Quando as amigas coleccionavam Barbies, ela brincava aos telejornais. Começou por achar que queria ser jornalista desportiva, passou pela Rádio Renascença e pelo jornal A Bola, mas rapidamente percebeu que todos os diálogos que sabia de cor de filmes e séries indicavam outro caminho: Cultura. Trabalhou na revista Sábado e na NiT, colabora com o Observador e, em casa, os filhos chamam-lhe “nazi do português”. Cresceu em Bruxelas, na Bélgica, aonde regressa com frequência para repor o stock de gaufres e pralines. Como por lá não se come bem, vinga-se nos novos restaurantes de Lisboa, que visita com enorme esforço para a Time Out. Faz parte da metade da população que come ananás na pizza e a primeira coisa que consulta num menu é a lista de sobremesas (há outra forma de gerir o espaço no estômago durante uma refeição?).
Andreia Costa

Andreia Costa

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Os melhores novos restaurantes em Lisboa e arredores

Os melhores novos restaurantes em Lisboa e arredores

As novidades multiplicam-se de tal forma que, quando descobrimos os restaurantes que abriram nos últimos meses, já temos novas mesas à nossa espera. Entre os espaços que ainda cheiram a novo, em Lisboa e não só, há lugar para cozinhas de autor e de fast food, para peixe, marisco, neo-tascas e os mais diversos projectos internacionais. Preparámos um guia com os melhores novos restaurantes em Lisboa para quem quer estar constantemente a par do que se passa na gastronomia da cidade. Não fique desactualizado e faça uma reserva – tem muito por onde escolher.  Recomendado: Os 100 melhores restaurantes em Lisboa
Quinta do Pisão: um paraíso com muitas vidas

Quinta do Pisão: um paraíso com muitas vidas

Não há buzinas, aviões a passar, nem ruído dos carris dos comboios. Pessoas também só se encontram aqui e ali, e o sinal da sua presença é abafado pelo chilrear dos pássaros e pelo vento que faz abanar a folhagem das árvores. Estamos na Quinta do Pisão, em pleno Parque Natural de Sintra-Cascais. São 380 hectares com entrada gratuita, onde é possível andar a cavalo e de burro, colher legumes na horta biológica e até fazer um trilho do Cuquedo (inspirado no protagonista do bestseller infantil português – e que até faz parte do Plano Nacional de Leitura). Porém, este espaço já teve muitas vidas. De necrópole a fábrica de tecidos, passando por um abrigo para mendigos, as histórias são para descobrir passo a passo. Vamos entrar? Uma vida pré-histórica DR É no antigo armazém de cal que a visita começa e acaba (apesar de ser possível seguir para a área dos trilhos sem entrar no local). Na Casa de Cal está o centro interpretativo, onde pode pedir informações, mapas, alugar bicicletas, comprar os produtos da quinta ou visitar a exposição permanente sobre valores naturais e histórico-culturais. A pé, de bicicleta ou como der na gana de cada um (aqui a única coisa proibida chama-se carro), o percurso começa numa cápsula do tempo. A gruta de Porto Covo, que está mesmo à beira do caminho, remonta à Pré-História. No local foram descobertas ossadas de adultos e crianças, naquilo que tudo indica ter sido uma necrópole. Juntamente com os artefactos, as descobertas permitiram situar a utiliz
Quinta do Pisão: A paradise with many lives

Quinta do Pisão: A paradise with many lives

There are no horns honking, aircraft passing overhead or noises from the railway line. People are only encountered here infrequently, and any sign of their presence is drowned out by the birdsong and the sound of the wind in the trees. This is Quinta do Pisão, in the heart of the Sintra-Cascais Natural Park. Covering an area of 380 hectares and free to enter, here you ride horses and donkeys, pick vegetables from the organic garden and even follow the Cuquedo trail (inspired by the protagonist of the Portuguese children's bestseller that is part of the National Reading Plan). However, this space has had many lives. From a necropolis to a textile factory, with stint as a homeless shelter on the way, the stories are waiting to be discovered bit by bit. Are you coming?
O melhor da agenda de Oeiras até ao final do ano

O melhor da agenda de Oeiras até ao final do ano

No Parque dos Poetas já não há miúdos a gritar pelo Panda; o Passeio Marítimo de Algés já se despediu do NOS Alive e da Comic Con; nas praias da Torre e de Santo Amaro de Oeiras já não é preciso saltar ao pé coxinho entre toalhas até chegar ao mar. Oeiras está calma, mas o Inverno ainda vem longe, o que significa que esta é a melhor altura para mariscadas na esplanada, mergulhos e passeios. E até ao final do ano há muitas coisas para fazer em Oeiras. Prepara-se e aponte na agenda.  Recomendado: As melhores praias da Linha

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Há um novo brunch de domingo com panquecas de framboesa, waffles com pêssego e vista para o Parque Eduardo VII

Há um novo brunch de domingo com panquecas de framboesa, waffles com pêssego e vista para o Parque Eduardo VII

O Parque Eduardo VII é muito mais do que a área contida entre as árvores que o rodeiam – pelo menos foi isso que pensaram os responsáveis por reaproveitar um espaço do hotel Intercontinental Lisbon que tinha potencial, mas pouco uso. Virado para o jardim, nasceu o Picnic in the Park, uma espécie de jardim de inverno que agora passa a ter brunch todos os domingos. Com acesso directo da rua, sem ser preciso passar pelo lobby, as janelas envidraçadas do chão ao tecto deixam entrar a luz e dão quase a ilusão de podermos tocar na copa das árvores se esticarmos a mão. Do tecto caem plantas e flores coloridas que prolongam o ambiente exterior para o interior e, embora a climatização garanta sempre que a temperatura ideal é a que está cá dentro, também há esplanada com lugar para 18 pessoas – que se juntam aos 16 lugares no interior. As cadeiras de verga têm um padrão geométrico verde escuro e os uniformes com riscas rosa claro tornam tudo mimoso, como se estivéssemos mesmo num jardim impecavelmente cuidado. DRO interior do Picnic in the Park Todos os dias, o espaço está aberto entre as 10.30 e as 18.00 com sushi, poke bowls e sanduíches – e para quem quiser fazer literalmente um piquenique no parque, é possível levar uma tote bag com os pratos escolhidos em pequenas embalagens de take away. Assim é de segunda-feira a sábado. Porém, ao domingo, a carta passa a ser outra. As atenções viram-se para o brunch, disponível já a partir de 20 de Setembro. Com um menu especial pensado para
NdujaMe: da Calábria com amor, enchidos italianos e foccacias

NdujaMe: da Calábria com amor, enchidos italianos e foccacias

Aqui, só há uma palavra (e sabor) para decorar: nduja. É este enchido que domina o menu e todo o conceito do NdujaMe, como, aliás, dá para perceber logo pelo nome do espaço. Preparado com os cortes mais gordurosos do porco, pimentas vermelhas e pimentão picante da Calábria, leva ainda sal e especiarias. Depois de misturado e colocado dentro das tripas naturais do animal, fica a repousar no fumeiro durante cerca de dois meses. O resultado é um enchido macio, que pode ser espalhado em pão ou tostas e misturado com molhos, massas ou o que a imaginação ditar. Não precisa (nem deve) ser fatiado como o salame ou o chouriço. Feitas as devidas apresentações, falta apenas dizer que é picante – mas, se for misturado com maionese, por exemplo, torna-se bastante mais suave. O NdujaMe é o terceiro espaço de Giuseppe Pezzano, um calabrês orgulhoso que tem ânsia de partilhar com o mundo o que de melhor se faz na sua região italiana. “Vi o potencial da Calábria conectado com a comida e achei que isso não podia ficar apenas lá”, explica à Time Out. As primeiras duas paragens da marca ficam em Utrecht, nos Países Baixos, e em Seattle, nos EUA, mas já vamos à explicação deste trajecto incomum. O melhor é, primeiro, aconchegarmos o estômago aqui mesmo, em Lisboa.     DRNdujaMe As focaccias dominam a carta. São generosas, saborosas, crocantes e suficientes para uma refeição. A massa mãe e a respectiva fermentação lenta tornam-nas leves, mas fofas, e ficam ligeiramente tostadas depois de uma b
Oh Glória! Pizzas com nomes dos vizinhos do bairro, 48 horas de fermentação e preços acessíveis

Oh Glória! Pizzas com nomes dos vizinhos do bairro, 48 horas de fermentação e preços acessíveis

Quase se chamou Celeste, em homenagem à mulher que sempre esteve ao balcão da tasca que durante largas décadas ocupou este espaço perto da Praça Marquês de Pombal. Também podia ter sido Carmo, Graça ou Benedita, nomes de tantas outras figuras femininas importantes nesta história. Porém, na impossibilidade de escolher apenas uma, nasceu o Oh Glória!, uma pizzaria que tem como uma das principais preocupações servir as pessoas do bairro. A equipa responsável por este novo restaurante é a mesma do Vegan Junkies, no prédio ao lado, uma hamburgueria vegana que foi conquistando clientes inesperados. “Tínhamos senhoras de 70 e tal anos a tomarem café num restaurante vegano, era muito engraçado. O nome Oh Glória! personifica a homenagem que lhes queremos fazer, mas também aquele momento glorioso em que uma pizza chega a casa”, explica Vinicius Alkmim à Time Out. Ele já não é, na verdade, proprietário de nenhum dos espaços (tem outro trabalho que lhe ocupa muito tempo), mas ficou ligado aos dois projectos como consultor. No entanto, para que esta cronologia faça sentido, temos de recuar até 2019. Nesse ano, Vinicius e a sócia, Mariana Cordeiro, abriram a hamburgueria Vegan Junkies. Em 2021 seguiu-se o Plant Base, outro espaço vegano no Chiado, com pizzas e tacos. Foi aí que, certo dia, apareceu Santosh Lamichhane. Com escola de Ljubomir Stanisic e Vítor Adão, pareceu a pessoa certa para juntar à equipa, mas tinha outros planos. Abriu vários bares no Bairro Alto e um restaurante de sush
Submerso: do pica-pau às amêijoas, há petiscos portugueses junto ao Oceanário

Submerso: do pica-pau às amêijoas, há petiscos portugueses junto ao Oceanário

Não há nenhum letreiro vistoso, luzes que indiquem a entrada ou um logo que chame a atenção. No entanto, quando entramos no Submerso numa hora de almoço de um dia da semana, o espaço já está bem composto. Talvez sejam os aromas que atraem os clientes, um chamamento de petiscos portugueses. A carta do novo restaurante no Parque das Nações vai buscar receitas e costumes de vários pontos do país, com o objectivo de ser uma porta de entrada para a gastronomia portuguesa. “Num sítio tão turístico, queríamos apresentar sabores tradicionais”, explica o chef José Barros, à frente da cozinha do mais recente projecto do grupo SushiCafé (que detém, por exemplo, o Este Oeste e o Izanagi).  Estamos nas traseiras do Oceanário de Lisboa, virados para o Tejo, e, por isso, o nome não podia fugir à temática. Das janelas envidraçadas que preenchem uma parede inteira, do chão ao tecto, vêem-se as árvores e a água. O sobe e desce lento do teleférico – que tem um acesso a poucos metros, à esquerda – acrescenta uma cadência apaziguadora ao cenário. Brevemente haverá uma esplanada, mas por enquanto tudo se concentra na sala ampla com lugar para 70 pessoas, além de 12 bancos à volta do balcão que fica logo depois da cozinha aberta.  DRO Submerso fica nas traseiras do Oceanário, com vista para o rio O menu cumpre três critérios: ter ingredientes frescos, sazonais e de origem nacional. Há ainda um extra: tudo pode (e deve) ser partilhado. Nas entradas há chouriço de porco assado acompanhado por broa
Cabra Cega: fine dining descontraído, ao balcão do novo restaurante do Restelo

Cabra Cega: fine dining descontraído, ao balcão do novo restaurante do Restelo

Primeiro chegou um vídeo. Depois, uma mensagem atrás da outra: “Preciso que acordes agora”, pedia Zé Costa a Tiago Brito. O primeiro estava em Lisboa; o segundo, na Austrália – e só responderia à ânsia do amigo horas mais tarde devido à diferença horária. A pressa devia-se ao facto de Zé ter encontrado aquele que considerou ser o lugar perfeito para concretizar o sonho que os dois tinham há muito tempo: abrir um restaurante. “O Zé disse-me: ‘Está na hora, já chega de viajar’”, recorda Tiago à Time Out. Sem qualquer resistência, em Outubro de 2025 fez as malas para regressar a Portugal. Seguiram-se longos meses (mais do que esperavam) de obras. Um amigo arquitecto fez o projecto de renovação e eles, para verem as coisas a acontecer (e para pouparem no orçamento), puseram as mãos na massa. Fizeram tudo, desde partir paredes a trocar tubos de canalização, passando por mudar cabos de electricidade e visitar lojas de decoração para escolher candeeiros e espelhos. As portas do Cabra Cega abriram em Maio com o objectivo de ser um espaço onde os dois chefs podem ser criativos e partilhar as respectivas identidades com os clientes, cozinhando à vista de todos. “Servir pessoas é algo que nos deixa muito satisfeitos”, diz Zé.   Para já, aqui só se servem jantares – mas há duas experiências à escolha. O menu pé de cabra (50€) – uma referência à ferramenta que mais usaram durante as obras – divide-se em sete momentos e é uma espécie de introdução ao mundo de ambos, repleto de viagens e sa
Kyō Sushi Pop. O sushi de pauzinho que não precisa de pauzinhos: come-se como um push pop

Kyō Sushi Pop. O sushi de pauzinho que não precisa de pauzinhos: come-se como um push pop

“Como é que funciona?” Esta é, claro, a pergunta mais frequente dos clientes que entram no Kyō Sushi Pop, em Campo de Ourique, mas as dúvidas são desfeitas quase tão depressa como surgem.  Neste espaço de grab and go só se vende sushi, mas não há pratos ou pauzinhos – e nem as mãos é preciso sujar. O serviço é rápido e o segredo resume-se a um tubo vermelho. É lá dentro que estão encaixadas dez peças de sushi, milimetricamente cortadas para serem todas iguais. Na extremidade inferior do tubo encaixa-se um género de palhinha fechada com o molho que acompanha o pedido e é esta que vai empurrar as peças para o topo da embalagem, num mecanismo de push up exactamente igual ao de alguns gelados (ou, para os filhos dos anos 80 e 90, ao do mítico chupa-chupa push pop).  afonsomphotographyKyo Sushi Pop A ideia é tornar o sushi móvel e portátil, com peças de sushi iguais precisamente para garantir rapidez e eficiência. Há seis opções, com dois favoritos já bem definidos. O kyō classic (12,90€) tem salmão, abacate, queijo creme, pepino e tobiko. Os ingredientes são frescos e o tobiko acrescenta crocância, tudo ligado pelo nikiri, o molho de soja feito na casa. “No Japão, cada restaurante tem a própria soja e quisemos fazer o mesmo”, explica Bernardo Cabral, um dos sócios. Há um ingrediente secreto que não se revela nem à Time Out, pois claro.  DRO kyō classic é o bestseller do Kyō Sushi Pop O segundo bestseller chama-se volcano tuna (12,90€). Junta atum picante, manga, alface icebe
Miyazaki: fomos ao novo all you can eat de sushi no Saldanha (onde o arroz não enche)

Miyazaki: fomos ao novo all you can eat de sushi no Saldanha (onde o arroz não enche)

Bem-vindos ao “templo na montanha”, ou à “ponta do santuário” – ou simplesmente ao mais recente (e já muito concorrido) all you can eat de sushi em Lisboa. Estamos no Miyazaki, que pode significar uma das duas primeiras expressões, onde uma cerejeira em flor nos acolhe à entrada e tudo é repetido as vezes que quiser. Porquê mais um sushi na cidade? Foi exactamente essa a pergunta que os responsáveis do novo restaurante que abriu no Saldanha no final de Novembro de 2025 quiseram responder. “Na verdade, acharam que nos conceitos de all you can eat existentes, a qualidade do sushi é geralmente inferior e quiseram contrariar isso”, diz um membro da equipa que prefere não ser identificado. Com outros restaurantes do género na Margem Sul, sabiam que a fórmula funcionava. O desafio era replicá-la agora em Lisboa – e os resultados dos primeiros meses não deixam dúvidas. São 12.30 de um dia de semana e os 140 lugares da sala preenchem-se praticamente todos no espaço de meia hora. Ao almoço, os clientes são sobretudo funcionários das empresas da zona, enquanto ao jantar há muitos estrangeiros – “não apenas turistas, mas estrangeiros que vivem e trabalham cá”. O Miyazaki nunca fecha e, de acordo com os funcionários, “é muito difícil conseguir mesa sem reserva” – fica a dica. DRO temaki do Miyazaki O conceito é simples. Na mesa estão dois códigos QR. Primeiro, liga-se ao Wi-Fi do restaurante; segundo, acede-se à carta. A partir daqui, basta escolher o que pretende comer, juntar o item
Tasca Bica: o frango comanda o desfile de petiscos, mas também há pato e leitão

Tasca Bica: o frango comanda o desfile de petiscos, mas também há pato e leitão

Foi a Coca-Cola que fez com que Victor Vieira trocasse o Brasil pela China. Na empresa já era director criativo, portanto não tinha como expandir mais a sua imaginação, certo? Errado. Percebeu-o em 2016 quando pediu um ano sabático e se dedicou a algo que lhe dava muito prazer: cozinhar. “Acabei a participar no Masterchef Brasil e cheguei à semifinal.” Quando regressou à China e ao mundo corporativo, percebeu rapidamente que esse comboio já tinha partido. “Fui enfiar-me em cozinhas, bati à porta de chefs que admirava, trabalhei num restaurante com estrela Michelin, etc”, recorda à Time Out. “A minha vida já era criativa na Coca-Cola China, mas a cozinhar pensamos, temos uma ideia, entregamos à pessoa e a pessoa dá-nos feedback na hora. É muito mais compensador.” Após 13 anos entre Banguecoque, Macau, Hong Kong e Xangai – onde foi chef do Tomatito Sexy Tapas, um popular restaurante de inspiração espanhola –, sentiu que estava na altura de experimentar algo novo. Portugal já estava no radar desde que tinha passado por cá de visita há cerca de uma década e pareceu-lhe o local ideal para o capítulo seguinte. “Por incrível que pareça, sentia que a China já era zona de conforto e resolvi sair e vir para a Europa. Cheguei com a intenção de abrir um restaurante, não necessariamente este.” “Este” é a Tasca Bica, um “restaurante especializado em frango, aves e produtos da granja”. O espaço que encontrou no Cais do Sodré era, curiosamente, de comida asiática, mas Victor Viei
Cenário: Norte e Sul juntam-se à mesa nos antigos estúdios da RTP

Cenário: Norte e Sul juntam-se à mesa nos antigos estúdios da RTP

Quando o chef António Mendes aqui chegou, tinha um objectivo claro no horizonte: fazer do Cenário “o melhor restaurante da Avenida 5 de Outubro”. No último ano, considera que conseguiu isso e mais. “Chegámos a ser um dos 100 melhores restaurantes de Lisboa, segundo a plataforma The Fork. Temos 9,2 de pontuação – e isso é um motivo de orgulho”, diz à Time Out. Quando o Vip Grand Lisboa Hotel & Spa quis reformular o restaurante que tinha logo à entrada, o chef soube que a tarefa seria complexa, mas foi também isso que o motivou. “Mudámos tudo: a equipa, a cozinha, o conceito... E fazer isto enquanto o hotel está a funcionar é complicado.” Do antigo espaço, só se manteve o nome. A sala, com lugar para 62 pessoas, veste-se agora de tons laranja e preto, com mesas cobertas com toalhas brancas. Pode ser um restaurante de hotel, mas quer estar aberto ao exterior e o que se serve aqui vai de Norte a Sul do país. “A base é a cozinha portuguesa, havendo uma mistura de regiões. A carta é sazonal, porque queremos respeitar a frescura dos produtos e as suas épocas.” DRCenário Existem algumas influências estrangeiras aqui e ali, como se vê nos raviolis ou na tempura, mas, de acordo com o chef, “há muita gente que está a encontrar aqui aquilo que já não encontrava na cozinha portuguesa” – “Despertar memórias nas pessoas que conhecem a cozinha clássica portuguesa é o melhor feedback que podemos ter.” Seguir o guião O menu apresenta-se como um “guião gastronómico” – o facto de neste edifíci
No novo Ostra Lisboa há ostras e mais sabores a oceano, incluindo um arroz caldoso de babar

No novo Ostra Lisboa há ostras e mais sabores a oceano, incluindo um arroz caldoso de babar

Da ria para o prato: é assim que o Ostra Lisboa apresenta aquela que é a rainha desta carta e que dá, claro, o nome ao espaço. “Acima de tudo, somos produtores”, resume Pedro Coito, um dos sócios do restaurante que desde Junho tem deixado no Chiado um aroma a maresia.  Antes de nos sentarmos à mesa, é preciso explicar como tudo começou – Pedro garante que foi “de um dia para o outro”, tão simples quanto isso. Ele é responsável pela Bivalsado, que trabalha em Setúbal, fazendo o circuito inteiro da produção de bivalves. De restaurantes não percebia nada até entrarem em cena os outros sócios e amigos. São os primos Marco Alexandre, produtor em França, Setúbal e Algarve (é do Vale da Lama, no Alvor, que chegam diariamente as ostras), e João Pedro da Silva, responsável pelo Ostra Paris, restaurante na capital francesa.  CORVOOstra Lisboa “Foi o Marco que me desafiou. Disse-me: ‘Eu estou aqui no Algarve sempre a trabalhar, o meu primo tem o Ostra Paris que está a correr super bem, por isso vamos fazer uma brincadeira e abrir o Ostra Lisboa’?”, recorda à Time Out. Apesar do Ostra Paris, esta não é uma cadeia, sublinha. “Não é um franchise, nada disso. Claro que há alguns pontos comuns, porque o Marco e o João estão por dentro dos dois projectos, mas a carta é muito diferente.” Podemos dizer que os dois restaurantes são primos, como os sócios, e se as coisas correrem bem, é possível que a família cresça “com um Ostra Cascais, por exemplo”.  Da ostra gigante 'Moby Dick' ao arroz ca
Kouji Ramen & Bar: o novo japonês do Cais do Sodré com “infinity bowls”

Kouji Ramen & Bar: o novo japonês do Cais do Sodré com “infinity bowls”

Foi numa pequena rua em Macau que Memphis Chun abriu o primeiro Kouji há mais de uma década. E, por isso, o nome é tão simples quanto isso: kouji significa “rua pequena” em japonês. E porquê em japonês e não chinês? Porque é o ramen que está no centro do conceito e foi para aprender tudo sobre os caldos, as massas (e também as gyozas) que Chun passou dois anos a viver no Japão. O restaurante foi um sucesso em Macau, as filas começaram a crescer e os Kouji multiplicaram-se pela China. São agora mais de dez – e Lisboa recebe o primeiro internacional. Chama-se Kouji Ramen & Bar porque junta dois conceitos em dois pisos: no primeiro funciona o restaurante e, no segundo, está instalado um bar de cocktails asiáticos de assinatura. Chun quis trazer a marca, mas também incorporá-la na realidade local, e por isso passou seis meses antes da abertura (no final de 2025) a percorrer mercados e quintas locais, à procura de ingredientes para enriquecerem os caldos. De volta a Macau, é agora Stanley Chu, sócio gerente e macaense a viver em Portugal há 15 anos, que se empenha em apresentar o ramen do Kouji Ramen & Bar, que serve ainda petiscos de rua asiáticos e muito sake.  DRKouji Ramen & Bar Infinito e mais além Há oito ramen à escolha e o menu apresenta fotos de cada um para que seja mais fácil identificá-los. O tonkotsu tsukemen (18€) é um prato premiado que, em Lisboa, recebe alguns toques locais. Tem chashu de porco preto ibérico, espinafre, ovo onsen e dashi de espinhas de bacalha
Gare: o novo restaurante de Alcântara tem carne da Casa Arouquesa e vista rio

Gare: o novo restaurante de Alcântara tem carne da Casa Arouquesa e vista rio

A entrada faz-se por uma porta de vidro que dá acesso a dois elevadores do lado direito e a escadas do lado esquerdo. Até aqui, nada de especial. A surpresa dá-se assim que no andar superior terminamos o lanço de escadas (ou saímos do elevador). Estamos agora num terraço enorme, cara a cara com a Ponte 25 de Abril. A proximidade é impressionante. Chegámos ao destino: Gare. É tão simples quanto isso o nome do novo restaurante que se instala na antiga Gare Marítima de Alcântara e que é o mais recente projecto do grupo Visabeira (dono da Vista Alegre, criado em Viseu em 1980, e agora uma multinacional com negócios em construção, hotelaria, restauração ou energia). Antes das apresentações (ou de nos sentarmos à mesa do restaurante), podemos demorar-nos na esplanada. Com uma zona delimitada por um tapete vermelho e almofadas às riscas, rapidamente se percebe que tem uma identidade própria e algo familiar. A Terrazza Martini, que marcou a Avenida da Liberdade, ganha aqui uma nova casa e dá o nome a este espaço com lugar para 100 pessoas. “A esplanada é a extensão do restaurante, mas a vista pedia um conceito diferente e, por isso, desafiámos a Martini e fomos buscar um pouco da saudade da Terrazza Martini que existia na Avenida da Liberdade”, explica Narciso Custódio, director de marketing do grupo Visabeira, à Time Out.  DRA esplanada do Gare, assinada pela Martini Aqui é possível provar os cocktails com a assinatura Martini, como o Bianco Spritz (10€), com Martini Bianco e Mart