Capitão Marvel

Filmes, Acção e aventura
3 /5 estrelas
Capitão Marvel

A Time Out diz

3 /5 estrelas

Brie Larson não tem espaço suficiente num filme da Marvel deixado a marinar na nostalgia dos anos 1990, mas que nunca está verdadeiramente ao nível da sua própria importância.

Volta-e-meia, os super-heróis salvam o mundo, mas os seus filmes não são assim tão corajosos: por cada hábil Black Panther que se afasta da fórmula milionária, lá vêm dez filmes tímidos que são uma perda de tempo. Captain Marvel (Capitão Marvel), o primeiro título do universo cinematográfico Marvel cujo elenco é liderado por uma mulher, tem um grande significado simbólico – sobretudo para as jovens que se identificam com a confiante Mulher Maravilha interpretada por Gal Gadot. Mas seria melhor se este momento charneira acontecesse com uma protagonista mais interessante. Mesmo dentro do universo cinematográfico Marvel há personagens femininas mais ferozes e mais complexas (como a torturada Scarlet Witch de Elizabeth Olsen). E apesar de Brie Larson (estrela de Quarto e Temporário 12) ser certamente capaz de expressar incerteza e tensão, está aprisionada no seu fato de borracha, interpretando um papel que lhe dá poucas hipóteses de ser humana. Não está ao seu nível.

Esse desencontro é uma pena, uma vez que Captain Marvel (Capitão Marvel), escrito pelos realizadores Anna Boden e Ryan Fleck (mais um exército de argumentistas), tenta arduamente pôr-nos a para da sua frescura. Por vezes esse esforço é demasiado óbvio, como é o caso dos primeiros 20 minutos do filme, que são totalmente desnecessários: uma introdução ao planeta Hala, aos Kree, à Inteligência Suprema, ao maléfico Skrull (talvez seja bom tomar nota) e, ligeiramente menos mistificador, a um Jude Law mestre de artes marciais. Eventualmente, a nossa heroína (Larson), uma supersoldado alienígena, atravessa o telhado de um clube de vídeo Blockbuster para viajar até 1995, num imaginário que deve muito a James Cameron – até a neblina de Los Angeles está no ponto –, onde o agente da S.H.I.E.L.D. Nick Fury (um Samuel L. Jackson rejuvenescido digitalmente, espantoso em cada plano) aparece no seu carro , apresentando-se sarcasticamente ao serviço. Mais tarde, um gato chamado Gosse entra na acção para causar estragos; Captain Marvel (Capitão Marvel) partilha muita do surrealismo visual dos filmes Guardiões da Galáxia.

Mas não entrem no mundo deslocado de Exterminador Implacável 2: O Dia do Julgamento sem um Furlong ou sem sentido de humor. As cenas entre Fury e a Carol Danvers de Larson, que está a redescobrir o seu passado humano, são estranhamente inertes, e o tão apregoado feminismo do filme, prometido ao longo de meses de anúncios e entrevistas, é parco. (Nunca tanto foi perguntado sobre a “Just a Girl” dos No Doubt, abrindo caminho através de uma cena de batalha.) O que significa quando Ben Mendelsohn, sempre um vilão tão convincente – aqui como um Skrull careca de orelhas pontiagudas –, interpreta a personagem do filme, com heroísmo, apontamentos maliciosos e até devoção parental? Não deveria ser Larson? Sim, o argumento assenta num daqueles “cubos cósmicos”; já se sabia. Mas era suposto Captain Marvel (Capitão Marvel) ser, bom, maravilhoso, uma oportunidade de mostrar uma mulher a conhecer o seu destino, tal como aconteceu com Tony Stark no primeiro Homem de Ferro. Piadas sobre Os Vingadores não chegam.

Por Joshua Rothkopf

Detalhes

Detalhes da estreia

Classificação
12A
Data de estreia
sexta-feira 8 março 2019
Duração
124 minutos

Elenco e equipa

Realização
Anna Boden, Ryan Fleck
Argumento
Geneva Robertson-Dworet, Anna Boden, Ryan Fleck
Elenco
Brie Larson
Samuel L. Jackson
Ben Mendelsohn
Annette Bening
Jude Law