Posto de Combate

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3 /5 estrelas
Posto de Combate

A Time Out diz

3 /5 estrelas

É uma situação clássica do cinema de acção e aventura. Um pequeno grupo de soldados, destacado para um forte bem dentro de território inimigo, vê-se atacado por forças numericamente superiores e mais bem equipadas, e tem que se defender com unhas e dentes até o socorro chegar. No cinema americano, já a vimos muitas vezes em westerns e em filmes bélicos, passados na II Guerra Mundial, na da Coreia ou no Vietname, com cenários ficcionais ou reais.

É precisamente essa a situação de Posto de Combate, de Rod Lurie, situado no Afeganistão, num posto avançado do exército americano, onde, em Outubro de 2009, 53 soldados aguentaram o ataque de centenas de talibãs, travando a Batalha de Kamdesh, a mais sangrenta de toda a presença dos EUA naquele país e que originou um grande número de condecorações, oito das quais a título póstumo. O filme baseia-se no livro The Outpost: An Untold Story of American Valor, do jornalista Jake Tapper.

O Posto Avançado Keating era conhecido como “Posto Custer”, porque se dizia que não haveria sobreviventes no caso de ataque inimigo. Contra as mais básicas regras militares, estava instalado na base de três montes, ao invés de no topo de um destes, deixando as tropas totalmente expostas. Isto porque na altura o general Stanley McChrystal, com o assentimento do presidente Barack Obama, tinha posto em prática no Afeganistão um programa de contra-insurgência assente no contacto o mais facilitado possível dos militares no terreno com os afegãos, que recebiam apoio financeiro para projectos de escolas, postos médicos ou construção de redes eléctricas, fornecimento de água, etc. Coisa que correu mesmo muito mal no Posto Avançado Keating.

Rod Lurie formou-se em West Point e foi tropa, antes de se dedicar ao jornalismo e ao cinema, primeiro como crítico e depois pondo as mãos na massa. Em Posto de Combate, Lurie não inventa a roda, mas apoiando-se na sua experiência militar, no livro de Tapper e em alguns dos soldados que combateram na Batalha de Kamdesh e que foram consultores da produção, consegue arrancar, com um orçamento reduzido e um elenco que, além de nomes como Orlando Bloom e Caleb Landry Jones, inclui filhos de grandes vedetas, como Scott Eastwood (curiosamente, no papel de um sargento chamado Clint), Milo Gibson ou James Jagger, um filme de guerra económica e vigorosamente realista na construção do ambiente (foi rodado na Bulgária), na caracterização das personagens, na pintura da rotina militar e das relações entre os homens, quer na calmaria, quer debaixo de fogo.

Os ferozes 45 minutos finais, que recriam o ataque talibã e a resposta dos sitiados, alternando entre situações individuais e movimentos colectivos, não nos dão um segundo para respirar, enfiando-nos de cabeça no meio do combate e da confusão de aço, barulho, sangue, desespero, medo e coragem de que ele é feito. Posto de Combate vai ficar como um dos melhores filmes saídos das controversas incursões dos EUA no Afeganistão e no Iraque no pós-11 de Setembro.

Por Eurico de Barros

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