O Regresso de Mary Poppins

Filmes, Família e crianças
Escolha dos críticos
3 /5 estrelas
O Regresso de Mary Poppins

A Time Out diz

3 /5 estrelas

Em 2013, o filme Ao Encontro de Mr. Banks contou a história da dificuldade que Walt Disney (interpretado por Tom Hanks) teve para conseguir convencer a escritora P.L. Travers (Emma Thompson), a criadora de Mary Poppins, em ceder-lhe os direitos de adaptação ao cinema dos seus livros, e rodar Mary Poppins (1964), que se tornaria num dos títulos clássicos e mais bem-amados da Disney e daria a Julie Andrews o Óscar de Melhor Actriz (o filme ganhou mais quatro). Walt Disney quis, logo a seguir, fazer uma continuação, mas dessa vez não conseguiu persuadir Travers a dar-lhe a devida autorização. Nos anos 80, o então presidente da Disney, Jeffrey Katzenberg, abordou de novo a escritora com o mesmo projecto, mas ela voltou a recusar. Só em 2015 o estúdio conseguiu ter luz verde dos herdeiros de P.L. Travers para rodar a tão desejada continuação de Mary Poppins. A realização foi entregue a Rob Marshall (Chicago, Caminhos da Floresta), com Emily Blunt no papel da ama mágica.

E aí temos O Regresso de Mary Poppins, que se passa de novo em Londres, 20 anos depois do filme original. Michael e Jane Banks (Ben Whishaw e Emily Mortimer) estão agora crescidos. Ben trabalha no banco do pai, tem três filhos pequenos e enviuvou recentemente, Jane é activista política, e estão em risco de perder a casa da família se Ben não pagar rapidamente um empréstimo que contraiu no seu banco. As coisas estão negras para a família, mas Mary Poppins volta a descer suavemente do céu, com o 
seu inseparável guarda-chuva de cabo de papagaio falante.

Desde as primeiras imagens de O Regresso de Mary Poppins que percebemos que a Disney jogou à defesa. Mesma ideia central da história – Mary Poppins chega para ajudar os Banks – mesma Londres parte realista, parte retro-nostálgica; mesma paleta de cores pastel 46 em todo o filme; personagens que transitam do original interpretadas por outros actores 
(o almirante de David Warner) ou que lhe
 são equivalentes, como a fiel criada (Julie Walters), ou Jack, o acendedor de lampiões
 de gás cockney (Lin-Manuel Miranda), apresentado como tendo sido aprendiz de limpa-chaminés do Bert de Dick Van Dyke na fita de 1964. E há sequências musicais que são, com pequenas diferenças, réplicas de outras de Mary Poppins, como a (magnífica) de animação tradicional em 2D passada dentro da taça de porcelana (no primeiro filme, era dentro de um desenho no passeio), ou a do bailado dos acendedores de lampiões no nevoeiro, que recorda a dos limpa-chaminés nos telhados da fita de 1964.

Julie Andrews não quis entrar em O Regresso de Mary Poppins nem num pequeno papel, dizendo que o espectáculo pertencia a Emily Blunt e não a ela. E Blunt sai-se lindamente como sua sucessora. Dá alguns ares de Andrews do ponto de vista da fisionomia, interpreta Mary Poppins com a combinação exacta de autoridade, encanto, ternura e humor, e canta e dança estupendamente bem. Já Lin-Manuel Miranda, embora bom de garganta e de pés, tem fraca figura. A grande falha da fita é mesmo a banda sonora, que não chega nem aos calcanhares da composta pelos irmãos Richard e Robert Sherman para o original (quem se esqueceu de canções como A Spoonful of Sugar, Step in Time, ou Chim Chim Cher-ee?) e não tem uma melodia memorável.

Colin Firth é o vilão, Meryl Streep tem uma participação deliciosa como Topsy, a prima excêntrica de Leste de Mary Poppins, Angela Lansbury faz o cameo que estava originalmente destinado a Julie Andrews, e os 93 anos de Dick Van Dyke não o impedem de dar uns passos de dança em cima de uma secretária. Esta continuação nunca poderia ser tão boa como o original, mas O Regresso de Mary Poppins não envergonha a Disney.

Por Eurico de Barros

Por Eurico de Barros

Publicado:

Detalhes

Detalhes da estreia

Classificação
U
Data de estreia
sexta-feira 21 dezembro 2018
Duração
130 minutos

Elenco e equipa

Realização
Rob Marshall
Argumento
David Magee
Elenco
Emily Blunt
Lin-Manuel Miranda
Ben Whishaw
Emily Mortimer
Colin Firth
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