Quando as amigas coleccionavam Barbies, ela brincava aos telejornais. Começou por achar que queria ser jornalista desportiva, passou pela Rádio Renascença e pelo jornal A Bola, mas rapidamente percebeu que todos os diálogos que sabia de cor de filmes e séries indicavam outro caminho: Cultura. Trabalhou na revista Sábado e na NiT, colabora com o Observador e, em casa, os filhos chamam-lhe “nazi do português”. Cresceu em Bruxelas, na Bélgica, aonde regressa com frequência para repor o stock de gaufres e pralines. Como por lá não se come bem, vinga-se nos novos restaurantes de Lisboa, que visita com enorme esforço para a Time Out. Faz parte da metade da população que come ananás na pizza e a primeira coisa que consulta num menu é a lista de sobremesas (há outra forma de gerir o espaço no estômago durante uma refeição?).
Andreia Costa

Andreia Costa

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Os melhores novos restaurantes em Lisboa (e arredores)

Os melhores novos restaurantes em Lisboa (e arredores)

As novidades multiplicam-se de tal forma que, quando descobrimos os restaurantes que abriram nos últimos meses, já temos novas mesas à nossa espera. Entre os espaços que ainda cheiram a novo há lugar para a cozinha de autor, de fogo, de peixe e marisco, para reinterpretações do receituário familiar, para neo-tascas, para aproximações à culinária japonesa, à italiana e à americana, sem esquecer o belo do frango assado. Preparámos um guia com os melhores novos restaurantes em Lisboa e arredores, abertos nos últimos meses. Não fique desactualizado e faça uma reserva – tem muito por onde escolher.  Recomendado: Os 124 melhores restaurantes em Lisboa
Quinta do Pisão: um paraíso com muitas vidas

Quinta do Pisão: um paraíso com muitas vidas

Não há buzinas, aviões a passar, nem ruído dos carris dos comboios. Pessoas também só se encontram aqui e ali, e o sinal da sua presença é abafado pelo chilrear dos pássaros e pelo vento que faz abanar a folhagem das árvores. Estamos na Quinta do Pisão, em pleno Parque Natural de Sintra-Cascais. São 380 hectares com entrada gratuita, onde é possível andar a cavalo e de burro, colher legumes na horta biológica e até fazer um trilho do Cuquedo (inspirado no protagonista do bestseller infantil português – e que até faz parte do Plano Nacional de Leitura). Porém, este espaço já teve muitas vidas. De necrópole a fábrica de tecidos, passando por um abrigo para mendigos, as histórias são para descobrir passo a passo. Vamos entrar? Uma vida pré-histórica DR É no antigo armazém de cal que a visita começa e acaba (apesar de ser possível seguir para a área dos trilhos sem entrar no local). Na Casa de Cal está o centro interpretativo, onde pode pedir informações, mapas, alugar bicicletas, comprar os produtos da quinta ou visitar a exposição permanente sobre valores naturais e histórico-culturais. A pé, de bicicleta ou como der na gana de cada um (aqui a única coisa proibida chama-se carro), o percurso começa numa cápsula do tempo. A gruta de Porto Covo, que está mesmo à beira do caminho, remonta à Pré-História. No local foram descobertas ossadas de adultos e crianças, naquilo que tudo indica ter sido uma necrópole. Juntamente com os artefactos, as descobertas permitiram situar a utiliz
Quinta do Pisão: A paradise with many lives

Quinta do Pisão: A paradise with many lives

There are no horns honking, aircraft passing overhead or noises from the railway line. People are only encountered here infrequently, and any sign of their presence is drowned out by the birdsong and the sound of the wind in the trees. This is Quinta do Pisão, in the heart of the Sintra-Cascais Natural Park. Covering an area of 380 hectares and free to enter, here you ride horses and donkeys, pick vegetables from the organic garden and even follow the Cuquedo trail (inspired by the protagonist of the Portuguese children's bestseller that is part of the National Reading Plan). However, this space has had many lives. From a necropolis to a textile factory, with stint as a homeless shelter on the way, the stories are waiting to be discovered bit by bit. Are you coming?
O melhor da agenda de Oeiras até ao final do ano

O melhor da agenda de Oeiras até ao final do ano

No Parque dos Poetas já não há miúdos a gritar pelo Panda; o Passeio Marítimo de Algés já se despediu do NOS Alive e da Comic Con; nas praias da Torre e de Santo Amaro de Oeiras já não é preciso saltar ao pé coxinho entre toalhas até chegar ao mar. Oeiras está calma, mas o Inverno ainda vem longe, o que significa que esta é a melhor altura para mariscadas na esplanada, mergulhos e passeios. E até ao final do ano há muitas coisas para fazer em Oeiras. Prepara-se e aponte na agenda.  Recomendado: As melhores praias da Linha

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Samarkand. “Comida de família” no primeiro restaurante uzbeque da cidade

Samarkand. “Comida de família” no primeiro restaurante uzbeque da cidade

Hora de embarque: almoço ou jantar; destino: Samarkand, Uzbequistão. Não é preciso apanhar um avião, fazer escala, apanhar mais um voo e estar no ar para lá de dez horas para chegar à cidade conhecida pela Rota da Seda. Em Lisboa, junto ao Instituto Superior Técnico, os aromas a especiarias e condimentos espalham-se pela rua bem antes da hora das refeições. É que o plov (ou pilaf), a estrela do Samarkand – e da cozinha uzbeque no geral –, começa a ser preparado pelo menos duas horas antes.  Neste novo restaurante, a especialidade chama-se pilaf samarkand (11,50€). É um prato de arroz com borrego, cenoura, cebola e cominhos. Faz-se por etapas e às camadas: primeiro, o borrego é salteado com cebola no kazan (uma panela típica); depois adiciona-se cenoura laranja e cenoura vermelha; e, por fim, o arroz. É rico em sabor, a definição máxima de comida de conforto.  “No Uzbequistão, fazem o plov em kazans enormes que podem servir entre 100 e 150 pessoas. Aqui, para que não haja desperdício, faz-se um de manhã para 30 ou 35 doses e outro para o jantar”, explica Andranik Mesropyan, o chef responsável, que deixa uma dica à Time Out. “Fazemos o prato todos os dias, mas o verdadeiro segredo é ficar a apurar de um dia para o outro.”   Rita ChantreO plov é a estrela do restaurante Samarkand — e da cozinha uzbeque no geral. Aqui chama-se pilaf samarkand A viver em Portugal há oito anos, o chef continua a ser pioneiro. Em 2018, assinou a carta do Ararate, o primeiro restaurante arménio a
No Ema há matcha de frutos vermelhos ou canela e tempo para pôr a conversa em dia

No Ema há matcha de frutos vermelhos ou canela e tempo para pôr a conversa em dia

Há anos que Thuany Auni procurava um espaço. Ou melhor, estava à espera que um espaço a procurasse a ela. Sem pressas, sabia que quando encontrasse o local ideal, estaria preparada para avançar com o negócio que já vivia há muito dentro da sua cabeça. Quando empurrou a porta verde escuro do número 52 da Rua dos Poiais de São Bento, não teve dúvidas: tinha encontrado a casa onde queria servir matcha, petiscos, slow coffee e, sobretudo, tempo para conversar. “Eu sempre quis um espaço pequeno, que tivesse características muito concretas e que não fosse super novo e branco. Já tinha imaginado o que queria e, quando aqui cheguei, era exactamente isto: com detalhes diferentes, o chão que chama a atenção, etc. Disse logo: ‘É o Ema, não há forma de ser outra coisa’.”  O nome estava guardado para algo especial – talvez um animal de estimação? –, mas o projecto adiantou-se. “É fácil de dizer em muitas línguas e isso é bom, porque também queria algo catchy”, explica Thuany à Time Out. @EmaThuany Auni, a dona do Ema Em Novembro de 2025 começaram as obras, as portas abriram um mês depois. Os vizinhos, que acompanharam as renovações empoleirados nas janelas dos prédios em frente, estavam curiosos e foram dos primeiros clientes, a 6 de Dezembro.  Thuany fez quase todas as obras sozinha, afinal descreve-se como alguém “viciado em decoração”. “Assim que entrei consegui visualizar onde queria o balcão, as mesas, tudo. Fui juntando as referências que tinha, de espaços e no Pinterest, e projec
Peixe preservado em cinza, gelado de pau santo e champanhe: assim é o irreverente Black Moon

Peixe preservado em cinza, gelado de pau santo e champanhe: assim é o irreverente Black Moon

Foi num livro de medicina que Luis Ortiz descobriu a história dos náuatles, povos indígenas descendentes das culturas do planalto mexicano. “Eram nómadas e tinham sempre com eles três coisas: raízes, algum tipo de armas e cinza. Quando havia alguma ferida, faziam uma mistura com as raízes e a cinza para ajudar a regenerar mais depressa. A partir dali começaram a pensar no que mais podiam fazer com aquilo”, conta o chef à Time Out.  Foi a experiência e a sabedoria dos antepassados que inspirou o responsável pela cozinha do Black Moon, o novo restaurante do hotel Mythic Sana Downtown Suites, a criar um dos pratos que já se destaca na carta: o lírio preservado em cinza (23€), com leche de tigre de macadâmia, pepino e abacate curado em sal de coentro, óleo de recado negro e tostada cerimonial. “Cheguei à conclusão de que a cinza é um elemento que não tem micróbios, não tem sujidade por causa do calor extremo. É uma coisa completamente limpa e também permite que o produto consiga respirar, essa é a parte boa. Comecei a fazer testes com peixe, com carne, com legumes, com muita coisa”, conta, antes de explicar que o processo até esta entrada chegar à mesa demora dois meses. “Nós chamamos-lhe preservação porque não é maturação, não é curar, é literalmente preservar o produto. Acreditamos que, curando o peixe assim, ele preserva as suas características muito mais tempo e acaba por ganhar diferentes sabores também.”  DRLírio preservado em cinza, leche de tigre de macadâmia, pepino e
Temakiko: temakis, tacos e rolls invadem Alvalade

Temakiko: temakis, tacos e rolls invadem Alvalade

O novo vizinho do bairro de Alvalade é pequeno e discreto, mas já anda a conquistar quem por ali vive ou passa. Fica numa rua perpendicular à Avenida da Igreja e chama-se o Temakiko.  A primeira parte do nome revela logo o que se come nesta casa: temakis (mas não só). A segunda vem do chef que está à frente do projecto: Francisco Duarte. “Não achei muita piada inicialmente porque não queria focar-me em mim, mas [os sócios] fizeram-me ver que, nesta fase inicial, dado o meu background e experiência, seria uma boa associação.” Francisco, de 29 anos, aprendeu tudo sobre sushi no Miss Jappa e no Yakuza, em Lisboa. Esta não é a sua primeira experiência em nome próprio: teve um restaurante durante a pandemia. “Abri em Benfica, mas passado um ano estava cansado. Não tinha sócios, fazia tudo sozinho. Depois recebi uma proposta para ir para o Nobu, na Grécia, que era irrecusável.” Rita ChantreFrancisco Duarte, chef do Temakiko Quase cinco anos depois, o regresso a Portugal levou-o até Alvalade, uma zona que conhece bem, já que o pai teve restaurantes no bairro nos últimos 15 anos. “A única coisa negativa que eu vejo é o estacionamento, porque o resto é muito bom. Estudei aqui perto, no Colégio Moderno, portanto é uma zona que me diz muito.” Foi um dos sócios de Francisco que passou pelo local e achou que o que até então tinha sido um espaço de açaí tinha potencial. O chef sabia bem que conceito queria, mas estava a pensar em algo maior. Ainda assim está satisfeito por ser bem mais f
Uma pizza rápida ao almoço ou uma pasta demorada ao jantar: no La Repubblica 29, o forno trabalha todo o dia

Uma pizza rápida ao almoço ou uma pasta demorada ao jantar: no La Repubblica 29, o forno trabalha todo o dia

O toldo vermelho que cobre a esplanada chama a atenção de quem passa pela Barata Salgueiro, transversal à Avenida da Liberdade. Talvez seja por isso que às 12.20 haja já um grupo de 16 pessoas a instalar-se nas mesas do La Repubblica 29. Aberto desde o início de Janeiro, não precisou de se fazer anunciar para começar a ter a casa cheia: aconteceu logo nos dois ou três primeiros dias. Os almoços preenchem-se com quem trabalha na zona; ao jantar há turistas e muitas pessoas que vão assistir a algum espectáculo por ali. “Apesar de termos aqui alguns hotéis à volta, começamos também a sentir essa variação das pessoas que vão descobrindo e vão entrando. O cliente de almoço é corporativo, normalmente pede pratos do dia, ou pratos mais rápidos, como as pizzas e as massas, enquanto o cliente de jantar acaba por ser aquele que demora mais tempo, que já pede entrada, o prato principal e a sobremesa”, explica o chef Fábio Paixão da Silva. Está na empresa há quatro anos e cria pratos para todos os menus. No total, são 16 conceitos. “Na minha cabeça organizo tudo em caixinhas, é a única forma.” Ainda assim, não se queixa: o La Repubblica 29 não lhe deu muitas dores de cabeça.  O nome foi herdado do irmão mais velho – o La Repubblica 37, que fica na Avenida da República –, e o 29 é o número da porta que ocupa na Rua Barata Salgueiro.   Rita ChantreA bruschetta al pomodoro do La Repubblica 29 A carta tem massas, pizzas, risottos e grelhados, mas as entradas não devem ser passadas à frent
Alva: polvo, pizzas e (brevemente) petiscos num só sítio

Alva: polvo, pizzas e (brevemente) petiscos num só sítio

O imponente forno continua lá, as pizzas e os risotos que garantiram clientes no passado também, mas o La Expo Dolce Vita reformou-se para dar lugar ao Alva, que, além dos sabores italianos que ali já existiam, acrescentou pratos portugueses a uma carta longa – que ainda vai crescer nos próximos meses. “A minha mãe é cozinheira e os meus pais tinham há algum tempo o sonho de ter um restaurante. O dono do antigo espaço é amigo deles e demonstrou interesse em vender. Foi a junção de duas vontades”, conta à Time Out Solange Carvalho, que está à frente do projecto. Na cozinha quem manda é António Alexandre, que foi chef executivo do Marriott e passou pela Bica do Sapato. Nos últimos anos desdobrou-se em consultorias de norte a sul do país e no estrangeiro, mas estava com vontade de voltar a ter algo mais estável. “O Alva foi apelativo porque podemos criar as bases para um novo conceito em Lisboa, que não é só de cozinha portuguesa e mediterrânica, mas é um espaço para ter uma experiência familiar, uma festa, ou uma simples refeição com conforto, com um bom serviço e produtos certificados com boa origem”, garante.  Rita ChantreO chef do Alva, António Alexandre O melhor é começar mesmo pelo início. Nas entradas há gambas à guilho (14€), pica-pau do lombo com pickles caseiros (14€) ou cogumelos salteados (12€), que chegam em trio e se distinguem nos sabores, salpicados por amêndoa tostada, que junta crocância ao prato. O bife tártaro com lombo de novilho e ovo de codorniz (14€) é
Está com pressa? No Jacca, as bowls, sandes e caixas de refeição saudáveis ficam prontas em poucos minutos

Está com pressa? No Jacca, as bowls, sandes e caixas de refeição saudáveis ficam prontas em poucos minutos

Melissa Jiva cresceu no Parque Verde, uma urbanização entre o Hospital de Santa Maria e a Praça de Espanha, e sempre se habituou a ver a zona ficar deserta assim que as empresas que ali funcionam se esvaziavam dos respectivos funcionários. Para quem ali mora (ainda é o caso dos pais de Melissa) não há muitas opções de comércio ou de restauração – muito menos a funcionarem para lá das seis da tarde. Porém, nos últimos anos, instalaram-se ali novas empresas, o fluxo de pessoas aumentou significativamente e a jovem de 29 anos soube que era o momento de avançar com um projeto que estava adormecido. Assim nasceu o Jacca, um espaço de refeições rápidas e saudáveis.  “Comecei a ver uma crescente dinamização de empresas no condomínio e percebi que havia falta de oferta a nível de restauração. Era preciso uma solução mais saudável e rápida. Os trabalhadores aqui que não têm muito tempo para almoçar e querem, muitas vezes, fugir um pouco ao prato do dia do restaurante português típico. Portanto, o conceito passa muito por aí”, descreve Melissa.  Bowls, sandes, snacks proteicos e sumos naturais dão para consumir ali mesmo, levar para o escritório ou para casa. Para que ninguém perca tempo, apostou-se na vertente digital do espaço. Logo à entrada há um quiosque de autoatendimento (como os ecrãs gigantes onde se fazem os pedidos no McDonald’s) intuitivo e rápido. Quem quiser pode também encomendar no site e ir depois levantar a encomenda. “Quando está pronta, o cliente recebe uma mensage
As empanadas e os alfajores do Las Cholas já têm casa própria

As empanadas e os alfajores do Las Cholas já têm casa própria

Foi num evento na embaixada do Peru em Lisboa que o director financeiro do El Corte Inglés tirou de uma bandeja um alfajor. Assim que a bolacha de manteiga começou a desfazer-se na boca, como areia, misturando-se com o recheio cremoso de doce de leite, ele soube que queria mais – de preferência, no local onde trabalhava. A responsável pela especialidade peruana era Valeria Olivari, uma chef pasteleira que se apaixonou por um português e pela cozinha portuguesa (de tal maneira que nunca mais se quis ir embora).   Com o interesse do El Corte Inglés, começou a fazer alfajores e empanadas para vender na grande superfície. Agora, os doces e salgados peruanos têm uma nova casa, longe da azáfama do centro comercal. O Las Cholas Café fica a dois passos da Gulbenkian e oferece a mesma qualidade que tem feito da marca um sucesso.  “As empanadas foram um boom do dia para a noite – e continuam a ser o nosso melhor produto. Começámos por ter quatro recheios, agora são sete”, conta Valeria. Vamos a eles, sem mais distrações: atum e tomate (3,20€), espinafres e mozzarella (3€), galinha e nozes (3,20€), pato e laranja (3,80€), vitela e passas (3,20€), porco teriyaki (3,20€) e camarão, tomate e mozzarella (4€). A empanada de pato é uma das favoritas desde sempre e uma das que pode ser encomendada em formato familiar (entre 36€ e 40€), mas todas têm uma massa leve e macia (que pode ser apreciada morna ou fria) e os temperos apurados de uma confecção que se adivinha lenta e feita com foco no ma
No Mattarello, as pastas frescas e as pinsas são as estrelas, mas a carta começa pelas sobremesas

No Mattarello, as pastas frescas e as pinsas são as estrelas, mas a carta começa pelas sobremesas

Não, não é um erro de impressão. O menu começa pelos doces porque para Francesco Giorgi, responsável pelo Mattarello, cada cliente deve tentar calcular à partida quanto espaço vai querer reservar para as sobremesas antes de atacar a restante carta. E assim, este artigo seguirá a mesma ordem, trazendo-as logo para o primeiro parágrafo. Sem mais suspense, há crazy panna cotta (5€), com coco, rum e topping de frutos vermelhos; semifrio com amêndoas, avelã e chocolate quente (5€) e o clássico tiramisù (6€), que é servido dentro de uma cafeteira antiga. Cremoso e fresco, é o final – e, neste caso, o arranque – perfeito de uma tradicional refeição italiana.  É precisamente de tradição, memória e comida de conforto que vive o novo restaurante da Avenida da República. As mesas estão cobertas com toalhas de xadrez vermelho e branco e nas paredes há recortes de jornais desportivos, filmes clássicos, utensílios de cozinha e fotos de família. São da colecção pessoal de Francesco, o dono, que se mudou para Lisboa há três anos – já tinha o irmão a viver em Portugal e esse foi um dos seus maiores incentivos. O outro foi ter percebido que havia espaço para abrir um restaurante. Assim nasceu L’Osteria Italiana, o seu primeiro projecto na cidade. Correu tão bem que Francesco foi pensando na possibilidade de um segundo, que nasce agora no espaço de uma antiga tasca portuguesa. “Há muito tempo que sonhava com um espaço pequenino com conceito italiano, com comida típica italiana e massas frescas
Goose: o sonho de Francisco Froes já é um ponto de encontro na Lapa

Goose: o sonho de Francisco Froes já é um ponto de encontro na Lapa

Aconteceu por acaso: no meio da azáfama da primeira semana, Francisco Froes fez um pedido banal à responsável pela cozinha, Paula Grings. “Temos uma opção que é rosbife no prato [com molho de anchovas, nozes, pimentos guindilla e rúcula, 16€] e, um dia, estava cheio de fome e perguntei: ‘Não dá para colocar uns pedaços de rosbife no pão, uma coisa rápida’?”, recorda o responsável pelo Goose, o novo restaurante da Lapa. Paula alinhou mas dedicou-lhe tanta atenção como se fosse para um cliente. E, assim, criou algo que ganhou entrada imediata no menu. A sandes de rosbife com maionese picante (16€) vem para a mesa dividida em duas metades e, quem se distrair, fica sem nada. O pão (shokupan, um brioche japonês) é crocante, a carne da vazia suculenta e o molho picante o toque final que torna esta sandes numa escolha obrigatória. O actor Francisco Froes viveu durante 12 anos nos EUA, onde trabalhou paralelamente em alguns restaurantes. “Primeiro em Nova Iorque, num sítio que se chama Café Gitano, no Soho, pequenino, um franco-marroquino. Depois, durante dez anos, no WeHo Bistro [em Hollywood] que era um restaurante de brunch. Acabei por ficar gerente e braço direito do dono. Tomei muitas decisões estratégicas e isso deu-me imensa experiência na área”, recorda.  Gonçalo SantosAs sandes de couve-coração e de rosbife do Goose De regresso a Portugal, percebeu que a representação não era suficiente, tinha saudades da restauração. “Gosto do contacto com as pessoas, gosto da forma como
Verde para onde quer que se olhe: há mais um matcha bar em Lisboa (e este tem cocktails)

Verde para onde quer que se olhe: há mais um matcha bar em Lisboa (e este tem cocktails)

Foi quando estava à procura online por inspiração de cores, mobiliário e decoração que Mariana Mendes se cruzou com a palavra “inhale (inspirar)”. Ficou a olhar para ela demoradamente, porque lhe soou bem, e depois desconstruiu-a: ficou com “hale”. Por curiosidade, pesquisou se já existia alguma marca registada com esse nome (não havia) e foi à procura do significado. “Saudável, em forma, robusto e vigoroso” foram alguns dos conceitos que encontrou. Decidiu então que era esse o nome que queria para o seu primeiro negócio.  O Hale Matcha abriu na Rua Garcia de Orta, em Santos, discreto e pequeno, encaixado entre prédios altos. É acolhedor e descontraído e fez-se à imagem da dona. Há sobretudo bebidas e algumas opções para comer. Tudo (ou quase) é feito com matcha, como o nome deixa antever. Ainda assim, “não é suposto ser daqueles conceitos em que é tudo sem glúten, tudo vegan, tudo chato. Acaba por ser vegan porque eu sou vegan e faz sentido para mim, mas quero que as pessoas tenham prazer”, explica Mariana à Time Out. DR Quem já não é novo nestas andanças da matcha, tem à escolha o típico matcha latte (5€), a nuvem de coco (6€) – feita com água de coco, ideal para os dias mais quentes – ou o pistáchio salgado (6,50€), que pode ser pedido quente para dar aquele conforto necessário aos dias frios. Porém, além de ser pet friendly, este espaço também é amigo de quem não aprecia a bebida verde – ou de quem nunca lhe deu realmente uma oportunidade. Para provar há várias opções
Tantazzi: nesta antiga pastelaria renasceram as memórias de uma avó italiana

Tantazzi: nesta antiga pastelaria renasceram as memórias de uma avó italiana

Cresceu entre a cozinha e as mesas da pastelaria e do restaurante da avó, mas pensou que o seu caminho era longe dali. Durante 15 anos, Ludovica Rocchi trabalhou em moda, viajou pelo mundo, conviveu com designers, modelos e actores, esteve nas maiores semanas de moda e nas mais importantes entregas de prémios. Depois apaixonou-se por um português, mudou-se para Lisboa e percebeu que não podia manter o ritmo frenético. Mas o que lhe restava, além da moda? A restauração. Duvidou até ao último minuto, mas assim que abriu as portas do Fiammetta, em Campo de Ourique, teve a certeza de que tinha feito a escolha certa. “Nesse momento pensei: é isto que tenho no sangue.” O Fiammetta destacou-se como mercearia de produtos italianos e restaurante (conquistou cinco estrelas do nosso crítico Alfredo Lacerda, que na altura escreveu: "(...)é um desses raros casos de restaurante italiano a sério. Aqui, não se pisca o olho ao turista ocasional que foge da cozinha portuguesa e de tudo o que não tenha esparguete, nem se pretende captar os milionários que acham que Milão é a capital do mundo. O Fiammetta quer dar a comer bons produtos italianos, de forma simples, servidos a preceito. E isso é muito."). Oito anos depois de abrir, ganhou um irmão: o novo Tantazzi. Neste segundo espaço, nas Avenidas Novas, a sala tem mais mesas e a cozinha é maior e fechada, permitindo preparar novas receitas. DRTantazzi “O Fiammetta é a minha paixão, mas tem uma cozinha muito pequena. Fazemos milagres com aquel