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Seis Minutos para a Meia-Noite

  • Filmes
  • 1/5 estrelas
Six Minutes to Midnight
Photograph: Amanda Searle
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A Time Out diz

1/5 estrelas

Começámos mal o ano, a ver ‘Seis Minutos para a Meia-Noite’, um dos piores e mais ridículos filmes de espionagem dos últimos tempos.

Houve já uma época em que os ingleses eram, no cinema e na televisão, os mestres das histórias de espionagem, bem mais do que os americanos. A julgar por Seis Minutos para a Meia Noite, de Andy Goddard, os ingleses estão a perder esse toque especial que tinham para este género. À primeira vista, Seis Minutos para a Meia-Noite, passado nos primórdios da II Guerra Mundial, aparenta ser uma história de sabor retro, na veia das que eram escritas por especialistas clássicos do spy thriller, como John Buchan, o autor de Os 39 Degraus, ou Erskine Childers, que assinou O Mistério das Areias.

O filme é um projecto do actor Eddie Izzard, que colaborou no argumento, é um dos produtores e interpreta o papel principal, o de Thomas Miller, um agente secreto inglês de ascendência alemã, que se infiltra num colégio particular para raparigas situado à beira-mar, e que apresenta uma característica muito especial. Apesar de a directora ser inglesa (interpretada em piloto automático por Judi Dench), todas as alunas são alemãs e de famílias ligadas a altos dignitários nazis (o colégio existiu na realidade e na ficha técnica final do filme são mostradas várias fotografias tiradas nesses tempos).

Antecipando o eclodir da guerra com a Alemanha, o governo inglês quer garantir que as raparigas não deixam clandestinamente Inglaterra, para as poder usar eventualmente como moeda de troca ou elemento de pressão com o governo de Hitler, ao mesmo tempo que teme que a escola esteja a ser usada como um centro de espionagem pelos nazis. A premissa é um bocadinho forçada mas ainda se pode aceitar. Só que o argumento a desenvolve de uma forma tão desastrada, tão confusa, tão previsível, tão estereotipada e tão descaradamente inverosímil, que Seis Minutos para a Meia-Noite acaba por se tornar numa comédia involuntária, em que nada faz sentido, para que lado olhemos, e o ridículo depressa toma o lugar do suspense.

Só para dar um exemplo, este é um daqueles filmes onde o protagonista anda à vontade por todo o lado dentro do colégio, sem nunca ser visto ou apanhado (há uma cena de bradar aos céus passada no gabinete da directora, em que é pura e simplesmente impossível não darem por ele onde se escondeu). Além disso, para um herói de acção tradicional, a personagem de Izzard passa tempo demais a fugir de tudo e todos (de uma das vezes, vestido com o uniforme roubado a um membro de uma banda musical, que lhe fica tão mal que o faria ser imediatamente identificado e detido, mas nada sucede e ele anda no meio na rua sem que ninguém repare ou desconfie). E isto apesar de haver por toda a parte folhetos com a sua fotografia.

Entre outros clichés ambulantes, temos a bonita, simpática e aparentemente inofensiva jovem professora que revela ser na realidade a mais fanática nazi de todas, ou ainda o agente petulante do MI6 que parece chegar na hora para safar o herói, mas é na verdade um agente duplo. O clímax de Seis Minutos para a Meia-Noite, de nos fazer arregalar os olhos de incredulidade, tem lugar numa praia, noite cerrada, com as alunas do colégio a revelar que os exercícios de ginástica que faziam à beira-mar eram na realidade um treino para sinalizarem aviões à noite (embora o espaço entre elas nem por sombra seja suficientemente largo para um avião aterrar quando visto do solo, mas já é quando mostrado do ponto de vista do piloto...) e o filme acaba por ser omisso quanto ao destino dado às raparigas. Era bem mais adequado se, em vez de Seis Minutos para a Meia-Noite, a fita se chamasse Espiões Trapalhões.

Escrito por
Eurico de Barros

Elenco e equipa

  • Realização:Andy Goddard
  • Argumento:Eddie Izzard, Celyn Jones, Andy Goddard
  • Elenco:
    • Eddie Izzard
    • Judi Dench
    • James D'Arcy
    • Jim Broadbent
    • Celyn Jones
    • Carla Juri
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