Em Fúria

Filmes, Suspense
1 /5 estrelas
Em Fúria

A Time Out diz

1 /5 estrelas

A vida de Rachel (Caren Pistorius), a heroína de Em Fúria, de Derrick Borde, não corre nada bem. Está a divorciar-se e o marido quer ficar-lhe com a casa, perdeu o salão de cabeleireiro de que era proprietária e agora tem que ir atender clientes ao domicílio, e o irmão e a noiva vieram morar com ela sem pagarem renda ou contribuírem para as despesas do dia-a-dia. E como se deixou dormir, perdeu a hora de levar o filho à escola e este vai ser castigado por chegar tarde; e perdeu também a sua melhor cliente, farta dos seus atrasos.

A vida de Rachel não está a correr mesmo nada bem. Mas vai passar a correr ainda pior, porque Tom Cooper (Russell Crowe), o condutor do jipe a quem Rachel deu umas valentes buzinadelas por nunca mais avançar depois de cair o sinal verde, e com o qual trocou a seguir umas palavras ríspidas, é a mesma pessoa de quem a polícia anda à procura desde madrugada, altura em que matou a ex-mulher, o namorado dela e depois pôs fogo à casa onde eles viviam. É que o homem vai centrar nela todas as suas frustrações e transformar-lhe a vida num filme de terror do departamento serial killer à solta.

Russell Crowe, que ainda não perdeu os muitos quilos que teve que engordar para interpretar Roger Ailes na minissérie The Loudest Voice, tem aqui um papel de assassino psicopata de aspecto quotidiano que não lhe exige grande esforço. Ao ponto de nos perguntarmos o que está ele a fazer nesta série B de terror rodoviário suburbano com pretensões a ter um discurso “importante” sobre a falência da civilidade nas sociedades contemporâneas e a sua expressão na raiva e na violência ao volante.

Se foi porque lhe apeteceu variar e interpretar um vilão odioso e descontrolado, então a escolha de Crowe foi infeliz. É que Tom Cooper é uma personagem de cartão e cola, um cliché ambulante do ressentimento masculino e da agressividade social extremados, transfigurado em máquina homicida. Ao nível, aliás, do estereótipo da vítima feminina representada por Rachel, que pouco mais dá a Caren Pistorius para fazer do que andar em pânico.

Vagamente reminiscente de outros filmes bem melhores que tocam nos mesmos temas, como Um Assassino Pelas Costas, de Steven Spielberg, Um Dia de Raiva, de Joel Schumacher, ou Manobra Perigosa, de Roger Michel, Em Fúria rapidamente abdica de toda e qualquer lógica e começa a acumular coincidências forçadas e inverosimilhanças em série (sendo a primeira o facto de Rachel não ter password no seu telemóvel), e a história torna-se de uma previsibilidade descarada. Embora aqui e ali o realizador nos consiga distrair com os aparatosos acidentes rodoviários (também eles esperados) que pontuam a acção.

Tudo considerado, Em Fúria chumba nas personagens, não satisfaz no argumento e é insuficiente na realização. Veredicto: multa pesada e carta apreendida.

Por Eurico de Barros

Publicado:

Detalhes

Detalhes da estreia

Elenco e equipa

Realização
Derrick Borte
Argumento
Carl Ellsworth
Elenco
Russell Crowe
Jimmi Simpson
Caren Pistorius
Gabriel Bateman