MINIONS & MONSTERS
Photograph: Illumination & Universal Pictures | ‘Minions & Monsters’

Crítica

Mínimos e Monstros

4/5 estrelas
A terceira longa-metragem dos Mínimos a solo transforma-os em vedetas da Hollywood do tempo do cinema mudo. O pior é quando chega o sonoro. E os monstros.
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A Time Out diz

Lembram-se daqueles actores e actrizes que tinham vozes desagradáveis ou pouco atraentes ao ouvido e que acabaram por ficar sem carreiras quando o cinema passou de mudo a sonoro? É exactamente o que sucede aos Mínimos no seu novo filme animado de longa-metragem, Mínimos e Monstros. Realizado por Pierre Coffin, que também escreveu o argumento com Brian Lynch e participa a fazer as vozes dos Mínimos, e tutelada, como sempre, pela produtora Illumination, a fita é a terceira interpretada exclusivamente pelos Mínimos, contando também como a sétima da série Gru, o Maldisposto, em que as irresistíveis, barulhentas e caóticas criaturinhas amarelas aparecem. E é igualmente a mais ambiciosa e elaborada de todas em que eles surgem sem Gru e as suas crianças (ou quase…). 

Mínimos e Monstros é uma combinação de breve história dos Mínimos e de aventura em Hollywood, ou seja, quase dois filmes num só. Tudo começa num museu de história do cinema, onde é contada a história de dois dos principais Mínimos a um grupo de turistas. E a resenha histórica arranca com os Mínimos à procura de vilões a quem servir ao longo dos tempos. Só que, inevitavelmente, os Mínimos acabam sempre, e sem querer, por matar os seus mestres, deixando-os no desemprego, por assim dizer. Até que um dia, quando atravessam um deserto, algures no início do século XX, deparam com um comboio a ser assaltado. Ansiosos de terem um vilão que mande neles, os Mínimos perseguem o assaltante, para se oferecerem como seus seguidores. Mas afinal não há roubo nenhum. O que sucedeu é que os Mínimos interromperam a rodagem de um filme na Califórnia.

Acontece que os dois executivos donos do estúdio produtor do dito filme acham muita piada aos Mínimos, e em vez de os escorraçarem ou chamarem a polícia, decidem contratá-los. As fitas mudas dos Mínimos são enormes sucessos comerciais, e eles passam a viver o sonho da fama e da fortuna em Hollywood, mantendo-se sempre fiéis a si mesmos em termos de confusão. Mas tudo se desmorona com o advento do cinema sonoro, porque ninguém consegue perceber a algaraviada que é a linguagem dos pequenos amarelinhos. E depois de darem prejuízos de milhões de dólares aos estúdios, os Mínimos são despedidos e vêem-se desprezados e sem eira nem beira.

Esta situação vai dividir os Mínimos em duas facções. A dos que querem voltar à vida antiga e procurar mauzões que possam servir; e a dos que continuam a acalentar o sonho do cinema. Estes vão falar com o realizador que dirigiu todos os seus filmes nos bons tempos da celebridade e da riqueza, e decidem fazer um filme de grande impacto, uma grande produção de terror e ficção científica, intitulada… Mínimos e Monstros (esta terceira fita dos Mínimos é também a mais auto-referencial de todas, embora sem presunção, tudo pelo contrário). Os Mínimos usam então um livro que tiraram a um feiticeiro que serviram para invocar um monstro. Mas este, chamado Goomi, além de pequeno, é simpático e inofensivo, e propõe aos Mínimos ajudá-los a arranjar monstros como deve ser para o filme. Entretanto, o outro grupo de Mínimos encontrou um vilão para servir, Dort, um robô alienígena que quer conquistar a Terra. E agora sim, vai instalar-se a maior das confusões. 

Rodado com um opulento orçamento de 85 milhões de dólares, Mínimos e Monstros é fidelíssimo ao modelo de comédia anárquica, nonsense, em jacto contínuo, paródica e com piscadelas de cultura pop e cinéfilas a que esta série nos habituou (estas últimas abundam aqui, pela própria natureza da história e pela atmosfera hollywoodesca em que se passa), contando inclusivamente com uma aparição-surpresa de George Lucas e culminando com um gag que goza com o estereótipo das histórias “meta” em voga nestes tempos. E convém ficar até a ficha técnica final acabar, porque há uma surpresa envolvendo personagens bem conhecidas. Os Mínimos nunca falham nem desiludem.

Elenco e equipa

  • Realização:Pierre Coffin, Patrick Delage
  • Argumento:Brian Lynch, Pierre Coffin
  • Elenco:
    • Pierre Coffin
    • Allison Janney
    • Zoey Deutch
    • Christoph Waltz
    • Jeff Bridges
    • Jesse Eisenberg
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