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José Carlos Fernandes

José Carlos Fernandes

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Dez versões de “Autumn Leaves”

Dez versões de “Autumn Leaves”

O rasto destas folhas de Outono leva-nos até Budapeste, onde nasceu, em 1905, o autor da música. Chamava-se então József Kosma, mas quando se mudou para Paris em 1933 adoptou um mais pronunciável “Joseph”. A composição nasceu como um trecho instrumental para o bailado Le Rendez-Vous (1945), com enredo de Jacques Prévert e coreografia de Roland Petit, e seria convertida, no ano seguinte, com letra de Prévert e com o título “Les Feuilles Mortes”, numa canção da banda sonora da adaptação cinematográfica do bailado por Marcel Carné, que teve por título Les Portes de la Nuit e contou com Yves Montand e Nathalie Nattier nos papéis principais. Algum tempo depois, a canção chegou aos ouvidos de Johnny Mercer, que reconheceu o seu potencial e, em 1949, lhe enxertou uma nova letra em inglês. Desde então, muita e boa gente interpretou “Autumn Leaves”. Recomendado: Dez obras clássicas para o Outono

Dez obras clássicas para o Outono

Dez obras clássicas para o Outono

Para os poetas e para os compositores, o fim do Verão não é apenas uma data no calendário astronómico – é, não raras vezes, uma metáfora para o fim do amor e da vida. É por isso que, principalmente a partir do século XIX, as composições de inspiração outonal de autores como Franz Schubert (1797-1828), Gustav Mahler (1860-1911) ou Richard Strauss (1864-1949), entre tantos outros, tendem a ser tão desoladas. E tocantes. Recomendado: As músicas para trabalhar em casa que lhe fazem bem à produtividade

Dez versões de “Here’s That Rainy Day”

Dez versões de “Here’s That Rainy Day”

Quem diria que uma canção tão melancólica proveio de um musical com o título Carnival in Flanders? A atmosfera não é de Terça-Feira Gorda mas de Quarta-Feira de Cinzas; o tema é a desilusão e a erosão do amor, algo que parece impossível quando se está apaixonado: “ri-me da ideia de que pudesse acabar assim”. Porém, o amor acabou mesmo por “transformar-se num dia chuvoso e frio”. A canção, com música de Jimmy Van Heusen e letra de Johnny Burke, foi composta para o dito musical, baseado no filme Kermesse Héroïque (1934), de Jacques Feyder, uma comédia cuja acção decorre na Flandres em 1616. O musical, que enfrentou problemas na fase de produção – o que fez com que o experiente Preston Sturges fosse chamado à pressa para tentar recolocá-lo no rumo –, estreou na Broadway em 1953 e foi um fiasco de bilheteira. Só teve seis exibições, o que não impediu Dolores Gray de ganhar um Tony pela sua prestação. É à sua personagem que cabe cantar “Here's That Rainy Day” e foi esta a única canção do musical a conquistar popularidade – e, ainda assim, foi preciso esperar seis anos para que Frank Sinatra lhe desse um empurrão. Recomendado: Ideias para sobreviver à chuva em Lisboa

As canções essenciais para dias de chuva

As canções essenciais para dias de chuva

Ficar em casa com a chuva lá fora a cair é uma das melhores coisas que pode fazer. Mas merece sempre uma banda sonora à altura. Por isso mesmo, fomos à procura das melhores canções para dias cinzentos. Não interessa se o objectivo é acompanhar a melancolia dos dias ou atirá-la porta fora. Há opções para todos os gostos: os XTC a aproximar-se do opulento som dos Beatles, baladas de partir o coração das pedras da calçada, gritos de revolta e revolução ou boas canções country-folk à moda americana. A escolha é sua, mas o melhor é enfiar-se debaixo das mantas e pôr a banda sonora a tocar. Recomendado: Ideias para sobreviver à chuva em Lisboa

Oito temas jazz para o Verão

Oito temas jazz para o Verão

Quando se menciona “jazz” e “Verão” na mesma frase, a associação com “Summertime” é instantânea. Dessa canção de embalar que abre a ópera Porgy and Bess, de George Gershwin, e se tornou numa favorita dos músicos de jazz (e não só) já se sugeriram aqui algumas leituras históricas, mas o Verão tem sido frequente fonte de inspiração para compositores, jazzmen e jazzwomen e há outras criações que merecem ser mais conhecidas. Ora oiçam. Recomendado: Dez canções pop de Verão

Dez canções pop de Verão

Dez canções pop de Verão

O Verão tem inspirado resmas de músicas e muitas são sobre surf, festas na piscina e “dolls by a palm tree on the sand” (Beach Boys dixit). Não há mal nenhum disso, mas também há canções pop de Verão que não se ficam pelo elogio das “cutest girls in the world” (as californianas, claro) e exploram outras temáticas, mais ou menos felizes. É o caso desta dezena, assinada por estrelas como os Pink Floyd e Bruce Springsteen, mas também por artistas indie como os Animal Collective. Recomendado: Filmes de Verão para refrescar dias de calor

Dez versões clássicas de “I’ll Remember April”

Dez versões clássicas de “I’ll Remember April”

“I’ll Remember April” tem muito em comum com “You Don’t Know What Love Is”: a música e letra são, respectivamente, de Gene DePaul e Don Raye (com a ajuda de Patricia Johnston, no caso de “I’ll Remember April”); é uma balada cuja letra gira em torno do fim de relações sentimentais; foi composta para a banda sonora de uma comédia da dupla Abbott & Costello dirigida por Arthur Lubin. Enquanto “You Don’t Know What Love Is” se destinara a um filme de temática aeronáutica, Keep ‘Em Flying (1941) – mas acabou por ser suprimida na montagem – “I’ll Remember April” surgiu numa paródia ao western intitulada Ride ‘Em Cowboy (1942), que tem a particularidade de ter sido palco para a estreia de Ella Fitzgerald no grande écran (ainda que no papel de uma trabalhadora de um rancho, como convinha ao estatuto dos afro-americanos nos EUA nos anos 40). Não foi, porém, a Ella que coube cantar “I’ll Remember April”, mas a Dick Foran, que desempenhava o papel principal – o de Bronco Bob Mitchell, um escritor de romances sobre o Oeste que nunca pusera pé no Oeste. Além desta magnífica balada, Raye e DePaul contribuíram para a banda sonora com quatro cançonetas de cowboys que não ficaram na história. Apesar de a letra meditar na transitoriedade do amor e da inevitabilidade da perda, há doçura na sua melancolia, já que a memória do amor passado funciona como consolo: “Este dia adorável estender-se-á pela noite/ Suspiraremos uma despedida a tudo o que tivemos/ Estarei só nos lugares onde caminhámos junt

Onze canções pop primaveris

Onze canções pop primaveris

Músicos como os saudosos Simon & Garfunkel e The Beatles ou os mais contemporâneos Noah and the Whale e Tiny Moving Parts, passando por The Flaming Lips ou os Saint Etienne, inspiraram-se na Primavera para criar algumas das melhores canções pop de todos os tempos. Desde relatos de amores e desamores primaveris a canções jocosas e irónicas em que a Primavera é apenas um tema lateral ou ainda outras mais simpáticas e pueris, por assim dizer. Festeje a chegada da nova estação com os phones nas orelhas e o volume no máximo. Recomendado: Dez obras clássicas que celebram a Primavera

Nove canções para ouvir enquanto pedala

Nove canções para ouvir enquanto pedala

O título desta lista é meramente alegórico, pois a Time Out não pretende que os seus leitores se envolvam em acidentes de trânsito. As canções que se seguem, embora tendo a bicicleta como assunto, serão desfrutadas com maior segurança se as nádegas do ouvinte estiverem assentes em algo mais estável do que o selim de uma bicicleta e se os ouvidos e os olhos não tiverem de estar concentrados nas manobras de veículos, peões e canídeos. Quem faça mesmo questão de ouvir enquanto pedala poderá recorrer a uma daquelas bicicletas estacionárias dos ginásios. Recomendado: Dez canções para ouvir ao volante

Dez canções para ouvir ao volante

Dez canções para ouvir ao volante

Carros e rock’n’roll andam juntos desde que o segundo nasceu. Pode mesmo dizer-se que o género começou a conduzir antes de saber andar. Hoje, o rock já se deixou de Cadillacs cor-de-rosa e anda quase sempre de Uber e as canções ganharam imenso com a mudança. Nesta banda sonora para uma viagem de carro perfeita, cabe um pouco de tudo, dos Beatles aos Deftones e aos Arcade Fire, passando por Bruce Springsteen. Carregue no play e ponha as mãos no volante. Recomendado: Nove canções para ouvir enquanto pedala

Doze canções para ouvir ao luar

Doze canções para ouvir ao luar

Além de fazer subir e descer a superfície dos mares, o satélite da Terra tem também o poder de agitar as águas nos cantos escuros e misteriosos das almas dos compositores de canções. Já era assim em séculos passados e continua a sê-lo nos anos 20 do século XXI, como atesta a arrebatadora “Moon Song” de Phoebe Bridgers. The Doors, Nick Drake, Neil Young, Smashing Pumpkins ou Björk são outros dos autores destas doze canções para ouvir à noite enquanto põe os olhos no céu à procura da lua. Recomendado: Dez versões de “Moon River”, a canção que Audrey Hepburn salvou

Sete canções românticas que precisa de ouvir

Sete canções românticas que precisa de ouvir

Na música, o período Romântico cobre quase todo o século XIX e os primeiros anos do século XX. Há quem veja o Beethoven dos últimos anos de vida como o primeiro romântico e Rachmaninov, que continuou a compor música nos moldes oitocentistas muito depois das revoluções operadas por Debussy, Ravel, Stravinsky e a Segunda Escola de Viena, como o último romântico. Nestas contas não costumam entrar os Neo-Românticos da década de 1980, como os Duran Duran e os Human League, cuja contribuição se exerceu menos na área da música do que na do hairstyling & makeup. Se o Romantismo na literatura foi uma invenção germânica, foi também a Alemanha a desempenhar o papel central no Romantismo musical e uma das formas mais cultivadas pelos compositores românticos foi o Lied (plural: Lieder), palavra alemã que tem o significado genérico de "canção", mas que, no contexto da música clássica, costuma designar a canção para voz solo e piano (mais raramente com orquestra) de compositores alemães. Os românticos não inventaram o Lied – Mozart e Beethoven compuseram um bom número deles – e o Lied não acabou com o fim do Romantismo – Schoenberg, Webern ou Eisler também compuseram canções em alemão para voz e piano, mas que são alheias aos padrões do Romantismo.

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Festival Jovens Músicos

Festival Jovens Músicos

O Festival Jovens Músicos, que procura promover novos talentos na área da música em Portugal, regressa para mais uma edição já no final deste mês. A programação arranca a 29 de Setembro e prolonga-se até 1 de Outubro. A entrada é livre. Com a participação da Orquestra Gulbenkian, da Orquestra Metropolitana de Lisboa, dos prestigiados solistas do Festival Cantabile, do Pulsat Percussion Group, da Jovem Orquestra Afegã e dos laureados das várias categorias do Prémio Jovens Músicos.

Gala de Ópera Surpresa

Gala de Ópera Surpresa

O título do programa é “Quanto pior, melhor” e o tema é “Traição e Engano”, o que engloba boa parte das óperas compostas desde o início do Barroco ao nosso tempo. Com o tenor Rodrigo Porras Garulo.

Puccini: Tosca

Puccini: Tosca

A intriga concebida pelos libretistas Luigi Illica e Giuseppe Giacosa a partir de uma peça de Victorien Sardou é rocambolesca e sanguinolenta (não poderá ser considerado como spoiler informar que as três personagens principais morrem de morte violenta no fim), mas a música com que Giacomo Puccini a revestiu faz esquecer a sua inverosimilhança. Com Catarina Molder (Floria Tosca), Xavier Moreno (Mario Cavaradossi), Christian Lújan (Barone Scarpia), Luís Rodrigues (Sacristano), Nuno Dias (Angelotti), Nova Era Vocal Ensemble e Ensemble MPMP, com direcção de Jan Wierzba (na foto) e encenação de Otelo Lapa e Catarina Molder

II Maratona Ópera XXI

II Maratona Ópera XXI

Na segunda maratona de estreias irão ouvir-se Nunca fomos tão Novos como Agora ep.1, de Fábio Cachão sobre libreto de Miguel Castro Caldas; Margarida, de Sara Ross, sobre libreto da compositora; Não Sei Quantas Almas Tenho, de Tiago Videira, sobre libreto do compositor Com Carla Simões (soprano), Mariana Sousa (mezzo-soprano), Diogo Oliveira (barítono) e Ensemble MPMP, com direcção de Rita Castro Blanco (na foto) e encenação de António Pires.

I Maratona Ópera XXI

I Maratona Ópera XXI

Na primeira maratona de estreias de óperas de compositores contemporâneos portugueses irão ouvir-se Contos de Criação: Adão, de Pedro Finisterra sobre libreto de Nuno Cruz; Esta Ítaca que não Encontro, de Diogo da Costa Ferreira, sobre libreto do compositor; Eco-Arquipélago, de João Ricardo sobre libreto de Tatiana Faia; O Tesouro, de Miguel Jesus, sobre libreto do compositor. Com Mariana Castello-Branco (soprano) (na foto), meio-soprano a designar, Carlos Monteiro (tenor), Tiago Matos (barítono) e Ensemble MPMP, com direcção de Rita Castro Blanco e encenação de António Pires.

Reencontro com Beethoven

Reencontro com Beethoven

A Orquestra Gulbenkian escolheu as sinfonias n.º 1 e n.º 5 para assinalar o seu regresso àquilo que é a vocação primordial de qualquer orquestra: tocar para o público sentado num auditório. A direcção será do seu maestro titular, Lorenzo Viotti.

Mozart/Azevedo

Mozart/Azevedo

A Sinfonia n.º 36 K.425 Linz de Mozart, tem a companhia do Concerto para flauta Giochi di Uccelli (“Jogos de Aves”), de Sérgio Azevedo. A primeira foi composta em 1783, quando Mozart visitou Salzburg com a esposa, Constanze, e no caminho de regresso passou por Linz, onde se hospedou na palácio do Conde Thun. Para agradecer a hospitalidade, ofereceu-se para dar um concerto e como não trazia consigo a partitura de uma sinfonia, dispôs-se a compor uma – em apenas quatro dias! O concerto de Azevedo foi estreado em 2017 pela Orquestra Metropolitana de Lisboa, tendo como solista o dedicatário da obra, Nuno Inácio, que volta agora a desempenhar esse papel, sob a batuta de Pedro Amaral. [III andamento (Menuetto) da Sinfonia n.º 36 de Mozart, pelos English Baroque Soloists, em instrumentos de época, com direcção de John Eliot Gardiner (Philips)]

Beethoven e Lopes-Graça

Beethoven e Lopes-Graça

Este concerto combina a Abertura Coriolano op.62 e o Triplo Concerto para violino, violoncelo e piano op.56, de Beethoven, com a Fantasia para piano e orquestra LG.74, de Fernando Lopes-Graça. Pouco se sabe sobre a génese do Triplo Concerto, cuja composição foi concluída em 1803 mas só estreou cinco anos depois. Uma fonte sugere que Beethoven o terá composto para o Arquiduque Rudolfo, que em 1803 tinha apenas 14 anos e começara a ter aulas de piano com o compositor e viria a tornar-se no seu principal mecenas e no dedicatário de 14 obras, algumas das quais estão entre as mais notáveis que Beethoven compôs. A estreia do concerto teve lugar no palácio do jovem arquiduque, ocupando-se este do piano e tendo como parceiros o violinista Ferdinand August Seidler e o violoncelista Anton Kraft. A Fantasia de Lopes-Graça foi estreada em 1975 e inspira-se numa melodia tradicional da Beira Baixa, região onde o compositor empreendeu recolhas do folclore local. A interpretação será de Anna Paliwova (violino), Isabel Vaz (violoncelo), Pedro Costa e Vasco Dantas (piano) e Filarmónica de Berlim, com direcção de Luís Carvalho. [III andamento (Rondo alla Polacca) do Triplo Concerto de Beethoven, po Anne-Sophie Mutter (violino), Yo-Yo Ma (violoncelo), Mark Zeltser (piano) e Filarmónica de Berlim, com direcção de Herbert von Karajan (Deutsche Grammophon)]

Gala de Ópera

Gala de Ópera

Ouvir-se-ão excertos da Carmen, de Bizet, do Faust, de Gounod, dos Pagliacci, de Leoncavallo, da Cavalleria Rusticana, de Mascagni, de Les Contes d’Hoffmann, de Offenbach, e do Rigoletto, de Verdi, bem como célebre Méditation da Thais, de Massenet. A interpretação será de Dora Rodrigues (soprano), Rita Marques (soprano), Cátia Moreso (mezzo-soprano), Carlos Cardoso (tenor) e André Henriques (barítono) e Orquestra Sinfónica Portuguesa, sob a direção de José Eduardo Gomes (na foto).

Bruckner e Verdi

Bruckner e Verdi

A maioria dos compositores italianos de ópera do século XIX dedicaram-se quase em exclusivo a esse género e Giuseppe Verdi não foi excepção – até estar já em idade avançada e se ter retirado da actividade musical, após a estreia de Aida, em 1871. A “reforma” seria interrompida por mais duas óperas, Otello e Falstaff, e uma mão-cheia de peças sacras: a Messa da Requiem, em 1874, e as Quatro Peças Sacras, compostas entre 1886 e 1897 e publicadas em 1898. A Messa da Requiem tornou-se numa obra “canónica” do repertório sacro romântico, mas as Quatro Peças Sacras – uma Ave Maria, um Stabat Mater, umas Laudi alla Vergine Maria e um Te Deum – são aves raras, pelo que é de saudar a iniciativa do maestro Lorenzo Viotti e do Coro & Orquestra Gulbenkian de as programar, numa oportuna acoplagem com a Sinfonia n.º 9 de Bruckner, cuja composição é contemporânea das Quatro Peças Sacras: Bruckner traçou os primeiros esboços em 1887 e, já debilitado pela idade, labutou nela até à sua morte, em 1896. Bruckner, um católico devoto, dedicou a sua derradeira obra a Deus; já Verdi seria agnóstico (até anticlerical, segundo alguns) mas tal não o impediu de rematar a carreira com música sacra.

Grieg, Saariaho, Tchaikovsky

Grieg, Saariaho, Tchaikovsky

Janete Santos (flauta) (na foto) e a Orquestra Metropolitana de Lisboa, com direcção de Pedro Neves, conjugam o Romantismo – as Duas Melodias Elegíacas op.34, de Grieg, e o Souvenir de Florence op.70, de Tchaikovsky–commúsica do nosso tempo: o Concerto para flauta Aile du Songe, de Saariaho, inspirado em poemas de Saint-John Perse.

Serões Musicais no Palácio da Pena

Serões Musicais no Palácio da Pena

Este evento foi cancelado para a contenção do coronavírus Os cantores Cátia Moreso e João Rodrigues e os instrumentistas António Figueiredo, Irene Lima e João Paulo Santos apresentam “Entre França e Alemanha: Leituras da Geração Romântica”, com obras de Beethoven, Berlioz, Liszt, Mendelssohn, Schumann ou Saint-Saëns.

News (24)

Os concertos estão de regresso ao Museu Nacional da Música

Os concertos estão de regresso ao Museu Nacional da Música

O retomar da actividade no Museu Nacional da Música, na Estação de Metropolitano do Alto dos Moinhos, faz-se aos poucos e em pequenas doses a partir desta sexta-feira. Até 31 de Julho, estão programados seis concertos. Cada um deles com a duração total de cerca de 40 minutos. Os artistas e os horários estão descritos abaixo. A lotação da sala será restringida às primeiras 20 pessoas que fizerem uma reserva pelo e-mail extensao.cultural@mnmusica.dgpc.pt ou, pelo telefone 21 771 0990 (das 11.00 às 17.00) e o uso de máscara é obrigatório. Os concertos são de entrada livre, desde que se adquira o bilhete (3 euros) que dá acesso ao museu. Se não for um dos 20 eleitos poderá sempre assistir aos concertos, mais tarde, no Instagram e no Facebook do Museu Nacional da Música. Os concertos 17 Julho (Sex) 16.00Concerto duplo com o duo de piano Duarte Martins e Phillipe Marques e o ensemble KVAR. 24 Julho (Sex) 16.00Concerto duplo com o duo de guitarras Mikroduo (Miguel Vieira da Silva e Pedro Luís) e o duo Maria João Sousa (voz) e Ana Luísa Monteiro (piano). 24 Julho (Sex) 17.00Tiago Sousa toca, ao piano, composições suas e de algumas das suas referências: John Cage, Federico Mompou e Arvo Pärt. O concerto está inserido no festival As Coisas Fundadas no Silêncio e tem a participação especial da violoncelista Bruna Maia Moura. 31 Julho (Sex) 16.00Concerto triplo com o guitarrista Yuri Marchese, a pianista Taissa Cunha e o ensemble de música antiga Avres Serva com Ana Paula Russo, Pedro Ma

Ainda há sardinhas, mas no jazz já é tempo de robalo

Ainda há sardinhas, mas no jazz já é tempo de robalo

Alexandre O’Neill apelava a que seguíssemos o cherne, mas também não será má ideia seguir o que edita a Robalo, se quisermos ficar a par do que se faz em Portugal na área do “jazz criativo e da música improvisada”. O catálogo da Robalo é, por enquanto, breve, mas as editoras não se medem pela extensão do catálogo, pois há algumas que se especializam no que é óbvio, redundante, consensual e inócuo. A terceira edição do festival que leva o nome da editora é uma iniciativa conjunta da Robalo, da Antena 2, do Jazz ao Centro Clube (Coimbra) e da Associação Porta-Jazz (Porto), e decorre no auditório do Liceu Camões, em Lisboa, com dois concertos por dia, sempre às 18.00 e às 19.30. Devido às condicionantes resultantes da covid-19, não terá público na sala, mas será transmitido pela Antena 2 e estará disponível no website da rádio-televisão pública. 13 de Julho 18.00: Sara Serpa/André MatosDuo de voz e guitarra de dois músicos portugueses que se têm afirmado em Nova Iorque. Serpa tem uma dezena de discos em nome próprio (alguns em parceria com Matos) e as suas colaborações incluem nomes como John Zorn, Mark Turner, David Virelles, ou Matt Mitchell. André Matos tem dois discos no catálogo Robalo, Múquina e Nome de Guerra.19.30: Miguel RodriguesO projecto Empa conta com José Diogo Martins (piano), Demian Cabaud (contrabaixo) e Miguel Rodrigues (bateria). 14 de Julho 18.00: Lost in TranslationCom José Soares (saxofone), André Matos (guitarra) e André Carvalho (contrabaixo).19.30: Desid

Orquestra Gulbenkian regressa aos concertos com sinfonias de Beethoven

Orquestra Gulbenkian regressa aos concertos com sinfonias de Beethoven

Pense na palavra “sinfonia”. Qual é a primeira coisa que lhe vem à mente? É muito provável que seja o “ta-ta-ta-TAAA” – três notas curtas, uma longa – que abre a Sinfonia n.º 5 de Beethoven. Na verdade, o “ta-ta-ta-TAAA” não se limita a abrir a sinfonia, é omnipresente ao longo de todo o I andamento, sob diversas formas, em diferentes instrumentos e combinações de instrumentos, reiterado com insistência quase maníaca, num martelar obsessivo (“o Destino batendo à porta”, nas palavras de Beethoven). É por isso que estas quatro notas não nos saem da cabeça e é por isso que passaram a ser um sinónimo de “sinfonia” e até de “música clássica”. [I andamento (Allegro con brio) da Sinfonia n.º 5, pela orquestra Anima Eterna, em instrumentos de época, com direcção de Jos van Immerseel (Zig Zag Territoires)] Beethoven meditou e experimentou longamente até chegar a este “ta-ta-ta-TAAA” genial. O compositor, que nasceu há 250 anos em Bona, foi uma criança-prodígio e publicou a sua primeira peça com apenas 12 anos, mas a sua estreia no formato sinfónico só surgiu quando já tinha 30 anos – idade com que Mozart já compusera 37 das suas 41 sinfonias. A “demora”, foi justificada, pois embora a Sinfonia n.º 1 seja tributária das últimas sinfonias de Haydn e Mozart, já exibe marcas da personalidade musical de Beethoven. Seria preciso esperar mais alguns anos para que o génio de Beethoven desabrochasse plenamente, primeiro na Sinfonia nº 3, estreada em 1805, e na n.º 5, estreada em 1808.

Silêncio, que se vai ouvir Música na Biblioteca

Silêncio, que se vai ouvir Música na Biblioteca

A Orquestra Metropolitana de Lisboa regressa à Biblioteca Nacional nos dias 3 e 10 de Julho. O programa do mini-ciclo Música na Biblioteca tem em comum a articulação de um compositor do Classicismo Vienense com um compositor português do nosso tempo. No concerto de 3 de Julho, a Sinfonia n.º 36 K.425 Linz de Mozart, tem a companhia do Concerto para flauta Giochi di Uccelli (“Jogos de Aves”), de Sérgio Azevedo. A primeira foi composta em 1783, quando Mozart visitou Salzburg com a esposa, Constanze, e no caminho de regresso passou por Linz, onde se hospedou na palácio do Conde Thun. Para agradecer a hospitalidade, ofereceu-se para dar um concerto e como não trazia consigo a partitura de uma sinfonia, dispôs-se a compor uma – em apenas quatro dias. O concerto de Azevedo foi estreado em 2017 pela Orquestra Metropolitana de Lisboa, tendo como solista o dedicatário da obra, Nuno Inácio, que volta agora a desempenhar esse papel, sob a batuta de Pedro Amaral. [III andamento (Menuetto) da Sinfonia n.º 36 de Mozart, pelos English Baroque Soloists, em instrumentos de época, com direcção de John Eliot Gardiner (Philips)] O concerto de 10 de Julho combina a Abertura Coriolano op.62 e o Triplo Concerto para violino, violoncelo e piano op.56, de Beethoven, com a Fantasia para piano e orquestra LG.74, de Fernando Lopes-Graça. Pouco se sabe sobre a génese do Triplo Concerto, cuja composição foi concluída em 1803 mas só se estreou cinco anos depois. Uma fonte sugere que Beethov

Mate as saudades da grande ópera no Teatro Nacional de São Carlos

Mate as saudades da grande ópera no Teatro Nacional de São Carlos

Por enquanto não é possível organizar banquetes, portanto o Teatro Nacional de São Carlos propõe dois menus de degustação, na sexta-feira 26 (21.00) e domingo 28 (16.00), em que desfilarão alguns dos acepipes favoritos do grande público. No nosso teatro de ópera vão ouvir-se excertos da Carmen, de Bizet, do Faust, de Gounod, dos Pagliacci, de Leoncavallo, da Cavalleria Rusticana, de Mascagni, de Les Contes d’Hoffmann, de Offenbach, e do Rigoletto, de Verdi, bem como célebre Méditation da Thais, de Massenet. A interpretação será de Dora Rodrigues (soprano), Rita Marques (soprano), Cátia Moreso (mezzo-soprano), Carlos Cardoso (tenor) e André Henriques (barítono) e Orquestra Sinfónica Portuguesa, sob a direcção de José Eduardo Gomes. Teatro Nacional de São Carlos. sex 26 (21.00) e dom 28 (16.00). 20€. + Os concertos estão de regresso ao Hot Clube, mas ainda à distância Ainda não leu a nova Time In Portugal? Leia aqui a edição desta semana

Os concertos estão de regresso ao Hot Clube, mas ainda à distância

Os concertos estão de regresso ao Hot Clube, mas ainda à distância

A principal razão que levou à fundação do Hot Clube de Portugal em 1948 foi “a divulgação da música jazz“, e como o espaço do clube e as presentes regras de distanciamento social são incompatíveis com concertos ao vivo, a alternativa encontrada para prosseguir a missão do clube são as transmissões em live streaming dos concertos no palco do HCP. Estas terão lugar às quintas e sextas-feiras entre as 22.00 e as 23.15 e a exiguidade do palco face às recomendações de distanciamento impõe que as formações não excedam o formato trio. A transmissão directa dos concertos far-se-á através da plataforma Crowdcast e requer o pagamento de bilhete (7,50 €) através do respectivo link (que permanecerá activo durante alguns dias). O acesso é gratuito para sócios do HCP com as quotas em dia, mediante e-mail para hcp@hcp.pt informando dos concertos a que pretende assistir (mais informações no site da sala lisboeta). Os concertos nesta modalidade estreiam na quinta e sexta-feira, dias 18 e 19 de Junho respectivamente, com o trio TGB e os bilhetes podem ser adquiridos em aqui (dia 18) e aqui (dia 19). TGB não é nenhuma declinação nortenha do TGV, são as iniciais de tuba (Sérgio Carolino), guitarra (Mário Delgado) e bateria (Alexandre Frazão), uma insólita (mas eficaz) combinação instrumental que promove um vivo e irónico convívio entre jazz, rock e metal e que já editou três discos muito recomendáveis: TGB, Evil Things e III, todos na Clean Feed. Além de composições próprias, os TGB também reinv

'The Great Influenza' recorda uma das pandemias mais letais da história

'The Great Influenza' recorda uma das pandemias mais letais da história

Há pouco mais de um século, o mundo foi varrido por uma pandemia que fez mais estragos do que a I Guerra Mundial. The Great Influenza: The Story of the Deadliest Pandemic in History, de John M. Barry, está entre os livros mais conceituados sobre este trágico evento. ★★☆☆☆ Embora a simbologia dos Quatro Cavaleiros do Apocalipse seja nebulosa e assunto de debate, a interpretação mais consensual associa o primeiro, que monta um cavalo branco, à Pestilência, o segundo (cavalo vermelho) à Guerra, o terceiro (cavalo negro) à Fome e o quarto (cavalo amarelo) à Morte. No início de 1918, o cavaleiro que detinha, por larga margem, a primazia, era a Guerra, mas não tardou que a Pestilência jogasse uma cartada inesperada, que ficou conhecida como “gripe espanhola” ou “gripe pneumónica”, e que superasse em apenas um ano – as estimativas vão de 50 a 100 milhões de mortos – o score do segundo cavaleiro, já que, em quatro anos, a I Guerra Mundial fez “apenas” 20 milhões de vítimas. Note-se que o nome “gripe espanhola” nada tem a ver com a sua origem. Resulta simplesmente de a censura que vigorava nos países beligerantes ter abafado qualquer menção à epidemia, enquanto em Espanha, que era neutral, a imprensa relatou sem restrições o que estava a acontecer. A verdadeira origem é, ainda hoje, alvo de debate aceso: há quem sugira que nasceu num hospital militar britânico em Étaples (França), enquanto John M. Barry, o autor de The Great Influenza: The Story of the Deadliest Pandemic in History (p

Lux vai ter concertos de música clássica em 2020

Lux vai ter concertos de música clássica em 2020

Música clássica é na Gulbenkian, no São Carlos e no CCB, no Lux é para dançar? O Ciclo Boca do Lobo promete baralhar estas certezas, entre Janeiro e Junho de 2020, na terceira quinta-feira de cada mês. Quem frequente concertos de música clássica ou assista às transmissões televisivas a partir das grandes salas de concertos do mundo, ou os respectivos vídeos disponíveis no YouTube, não pode deixar de constatar que os cabelos grisalhos e as calvas luzidias são dominantes entre o público. A proliferação de orquestras juvenis – de que a Orquestra Sinfónica Juvenil Simón Bolívar ou a Orquestra Juvenil Gustav Mahler são expoentes – até veio trazer um rejuvenescimento do lado do palco, mas do lado do público a idade média parece continuar a aumentar. E não é só uma questão de idade – há também barreiras de status social, há a aura de solenidade que rodeia o evento, os códigos de vestuário de músicos e público, os pequenos rituais (“não se pode aplaudir entre andamentos!”), enfim uma conjugação de conspirações que fazem com que a música clássica pareça encerrada numa bolha. Há quem combata essas bolhas através de programações que desafiam as convenções e actuando em lugares pouco usuais para a música clássica. Se há espaço em Lisboa que não se associa a música clássica é o Lux-Frágil, mas as coisas começaram a mudar: em Abril passado ouviu-se Stimmung (1968), de Karlheinz Stockhausen, pelo Coro Gulbenkian, e em 2020, o jovem maestro Martim Sousa Tavares, fundador da Orquestra Sem Fro

Uma ópera para a era do Instagram

Uma ópera para a era do Instagram

A máscara funerária de uma mulher que se terá afogado no Sena há mais de um século inspira uma ópera que reflecte sobre o papel da imagem na sociedade do século XXI. As fotografias durante o concerto não só são permitidas como incentivadas. Ter um rio junto à cidade oferece vantagens e certamente que muito do encanto e da tão louvada luz de Lisboa resultam da proximidade do Tejo. Mas um rio e as pontes que o atravessam podem também dar ideias aos suicidas e, nesse domínio, Paris, com uma trintena de pontes sobre o Sena, pode ser considerada uma cidade perigosa. No início do século XIX, as pontes ainda não eram 30, mas eram as bastantes para que algumas dezenas de pessoas se lançassem anualmente ao rio – só entre 1790 e 1801, foram resgatados das águas os cadáveres de 410 afogados anónimos, o que levou as autoridades municipais a criar uma morgue, no Quai de l’Archevêché, só para acolher estes corpos e expô-los ao público, a fim de poderem ser identificados e reclamados. O número de afogados foi crescendo – foram 376 só em 1864 – e a nova morgue tornou-se num dos locais mais visitados da capital francesa, sobretudo aos fins-de-semana, até ser encerrada em 1907, passando a identificação dos mortos anónimos a fazer-se através de fotografias. O fascínio mórbido pelos afogados do Sena conheceu um pico por volta de 1900, com a divulgação da imagem de uma máscara funerária que corresponderia, supostamente, a uma rapariga resgatada do Sena na década de 1880 e cuja beleza e expressão

Festival de Jazz de Lisboa: a cidade tem swing!

Festival de Jazz de Lisboa: a cidade tem swing!

O Festival de Jazz de Lisboa estreia-se no Teatro São Luiz, numa co-produção com o Hot Clube de Portugal. Cinco dias que misturam músicos portugueses e estrangeiros e veteranos e iniciados. Nas últimas duas ou três décadas multiplicaram-se os festivais de jazz por todo o país, mas, paradoxalmente, Lisboa não tinha nenhum festival que levasse o seu nome – agora já tem e propõe cinco dias de concertos e workshops, estes últimos dedicados aos jovens que estão a dar os primeiros passos nesta via. Os concertos arrancam com a Orquestra de Jazz do Hot Clube de Portugal & John Hollenbeck (Qua, 21.00, 9-17€). A big band do HCP, que existe desde 1991, convidou o baterista americano John Hollenbeck, com vasto curriculum como compositor (não só no jazz como na música “erudita”) e que há mais de duas décadas lidera o Claudia Quintet e o John Hollenbeck Large Ensemble, constituído por 18jazzmende elite – em Lisboa terá idêntico número de músicos. O Bernardo Moreira Sexteto (Qui. 21.00, 10€) apresenta “Entre Paredes: A música de Carlos Paredes”, que retoma um projecto materializado no CD Ao Paredes Confesso (2003). Nesta ocasião, a homenagem contará com João Moreira (trompete), Tomás Marques (sax), Mário Delgado (guitarra), Ricardo Dias (piano), Bernardo Moreira (contrabaixo) e Joel Silva (bateria). O concerto João Barradas & Mark Turner (Qui, 22.30, 10€) reúne uma jovem promessa portuguesa do acordeão, nascida em 1992, a um americano consagrado do jazz, que nasceu em 1965, fez a primeira g

SeixalJazz: a melhor desculpa para ir à outra margem

SeixalJazz: a melhor desculpa para ir à outra margem

O SeixalJazz é um incentivo a que se atravesse o rio e se descubram outras facetas do jazz. Apresentamos-lhe a programação da primeira semana. Quando se fizer uma história da bateria jazz do século XXI, o americano Mark Guiliana será um dos nomes de menção obrigatória. Guiliana soma o conhecimento aprofundado da velha escola do jazz com a experimentação em torno de break beats e outros ritmos da música electrónica actual. A segunda faceta está patente no projecto Beat Music, com os sintetizadores de Jeff Babko e o baixo eléctrico de Tim Lefebvre, no trio Heernt, no duo Mehliana, com Brad Mehldau nos teclados, ou no projecto High Risk, de Dave Douglas. Guiliana sente-se igualmente como um peixe na água do jazz de alta energia dos Phronesis e de Avishai Cohen – ouçam-se as duas obras-primas que são Alive (2010) e Gently Disturbed (2008). E tem sido peça indispensável no quinteto de Donny McCaslin, que David Bowie recrutou para o seu derradeiro álbum, Blackstar (2016) – Guiliana é o principal motivo de interesse deste sobrevalorizado disco (eis uma asserção que indignará certamente os fãs de Bowie). Ao Seixal, porém, o baterista traz jazz mais ortodoxo – o do seu álbum mais recente, Jersey (2017), que gravou com Jason Rigby (sax), Fabian Almazan (piano) e Chris Morrissey (contrabaixo), a mesma equipa que se apresenta na sexta-feira. O projecto Transporte Colectivo (sábado) também é obra de um baterista: José Salgueiro apresenta-se à frente de um quinteto com Guto Lucena (sax,

Benjamin Clementine de regresso a Lisboa

Benjamin Clementine de regresso a Lisboa

Benjamin Clementine dá um concerto no Campo Pequeno na quinta-feira. Traz o segundo disco, I Tell a Fly. “E então, do nada/ Do nada absoluto, nasci eu, Benjamin,/ Para que, quando um dia me tornar alguém,/ Me lembre sempre que vim do nada”, canta Clementine em “Condolence”. O vácuo absoluto não existe, mesmo no abismo negro entre as estrelas, e na sua viagem a caminho deste planeta Clementine foi absorvendo materiais heteróclitos: música para piano impressionista ionizada, chanson francesa em estado gasoso, ecos deformados de synth pop, estilhaços de música barroca, pulsações minimal-repetitivas, música de câmara sideral. Um músico dito normal não saberia o que fazer com esta colecção de bizarrias, mas Benjamin Clementine, que aterra quinta-feira no Campo Pequeno, tem talentos sobre-humanos: o dele é o de dar coerência e sentido a elementos que as leis da Física ditariam ser irreconciliáveis. O álbum de estreia, At Least For Now, de 2015, assentava na voz e no piano, com um baixo e uma bateria a dar impulso adicional a algumas faixas e uma secção de cordas a providenciar dramatismo. Foi distinguido com o Mercury Prize de 2015. Alguns dos que o saudaram, contudo, receberam com reserva a estranheza ainda mais retorcida de I Tell a Fly, de 2017, em que o piano passou a partilhar o protagonismo com electrónica e cravo (uma ave rara no pop-rock), os floreados e maneirismos vocais se tornaram mais extravagantes e o espectro atmosférico se dilatou para abarcar uma teat