Charm City Kings

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Escolha dos críticos
3 /5 estrelas
Charm City Kings

A Time Out diz

3 /5 estrelas

Charm City Kings, da HBO, é uma daquelas boas surpresas discretas e sem vedetas, que encontramos nas plataformas de streaming entre filmes mais vistosos.

Em 2013, o documentarista americano Lofty Nathan rodou 12 O’Clock Boys. Um filme sobre as tribos de motociclistas de Baltimore, caracterizados pela sua paixão por motos de todo-o-terreno e pelo gosto das acrobacias, feitas muitas vezes enquanto estão a fugir da polícia, após esta interromper as suas exibições e corridas ilegais nas ruas da cidade, sobretudo nos bairros mais pobres. Este documentário tem como pivô Pug, um rapaz fascinado por esta subcultura urbana motorizada, cuja grande ambição é fazer parte um dia dos 12 O’Clock Boys do título, um dos mais populares e carismáticos grupos de bikers de Baltimore.

Fascinados pelo documentário de Lofty Nathan, o realizador Angel Manuel Soto e o argumentista Sherman Payne construíram em redor dele, para a HBO, Charm City Kings, uma ficção passada em Baltimore, entre as tribos de motociclistas das ruas da cidade, e centrada num rapaz de 14 anos, Myron “Mouse”, que vive com a mãe, solteira e que trabalha como enfermeira num hospital e estuda à noite, e com a irmã mais nova. Mouse tinha um irmão mais velho, Stro, um motociclista de mão cheia que se meteu com um gangue de bikers nada recomendável e morreu num acidente de moto aos 17 anos.

A mãe nunca mais quis ouvir falar de motos em casa nem vê-las à frente. Só que Mouse, que venera a memória do irmão, é fanático de motorizadas e quer a todo o custo pertencer ao grupo de que o irmão fazia parte, os Midnight Clique, chefiados por Blax, uma lenda das ruas de Baltimore, que acabou de sair da cadeia e tem uma oficina onde prepara e conserta motos todo-o-terreno. Às escondidas da mãe, Mouse, que adora animais e ajuda numa clínica veterinária, consegue ir trabalhar para Blax, mais os seus dois melhores amigos, Lamont e Sweartagawd. O ordenado tem a forma de uma moto velha que vai montando aos poucos. E a sua ambição é correr no Ride, o festival de exibição ilegal que tem lugar nas ruas do seu bairro no primeiro domingo do Verão.

Parte filme de iniciação à maturidade, parte drama familiar e de amizade, parte biker movie urbano, parte documento sobre as tribos de duas rodas de uma grande cidade americana, Charm City Kings consegue harmonizar todas estas vertentes no seu argumento, e é uma fita que se cose por linhas confortável e competentemente clássicas, e põe em cena personagens reconhecíveis, mas não estereotipadas. A começar pela principal, Mouse (Jahi Di’Allo Winston), um rapaz sujeito a influências díspares e posto perante modelos de comportamento e escolhas muito divergentes, que podem determinar de forma decisiva o seu futuro, para o melhor como para o pior.

Movido por uma história fluente, com um enquadramento humano e social verista que não força nenhuma nota, dotado de um elenco homogéneo e realizado em linha recta por Angel Manuel Soto, Charm City Kings leva a água ao seu moinho sem exibicionismos nem moralizações. É uma daquelas boas surpresas discretas e sem vedetas que as plataformas de streaming ocultam entre filmes mais vistosos ou com muito mais nome, e nomes conhecidos, e que acabam por valer o mesmo que palha. (Não perder, na ficha técnica final, a homenagem aos virtuosos das duas rodas de Baltimore, com derrapagens, estampanços e tudo.)

Por Eurico de Barros

Publicado:

Detalhes

Detalhes da estreia

Elenco e equipa

Realização
Angel Manuel Soto
Argumento
Sherman Payne
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