J'accuse - O Oficial e o Espião

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4 /5 estrelas
J'accuse - O Oficial e o Espião

A Time Out diz

4 /5 estrelas

A história do capitão Alfred Dreyfus, injustamente acusado de espiar para a Alemanha na França de finais do século XIX, expulso do Exército e condenado a uma cruel pena de prisão na Ilha do Diabo, e que deu origem ao célebre manifesto J’Accuse!, de Emile Zola, publicado no jornal L’Aurore em 13 de Janeiro de 1898, transformou-se em sinónimo universal de gigantesca injustiça.

Ao recriar, em J’Accuse – O Oficial e o Espião, o “Caso Dreyfus”, com base no livro de Robert Harris, do ponto de vista não da vítima mas do do coronel Georges Picquart, o homem que descobriu o verdadeiro espião e tudo fez para que Dreyfus fosse inocentado e reintegrado nas fileiras, Roman Polanski parece estar a aproveitar para dizer, nas entrelinhas, que também ele é vítima de uma injustiça e está inocente das acusações de abuso sexual que lhe fazem.

Paralelos eventuais com a situação de Polanski à parte, J’Accuse – O Oficial e o Espião é, no seu assumido academismo formal e narrativo, uma robusta recriação de um processo judicial e político escandaloso, que dividiu a França e marcou o seu tempo, das convulsões internas da sociedade de então e do estado da instituição militar, ambas ainda obcecadas com a recente e humilhante derrota na Guerra Franco-Prussiana, e da vida na Paris do final do século XIX.

A força motriz do filme é a portentosa interpretação de Jean Dujardin no corajoso e íntegro coronel Picquart, director da contra-espionagem militar. Ao tentar expôr o verdadeiro espião, ilibar Dreyfus e defender a honra do Exército, Picquart chegou a ser acusado de forjar documentos, foi afastado das suas funções e preso. Dujardin transmite-nos essas qualidades da personagem, bem como a evolução da sua atitude à medida que Picquart vai aprofundando a investigação e descobrindo a verdade.

Faltou só a Polanski desenvolver alguns aspectos que ficam apenas insinuados, e que teriam reforçado a autenticidade do filme se mais detalhados. É o caso do carácter profundamente antipático de Dreyfus (Louis Garrel), do violento anti-semitismo de Picquart (que nunca se sobrepôs ao seu dever de consciência) e da fortíssima hostilidade que existia entre os dois homens (apenas aludida no final da fita).

Por Eurico de Barros

Publicado:

Detalhes

Detalhes da estreia

Duração
0 minutos

Elenco e equipa

Realização
Roman Polanski
Argumento
Roman Polanski, Robert Harris
Elenco
Jean Dujardin
Emmanuelle Seigner
Louis Garrel
Mathieu Amalric