The Good Boy
Photograph: Signature Entertainment

Crítica

Good Boy – Terapia de Choque

3/5 estrelas
Das mãos de Jan Komasa saiu um genuíno OVNI cinematográfico, um thriller com Stephen Graham que é, à sua maneira, uma defesa da família.
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A Time Out diz

Há filmes que aparecem de vez em quando (embora cada vez menos) que parece que foram metidos numa máquina do tempo no passado e enviados para serem vistos na nossa época. É o caso de Good Boy – Terapia de Choque, do polaco Jan Komasa. Ajudará talvez dizermos que por trás dele está o veterano dramaturgo, actor e realizador polaco Jerzy Skolimowski, um dos nomes maiores do cinema de Leste, quase à beira dos 90 anos e autor de fitas como Adolescente Perversa, O Uivo, Moonlighting ou EO, Prémio do Júri do Festival de Cannes em 2022. Good Boy – Terapia de Choque aparenta ter vindo directamente desses anos 70 abundantes em fitas originais, inquietantes, fora dos formatos convencionais, que desafiavam rótulos e classificações, e fugiam a identificações com tendências, escolas ou géneros bem específicos. Komasa é o autor do muito bom Corpus Christi – A Redenção (2019), nomeado ao Óscar de Melhor Filme Internacional, e do menos conseguido Anniversary – Mudança Radical, rodado nos EUA. Juntamente com Jeremy Thomas, Jerzy Skolimowski é também o produtor do filme (e não teríamos estranhado se tivesse decidido realizá-lo), escrito em polaco e passado originalmente em Varsóvia, e que foi adaptado para língua inglesa e ambientado no Yorkshire.

Tommy (Anson Boon) é um rapaz de 19 anos completamente destravado e dado a todo o tipo de excessos e de comportamentos delinquentes, que filma com o telefone e depois partilha no Tik Tok. Uma noite, e quando Tommy vai a cambalear para casa, é raptado. Horas depois, acorda numa mansão algures no campo, em cima de um colchão na cave e acorrentado. Na casa vive uma família composta pelo seu raptor, Chris (Stephen Graham), a mulher deste, Kathryn (Andrea Riseborough) e o filho de ambos, Jonathan (Kit Rakusen), com dez anos. Há ainda uma empregada, a macedónia Rina (Monika Frajczyk), que vai lá fazer as limpezas duas vezes por semana. Chris, um adepto da segurança nas estradas e dos valores familiares tradicionais, explica então a Tommy que o raptou porque ele é um péssimo exemplo para a sociedade, e que por isso o vai reeducar e reabilitar à força, com a ajuda da mulher e do filho. Se o rapaz se portar bem, mostrar progressos e se arrepender da sua vida desregrada e renegar os seus comportamentos anti-sociais, irá tendo pequenas regalias pouco a pouco. Por exemplo, uma corrente mais longa presa ao pescoço, e que lhe permite ir à casa de banho, mais liberdade de circulação pela casa, oportunidades de convívio com a família – incluindo comer com ela à mesa – e até mesmo deixar a cave e ter um quarto só para ele.

Dizer mais sobre o enredo de Good Boy – Terapia de Choque e a maneira como vai progredir é incorrer no risco de começar a alinhar spoilers. Mas sempre podemos adiantar que Tommy vai ter mais surpresas com os seus captores do que aquelas que poderia pensar, tal como os próprios captores com ele, bem como os espectadores; e que, embora de uma forma insólita, arrevesada e desconcertante, este é um filme que defende a família e a sua importância. Das mãos de Jan Komasa saiu um genuíno OVNI cinematográfico, e não fazia mal nenhum se de vez em quando aparecessem nos cinemas mais fitas saídas da tal máquina do tempo como Good Boy – Terapia de Choque.

Elenco e equipa

  • Realização:Jan Komasa
  • Argumento:Bartek Bartosik, Naqqash Khalid
  • Elenco:
    • Andrea Riseborough
    • Stephen Graham
    • Anson Boon
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