Ponto Vermelho

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3 /5 estrelas
Ponto Vermelho

A Time Out diz

3 /5 estrelas

Ponto Vermelho, estreado na Netflix, é um ‘thriller’ sueco que parece ser uma coisa e depois se transforma noutra.

Quando se está a sair de uma estação de serviço, não fica bem dar um toque numa carrinha e ir embora sem comunicar ao proprietário. Sobretudo se o dono da dita carrinha é caçador, tem uma cabeça de alce acabado de caçar a sangrar na caixa e um pastor alemão com ar de muito poucos amigos sentado na cabina. Mas é o que fazem Nadja e David, os protagonistas de Ponto Vermelho, um thriller assinado pelo sueco Alain Darborg, acabado de estrear na Netflix. E está mais do que claro que se vão arrepender amargamente de terem batido e ido embora como se não fosse nada com eles.

David e Nadja vivem na cidade e decidiram ir acampar na neve no interior da Suécia, para animarem o casamento. Uma vez instalados na tenda com o seu cão, tudo parece normal e calmo, até que na primeira noite o casal repara no ponto vermelho da mira laser de uma espingarda que lhes percorre os corpos e o interior da tenda. Primeiro, pensam tratar-se de uma brincadeira de mau gosto por parte de alguns garotos. Mas quando as balas começam a zunir em seu redor, percebem que não é brincadeira nenhuma e que alguém os quer ou matar, ou afugentar e deixar perdidos no meio da neve. Ainda por cima, Nadja ocultou a David que está grávida. E não podia haver pior altura do que esta para o dizer ao marido.

Aí até pouco mais de metade dos seus 80 e poucos minutos de duração, Ponto Vermelho assemelha-se em tudo à versão sueca de uma série B de acção americana, daquelas em que um casal vindo da cidade para o interior, para desfrutar do ar livre e das paisagens de sonho, melindra uns pacóvios quaisquer ou infringe alguma norma local, e começa a ser caçado implacavelmente, tendo que procurar sobreviver no meio de uma natureza que não conhece e onde não se sente à vontade. Só que Alain Darborg tem algumas surpresas na manga, que fazem com que, em Ponto Vermelho, o que julgávamos óbvio e previsível afinal não o seja.

Dar muitos pormenores sobre o que acontece a seguir é estragar o filme para quem o vai ver. Diga-se apenas que Nadja e David partilham um segredo que assombra muito especialmente o marido; que quem os está a perseguir e a aterrorizar pode não ser quem o filme anteriormente sugeriu que eram, mas sim alguém directamente relacionado com esse segredo que o casal oculta; e que, a partir de certa altura, Ponto Vermelho rompe com as convenções, as personagens-tipo e as situações feitas do modelo de série B americana que parecia ir contemplar obediente e competentemente. Para se transformar em algo muito diferente, mais dramático e mais diabólico, rumo a uma resolução completamente inesperada.

Alain Darborg atrapalha-se aqui e ali com a exposição da história, em especial quando os flashbacks começam a cair, e há um par de momentos em que Ponto Vermelho força a plausibilidade e desafia a nossa suspensão da descrença. Mas, se há uma coisa de que não podemos acusar o realizador, é de não ter tentado ser original e surpreender-nos com um formato em que tudo parecia convidar ao respeito confortável pelas normas.

Detalhes

Detalhes da estreia

Elenco e equipa

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