A Velha Guarda

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2 /5 estrelas
A Velha Guarda

A Time Out diz

2 /5 estrelas

Mais um dia, mais uma franchise de acção baseada num comic. Desta vez, a Netflix foi buscar The Old Guard, de Greg Rucka e Leandro Fernández, com o próprio Rucka a escrever o argumento, e aí está A Velha Guarda, primeiro filme daquilo que se anuncia como uma nova série, realizado por Gina Price-Bythewood, com Charlize Theron no papel principal e também a participar na produção.

Não podemos dizer com propriedade que A Velha Guarda é mais um filme de super-heróis. Os membros do grupo que dá título ao filme não têm superpoderes convencionais: capacidade para voar, força sobre-humana, invisibilidade, etc. O seu poder é só um, mas que poder: a imortalidade. Quando são alvejados, esfaqueados, espancados ou caem de uma grande altura, Andy (Theron), Booker (Matthias Schoenaerts), Nicky (Luca Marinelli) e Joe (Marwan Kenzari) voltam ao normal num abrir e fechar de olhos, com as feridas saradas e ossos todos no sítio.

Os membros do grupo têm centenas de anos cada um, sendo que Andy, a mais velha, vem de muito, muito para trás na história da humanidade. Há muitos séculos que se conhecem e têm lutado do lado das forças do bem. Andy, Booker, Nicky e Joe têm também salvo em várias épocas, na infância, pessoas que mais tarde deram contributos importantíssimos para o bem comum, enquanto cientistas, filantropos ou activistas. Isto faz com que eles também tenham o poder da presciência, embora em nenhuma ocasião o argumento se preocupe em explicar como ou porquê, abrindo no filme um buraco de coerência interna do tamanho daqueles que encontramos nas ruas de Lisboa.

A Velha Guarda parece um cruzamento da série Os Imortais, protagonizada por Christophe Lambert, com o filme de acção musculada de tendência Missão: Impossível, mais uma pitada de fita de vampiros virada do avesso (os imortais não precisam de beber sangue para ficar vivos e não militam no partido das forças das trevas). O vilão, neste caso, é a indústria farmacêutica, na pessoa do multimilionário Merrick, dono de um império de fármacos, que quer capturar os membros da Velha Guarda, em especial Andy, por ser a mais antiga, para os analisar, picar, retalhar, estudar o ADN e fazer medicamentos miraculosos à custa deles. Pelo caminho, o quarteto torna-se quinteto, com a entrada de Nile (KiKi Lane), uma jovem Marine em serviço no Afeganistão.

Desta premissa narrativa pelo menos aliciante, Greg Rucka e Gina Price-Bythewood tiram um filme raso e banal, feito de meditações pseudoprofundas sobre a imortalidade, a passagem do tempo e a possibilidade de fazer o bem num mundo cada vez mais caótico e brutal, e de acção armada e de artes marciais monotonamente repetitiva, rumo a um final que deixa a porta aberta para futuras continuações. A realização é robótica e as interpretações descartáveis como lenços de papel. Nem uma Charlize Theron a fazer a sua melhor pose impassivelmente cool e badass consegue elevar A Velha Guarda de uma mediocridade violenta, pretensiosa e, ainda por cima, politicamente correcta.

Por Eurico de Barros

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