Quando as amigas coleccionavam Barbies, ela brincava aos telejornais. Começou por achar que queria ser jornalista desportiva, passou pela Rádio Renascença e pelo jornal A Bola, mas rapidamente percebeu que todos os diálogos que sabia de cor de filmes e séries indicavam outro caminho: Cultura. Trabalhou na revista Sábado e na NiT, colabora com o Observador e, em casa, os filhos chamam-lhe “nazi do português”. Cresceu em Bruxelas, na Bélgica, aonde regressa com frequência para repor o stock de gaufres e pralines. Como por lá não se come bem, vinga-se nos novos restaurantes de Lisboa, que visita com enorme esforço para a Time Out. Faz parte da metade da população que come ananás na pizza e a primeira coisa que consulta num menu é a lista de sobremesas (há outra forma de gerir o espaço no estômago durante uma refeição?).
Andreia Costa

Andreia Costa

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Os melhores novos restaurantes em Lisboa e arredores

Os melhores novos restaurantes em Lisboa e arredores

As novidades multiplicam-se de tal forma que, quando descobrimos os restaurantes que abriram nos últimos meses, já temos novas mesas à nossa espera. Entre os espaços que ainda cheiram a novo, em Lisboa e não só, há lugar para cozinhas de autor, de fogo, para peixe fresco, neo-tascas e os mais diversos projectos de cozinha internacional. Preparámos um guia com os melhores novos restaurantes em Lisboa para quem quer estar constantemente a par do que se passa na gastronomia da cidade. Não fique desactualizado e faça uma reserva – tem muito por onde escolher.  Recomendado: Os 100 melhores restaurantes em Lisboa
Quinta do Pisão: um paraíso com muitas vidas

Quinta do Pisão: um paraíso com muitas vidas

Não há buzinas, aviões a passar, nem ruído dos carris dos comboios. Pessoas também só se encontram aqui e ali, e o sinal da sua presença é abafado pelo chilrear dos pássaros e pelo vento que faz abanar a folhagem das árvores. Estamos na Quinta do Pisão, em pleno Parque Natural de Sintra-Cascais. São 380 hectares com entrada gratuita, onde é possível andar a cavalo e de burro, colher legumes na horta biológica e até fazer um trilho do Cuquedo (inspirado no protagonista do bestseller infantil português – e que até faz parte do Plano Nacional de Leitura). Porém, este espaço já teve muitas vidas. De necrópole a fábrica de tecidos, passando por um abrigo para mendigos, as histórias são para descobrir passo a passo. Vamos entrar? Uma vida pré-histórica DR É no antigo armazém de cal que a visita começa e acaba (apesar de ser possível seguir para a área dos trilhos sem entrar no local). Na Casa de Cal está o centro interpretativo, onde pode pedir informações, mapas, alugar bicicletas, comprar os produtos da quinta ou visitar a exposição permanente sobre valores naturais e histórico-culturais. A pé, de bicicleta ou como der na gana de cada um (aqui a única coisa proibida chama-se carro), o percurso começa numa cápsula do tempo. A gruta de Porto Covo, que está mesmo à beira do caminho, remonta à Pré-História. No local foram descobertas ossadas de adultos e crianças, naquilo que tudo indica ter sido uma necrópole. Juntamente com os artefactos, as descobertas permitiram situar a utiliz
Quinta do Pisão: A paradise with many lives

Quinta do Pisão: A paradise with many lives

There are no horns honking, aircraft passing overhead or noises from the railway line. People are only encountered here infrequently, and any sign of their presence is drowned out by the birdsong and the sound of the wind in the trees. This is Quinta do Pisão, in the heart of the Sintra-Cascais Natural Park. Covering an area of 380 hectares and free to enter, here you ride horses and donkeys, pick vegetables from the organic garden and even follow the Cuquedo trail (inspired by the protagonist of the Portuguese children's bestseller that is part of the National Reading Plan). However, this space has had many lives. From a necropolis to a textile factory, with stint as a homeless shelter on the way, the stories are waiting to be discovered bit by bit. Are you coming?
O melhor da agenda de Oeiras até ao final do ano

O melhor da agenda de Oeiras até ao final do ano

No Parque dos Poetas já não há miúdos a gritar pelo Panda; o Passeio Marítimo de Algés já se despediu do NOS Alive e da Comic Con; nas praias da Torre e de Santo Amaro de Oeiras já não é preciso saltar ao pé coxinho entre toalhas até chegar ao mar. Oeiras está calma, mas o Inverno ainda vem longe, o que significa que esta é a melhor altura para mariscadas na esplanada, mergulhos e passeios. E até ao final do ano há muitas coisas para fazer em Oeiras. Prepara-se e aponte na agenda.  Recomendado: As melhores praias da Linha

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Cenário: Norte e Sul juntam-se à mesa nos antigos estúdios da RTP

Cenário: Norte e Sul juntam-se à mesa nos antigos estúdios da RTP

Quando o chef António Mendes aqui chegou, tinha um objectivo claro no horizonte: fazer do Cenário “o melhor restaurante da Avenida 5 de Outubro”. No último ano, considera que conseguiu isso e mais. “Chegámos a ser um dos 100 melhores restaurantes de Lisboa, segundo a plataforma The Fork. Temos 9,2 de pontuação – e isso é um motivo de orgulho”, diz à Time Out. Quando o Vip Grand Lisboa Hotel & Spa quis reformular o restaurante que tinha logo à entrada, o chef soube que a tarefa seria complexa, mas foi também isso que o motivou. “Mudámos tudo: a equipa, a cozinha, o conceito... E fazer isto enquanto o hotel está a funcionar é complicado.” Do antigo espaço, só se manteve o nome. A sala, com lugar para 62 pessoas, veste-se agora de tons laranja e preto, com mesas cobertas com toalhas brancas. Pode ser um restaurante de hotel, mas quer estar aberto ao exterior e o que se serve aqui vai de Norte a Sul do país. “A base é a cozinha portuguesa, havendo uma mistura de regiões. A carta é sazonal, porque queremos respeitar a frescura dos produtos e as suas épocas.” DRCenário Existem algumas influências estrangeiras aqui e ali, como se vê nos raviolis ou na tempura, mas, de acordo com o chef, “há muita gente que está a encontrar aqui aquilo que já não encontrava na cozinha portuguesa” – “Despertar memórias nas pessoas que conhecem a cozinha clássica portuguesa é o melhor feedback que podemos ter.” Seguir o guião O menu apresenta-se como um “guião gastronómico” – o facto de neste edifíci
No novo Ostra Lisboa há ostras e mais sabores a oceano, incluindo um arroz caldoso de babar

No novo Ostra Lisboa há ostras e mais sabores a oceano, incluindo um arroz caldoso de babar

Da ria para o prato: é assim que o Ostra Lisboa apresenta aquela que é a rainha desta carta e que dá, claro, o nome ao espaço. “Acima de tudo, somos produtores”, resume Pedro Coito, um dos sócios do restaurante que desde Junho tem deixado no Chiado um aroma a maresia.  Antes de nos sentarmos à mesa, é preciso explicar como tudo começou – Pedro garante que foi “de um dia para o outro”, tão simples quanto isso. Ele é responsável pela Bivalsado, que trabalha em Setúbal, fazendo o circuito inteiro da produção de bivalves. De restaurantes não percebia nada até entrarem em cena os outros sócios e amigos. São os primos Marco Alexandre, produtor em França, Setúbal e Algarve (é do Vale da Lama, no Alvor, que chegam diariamente as ostras), e João Pedro da Silva, responsável pelo Ostra Paris, restaurante na capital francesa.  CORVOOstra Lisboa “Foi o Marco que me desafiou. Disse-me: ‘Eu estou aqui no Algarve sempre a trabalhar, o meu primo tem o Ostra Paris que está a correr super bem, por isso vamos fazer uma brincadeira e abrir o Ostra Lisboa’?”, recorda à Time Out. Apesar do Ostra Paris, esta não é uma cadeia, sublinha. “Não é um franchise, nada disso. Claro que há alguns pontos comuns, porque o Marco e o João estão por dentro dos dois projectos, mas a carta é muito diferente.” Podemos dizer que os dois restaurantes são primos, como os sócios, e se as coisas correrem bem, é possível que a família cresça “com um Ostra Cascais, por exemplo”.  Da ostra gigante 'Moby Dick' ao arroz ca
Kouji Ramen & Bar: o novo japonês do Cais do Sodré com “infinity bowls”

Kouji Ramen & Bar: o novo japonês do Cais do Sodré com “infinity bowls”

Foi numa pequena rua em Macau que Memphis Chun abriu o primeiro Kouji há mais de uma década. E, por isso, o nome é tão simples quanto isso: kouji significa “rua pequena” em japonês. E porquê em japonês e não chinês? Porque é o ramen que está no centro do conceito e foi para aprender tudo sobre os caldos, as massas (e também as gyozas) que Chun passou dois anos a viver no Japão. O restaurante foi um sucesso em Macau, as filas começaram a crescer e os Kouji multiplicaram-se pela China. São agora mais de dez – e Lisboa recebe o primeiro internacional. Chama-se Kouji Ramen & Bar porque junta dois conceitos em dois pisos: no primeiro funciona o restaurante e, no segundo, está instalado um bar de cocktails asiáticos de assinatura. Chun quis trazer a marca, mas também incorporá-la na realidade local, e por isso passou seis meses antes da abertura (no final de 2025) a percorrer mercados e quintas locais, à procura de ingredientes para enriquecerem os caldos. De volta a Macau, é agora Stanley Chu, sócio gerente e macaense a viver em Portugal há 15 anos, que se empenha em apresentar o ramen do Kouji Ramen & Bar, que serve ainda petiscos de rua asiáticos e muito sake.  DRKouji Ramen & Bar Infinito e mais além Há oito ramen à escolha e o menu apresenta fotos de cada um para que seja mais fácil identificá-los. O tonkotsu tsukemen (18€) é um prato premiado que, em Lisboa, recebe alguns toques locais. Tem chashu de porco preto ibérico, espinafre, ovo onsen e dashi de espinhas de bacalha
Gare: o novo restaurante de Alcântara tem carne da Casa Arouquesa e vista rio

Gare: o novo restaurante de Alcântara tem carne da Casa Arouquesa e vista rio

A entrada faz-se por uma porta de vidro que dá acesso a dois elevadores do lado direito e a escadas do lado esquerdo. Até aqui, nada de especial. A surpresa dá-se assim que no andar superior terminamos o lanço de escadas (ou saímos do elevador). Estamos agora num terraço enorme, cara a cara com a Ponte 25 de Abril. A proximidade é impressionante. Chegámos ao destino: Gare. É tão simples quanto isso o nome do novo restaurante que se instala na antiga Gare Marítima de Alcântara e que é o mais recente projecto do grupo Visabeira (dono da Vista Alegre, criado em Viseu em 1980, e agora uma multinacional com negócios em construção, hotelaria, restauração ou energia). Antes das apresentações (ou de nos sentarmos à mesa do restaurante), podemos demorar-nos na esplanada. Com uma zona delimitada por um tapete vermelho e almofadas às riscas, rapidamente se percebe que tem uma identidade própria e algo familiar. A Terrazza Martini, que marcou a Avenida da Liberdade, ganha aqui uma nova casa e dá o nome a este espaço com lugar para 100 pessoas. “A esplanada é a extensão do restaurante, mas a vista pedia um conceito diferente e, por isso, desafiámos a Martini e fomos buscar um pouco da saudade da Terrazza Martini que existia na Avenida da Liberdade”, explica Narciso Custódio, director de marketing do grupo Visabeira, à Time Out.  DRA esplanada do Gare, assinada pela Martini Aqui é possível provar os cocktails com a assinatura Martini, como o Bianco Spritz (10€), com Martini Bianco e Mart
Brunch, super-sandes e cartadas: o quiosque do Jardim da Estrela com selo Olivier

Brunch, super-sandes e cartadas: o quiosque do Jardim da Estrela com selo Olivier

Entrando no Jardim da Estrela pelo acesso que fica junto da Basílica, o impulso pode ser ficar logo por ali. Meia dúzia de metros mais à frente, do lado esquerdo, uma esplanada ocupa a sombra natural das árvores e serve o renovado quiosque que agora se chama Estrela by Olivier. No lago mesmo ao lado, os patos estão em modo “business as usual”, indiferentes às vozes, aos risos e à constante circulação de clientes. Aqui podem sentar-se 150 pessoas – e ainda há espaço para aumentar a esplanada.  Aberto desde 8 de Junho, é o primeiro conceito do grupo Olivier pensado para todas as horas: do pequeno-almoço ao jantar, há opções para cada um dos momentos do dia. Este não é mais um restaurante para juntar aos quase 40 que já tem em carteira, garante Olivier da Costa à Time Out. É um quiosque “que respeita o propósito do espaço onde se insere”. “Continua a ser do grupo Banana Café. Eu sou sócio investidor, implementador de conceito, mas não vou estar aqui no dia-a-dia”, explica. O desafio partiu do responsável pela concessão, Bernardo Delgado, que sentia necessidade de rever por completo o que ali se fazia. “Vim aqui ver o espaço e fomos maturando as ideias até chegarmos a este conceito. Agora entrámos numa espiral em que toda a gente quer isto. As oportunidades estão sempre a aparecer”, diz Olivier.  DRA esplanada do Estrela by Olivier tem espaço para sentar 150 pessoas Na lista de aberturas recentes, o grupo tem dois outros quiosques  – o Steak & Frites da Avenida da Liberdade e o
Georgia: um festim de partilha onde não há pratos principais

Georgia: um festim de partilha onde não há pratos principais

Não há entradas nem pratos principais. Tudo é para partilhar à medida que vai chegando à mesa. É assim no país de origem dos proprietários e é assim no restaurante que decidiram abrir em Lisboa no final de Outubro de 2025. “Na Geórgia, a mesa é montada com 30 ou 40 pratos e cada um come o que quiser. Aqui tínhamos de fazer como fazemos em casa”, explica à Time Out Jaba Somkhishvili. O empresário vive em Portugal há 26 anos, sempre trabalhou em restauração e, apesar de já ter tido um espaço próprio no Bairro Alto há cerca de uma década, foi com a chegada do irmão, Giorgi, e da cunhada, Tamari Tabatadze, há quatro anos, que começou a pensar abrir um restaurante realmente familiar.  “Na Geórgia, o meu irmão tinha uma empresa de elevadores e a minha cunhada estava em casa, mas sempre cozinhou para a família.” É, por isso, dela a responsabilidade de preparar tudo o que está na carta, enquanto os irmãos gerem a parte mais visível do espaço com capacidade para 26 pessoas. Um balcão tradicional e memórias de família nas paredes O bar, de frente para a porta, tem um azul vivo e uns recortes tradicionais que recriam uma varanda típica – também lá estão as telhas, no topo – que foi totalmente construída por Giorgi. Rita ChantreA decoração do Georgia veio mesmo da Geórgia Rita ChantreAs paredes do Georgia estão forradas com tecidos, roupa e brinquedos tradicionais A decoração veio da Geórgia: no Verão passado, Jaba regressou de lá com tecidos, bonecos e instrumentos tradicionais. Sã
A Geradora: fomos ao novo poiso do Esporão na Tapada da Ajuda, com restaurante e museu

A Geradora: fomos ao novo poiso do Esporão na Tapada da Ajuda, com restaurante e museu

O acesso faz-se pelo meio da floresta, com aroma a eucaliptos no ar e pavões que não se desviam para deixar passar os intrusos. Está sinalizado desde a entrada da Tapada da Ajuda que se situa junto da Faculdade de Arquitectura, tem pequenos degraus, iluminação e não demora mais de meia dúzia de minutos até desembocar num imponente edifício com cerca de dois mil metros quadrados. Estamos cara a cara com a Geradora e, apesar de ser possível lá chegar de carro – há estacionamento com cerca de 30 lugares –, o percurso a pé dá o mote para este lugar de aura mágica escondido em plena Lisboa.  Em Outubro, demos a notícia: numa parceria entre o Grupo Esporão (responsável pela Herdade do Esporão, no Alentejo, famosa pelos vinhos e azeites) e o ISA (Instituto Superior de Agronomia), sete hectares da Tapada da Ajuda iriam ganhar uma vida nova, oferecendo à cidade um escape. Agora chegou a hora. Ainda se ouve o ruído das escavadoras que terminam os trabalhos do jardim, mas a partir de Julho, quando as portas se abrirem aos clientes, só os pássaros têm permissão para perturbar o sossego que aqui reina. “Esta é a casa do Esporão em Lisboa, vamos abrir as portas às pessoas para partilhar o nosso universo e o que fazemos”, explica António Roquette, director de turismo do grupo. O edifício terá, como contámos ainda em 2025, diversas valências: restaurante, museu, loja e até um bar de cervejas já no exterior, junto à esplanada. Além disso, o espaço terá uma vasta agenda cultural, com concertos
Há um novo restaurante de cozinha portuguesa que vira clube: fomos ao Rivage

Há um novo restaurante de cozinha portuguesa que vira clube: fomos ao Rivage

Filipa Crespo nunca sonhou com o mundo dos restaurantes – aliás, fugia dele. “Sempre trabalhei com comunicação e marketing, às vezes em projectos relacionados com restauração, mas gostava mais de moda e viagens”, explica à Time Out. Quando visitou este espaço com Miguel Celestino da Costa, fê-lo para lhe dar uma opinião, sem mais nenhum cenário em cima da mesa. Ele, porém, tinha outra ideia na manga: sabia que Filipa era a sócia de que precisava para abrir um restaurante e usou todos os argumentos para lhe mostrar que tinha razão. Ela percebeu o que lá vinha: um restaurante, mas não apenas isso. Ali podia fazer eventos e activações de marca, desenvolvendo outras vertentes que a apaixonam. “Foi esse complemento que me convenceu, além de poder construir tudo de raiz.” Foi numa agência de publicidade, onde ambos trabalharam, que se conheceram, mas Miguel Celestino da Costa já tinha 15 anos de experiência em restauração e queria regressar à área. Foi no centro de Lisboa que começou a procurar um espaço, mas o destino levou-o para uma direcção diferente, mais precisamente até ao Centro Náutico de Algés. O edifício inaugurado em 2021 tinha no primeiro piso o cenário ideal para um restaurante.  No início de tudo está o nome, Rivage, “a palavra francesa que significa ‘à margem de’, no fundo um pedaço de terra junto à água”, descreve. A partir daí, Miguel e Filipa construíram o projecto. “Queríamos fugir ao típico azul ou às bóias. Por isso, inspirámo-nos nas cores dos barcos mediterr
Bistrô Olympia: pratos de conforto com o glamour dos anos 1920

Bistrô Olympia: pratos de conforto com o glamour dos anos 1920

Na pequena Rua dos Condes, nos Restauradores, uma nova paragem dá nas vistas. Lá dentro, uma peça imponente, cheia de cores vibrantes e carregada de pequenas luzes está suspensa no lobby. Pode entrar e fotografar: a obra de Joana Vasconcelos do hotel Olympia Lis – tal como as outras valquírias que tem espalhadas pelo mundo – é para admirar sem pressa. Está aqui devido a um pedido específico de José Frazão, o empresário que pegou nas ruínas deste edifício, um icónico cinema e sala de espectáculos que nasceu em 1911, e o transformou em boutique hotel. Inspira-se na memória cénica do antigo teatro e presta-lhe homenagem com tecidos, crochês, luzes, fitas e franjas.  E se a Valquíria Olympia é o chamariz para empurrar as portas envidraçadas, o bar luminoso e os sofás de veludo do novo Bistrô Olympia, à direita da entrada, são o pretexto para ficar mais um pouco, a beber um cocktail ou a fazer uma refeição. DRA Valquíria Olympia de Joana Vasconcelos na entrada do hotel Olympia O restaurante (tal como o hotel) abriu as portas em Fevereiro e, apesar do ambiente clássico, é despretensioso. O menu tem raízes portuguesas com um toque contemporâneo e o que se encontra aqui é sobretudo comida de conforto, com assinatura do chef Bernardo Demoustier (que passou pelas cozinhas d’O Talho e do Bairro Alto Hotel). “A ideia era perceber o que é que o chef se sentia mais confortável a fazer, sendo um bistrô, sem complicar muito”, explica Alfredo Tavares, director do Olympia Lis Hotel, à Time
No Meiyo há cozinha japonesa com o toque francês de um chef engenheiro

No Meiyo há cozinha japonesa com o toque francês de um chef engenheiro

Pode parecer que tudo começou em Fevereiro, quando o Meiyo abriu, mas esta história vem de antes. Mais concretamente de há dois anos. Erik Ibrahim era proprietário deste espaço na Duque de Loulé e deslocou da Baixa para aqui o restaurante Terroir, recomendado pelo Guia Michelin. “Viemos pelas condições da cozinha, posso dizer que até envergonha muitos hotéis”, diz o fundador do conceito e responsável pela operação diária.  No entanto, Erik percebeu que a localização fazia toda a diferença para o restaurante de fine dining e, quando conseguiu que o Terroir regressasse à Baixa (mora agora na Rua da Madalena), ficou com uma tela em branco. Hipótese A: fazia um trespasse. Hipótese B: tentava algo diferente. Escolheu a segunda opção e foi buscar o chef Mário Ribeiro. “Conheço-o há 15 anos. Ele abriu o Nómada em Lisboa e o Honor na Margem Sul, e convidei-o para fazer este projecto.” A formação em cozinha francesa foi um dos pontos que cativou Erik. “A fusão da cozinha francesa com a japonesa faz a diferença.”  DRMeiyo O chef aceitou visitar o local, sem compromisso, e entusiasmou-se. O projecto avançou com um terceiro sócio, Carlos Santos (empresário na área e investidor), e Erik tem a certeza de que o potencial ainda não está a ser explorado na totalidade. “A cozinha é demasiado grande para o que estamos a fazer, que é apenas sushi, mas a curto prazo queremos começar a trabalhar mais a gastronomia japonesa. Temos capacidade para fazer ramen, por exemplo.”  Para já, o foco é con
La Ruda: dos tacos a transbordar à carne suculenta, ninguém passa fome na nova cantina mexicana da LX Factory

La Ruda: dos tacos a transbordar à carne suculenta, ninguém passa fome na nova cantina mexicana da LX Factory

A culpa foi do bebé novo. Quando o Barouk, restaurante de comida libanesa, abriu no final de 2024 na LX Factory, fez com que os responsáveis começassem a repensar a estratégia do Mex Factory – o primeiro espaço do grupo, a funcionar na porta ao lado desde 2017. “É aquela coisa chata de termos dois espaços e de inevitavelmente fazermos comparações. ‘O bebé novo é perfeito, o bebé novo é que está bem, o bebé novo não tem erros.’ O caminho do Mex Factory já andava aqui a remoer e isso não ajudou”, recorda Luís Roquette, um dos proprietários, à Time Out. A resposta foi arrojada: o Mex Factory fechou e deu lugar ao La Ruda, que se apresenta como uma cantina mexicana desde o final de Março. Podíamos chamar-lhe rebranding, mas a verdade é que a quantidade de novidades na carta e no espaço fazem com que o La Ruda seja um restaurante novo por mérito próprio. “Sempre quisemos fazer parte dos melhores mexicanos da cidade, mas a inclusão do nosso nome nas listas era muito volátil por estarmos tão agarrados ao tex-mex. É um risco, porque em equipa que ganha não se mexe, mas quisemos arriscar.” Os sócios e o chef André Brandão foram a Nova Iorque, ao México e a Madrid para provar, investigar e abrir horizontes gastronómicos. “Vimos tudo o que havia para ver e chegámos ao que está aqui hoje.” Do antigo menu ficaram nove propostas – porque alguns bestsellers não podiam simplesmente ir para o lixo. O couvert (4,50€) mantém-se com milho grelhado, maionese de chipotle, requeijão, pimentão fumad
Caranguejo, lagosta, música e cocktails: a vida dupla do Pinch

Caranguejo, lagosta, música e cocktails: a vida dupla do Pinch

Depois de quase seis meses a viver em guerra, Kostiantyn Hutnyk chegou ao ponto de ruptura. Juntamente com a mulher, fez as malas, encaixou no carro o que conseguiu e deixou Odessa, na Ucrânia, para trás. Destino: Lisboa. “Atravessei a Europa toda de carro, foram cinco mil quilómetros da Ucrânia até aqui. Cheguei em Julho de 2022 e, no segundo dia, tive três entrevistas de emprego”, conta à Time Out, recordando que começou a trabalhar imediatamente. “Queria perceber as regras, os gostos das pessoas e se seria uma estadia temporária ou não.” Não foi e, menos de quatro anos mais tarde, nasceu o Pinch, um bistro e bar onde o marisco é o rei da festa. O espaço tem duas vidas: durante o dia é “calmo e aconchegante”; à noite “é animado”. Muda a música e mudam os uniformes (de rosa para verde). Há mesmo certos pratos que só estão disponíveis até às 18.00 – a cozinha é pequena e o espaço tem de ser funcional –, como a omelete francesa com lagosta (23€), os ovos salteados com lagosta em molho bisque; o tom yum (23€), uma sopa tailandesa picante com camarões-rei, cogumelos shiitake frescos, tomates cereja, pimenta, alho poró, creme de coco e coentros; ou a rabanada francesa (11€), com compota caseira de laranja e creme de yuzu com baunilha.  Ao final do dia, as luzes baixam, o volume da música sobe e pelas mesas multiplicam-se conversas animadas. Entram então em cena os petiscos que abrem caminho para os cocktails: gilda de anchovas (10€), um espeto com anchovas, pimentos e azeitonas b