[category]
[title]
Comparsa de Claude Troisgros no Madame Olympe, ela começou como estagiária do chef e hoje reforça a presença feminina no Guia, ao lado de Helena Rizzo, de SP

Ninguém nega que, apesar de carioca, a festa do Michelin 2026 foi dos paulistanos. Deram de lavada com duas casas faturando a cobiçada terceira estrela: Evvai (chef Luiz Filipe Souza) e Tuju (chef Ivan Ral) - os primeiros da América Latina com tamanha honraria. Mas ainda assim, um nome (e rosto) na foto oficial foi o brilho especial da noite, celebrada com pompas no Copacabana Palace. A carioca Jéssica Trindade, ao lado do comparsa (e mestre) Claude Troisgros, tornou-se, depois da paulistana Helena Rizzo, do Maní, a segunda mulher brasileira com a distinção no peito. E isso, num meio ainda dominado pelos homens, é de uma grandeza que reluz com um brilho diferente em meio a uma constelação quase monocromática.
Jéssica pertence a uma nova geração de chefs de cozinha que estão revolucionando a gastronomia brasileira. E pelo talento, cuidado com insumos, atenção aos pequenos produtores. Sua carreira começou no Rio onde, aos 18 anos, formou-se em Gastronomia pela Universidade Estácio de Sá. Ali mesmo, foi convidada a integrar, como aprendiz, o Grupo Troisgros Brasil, iniciando sua carreira como estagiária no Bistrô 66 e crescendo ao lado de Claude, chefiando equipes, com passagens pelo CT Boucherie e outras casas da marca, até assinar o menu do Madame Olympe junto com o chef "Marravilha", o que trouxe não só mais notoriedade, como também o crédito do parceiro, que reconheceu no palco do Copa que a estrela era dela.
Ao longo de sua trajetória, também atuou no restaurante Maison Troisgros, com três estrelas Michelin, em Roanne, e no restaurante Mirazur, também com três estrelas Michelin, em Menton, ambos na França. Para quem não sabe, o clã Troigros detém as 3 estrelas desde 1968. Atualmente, comanda as cozinhas do Chez Claude e do agora estrelado Madame Olympe, ambos no Leblon.
Seu trabalho junto aos pequenos produtores locais pode ser claramente percebido na proposta culinária dessas casas, sobretudo na segunda (e mais nova), inaugurada em novembro, já no segundo menu, que estreou impressionando e fisgando pela combinação França-Brasil. Destaque para a vieira na brasa, folhas de azedinha, Beurre Blanc e rabanete negro e ravioli com abóbora, pupunha, tempurá e azeite CT; o sorvete de beterraba, queijo azul do bosque e espumante brut e o peixe do dia com castanha de caju e mignon com couve de Bruxelas.
O menu de oito etapas sai por R$ 540 (+ R$ 420 com harmonização, mas tem a versão com quatro (R$ 440). Dá-lhe Jéssica Trindade, o toque feminino que - espera-se - ainda vai abrir portas para muitas outras. Tanto faz se no Rio ou São Paulo…
Discover Time Out original video