O Caso de Richard Jewell

Filmes, Drama
4 /5 estrelas
O Caso de Richard Jewell

A Time Out diz

4 /5 estrelas

A maioria das pessoas já não se deve lembrar da história real que Clint Eastwood recria no seu novo filme, O Caso de Richard Jewell. Em 1996, durante os Jogos Olímpicos de Atlanta, um segurança chamado Richard Jewell descobriu uma bomba num parque da cidade onde decorria um concerto. Deu o alarme e apesar de o engenho ter explodido e causado dois mortos e muitos feridos, a tragédia teria sido muito maior se não tivesse sido detectado.

Mas no espaço de poucos dias o segurança transitou de herói nacional a presumível terrorista. Os media que o tinham celebrado passaram a considerá-lo como suspeito de ter colocado a bomba, com base numa fuga de informação do FBI, que estava a investigar Jewell, por corresponder a um perfil de “bombista solitário”.

Na comunicação social, e em graus variados de convicção, Richard Jewell começou a ser retratado como um falso herói, um homem obcecado em fazer carreira nas forças de segurança, que tinha posto a bomba para chamar a atenção do público e para lhe ser oferecido um lugar na polícia. Jewell não foi ajudado pelo facto de já ter sido despedido duas vezes, por excesso de zelo, de dois cargos em que desempenhava funções semelhantes.

Apesar de nunca ter sido oficialmente acusado de nada, Richard Jewell foi alvo de uma tentativa de manipulação por parte do FBI para o fazer abdicar dos seus direitos constitucionais, e o mesmo FBI passou a vigiá-lo permanentemente, fez buscas na casa onde vivia e investigou amigos próximos e familiares. Finalmente, meses depois do atentado, e muito graças à acção do seu advogado, Jewell foi considerado inocente por carta formal. Dez anos mais tarde, foi descoberto o verdadeiro bombista, chamado Eric Rudolph.

Clint Eastwood pega na história de Jewell para fazer o primeiro filme sólida e certeiramente político de 2020, um exemplo acabado do conservadorismo libertário que caracteriza ideologicamente o veterano actor e realizador.

O Caso de Richard Jewell detalha e denuncia a forma como um cidadão comum, cuja presunção de inocência devia estar acima e antes de tudo, é intimidado, pressionado, perseguido, coagido, vigiado, falsamente acusado e invadido na sua privacidade e na da sua família, quer pelo governo, através de entidades públicas como o FBI e o Ministério da Justiça, quer pelos media. Estes, na sua sede de exclusivos a todo o custo, e na sua ânsia de sensacionalismo e de vendas e audiências, julgam-no e condenam-no na praça pública.

Eastwood não escamoteia os defeitos de Jewell (impecavelmente interpretado por Paul Walter Hauser, visto em papéis secundários em filmes como Eu, Tonya ou BlacKkKlansman: O Infiltrado) nem a sua passividade perante tudo aquilo a que é sujeito, em especial por parte do FBI, por causa da sua crença ingénua nos valores da lei e da ordem, e na bondade dos seus representantes, filmando esta história vergonhosa com uma concisão brilhante e sem flores moralistas. Sam Rockwell, Cathy Bates, Jon Hamm e Olivia Wilde completam o elenco deste filme muito mais importante e actual do que poderá parecer a muitos.

Por Eurico de Barros

Por Eurico de Barros

Publicado:

Detalhes

Detalhes da estreia

Classificação
15
Data de estreia
sexta-feira 31 janeiro 2020
Duração
131 minutos

Elenco e equipa

Realização
Clint Eastwood
Argumento
Billy Ray
Elenco
Paul Walter Hauser
Sam Rockwell
Kathy Bates
Olivia Wilde
Jon Hamm