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Crítica
A nova fita do romeno Radu Jude passa-se na cidade de Cluj, onde Orsolya (Eszter Tompa) uma oficial de justiça encarregue de fazer despejos, fica profundamente afectada pelo suicídio de um homem que ia retirar da cave de um prédio antigo, destinado a ser transformado num hotel de luxo. Ela abdica de ir de férias com o marido e os filhos e fica a remoer o sentimento de culpa, partilhando-o com uma série de pessoas, incluindo uma das suas colegas e melhores amigas, um antigo aluno de Direito que encontra por acaso e só arranjou emprego a fazer entregas de moto, e um padre. Através desta angustiada personagem, Jude mostra como as grandes cidades da Roménia são também vítimas da especulação imobiliária desenfreada, expõe os defeitos crónicos e a corrupção da sociedade romena e as tensões históricas ainda hoje existentes (e parece que cada vez mais exacerbadas) entre romenos e húngaros (a protagonista e a mãe são ambas húngaras), e ironiza sobre a má consciência social da classe média a que Orsolya pertence. Kontinental’25 é o melhor filme de Jude até à data, e aguardamos com curiosidade o seu (parece que muito heterodoxo) Drácula.
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