filmes cada vez mais elaborados. Atrav√©s de um segredo que o rapaz descobre nos filmes feitos durante as viagens de campismo da fam√≠lia, e que vai alterar drasticamente a rela√ß√£o dele com a m√£e, Spielberg mostra que o cinema n√£o √© s√≥ prazer, entusiasmo e encantamento: pode ser tamb√©m fonte de tristeza, dor e decep√ß√£o. Depois de uma abertura sob o signo de Cecil B. DeMille, Os Fabelmans fecha com a presen√ßa de John Ford, num encontro inesquec√≠vel para o ent√£o j√° adolescente Sammy/Steven. Um dos melhores filmes do ano.

Broker ‚Äď Intermedi√°rios

Broker ‚Äď Intermedi√°rios

4 out of 5 stars

Chove torrencialmente em Busan, na Coreia do Sul. As ruas est√£o vazias, salvo por uma jovem, So-young, que caminha lentamente. Chegada ao p√© de uma igreja, deposita o beb√© que traz consigo num recept√°culo que ali existe para esse fim. S√≥ que os dois homens que est√£o encarregues da recolha das crian√ßas abandonadas, Sang-hyeon e Dong-soo, costumam desviar beb√©s para os vender a casais que pretendem adoptar e n√£o o querem fazer pela via oficial, e ficam com este. Mas a m√£e muda de ideias, consegue descobrir o paradeiro do duo, e quando estes lhe acenam com a soma que poder√£o obter com a venda da crian√ßa, ela junta-se a eles, assim como um menino do orfanato onde Dong-soo, tamb√©m abandonado quando era pequeno, foi criado. Entretanto, s√£o todos vigiados por duas agentes da pol√≠cia que seguem Sang-hyeon e Dong-soo h√° meses e esperam apanh√°-los em flagrante para os prender. √Č assim que come√ßa Broker ‚Äď Intermedi√°rios, o novo filme do japon√™s Hirokazu Kore-eda, desta feita rodado na Coreia do Sul, e no qual o realizador de Ningu√©m Sabe, Tal Pai, Tal Filho e Shoplifters ‚Äď Uma Fam√≠lia de Pequenos Ladr√Ķes, continua a explorar os temas das rela√ß√Ķes entre pais e filhos, do significado da filia√ß√£o e do que √© que constitui uma fam√≠lia. E aqui f√°-lo atrav√©s de um conjunto de personagens que s√£o, √† primeira vista, desumanas, desprez√≠veis e conden√°veis. Mas que pouco a pouco, e √† medida que So-young, Sang-hyeon, Dong-Soo e o pequeno √≥rf√£o se metem √† estrada numa carrinha para irem ao encontro d

O Natal do Bruno Aleixo

O Natal do Bruno Aleixo

3 out of 5 stars

Filmes de Natal, h√°-os para todos os paladares e feitios, desde os institucionais e fofinhos (De Ilus√£o Tamb√©m se Vive, Natal Branco, Uma Hist√≥ria de Natal, Sozinho em Casa, a s√©rie dos Santa Cl√°usula) at√© aos anti-convencionais dos mais diversos matizes, e que v√£o de O Apartamento, Pai Natal: Sarilhos, Assalto ao Arranha-C√©us, Um Vizinho a Apagar ou O Nosso Natal, a t√≠tulos bem mais radicais como F√©rias Assombradas, Rare Exports ou Krampus: O Lado Negro do Natal. H√° ainda aqueles de que toda a gente gosta, como Do C√©u Caiu uma Estrela e O Estranho Mundo de Jack. E n√£o esquecer as fabulosas aberra√ß√Ķes, caso de Santa Claus Conquers the Martians ou Pai Natal: O Filme. E depois h√° os OCNNI: Objectos Cinematogr√°ficos Natal√≠cios N√£o Identificados, como √© o caso de O Natal do Bruno Aleixo, de Jo√£o Moreira e Pedro Santo, que j√° em 2019 haviam perpetrado O Filme do Bruno Aleixo e com ele passado o dito Aleixo da televis√£o para as telas. O Natal do Bruno Aleixo √© assim como que uma vers√£o completamente esgazeada e descompensada de Um Conto de Natal, de Charles Dickens, com o telhudo e refil√£o urso Aleixo no papel daquilo que pode ser definido como uma vers√£o portuguesa, animal e com caracter√≠sticas antropom√≥rficas de Scrooge, com o qual tem em comum o √≥dio ao Natal. Passa-se ent√£o que, em plena quadra natal√≠cia, Bruno Aleixo vai de carro com o Homem do Bussaco e t√™m um acidente (culpa deles, claro). Enquanto este √© mandado para casa depois de fazer alguns exames e se ter constatado qu

Avatar: O Caminho da √Āgua

Avatar: O Caminho da √Āgua

2 out of 5 stars

Quase 15 anos ap√≥s Avatar, James Cameron volta ao planeta Pandora, onde Jake Sully constituiu fam√≠lia com Neytiri, tiveram filhos e adoptaram uma crian√ßa. Vivem felizes entre os Na‚Äôvi, at√© ao reaparecimento de um velho e cruel inimigo que assumiu uma nova e inesperada forma, e do qual t√™m de fugir para a zona dos oceanos do planeta, pedindo asilo ao cl√£ local. Visualmente sumptuoso e tecnologicamente √† altura da reputa√ß√£o inovadora e perfeccionista de Cameron (este √© um daqueles invulgares casos em que o 3D resulta bem), Avatar: O Caminho da √Āgua tem o mesmo problema do primeiro filme: √© fic√ß√£o cient√≠fica simplista, com uma hist√≥ria previs√≠vel, esquem√°tica, solene at√© ao rid√≠culo, crivada de clich√©s e ajoujada ao peso de uma mochila de conversa fiada de espiritualismo New Age, e ‚Äúmensagem‚ÄĚ ambientalista gasosa. Uma pena, porque o autor de Aliens e Titanic √© um dos raros realizadores que ainda sabe filmar ac√ß√£o como deve ser, e n√£o como vemos nas fitas de super-her√≥is.

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O P√°tio das Antigas: A esquina das tabacarias cl√°ssicas

O P√°tio das Antigas: A esquina das tabacarias cl√°ssicas

‚ÄúArtigos de phantasia para ch√°, retratos em todos os g√©neros, vistas photogr√°phicas do Pa√≠z, chromos para felicita√ß√Ķes‚ÄĚ. Estas eram algumas das coisas que se vendiam na Tabacaria Costa, situada na esquina da Rua do Ouro com o Rossio, conforme se lia numa publicidade ao estabelecimento, fundado no princ√≠pio da √ļltima d√©cada do s√©culo XIX por um cambista e negociante chamado Egydio C. da Costa. A Tabacaria Costa foi a primeira das duas tabacarias cl√°ssicas daquela zona da Baixa a ocupar a esquina em quest√£o, e comercializava tamb√©m tabaco, charuteiras, cigarreiras, cachimbos e boquilhas, e carteiras para homem e senhora, bem como colec√ß√Ķes de postais tem√°ticos. Era ponto de encontro de elegantes, pol√≠ticos, escritores e artistas, que se postavam √† porta a fumar, conversar ou a trocar indiscri√ß√Ķes. A Tabacaria Costa fechou no final da d√©cada de 30 do s√©culo passado. Mas logo em 1940, instalou-se no mesmo espa√ßo um novo estabelecimento do mesmo ramo, a Tabacaria Rossio (na foto), propriedade um grupo de s√≥cios galegos, que deram uma nova e mais moderna fachada ao estabelecimento ‚Äď al√©m de uma alegria aos clientes da finada Tabacaria Costa. L√° se vendiam ainda rel√≥gios, isqueiros, canetas e outros artigos de escrita. Ao mesmo tempo, aqueles abriram, na esquina oposta, a Tabacaria Caravela. Esta fechou em 2005, mas a Rossio ainda se mant√©m firme na sua esquina. Coisas e loisas de outras eras: + As tr√™s vidas de um teatro + A discoteca que tamb√©m vendia frigor√≠ficos + A breve vida d

O Pátio das Antigas: As três vidas de um teatro

O Pátio das Antigas: As três vidas de um teatro

Foi l√° que Ivone Silva pisou as t√°buas de um palco pela √ļltima vez, em 1987, numa revista em que contracenou com Camilo de Oliveira; ou que Jacinto Ramos e Gl√≥ria de Matos protagonizaram uma c√©lebre encena√ß√£o de Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, de Edward Albee, entre outros espect√°culos. O Teatro Laura Alves foi inaugurado a 29 de Dezembro de 1968 na Rua da Palma, por iniciativa de Vasco Morgado, que o baptizou com o nome da sua mulher e grande actriz. Laura Alves que, no entanto, n√£o entrou na pe√ßa de abertura da sala, O Jovem Mentiroso, de Keith Waterhouse e Wallis Hall, com direc√ß√£o e encena√ß√£o de Jacinto Ramos e interpreta√ß√Ķes de Rui de Carvalho, Brunilde J√ļdice, Manuela Maria e, em estreia no palco, Vasco Morgado J√ļnior, filho do empres√°rio e de Laura Alves. Mas antes de ser teatro, o edif√≠cio da Rua da Palma tinha albergado, entre 1936 e 1968, um cinema, o popular Cine-Rex, onde existiu tamb√©m um grande espa√ßo em que se faziam festas de passagem de ano e de Carnaval, e que chegou ainda a acolher sess√Ķes especiais de fados do Retiro da Severa. E antes disso, o pr√©dio havia sido, desde 1929, a sede da Funda√ß√£o Esp√≠rita Portuguesa, depois proibida pelo Estado Novo. O Teatro Laura Alves fechou j√° depois do 25 de Abril, em Dezembro de 1987, um ano ap√≥s a morte da bem-amada actriz. Esteve l√° instalada a seguir uma residencial, at√© o pr√©dio arder em 2012. Coisas e loisas de outras eras: + A discoteca que tamb√©m vendia frigor√≠ficos + A breve vida do Theatro Moderno + Quando a

O P√°tio das Antigas: A festa da Volta nas ruas da cidade

O P√°tio das Antigas: A festa da Volta nas ruas da cidade

Desde 1927, ano da sua primeira edi√ß√£o, e durante muitas d√©cadas do s√©culo passado, a Volta a Portugal em Bicicleta era um dos acontecimentos que mais lisboetas atra√≠a √†s ruas da cidade. As pessoas vinham aos milhares assistir √† partida e √† chegada, aplaudir os seus √≠dolos do pedal e at√© mesmo acompanh√°-los durante algum tempo, correndo nos passeios ao seu lado e incentivando-os. Havia at√© locais que se tornaram lend√°rios para ir ver os ciclistas. √Č o caso, na √ļltima etapa, da exigente Cal√ßada do Carriche, um calv√°rio para os participantes, e um tro√ßo que era sempre acompanhado por milhares de adeptos do ciclismo e tinha honras de ‚Äúdirectos‚ÄĚ por parte das r√°dios e da televis√£o, quase desde que a RTP come√ßou as suas emiss√Ķes.¬†¬† Houve v√°rios anos em que a Volta a Portugal em Bicicleta n√£o se realizou, devido a grandes conflitos como a Guerra Civil de Espanha (em 1936 e 1937) e a II Guerra Mundial (entre 1942 e 1945), ou ainda por falta de quem a organizasse (a √ļltima vez em que tal aconteceu foi em 1953). A foto desta p√°gina foi tirada na partida, em Lisboa, da edi√ß√£o de 1946 da Volta a Portugal em Bicicleta, quando a corrida voltou a realizar-se ap√≥s quatro anos de suspens√£o causados pelo segundo conflito mundial, organizada pelo Di√°rio de Not√≠cias e por O Mundo Desportivo. Foi, por isso, uma das partidas mais concorridas de sempre em termos de p√ļblico. Coisas e loisas de outras eras: + A rua que desapareceu no Saldanha + A breve vida do Theatro Moderno + Quando a Avenida do A

O Pátio das Antigas: A discoteca que também vendia frigoríficos

O Pátio das Antigas: A discoteca que também vendia frigoríficos

Discos √† venda ao lado de frigor√≠ficos, ventoinhas, aspiradores, secadores e outros electrodom√©sticos? Era isto que o transeunte que passasse na Rua do Carmo via na ampla montra da Discoteca Universal, inaugurada em 1957, e uma das v√°rias lojas do ramo que podia ser encontrada naquela art√©ria da Baixa, juntamente com a Discoteca do Carmo ou a Discoteca Melodia (que, al√©m de discos, vendiam tamb√©m instrumentos musicais e pautas de m√ļsica, e por a√≠ se ficavam). Isto explica-se porque os propriet√°rios da Discoteca Universal decidiram que a sua loja n√£o ia limitar-se a comercializar discos em vinil, como era normal neste tipo de estabelecimentos. E al√©m destes, e de gira-discos, r√°dios e gravadores, teria tamb√©m dispon√≠veis para a clientela frigor√≠ficos, aspiradores, batedeiras, ferros de engomar el√©ctricos e m√°quinas de lavar roupa, entre outros.¬†¬† No entanto, nas suas publicidades e nos an√ļncios que publicavam na imprensa, os respons√°veis pela Discoteca Universal gostavam de salientar que a primeira voca√ß√£o da loja era a venda de discos, e que era ‚Äúo mais moderno estabelecimento de discos de Lisboa‚ÄĚ, como se l√™ num daqueles. Os cheques-discos para oferta eram tamb√©m outros dos destaques da Discoteca Universal. Fechou em 1970 e foi trespassada, passando ent√£o a vender s√≥ discos. Em Agosto de 1988 desapareceu de vez, quando do grande inc√™ndio do Chiado. Coisas e loisas de outras eras: + A breve vida do Theatro Moderno + Quando a Avenida do Aeroporto n√£o tinha nome + A hist√≥ria do

O P√°tio das Antigas: A rua que desapareceu no Saldanha

O P√°tio das Antigas: A rua que desapareceu no Saldanha

As ruas das cidades n√£o s√≥ mudam de nome como tamb√©m desaparecem, de vez em quando. A art√©ria desta foto, a Rua das Picoas, antes Estrada das Picoas, ao Saldanha, foi um desses casos, arrasada para sobre ela ser erguido o majestoso Cine-Teatro Monumental, em 1951 ‚Äď tamb√©m ele hoje j√° s√≥ uma mem√≥ria de Lisboa. Um dos edif√≠cios que ent√£o desapareceram igualmente foi o do Col√©gio Normal de Lisboa, visto √† direita, que se situava nos frondosos jardins do Pal√°cio Camarido, propriedade da Condessa de Camarido. No s√©culo XIX, esses jardins prolongavam-se at√© ao Campo Pequeno, antes de l√° serem abertas a Avenida da Rep√ļblica (que come√ßou por se denominar Ressano Garcia, tendo sido alterada ap√≥s a queda da monarquia e a implanta√ß√£o da rep√ļblica, em 1910) e as Avenidas Novas. O pr√©dio que se v√™ ao fundo, √† esquerda, ainda est√° de p√© e nele moraram Laura Alves e o seu marido, o empres√°rio teatral Vasco Morgado, que explorava o Teatro Monumental. A designa√ß√£o ‚ÄúPicoas‚ÄĚ ter√° tido origem no apelido ‚ÄúPic√£o‚ÄĚ de duas irm√£s que tinham uma quinta que havia ali. O povo chamava-lhes ‚Äúas Pic√īas‚ÄĚ e o nome passou para o local, tamb√©m conhecido como S√≠tio das Picoas. A pequena e discreta Rua das Picoas que ainda hoje existe perto do Saldanha e que desemboca na Avenida Praia da Vit√≥ria, √© o derradeiro resto da velhinha Estrada das Picoas, que hoje vive apenas num punhado de fotografias. Coisas e loisas de outras eras: + A breve vida do Theatro Moderno + Quando a Avenida do Aeroporto n√£o tinha nome + A

O Pátio das Antigas: Peças e fitas no Teatro Phantástico

O Pátio das Antigas: Peças e fitas no Teatro Phantástico

Tamb√©m conhecido por Sal√£o Phant√°stico, o Teatro Phant√°stico, que abriu as portas em Mar√ßo de 1908 na Rua Jardim do Regedor, foi assim chamado por causa de uma decora√ß√£o que lhe dava uma atmosfera especial, algo ‚Äúfant√°stica‚ÄĚ, segundo os crit√©rios da √©poca. Isto porque a ilumina√ß√£o escolhida e as estalactites e estalagmites de pasta de papel, que pendiam do tecto e se erguiam no √°trio, davam ao espectador a impress√£o de estar dentro de uma enorme caverna assim que l√° entrava. A publicidade aos espect√°culos que punha em cena e aos filmes que l√° passavam insistia, naturalmente, na frase: ‚Äú√Č phant√°stico!‚ÄĚ. E o p√ļblico e a imprensa concordavam. O Teatro Phant√°stico foi um dos primeiros animat√≥grafos de Lisboa, alternando a exibi√ß√£o de fitas com a apresenta√ß√£o de pe√ßas de teatro, revistas, operetas e outros espect√°culos musicais, alguns mesmo contratados no estrangeiro. Infelizmente, a gest√£o da sala n√£o era ‚Äúfant√°stica‚ÄĚ, e em 1915, apenas sete anos ap√≥s a sua inaugura√ß√£o, o Teatro Phant√°stico mudou de donos e de nome, passando a chamar-se Paradis, para voltar a ser vendido e tornar-se em Sal√£o Rubi no ano seguinte. Em 1917, passou a ter exclusivamente teatro e voltou a chamar-se Phant√°stico, talvez numa tentativa de voltar a seduzir o p√ļblico que o frequentava nos primeiros anos de vida. A ideia n√£o resultou e a sala acabou por fechar de vez em 1918.¬†¬† Coisas e loisas de outras eras: + A ribeira de Alc√Ęntara a c√©u aberto + A grande Exposi√ß√£o Henriquina em Bel√©m + Era chique ir ao

O P√°tio das Antigas: A ribeira de Alc√Ęntara a c√©u aberto

O P√°tio das Antigas: A ribeira de Alc√Ęntara a c√©u aberto

Foi no s√©culo XIX que come√ßou, de forma incipiente, o encanamento da ribeira de Alc√Ęntara, que nasce na Brandoa, no concelho da Amadora, para ir desaguar no Tejo, na zona da freguesia de Alc√Ęntara, altura em que foi tamb√©m constru√≠da a Esta√ß√£o de Alc√Ęntara-Terra, em 1887. Mas na altura em que foi tirada a fotografia acima, na segunda d√©cada do s√©culo passado, grande parte da ribeira ‚Äď uma das muitas que existiam em Lisboa e que foram entretanto cobertas, tal como foram aterrados leitos de rios antigos ‚Äď ainda corria a c√©u aberto, e havia quem morasse perto que fosse l√° lavar a roupa e molhar os p√©s nos dias de Ver√£o.¬† Foi no final de 1944 que se lan√ßaram as obras de encanamento definitivo deste curso de √°gua, visando a futura urbaniza√ß√£o do Vale de Alc√Ęntara e a constru√ß√£o da Avenida de Ceuta. Devido √† falta de cimento que se seguiu ao fim da II Guerra Mundial, os trabalhos de betonagem s√≥ come√ßaram alguns meses mais tarde, no Ver√£o de 1945, atingindo um ritmo regular no princ√≠pio do ano seguinte. Em 1967, 33 anos depois de terem sido iniciados, foram enfim dados por conclu√≠dos os trabalhos de encanamento deste curso de √°gua, que est√° coberto em toda a extens√£o do concelho de Lisboa. H√° pr√©dios constru√≠dos na zona de Alc√Ęntara na d√©cada de 70, em cujas caves funcionam em perman√™ncia bombas de extrac√ß√£o de √°guas associadas √† ribeira que outrora corria livremente. Coisas e loisas de outras eras: + A grande Exposi√ß√£o Henriquina em Bel√©m + Era chique ir ao Old England + Queres be

O P√°tio das Antigas: Vida dura no P√°tio do Biagi

O P√°tio das Antigas: Vida dura no P√°tio do Biagi

Em Lisboa, chamavam-se ‚Äúp√°tios‚ÄĚ aos bairros populares, constru√≠dos originalmente para alojar oper√°rios e as suas fam√≠lias, sobretudo no s√©culo XIX, com o aparecimento de v√°rias ind√ļstrias na capital. Eram bairros pobres, com poucas ou nenhumas condi√ß√Ķes de sanidade b√°sica e cujo n√ļmero, no in√≠cio do s√©culo XX, ultrapassava os 200. Neles se aglomeravam mais de 10 mil pessoas, em casas que tanto podiam ter sido constru√≠das de raiz como j√° existentes (e as mais das vezes bastante degradadas) ou ent√£o improvisadas pelos seus moradores. Um dos maiores ‚Äď talvez mesmo o maior ‚Äď desses p√°tios era o P√°tio do Biagi, que tinha o nome do seu fundador e propriet√°rio, situado na zona das Amoreiras e tamb√©m conhecido por ‚ÄúQuinta do Biagi‚ÄĚ. Era, na sua origem, uma grande quinta em que se ergueu um complexo de habita√ß√Ķes para trabalhadores. L√° viviam mais de 100 fam√≠lias. Jos√© de Leite de Vasconcelos, citado pelo blogue Lisboa de Antigamente, descreve o P√°tio do Biagi, no seu livro Etnografia Portuguesa, como tendo ‚Äúv√°rias ruas, an√≥nimas, dois largos, uma taberna (indispens√°vel!) e um lugar de hortali√ßa. Quasi um bairro‚ÄĚ. E destaca ainda a ‚Äúmis√©ria extrema‚ÄĚ do local, onde se viam ‚Äúpor toda a parte in√ļmeras crian√ßas‚ÄĚ. O P√°tio do Biagi foi demolido em 1940, para dar lugar a um grande pr√©dio de habita√ß√£o em 1953, e em 1982, ao parque desportivo do Gin√°sio Clube Portugu√™s. Coisas e loisas de outras eras: + Era chique ir ao Old England + Queres bengalas? Vai ao Costa + O caf√© que era a ‚ÄúCatedral d

O Pátio das Antigas: A grande Exposição Henriquina em Belém

O Pátio das Antigas: A grande Exposição Henriquina em Belém

Foi a 9 de Agosto de 1960, data da inauguração da Exposição Henriquina no Museu de Arte Popular em Belém, a propósito dos 500 anos da morte do Infante D. Henrique, que se inaugurou também o Padrão dos Descobrimentos na sua segunda e definitiva manifestação. Concebido por Cottinelli Telmo, Leopoldo de Almeida e Leitão de Barros, o monumento havia sido erguido em materiais perecíveis para a Exposição do Mundo Português, em 1940, depois desmontado em 1958 e reconstruído em betão e pedra de lioz dois anos mais tarde, precisamente para coincidir com a realização da Exposição Henriquina. Contando, na direcção e realização, com a participação de arquitectos e artistas como Frederico George, Daciano Costa ou Manuel Lapa, a Exposição Henriquina foi uma grande celebração da figura do Infante D. Henrique e da saga dos Descobrimentos portugueses. Nas salas e corredores do Museu de Arte Popular, os visitantes puderam admirar, além de uma das Tapeçarias de Pastrana, vindas de Espanha propositadamente para esta exposição, toda uma série de mapas, portulanos e instrumentos de navegação, cartas estrangeiras de antes e depois dos Descobrimentos, as obras completas de Pedro Nunes, os quatro volumes, recentemente editados, da obra Portugaliae Monumenta Cartographica, de Armando Cortesão e Teixeira da Mota, ou ainda, em especial destaque, o testamento do Infante D. Henrique. Coisas e loisas de outras eras: + Era chique ir ao Old England + Queres bengalas? Vai ao Costa + O café que era a “Catedral

O P√°tio das Antigas: Era chique ir ao Old England

O P√°tio das Antigas: Era chique ir ao Old England

‚ÄúToda a eleg√Ęncia se curva diante do rei da eleg√Ęncia‚ÄĚ. Era assim, com toda a a convic√ß√£o e sem a menor mod√©stia, que o Old England, de seu nome completo Old England Grandes Armaz√©ns Internacionais, inaugurado em 1905 na esquina da Rua Augusta com a Rua de S√£o Nicolau, na Baixa, anunciava na imprensa da capital. O Old England foi uma das maiores e mais prestigiadas lojas de confec√ß√Ķes para homem, senhora e crian√ßa de Lisboa, a cuja abertura da esta√ß√£o acorriam centenas de pessoas. Gabava-se de oferecer, nos seus artigos, a mesma qualidade dos ingleses, gra√ßas √† presen√ßa de um mestre alfaiate formado em Londres no seu quadro de empregados (o respectivo diploma estava exposto numa das vitrinas do estabelecimento). E anunciava: ‚ÄúExperimentem n‚Äôesta casa os fatos sem prova e poder√£o v√™r como aqui se trabalha por forma a egualar o melhor que no g√©nero se faz em Paris e Londres‚ÄĚ. Era chique l√° ir. Desde os ent√£o tradicionais fatinhos de marujo para as crian√ßas at√© aos trajes de cerim√≥nia para homens, passando pelos vestidos de senhora, tudo o Old England propunha aos clientes nos cinco andares do pr√©dio em que estava instalado, e que dispunha de ‚Äúascensor el√©ctrico‚ÄĚ. Entre outras, havia sec√ß√Ķes de camisaria, chapelaria, luvaria, gravataria, sapataria ou artigos de viagem. A casa n√£o sobreviveu √† decad√™ncia da Baixa ap√≥s o inc√™ndio do Chiado, tendo fechado na d√©cada de 90. Coisas e loisas de outras eras: + Queres bengalas? Vai ao Costa + O caf√© que era a ‚ÄúCatedral do Fado‚ÄĚ + O resta

O P√°tio das Antigas: Queres bengalas? Vai ao Costa

O P√°tio das Antigas: Queres bengalas? Vai ao Costa

No tempo em que os cavalheiros usavam todos chap√©u e bengala (o primeiro tirava-se √†s senhoras na rua, a segunda aplicava-se na cabe√ßa ou nos costados dos malcriados e dos advers√°rios pol√≠ticos), um dos endere√ßos privilegiados para a compra daquelas era a Casa das Bengalas, propriedade de Ant√≥nio da Costa & Costa (Filho), com porta aberta na Baixa, mas precisamente na Rua da Prata, 87 a 91, desde o in√≠cio do s√©culo XX. Quem entrava no estabelecimento, deparava com uma abundant√≠ssima e variad√≠ssima oferta de bengalas, desde as mais simples, modestas e baratas, at√© √†s muito caras e de fantasia, com cast√Ķes em prata e ouro cuidadosamente decorados, muitas delas importadas de pa√≠ses como a Fran√ßa e a Inglaterra. N√£o admira que em Lisboa se dissesse na altura: ‚ÄúQueres bengalas? Vai ao Costa‚ÄĚ. E as bengalas do Costa eram mesmo para todas as bolsas. Os donos da Casa das Bengalas come√ßaram por ter uma ourivesaria e relojoaria na mesma Rua da Prata, que fecharam quando inauguraram aquela, exactamente no mesmo edif√≠cio, transferindo para a mesma boa parte do neg√≥cio original. Ou seja, a Casa das Bengalas vendia tamb√©m j√≥ias, rel√≥gios, pratas e outros artigos do mesmo ramo, embora as bengalas estivessem em maioria. Foram sendo cada vez menos usadas, acabando por ficar completamente fora de moda. E a Casa das Bengalas acabou por fechar, nos finais dos anos 60.¬† Coisas e loisas de outras eras: + O caf√© que era a ‚ÄúCatedral do Fado‚ÄĚ + O restaurante chique √† beira-mar + Tenor Rom√£o, o grand

O P√°tio das Antigas: O caf√© que era a ‚ÄúCatedral do Fado‚ÄĚ

O P√°tio das Antigas: O caf√© que era a ‚ÄúCatedral do Fado‚ÄĚ

Foi em 1927, na Avenida da Liberdade, mesmo ao p√© do Parque Mayer, ainda n√£o existia mais acima o Cinema S√£o Jorge, que abriu as portas o Caf√© Luso, que desde o in√≠cio se dedicou a ‚Äúcultivar o fado‚ÄĚ, como ent√£o se dizia, e logo se transformou num s√≠tio de refer√™ncia para turistas e alfacinhas irem ouvir a can√ß√£o nacional, tornando-se conhecido como ‚ÄúA Catedral do Fado‚ÄĚ. Al√©m de l√° terem actuado alguns dos maiores nomes do fado, de Am√°lia Rodrigues a Alfredo Marceneiro, de Alberto Ribeiro a Luc√≠lia do Carmo, o Luso ficou tamb√©m c√©lebre por dar lugar √† juventude, atrav√©s da organiza√ß√£o de concursos de jovens talentos. E ao fado juntaram-se depois os espect√°culos de variedades e os bailes, tal era a popularidade do Luso, conhecido igualmente por ser um lugar onde se servia boa comida portuguesa, e at√© tarde da noite. No in√≠cio de 1941, por precisar de mais espa√ßo, o Caf√© Luso mudou-se da Avenida da Liberdade para o Bairro Alto, mais precisamente para a Travessa da Queimada, instalando-se nas antigas adegas e cavalari√ßas do Pal√°cio de S√£o Roque. Foi l√° que, em Dezembro de 1955, Am√°lia Rodrigues gravou o lend√°rio disco Am√°lia no Caf√© Luso. √Č a sua grava√ß√£o ao vivo mais antiga conhecida, correspondendo a um espect√°culo integral da altura em que era l√° ‚Äúartista residente‚ÄĚ. Sujeito a obras de moderniza√ß√£o na d√©cada de 90, o Caf√© Luso continua hoje a funcionar. Coisas e loisas de outras eras: + O restaurante chique √† beira-mar + Tenor Rom√£o, o grande exc√™ntrico + A breve vida do Theat

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