À Procura de Dory

Filmes, Animação
Escolha dos críticos
4 /5 estrelas
À Procura de Dory

A Time Out diz

4 /5 estrelas

Pixar volta a águas já navegadas com uma sequela que, em grande parte, vai nadando sem problemas.

Se exceptuarmos os Toy Story, a Pixar não tem conseguido acertar com as continuações das suas longas-metragens de animação. Carros 2 e Monstros: A Universidade são manifestamente inferiores aos originais. Por isso, quando foi anunciado que a Pixar ia fazer uma parte dois do seu abissal sucesso À Procura de Nemo (2003), intitulada À Procura de Dory, houve quem pensasse que ia sair uma caldeirada. Mas não foi assim. De novo realizado por Andrew Stanton, com Angus MacLane, um animador da casa promovido a co-realizador, no lugar de Lee Unkrich, À Procura de Dory repete, prudentemente, as premissas narrativas do original (em cardume que ganha não se mexe, parafraseando o cliché da bola), conseguindo manter a comédia, a qualidade da animação digital e o tempero sentimental ao mesmo nível.

A fita passa-se um ano depois de À Procura de Nemo. Dory, o peixinho azul fêmea (a espécie chama-se Cirurgião-Patela, mas dispensemos esta nomenclatura por razões óbvias) que acompanhou Marlin e Nemo na aventura anterior, e que sofre de memória curta, começa a ter sonhos e flashbacks sobre a sua infância e sobre os pais, e decide ir para a Califórnia à procura deles. Nemo e um relutante Marlin acompanham-na, e vão dar ao Marine Life Institute, um misto de oceanário, hospital para a vida marinha e centro de pesquisas aquáticas, onde a intriga ganha muitas personagens novas e, com elas, uma enorme injecção de riso.

Sobretudo graças ao polvo Hank (voz de Ed O’Neill, da série Uma Família Muito Moderna) um cefalópode comodista e rabugento com capacidades de camuflagem de dar inveja a um camaleão. Hank odeia o oceano e quer viver em paz num parque aquático, mas concorda em dar uma mãozinha a Dory e acaba transformado na versão animada e marinha da personagem de Tom Cruise nos filmes Missão: Impossível, e rouba o protagonismo à pequena heroína. Não me admirava nada que a Pixar lhe dê uma longa-metragem só para ele num futuro próximo. 

A história contempla, sem nunca forçar, quer os temas edificantes do filme original, quer os que são queridos por tradição à casa-mãe Disney (o amor à família, o elogio da amizade, da persistência e da superação das deficiências – além da desmemoriada Dory, há ainda um tubarão-baleia fêmea míope e uma beluga nervosinha que perdeu o sistema de orientação interno).

Quase todos os actores de À Procura de Nemo repetem as vozes das respectivas personagens, a animação é um espanto de detalhe, movimento, cor e expressão, e a habitual curta de complemento, Piper, de Alan Barillaro, rima com o filme principal na ambiência marinha, na excelência técnica, na efusividade visual, no humor e na subtil lição de vida. À Procura de Doryé um filme cheio de água, mas que não mete nenhuma.

Eurico de Barros

Por Eurico de Barros

Publicado:

Detalhes

Detalhes da estreia

Data de estreia
sexta-feira 29 julho 2016
Duração
103 minutos

Elenco e equipa

Realização
Andrew Stanton, Angus MacLane
Argumento
Andrew Stanton, Victoria Strouse