All Eyez On Me

Filmes, Drama
2 /5 estrelas
All Eyez On Me

A Time Out diz

2 /5 estrelas

Benny Boom quis biografar Tupac Shakur em ‘All Eyez on Me’, mas para Rui Monteiro, o que fica é um retrato fosco na sua tentativa de beatificação do músico.

Descansem os fãs e os que guardam boa memória da música de Tupac Shakur. A bem da verdade não falta nada de especial nesta biografia. Os aspectos principais da sua vida estão lá todos, desde a infância e adolescência com a mãe, militante dos Panteras Negras, cujo pensamento radical tanto influenciou o carácter e – dizia ele – a obra musical do filho; o início da sua carreira a solo; a violação que o levou a cumprir pena; a disputa com Notorius B.I.G.; a relação com Suge Knight e as editoras Death Row e Interscope; e, claro, o seu assassinato, em Las Vegas, em Setembro de 1996, mistério nunca resolvido embora muito especulado pelos teóricos da conspiração.

Os aspectos principais da vida do artista estão lá todos, é um facto, assim como a música. O problema é a maneira como são apresentados no filme de Benny Boom, que encontrou em Straight Outta Compton, a película de F. Gary Gray sobre os N.W.A., a estrutura cinematográfica que a sua experiência de realizador de telediscos pelos vistos não lhe forneceu. Não que o seu filme seja uma cópia (o que eventualmente seria mais proveitoso), mas porque a réstia de alma que sustentava a fita de Gray está de todo ausente em All Eyez On Me (título do quarto álbum, último que publicou em vida, e sem dúvida o mais popular). Assim como qualquer tentativa de inovação ou procura de uma nova abordagem ao género biográfico, como as tentadas (e no essencial falhadas, infelizmente) por Pablo Larraín em Jackie, por um lado, e em Neruda, por outro, ou, para nos aproximarmos mais do assunto, pelo trabalho de Don Cheadle em Miles Ahead.

Não que falte seriedade à interpretação do estreante Demetrius Shipp Jr. ou à interpretação da actriz Danai Gurira, no papel da influente Afeni Shakur Davis (já a representação de Suge Knight por Dominic L. Santana é uma fraca caricatura); ou que o diálogo em que a mãe explica ao filho as realidades da vida de um negro na América, ao mesmo tempo que lhe insufla carácter na rebeldia juvenil, depois desperdiçado em disputas estúpidas com trágicas consequências, não seja um estimulante momento destas duas horas e meia (mesmo sabendo-se que a cena é uma parente pobre da conversa entre o padre e Bobby Sands, em Fome, de Steve McQueen). A realidade é que cinematograficamente Benny Boom jogou tão pelo seguro que da exaltante vida e obra de Tupac Shakur sobra um retrato fosco na sua condescendência e tentativa de beatificação do músico, e quase nada sobre o homem que acrescentou arte ao rap e à cultura hip-hop.

Por Rui Monteiro

Publicado:

Detalhes

Detalhes da estreia

Classificação
15
Data de estreia
sexta-feira 30 junho 2017
Duração
140 minutos

Elenco e equipa

Realização
Benny Boom
Elenco
Demetrius Shipp Jr
Danai Gurira