Get us in your inbox

João Pedro Oliveira

João Pedro Oliveira

João Pedro Oliveira is Time Out's former Lisbon Atelier Director.

Articles (77)

Mísia: “Hoje já sei que pertenço à família dos que não pertencem”

Mísia: “Hoje já sei que pertenço à família dos que não pertencem”

Diz que decidiu escrever a partir da cicatriz. Não para esconder feridas, que não hesita em falar delas. Apenas para não atropelar outros de caminho e chegar a um lugar mais sereno para si. A vida pessoal e artística, as aventuras e os amores, o fado, os poetas, as dores, o desencontro com o país que escolheu mas onde sente que nunca foi escolhida, a doença que fez da morte um tema obsessivo em vida – tudo isso será tema do livro autobiográfico a editar no início de Junho e onde cada capítulo está indexado a uma música deste disco. Chama-se Animal Sentimental, assinala 30 anos de carreira de Mísia e soa a balanço dos 66 anos de vida de Susana Maria Alfonso de Aguiar. Os arranjos e a direcção musical são de Ricardo Dias, a produção é do alemão Wolf-Dieter Karwatky, engenheiro de som com seis Grammys no currículo, e a capa é um retrato assinado pela pintora francesa Anne-Sophie Tschiegg. Nesta entrevista, limitamo-nos a seguir o alinhamento, canção por canção, para tentar decifrar o projecto maior, feito de várias peças, incluindo um espectáculo único com cenografia de Tiago Torres da Silva, esta sexta-feira, 27 de Maio, no Museu do Oriente. O resto é conversa que vai acontecendo. 1. Vou Pedir-te Um Coração Letra: Tiago Torres da Silva / Música: Fado Perseguição Podia ser dedicada ao público. Há certas coisas que não são tão evidentes quanto parecem à partida, não é? Vou pedir-te um coração, vou pedir-te que sejas sensível, vou pedir-te que sintas. Todo este projecto está à vo

Os melhores concertos no Porto este mês

Os melhores concertos no Porto este mês

E pronto, a gente dá-se conta e já é Maio de novo, o ano vai quase a meio e seguimos Primavera adentro. Mas o tempo é de algum alívio. Maio são 31 dias que crescem e vai ser o primeiro mês de agenda inteiramente livre de restrições e máscaras ao fim de dois anos e tanto (desta lista fazem ainda parte espectáculos aguardados há já algum tempo, vários deles adiados por mais do que uma vez). Já merecíamos. Eis uma selecção do melhor da música popular que há para ver e ouvir este mês nas principais salas da cidade do Porto.  Recomendado: As melhores lojas para comprar discos de vinil no Porto

Cachorro sem Dono. “Isto não é só um disco, é um trailer de um filme por fazer”

Cachorro sem Dono. “Isto não é só um disco, é um trailer de um filme por fazer”

Eles divertem-se. Isso fica mais ou menos claro no videoclipe do single de estreia e torna-se descaradamente evidente nesta conversa. Tiago Norte, o DJ e produtor que assina como Stereossauro, e João Cabrita, o músico que com o tempo dispensou o nome próprio, reuniram-se para formar Cachorro sem Dono, projecto nascido na casota do confinamento e que agora se mete à estrada para vadiar sem trela. Cachorro Sem Dono apresenta-se como um projecto narrativo. Dito de outra forma, é música instrumental com um enredo, em que cada tema é uma espécie de banda sonora para um episódio diferente. No centro desta trama estão Roy Vides e Niniko Salvaca, dois detectives privados que aceitam casos bizarros para irem mantendo a conta do bar. São personagens com um passado pouco claro e a informação sobre os dois não abunda. Sabemos que têm pouca sorte, que sofrem ambos de défice de atenção, que partilham uma estranha fixação por pássaros. E pouco mais. Descanse quem já ache tudo isto demasiado elaborado. Cachorro sem Dono é um projecto em construção, cheio de vontade de ser muita coisa sem que nada esteja fechado à partida, aberto ao improviso e a alguma palhaçada. Mas no princípio de tudo está o encontro feliz entre dois criadores: Stereossauro, o DJ que selou a amizade entre o fado e o hip-hop no notável Bairro da Ponte (2019), e mais recentemente se aproximou à pop com Desghosts & Arrayolos (2021); e Cabrita, o saxofonista que ao longo de trinta anos deixou a sua assinatura em dezenas de pr

Mário Barreiros: “Sou um bocado perfeccionista, o que é um bocado estúpido”

Mário Barreiros: “Sou um bocado perfeccionista, o que é um bocado estúpido”

Não haverá muitos nomes assim, que tanta gente tenha inscrito nas prateleiras lá de casa e não saiba bem quem é. Não é dizer de Mário Barreiros que é um desconhecido, longe disso. Simplesmente não é tão popular quanto o seu trabalho. É sobretudo um músico famoso entre os músicos portugueses e lendário entre quem presta atenção aos detalhes da música portuguesa. O nome está gravado em mais de 300 discos, em muitos deles creditado como produtor e engenheiro de som, e entre esses estão alguns dos maiores marcos da pop-rock portuguesa das últimas décadas, de Mingos & Os Samurais, de Rui Veloso, a Viagens, de Pedro Abrunhosa, de Silence Becomes It, dos Silence 4, a O Monstro Precisa de Amigos, dos Ornatos Violeta. Mas Mário é bem mais que isso. É um instrumentista dotado, um compositor inspirado, é fundador dos Jafumega, é membro de The Gift e um apaixonado por boa música pop. E é, sobretudo, um grande músico de jazz, a sua escola maior, aonde regressa agora com um disco em nome próprio, o primeiro em 15 anos. Chama-se Dois Quartetos Sobre o Mar e reúne duas formações montadas ao redor da sua bateria. O Quarteto Pacífico, com Carlos Barretto (contrabaixo), Abe Rábade (piano) e Ricardo Toscano (sax alto); e o Abissal, com Demian Cabaud (contrabaixo), Miguel Meirinhos (piano) e José Pedro Coelho (sax tenor). O ponto de partida e inspiração para esta criação colectiva foi um documentário sobre o futuro ameaçado dos oceanos. Daí, explica o próprio Barreiros, “foi nascendo este trabalh

Mário Barreiros: “Sou um bocado perfeccionista, o que é um bocado estúpido”

Mário Barreiros: “Sou um bocado perfeccionista, o que é um bocado estúpido”

Não haverá muitos nomes assim, que tanta gente tenha inscrito nas prateleiras lá de casa e não saiba bem quem é. Não é dizer de Mário Barreiros que é um desconhecido, longe disso. Simplesmente não é tão popular quanto o seu trabalho. É sobretudo um músico famoso entre os músicos portugueses e lendário entre quem presta atenção aos detalhes da música portuguesa. O nome está gravado em mais de 300 discos, em muitos deles creditado como produtor e engenheiro de som, e entre esses estão alguns dos maiores marcos da pop-rock portuguesa das últimas décadas, de Mingos & Os Samurais, de Rui Veloso, a Viagens, de Pedro Abrunhosa, de Silence Becomes It, dos Silence 4, a O Monstro Precisa de Amigos, dos Ornatos Violeta. Mas Mário é bem mais que isso. É um instrumentista dotado, um compositor inspirado, é fundador dos Jafumega, é membro de The Gift e um apaixonado por boa música pop. E é, sobretudo, um grande músico de jazz, a sua escola maior, aonde regressa agora com um disco em nome próprio, o primeiro em 15 anos. Chama-se Dois Quartetos Sobre o Mar e reúne duas formações montadas ao redor da sua bateria. O Quarteto Pacífico, com Carlos Barretto (contrabaixo), Abe Rábade (piano) e Ricardo Toscano (sax alto); e o Abissal, com Demian Cabaud (contrabaixo), Miguel Meirinhos (piano) e José Pedro Coelho (sax tenor). O ponto de partida e inspiração para esta criação colectiva foi um documentário sobre o futuro ameaçado dos oceanos. Daí, explica o próprio Barreiros, “foi nascendo este trabalh

Sérgio Godinho: “A liberdade tem de ser preenchida com conteúdo”

Sérgio Godinho: “A liberdade tem de ser preenchida com conteúdo”

O taxista mirou-o pelo retrovisor. “Sabe, há uma canção sua em que penso muito. Aquela de estar à espera do comboio na paragem do autocarro. Senti-me muitas vezes assim na vida.” Sérgio Godinho conta o episódio, sensibilizado. É a primeira coisa que faz, mal se abeira de nós, junto ao Museu do Aljube, vindo do lado de lá da rua, onde o táxi o apeou. Diz-se feliz por ser abordado assim, por haver quem lhe diga coisas simpáticas sobre ele e as suas canções, e a partir daí vai encadeando conversa, primeiro aqui fora, depois lá dentro, na casa que guarda a memória da Resistência e da Liberdade. A própria entrevista começa já em andamento, recordando uma outra, pesando o tempo que passou, mesmo se Godinho, no desassossego dos 75 anos, continue mais interessado em tirar as medidas ao tempo que aí vem. O pretexto é o espectáculo marcado para 23 de Março, véspera da data em que a democracia vai celebrar tantos dias de vida quantos a ditadura levou para morrer. Mas a conversa segue felizmente à deriva, umas coisas a propósito de outras, todas elas ancoradas em canções. E toda a gente sabe que haverá poucas situações da vida que não encontrem ressonância numa canção de Godinho. Mesmo que seja um taxista à espera do comboio na paragem do autocarro. A última vez que falámos foi sobre o disco Nação Valente [2018]...Foi ali em baixo, junto ao rio... Exacto.Tenho boa memória. Já passou algum tempo.Já não sei o que é o tempo. O tempo é tão subjectivo

As melhores músicas de séries de sempre. Parte 2: os instrumentais

As melhores músicas de séries de sempre. Parte 2: os instrumentais

A maior parte do que aqui se escuta é história antiga. E isso acontece por duas razões. Primeiro, porque estas coisas demoram o seu tempo a assentar na memória e a tornar-se património comum; segundo, porque isto é um desporto de nostalgia a que só com a idade se começa realmente a achar graça. Esta é a segunda parte de uma lista maior dedicada às melhores músicas de genéricos de série de sempre: a primeira parte foi dedicada às canções, aqui temos os instrumentais. Por “melhores”, deve entender-se as que ficaram gravadas mais fundo no imaginário colectivo. Isso significa, desde logo, que apenas estamos a falar de produção anglo-saxónica, desde sempre dominante no espaço televisivo. E, também, que nada disto é ciência certa e que é tudo feito a partir de um exercício relativo de saudosismo que, por definição, varia consoante quem o faz. O mesmo é dizer: façam o favor de discordar, fazer acrescentos, correcções e, inevitavelmente, concluir que “estes gajos não percebem nada disto”. Até porque esta é uma das poucas discussões que, em vez de acabar aos gritos, tende a pôr toda a gente a cantarolar melodias com na-na-na-na-nãs. Recomendado: As melhores músicas de séries de sempre. Parte 1: as canções

Concertos em Lisboa em Abril

Concertos em Lisboa em Abril

E pronto, a gente dá-se conta e é Abril de novo, um quarto do ano já lá vai e seguimos Primavera adentro. Abril cheira a liberdade e a dias que crescem, e desta lista bastante bem composta fazem ainda parte espectáculos aguardados há já algum tempo, vários deles adiados por mais do que uma vez, por força de confinamentos e restrições. Mas parece que desta é que vai ser e pode até acontecer que já seja possível celebrar a música e cantar em coro sem um pano nas ventas a atrapalhar. Eis o melhor da música popular que há para ver e ouvir este mês nas principais salas da cidade. Recomendado: Os melhores concertos em Lisboa na agenda para 2022

Vinte escapadinhas por Portugal

Vinte escapadinhas por Portugal

Depois de dois anos de circunscrições e limitações e hesitações, pegámos no calendário de 2022, assinalámos os fins-de-semana grandes que aí vêm e começámos a fazer planos para os aproveitar ao máximo noutras paragens, do Minho à Madeira, em alojamentos bem bonitos e confortáveis. São os caminhos mais rápidos para o chamado slow living, esse conceito sedutor mas fugidio. Depois destas escapadinhas, voltaremos certamente muito mais felizes e disponíveis às nossas cidades de sempre, à felicidade desse casamento, queiram elas perdoar-nos a infidelidade. Recomendado: Destinos a menos de uma hora do Porto

Vinte escapadinhas por Portugal

Vinte escapadinhas por Portugal

Depois de dois anos de circunscrições e limitações e hesitações, pegámos no calendário de 2022, assinalámos os fins-de-semana grandes que aí vêm e começámos a fazer planos para os aproveitar ao máximo noutras paragens, do Minho à Madeira, em alojamentos bem bonitos e confortáveis. São os caminhos mais rápidos para o chamado slow living, esse conceito sedutor mas fugidio. Depois destas escapadinhas, voltaremos certamente muito mais felizes e disponíveis às nossas cidades de sempre, à felicidade desse casamento, queiram elas perdoar-nos a infidelidade. Recomendado: Os novos turismos que valem a viagem  

Os maiores êxitos musicais saídos dos Óscares

Os maiores êxitos musicais saídos dos Óscares

As grandes canções do cinema sempre ecoaram muito para lá dos créditos finais. A lista de composições para filmes que ganharam vida própria é infindável, mas aqui procuramos as que alcançaram maior popularidade e o critério é só um: vamos à procura das canções que acumularam a distinção máxima da Academia com a liderança dos tops de vendas. Para referência, usamos a Billboard Hot 100, a mais importante tabela dos Estados Unidos e, sempre que possível, vamos espreitando também como cada canção se comportou no top português. Significa isto que estamos a olhar apenas para os últimos 60 anos, o tempo de vida da Billboard Hot 100, e não para todas as distinções de Melhor Canção Original, que a Academia de Hollywood criou em 1938. Comparando a lista de canções que venceram o Óscar com aquela que alcançou o n.º1 do top, percebemos que a música para cinema já conheceu dias mais populares. Se na década de 80 as duas listas praticamente se confundiam, nos anos seguintes tornou-se cada vez mais raro encontrar uma canção que somasse Óscar e top. Eis os 17 casos em que isso aconteceu. Recomendado: Óscares 2022

Concertos em Lisboa em Março

Concertos em Lisboa em Março

Os dias ficam maiores, chega a Primavera, muda a hora. Em Março parece que a nossa vida começa a crescer e o cartaz de concertos dá sinais disso mesmo. Este ano prometeu ser finalmente de regresso a alguma normalidade nos palcos e ao terceiro mês a promessa começa a cumprir-se. Eis a nossa lista, seleccionada e em actualização, dos concertos em Lisboa em Março de 2022. Na maioria dos casos, são espectáculos esperados há muito, adiados por mais de uma vez, e há por aí quem esteja a segurar no mesmo bilhete há dois anos. Parece que desta é que vai ser. Recomendado: Concertos em Lisboa

Listings and reviews (31)

Stacey Kent Quintet

Stacey Kent Quintet

O domínio do português açucarado do Brasil e a paixão assolapada pela bossa nova facilitaram a já longa relação de amor entre Stacey Kent e o público nacional. Este mês, a cantora de jazz norte-americana regressa com o seu quinteto para novo espectáculo no CCB. Na bagagem, Kent traz Songs From Other Places, o seu mais recente álbum de estúdio, onde se cruzam originais com canções de Paul Simon, Kurt Weil e Gershwin, Lennon e McCartney, Stevie Nicks ou — lá está — Tom Jobim.

Scorpions

Scorpions

Afinal, não era bem uma digressão de despedida. Quando em 2010 os Scorpions anunciaram o adeus aos palcos no final daquela tour, era mais de adeuzinho e até mais ver. A verdade é que há já vários anos que os alemães andam em despedidas, mas acabam sempre por decidir ficar mais um bocadinho. Contas feitas, já lá vão 56 anos. O pretexto para mais este regresso a Lisboa chama-se Rock Believer. É o seu vigésimo álbum de estúdio, e foi a forma que eles encontraram para entreter o tempo durante o confinamento no Inverno de 2020.

Ocean House Alentejo

Ocean House Alentejo

Estamos no limite sul de Porto Côvo, ainda no centro mas resguardados, e para trás estende-se um horizonte de campo aberto. “Um sossego mesmo no pico do Verão”, promete André Teixeira, metade do casal que uniu as três casas que aqui havia para criar um novo hostel cheio de pinta. Recuperaram a traça, devolveram-lhe o branco, azul e vermelho que a tradição manda, aplicaram umas portas de madeira bruta. Lá dentro, seis quartos duplos independentes, dois com varanda, todos com muita luz, confortáveis, chão de madeira e decoração feita de detalhes de conforto. O Ocean House Alentejo esteve para abrir em 2020, mas depois o mundo suspendeu-se. “Ainda arrancou em Outubro, acolheu gente no fim de ano, fechou em Janeiro”. Resumindo, é quase a estrear. Em baixo, uma sala aberta com cozinha. É aqui que preparam os pequenos-almoços, servem o pão que Vânia Chu – a outra metade desta dupla – faz de véspera com massa mãe, doces caseiros, queijo da região. Nas traseiras há uma pequena horta, ervas aromáticas a perfumar uma esplanada orientada a sueste, boa para terminar o dia, perfeita para o ver nascer. Há bicicletas e pranchas de stand up paddle para quem lhes quiser dar uso. Afinal, estamos a dois minutos do mar.

Monte da Bemposta

Monte da Bemposta

O Monte da Bemposta nasceu num dos lugares mais inacreditáveis do Alentejo. Estamos no planalto a sul de Porto Côvo, logo além do Forte da Ilha do Pessegueiro. Onde outrora havia uma exploração de porcos, plantou-se uma correnteza de casas rasas, forradas de um conforto irrepreensível, decoração rústica minimal, detalhes cuidados. São dez estúdios mezzanine (até três pessoas), cada um com o seu pequeno pátio frente ao mar, alinhados até à casa principal, onde encontramos mais um apartamento T3 (até seis), um estúdio e uma suíte. Lá mais adiante no terreno, há outros três estúdios para dois. Excepção feita à suíte, todos os alojamentos são independentes, equipados com kitchenette. Tudo isto em traça alentejana, com aquela geometria meridional de casas brancas, moldura azul, vermelho nas portas e na esquadria das janelas. Frente à casa há uma boa piscina, mais além dois campos de paddle, resguardados no eucaliptal, adiante um espaço cercado onde burros, lamas e alpacas vagueiam. São oito hectares de paraíso litoral, sossego garantido, muito espaço livre e o mar à vista de todos os pontos.

Jethro Tull

Jethro Tull

Algo nos diz que esta noite vai ter de ser bem negociada. É que eles podem querer tocar uma coisa, mas o Coliseu inteiro vai querer ouvir outra. Ian Anderson pretenderá, com toda a justiça, demonstrar que mantém a vitalidade criativa e que, 55 anos depois de se terem feito à estrada, os seus Jethro Tull são mais do que uma exposição itinerante de arte antiga. Acabam de lançar The Zealot Gene, 22.º álbum de originais e o primeiro em 18 anos, e o single que lhe dá nome traz-nos de volta a escrita a que Anderson já nos acostumou, denunciante das formatações sociais, das alienações das massas, das corrupções do sistema. E tudo isso com um olhar vivo e actual, a fazer mira aos populismos, com um vídeo que parece um extra para o The Wall dos Pink Floyd, e apoiado no som folk/rock que é sua assinatura. Mas tudo isso vai ter de ser bem equilibrado com uma exposição das melhores jóias do património da banda e que são razão maior para uma noite de romaria às Portas de Santo Antão. Se não se escutar por ali coisas como “Living in the Past”, “Aqualung”, “Locomotive Breath” ou “Thick as a Brick”, se Anderson não se tentar ao menos equilibrar sobre uma perna a tocar a “Bourée” de Bach, então é bem capaz de haver reclamações.

Boy Pablo

Boy Pablo

É a prova acabada de que os cromos têm hoje uma vida muito mais facilitada do que antigamente. Tivesse este rapaz nascido na década de 70 ou 80, e provavelmente cumpria os anos do acne em solitária, fechado no quarto com as suas canções. Mas na era da Internet as possibilidades são outras. Em 2017, já Nicolas Muñoz dava nas vistas a partir da esconsa cidade norueguesa de Bergen, onde compunha e gravava as suas canções sozinho no estúdio de casa e depois se entretinha a montar videoclipes espirituosos com a ajuda dos amigos. Montado no algoritmo do Youtube, o jovem norueguês de ascendência chilena fez tudo: compôs, tocou, gravou, editou os primeiros EPs pela sua própria etiqueta independente, a 777 Music, voou para lá das fiordes, conquistou audiência mundo afora e caiu no goto da crítica. O primeiro vídeo, “Everytime”, leva 42 milhões de visualizações, e os seguintes “Losing You” e “Sick Feeling” seguem pelo mesmo caminho. Em palco, Boy Pablo é nome para um quinteto com que Muñoz vem apresentar o álbum de estreia, Wachito Rico, lançado em 2020. De recordar que Boy Pablo é também um dos nomes confirmados para o Super Bock Super Rock de 2020 que, claro está, acontece em 2022.

Emma Ruth Rundle

Emma Ruth Rundle

Eis Emma Ruth Rundle como ainda ninguém por cá a viu: sozinha ao piano. Sem banda nem a eletricidade rock do costume, a cantautora californiana dá um concerto baseado no seu quinto álbum, Engine of Hell, lançado em Novembro. O disco é uma colecção de oito canções em que memórias e feridas de juventude, a perda e a solidão são temas recorrentes. Ela própria diz que é o disco emocionalmente mais denso e conceptualmente mais pesado que já fez — o que no seu caso não é dizer pouco — e a ideia deste concerto é despir essas canções ao seu mínimo essencial (na versão de estúdio, ainda que com arranjos minimais, escutam-se outros instrumentos e vozes) e oferecê-las numa espécie de confissão íntima. A noite promete, mas não se adivinha que alguém saia dali a rir.

Tash Sultana

Tash Sultana

É mais um exemplar de uma nova geração de músicos que formam público sozinhos e por seu próprio mérito, amplificando a criatividade sem grandes ajudas, através da Internet. Tash Sultana começou como muitos, sozinha no quarto, entre guitarras e microfones, a fazer vídeos de uma só câmara para o Youtube. Em menos de um ano, voava de Melbourne para o mundo e já estava a actuar nos maiores festivais internacionais. Por cá, estreou-se no último NOS Alive e o primeiro concerto em nome próprio faz-se agora, aos 23 aninhos, no Coliseu. Na bagagem traz Terra Firme, o segundo álbum de estúdio, que foi lançado na Primavera de 2021 e que colocou o single “Pretty Lady” em destaque.

Karetus

Karetus

Celebram dez anos de carreira e parecem dar nas vistas como nunca. Em 2020 dispararam uma catrefada de singles, que somam uns milhões valentes de visualizações no Youtube: “Burra” (com Sebastião Antunes), “El Tridente”, “Basketball”, “Welelele”, “Suruba” (atenção: tem bolinha vermelha). Depois em 2021 passaram no Festival da Canção e este ano ocupam o Coliseu em nome próprio. Formados pela dupla de DJs Carlos Silva e André Reis, os Karetus cruzam electrónica com colagens de sons de muitos géneros e latitudes, incluindo algum material tradicional português, e têm tendência para transformar cada concerto numa festa. E é isso que se adivinha para o Coliseu.

The Divine Comedy

The Divine Comedy

É uma espécie de “My Way” ou de “Je Ne Regrette Rien”. Chama-se “The Best Mistakes”, e é o single inédito que constará da nova colectânea Charmed Life - The Best of The Divine Comedy, com que Neill Hannon e companhia assinalam 30 anos de carreira. Hannon, 51 anos, repete esse mesmo exercício orgulhoso e reconfortante que escutamos nas vozes de Sinatra e Piaf. Deita contas ao que está para trás e celebra o caminho por inteiro, erros e acidentes incluídos, porque foi ele que o trouxe até aqui e, bem vistas as coisas, o homem está contente com o lugar onde chegou. E tem boas razões para isso. Os irlandeses regressam a Lisboa para um concerto incluído precisamente numa digressão comemorativa, sob o título “The best of The Divine Comedy”. E prometem uma noite com um alinhamento seleccionado entre os seus doze álbuns, onde se inscreve alguma da melhor pop orquestral britânica das últimas décadas.

Lloyd Cole

Lloyd Cole

Ainda apetece colocar “and the Commotions” no final do nome, mas é só porque a combinação sempre soou bem e porque dela ficou muita coisa que continua a soar lindamente. A estreia a solo de Lloyd Cole foi há já mais de 30 anos, e desde então vem produzindo uma discografia elegante e literata, sempre com uma caligrafia melódica apurada e uma escrita de ironia certeira. O espectáculo está integrado na digressão “From Rattlesnakes to Guesswork”, que é como quem diz desde o álbum estreia com os Commotions, em 1984, até ao 12.º álbum em nome próprio, lançado em 2019. Portugal é dos lugares onde Cole continua a ser seguido por uma falange militante e atenta, que vai esgotando salas a cada uma das suas visitas regulares. Olhando para a disponibilidade de bilheteira, esta vez não será excepção. Inicialmente marcados para o final de 2020, os concertos tinham sido reagendados para Abril e Maio de 2021, mas acabaram empurrados para as portas da Primavera que há-de vir (19 de Março Super Bock Arena, Porto; 21 de Março, Teatro Micaelense, Ponta Delgada).

Bring Me the Horizon

Bring Me the Horizon

Aos primeiros álbuns, a discussão entre alguns especialistas do género era se os Bring Me the Horizon eram deathcore ou metalcore. Com o tempo, porém, os rapazes amainaram e deixaram-se contaminar-se por estilos menos ferozes, incluindo alguma electrónica, hip hop e — há que dizê-lo — pop, daquela mesmo pop. Amo, o álbum que a banda britânica lançou em 2019 e que ainda servirá de base a este concerto no Campo Pequeno, é prova desse movimento que, embora possa ter custado alguma militância entre metaleiros, lhe permitiu alargar a legião de seguidores, colocar um EP no número 1 do Reino Unido (“Post Human Survival Horror”, de sua graça), e ter duas indicações aos Grammys. Mesmo assim, regressam a Portugal no Verão como cabeças de cartaz da 11.ª edição do VOA Heavy Rock Festival — evento que esteve inicialmente previsto para 2020 e acabou adiado para 30 de Junho e 1 de Julho deste ano, pelo mesmo motivo que tudo se tem adiado neste mundo.

News (28)

Carlos Moedas: “A renda acessível não pode continuar a ser um totoloto”

Carlos Moedas: “A renda acessível não pode continuar a ser um totoloto”

As solicitações abundam e a agenda de Carlos Moedas não está de feição. Ainda assim, exactamente um mês após a tomada de posse, o novo presidente da Câmara de Lisboa recebeu a Time Out no seu gabinete, nos Paços do Concelho, para a primeira grande entrevista desde a inesperada vitória nas eleições autárquicas. Duas condições à partida: 45 minutos contados (mais 15 para as fotografias); e uma conversa concentrada em Lisboa, que a vontade não é de comentar a crise política nacional. Na entrevista, que chega às bancas esta sexta-feira, 26 de Novembro, com a nova edição da Time Out Lisboa trimestral, Carlos Moedas não põe datas em nada. Quer é “coisas bem feitas”. Não põe datas no orçamento, nem nos passes grátis, nem no fim da ciclovia na Almirante Reis. Pede a suspensão da construção da linha circular do Metropolitano e explica como ainda se vai a tempo de rever o projecto; reconhece que há uma percepção pública de corrupção associada ao urbanismo e admite fazer auditorias nessa área; e defende que o programa de rendas acessíveis tem de dar prioridade a quem é de Lisboa. “Como toda a gente tem acesso a candidatar-se à renda acessível, aquilo acaba por ser um totoloto. Temos de mudar algumas regras, e essa é uma delas: a renda acessível tem de ser só para pessoas que vivem ou viveram em Lisboa, imagine, dez anos, e depois foram obrigados a sair porque já não tinham dinheiro para pagar renda aqui. Esses deviam ter prioridade no concurso”, afirma Moedas. “Eu sou presidente da Câm

Márcia a sós com cada um, no Coliseu

Márcia a sós com cada um, no Coliseu

A cantora dá um concerto 360º, que promete proximidade ao público e panorâmica sobre uma década. Para saber tudo, repetimos perguntas feitas há um ano. A meio da conversa, dá-lhe para cantar. Estamos às portas do Coliseu, a sala onde Márcia se há-de estrear daí a uns dias, ao fim de uma década de carreira em nome próprio. O tempo voa. E agora faz meia hora que falamos, vamos a meio de uma conversa que repete temas com mais um ano, quando pela primeira vez nos sentámos à volta do seu último álbum, Vai e Vem. E aí, a meio, dá-lhe para cantar. No gravador de entrevista fica todo o poema de “Cajuína”, a história do encontro emocionado de Caetano Veloso com o pai de Torquato Neto, o amigo e poeta tropicalista que se suicidou nos inícios de 70. Já viste? Olha se ele não escrevesse isto? Ele diz ali tanta coisa que eu e milhares de outros pensamos sobre a vida. É por isso que nos relacionamos com a música, porque faz-nos entender o mundo, faz-nos aceitar as nossas limitações, a vida. Esse é um papel muito justo da música. Fazer-te sentir acompanhado. Faz parte de uma certa cura. Gosto de sentir que a minha música alcança isso. Acho que isso não te disse há um ano... Não tinha dito. Mas a pergunta era mais ou menos a mesma, e a resposta também, ambas repetidas dessa outra conversa em que falávamos sobre Vai e Vem, o seu quarto álbum. Então como agora, perguntávamos se sentia necessidade de fazer a sua música intervir mais sobre o mundo em redor. Agora, como então, ela respondia que n

As perguntas mais absurdas sobre os Açores (e as respostas que elas merecem)

As perguntas mais absurdas sobre os Açores (e as respostas que elas merecem)

Perguntar não ofende e ainda bem. Caso contrário, os funcionários dos postos de turismo dos Açores chegavam ao fim do dia magoadíssimos. Aqui estão algumas das perguntas mais bizarras que eles já tiveram de ouvir. Para os ajudar, nós damos as respostas. Tudo isto faz parte da nova edição do mais completo, rigoroso e bonito guia dedicado à região: a nova Time Out Açores já está nas bancas.    A ilha do Pico é habitada? Há mais de 600 anos, sim. Consta que o primeiro habitante foi um tal de Fernando Álvares Evangelho, que aqui chegou em 1482 e aqui viveu sozinho durante um ano, tendo por companhia apenas um cão. Hoje a população residente ronda os 14 mil habitantes. Qual é a língua que se fala nos Açores? Depende. Francês, alemão e até grego são línguas faladas nas ilhas. Pelo menos sempre que por aqui passam turistas franceses, alemães ou gregos. Na Base das Lajes, Terceira, também é frequente falar-se inglês, como é costume entre os americanos. De resto, o normal é falar-se português, como em todo o país que é Portugal. Já se estivermos a falar de sotaques, fique sabendo que há vários. Aquilo a que costumamos chamar sotaque açoriano é, na verdade, a pronúncia típica da ilha de São Miguel. Em cada uma das outras ilhas achará um linguajar diferente.  Não sabia que nos Açores já havia internet! Na verdade, esta é a segunda região do país com maior penetração de internet, logo a seguir a Lisboa. Segundo dados recolhidos pela Pordata em 2018, perto de 85% das casas têm banda larg

Vem aí um novo álbum de Asterix

Vem aí um novo álbum de Asterix

O álbum número 38 das aventuras de Asterix será publicado no próximo dia 24 de Outubro. A notícia foi avançada pelo desenhador Didier Conrad e pelo argumentista Jean-Yves Ferri, a dupla de criadores que tomou conta da série com a benção de Albert Uderzo, numa entrevista exclusiva ao Le Journal du Dimanche. O novo álbum terá edição simultânea em vários países - e Portugal, como de costume, será um deles - com uma tiragem inicial de cinco milhões de exemplares e culminará um ano de festa pelos 60 anos de Asterix. Ao jornal francês, Conrad e Feri garantiram que o trabalho criativo está terminado, que restam só já "algumas correções no texto, pequenos ajustes nos desenhos" e adiantaram até que o trabalho final será entregue para impressão a 6 de Junho. Mas, claro está, pouco adiantaram sobre o enredo. Ainda assim, ofereceram ao jornal uma primeira prancha do álbum, em que se vêem "três misteriosos senhores" a entrar na casa do chefe da aldeia gaulesa e Ferri revelou que "alguém muito importante vem para a aldeia". Conrad confirmou e, com ironia, acrescentou que na última prancha acontecerá um banquete. Dois dias depois, porém, libertaram a primeira página, já finalizada, do álbum. Nela, Panoramix dá uma aula aos miúdos da aldeia, e confirma-se a ideia de que alguém importante virá, de facto, mexer com a rotina dos irredutíveis. E que não será Jimi Hendrix. + Os 12 Trabalhos de Asterix e outras tantas curiosidades + Astérix e a Transitálica: foi o Éder que os lixou

Guia de Hotéis 2019 está nas bancas

Guia de Hotéis 2019 está nas bancas

A Time Out diz-lhe tudo sobre a sua cidade, incluindo como fugir dela. Desde o final de 2017 que todas as nossas edições em Lisboa e no Porto fecham com um Plano de Fuga e ao fim  de tanta viagem somamos já um bom repertório de evasões e escapadinhas para todos os pontos do país. É dessa experiência que nasce a primeira edição deste guia. São mais de 70 hotéis, turismos rurais e guesthouses para descobrir por todo o país. E estes hotéis são dos melhores. É verdade, confessamos, que a tentação de subtrair uma letrinha à frase anterior é grande. Mas dizer apenas que estes hotéis são os melhores do país não seria justo nem sério. Eles são, isso sim, os melhores de entre os muitos que a equipa da Time Out experimentou ou revisitou ao longo de 2018 e que recomenda vivamente para 2019. Quase todas essas experiências, importa dizer, foram tidas a convite e quase todas as estadias  oferecidas. Mas em nenhuma delas aceitámos reserva para uma boa avaliação ou deixámos a nossa palavra de caução. Aconteceu-nos, aliás, não escrever sobre lugares onde estivemos a convite. O que significa que sempre que escrevemos sobre um hotel, estamos já a recomendá-lo e que, de entre todos eles, estes mereceram distinção. E que, portanto, o que tem em mãos é um roteiro de grandes refúgios, feito por uma equipa de gente séria, embora um tanto vadia e dada a escapadinhas, que apenas escreve sobre o que experimenta, conhece, escolhe e avalia pessoalmente. E isso permite-nos, sem hesitação, colocar todos e

Vem aí um novo álbum de Astérix

Vem aí um novo álbum de Astérix

O álbum número 38 das aventuras de Astérix será publicado no próximo dia 24 de Outubro. A notícia foi avançada pelo desenhador Didier Conrad e pelo argumentista Jean-Yves Ferri, a dupla de criadores que tomou conta da série com a bênção de Albert Uderzo, numa entrevista exclusiva ao Le Journal du Dimanche. O novo álbum terá edição simultânea em vários países – e Portugal, como de costume, será um deles – com uma tiragem inicial de cinco milhões de exemplares e culminará um ano de festa pelos 60 anos de Astérix. Ao jornal francês, Conrad e Feri garantiram que o trabalho criativo está terminado, que restam só já "algumas correções no texto, pequenos ajustes nos desenhos" e adiantaram até que o trabalho final será entregue para impressão a 6 de Junho. Mas, claro está, pouco adiantaram sobre o enredo. Ainda assim, ofereceram ao jornal uma primeira prancha do álbum, em que se vêem "três misteriosos senhores" a entrar na casa do chefe da aldeia gaulesa e Ferri revelou que "alguém muito importante vem para a aldeia". Conrad confirmou e, com ironia, acrescentou que na última prancha acontecerá um banquete. Dois dias depois, porém, libertaram a primeira página, já finalizada, do álbum. Nela, Panoramix dá uma aula aos miúdos da aldeia, e confirma-se a ideia de que alguém importante virá, de facto, mexer com a rotina dos irredutíveis. E que não será Jimi Hendrix.        + Os 12 Trabalhos de Asterix e outras tantas curiosidades Astérix e a Transitálica: foi o Éder que os lixou

Guia dos melhores restaurantes de Lisboa 2019 já está nas bancas

Guia dos melhores restaurantes de Lisboa 2019 já está nas bancas

Saíram 16, entraram 36, mas ficaram os mesmos. Podia ser o princípio de uma adivinha bem engendrada ou o final de uma conta mal feita, mas é apenas o resumo desta edição do Guia de Restaurantes de Lisboa da Time Out. Este ano, além dos 150 melhores restaurantes e das 25 melhores tascas, acrescentamos 20 apostas. São casas que não abriram há tempo suficiente para entrar nestas contas e que não tivemos tempo oportunidade de criticar, mas que já experimentámos ou que, por experiência, apostamos que vão valer a pena. Porquê fazer esta ginástica? Recapitulemos então. Os críticos da Time Out visitam os restaurantes anonimamente e pagam pelas suas refeições - o mesmo é dizer, como qualquer cliente – e, na melhor parte dos casos, repetem a visita antes de se pronunciar. Acresce que nenhum restaurante é criticado antes de cumprir três meses de porta aberta e, por princípio, nenhum é aclamado com cinco estrelas ou despachado com apenas uma sem que um segundo crítico subscreva essa avaliação. Já sabia de tudo isto? É provável que sim. Estes últimos 470 caracteres são descaradamente copiados do guia do ano passado. Mas podiam também ter sido roubados à edição do ano anterior a esse ou à de outro antes ainda. Porque há onze anos que a Time Out faz questão de repetir esta cartilha em tudo o que faz e de a respeitar sem cedências. O que é que isso vale? Ainda e sempre, é a si que cabe dizer.   Os guias do Porto e de Lisboa Fotografia: Inês Félix     O que temos, contas redondas, é um gui

Picamiolos: o Alentejo trocado por miúdos no Cais do Sodré

Picamiolos: o Alentejo trocado por miúdos no Cais do Sodré

Há um novo restaurante de cozinha tradicional alentejana em Lisboa. Tem a mão de José Júlio Vintém, do Tombalobos, em Portalegre, e aposta em miudezas, extremidades e outras coisas incríveis. Pâncreas de borrego, gordura de porco, coração de boi. Assim descrito, o menu é capaz de afugentar alguém. Mas espere, não torça já o nariz nem dê a corda aos sapatos. Leia antes assim: molejas de borrego, pétalas de toucinho, salada de tomate coração de boi. No Picamiolos, a carta constrói-se à volta de miudezas e extremidades, mas nem tudo o que parece é. Há os produtos que são para aqui chamados pela afinidade semântica – seja o dito tomate, que há-de voltar quando for o tempo dele, sejam as pontas de espargos ou o coração de alcachofra, que já se vai servindo em salada –e há os outros, os que são precisamente o que são – moleja é mesmo a glândula do bicho. Entre uns e outros, há muito para descobrir num novo restaurante de cozinha tradicional alentejana onde havemos de encontrar mais conforto do que desafio. Tudo com assinatura de José Júlio Vintém, o chef que há anos convoca romarias até Portalegre para comer no Tombalobos.   O chef José Júlio Vintém Fotografia: Manuel Manso   “Há aqui um desafio”, assume Ricardo Santos, o sócio que foi desassossegar José Júlio à Serra de São Mamede. “Queremos ir levando as pessoas a experimentar coisas novas, texturas e até sabores a que talvez não estejam habituadas. Mas também vamos ter comida de tacho, tentar criar hábitos, para as pessoas sab

A Time Out desta semana

A Time Out desta semana

        Chamam-se clubes, colectividades, grupos, academias, ateneus, associações ou sociedades. Dizem-se recreativas e culturais, desportivas e filarmónicas, excursionistas, de recreio, união, instrução, capricho ou beneficência. São instituições com história, algumas centenárias, que atravessaram épocas e regimes, viveram glórias e sobreviveram a crises, e de caminho ajudaram a construir a cidade que Lisboa é. Mas são sobretudo lugares presentes, pontos de encontro, militância cívica e resistência da vida de bairro. Lugares que cumprem um papel insubstituível na promoção e ensino de artes e desportos, na maioria das vezes por simples devoção à causa e carolice. Maria Ramos Silva e Manuel Manso andaram dias seguidos à sua descoberta. De bairro em bairro, bateram capelinhas e trocaram galhardetes, assistiram a aulas e treinos, perderam-se entre mesas de matrecos e imperiais a 70 cêntimos, demoraram-se em conversas e histórias. Regressaram com um guia possível de tudo o que esses lugares têm para lhe oferecer e uma galeria incrível das pessoas que os mantêm vivos. Esta é a nossa homenagem aos clubes de bairro. E um contributo para lhes trazer mais sócios, adeptos e simpatizantes. Não perca ainda as ofertas Dois por Um desta semana: incluem uma refeição no Aloha Café, uma bolacha da Cookies Bakery, um cachecol do Armazém das Malhas, uma aula no Spot Real - Academia de PArkour e um artigo da Amora Baby & Nature. 

A Time Out desta semana

A Time Out desta semana

            Às vezes é mais fácil escrever sobre o fim do mundo do que sobre o fundo da rua. Porque a rua é sempre de alguém, endereço de gente que sabe mais do lugar do que nós. Mais difícil ainda se torna se essa rua estiver plantada em Campo de Ourique. Como toda a gente sabe, Campo de Ourique é o tema de conversa preferido do campo d’ouriquense, para quem o centro do mundo fica precisamente na sua rua. Depois há o resto dos lisboetas, que muitas vezes acham que aquilo é mais Campo do que Ourique, e que estranham ver tantas páginas dedicadas a ruas onde não há um Metro para apanhar nem um metro onde estacionar. Sabendo isto, fizemos um esforço extra para impressionar os primeiros e convencer os segundos. Durante uma semana vivemos o bairro, fomos de porta em porta, de conversa em conversa, correndo toda a vizinhança. Voltámos de lá com uma edição cheia de novidades: todas são um convite para quem é de fora; e algumas, ainda por estrear, serão notícia mesmo para quem lá mora. E são a prova de que, não sendo o centro do mundo, Campo de Ourique tem um mundo lá dentro, com um pouco de quase tudo e quase tudo em bom. Na revista desta semana, não perca ainda as ofertas Dois por Um: valem uma refeição no Comporta Café, um brunch no Vila Galé Collection Palácio dos Arcos, uma aula no Hotpod Yoga, uma sessão da Life'Ar e um artio da A-Corda. 

A Time Out desta semana foi feita por si

A Time Out desta semana foi feita por si

    Ninguém conhece esta cidade como nós. Excepto, talvez, todos os lisboetas. Ou, pelo menos, todos os verdadeiros lisboetas, grupo que, como é sabido, coincide estatisticamente com a totalidade de cidadãos que habita, nasceu, estuda, trabalha ou passeia na cidade de Lisboa. Ora, ao longo de dez anos, esta incansável multidão de olisipógrafos foi pacientemente iluminando a nossa ignorância. Em cartas e emails, na resposta a passatempos ou na serena pedagogia das caixas de comentários, todos os dias descobrimos um sítio de que não falámos, um segredo que ignorámos, uma escolha que falhámos. Pois bem, após 527 edições, fizemos o que se impunha e entregámos as chaves de casa. A revista que chega às bancas esta quarta-feira foi feita por uns 150 pares delas, entre leitores, jornalistas e colaboradores da Time Out. Todas as recomendações que encontra no tema de capa foram feitas por um leitor e depois verificadas e validadas pela equipa – e todas elas são rigorosamente novas nestas páginas. A própria capa nasceu de um evento ao vivo e a cores em que cada um pintou o que lhe deu na gana, sob direcção artística do grande Rui Pita. Faça favor de entrar, que a casa é literalmente sua. Pode ser que se surpreenda quase tanto como nós.   No meio do entusiasmo, não se esqueça de aproveitar as ofertas Dois por Um desta semana: incluem uma refeição no Faz Gostos, uma cerveja no Showroom Trindade, uma obra gráfica no Centro Português e Serigrafia, um passeio da Byx Náutica e um fim-de-se

A Time Out desta semana

A Time Out desta semana

  O tempo mudou. Não para pior, mas para menos. É verdade que o dia completo continua a ter 24 horas, que o céu está limpo, que o clima morno se arrasta Novembro adentro e a gente se vai consolando, mesmo sabendo que não pode ser bom sinal isto de andar a ver montras de Natal em trajes de Verão. Mas nem este tempo fora de tempo previne a neura dos dias em que apetece jantar à hora do lanche. Nesta edição, prescrevemos uma terapêutica para a época. Temos novidades ideais para o obrigar a sair de casa, programas perfeitos para fechar um dia curto que pareceu longo demais e até desculpas imaculadas para não ir a parte alguma. São 40 ideias que também ajudam a colorir os dias cinzentos de Outono. Eles tardam, mas hão-de chegar. É como nós, que esta semana chegamos mais cedo às bancas. Como quarta-feira, dia 1 de Novembro, é feriado, terça-feira, dia 31 de Outubro, já estamos nas bancas. Ainda nesta edição, tem uma antevisão da Web Summit, que acontece já de 6 a 9 de Novembro. Cláudia Lima Carvalho entrevistou o fundador do evento, Paddy Cosgrave, e Maria Ramos Silva diz-lhe o que não pode perder. Francisca Dias Real foi conhecer o ateliê de Bordalo II e Catarina Moura revela onde é que se come bem nas colectividades de Lisboa. + A próxima capa da Time Out é ser feita por si. Venha participar. 

The best things in life are free.

Get our free newsletter – it’s great.

Loading animation
Déjà vu! We already have this email. Try another?

🙌 Awesome, you're subscribed!

Thanks for subscribing! Look out for your first newsletter in your inbox soon!