La La Land - Melodia de Amor

Filmes, Comédia
Escolha dos críticos
3 /5 estrelas
라라랜드
1/3
Photograph: Dale Robinette
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Dale Robinette
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Dale Robinette

A Time Out diz

3 /5 estrelas

O filme de Damien Chazelle, ganhou sete Globos de Ouro, prepara-se para ser a sensação dos Óscares e é a coqueluche do momento no mundo do cinema

O entusiasmo, os elogios e os prémios (sete Globos de Ouro, para já, a somar às previsíveis nomeações para os Óscares, que não se conheciam à hora de fecho desta edição) em redor de La La Land – Melodia de Amor, de Damien Chazelle, são manifestamente exagerados, mas derivam, por um lado, do facto de o filme musical, como a maior parte dos géneros clássicos, estar praticamente extinto, e este fazer figura de Coca-Cola de litro e meio gelada no meio do deserto; e pelo outro, de ser um filme assumida, descarada, exuberantemente feliz a (quase) 100%, nestes tempos negros que atravessamos, e a que correspondem filmes igualmente carregados.

Ajuda também a toda esta euforia em torno de La La Land – Melodia de Amor, que o seu realizador seja um fã de musicais, conheça e goste de música (o seu filme de estreia, Whiplash – Nos Limites, tem um baterista como herói e ganhou três Óscares, embora nenhum das categorias musicais), seja transparente quanto aos grandes nomes do género que cita, “rouba” e homenageia (Jacques Demy, Vincente Minnelli, Stanley Donen e Gene Kelly, e ainda o Coppola de Do Fundo do Coração), e seja, visivelmente, um fã sincero, entusiástico e conhecedor de filmes musicais, das suas convenções narrativas, visuais, coreográficas e românticas.

Se parecer, aos olhos do espectador mais cinéfilo e mais zelota de musicais, um gigantesco déjà-vu, é porque a intenção de Damien Chazelle era essa mesmo. Fazer um filme onde o ferrenho do género se reconhecesse, revisse e rejubilasse. Se tudo soa familiar, é precisamente porque Chazelle quis que assim fosse. O seu público é também ele próprio.

Esta força é também a sua fraqueza. É que, no seu fervoroso arrebatamento colorido, melódico, sentimental, bailado, de carta de amor ao género, o filme deixa bem claro que hoje já não se conseguem fazer musicais à altura dos que saíam de Hollywood (e principalmente, da MGM) nos anos de ouro deste formato. De alguma forma, La La Land – Melodia de Amor é como que uma derradeira celebração, um sonoro último hurra!, para um género que outrora foi glorioso e fabricava felicidade, e que hoje vive para sempre nas recordações daqueles que fez feliz.

Se quisermos ser estritamente rigorosos, este é mais um filme romântico onde se canta e dança do que um musical canónico. Mas são picuinhices. O que interessa mesmo é que quer seja Verão quer seja Inverno, está sempre sol em Los Angeles, o que permite que o filme esteja sempre encharcado em luz e nade em cores pastel; que rapaz (Ryan Gosling num pianista de restaurante e purista de jazz que quer ter um clube) e rapariga (Emma Stone, que leva alegremente o filme nas palminhas, numa empregada de café que quer ser actriz) começam por embirrar um com o outro e depois apaixonam-se, cantam (aceitavelmente) e dançam um com outro (embora não como Fred e Ginger ou Gene e Cyd); que há uma arrebatadora sequência de dança em levitação no observatório onde Nicholas Ray filmou Fúria de Viver; e que embora a história sobre o desejo de fama e a escolha entre amor e carreira se cole de chapa à convenção, Damien Chazelle ilude o clássico final totalmente feliz, para dar uma notinha “contemporânea”. O musical morreu, viva o musical e quem o apoiar.

Por Eurico de Barros

Por Eurico de Barros

Publicado:

Detalhes

Detalhes da estreia

Data de estreia
quarta-feira 13 janeiro 2016
Duração
0 minutos

Elenco e equipa

Realização
Damien Chazelle
Argumento
Damien Chazelle
Elenco
Emma Stone
Ryan Gosling
J.K. Simmons
John Legend