O Melhor Ainda Está Para Vir

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4 /5 estrelas
O Melhor Ainda Está Para Vir

A Time Out diz

4 /5 estrelas

Os americanos têm o buddy movie, os franceses têm o film de copains. Vai tudo dar ao mesmo, o filme de amigos dos quatro costados. Foi já um subgénero muito cultivado em França, mas que não se vê nas telas com a regularidade – e a qualidade – com que se via nas décadas de 70 e 80, mais porque têm vindo a desaparecer os argumentistas, dialoguistas, realizadores e actores que o faziam bem, do que por uma mudança no público e nos seus gostos.

O duo de argumentistas Alexandre de La Patellière e Matthieu Delaporte estreou-se na realização em 2012 com uma muito divertida comédia, O Nome da Discórdia, dando ao cantor e actor Patrick Bruel o papel principal. Sete anos depois, de La Patellière e Delaporte escreveram e realizaram aquele que é um dos melhores films de copains dos últimos anos: O Melhor Ainda Está para Vir, de novo com Bruel, agora emparelhado com Fabrice Luchini.

Arthur (Luchini) e César (Bruel) estão ambos na casa dos 50 e são amigos desde que se conheceram num colégio interno, eram ainda miúdos. São diferentes como o ovo e o espeto, mas une-os uma amizade em betão armado. Arthur, divorciado e com uma filha adolescente, é médico e investigador no Instituto Pasteur, um coca-bichinhos crónico e um cidadão exasperante de tão exemplar. César nunca teve um emprego certo, é um estoira-vergas que colecciona amantes e é adepto da filosofia chapa ganha, chapa gasta. De tal forma, que o filme abre com a penhora de tudo o que tem.

Devido a um equívoco, Arthur descobre que César tem um cancro e poucos meses de vida, enquanto que este pensa que é o amigo que está canceroso. Arthur não tem coragem de dizer a verdade a César, que entretanto se mudou para casa deste porque a ex-namorada o expulsou da sua, e os amigos combinam ir viver a vida em pleno, concretizando cada qual, alternadamente, um desejo de longa data. E enquanto que entre os sonhos de Arthur estão ganhar o Nobel da Medicina ou visitar a campa de Albert Schweitzer, os de César são mais simples: paródia, jantaradas, casinos e mulheres.

Aqui chegados, e ao contrário do pudéssemos pensar, O Melhor Ainda Está para Vir não resvala nem para a farsa grosseira e bagunçada, nem para o melodrama fungado e rameloso. Graças a uma escrita rigorosamente equilibrada, com todas as palavras, situações e emoções certas nas alturas certas; a uma gestão de relojoeiro suíço da comédia e da gravidade, da espirituosidade e do drama, da ligeireza e da melancolia; e às interpretações arrebatadoras de Luchini e Bruel, verdadeiras e vivas na efervescência do riso como na punção do drama, Alexandre de La Patellière e Matthieu Delaporte arrancam um filme na boa cepa tradicional francesa sobre o significado mais corpóreo, mais real, mais efusivo e mais pungente da amizade entre dois homens que, à partida, tudo daria a entender que nunca poderiam ser amigos. Como diria o imenso argumentista e dialoguista Michel Audiard, “Ça, c’est des copains!”.

Por Eurico de Barros

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