A Flor da Felicidade

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2 /5 estrelas
A Flor da Felicidade

A Time Out diz

2 /5 estrelas

E se me vez de antidepressivos sob a forma de comprimidos, houvesse uma planta de casa que tivesse exactamente o mesmo efeito destes? Essa planta está no centro de A Flor da Felecidade, que a austríaca Jessica Hausner (Lourdes) rodou em Inglaterra. Alice (Emily Beecham, eleita Melhor Actriz no Festival de Cannes) é uma botânica e mãe divorciada que desenvolveu geneticamente, num moderno laboratório, com o seu colega Chris (Ben Whishaw), que está secretamente apaixonado por ela, uma flor vermelha que exige muita atenção para a sua conservação – convém até que lhe falem todos os dias –, mas que recompensa todo este desvelo com um perfume que não só é agradável como também deixa as pessoas a sentirem-se mais felizes.

Alice baptizou a flor com o nome do filho, Little Joe, e alguns colegas não deixaram de a criticar por ela a ter feito estéril, já que isso não é natural. Mas Alice não lhes presta atenção, e agindo contra as normas do laboratório, leva uma flor para casa, para mostrar ao filho adolescente. Entretanto, começam a acontecer coisas estranhas. Todas as plantas que estavam ao pé das Little Joe de Alice começam a definhar de súbito e morrem. O cão de uma outra botânica, que por ter estado de baixa com problemas psicológicos, foi autorizada a levar o animal para o laboratório, começa a comportar-se de forma anormal e vira-se à dona. E o filho de Alice, que não era nada chegado ao pai, comunica de repente à mão que tem vontade de ir viver com ele. Pouco a pouco, as pessoas em redor da botânica vão alterando o seu modo de ser, e até aquelas que questionavam Alice pelo seu trabalho com Little Joe, mostrando-se hostis à flor, passam a apoiá-la e a elogiá-la.

A Flor da Felicidade é uma combinação, no tema, de ficção científica da modalidade "invasão secreta" com um twist (as entidades que querem controlar a humanidade não são desta feita alienígenas mas sim flores geneticamente modificadas) e, na forma, de filme arty. Em vez de uma abordagem convencional baseada na tensão, nos sustos e nos choques que convergem para um final espectacular, Jessica Hausner conta a história com frieza clínica, lentidão e em surdina, privilegiano arrepiozinhos em vez de sobressaltos, e confia muita na percussiva banda sonora de Teiji Ito para a instauração da atmosfera de inquietação.

Esse desprendimento, esse vagar e essa astenia acabam por afectar o filme do ponto de vista emocional, criando no espectador uma sensação de entorpecimento e de distância em relação ao enredo e às personagens, em vez de o envolver, empolgar e inquietar. A isto juntam-se algumas implausibilidades óbvias na história (por exemplo, o filho de Alice e a namorada entram no laboratório high tech com uma facilidade e uma descontração descaradas, e não fica nenhum registo electrónico nem visual da sua presença) e um final desnecessariamente reiterativo. A Flor da Felicidade acaba por parecer um episódio menor e presumido de Black Mirror.

 

Por Eurico de Barros

Publicado:

Detalhes

Detalhes da estreia

Duração
0 minutos

Elenco e equipa

Realização
Jessica Hausner
Argumento
Jessica Hausner, Géraldine Bajard
Elenco
Jessie Mae Alonzo
Emily Beecham
Leanne Best
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