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O chileno Pablo Larraín filma Jakie Kennedy nos dias a seguir ao enterro do marido

A presidência Kennedy, o assassinato do presidente Kennedy, a família Kennedy, os escândalos dos Kennedy, continuam a ser uma mina sem fundo para o cinema e para a televisão. Só Jacqueline Bouvier Kennedy (depois Onassis), a viúva de John F. Kennedy, por exemplo, já foi objecto de uma quantidade de filmes, telefilmes, séries e minisséries, e interpretada por actrizes como Jacqueline Bisset, Joanne Whaley, Sarah Michelle Gellar, ou Katie Holmes.

Em Jackie, do chileno Pablo Larraín (Tony Manero, Não, O Clube), ela é personificada por Natalie Portman (a fita estava para ser realizada por Darren Aronofsky, que ficou apenas a produzir, com Rachel Weisz no papel principal). A história apanha-a ainda na Casa Branca, nos dias seguintes ao assassinato e ao funeral do seu marido e presidente dos EUA, quando recebeu a visita do prestigiado jornalista da Life Theodore H. White, aqui referido apenas como “O Jornalista” e interpretado por um Billy Crudup muito mal enjorcado (é duvidoso que a verdadeira Jackie tivesse recebido uma pessoa que se apresentasse assim).

A Jackie de Larraín é uma mulher obviamente devastada, que vai usar a entrevista para consolidar a sua imagem pública de ícone nacional e primeira Primeira Dama da era da televisão e do glamour político, bem como para garantir que o falecido marido vai não só entrar no Olimpo da imaginação colectiva, como ocupar uma posição central na primeira fila. Para isso, ela terá não só direito de primeira leitura do artigo, como também de veto do que não lhe agradar e até de branqueamento do que achar inconveniente ou indiscreto.

Jackie, onde Pablo Larraín se esfalfa a reconstituir ao detalhe vários momentoschave da vida do casal, da presidência de Kennedy, dos dias após a tragédia de Dallas e da existência da Primeira Dama na Casa Branca, é um daqueles filmes que vive ou morre pela interpretação da actriz principal. Natalie Portman habita Jacqueline Kennedy falando – ou melhor, arfando – como se ela fosse Marilyn Monroe, e deixando à vista todo o esforço que pôs na tentativa de a personificar, dificilmente fazendo o espectador esquecer que estamos perante uma actriz a tentar passar por Jackie em vez de se confundir com ela (não é Meryl Streep quem quer). Logo, Jackie não funciona, porque Portman não consegue funcionar na pele da retratada.

Ficamos com algumas interpretações secundárias (o falecido John Hurt no padre que dá consolo espiritual a Jackie, Peter Sarsgard em Bobby Kennedy) e duas ou três recriações de época. É pouco, para um filme claramente talhado a pensar em Óscares, muitos Óscares. Mas só Portman foi nomeada, e nem merecia.

Por Eurico de Barros

Por Eurico de Barros

Publicado:

Detalhes

Detalhes da estreia

Classificação
15
Data de estreia
sexta-feira 20 janeiro 2017
Duração
100 minutos

Elenco e equipa

Realização
Pablo Larraín
Argumento
Noah Oppenheim
Elenco
Natalie Portman
Peter Sarsgaard
John Hurt
Greta Gerwig
John Carroll Lynch
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