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Fátima

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Fátima
©DRFátima, de João Canijo
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A Time Out diz

5/5 estrelas

Desengane-se quem pensa que as peregrinações a Fátima são, por sistema, coisas muito espirituais, com muita reflexão religiosa, muita meditação. A julgar por Fátima, de João Canijo, onde 11 mulheres de Trás-os-Montes (interpretadas pela já habitual “companhia” de actrizes do realizador – Rita Blanco, Anabela Moreira, Cleia Almeida, Teresa Tavares, Ana Bustorff, etc. – percorrem a pé os mais de 400 quilómetros entre Vinhais e Fátima, as peregrinações são um misto de teste à capacidade de sofrimento individual e de incubadora de tensões, fricções, conflitos, alianças e rupturas dentro do colectivo feminino. E onde se fala mais de modelos de ténis, bolhas nos pés, cuidados a ter na estrada e cãibras, do que de doutrina, fé e caridade. Até se chegar à grande comoção de massas no santuário, onde tudo fica esquecido, das agruras da estrada aos choques de feitios.

Canijo não está particularmente interessado em questionar o fenómeno de Fátima, mas sim em detectar e mostrar os efeitos físicos, emocionais e psicológicos que uma jornada deste tipo tem sobre um grupo de mulheres que se conhecem, vêm do mesmo sítio e têm as mesmas origens sociais. E fá-lo como se uma peregrinação verdadeira e a peregrinação recriada fossem gémeas siamesas. Isto é, com um sentido de encenação do real único no cinema português.

Por Eurico de Barros

Escrito por
Eurico de Barros
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