Host

Filmes, Terror
Escolha dos críticos
4 /5 estrelas
Host

A Time Out diz

4 /5 estrelas

Elegemos o filme de terror ‘Host’, de Rob Savage, disponível na Amazon Prime, como o melhor feito até agora sobre o confinamento, e em confinamento.

Se andam à procura do filme do confinamento por excelência, não precisam de ir mais longe. Chama-se Host, foi realizado por Rob Savage e está na Amazon Prime. E é de terror, rodado para a Shudder, a plataforma de streaming especializada, filiando-se no novo subgénero baptizado “laptop horror”. Nele, os assassinos em série e as forças sobrenaturais utilizam as novas tecnologias – em especial os computadores portáteis – e as redes sociais para se infiltrarem entre nós e nas nossas casas, e espalharem a morte e o pânico, e tem como exemplos recentes títulos como Open Windows, de Nacho Vigalondo (2014), Unfriended, de Leo Gabriadze (2014), ou The Call, de Lee Chung-Yun (2020).

Savage fez o filme sem ter qualquer contacto físico com o seu (pequeno) elenco, integrando a situação do confinamento na história e dirigindo os actores à distância, transformando-os não só nos operadores de câmara como também em técnicos de efeitos especiais, tirando assim o máximo partido narrativo e cinematográfico do isolamento a que temos estado todos submetidos. Tudo se passa nos ecrãs dos computadores das personagens, ora vistos em simultâneo, ora individualmente, e Host reflecte ainda a capacidade de síntese do realizador, já que dura apenas 56 minutos, sem vestígios de palha ou de ganga.

Seis amigos, cinco raparigas e um rapaz, fechados nas suas casas e aborrecidos de morte com o confinamento a que a pandemia obriga, resolvem fazer uma sessão espírita via Zoom, servindo-se de uma médium para a orientar. Só que uma delas leva a coisa para a brincadeira e acaba por invocar um espírito demoníaco, que aproveita a ligação simultânea em que o grupo se encontra, primeiro para pregar alguns sustos, passando depois para coisas muito piores. A entidade nem sequer se esquece de lhes cortar a comunicação com a médium, impedindo-a assim de as ajudar.

Impotentes para se socorrerem umas às outras, as participantes na sessão vão vendo nos seus computadores, aterrorizadas, o que o espírito vai fazendo a cada uma delas e aos seus familiares, envolvendo a manipulação de objectos do quotidiano que têm em casa, como mesas, cadeiras, utensílios de cozinha, isqueiros, caixas de música, fantoches, etc. A Polaroid de uma das personagens é também muito bem usada por Rob Savage para dar gás ao efeito de terror, e a entidade maligna nunca é mostrada.

Vemos apenas os efeitos devastadores da sua maléfica presença (o rapaz, que vive na luxuosa moradia da sua namorada rica, certamente terá lamentado a existência de uma piscina no jardim) e, a certa altura, as suas pegadas na farinha que está espalhada no chão da dispensa e no corredor da casa de uma das personagens, o que é infinitamente mais aterrador e eficaz do que dar-lhe forma. O realizador até aproveita a ficha técnica final para uns arrepios de despedida. Quando um dia, no futuro próximo, se fizer a história do cinema produzido durante o confinamento do coronavírus, Host será de menção obrigatória e estará lá no topo da lista dos melhores, mais inventivos e mais genuínos filmes destes estranhos e deprimentes tempos de isolamento forçado.

Por Eurico de Barros

Publicado:

Detalhes

Detalhes da estreia

Elenco e equipa

Realização
Rob Savage
Argumento
Gemma Hurley, Rob Savage, Jed Shepherd
Elenco
Haley Bishop
Jemma Moore
Emma Louise Webb
Radina Drandova
Caroline Ward