São Jorge

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4 /5 estrelas
São Jorge

A Time Out diz

4 /5 estrelas

Jorge (Nuno Lopes) é pugilista, ganha a vida a dar murros. Só que a vida também lhos dá de volta, muitos, e o dinheiro que ele ganha no ringue a esmurrar outros pugilistas não chega. Não chega para ajudar a família, apanhada pela crise do Portugal intervencionado pela troika, nem para convencer a mulher a não voltar para o Brasil e levar o filho com ela.

Jorge está cheio de dívidas, e para poder pagá-las, vai trabalhar numa daquelas empresas de cobranças difíceis onde o dinheiro é arrancado a murro aos devedores. Só que se Jorge tem físico para este trabalho, não tem estômago e tem escrúpulos a mais. Devoto de São Jorge, ele é como que um anjo de punhos de pedra e coração vulnerável, metido num inferno de gente esmurrada pela austeridade.

Filmado por Marco Martins (com câmara digital) numa Lisboa nocturna, desolada e hostil, enuma margem sul de bairros sociais delapidados e labirínticos, São Jorge quase que cobre só por si o enorme défice de realidade, e de realismo, do cinema português, evocando os climas visuais e emocionais plúmbeos do policial americano e do melhor cinema social europeu, sem nunca se pôr a fazer comício. A crise é cenário e motor da história principal, a do combate solitário, contínuo, de Jorge pelo filho, e pela união da família. Nuno Lopes, entregue de corpo e alma à personagem, interpreta-a como uma bisarma de bom coração, que acredita até ao fim que pode pôr a adversidade KO.

Por Eurico de Barros

Por Eurico de Barros

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