A Magnificent Life
Photograph: Bidibul Productions

Crítica

Marcel e Monsieur Pagnol

3/5 estrelas
A animação de longa-metragem de Sylvain Chomet celebra a vida, a obra e os 130 anos do nascimento do escritor, dramaturgo e realizador Marcel Pagnol.
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A Time Out diz

O francês Sylvain Chomet, realizador das geniais longas-metragens de animação Belleville Rendez-Vous (2003) e O Mágico (2010), não fazia um filme animado de grande fôlego desde este último (a comédia de imagem real Attila Marcel, de 2013, é o seu trabalho recente mais significativo). Chomet acalentava há alguns anos um projecto ambicioso em termos de animação: uma fita sobre Victor Hugo baseada nos desenhos do autor de Os Miseráveis, que estava a começar a preparar quando foi abordado por Nicolas Pagnol, neto do escritor, dramaturgo e realizador Marcel Pagnol, que lhe propôs contar a vida do avô em desenhos animados, para assinalar, em 2025, os 130 anos do nascimento do autor de César e A Mulher do Padeiro. E Chomet aceitou a proposta, pondo na gaveta o filme sobre Victor Hugo e realizando, em animação tradicional, desenhada à mão, como é seu apanágio, Marcel e Monsieur Pagnol.

Marcel Pagnol (1895-1974) é uma das maiores figuras da cultura e das artes francesas do século XX, do qual se diz que “deu a conhecer à França o sotaque dos naturais do Sul do país”. Nascido em Aubagne, na Provença, Pagnol tem uma vasta obra teatral, literária, ensaísta e cinematográfica, e as suas peças e filmes passam-se quase todas no Sul, nomeadamente em Marselha. O que não impediu o terem-se tornado populares e aclamadas em toda a França, bem como internacionalmente, transformando-o num autor cujo regionalismo, longe de lhe tolher o alcance, o converteu num dos mais bem-amados em França e fez atingir uma dimensão universal. 

Basta referir a sua Trilogia Marselhesa, composta pelas peças Marius, Fanny e César, que começou a vida nos palcos e foi depois adaptada a filme pelo próprio Marcel Pagnol nos estúdios que abriu em Paris e em Marselha em 1932. Isto para ter plena liberdade em termos cinematográficos e não deixar a outros a transposição para a tela das suas peças e textos literários (Pagnol teve, inclusivamente, o sonho de construir uma “Hollywood francesa” na Provença, numa grande propriedade com um castelo que comprou em 1941, um projecto que a II Guerra Mundial não lhe permitiria concretizar). E há ainda títulos como Angèle, Topázio, Schpountz, O Anjinho, O Porto dos Sete Mares ou A Filha do Poceiro. Outros realizadores, como Claude Berri, Yves Robert ou Christopher Baratier iriam, após a morte de Marcel Pagnol, também filmaram peças e livros dele, o que contribuiu para manter a sua perenidade. 

Marcel e Monsieur Pagnol começa tarde, em 1955, na casa de Paris de um Marcel Pagnol sexagenário (a voz é de um irrepreensível Laurent Lafitte), com a reputação feita, aclamado, premiado e abastado. Só que o autor de Cartas do Meu Moinho está desalentado. Tão desalentado, que até pensa não escrever nem mais uma linha e reformar-se, já que as suas duas últimas peças não agradaram ao público nem à crítica, estiveram pouco tempo em cena e foram fracassos comerciais consideráveis. É então que durante uma festa, Hélène Lazareff, a fundadora da revista Elle, e o seu marido Pierre, o criador do diário France-Soir, grandes amigos e admiradores de Pagnol, convidam-no para fazer uma crónica semanal naquela revista, centrada nas suas recordações de infância.    

O escritor aceita, mas quando se senta na secretária do seu escritório para redigir o primeiro texto, não sabe por onde começar e volta a desanimar. É então que lhe aparece o seu “eu” infantil, o pequeno Marcel que ele foi, que o vai ajudar na redacção da crónica, levando Marcel e Monsieur Pagnol para o passado, para os primeiros anos do século XX, para que Sylvain Chomet nos possa contar, com o seu inconfundível estilo animado, usando aqui e ali imagens de época e dos filmes de Pagnol, e conseguindo abranger os seus principais factos biográficos, a longa, rica e magnífica vida de Marcel Pagnol, com todos os seus altos e baixos, os momentos tristes, trágicos e fracassados como os de alegria, felicidade e glória. Marcel e Monsieur Pagnol é a mais original e melhor homenagem que Marcel Pagnol podia ter tido nos 130 anos do seu nascimento. E com sotaque do seu Sul natal, está claro.

Elenco e equipa

  • Realização:Sylvain Chomet
  • Argumento:Sylvain Chomet
  • Elenco:
    • Laurent Lafitte
    • Geraldine Pailhas
    • Thierry Garcia
    • Anaïs Petit
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