[category]
[title]

Crítica
Tal como a Pixar não previa fazer Toy Story 4 (Quentin Tarantino chamou aos três primeiros filmes da série “talvez a mais perfeita trilogia da história do cinema”), também Toy Story 5 não estava inicialmente nos planos da produtora, cujos responsáveis queriam então centrar-se apenas em títulos originais. Mas a verdade é que logo em 2019, o ano da estreia de Toy Story 4, começou logo a falar-se na possibilidade de a saga dos brinquedos mais populares do mundo ser continuada em mais uma fita. Até que em 2023 a Pixar confirmou que haveria um Toy Story 5 e que Tom Hanks e Tim Allen voltariam a ser as vozes de Woody e de Buzz Lightyear, com Andrew Stanton a realizar e a assinar (mais uma vez) o argumento, em parceria com McKenna Harris.
A Pixar não poupou em nada para pôr Toy Story 5 de pé, nem na tecnologia informática de animação, tendo sido usada a mais avançada disponível (foi posto de parte o recurso à Inteligência Artificial, apesar do estúdio ter já feito algumas experiências neste domínio, segundo revelou Thomas Jordan, o coordenador de efeitos visuais da produção), bem como alguns inovações do seu sistema de animação em 3D do filme anterior, Saltitões; nem no orçamento, que atingiu a impressionante soma de 250 milhões de dólares, tornando este quinto Toy Story num dos filmes mais caros de toda a história do cinema animado.
Ao longo destas três décadas, os brinquedos de Toy Story já passaram por muitos perigos e enfrentaram muitas situações difíceis. Em Toy Story 5, eles são postos perante um desafio completamente novo: o digital, sob a forma de um tablet para crianças chamado Lilypad, com a forma de uma rã verde, que os pais da pequena Bonnie, que é muito tímida e não consegue fazer amigos, lhe dão para que possa socializar mais. Só que Bonnie, que é a única criança da zona que ainda brinca com brinquedos tradicionais, de plástico e de corda, e nunca teve um tablet, um smartphone ou um computador, ao contrário das outras crianças, fica viciada no novo dispositivo, fazendo logo amigos – embora no mundo virtual. Por seu lado, a arrogante Lilypad fala de alto aos brinquedos da casa, dizendo-lhes que ela é que sabe o que é melhor para Bonnie e para a sua vida social, e que eles estão obsoletos – já não têm qualquer utilidade.
Jessie, a esperta e irrequieta cowgirl que ficou a liderar os brinquedos, ajudada por Buzz Lightyear, desde que, no filme anterior, Woody partiu com Bo Peep para irem ajudar brinquedos perdidos, esquecidos ou postos de parte a terem novos donos, não se fica, e depois de confrontar Lilypad, pede ajuda a Woody, que regressa. E mete-se depois numa grande confusão com o seu fiel cavalo Bala, ao tentar que Bonnie trave conhecimento com Blaze, uma menina igualzinha a ela, que ainda adora brincar com os seus brinquedos, e vive numa quinta nos arredores da cidade. A mesma quinta em que morou Emily, a anterior dona de Jessie, que a traumatizou profundamente quando cresceu e se esqueceu dela. O enredo do filme vai adensar-se ainda mais, e acolher não só três animados dispositivos a pilhas com que Jessie e Bala travam conhecimento na quinta de Blaze, e que são um meio-termo entre o analógico e o digital, como também um esquadrão de Buzz Ligthyears que andam à procura do Comando Central.
Assente mais uma vez num dos temas centrais da saga, a inevitabilidade e as dores da separação, que no entanto podem trazer coisas novas e boas, Toy Story 5 recorre a todo o arsenal da comédia no melhor estilo da Pixar, desde as piadas verbais e os pequenos gags até aos grandes efeitos cómicos; mantém a alta qualidade narrativa e um sentido dramático que nunca resvala para o sentimentalismo e é personificado e defendido pelas vozes dos actores do elenco (e desta vez, quem brilha mais é Joan Cusack como Jesse); e mostra um primor magistral na animação e na estilística visual, para acautelar contra o excesso de dependência dos ecrãs, sobretudo entre as crianças, e fazer o elogio dos brinquedos tradicionais, do acto de brincar e da alegria e do convívio que lhe estão intimamente associados, e do uso dos poderes da imaginação e da capacidade de fantasiar que ele implica.
O apocalipse dos brinquedos anunciado por um deles no início do filme revela-se assim ser fake news. E convém ficar a acompanhar a ficha técnica final de Toy Story 5, para ver o que sucede à esquadrilha de Buzz Ligthyears perdidos.
Discover Time Out original video