Quando as amigas coleccionavam Barbies, ela brincava aos telejornais. Começou por achar que queria ser jornalista desportiva, passou pela Rádio Renascença e pelo jornal A Bola, mas rapidamente percebeu que todos os diálogos que sabia de cor de filmes e séries indicavam outro caminho: Cultura. Trabalhou na revista Sábado e na NiT, colabora com o Observador e, em casa, os filhos chamam-lhe “nazi do português”. Cresceu em Bruxelas, na Bélgica, aonde regressa com frequência para repor o stock de gaufres e pralines. Como por lá não se come bem, vinga-se nos novos restaurantes de Lisboa, que visita com enorme esforço para a Time Out. Faz parte da metade da população que come ananás na pizza e a primeira coisa que consulta num menu é a lista de sobremesas (há outra forma de gerir o espaço no estômago durante uma refeição?).
Andreia Costa

Andreia Costa

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Os melhores novos restaurantes em Lisboa e arredores

Os melhores novos restaurantes em Lisboa e arredores

As novidades multiplicam-se de tal forma que, quando descobrimos os restaurantes que abriram nos últimos meses, já temos novas mesas à nossa espera. Entre os espaços que ainda cheiram a novo, em Lisboa e não só, há lugar para cozinhas de autor e de fast food, para peixe, marisco, neo-tascas e os mais diversos projectos internacionais. Preparámos um guia com os melhores novos restaurantes em Lisboa para quem quer estar constantemente a par do que se passa na gastronomia da cidade. Não fique desactualizado e faça uma reserva – tem muito por onde escolher.  Recomendado: Os 100 melhores restaurantes em Lisboa
Quinta do Pisão: um paraíso com muitas vidas

Quinta do Pisão: um paraíso com muitas vidas

Não há buzinas, aviões a passar, nem ruído dos carris dos comboios. Pessoas também só se encontram aqui e ali, e o sinal da sua presença é abafado pelo chilrear dos pássaros e pelo vento que faz abanar a folhagem das árvores. Estamos na Quinta do Pisão, em pleno Parque Natural de Sintra-Cascais. São 380 hectares com entrada gratuita, onde é possível andar a cavalo e de burro, colher legumes na horta biológica e até fazer um trilho do Cuquedo (inspirado no protagonista do bestseller infantil português – e que até faz parte do Plano Nacional de Leitura). Porém, este espaço já teve muitas vidas. De necrópole a fábrica de tecidos, passando por um abrigo para mendigos, as histórias são para descobrir passo a passo. Vamos entrar? Uma vida pré-histórica DR É no antigo armazém de cal que a visita começa e acaba (apesar de ser possível seguir para a área dos trilhos sem entrar no local). Na Casa de Cal está o centro interpretativo, onde pode pedir informações, mapas, alugar bicicletas, comprar os produtos da quinta ou visitar a exposição permanente sobre valores naturais e histórico-culturais. A pé, de bicicleta ou como der na gana de cada um (aqui a única coisa proibida chama-se carro), o percurso começa numa cápsula do tempo. A gruta de Porto Covo, que está mesmo à beira do caminho, remonta à Pré-História. No local foram descobertas ossadas de adultos e crianças, naquilo que tudo indica ter sido uma necrópole. Juntamente com os artefactos, as descobertas permitiram situar a utiliz
Quinta do Pisão: A paradise with many lives

Quinta do Pisão: A paradise with many lives

There are no horns honking, aircraft passing overhead or noises from the railway line. People are only encountered here infrequently, and any sign of their presence is drowned out by the birdsong and the sound of the wind in the trees. This is Quinta do Pisão, in the heart of the Sintra-Cascais Natural Park. Covering an area of 380 hectares and free to enter, here you ride horses and donkeys, pick vegetables from the organic garden and even follow the Cuquedo trail (inspired by the protagonist of the Portuguese children's bestseller that is part of the National Reading Plan). However, this space has had many lives. From a necropolis to a textile factory, with stint as a homeless shelter on the way, the stories are waiting to be discovered bit by bit. Are you coming?
O melhor da agenda de Oeiras até ao final do ano

O melhor da agenda de Oeiras até ao final do ano

No Parque dos Poetas já não há miúdos a gritar pelo Panda; o Passeio Marítimo de Algés já se despediu do NOS Alive e da Comic Con; nas praias da Torre e de Santo Amaro de Oeiras já não é preciso saltar ao pé coxinho entre toalhas até chegar ao mar. Oeiras está calma, mas o Inverno ainda vem longe, o que significa que esta é a melhor altura para mariscadas na esplanada, mergulhos e passeios. E até ao final do ano há muitas coisas para fazer em Oeiras. Prepara-se e aponte na agenda.  Recomendado: As melhores praias da Linha

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Rugo: há pasta fresca em Alvalade e o boca a boca dos vizinhos começou ainda durante as obras

Rugo: há pasta fresca em Alvalade e o boca a boca dos vizinhos começou ainda durante as obras

Entra uma senhora com um pequeno saco cheio de compras do mercado – terá uns 70 anos e pergunta o que servem aqui. Uns minutos depois aparece um casal, talvez com a mesma idade: quer almoçar. À porta, um homem fica uns segundos a observar o lado de dentro, enquanto um pai e um filho estudam a ementa afixada na parede do lado de fora. Tudo isto acontece em menos de meia hora, mas tem sido uma constante desde a abertura do Rugo, em Alvalade. Aliás, até durante as obras havia quem entrasse “só para ver”. “As pessoas ficam curiosas. No segundo ou terceiro dias tivemos 20 clientes sem anunciarmos nada. Honestamente, não estávamos à espera”, diz Kelvin Muñoz à Time Out. Este não é o primeiro restaurante do chef colombiano – o grupo que criou com amigos e sócios detém o Grano, no Chiado, e o Trama, na Baixa –, mas é o primeiro numa zona residencial, com clientes e exigências diferentes. Comum a todos é a pasta fresca, a estrela de todos os pratos e um bem não negociável que é preparado todas as manhãs.  Kelvin e a mulher, Mariana Muñoz (que é também uma das sócias), vivem no bairro de Alvalade há três anos. “Percebemos que há seis ou sete restaurantes de cozinha italiana, mas que não são especializados em pasta fresca. E a minha especialidade é a pasta fresca, portanto quisemos trazer o nosso estilo para um bairro que está a crescer”, explica Kelvin. Rita ChantreKelvin Muñoz com a sócia e mulher Mariana e a responsável pela comunicação do Rugo Madalena Mariana foi a grande impuls
Renovada e moderna, a Churrasqueira do Campo Grande recupera memórias e o mítico frango assado

Renovada e moderna, a Churrasqueira do Campo Grande recupera memórias e o mítico frango assado

Um ponto de encontro: para os almoços de família de domingo, para estudantes da Cidade Universitária ou para grupos de amigos em dias de jogos do Sporting Clube de Portugal, com o estádio a apenas dois passos. A Churrasqueira do Campo Grande representou, durante décadas, exactamente o mesmo para clientes com os mais variados interesses, horários ou poder económico. Uma coisa prometia a todos desde que abriu, em 1962: “frango assado sempre quente”. Porém, esta história escreve-se como tantas outras de espaços míticos de Lisboa, que se deixaram ultrapassar pelo tempo, passaram de mão em mão e foram deixando cair a essência. Desde que o espaço foi vendido ao grupo Chimarrão, em 2016, acumularam-se críticas ao serviço e à qualidade e uma burla milionária que envolveu a cadeia em 2024 foi o golpe final. Para a Churrasqueira do Campo Grande havia dois caminhos: fechar ou ser vendida a alguém que lhe reconhecesse o legado e quisesse recuperá-lo. Francisco Breyner foi essa pessoa. DRChurrasqueira do Campo Grande Depois de quase dois anos de obras, renovações e experiências – sem nunca fechar as portas –, o restaurante está pronto para uma nova vida. O frango assado e os grelhados continuam a ser os anfitriões (afinal, foram eles que deram o nome à casa), mas há muitos outros pratos tradicionais que evocam memórias a clientes antigos e têm tudo para conquistar novos estômagos. Para começar há croquetes de novilho (1,95€, unidade), chouriço assado (8,50€) ou peixinhos da horta com ma
Entre duas fatias de pão cabe tudo o que a imaginação quiser – e o Mori quer sabores e texturas orientais

Entre duas fatias de pão cabe tudo o que a imaginação quiser – e o Mori quer sabores e texturas orientais

O toldo em azul cobalto chama logo a atenção. Depois, o olhar fica preso nas mesas da esplanada, feitas com caixas de plástico no mesmo tom (geralmente usadas para transportar legumes, alimentos ou utensílios) empilhadas. E no interior, somos engolidos por um mural assinado por Henriette Arcelin, autora das obras que preenchem as paredes de outros espaços do grupo Capricciosa, como o Selllva ou o Jângal. Sobre um fundo azul, hipnotizante, estão plantas japonesas, carpas e lanternas. Na árvore genealógica do grupo Capricciosa, que inclui restaurantes como a Doca de Santo, o Lat.a, o Sophia ou a Capricciosa, o membro mais novo é este descendente do Selllva (que existe perto do Marquês de Pombal e na Lx Factory), que se posiciona como cozinha saudável e do mundo. “Aqui temos uma adição clara a essa marca. Mori significa floresta em japonês”, explica Mafalda Zurarte Reis, responsável de marketing e comunicação do grupo Capricciosa.  DRA esplanada do Mori tem lugar para oito pessoas em mesas feitas de caixas azuis empilhadas Estamos a falar do Mori, um sando~wich bar (o ~ é propositado e pretende tornar-se tão reconhecível quanto os três “L” do Selllva, que simulam as garras de um animal) onde se servem, ora adivinhe, sanduíches. Sando é uma típica sanduíche japonesa e é a ponte para o Oriente, seguindo a linha de cozinhas do mundo.  A moda das sandes O grupo Capricciosa está em expansão e este é mais um passo nesse sentido, seguindo as tendências globais. “Não somos reféns diss
Três meses depois de Campo de Ourique, sushi de pauzinho chega a Picoas

Três meses depois de Campo de Ourique, sushi de pauzinho chega a Picoas

Quando, em Junho, o primeiro Kyō Sushi Pop abriu em Campo de Ourique, a pergunta que mais se ouvia era: “Como é que isto funciona?” Agora, o que os clientes querem saber é onde será a próxima loja. A segunda acaba de abrir em Picoas, no quiosque do The American Diamonds Hotel, mesmo à boca do metro – e pelo menos mais uma virá antes de 2026 chegar ao fim. Bernardo Cabral, um dos sócios, bem tinha dito à Time Out que a ambição era assumidamente construir uma cadeia. “Apesar de isto ser uma coisa viral agora, acreditamos que é só uma nova maneira de comer sushi”, afirmou então. A nova morada é em tudo semelhante à primeira: funciona todos os dias das 11.00 às 22.00, sem folgas, em formato grab and go e com seis opções de sushi para comer sem precisar de prato, pauzinhos ou sujar as mãos. Tudo se resume aos tubos vermelhos onde se encaixam dez peças de sushi milimetricamente iguais que vão sendo empurradas para o topo com a ajuda de uma palhinha onde está o molho que acompanha o pedido. Lembra-se dos chupas push pop dos anos 1980 e 90? É mais ou menos isso. afonsomphotographyKyo Sushi Pop Entre as propostas estão o kyō classic (12,90€), com salmão, abacate, queijo creme, pepino, tobiko e nikiri, o molho de soja feito na casa; e o volcano tuna (12,90€), que junta atum picante, manga, alface iceberg, cebola frita e furikake. O molho sugerido neste caso é o kimchi lava, ligeiramente picante, mas pode trocar por qualquer um dos outros disponíveis, como a maionese de trufa, que nor
A Mercearia Criativa tem um espaço novo e mais produtos (mas a tradição de sempre)

A Mercearia Criativa tem um espaço novo e mais produtos (mas a tradição de sempre)

Aos 16 anos, a Mercearia Criativa deu um pulo. Não foi um pulo repentino, durou quase um ano (o tempo das obras), mas traduz-se numa nova fase: a casa está maior, mais arrumada e arejada, mantendo o conforto e a memória que conquistou os clientes do bairro da Alameda ao longo dos anos. O espaço estendeu-se para a loja do lado, que anteriormente era um café, e a reorganização trouxe mais desafogo e leveza a uma mercearia que, por vezes, podia ser claustrofóbica – sobretudo para Rita Ferreira, a proprietária que queria tanto oferecer mais produtos aos clientes, mas não tinha onde armazenar ou expor mais uma embalagem que fosse. “Nós gostávamos muito de como ela era, mas sentíamos muitas dificuldades em termos operacionais, em termos de trabalho e de logística. Não tínhamos espaço para pôr mais produtos, gostávamos às vezes de encomendar em quantidade, mas não tínhamos onde fazer stock”, explica Rita à Time Out. Rita ChantreRita Ferreira, a proprietária da Mercearia Criativa, que sonhava com um espaço maior Na porta ao lado, há dois anos que a vizinha que tomava conta do café manifestava a vontade de ir embora. “A senhoria era a mesma, o que facilitou muito o processo para chegarmos a acordo.” Abriu-se então uma porta entre as duas lojas e foi possível ampliar, remodelar e reorganizar. O acesso faz-se agora pelo lado direito, que em frente tem a vitrine dos queijos e enchidos. Há ainda legumes e fruta. Um degrau do lado esquerdo dá acesso à mercearia, com pão, bolo lêvedo, bol
No novo Sabores do Sichuan, os sonhos do chef ultrapassam os clássicos típicos chineses

No novo Sabores do Sichuan, os sonhos do chef ultrapassam os clássicos típicos chineses

9680 quilómetros (mais metro, menos metro) separam a zona do Areeiro, em Lisboa, de Chengdu, na província chinesa de Sichuan. Mas apesar da distância, é provável que muitos sabores e aromas sejam semelhantes. Quando se atravessa a porta do novo Sabores do Sichuan, não há retorno: mais do que comida chinesa, aqui respira-se, prova-se (e, em alguns casos, transpira-se) sabores tradicionais da região chinesa que é também conhecida por ser o habitat natural dos pandas gigantes.  Se o nome Sabores do Sichuan lhe parece familiar, é porque realmente é. O primeiro restaurante, com o mesmo nome, fica na Avenida de Roma, abriu há cerca de dois anos e é o sustento do casal Yu Hun e Wen Zeng. “Permite-nos pagar uma casa, fazer compras, viver. Mas este [segundo espaço] é para o meu marido poder voar”, explica Yu Hu à Time Out.  Wen Zeng é o marido e chef. Tem 37 anos, veio para Portugal há três, mas já trabalha em cozinhas há duas décadas. Descreve os pratos com paixão, enumera os ingredientes com detalhe e garante que, apesar de estar a ser difícil arranjar ajuda para a cozinha, a ginástica solitária que faz nos bastidores é a concretização de tudo o que sempre sonhou.  Rita ChantreWen Zeng, chef do Sabores do Sichuan O wok é o maestro do fogão e é nele que Zeng junta todos os sabores e tradições, mas antes de chegarmos aos pratos cozinhados, temos de passar pelas entradas. Há gyozas de porco ou de vegetais ao vapor (cinco, 3,95€), rolos primavera de carne com queijo (dois, 4,50€) ou e
Com pronúncia nordestina, o Oxe Coffee serve pães de queijo e café de especialidade em Alcântara

Com pronúncia nordestina, o Oxe Coffee serve pães de queijo e café de especialidade em Alcântara

Durante três anos, os sonhos de Beatriz Holanda e Karen Campos estiveram bem guardados dentro de um pequeno quarto – os sonhos e as máquinas de café, as chávenas, os filtros, os candeeiros e tudo o que foram comprando antes mesmo de terem um espaço onde instalar o seu Oxe Coffee. Com a divisão lá de casa a rebentar pelas costuras – e depois de um processo que ficou várias vezes em pausa – a longa caminhada teve como destino Alcântara, onde agora o café dos seus sonhos abre a porta (e a janela) a quem passa na Calçada da Tapada. Aqui serve-se café de especialidade, bem como sabores tradicionais do nordeste do Brasil, onde ambas nasceram. Karen foi a primeira a mudar-se para Portugal: chegou há oito anos à boleia do convite de uma tia. Beatriz veio por amor, três anos mais tarde. A primeira começou a trabalhar em restauração, enquanto a segunda, à distância de um oceano, em Fortaleza, ia a meio do curso de arquitectura (já com a noção de que não era aquilo que queria). “Apaixonámo-nos e decidi vir para Portugal”, conta Beatriz. “Já tinha feito um curso de barista em Fortaleza e aqui comecei a trabalhar em cafés de especialidade. Fui aperfeiçoando o trabalho e, sobretudo, o gosto por essa área.” RITACHANTREAs nordestinas Beatriz Holanda e Karen Campos do Oxe Coffee Cerca de um ano e meio depois da chegada de Beatriz, decidiram ser “empreendedoras juntas”, mas com tempo e cabeça. Tinham a ideia de abrir um espaço, mas que oferecesse mais do que tostas de abacate ou de salmão. “
Há um novo brunch de domingo com panquecas de framboesa, waffles com pêssego e vista para o Parque Eduardo VII

Há um novo brunch de domingo com panquecas de framboesa, waffles com pêssego e vista para o Parque Eduardo VII

O Parque Eduardo VII é muito mais do que a área contida entre as árvores que o rodeiam – pelo menos foi isso que pensaram os responsáveis por reaproveitar um espaço do hotel Intercontinental Lisbon que tinha potencial, mas pouco uso. Virado para o jardim, nasceu o Picnic in the Park, uma espécie de jardim de inverno que agora passa a ter brunch todos os domingos. Com acesso directo da rua, sem ser preciso passar pelo lobby, as janelas envidraçadas do chão ao tecto deixam entrar a luz e dão quase a ilusão de podermos tocar na copa das árvores se esticarmos a mão. Do tecto caem plantas e flores coloridas que prolongam o ambiente exterior para o interior e, embora a climatização garanta sempre que a temperatura ideal é a que está cá dentro, também há esplanada com lugar para 18 pessoas – que se juntam aos 16 lugares no interior. As cadeiras de verga têm um padrão geométrico verde escuro e os uniformes com riscas rosa claro tornam tudo mimoso, como se estivéssemos mesmo num jardim impecavelmente cuidado. DRO interior do Picnic in the Park Todos os dias, o espaço está aberto entre as 10.30 e as 18.00 com sushi, poke bowls e sanduíches – e para quem quiser fazer literalmente um piquenique no parque, é possível levar uma tote bag com os pratos escolhidos em pequenas embalagens de take away. Assim é de segunda-feira a sábado. Porém, ao domingo, a carta passa a ser outra. As atenções viram-se para o brunch, disponível já a partir de 20 de Setembro. Com um menu especial pensado para
NdujaMe: da Calábria com amor, enchidos italianos e foccacias

NdujaMe: da Calábria com amor, enchidos italianos e foccacias

Aqui, só há uma palavra (e sabor) para decorar: nduja. É este enchido que domina o menu e todo o conceito do NdujaMe, como, aliás, dá para perceber logo pelo nome do espaço. Preparado com os cortes mais gordurosos do porco, pimentas vermelhas e pimentão picante da Calábria, leva ainda sal e especiarias. Depois de misturado e colocado dentro das tripas naturais do animal, fica a repousar no fumeiro durante cerca de dois meses. O resultado é um enchido macio, que pode ser espalhado em pão ou tostas e misturado com molhos, massas ou o que a imaginação ditar. Não precisa (nem deve) ser fatiado como o salame ou o chouriço. Feitas as devidas apresentações, falta apenas dizer que é picante – mas, se for misturado com maionese, por exemplo, torna-se bastante mais suave. O NdujaMe é o terceiro espaço de Giuseppe Pezzano, um calabrês orgulhoso que tem ânsia de partilhar com o mundo o que de melhor se faz na sua região italiana. “Vi o potencial da Calábria conectado com a comida e achei que isso não podia ficar apenas lá”, explica à Time Out. As primeiras duas paragens da marca ficam em Utrecht, nos Países Baixos, e em Seattle, nos EUA, mas já vamos à explicação deste trajecto incomum. O melhor é, primeiro, aconchegarmos o estômago aqui mesmo, em Lisboa.     DRNdujaMe As focaccias dominam a carta. São generosas, saborosas, crocantes e suficientes para uma refeição. A massa mãe e a respectiva fermentação lenta tornam-nas leves, mas fofas, e ficam ligeiramente tostadas depois de uma b
Oh Glória! Pizzas com nomes dos vizinhos do bairro, 48 horas de fermentação e preços acessíveis

Oh Glória! Pizzas com nomes dos vizinhos do bairro, 48 horas de fermentação e preços acessíveis

Quase se chamou Celeste, em homenagem à mulher que sempre esteve ao balcão da tasca que durante largas décadas ocupou este espaço perto da Praça Marquês de Pombal. Também podia ter sido Carmo, Graça ou Benedita, nomes de tantas outras figuras femininas importantes nesta história. Porém, na impossibilidade de escolher apenas uma, nasceu o Oh Glória!, uma pizzaria que tem como uma das principais preocupações servir as pessoas do bairro. A equipa responsável por este novo restaurante é a mesma do Vegan Junkies, no prédio ao lado, uma hamburgueria vegana que foi conquistando clientes inesperados. “Tínhamos senhoras de 70 e tal anos a tomarem café num restaurante vegano, era muito engraçado. O nome Oh Glória! personifica a homenagem que lhes queremos fazer, mas também aquele momento glorioso em que uma pizza chega a casa”, explica Vinicius Alkmim à Time Out. Ele já não é, na verdade, proprietário de nenhum dos espaços (tem outro trabalho que lhe ocupa muito tempo), mas ficou ligado aos dois projectos como consultor. No entanto, para que esta cronologia faça sentido, temos de recuar até 2019. Nesse ano, Vinicius e a sócia, Mariana Cordeiro, abriram a hamburgueria Vegan Junkies. Em 2021 seguiu-se o Plant Base, outro espaço vegano no Chiado, com pizzas e tacos. Foi aí que, certo dia, apareceu Santosh Lamichhane. Com escola de Ljubomir Stanisic e Vítor Adão, pareceu a pessoa certa para juntar à equipa, mas tinha outros planos. Abriu vários bares no Bairro Alto e um restaurante de sush
Submerso: do pica-pau às amêijoas, há petiscos portugueses junto ao Oceanário

Submerso: do pica-pau às amêijoas, há petiscos portugueses junto ao Oceanário

Não há nenhum letreiro vistoso, luzes que indiquem a entrada ou um logo que chame a atenção. No entanto, quando entramos no Submerso numa hora de almoço de um dia da semana, o espaço já está bem composto. Talvez sejam os aromas que atraem os clientes, um chamamento de petiscos portugueses. A carta do novo restaurante no Parque das Nações vai buscar receitas e costumes de vários pontos do país, com o objectivo de ser uma porta de entrada para a gastronomia portuguesa. “Num sítio tão turístico, queríamos apresentar sabores tradicionais”, explica o chef José Barros, à frente da cozinha do mais recente projecto do grupo SushiCafé (que detém, por exemplo, o Este Oeste e o Izanagi).  Estamos nas traseiras do Oceanário de Lisboa, virados para o Tejo, e, por isso, o nome não podia fugir à temática. Das janelas envidraçadas que preenchem uma parede inteira, do chão ao tecto, vêem-se as árvores e a água. O sobe e desce lento do teleférico – que tem um acesso a poucos metros, à esquerda – acrescenta uma cadência apaziguadora ao cenário. Brevemente haverá uma esplanada, mas por enquanto tudo se concentra na sala ampla com lugar para 70 pessoas, além de 12 bancos à volta do balcão que fica logo depois da cozinha aberta.  DRO Submerso fica nas traseiras do Oceanário, com vista para o rio O menu cumpre três critérios: ter ingredientes frescos, sazonais e de origem nacional. Há ainda um extra: tudo pode (e deve) ser partilhado. Nas entradas há chouriço de porco assado acompanhado por broa
Cabra Cega: fine dining descontraído, ao balcão do novo restaurante do Restelo

Cabra Cega: fine dining descontraído, ao balcão do novo restaurante do Restelo

Primeiro chegou um vídeo. Depois, uma mensagem atrás da outra: “Preciso que acordes agora”, pedia Zé Costa a Tiago Brito. O primeiro estava em Lisboa; o segundo, na Austrália – e só responderia à ânsia do amigo horas mais tarde devido à diferença horária. A pressa devia-se ao facto de Zé ter encontrado aquele que considerou ser o lugar perfeito para concretizar o sonho que os dois tinham há muito tempo: abrir um restaurante. “O Zé disse-me: ‘Está na hora, já chega de viajar’”, recorda Tiago à Time Out. Sem qualquer resistência, em Outubro de 2025 fez as malas para regressar a Portugal. Seguiram-se longos meses (mais do que esperavam) de obras. Um amigo arquitecto fez o projecto de renovação e eles, para verem as coisas a acontecer (e para pouparem no orçamento), puseram as mãos na massa. Fizeram tudo, desde partir paredes a trocar tubos de canalização, passando por mudar cabos de electricidade e visitar lojas de decoração para escolher candeeiros e espelhos. As portas do Cabra Cega abriram em Maio com o objectivo de ser um espaço onde os dois chefs podem ser criativos e partilhar as respectivas identidades com os clientes, cozinhando à vista de todos. “Servir pessoas é algo que nos deixa muito satisfeitos”, diz Zé.   Para já, aqui só se servem jantares – mas há duas experiências à escolha. O menu pé de cabra (50€) – uma referência à ferramenta que mais usaram durante as obras – divide-se em sete momentos e é uma espécie de introdução ao mundo de ambos, repleto de viagens e sa