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Helena Galvão Soares

Helena Galvão Soares

Articles (14)

Há curiosas esculturas pelas fachadas e telhados de Alcântara

Há curiosas esculturas pelas fachadas e telhados de Alcântara

No início da Rua Maria Pia e no largo da Triste-Feia, há um mural e esculturas, e na Praça da Armada e Beco dos Contrabandistas, pelas fachadas e telhados vêem-se outras tantas personagens, de ar ora aventureiro, ora sonhador. O autor é Fulvietl, nome com que o arquitecto, ilustrador e escultor italiano Fulvio Capurso assina as suas obras. Fulvio é co-fundador do colectivo multidisciplinar BooksOnWall, sediado no Uruguai, que cria narrativas imersivas através da arte e da tecnologia em percursos urbanos, utilizando "realidade aumentada, que permite misturar digital e real". Helena Galvão Soares O BooksOnWall inclui tanto programadores (que desenvolveram uma app em software livre, para que o código possa ser usado por outros colectivos) como artistas e técnicos de várias áreas e fez a sua primeira experiência no Uruguai. Agora querem criar um novo conto num percurso urbano em Lisboa – as esculturas e mural de Fulvio são só o primeiro passo. No app que criaram há um mapa que geolocaliza os pontos onde estão as esculturas e os murais onde vemos as animações quando apontamos a câmara do telemóvel; entre os pontos, para não se perder o fio narrativo do conto, existe um áudio que a pessoa pode ouvir até encontrar outro objecto. "Neste momento a equipa no Uruguai está a melhorar a aplicação, para conseguir detectar a aproximação das pessoas a um determinado ponto e interagir com som, tipo: 'Pssst, olha aqui para cima!'", explica Fulvio. Helena Galvão Soares “Em Montevideu traba

Choveu – e  finalmente os cogumelos começaram a aparecer em Monsanto

Choveu – e finalmente os cogumelos começaram a aparecer em Monsanto

A espera foi recompensada: Monsanto está cheio de cogumelos. Sabia que já estão 157 espécies identificadas no Parque Florestal de Monsanto? Embrenhe-se pelos carreiros e vai ver as surpresas que o esperam. Siga as nossas dicas. Não domina os trilhos de Monsanto e tem medo de se perder naqueles 1000 hectares de floresta (sim, leu bem, mil)? Nada tema, para ver a maioria dos cogumelos da nossa fotogaleria, só precisa de ir até ao Parque do Calhau, nas traseiras do Palácio Marquês de Fronteira, e daí seguir para o pinhal junto ao Parque Recreativo da Serafina, ali mesmo ao lado. No Parque do Calhau, debaixo das copas de sobreiros e azinheiros, vai começar por encontrar os cogumelos que surgem a abrir caminho por entre o manto de folhas caídas. Vai ver um, outro, outro, e depois, à medida que souber onde procurar, dezenas deles.  Helena Galvão Soares || Parque do Calhau, já com muitos cogumelos sob as copas das árvores Agora que já tem o olhar treinado, está na hora de sair deste montado e entrar por qualquer dos carreiros (quanto mais estreito e menos usado melhor) na direcção do Parque Recreativo da Serafina. Aqui a variedade de vegetação é maior e a de espécies de cogumelos também. Mude de carreiro, perca-se à vontade; seja por que caminho for, vai dar à Estrada da Serafina. Mantenha-se atento à folhagem no chão e aos troncos de árvores caídos. Viu um bolinha vermelha? Não é um cogumelo, são medronhos. Vai ver muitos, há imensos aqui no Outono. Helena Galvão Soares Na Estr

Flix, um artista em Lisboa com um passaporte muito carimbado

Flix, um artista em Lisboa com um passaporte muito carimbado

Fomos falar com Flix, um discreto artista venezuelano que agora chama casa a Lisboa, e descobrimos um currículo surpreendente, que passa pela Fundação Cartier e a Bienal de Veneza. Em 2009, Flix ganhou o primeiro prémio do Salón de Jóvenes da FIA, na Venezuela, quando não passava de um outsider, um artista de rua. Seis anos mais tarde, em 2015, também como artista emergente, representou a Venezuela na Bienal de Veneza, e em 2018 foi convidado para uma grande exposição da Fundação Cartier dedicada à geometria na América Latina, a “Southern Geometries, from Mexico to Patagonia”. Mas só a pouco e pouco nos contou tudo isto. Em Lisboa, a história de Flix começou em 2017: “Fui convidado pela Câmara Municipal para participar no festival Muro. Era para fazer só uma intervenção de duas semanas, mas como  costumo trabalhar com a comunidade, acharam que era melhor fazer uma residência artística e então fiquei dois meses a trabalhar com o bairro das Salgadas, em Marvila. Daí saíram mais projectos e mais coisas, até que decidi ficar. Depois nasceu a minha filha, em Lisboa... Fiquei.”  Flix || Marvila, Bairro das Salgadas (2017) Ficou, e a trabalhar com as comunidades dos bairros lisboetas. “A ligação com a comunidade é uma das coisas mais importantes do meu trabalho. Porque não estás só a fazer uma coisa decorativa, estás a envolver a comunidade, o que faz com que eles sejam os co-criadores. Eles transformam a sua realidade e a maneira de sentir e olhar o seu espaço. Estando envolvidos

A Padaria Libanesa – a comida de rua de Beirute chegou a Lisboa

A Padaria Libanesa – a comida de rua de Beirute chegou a Lisboa

Em 2018, Jad e a família vieram pela primeira vez a Lisboa. “Gostámos do ambiente da cidade, as pessoas são simpáticas. E é uma cidade segura.” Gostaram tanto que voltaram no ano seguinte e em 2020 mudaram-se definitivamente para cá. Em Junho de 2021 abriam A Padaria Libanesa, um “negócio familiar” de que Jad é o jovem gestor. "Temos sempre as manouches mais tradicionais: a de za'atar e a de queijo", diz Jad. E o que vem a ser isso? As manouches são habitualmente apelidadas de "pizzas libanesas". Aqui a bola de massa de fermentação lenta é esticada à frente do cliente até se obter uma rodela de massa fina que é coberta com um recheio e vai brevemente ao forno, ali mesmo, na sala. O za'atar é uma popular mistura de tomilho, sementes de sésamo e azeite.  Mariana Valle Lima No menu fixo, às manouches de za'atar (5€) e queijo (mozzarela e manteiga, salpicada com sementes de sésamo, 6€), juntam-se a taouk (de peito de frango marinado, 7€), a lahme bajeen, de carne picada, cebola, pimentas, alho, tomate, malagueta e especiarias (7€), a de espinafres (6€) e a harra, a picante, com malagueta, tomate, cebola, pimentos, queijo e hortelã seca (6€). Se tiver vontade de provar tudo e estiver com amigos, uma belíssima notícia: fazem manouches com metade de um recheio e a outra metade de outro. Mariana Valle Lima Como entrada, ou como petisco a meio da tarde (ou ao pequeno-almoço, se quiser uma experiência libanesa a rigor), pode pedir pães e acompanhamentos. Nos pães encontra pitas sim

Campos de 3x3 voltam a Alcântara com as bandeiras náuticas de Flix

Campos de 3x3 voltam a Alcântara com as bandeiras náuticas de Flix

A Doca do Espanhol já tinha história como local de torneios de basquetebol 3x3 e a Administração do Porto de Lisboa queria "tornar esta zona e estes espaços cada vez mais interessantes e próximos das pessoas", diz em comunicado. Perfeito. Inaugurados ao fim de 10 dias em que correu muita tinta, os dois novos campos de basquetebol 3x3 terão lançamento oficial em breve num evento que juntará desporto, música e arte urbana. O artista urbano convidado foi Flix, com este trabalho que mantém as suas marcas distintivas: os padrões, o 3D, a geometria e "a surpresa brincalhão", como nos diz no seu português com toques venezuelanos. Foi esse lado brincalhão que o fez transformar as linhas de lance livre, de onde muitas vezes se salva um jogo, em bóias salva-vidas, que vêm juntar-se à linguagem de inspiração náutica de todo o campo. “A ideia nasceu de pensar que o campo está perto da doca, é um espaço com um entorno náutico", conta Flix. "Então pensei nas bandeiras náuticas, que estão associadas ao alfabeto, e quis fazer isto, aproveitar este alfabeto colorido e abstracto das bandeiras náuticas, para fazer a palavra Alcântara.” Flix mostra o desenho do projecto e avança para o campo a explicar: "Ali está a bandeira do A, vês? Ali a N". E não é que, de facto, conhecendo as bandeiras, tudo se torna claro como água? A-L-C-A-N-T-A-R-A! Helena Galvão Soares “Deformei algumas das bandeiras, para as fazer com uma estrutura em 3D...", continua a explicar, com um entusiasmo contagiante. "A pe

Exposição virtual “1000 Pássaros” ganhou asas a sério na Estufa Fria

Exposição virtual “1000 Pássaros” ganhou asas a sério na Estufa Fria

A Estufa Quente, a zona onde se encontram as plantas tropicais da Estufa Fria, foi o local escolhido para instalar dezenas de mobiles onde estão suspensos os orizurus, os passarinhos de papel que todos aprendemos a fazer quando éramos crianças e nem sabíamos que aquilo eram origamis. Neste local mais recolhido e envidraçado, a exposição ganha toda a expressão. Não só permite ouvir os sons e cantar de pássaros da instalação sonora, como a cada passo nos deparamos com mais um bando colorido: a pairar sobre os caminhos, nas entradas das grutas, à beira do tanque de peixinhos vermelhos, semi-escondidos debaixo de uma bananeira ou, de lá de cima, em vários bandos sobre o lago. É tudo muito bonito e muito zen, a imaginação das crianças, ver passarinhos a rodopiar placidamente suspensos em mobiles, mas o que queria agora era ver um pouco mais de acção? Também há. Pela porta junto ao lago central entram lufadas de ar do exterior, e aí sim, é vê-los em voos picados e danças acrobáticas. O projecto Mil Pássaros, Mil Lugares era parte do programa educativo da Lisboa – Capital Verde Europeia 2020 e tinha por objectivo chamar a atenção das crianças para as questões da sustentabilidade ambiental. Dirigido às escolas, este projecto da Companhia de Música Teatral teve de ser suspenso por causa da pandemia, existindo só em modo virtual. Agora pode vê-lo e ouvi-lo na exposição "1000 Pássaros", na Estufa Fria, até 30 de Outubro.   Recomendado: As tampas nos passeios da cidade ganharam cores – m

10 razões para os Anjos serem o bairro mais cool de 2021

10 razões para os Anjos serem o bairro mais cool de 2021

Aqui ainda mora gente. Este poderia ser um slogan dos Anjos, uma espécie de microcosmos multicultural da cidade onde se destaca o espírito de comunidade e a veia criativa de quem lá vive e trabalha. Do antigo se vai fazendo o novo, num território onde convivem os de sempre com os que aqui vão chegando com novos negócios, que brotam em cada esquina por estes dias. Em comum têm o amor ao bairro e dão as boas-vindas a quem chega, criando uma comunidade coesa, criativa e também saborosa. Quer saber porque é que os Anjos foram um dos grandes vencedores de 2021? Ora corra estas dez capelinhas. Recomendado: Anjos eleito o bairro mais cool de Lisboa

Há uma instalação artística à beira-rio que está a dar nas vistas

Há uma instalação artística à beira-rio que está a dar nas vistas

É fim do dia e vamos ao cais de Santos falar com Justin Amrhein, o artista plástico californiano que concebeu e está a executar a instalação 3D Blueprint AzulTejo network. Mas temos que esperar um bocadinho: uma senhora está a perguntar-lhe o que é que ele está a fazer. Justin conta-nos que, como nunca tinha feito uma obra em espaço público, não tinha previsto que tanta gente iria falar com ele, mas que fica feliz pelo interesse e aprovação que estes novos amigos lisboetas demonstram. Quem ali passa habitualmente já o cumprimenta com um “bom dia”; há ciclistas que levantam o polegar, sorriem e seguem caminho e até há pessoas que já vêm ali, sempre à beirinha do rio, para inspecionar as novidades, ver o que ele pintou na noite anterior. Justin tem pintado dia e noite, às vezes 20, 30 horas seguidas, e percebe-se porquê: o objectivo é tão ambicioso que quase parece infazível. A instalação abrange todos os objectos da doca, 90 no seu total, 26 dos quais cabeços em T, os maiores e de desenho mais complexo, que levam oito a dez horas cada até estarem prontos. Antes da fase de desenho, foram três dias a limpar, tirar a ferrugem e as partes que se soltavam, para depois aplicar a tinta de água para ferro e superfícies oxidadas, que irá retardar o reaparecimento da ferrugem e a degradação das peças. O desenho a branco sobre aquele azul intenso é marca distintiva do trabalho do artista e evoca os blueprints de desenho técnico. Justin conta que já em criança era um engenhocas, gostava d

As tampas nos passeios da cidade ganharam cores – muitas cores

As tampas nos passeios da cidade ganharam cores – muitas cores

Mélanie diz que "tem uma coisa com o chão". Desde 2016 anda a mostrar-nos no Instagram, em @lestrottoirs, o pavimento histórico das cidades que visita e as obras que os artistas urbanos lá criam. Em 2020 chegou a altura de ela própria criar um novo olhar sobre o chão da cidade funcional e de nos mostrar que os alçapões técnicos são um mundo que não é de todo desprovido de beleza. Ao pintar estas tampas, Mélanie chama a atenção de quem passa para aquilo que poucos viam: há desenho nas antigas tampas técnicas, há beleza no chão. Deparámos com algumas destas intervenções em Alfama e passámos à conversa por e-mail. Aparentemente vives em Paris, mas tens fotos de muitas outras cidades (Nova Iorque, Deli, Jaipur, Modena, Beirute...). Vais de férias, ou...? Eu vivo em Paris e foi aí que comecei a pintar tampas. Actualmente, viajo sempre com os meus marcadores e pinto tampas onde quer que vá (agora sobretudo em França, por causa da Covid, mas passei uma semana em Lisboa, em Julho). Sou jornalista freelancer e umas vezes viajo em trabalho, outras de férias, depende. No Instagram vemos que só começaste a colorir tampas em Setembro do ano passado. Como é que essa ideia apareceu? Depois de quatro anos a fotografar os meus pés em diferentes pavimentos e em obras de outros artistas, quis fazer eu própria alguma coisa, e esta ideia apareceu numa conversa com um artista venezuelano que vive em Lisboa (@flixrobotico) e tinha pintado umas tampas de esgoto em Paris para uma exposição. Eu no meu

Os segredos da calçada em Lisboa

Os segredos da calçada em Lisboa

Cuidado onde põe os pés! É que pode estar a pisar  uma flor, um barquinho, um relógio, uma estrela ou um trevo de quatro folhas. Chamam-se assinaturas a pequenos desenhos que não fazem parte do padrão oficial da calçada. São desenhos executados geralmente com grande rigor e numa escala mínima, e só existem por uma razão: o calceteiro decidiu fazê-los. São ilegais e anónimos, só os colegas de profissão sabem identificar quem os fez, seja pela técnica ou pelos temas. Como uma espécie de graffiti na pedra. Mostramos alguns destes segredos e avisamos: depois de ver o primeiro, vai começar a andar de olhos pregados no chão e a descobrir muitos mais. É viciante. Ora espreite a galeria aqui em cima.  Recomendado: Monumentos de Lisboa: estátuas de A a bronze

Lisboa, cidade lilás: por todo o lado jacarandás [fotogaleria]

Lisboa, cidade lilás: por todo o lado jacarandás [fotogaleria]

Propomos-lhe um passeio que é quase um jogo, para ir conhecer os jacarandás de Lisboa. É muito simples. Escolha um jacarandá e dirija-se a ele. Que copa linda, não é? Olhe em redor e procure outro, não vai ser difícil encontrar um. Vá até lá. O chão coberto de flores lilases. Pois. Olhe em volta à procura de outro. Ou olhe para as colinas da cidade e veja-os a espreitar por entre os telhados do casario e vá até lá. Pelo caminho há-de ver muitos mais. Vá saltitando de jacarandá em jacarandá. O jogo acaba quando os seus olhos estiverem saciados de lilás. Nós conseguimos ir do cruzamento da Barata Salgueiro com a Avenida da Liberdade até ao Palácio da Ajuda sempre a encontrá-los. E foi lá que começou a história dos jacarandás em Lisboa. Os jacarandás (Jacaranda mimosifolia) de Lisboa vieram do Brasil (o nome jacarandá tem origem no tupi-guarani), encomendados pelo botânico Félix de Avelar Brotero, o segundo director do Real Jardim Botânico da Ajuda, entre 1811 e 1828, no reinado de D. João V. A aclimatização das árvores foi muito bem sucedida e em breve começou a ser plantada nos jardins dos nobres e mais tarde por toda a cidade. Os jacarandás podem atingir 200 anos de vida. É por isso que pode ainda encontrar dois dos originais no Jardim Botânico da Ajuda. Diz-se que são os últimos a florir na cidade. É ir lá comprovar. Recomendado: A Fonte dos Anjinhos voltou ao Rossio e já dá de beber

Estação Fluvial Sul e Sueste abre em Abril, qual Fénix renascida [fotogaleria]

Estação Fluvial Sul e Sueste abre em Abril, qual Fénix renascida [fotogaleria]

Depois de um longuííííísimo período de dormência e degradação (décadas...), a Estação Fluvial Sul e Sueste vai voltar à vida, e em grande. A Câmara Municipal de Lisboa já anunciou que em Abril a irá reabrir, agora como espaço dedicado à actividade turística fluvial. As boas notícias são que este edifício classificado foi restaurado e está como nem nunca o vimos.  Aproveitámos a abertura de vedações da obra e fomos ver a estação: a luz, a luz, que entra pelo tecto, e pelas portas em vidro e metal, em arco redondo, de um lado ao outro, das fachadas da terra ao rio; o chão de mármore, com padrão e molduras; e, no exterior, aqueles gradeamentos, que se desenvolvem em sombras. Um pouco de história. Nasceu para fazer a ligação ferroviária de Lisboa ao Alentejo e ao Algarve. Daqui se partia para o Barreiro para, então, rumar de comboio para o Sul e Sueste do país – daí o nome. A estação fluvial projectada por Cottinelli Telmo foi inaugurada em 1932, rompendo com as opiniões de que o edifício deveria seguir as linhas da arquitectura pombalina circundante. Segundo o próprio, a melhor forma de prestar homenagem à arquitectura pombalina era precisamente não competir com ela, e foi isso que fez: um edifício modernista Art Déco.

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Campo de Jogos da Doca do Espanhol

Campo de Jogos da Doca do Espanhol

É dos desportos mais democráticos que existem: o investimento em bolas e raquete é tão baixo que o torna acessível a qualquer um. Faltam é mesas. Foi a pensar nisto que a Federação Portuguesa de Ténis de Mesa avançou com um projecto para o Orçamento Participativo de Lisboa de 2011, ano em que a cidade foi Capital Europeia do Desporto. A proposta foi aprovada, com um orçamento de 150.000 euros, para instalar mesas em espaços públicos de toda a Lisboa: zonas Norte, Ocidental, Oriental, Centro e Centro Histórico. O prazo de execução é de 24 meses e todo o processo será desenvolvido em articulação com as Juntas de Freguesia, razão pela qual a Federação Portuguesa de Ténis de Mesa não pode ainda adiantar o número e localização das futuras mesas. No entanto, a primeira já está instalada na Doca do Espanhol e o visual não engana: tal como o campo de basket, a mesa foi também alvo da intervenção do artista venezuelano flixrobotico, que partiu do alfabeto das bandeiras náuticas para desenhar aqui a palavra Alcântara.

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Mural de homenagem a Simone de Oliveira na Galeria dos Inesquecíveis

Mural de homenagem a Simone de Oliveira na Galeria dos Inesquecíveis

“A senhora tá fumando cigarro”, diz o rapaz ao amigo, espantado, enquanto passam de bicicleta pelo mural quase concluído na Avenida de Roma, na empena de prédio que faz esquina com a António Patrício, perto do cruzamento com a Estados Unidos da América. A senhora é Simone de Oliveira, o primeiro nome imortalizado na nova Galeria dos Inesquecíveis da Junta de Freguesia de Alvalade. É justificado o espanto. Há décadas que as imagens de cigarros deixaram de aparecer no espaço público (e por boas razões). Mas é também justificado que o cigarro acompanhe Simone de Oliveira, a homenageada pelo mural. O mesmo aconteceu no cartaz de “Simone de Oliveira, sim, sou eu”, o espectáculo em que se despediu dos seus 65 anos de carreira no Coliseu dos Recreios, no passado 29 de Março. Simone não é de pedir licença a ninguém para fazer o que quer. É a mulher que cantou com todas as sílabas “Quem faz um filho fá-lo por gosto” no Festival da Canção de... 1969. Mariana Valle Lima No mural, com palavras soltas, ensaiam-se tentativas de descrever a personalidade complexa e desassombrada desta cantora e actriz acarinhada pelos portugueses: “Guerreira”, “Íntegra”, “Amante”, "Amiga", “Lenda”, ao lado de “Desfolhada” e “Sol de Inverno”, dois dos seus grandes e inesquecíveis êxitos, e de “C/ 2 Pedras de Gelo”, “1 Cigarrinho” e “Boémia”, claro. Há lugar também para a vida pessoal e familiar, com “Varela Silva” (o actor, seu marido e companheiro de 23 anos) “Família”, “Mãe” e “Avó”, juntamente com "@MAN

Campeonato Mundial de Improviso disputa-se no Coliseu dos Recreios

Campeonato Mundial de Improviso disputa-se no Coliseu dos Recreios

Na sua estreia absoluta em Portugal, de sexta a sábado no Coliseu dos Recreios, o Campeonato Mundial de Improviso conta com improvisadores de peso de seis países: Espanha, Itália, Colômbia, México, Brasil e, claro, o país anfitrião, Portugal, que vai ser representado por dois improvisadores do colectivo Instantâneos. Entre os nomes mais conhecidos do público português estarão os dois representantes do Brasil, Daniel Nascimento (Barbixas) e Rafael Pimenta (Porta dos Fundos). Como é habitual em espectáculos de teatro de improviso, é da plateia que vêm as palavras que servem de mote a cada cena de improviso, e é isso que torna cada espectáculo completamente único e irrepetível. Cada cena, de cinco minutos, põe em palco um par de países, representados por dois improvisadores cada, até que todas as equipas tenham defrontado todas as equipas e sido avaliadas pelo público e dois jurados. A pontuação obtida passa para a noite seguinte, em que se disputa a eleição do Campeão do Mundo 2022 entre as duas equipas finalistas. Mas não se pense que há quem chegue à noite da final já derrotado ou quase eleito. Neste campeonato teatral em que tudo é fora da caixa, as equipas podem ainda jogar trunfos, como por exemplo o que lhes permite trocar de pontuação com os adversários, e assim ficar em vantagem, caso o público lhes dê a vitória nessa ronda. E há ainda uma banda de música a acompanhar todo o espectáculo e um árbitro de apito em riste a fazer cumprir os tempos, penalizar anti-jogo e piad

Chegou a Primavera à banda desenhada do Parque Silva Porto

Chegou a Primavera à banda desenhada do Parque Silva Porto

Os Story Tellers, pequenas esculturas criadas por Fulvio Capurso, continuam a sua missão no Parque Silva Porto, em Benfica: convidar quem passa a descobrir livros e autores de banda desenhada. Para esta terceira edição, evocando a Primavera, a escolha recaiu sobre jovens autores em ascensão: Gonçalo Duarte, Alexandra Saldanha, a dupla de Azoresploitation, Francisco Afonso Lopes e Francisco Lacerda, Rodolfo Mariano, Dois Vês, Tiago da Bernarda e Mariana Pita. Para saber mais sobre eles, tudo o que tem de fazer é procurar as oito personagens de Fulvio Capurso pelo parque, seguindo o mapa afixado logo à entrada. Junto a cada uma encontra-se um QR code que dá acesso a pequenas biografias e PDFs de pranchas de cada autor.  Ficou cheio de curiosidade e agora quer ler o álbum inteirinho? Fácil de resolver: todas as obras deste percurso estão na Bedeteca e podem ser lá requisitadas para leitura. Estas e as das edições anteriores. DR A inauguração deste projecto, que é uma iniciativa da Junta de Freguesia de Benfica, em parceria com a Galeria de Arte Urbana e a Bedeteca de Lisboa, deu-se em Agosto de 2021, com oito autores representando as diferentes épocas da BD em Portugal, desde Raphael Bordalo Pinheiro (1846-1905) até Nuno Saraiva, passando por Carlos Botelho (1899-1982), Sérgio Luís (1921-43), Eduardo Teixeira Coelho (1919-2005), José Ruy, Isabel Lobinho (1947-2021) e Fernando Relvas (1954-2017). No Inverno o tema foi "Lisboa na BD", com trabalhos de Fernando Relvas (de novo,

Fomos à procura dos Story Tellers do italiano Fulvio Capurso em Benfica

Fomos à procura dos Story Tellers do italiano Fulvio Capurso em Benfica

Miaaaauu! Um grande gato cinzento listado, elegante e lustroso, está à entrada do Parque Silva Porto, em Benfica. E vai reaparecer, miaaau aqui, miaaau ali, por entre os arbustos, numa curva, por trás de uma árvore, a fitar-nos enquanto andamos à descoberta dos Story Tellers, personagens que Fulvio Capurso criou e foi semeando pelo parque. Fará o bichano parte da história? É difícil pensar que não, até porque a primeira personagem que encontramos é precisamente uma menina a ler um livro – com um gato ao lado. São oito as figuras espalhadas pelo parque, que encontramos com a ajuda de um mapa que fotografámos à entrada. É uma ajuda essencial, mas não corta o prazer da descoberta: as pequenas esculturas em metal oxidado, no seu castanho salpicado de tonalidades, estão bem camufladas no meio dos troncos e folhagem das árvores. Outras vezes damos com elas em locais mais insuspeitos: no topo de um poste, numa vedação, num telhado, num muro. Na história que estas figuras nos contam, há crianças hipnotizadas pela leitura e outras que parecem já se ter tornado na personagem principal da narrativa: um menino empoleirado numa cerca empunha um monóculo para ver o que se passa no horizonte; outro num muro chama os amigos para entrarem por uma janela; outros três discutem o que se passa no livro (ou será um mapa do tesouro?). Esta intervenção é uma iniciativa da Junta de Freguesia de Benfica, em parceria com a Galeria de Arte Urbana e a Bedeteca de Lisboa, que é a responsável pelo outro la

‘Ecos da Cidade dos Mortos’, um filme para descobrir a Lisboa romana

‘Ecos da Cidade dos Mortos’, um filme para descobrir a Lisboa romana

É o novo grande documentário sobre a cidade romana de Olisipo, nos moldes a que o projecto Lisboa Romana, da CML, e a Era Arqueologia nos têm vindo a habituar, contando sempre com a realização de Raul Losada e as recriações arqueológicas virtuais de César Figueiredo. Em 55 minutos vamos poder ver imagens de arquivo da RTP, escavações recentes comentadas por arqueólogos, processo de restauro e análise dos achados, a par de uma inédita recriação arqueológica virtual de Olisipo e da sua necrópole e de recriações com figurantes. “Durante quatro anos acompanhei as várias equipas de arqueólogos que investigam a área da necrópole e foram registados os momentos de restauro de objectos extraordinários”, explica o realizador, Raul Losada. Entre esses objectos, que acompanhavam os mortos, destaca um “um raro compasso de uma mulher que se dedicava à ourivesaria ou o estojo de um médico romano que o acompanhou na última viagem”. “O documentário aborda mais de um século de descobertas arqueológicas na grande necrópole de Olisipo. Desde o primeiro achado preservado por José Valentim de Freitas em meados de 1850, às descobertas realizadas pelas obras do metro em 1960 ou durante a construção do parque de estacionamento da Praça da Figueira, em 1999. Uma profunda pesquisa permitiu resgatar dos arquivos da RTP imagens inéditas da escavação de 1960 durante a construção do metro do Rossio”, descreve o realizador. DR || Conservação e restauro – a caixa do médico A grande extensão da necrópole de

Há Matemática no Campo Grande, faltam é as explicações

Há Matemática no Campo Grande, faltam é as explicações

A esfera de espirais, o lago das pontes, a casinha com chão de xadrez, os jogos de tabuleiro e as 84 placas ao longo do caminho lateral oeste do Campo Grande têm um denominador comum. Na última remodelação do Campo Grande, concluída em 2018, estes elementos foram colocados no jardim, em resultado de uma parceria da Câmara Municipal de Lisboa (CML) com a Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM). Como, no entanto, nada os assinala ou explica, a maioria dos lisboetas continua sem saber nem que existem, nem o que significam.   "A ausência de informação no local é um problema sério, para o qual alertámos desde o início, mas que nunca foi atendido. Havia tabelas explicativas para tudo, só que não foram colocadas", elucida Pedro Freitas, membro da SPM e da equipa que pensou o projecto. Ricardo Lopes "As primeiras reuniões começaram em 2011", relembra. "Tudo começou com uma ideia da CML de renovar globalmente este jardim. Uma das pessoas envolvidas era o vereador Sá Fernandes, dos Espaços Verdes. O então presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática, o Professor Nuno Crato, soube desta renovação e propôs pôr também aqui alguns elementos de Matemática.""Fizemos várias propostas de elementos – tínhamos também outros com sólidos geométricos, por exemplo – e depois conversámos e chegámos à conclusão que estes cinco eram adequados." Indo de Norte para Sul, encontramos quatro bancos com jogos de estratégia, o primeiro dos cinco elementos de matemática do jardim. "O pensamento dos jogo

Já se pode ir bater umas bolinhas à Doca do Espanhol, em Alcântara

Já se pode ir bater umas bolinhas à Doca do Espanhol, em Alcântara

É dos desportos mais democráticos que existem: o investimento em bolas e raquete é tão baixo que o torna acessível a qualquer um. Faltam é mesas. Foi a pensar nisto que a Federação Portuguesa de Ténis de Mesa avançou com um projecto para o Orçamento Participativo de Lisboa de 2011, ano em que a cidade foi Capital Europeia do Desporto.A proposta foi aprovada, com um orçamento de 150.000 euros, para instalar mesas em espaços públicos de toda a Lisboa: zonas Norte, Ocidental, Oriental, Centro e Centro Histórico. O prazo de execução é de 24 meses e todo o processo será desenvolvido em articulação com as Juntas de Freguesia, razão pela qual a Federação Portuguesa de Ténis de Mesa não pode ainda adiantar o número e localização das futuras mesas. Helena Galvão Soares No entanto, a primeira já está instalada na Doca do Espanhol e o visual não engana: tal como o campo de basket, a mesa foi também alvo da intervenção do artista venezuelano flixrobotico, que partiu do alfabeto das bandeiras náuticas para desenhar aqui a palavra Alcântara. + Paulo Morais é o primeiro embaixador português da gastronomia japonesa + Leia já, grátis, a edição digital da Time Out Portugal desta semana

O Rossio na Betesga: uma cãopanha alegre

O Rossio na Betesga: uma cãopanha alegre

O ar patusco do cãozinho salsicha faz sorrir quem vê a placa. Sem dizer nada explicitamente, a mensagem passa. A estratégia de comunicação conquista a simpatia do dono, não o agride. Boa ideia. Quem a terá concebido? E quando? Quem terá desenhado as placas? E quantas foram feitas? Em que zonas de Lisboa foram colocadas? Infelizmente, a Câmara Municipal de Lisboa só adianta que “são da década de 80, mandatos do Eng. Krus Abecasis”. Ah, mas isso já sabíamos. Paulo Ferrero, do Fórum Cidadania LX, até foi mais específico quando confrontado com a nossa curiosidade crónica: “Essa campanha é do segundo mandato do Eng. Abecasis. Está ainda na Avenida de Roma e Praça de Londres. 1981-85.” E sim, foi na Avenida de Roma que nos cruzámos com nove placas seguidas, sempre junto às sarjetas (como o desenho indica), entre o cruzamento com a João XXI e o cruzamento do Frutalmeidas. Depois outra, frente à pastelaria Luanda, no cruzamento com a Estados Unidos da América. Terá sido uma campanha especificamente criada para a principal – e chique – artéria comercial desta zona da cidade? Vamos bater os arredores. No bairro dos poetas encontramos uma. Falamos com Isabel Colher, ceramista, residente na Rua Afonso Lopes Vieira: “Sim, sim, havia muitas e ainda há bastantes aqui no bairro. São placas de cerâmica vidrada e pintada, muito provavelmente com técnica de estampilha. Têm todo o ar de terem sido pintadas à mão” (quem sabe, sabe – é ceramista, nós avisámos). Mais à frente, na Rua João Lúcio, es

Vá contar periquitos-de-colar nos jardins da cidade

Vá contar periquitos-de-colar nos jardins da cidade

Quem conheça o mínimo de observação de aves, conhece a primeiríssima regra a respeitar: o silêncio é de ouro. Para conseguir ver aves, sem as assustar, é necessário ficar imóvel e em silêncio. Mas para ajudar a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) a contar periquitos-de-colar (Psittacula krameri) nem esta regra é preciso cumprir. Estas são as aves mais ruidosas de Lisboa (e com esta dica, apostamos que até já sabe quais são). Também o aspecto não engana: são verdes e de cauda pontiaguda e deslocam-se pela cidade em grandes bandos. A SPEA faz censos regulares a várias espécies de aves da cidade e para isso pede ajuda a quem cá vive: os lisboetas. Um dos mais recentes desafios lançados era detectar ninhos de gaivotas – bem mais difícil do que o que agora propõem (ora diga lá que não tem a vida facilitada). E como pode participar? O site da SPEA explica tudo: até ao fim de Novembro, por volta das 16.30, dirija-se a um jardim ou parque da cidade e siga de ouvido aquela inconfundível algazarra que estes periquitos fazem, até descobrir em que árvores estão instalados, tentando perceber se estão a alimentar-se ou a descansar. Faça uma estimativa do número de aves que está a ver e, de seguida, preencha o formulário "Registe as suas observações". Simples. Com este gesto vai contribuir para a monitorização destas aves exóticas, oriundas de África e da Ásia, que desde os anos 80 existem em Lisboa, provavelmente fugidas de cativeiro, e têm aumentado substancialmente de núm

O Rossio na Betesga: um menino a brincar com um cão na fachada da Conceição Velha

O Rossio na Betesga: um menino a brincar com um cão na fachada da Conceição Velha

No local onde hoje se encontra a Igreja de Nossa Senhora da Conceição Velha, na Rua da Alfândega, foi construída no início do século XVI a primeira sede da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, que aqui se instalou em 1534. É por isso que, a encimar o portal manuelino, encontramos a Virgem da Misericórdia, com o seu manto protector aberto, sob o qual se encontram várias figuras ajoelhadas – à sua direita figuras do clero (papa Leão X incluído), à esquerda da nobreza (D. Manuel e a sua irmã D. Leonor, fundadora das Misericórdias, são duas das figuras). A ladear este pórtico estão dois enormes janelões manuelinos, e no remate das suas colunas encontramos motivos decorativos semelhantes aos presentes na fachada: uma carantonha grotesca, motivos vegetalistas, um par de dragões... Mas também algo que nada tem a ver com o resto: um desconcertante alto relevo de um rapazinho a correr com um cão. Note-se que este menino não é um anjo, como os que aparecem nas laterais do portal: não tem asas e veste uma casaqueta. E o cão não é confundível com os restantes animais fantásticos. É mesmo um cão, e sorri, tal como o rapazinho. Desprende-se das duas figuras uma leveza e alegria que contrasta com o peso e solenidade de todas as restantes. A interrogação é legítima: porque temos uma imagem tão dissonante nesta fachada manuelina? Junto dos historiadores da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa não encontrámos resposta, o que é compreensível: é uma figura pequena, e irrelevante, não é de supor

O Rossio na Betesga: um segredo escondido à vista de todos

O Rossio na Betesga: um segredo escondido à vista de todos

Ninguém consegue passar indiferente pelo belíssimo edifício da Auto-Palace, ali já perto do Rato, na Rua Alexandre Herculano. Esta garage é um dos raros exemplares lisboetas da arquitectura do ferro e do vidro, como se nota pela elegante fachada com três arcos que permitem olhar para o interior. Por cima, um frontão de azulejos Arte Nova onde se destaca o nome: Auto-Palace. No edifício original, dos projectistas Vieillard e Touzet, o interior da garage desenvolvia-se a toda a largura do bloco central da fachada, numa nave única com uns incríveis 17 metros de altura, sustentada por elegantes vigamentos de ferro laminado sobre os quais assentam a cobertura e uma generosa clarabóia a todo o comprimento do espaço. Não é exagero chamar-lhe palácio – e os vitrais lá estão, um em cada extremo do edifício, a celebrar, pela arte, “o mais rápido, confortável e mais elegante dos veículos que o homem tem inventado até ao presente”, como diz o jornal O Século, a 5 de Julho de 1907, por altura da inauguração. Praticamente invisíveis da rua, é no interior que os vitrais se revelam, atravessados pela luz do dia. Aqui podemos observar, a menos de um palmo, aquilo que faz o esplendor de um vitral: a luminosidade, a translucidez, a opacidade, o texturado do vidro; neste caso, tudo isso e o azul e o amarelo-ouro vibrantes usados para colorir as viaturas e destacá-las da paisagem de fundo. ©Gabriell Vieira Está a ver o azulão da frente do automóvel do vitral da foto? Pois o outro vitral tem um

Eucalipto de flor vermelha – uma árvore rara para ver à beira-Tejo

Eucalipto de flor vermelha – uma árvore rara para ver à beira-Tejo

“Espécie considerada rara em Portugal sendo a sua proteção legal essencial à conservação de uma espécie da qual só existem cerca de 100 exemplares em Portugal”, “árvore de rara beleza na época da floração e de elevado valor botânico e paisagístico, contribuindo para o valor cénico do espaço”, diz o Diário da República que classifica como arvoredo de interesse público o eucalipto de flor vermelha (Corymbia ficifolia) do Parque Bensaúde, em Benfica. Este, que podemos ver perto da Cervejaria Portugália do Cais do Sodré, à beira-rio, não está classificado e portanto corre o risco de um dia poder ser abatido por alguém que desconheça a sua raridade e beleza. Esclareça-se que este não é o caso do bar/restaurante Lust in Rio, onde a árvore se encontra. Quando o  Meninos do Rio original foi criado, o proprietário encheu a esplanada das árvores que ainda lá se encontram, e é de realçar que a vedação foi construída de forma a dar espaço ao eucalipto. Mas a verdade é que, sem classificação, esta Corymbia ficifolia fica dependente da sensibilidade de um futuro proprietário. Helena Galvão Soares O eucalipto de flor vermelha (Corymbia ficifolia ou Eucalyptus ficifolia) deve o seu nome às espectaculares flores vermelhas-alaranjadas de centro verde-vivo que nascem em cachos também bastante exuberantes (as bolinhas vermelhas e brancas da foto). É nativo da Austrália e pode atingir 15 metros de altura e 8 de diâmetro de copa.  Em Lisboa, pode ver mais duas Corymbia ficifolia: uma, classifica