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As estreias de cinema em Novembro, de ‘A Bola Negra’ a ‘Conversa-Açorda’
O calendário de estreias de cinema é vasto e obriga a escolhas. Entre produções há muito esperadas, pérolas insuspeitas e títulos que chegam sem grande alarido, há muito para ver nas próximas semanas. Seleccionámos oito filmes que justificam a ida ao cinema em Novembro. Se estes não lhe bastarem, pode sempre contar com propostas fora do circuito comercial: os festivais e ciclos de cinema em Lisboa continuam a dar personalidade, vanguarda e memória à agenda da cidade, onde não faltam salas de cinema entre as melhores do mundo e para todos os gostos.
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Os filmes em cartaz esta semana, de ‘Sensibilidade e Bom Senso’ a ‘Drácula’
Tanto cinema, tão pouco tempo. Há filmes em cartaz para todos os gostos e de todos os feitios. Das estreias em cinema aos títulos que, semana após semana, continuam a fazer carreira nas salas. O que encontra abaixo é uma selecção dos filmes que pode ver no escurinho do cinema, que isto não dá para tudo. Há que fazer escolhas e assumi-las (coisa que fazemos, com mais profundidade nas críticas que pode ler mais abaixo nesta lista). Nas semanas em que há estreias importantes de longas-metragens no streaming, também é aqui que as encontra. Bons filmes.
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Lisboa antiga: o roteiro pela cidade que já só existe em fotografias
Um café forrado a espelhos; um cine-teatro de dimensões colossais; uma perfumaria onde se filmaram cenas de uma comédia clássica portuguesa; uma loja com uma rampa; um hotel no qual se hospedaram Frank Sinatra, Maria Callas e Calouste Gulbenkian. Estes são apenas alguns dos muitos locais que Lisboa perdeu para sempre e que se evocam neste roteiro de uma cidade que já só existe em imagens. Liberte o lado saudosista que há em si e, se no final da viagem ficar com a sensação de que soube a pouco, não dramatize. Sugerimos-lhe ainda algumas lojas antigas cujos negócios vão de vento em popa para visitar.
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Os melhores filmes de Halloween, com muito terror e algum humor
A noite de Halloween pede uma grande maratona cinematográfica, com filmes em que os sustos genuínos e o ambiente macabro encontram a dose certa de humor negro. Dos clássicos repletos de frases emblemáticas aos filmes de culto com vampiros sedentos, existem histórias que conseguem arrepiar a espinha enquanto nos arrancam valentes gargalhadas. Que filmes são esses? Onde os pode ver? Abaixo encontra a nossa selecção de títulos que combinam gritos e ironia na medida certa, incluindo as plataformas para os ver em streaming. É só escolher. Se fizer pipocas, cuidado para não se engasgar (ainda que isso pudesse ter a sua graça).
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Os melhores filmes de passagem de ano
A passagem de ano serve, há décadas, de pano de fundo para cenas e momentos marcantes no pequeno e no grande ecrã. E habituamo-nos a pautar a altura com essa ajuda, por entre risos eufóricos e melancolia alimentada a doçaria e a álcool. Comédias românticas, dramas, policiais e filmes fantásticos, todos eles têm uma coisa em comum, as badaladas do relógio a marcar o passo para a acção. Na lista que se segue damos-lhe algumas das obras obrigatórias à passagem do ano e ao começo do novo. Mate saudades da confusão benigna de réveillons passados, enquanto vê um destes filmes em que a passagem de ano serve de pano de fundo.
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Os filmes de animação que vamos ver este ano
Robôs, cães, alienígenas, um caracol, uma preguiça, um novo panda, famílias fora de série, música e muita magia são alguns dos ingredientes espalhados pelas longas-metragens de animação que chegam às salas de cinema portuguesas ao longo do ano de 2025. De Janeiro até ao mês de Dezembro, já existe um calendário bastante bem preenchido de fitas animadas, que habitualmente conquistam várias gerações de cinéfilos e levam famílias inteiras às salas de cinema. Até ao final do ano, estas são as 15 longas-metragens animadas que vamos querer ver no grande ecrã.
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Os 7 filmes obrigatórios para ver no Doclisboa 2026
Uma retrospectiva dedicada a Lino Brocka, o nome mais importante do cinema das Filipinas, é um dos principais acontecimentos do DocLisboa 2026, que se realiza de 15 a 25 de Outubro na Culturgest, São Jorge, Ideal e Cinemateca. No total serão vistos 198 filmes de 51 países, entre os quais 32 títulos portugueses. Há 34 estreias mundiais, 13 internacionais e três europeias. A Competição Internacional e a Portuguesa mostram 11 fitas cada. Os convidados da secção Riscos são a francesa Sophie Roger e o filipino John Torres, e a Palestina está no centro do programa da secção Da Terra à Lua. No âmbito da Mostra Espanha, a secção Heart Beat lança o seu foco sobre Jonás Trueba, que inclui a exibição do novo Vistillas. Percorremos a programação desta 24.ª edição e seleccionámos sete filmes essenciais.
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Parada de terrores: 6 filmes a não perder no MOTELX
O MOTELX – Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa apaga 20 velas no bolo de aniversário este ano, e celebra a data com a maior edição de sempre, que decorre entre 3 e 13 de Setembro, no Cinema São Jorge e na Cinemateca. Serão exibidos mais de 170 filmes vindos de 40 países, em 145 sessões. O centenário de Roger Corman é assinalado com a presença da sua filha Julie Corman (que dará uma masterclass sobre o pai e a sua obra) e a exibição de dois filmes. O Prémio Mestre do Terror vai ser entregue ao realizador italiano Sergio Martino, do qual também será vista uma pequena selecção de filmes na secção Suite 13, e com o qual haverá uma conversa aberta ao público; e o Prémio Noémia Delgado irá para a cineasta sueco-portuguesa Solveig Nordlund, de quem serão projectados cinco títulos, entre longas e curtas-metragens.
A nova secção Lost in Europe, criada em parceria com a Cinemateca Portuguesa e que pretende explorar cinematografias de terror pouco representadas na história do género, estreia-se este ano no MOTELX com o tema “Terror por Detrás da Cortina de Ferro”, sendo composta por seis filmes rodados antes da queda do Muro de Berlim em países comunistas submetidos a uma cerrada censura estatal. Na secção Falar Sobre a Morte (Nunca Matou Ninguém), uma parceria do festival com o Goethe-Institut Portugal, passam duas fitas de Jörg Buttgereit (que dará uma masterclass) e uma de Werner Herzog, através das quais se podem fazer reflexões sobre a morte. Já a secção Quarto Per

IndieLisboa 2026: 10 filmes a não perder no festival
O 23.º IndieLisboa – Festival Internacional de Cinema de Lisboa decorre entre 30 de Abril e 10 de Maio, apresentando um total de 241 filmes nas habituais secções, entre curtas e longas-metragens, de ficção, documentais, de animação experimentais, com o selo do cinema independente. Destes, 29 serão vistos na Competição Nacional (oito longas e 21 curtas). A retrospectiva deste ano é dedicada ao Mockumentary, o documentário falso, simulado ou satírico, com o subtítulo Isto Não é Um Documentário. Para o ajudar a navegar num dos maiores festivais de cinema de Portugal, seleccionámos dez filmes imperdíveis.
Espalhada por vários espaços da cidade, da Culturgest à Cinemateca, dos cinemas São Jorge, Fernando Lopes e Ideal à Piscina da Penha de França, a programação completa do IndieLisboa 2026 pode ser consultada aqui.
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Festa do Cinema Italiano: os melhores filmes em cartaz
É entre 9 e 19 de Abril que decorre a 19.ª edição da Festa do Cinema Italiano. Em Lisboa, a programação regressa aos cinemas São Jorge, UCI El Corte Inglês e à Cinemateca, com 12 filmes em antestreia nacional e um variado panorama do cinema italiano contemporâneo. O evento assinala os 50 anos da morte de Pasolini com o ciclo Pier Paolo Pasolini – Raridades, assim como da inesquecível comédia Feios, Porcos e Maus. Claudia Cardinale, que morreu em 2025, é homenageada. Na secção Cinema Transfronteiriço, está em destaque a Eslovénia.
Entre os eventos paralelos, contam-se uma oficina criativa para crianças destinada à criação de cartazes de cinema, stand-up comedy italiana, colóquios ou conversas com convidados. Haverá também as habituais extensões a uma série de cidades, começando pelo Porto, de 9 a 11 de Abril. Seleccionámos seis fitas e uma retrospectiva de entre toda a oferta. A programação completa e demais informações podem ser consultadas aqui.
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Erros que ficaram para a história na entrega dos Óscares
A cerimónia dos Óscares não é perfeita e também se faz de falhas e erros. A mais recente, e provavelmente a mais grave, aconteceu em 2017, quando houve uma troca de envelope na entrega do prémio de Melhor Filme. O erro demorou a ser corrigido e só quando a equipa de La La Land – A Melodia do Amor já estava em palco, com os discursos de agradecimento a decorrer, é que se percebeu que o verdadeiro vencedor era Moonlight. Ao longo dos anos, porém, não foi caso único. Entre trocas de nomes e momentos insólitos – incluindo um homem nu em palco –, a cerimónia soma vários episódios embaraçosos.
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As actrizes e os actores com mais Óscares
Desde a primeira cerimónia dos Óscares, em 1929, centenas de actores e actrizes receberam a prestigiada estatueta dourada. No entanto, repetir o feito é bem mais raro: pouco mais de quatro dezenas de intérpretes conseguiram duas vitórias ao longo da carreira. Ultrapassar esse número é ainda mais excepcional. Katharine Hepburn continua a ser a mais premiada de sempre, com quatro Óscares de Melhor Actriz, conquistados entre 1934 e 1982. Logo atrás surgem Frances McDormand, Daniel Day-Lewis, Meryl Streep, Jack Nicholson, Ingrid Bergman e Walter Brennan. A lista pode crescer já na cerimónia de 2026, caso Sean Penn (Batalha Atrás de Batalha) e Emma Stone (Bugonia) vençam nas respectivas categorias.
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O Meu País Imaginário
Documentário do recentemente falecido realizador chileno Patricio Guzmán, e seu último filme, datado de 2022, sobre os protestos populares nas ruas de Santiago do Chile, em 2019, pedindo mais democracia e mais igualdade social.

A Escola dos Animais Mágicos 4
Quarto filme da série alemã iniciada em 2021, baseada num conjunto de livros juvenis e passada numa escola em que cada estudante recebe um animal mágico para o acompanhar.

Crawlers! Bons Sonhos
Filme de terror em que os inquilinos de um complexo de apartamentos de Los Angeles combatem uma invasão de aranhas mortíferas. A rodagem decorreu em Lisboa.

Além do Horizonte – A Travessia
Versão para cinema da série de televisão de Fernando Vendrell já exibida na RTP, sobre a histórica travessia aérea do Atlântico Sul por Gago Coutinho e Sacadura Cabral, em 1922. Com Miguel Damião e Gonçalo Waddington.

A Festa de Anos
Willem Dafoe é o principal intérprete de A Festa de Anos, de Miguel Ángel Jiménez, passado nos anos 70, e no papel de um milionário que organiza uma excêntrica festa de aniversário na sua ilha privada no Mediterrâneo. Em seu redor circulam oportunistas e ambiciosos.

Duas Estações, Dois Desconhecidos
Baseado em duas bandas desenhadas de Yoshiharu Tsuge, esta fita do japonês Sho Miyake venceu o Festival de Locarno de 2025, e passa-se durante um Verão e um Inverno. Uma argumentista sul-coreana estabelecida no Japão tenta escrever um novo guião, e vai depois para uma estalagem no meio da neve.

Sensibilidade e Bom Senso
Para interpretar esta nova adaptação do romance clássico de Jane Austen, que se segue à de 1995, realizada por Ang Lee e escrita por Emma Thompson, também intérprete (ganhou o Óscar de Melhor Argumento Adaptado), a cineasta Georgia Oakley foi buscar um ramalhete de novos actores britânicos, dando assim sentido à sua afirmação de que esta versão se dirige “a uma nova geração” de espectadores. O argumento é de Diana Reid, com a qual Oakley já colaborou anteriormente.

Floresta Mágica
Longa-metragem animada de Travis Knight (Kubo e as Três Cordas) sobre um rapariga que, juntamente com o melhor amigo, vai resgatar o irmão mais pequeno, raptado por um bando de corvos e levado para uma floresta encantada. É o mais longo e mais caro filme de animação stop motion de sempre.

A Comédia Francesa
Comédia de Bertrand Darondeau e Bertrand Usclat, centrada em Nina, que vai encenar a sua primeira peça na Comédie-Française, o Macbeth de William Shakespeare. Mas tudo corre mal três horas antes da estreia, a que vai assistir a ministra da Cultura, que está a pensar reduzir o financiamento à prestigiada instituição. Interpretada por Pauline Clemens, Marina Hands e Laurent Stocker, A Comédia Francesa tem um elenco totalmente composto por membros da dita, passa-se todo lá e é uma sátira muito divertida, despretensiosa e bem ritmada ao mundo do teatro e aos seus vários actores e idiossincrasias, em que nem falta uma aparição-surpresa do próprio Molière, para ajudar Nina a salvar o espectáculo – e dizer mal do seu colega Shakespeare. E tudo em apenas 70 minutos.

La Vénus Électrique
Pio Marmai, Gilles Lellouche, Anaïs Demoustier e Vimala Pons interpretam esta comédia romântica realizada por Pierre Salvadori e passada em França, em 1927. Um pintor parisiense que perdeu a mulher, caiu no alcoolismo e já não consegue trabalhar, recorre a uma falsa vidente de uma feira, na esperança de conseguir comunicar com a falecida. Só que a vidente, que é paga pelo agente do pintor para que este recupere a confiança, acaba por se apaixonar por ele.

Conversa-Açorda
Filmado com um telemóvel, um microfone e uma equipa técnica de apenas uma pessoa por Miguel Góis, um dos Gato Fedorento, que também interpreta (dois outros, Ricardo Araújo Pereira e José Diogo Quintela, participam igualmente como actores), Conversa-Açorda é composto por sketches em que se encenam algumas das particularidades, contradições e absurdos do quotidiano português. Participam, entre muitos outros, Joana Marques, Nuno Markl, César Mourão ou Pêpê Rapazote.

Ebenezer: Um Conto de Natal
Johnny Depp interpreta o avarento Ebenezer Scrooge em mais uma versão do imortal conto natalício de Charles Dickens, esta realizada por Ti West, um nome associado ao cinema de terror (A Casa do Diabo, X, Pearl), e que acentua aqui os aspectos sobrenaturais mais assustadores desta clássica e bem-amada história. No elenco de Ebenezer: Um Conto de Natal, surgem também nomes como Sir Ian McKellen, Rupert Grint, Daisy Ridley, Andrea Riseborough ou Sam Claflin.
News (482)

‘Histórias Paralelas’: não espiarás os vizinhos
Asghar Farhadi, o realizador de Histórias Paralelas, que competiu no Festival de Cannes este ano, é um dos nomes mais importantes do cinema iraniano contemporâneo, autor de filmes tão admiráveis como Uma Separação (Óscar do Melhor Filme Estrangeiro, Urso de Ouro do Festival de Berlim), O Passado, O Vendedor (deu-lhe o segundo Óscar do Melhor Filme Estrangeiro) ou Um Herói (Grande Prémio do Festival de Cannes). Histórias Paralelas é o terceiro filme que Farhadi roda na Europa, e o segundo em França (após O Passado), tendo Todos Sabem sido feito em Espanha.
Em 2018, uma produtora norte-americana propôs a Farhadi realizar um remake de O Decálogo, do polaco Krzystof Kieslowski, como série de televisão, tal como o original, mas o cineasta recusou. Alguns anos mais tarde, começou a trabalhar numa nova versão em cinema do sexto episódio de O Decálogo, que se referia ao pecado mortal da luxúria. O filme ia passar-se nos EUA, mas Asghar Farhadi acabou por sentir que os ambientes norte-americanos não eram os mais indicados para a história, e em 2025 rumou a França para ali rodar a fita, que localizou num bairro de Paris.
No referido episódio de O Decálogo, um jovem e tímido carteiro polaco espia, ao longo de vários meses, uma vizinha que vive num prédio junto ao seu, uma rapariga de comportamentos bastante liberais. Apaixona-se por ela e começa a pensar em esquemas que lhe permitirão abordá-la e cativá-la. Em Histórias Paralelas, a protagonista é uma mulher, Sylvie (Isabelle Hupper

O Pátio das Antigas: O hospital onde os doentes são bonecas
“Não deixe a sua filhinha chorar por ter partido a boneca, leve-a ao Hospital das Bonecas”, lê-se na publicidade, datada dos anos 50 do século XX, a uma das mais singulares, duradouras e bem-amadas lojas da Baixa lisboeta, que tem resistido à trágica onda de encerramentos de estabelecimentos tradicionais desta zona. Situado na Praça da Figueira, o Hospital de Bonecas (também referido por vezes como Hospital das Bonecas), leva muito a sério o seu nome. As bonecas lá levadas para serem consertadas são consideradas como “doentes”, e a cada qual é atribuída a respectiva ficha e um número de cama, tal como é explicado no site das Lojas com História (lojascomhistoria.pt), entre as quais está incluída.
O Hospital de Bonecas “nasceu” nas instalações da Ervanária Portugueza, em 1830, graças a uma mulher chamada D. Carlota, que se sentava à sua porta a remendar bonecas, ainda o Mercado da Praça da Figueira ali estava instalado. O mercado fechou em 1949, mas O Hospital de Bonecas permaneceu, de pedra e cal, até hoje. Além do hospital em si, onde as “doentes” são admitidas e “tratadas”, inclui ainda a loja, e ali se consertam e restauram também outros brinquedos, confeccionam-se roupas e vestidos, trajes regionais e de Carnaval, e existe o museu, com um acervo de mais de 3500 bonecas. É um endereço clássico, secular, de Lisboa, e da Baixa, carregado de história, memórias e afectos.
Coisas e loisas de outras eras
+ O estádio erguido sobre uma pedreira
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‘Digger’: Tom Cruise, petróleo e uma calamidade global
Quando Tom Cruise participou, em 2008, no filme Trovão Tropical, de Ben Stiller, fazendo o papel de Les Grossman, um quase disforme produtor cinematográfico e executivo de um grande estúdio de Hollywood, teve de ser submetido a várias incómodas horas de maquilhagem até a personagem estar devidamente composta e totalmente credível do ponto de vista físico – e o actor ter ficado quase irreconhecível. Em Digger, a nova fita do realizador mexicano Alejandro González Iñarrítu, Cruise ia desempenhar a personagem do título, Digger Rockwell, um envelhecido e gordo magnata do petróleo texano, o que lhe ia exigir mais sofrimento na cadeira dos especialistas em maquilhagem e nos respectivos efeitos especiais.
O papel ia exigir que fossem aplicados a Tom Cruise próteses faciais, próteses dentárias, rugas artificiais, uma peruca e um chamado fat suit, cheio de enchimentos, para o tornar mais gordo. Da primeira vez que toda esta maquilhagem e todas estas próteses e chumaços lhe foram postos, o trabalho durou seis horas. E tirar tudo após as filmagens levaria mais duas horas. Cruise estava decidido a cortar drasticamente nestas seis horas, pelo que trabalhou com a equipa tendo ao lado um técnico com um cronómetro, e comunicando-lhe que a sua ideia era conseguir reduzir o processo a uma hora. Ninguém acreditava que fosse possível, mas todos acabaram por conseguir maquilhá-lo nos 60 minutos desejados pelo actor. Que comentaria já depois da fita rodada, e com bom-humor, terem conseguido um ver

‘Natal Amargo’: Almodóvar vê-se ao espelho da autoficção
Madrid, 2004. É quase Natal e Elsa (Bárbara Lennie), uma realizadora que fez duas longas-metragens e depois teve que se dedicar à publicidade por não conseguir arranjar financiamento para continuar a rodar filmes, tem uma violenta enxaqueca durante um feriado com ponte, e pede ao namorado, Bonifacio, mais novo do que ela e que é bombeiro e stripper em part-time, que a leve às Urgências. Elsa tem outros problemas. A mãe está num lar e muito mal, uma das suas melhores amigas, Patricia, que tem um filho pequeno, descobriu que o marido, que foi a Paris em trabalho, poderá tê-la enganado lá com outra mulher; e devido à enxaqueca, e a um ataque de pânico que teve a seguir, não deverá poder ir visitar outra amiga, Natalia, uma modelo que há dois anos perdeu o filho num desastre com o automóvel que conduzia, e foi depois refugiar-se na casa da mãe, na aldeia em que nasceu.
Elsa é uma das personagens principais de Natal Amargo, de Pedro Almodóvar. E é também uma ficção, criada pelo alter ego de Almodóvar nesta fita, Raúl Rossetti (Leonardo Sbaraglia), em 2025. Raúl é um realizador consagrado mas que sofre de bloqueio criativo e não fez um filme nos últimos cinco anos. Vive com o namorado, Santi, também mais novo do que ele, e tem muita esperança neste argumento – intitulado Natal Amargo, está claro – que poderá representar o seu regresso em grande à realização. No guião, que tem muito de autobiográfico, Elsa está para Raúl como Bonifacio está para Santi.
Raúl tem uma grande amiga, Món

O Pátio das Antigas: O estádio erguido sobre uma pedreira
Faz em breve 70 anos que o Estádio do Restelo, a “casa” do Belenenses, foi inaugurado. No dia 23 de Setembro de 1956, este complexo desportivo abriu as portas a adeptos e atletas, com um jogo em que o Clube de Futebol Os Belenenses bateu o Sporting por 2-1. Projectado pelos arquitectos Carlos Ramos e Jorge Viana, o Estádio do Restelo veio substituir o histórico Campo das Salésias, inaugurado em 1928 (e depois rebaptizado Estádio José Manuel Soares, em homenagem a um jogador do clube, também conhecido como Pepe), e que era então o mais moderno de todo o país.
Antes, o Belenenses tinha estado no chamado Campo do Pau de Fio, e jogado no emprestado Estádio do Lumiar. Foi sobre uma antiga pedreira, num terreno cedido pela Câmara Municipal de Lisboa, por troca com o das Salésias, que o Estádio do Restelo se ergueu, financiado ao longo de vários anos pelo clube através da venda de jogadores, e das contribuições de sócios e adeptos. Tinha instalações únicas para o tempo e lotação para quase 45 mil espectadores.
Foi o primeiro estádio em Portugal a ser palco de um concerto de rock, dos Police, em 1980, tendo-se-lhes seguido bandas como os AC/DC, Pearl Jam, Radiohead ou Metallica, entre muitas outras, bem como vários festivais. A 10 de Maio de 1991, o Papa João Paulo II celebrou ali uma missa, quando da sua visita a Portugal. Nesse dia, o Estádio do Restelo recebeu mais de 100 mil pessoas.
Coisas e loisas de outras eras
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‘A Revolta’: fúria e sangue na Inglaterra medieval
Em 1383, reinava então o jovem rei Ricardo II (tinha apenas 14 anos), houve uma grande revolta camponesa em Inglaterra. As causas deste levantamento do mundo rural contra o poder real foram muitas, desde os efeitos da Peste Negra que assolou o país em 1348, matou cerca de metade da população inglesa e originou uma crise nos campos e uma pronunciada baixa da produtividade num país então essencialmente rural, até aos problemas sociais e económicos causados pela Guerra dos Cem Anos (nomeadamente, a subida dos impostos para subsidiar as despesas militares), entre outros factores. O seu líder foi um agricultor chamado Wat Tyler, que acabaria morto pelos homens do rei.
Foi nesta célebre e brutal revolta do século XIV, conhecida como A Revolta dos Camponeses, A Grande Sublevação ou ainda a Rebelião de Wat Tyler, que Paul Greengrass, o realizador de filmes tão variados como Domingo Sangrento, Supremacia, Voo 93 ou Capitão Phillips, se inspirou para conceber e rodar A Revolta, cujo argumento também escreveu. O filme, anunciado em 2022, começou por se chamar The Hood, dado que a figura de Wat Tyler é apontada por alguns como estando na base da de Robin dos Bosques e da sua lenda (embora este herói e os seus feitos sejam geralmente associados ao reinado de Ricardo Coração de Leão, dois séculos antes), tendo Benedict Cumberbatch no papel principal.
Mais tarde, o filme foi reintitulado The Rage e Matthew McConaughey anunciado como substituto de Cumberbatch. Isto para, pouco tempo depois,

Soy Cuba’: o filme soviético-cubano salvo pelos americanos
No final de Fevereiro de 1963, o realizador russo Mikhail Kalatozov começou a rodar em Cuba uma grande produção intitulada Soy Cuba, um panegírico formalmente arrojado da revolução castrista que havia derrubado o regime autoritário e pró-americano de Fulgencio Baptista, e glorificador da ideologia comunista. Por essa altura, as relações entre Havana e Moscovo – que estavam no auge quando foi decidida a parceria cultural para rodar Soy Cuba –, haviam sido prejudicadas pela recente Crise dos Mísseis Cubanos. Nikita Khruschev tinha decidido retirar os seus mísseis do solo cubano sem consultar Fidel Castro. E este havia enviado a população em protesto para a rua, gritando frases como “Nikita, mariquita, lo que se da no se quita!”.
Apesar do ambiente de protesto contra a União Soviética orquestrado pelo governo que se vivia então em Cuba, a rodagem deste ambicioso filme de propaganda, co-produzido pela Mosfilm e pelo Instituto Cubano del Arte e Industrias Cinematograficos, e escrito pelo cubano Enrique Pineda Barnet e pelo poeta “oficial” soviético Yevgeni Yevtushenko, foi para a frente. Rodado num preto e branco deliberadamente muito contrastado, e com uma narração personificada pela própria Cuba, Soy Cuba decorre entre os últimos tempos do governo de Baptista e o triunfo da revolução castrista, e é composto por quatro histórias sobre exploração, miséria e revolta colectiva.
Na primeira, uma jovem que vive num bairro da lata tem que trabalhar como prostituta num cabaré de Havana,

‘A Saga de Anatahan’: era uma vez, algures no Oceano Pacífico…
Nunca exibido em Portugal no circuito comercial, A Saga de Anatahan (1953), o derradeiro filme de Josef von Sternberg (embora o último a ser estreado tenha sido As Estradas do Inferno, em 1957), foi apenas visto no nosso país incluído em ciclos ou em sessões avulsas em instituições como a Cinemateca ou na Fundação Gulbenkian. A Midas Filmes estreia-o agora, num programa triplo neste mês de Agosto, e de que fazem ainda parte a longa-metragem de propaganda Soy Cuba (1964), de Mikhail Kalatozov (estreia dia 13), e o drama policial A Piscina (1969), de Jacques Deray (estreia dia 20), interpretado por Alain Delon, Romy Schneider, Maurice Ronet e Jane Birkin.
Nesse início da década de 50, von Sternberg, o homem que descobriu e “criou” Marlene Dietrich, autor de filmes tão marcantes como A Última Ordem, O Anjo Azul, Desonrada, O Expresso de Xangai, A Imperatriz Vermelha ou Aconteceu em Xangai, já não estava nas boas graças de Hollywood. O realizador tinha, no entanto, bons contactos no Japão desde os anos 30, que restabeleceu após a II Guerra Mundial e a normalização das relações a nível internacional com aquele país, onde também gozava de grande popularidade junto do público e da crítica. Conseguiu assim, junto do produtor e distribuidor Nagamasa Kawakita, um orçamento e meios para rodar, com total controlo sobre o projecto, um filme baseado num artigo que havia lido na revista Life, sobre um facto ocorrido na remota ilha de Anatahan, situada no Oceano Pacífico e parte do Arquipéla

‘Na Companhia das Estrelas’: Ridley Scott pós-apocalíptico
No cinema, na televisão e agora também no streaming (ver, por exemplo, a série inglesa de culto dos anos 70 Survivors, e mais recentemente, a russa To the Lake, ou americanas como The Stand – que tem duas versões, em 1994 e em 2020 –, The Walking Dead, Jericho e The Last of Us), o planeta Terra já foi atingido por toda a sorte de cataclismos, que aniquilaram a grande maioria da população e deram origem a precárias e perigosas sociedades pós-apocalípticas. Foram guerras nucleares, invasões alienígenas, criaturas fantásticas, epidemias devastadoras, esgotamento dos combustíveis, ou uma multiplicidade de catástrofes cósmicas, naturais e ecológicas, que tornaram regulares e abundantes (embora nem sempre em qualidade) os filmes, telefilmes e séries desta muito popular vertente da ficção científica.
Entre os melhores, e ficando apenas pelos filmes, encontramos títulos como a trilogia Mad Max, de George Miller, Um Rapaz e o seu Cão, de L. Q. Jones, Nova Iorque 1997 e Fuga de Los Angeles, de John Carpenter, O Homem que Veio do Futuro, de Franklin J. Schaffner, os títulos dos Mortos-Vivos de George Romero, Para Além do Amanhã, de Ray Milland, O Último Combate, de Luc Besson, A Hora Final, de Stanley Kramer, Zardoz, de John Boorman, Testamento, de Lynne Littmann, Reino de Fogo, de Rob Bowman, Waterworld, de Kevin Reynolds, Quando o Mundo Cegou, de Steve Sekely, Tank Girl – Uma Mulher de Armas, de Rachel Talalay, O Último Homem na Terra, de Sidney Salkow, ou Bem-Vindo à Zombieland, de R

O Pátio das Antigas: O Cristo Rei em plena construção
O Santuário Nacional de Cristo Rei, ou Cristo Rei, foi buscar a sua inspiração ao Cristo Redentor do Corcovado, no Rio de Janeiro, após uma visita a esta cidade, em 1934, do então cardeal-patriarca de Lisboa, Dom Manuel Gonçalves Cerejeira, que teve a ideia de construir um monumento com as mesmas características em Lisboa. Em 1940, este desidério foi reforçado com o cumprimento de um voto feito pelo episcopado português em Fátima, para que Deus mantivesse Portugal fora da II Guerra Mundial.
Erguido unicamente com dinheiro proveniente de uma campanha nacional de angariação de fundos que se prolongou por vários anos, da década de 30 à de 50, o Cristo Rei foi projectado pelo arquitecto António Lino, responsável pelo pórtico, e pelo escultor Francisco Franco de Sousa, que concebeu a estátua. Instalado em Almada, o monumento tem 110 metros de altura e é uma das mais altas construções de Portugal. O lançamento da primeira pedra foi em 18 de Dezembro de 1949 e a inauguração no dia 17 de Maio de 1959, tendo cerca de 300 mil pessoas assistido à cerimónia. A fotografia desta página documenta uma fase desta obra monumental em que a estátua do Cristo Rei está já de pé sobre o pórtico, tendo sido construída na própria estrutura, recorrendo a moldes de gesso, após o que foi cuidadosamente esculpida à mão. No total, foram usadas mais de 40 mil toneladas de betão para edificar o Cristo Rei.
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‘Homem-Aranha: Um Novo Dia’: tudo o que precisa saber sobre o filme
Faz em 2027 meio século que o Homem-Aranha, criado em 1962 por Steve Ditko e Stan Lee, apareceu pela primeira vez numa série de televisão com o seu nome (foi então exibida em Portugal pela RTP), interpretado por Nicholas Hammond, um actor que tinha aparecido num papel secundário em Música no Coração, de Robert Wise. (Antes, o super-herói havia surgido entre 1974 e 1977, numa série de pequenos sketches intitulados Super-Spidey Stories, incluídos num programa infantil chamado The Electric Company, e hoje quase totalmente esquecidos, tal como o seu intérprete, Danny Seagren.)
A série Homem-Aranha foi exibida entre 1977 e 1979 na estação CBS (que, à altura, e ironicamente, não estava muito confortável com os super-heróis dos comics, considerados demasiado infantis, o que a levou a cancelar, apesar das boas audiências, O Homem-Aranha e A Super-Mulher, esta com Lynda Carter no papel que é hoje de Gal Gadot), e os seus episódios foram depois remontados entre si para darem origem a três filmes de longa-metragem, em 1977, 1978 e 1981, todos eles exibidos nos cinemas portugueses. Em 1978, passou no Japão uma série com a personagem, embora modificada para caber nas peculiares características dos programas infanto-juvenis nipónicos (basicamente, o Homem-Aranha foi transformado num super-herói chamado… Homem-Aranha Japonês).
Por essa altura, a Marvel nem sequer sonhava que o Homem-Aranha iria transformar-se num dos super-heróis mais populares do cinema (incluindo o de animação), e do Univ

‘A Odisseia’: a mais cara e controversa adaptação de Homero ao cinema
O poema épico de Homero, que é, com A Ilíada, um dos maiores e mais perenes da história da humanidade, fascinou o cinema desde o tempo do mudo, datando a sua primeira transposição à tela de 1911, numa versão muda assinada pelo italiano Giuseppe de Liguoro. Mas só mais de 40 anos depois, em 1954, vimos outra adaptação cinematográfica, para muitos uma das melhores – ou mesmo a melhor – de todas: Ulisses, de outro italiano, Mario Camerini, com Kirk Douglas no papel principal, e com uma interpretação histórica (o actor ficou para sempre associado à personagem no imaginário cinéfilo), Anthony Quinn como Antinous e, numa original ideia de casting, Silvana Mangano no duplo papel de Circe e de Penélope.
Mas é na televisão que encontramos duas das mais conseguidas adaptações subsequentes de A Odisseia. A primeira data de 1968 e é uma série em co-produção italiana, francesa, alemã e jugoslava, tutelada pela RAI. O jugoslavo Bekim Fehmiu desempenha o papel de Ulisses, acompanhado por nomes como Irene Papas, Renaud Verley ou Barbara Bach. Os realizadores foram três: Mario Bava, Franco Rossi e Piero Schivazappa. A segunda foi a minissérie assinada em 1997 por Andrei Konchalovsky, tendo Francis Ford Coppola como um dos produtores, através da sua Zoetrope, Armand Assante interpretando Ulisses e um elenco onde Irene Papas volta a aparecer, e que inclui Greta Scacchi, Isabella Rossellini, Christopher Lee, Eric Roberts, Vanessa Williams, Jeroen Krabbé, Geraldine Chaplin ou Bernadette Peters,