Global icon-chevron-right Portugal icon-chevron-right Turismo industrial, uma viagem pelo património fabril do Norte

Turismo industrial, uma viagem pelo património fabril do Norte

Um roteiro por fábricas visitáveis cuja produção vai de vento em popa, antigas explorações recuperadas e outras que, embora à espera de melhores dias, ainda contam boas histórias

Fábrica de Moagens Harmonia
©Marco Duarte
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A preservação do património industrial e a aposta na sua divulgação turística são já uma realidade no Porto e cidades vizinhas. Regularmente chegam pessoas do Brasil, da Nova Zelândia e até do Japão para visitar fábricas no Norte. Fábricas de onde saíram produtos que lhes passaram pelas mãos algures longe daqui. Talvez lhes tenham chegado como recordação de um familiar, talvez estejam à venda numa qualquer loja gourmet perto do sítio onde trabalham, talvez morem ao lado de uma mercearia portuguesa com conservas, chocolates, sabonetes e outras coisas fabricadas por cá, não sabemos. Mas com tantos forasteiros encantados com a nossa indústria, também nós decidimos mergulhar de cabeça neste sector. Por entre latas de atum e pastas dos dentes, mostramos-lhe tudo o que acontece antes de os produtos chegarem às prateleiras de lojas espalhadas pelo mundo inteiro. Siga este roteiro por fábricas visitáveis cuja produção vai de vento em popa, antigas explorações recuperadas e outras que, embora à espera de melhores dias, ainda contam boas histórias. Não se vai arrepender.

Turismo industrial, uma viagem pelo património fabril do Norte

Fábrica de conservas Ramirez
© Marco Duarte
Coisas para fazer

Conservas Ramirez, uma fábrica com muita lata

A produzir desde 1853

Até ao momento, que se saiba, não há peixe no espaço sideral. Mas, se não fosse o forte cheiro a pescado e maresia, seria fácil confundir a fábrica de conservas Ramirez, em Matosinhos, com uma estação intergaláctica do futuro, altamente automatizada. As latas vêm do tecto, encaminhadas até às secções de atum, sardinha ou cavala, através de uma espécie de auto-estrada
 feita à medida; e os molhos, preparados na cozinha industrial, são distribuídos com a ajuda de grossos tubos que cobrem toda a área de produção da conserveira. Isto até 
nos dirigirmos à zona de embalamento que, feito por maquinaria de ponta, impressiona quem se aproxima pelos gestos mecanizados dos braços robóticos. Ainda assim, a fábrica emprega mais de 200 funcionários, sendo que alguns deles já pertencem à terceira geração de uma família que ali entrou pela primeira vez no início do século passado. Na Ramirez há uma dualidade que enche de orgulho quem lá trabalha. Se por um lado são a mais antiga conserveira do planeta em laboração – fundada em 1853 pelo espanhol Sebastian Ramirez em Vila Real de Santo António –, por outro são também a mais moderna e ecológica do sector a nível mundial e uma das cinco melhores da indústria alimentar, segundo a opinião de vários auditores internacionais. E não é para menos, o controlo de qualidade e a segurança são duas das grandes bandeiras da Ramirez, que produz cerca de 45 milhões de latas por ano e recebe curiosos de todo o mundo. O turismo industrial é uma das grandes tendências e a Ramirez não a deixou passar em branco. Chegam turistas regularmente do Brasil, da Nova Zelândia e até do Japão para conhecer a fábrica que produz uma marca reconhecida mundialmente e que, vista do espaço, tem a forma de uma lata de atum.

As visitas de grupo com marcação (25 pessoas/mínimo) custam 13€ com degustação ou 10€ sem. As visitas espontâneas, sem acesso à fábrica, e as visitas para escolas com marcação e visita à fábrica, são gratuitas. 22 999 7878. Seg-Sex 09.00-17.00.

Fábrica Arcádia
©Marco Duarte
Compras, Chocolates e doces

Arcádia, uma armadilha para gulosos

A produzir desde 1933

Margarida Bastos tenta-nos a
 cada instante: “Tirem um bombom, 
são todos feitos de forma artesanal”, sorri a administradora. Uns passos adiante, repete. “Estes de toffee são uma novidade e são muito bons, provem”. Provámos. São incríveis, sim senhora. Não vale a pena achar que vai resistir porque está de dieta ou de barriga cheia. A Arcádia é uma armadilha para gulosos, e até os mais pequenos e inofensivos bombons, que nos fazem olhinhos nos tabuleiros, parecem conspirar contra nós para serem comidos com sofreguidão.

O cheiro a chocolate é inebriante logo pela manhã e espalha-se pela fábrica, que emprega cerca de 160 trabalhadores. Mudaram-se em meados de 2017 para Grijó, em Vila Nova de Gaia, mas mantiveram o espaço na Rua do Almada, no Porto. Será aqui que, futuramente, a marca irá criar uma loja-museu para explicar o processo de produção do chocolate e onde vai ser possível ver as senhoras a pintar as famosas drageias à mão.

O complexo em Gaia já começou a trabalhar a todo o vapor. “O Natal 
é um pico de produção, é uma daquelas alturas do ano em que produzimos a dobrar. Chegamos a fabricar cerca de 65 mil bombons por dia”, conta a neta de Manuel Pereira Bastos, fundador da Arcádia. E isto, para uma marca artesanal,
 é dose, especialmente quando têm mais de 70 variedades de bombons diferentes.

Mais adiante, duas senhoras em frente a uma panela mergulham cascas de laranja confitadas em chocolate negro. Fazem o laranjim, um dos produtos da marca. “Os nossos recheios são todos confeccionados aqui com matérias-primas de alta qualidade, cumprindo à risca as receitas originais”, garante. Trabalham sobretudo com chocolate belga negro 51% cacau e chocolate belga de leite com 31% cacau. “O chocolate é temperado nas temperadoras. É aquecido até 45º e depois arrefecido até 27º para que fique com as características ideais de brilho, suavidade, sabor e qualidade que um bom chocolate deve ter”. Tudo como manda a tradição.

A fábrica não recebe visitas mas um dos planos futuros da Arcádia é transformar a loja da Rua do Almada, no Porto, numa loja-museu. 22 200 1518. Seg-Sex 09.30- 19.00, Sáb 09.30-17.30.

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Fábrica Couto
©Marco Duarte
Casas

Couto, SA – uma fábrica com muita pasta

A produzir desde 1931

Para grandes males, grandes remédios. Em 1931, numa pequena farmácia no Largo de São Domingos, no Porto, Alberto Ferreira do Couto, tio de Alberto Gomes da Silva, actual dono da marca, descobria, com a ajuda de um médico dentista, que se juntasse clorato de potássio à sua pasta dos dentes tratava muitos “males da boca”.

E a epifania desse dia foi semelhante
 à descoberta da pólvora, já que o sucesso retumbante permitiu a muita gente da altura manter a dentadura que tinha.

“Naquela época havia uma doença muito comum chamada sífilis que fazia com que os dentes caíssem. As pessoas inclusivamente iam à farmácia comprar saquetas de 50 gramas de clorato de potássio que dissolviam na água. O meu tio juntou-o à pasta e as vendas correram muito bem”, conta Alberto, sorridente, e a rebolar uma bisnaga de 60 gramas entre os dedos.

A fórmula manteve-se intacta desde então, mesmo quando as normas impostas pela União Europeia obrigaram a que a pasta medicinal Couto passasse a chamar-se pasta dentífrica Couto.

Primeiro pesam-se os ingredientes 
que, depois, são introduzidos no reactor 
por sucção. Numa manhã fazem-se cerca
 de 300 quilos de pasta branca que ficam 
de quarentena, a aguardar o resultado da microbiologia, durante quatro ou cinco dias. Se o lote estiver perfeito, segue para o enchimento e daí para o embalamento. Nada é testado em bichos e componentes de origem animal ficam de fora.

A produção é feita num pequeno armazém a cheirar a menta no complexo industrial
 da Utic, em Vila Nova de Gaia, onde seis trabalhadores, com a ajuda de quatro máquinas, fazem até 30 mil bisnagas por dia. É muita pasta.

A fábrica não recebe visitas. Largo da Utic, 100 - H2 (Vila Nova de Gaia). 227 169 760.

Paupério
© João Saramago
Compras, Chocolates e doces

Paupério, tudo corrido à bolachada

A produzir desde 1874

Nem sempre a vida da Paupério foi doce como os seus biscoitos e bolachas. Fundada em 1874 por António de Sousa Malta Paupério e Joaquim Carlos Figueira numa terra fortemente ligada à indústria panificadora – conta-se que a proximidade de Valongo com
o rio Ferreira foi boa para a plantação de cereais e para a construção de moinhos para moagem do grão –, esta fábrica familiar correu o risco de fechar as portas pouco depois do 25 de Abril.

A entrada de produtos mais competitivos no país e a construção de hipermercados empurrou para o declínio uma marca de biscoitos bem conhecida dos portugueses, que se viu então obrigada a despedir funcionários, alguns deles a trabalhar há já várias décadas na fábrica.

Mas como não há fome que não dê em fartura, a sorte da Paupério mudou. A procura pelo vintage e por tudo quanto é retro, fez nascer o chamado “mercado da saudade” e hoje é rara a mercearia gourmet que não tenha em exposição uma das suas míticas latas azuis e brancas de biscoitos sortidos. Dentro delas há fidalguinhos, um dos ex-líbris da marca, feitos numa máquina comprada em Inglaterra, em 1910, e que ainda funciona, cozidos num forno de 18 metros de comprimento, e embalados à mão.

Se quiser ver a fábrica em actividade, apareça por lá. A Paupério tem visitas pensadas para quem quer ficar a conhecer mais sobre a sua história. O percurso inclui um passeio pela zona de fabrico, onde as pessoas ficam a conhecer as etapas de produção, e termina no núcleo museológico, onde há várias máquinas, algumas delas com mais de um século de trabalho em cima.

Para grupos organizados e escolas, as visitas acontecem às terças e às quartas das 09.30 às 12.30 e das 14.30 às 16.30. A primeira quinta-feira do mês é reservada para visitas particulares. Os adultos pagam 2€, dedutíveis em compras iguais ou superiores a 10€, e as escolas pagam 1€ e recebem um pacote de biscoitos.

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Claus Porto
©Marco Duarte
Casas

Claus Porto, cheira bem, cheira a Porto

Grande Porto

A produzir desde 1887

Nunca nenhuma marca deu tantas ensaboadelas aos portugueses. E ainda bem. Fundada em 1887 por Ferdinand Claus e Georges Schweder, dois alemães que abriram na Invicta a primeira fábrica nacional de perfumes e sabonetes, a marca faz este ano 132 anos, e muita água (com ou sem espuma) correu desde então.

Em 1916, por causa da I Guerra Mundial, Ferdinand foi forçado a abandonar o país e
 a fábrica foi nacionalizada. Só alguns anos mais tarde, já no rescaldo do conflito, é que
 a Claus & Schweder é adquirida e integrada na Ach Brito, a empresa de Achilles de Brito, que já era contabilista e sócio da marca de sabonetes. A empresa passa a concentrar em si todo o processo de produção, desde 
a confecção do sabonete até ao design das embalagens, tornando a Claus Porto num produto de luxo muito requisitado pelos mercados internacionais.

A crescente procura deve-se, sobretudo, ao processo minucioso e manual, segundo o qual tudo é feito. Só depois de vários testes (nunca em animais) é que a massa de sabão e os corantes são misturados. As barras solidificadas são cortadas à mão e os cordões acrescentados um a um. Terminados todos estes passos, o sabonete está pronto a ser cunhado numa máquina de prensar. Retira-se o excesso e envolve-se em papel vegetal, à mão, antes de ser embalado. No Verão de 2017, a marca abriu na Rua das Flores uma loja-galeria que, além de vender os produtos da marca, como sabonetes, águas-de-colónia e cremes de mãos, tem uma galeria que conta esta história através de desenhos, litografias, recortes de jornais e anúncios publicitários dos anos 40 e 50, e que vale a pena conhecer.

Loja: Rua das Flores, 22. 91 429 0359. Todos os dias 10.00-20.00.

FEPSA - Feltros Portugueses
©Marco Duarte
Coisas para fazer

FEPSA – Feltros Portugueses, a união faz a força

A produzir desde 1969

A visita foi feita envolta em secretismo e não era caso para menos. A FEPSA – Feltros Portugueses, S.A. é uma das dez únicas empresas de feltros do mundo e, entre estas, a com maior fatia no mercado – representa 1/3 da produção mundial. Por isso, todos os cuidados são poucos e estão atentos a qualquer indício de espionagem industrial.

A fábrica fica em São João da Madeira, mas se nos dissessem que estávamos na Amazónia não duvidaríamos. Lá dentro o calor e a humidade atingem níveis bastante elevados, tudo em prol do feltro, que precisa destas condições para ficar na sua melhor forma. Mas passemos a explicar. O feltro é um não tecido e resulta da união de fibras naturais através da acção do calor, da humidade e de alguma acidez. Aqui só trabalham com pêlo de coelho, lebre, castor e lã.

A arcagem é o primeiro passo do processo de produção e consiste na fase em que o pêlo é largado sobre um cone metálico, criando um manto em forma de cone. Depois, este passa à semussagem, numa máquina que consolida a união das fibras para que o feltro não rasgue – a expressão a união faz a força, faz aqui todo o sentido.

O primeiro controlo de qualidade é feito logo em seguida. Detectam-se manualmente eventuais falhas e consertam-se porque, caso contrário, 
o feltro não é recuperável. Depois disso (ninguém diria que este material é tão bem tratado), vai directo para uma máquina de encolher, para ficar com o tamanho desejado, e passa ainda para uma outra chamada de fulão, que lhe dá pancada, antes da pré-formação. É nesta secção que se dá ao feltro o aspecto de um chapéu inacabado. Por dia, os cerca de 100 trabalhadores produzem mais de 3000 feltros para chapéus. E há muitos nesta fábrica.

Visitas às terças e quintas das 9.00 às 11.00 e das 14.00 às 16.00. Os preços vão dos 3€ aos 9€. Rua de Cucujães, 192 (São João da Madeira). 256 200 204.

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Viarco
©Marco Duarte
Coisas para fazer

Viarco, uma fábrica com muita pinta

A produzir desde 1936

As instalações velhas fazem parte do charme. A Viarco, em São João da Madeira, tem um carisma inexplicável: cheira a papelaria antiga e a bancos de escola.

Esta história começa no piso inferior, num armazém negro pintado pelas minas que se espalham pelo chão, por cima das bancadas 
e no rosto de quem mistura grafite, argila e água para fazer o primeiro passo no processo de fabricação de um lápis: a mina. Esta secção, à qual também chamam de “cápsula 
do tempo”, está repleta de máquinas em funcionamento desde a fundação da fábrica, em 1936, em Vila do Conde, por Manoel Vieira Araújo.

Daqui seguimos para a arredondagem. Colocam-se duas placas de madeira, já com a forma bruta de um lápis – usam maioritariamente madeira de cedro da Califórnia –, em redor da mina e afina-se o objecto. Por fim, os acabamentos, altura em que os lápis passam por várias camadas de tinta sobre um tapete rolante.

Porém é também neste antigo espaço, repleto de nostalgia, que se fazem alguns dos produtos mais inovadores do segmento. O Art Graf Taylor, por exemplo, é a estrela
 da companhia: um composto de caulino, pigmento e talco, que resultou numa ferramenta versátil, de forma quadrada, que faz lembrar o giz dos alfaiates. Consoante a forma como for usado, pode ser tinta, pastel, aguarela ou lápis de cor, ou seja, com ele
 é possível fazer traços mais finos ou mais grossos, usar muita ou pouca água. Como é fácil de imaginar, nem sempre a vida da Viarco foi colorida como os seus lápis de 
cor. E a marca, que continua a somar pontos, sobretudo lá fora, fá-lo em grande parte graças à persistência dos 25 funcionários que trabalham lado a lado com José Vieira, bisneto do fundador. “O facto de fazermos um objecto que está ligado ao desenvolvimento do ser humano, que é uma ferramenta criadora, faz com que não nos possamos dar ao luxo de deixar a marca morrer”, diz.

Visitas: Segundas das 14.00 às 16.00. Terças, quartas e quintas das 09.00 às 11.00 e das 14.00 às 16.00. Sextas das 09.00 às 11.00. Os preços vão dos 3€ aos 9€. Rua Jaime Afreixo, 533 (João da Madeira). 25 620 0204.

Oliva - Oficinas Metalúrgicas
©Marco Duarte
Atracções, Edifícios e locais históricos

Para recordar: Oliva – Oficinas Metalúrgicas

Tanto a Fepsa como a Viarco fazem parte de um projecto de turismo industrial, criado em 2012 pela Câmara Municipal de São João da Madeira, que tem como objectivo preservar e dar a conhecer o legado arqueológico industrial do concelho através de circuitos turísticos.

As visitas começam todas aqui, na torre que vê na imagem, onde funcionou a Oliva – Oficinas Metalúrgicas, a fábrica de António José Pinto de Oliveira, fundada em 1925.

Inicialmente dedicada à fundição e à serralharia, neste complexo industrial produziram-se, ao longo de quase 90 anos, alfaias agrícolas, materiais para a indústria chapeleira (que sempre foi muito forte no concelho), fogões de cozinha, ferros de engomar e até torneiras.

Só mais tarde, no final da década de 40, é que começaram a produzir as máquinas de costura que a tornaram famosa e líder no mercado durante mais de 30 anos.

Depois de vários processos de insolvência, a Oliva fechou as portas em 2010, mas a Câmara Municipal não a deixou morrer e deu-lhe uma uma nova vida, agora, ligada ao turismo.

Rua António José de Oliveira Júnior, 591 
(São João da Madeira). 25 620 0204. Seg-Sex 09.00-12.30; 14.00-17.00.

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Conservas Brandão, Gomes & CA.
©DR
Museus, História

Para recordar: Conservas Brandão, Gomes & CA.

Grande Porto

Dois pares de irmãos de diferentes famílias de Ovar, regressados do Brasil, onde fizeram fortuna, fundaram em Espinho, em 1894, uma fábrica de conservas que trabalhava sobretudo a sardinha. O crescimento que sentiram nos anos seguintes (no final do século XIX empregavam já cerca de 500 trabalhadores) fez com abrissem uma filial em Matosinhos, em 1904, e outra, logo de seguida, em Setúbal, em 1913.

A produção foi-se diversificando ao 
longo dos anos e legumes em mostarda ou vinagre, e até azeite, também fizeram parte do negócio. A fábrica já não existe, mas nas suas instalações, de forma a preservar a memória, funcionam hoje o Fórum de Arte e Cultura de Espinho e o Museu Municipal.

Museu Municipal de Espinho. Seg-Sex 10.00-17.00. Sáb 11.00-13.30/14.30-18.00. Bilhetes 1,20 € a 2,40€. 227 326 258.

Fábrica de Moagens Harmonia
©Marco Duarte
Hotéis

Para dormir: Fábrica de Moagens Harmonia

Campanhã

Quem vem e atravessa o rio vê a imponente fachada da Pousada do Porto – Hotel Palácio do Freixo, do grupo Pestana, bem junto à margem. Além de englobar o palácio barroco do século XVIII, projectado pelo arquitecto italiano Nicolau Nasoni, desta pousada de luxo faz também parte a antiga Fábrica de Moagens Harmonia, fundada em 1890.

Especializada na conversão
 do trigo em diferentes tipos de farinha, forneceu grande parte da indústria de panificação do Norte e Centro do país. Em 1999, o espaço, já sem a fábrica a laborar, passa para a autarquia e está agora a ser explorado pelo grupo Pestana.

Se sempre sonhou dormir dentro de uma fábrica, fique a saber que este hotel, além da vista para o rio, tem spa, restaurante, jardins e uma piscina panorâmica.

Estrada Nacional, 108. 22 531 1000. Quartos a partir de 300€.

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Hotel Fábrica do Chocolate
©DR
Hotéis

Para dormir: Avianense

Grande Porto

São muitos os vianenses que ainda se lembram do cheiro a chocolate que se espalhava pela cidade sempre que a fábrica começava a produzir. A marca Avianense, fundada em Viana do Castelo, em 1914, é o mais antigo negócio de chocolates do país ainda em funcionamento. Em 2004, após ter entrado em falência, foi comprada e mudou as instalações para Barcelos.

O antigo edifício foi entretanto recuperado, para dar lugar ao hotel Fábrica do Chocolate, cujos quartos foram baptizados com nomes sugestivos como “Charlie e a Fábrica de Chocolate” ou “Hänsel
 und Gretel”. Há ainda tratamentos de chocoterapia e um museu sobre a história do chocolate para visitar.

Rua do Gontim, 70-76 (Viana do Castelo). 25 824 4000. Quartos a partir de 100€.

Companhia Aurifíca
©Luís P. Leite
Atracções

Para espreitar: Companhia Aurifícia

Baixa

Fez brilhar a cidade como poucas. Fundada em 1864, a Companhia Aurifícia trabalhou a todo o gás durante quase 150 anos. E para vários sectores. Foi uma das fábricas pioneiras em Portugal na produção de objectos de ourivesaria em prata e ouro, fez peças de arte sacra, faqueiros e serviços de chá. Também se destacou, e bem, na fundição de metais e na produção de ferragens, de arame farpado, de pregos e de parafusos. Em 2010 fechou definitivamente as portas e foi adquirida em 2018 – a extensa propriedade, que ocupa 1,6 hectares, foi posta à venda em 2013 por 10 milhões de euros.

Apesar de nunca ter sido visitável (a não ser para os leitores da Time Out que aqui festejaram, em 2012, o 2º aniversário desta revista), são poucos os portuenses que não reconhecem a fachada com azulejos bordeaux na Rua dos Bragas. Para lá das portas há uma viagem no tempo. Além da maquinaria pesada de referência, há candeeiros, balanças e viaturas antigas. E até um grande arco em pedra, com o busto de Joaquim Rodrigo Pinto, primeiro administrador da companhia, esculpido por Teixeira Lopes, resistiu inexorável à passagem dos anos.


Rua dos Bragas, 230.

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Fábrica de Cerâmica e de Fundição das Devesas
©DR
Atracções

Para espreitar: Fábrica de Cerâmica e de Fundição das Devesas

Vila Nova de Gaia

Quer fotografar num cenário diferente? A Fábrica de Cerâmica e de Fundição das Devesas, em Vila Nova de Gaia, é um espaço ousado q.b. para quem anda à caça de likes nas redes sociais. Para lá entrar, basta descer a Rua de Serpa Pinto e, do seu lado esquerdo, vai encontrar um muro semidestruído que, com alguma destreza, é fácil de saltar (mas vá com calma, não se arme em campeão).

Fundada na década de 1860, por António Almeida da Costa, logo depois da chegada dos caminhos-de-ferro à vila, rapidamente se tornou na maior produtora de cerâmicas do país. Aqui fabricavam-se desde azulejos para fachadas a estátuas para jardins e túmulos para cemitérios.

Hoje, está ao abandono e em ruínas. Pares de namorados, desenhos em graffitis, gatos vadios e resquícios de cerâmica pelo chão é tudo o que por lá vai encontrar.

Rua do Conselheiro Veloso da Cruz, 185 (Vila Nova de Gaia).

Saboaria e Perfumaria Confiança
©DR
Atracções

Para espreitar: Saboaria e Perfumaria Confiança

Grande Porto

Sabiam o que era preciso para ganhar a confiança do público feminino, por isso, em Outubro de 1894, abriram, em Braga, a Silva Almeida & Ca – que mais tarde daria origem à Saboaria e Perfumaria Confiança.

A marca tornou-se numa referência e provou ao país que nem só o que vinha de fora é que era bom. Nos anos 20, apostaram em maquinaria mais avançada e chegaram a produzir mais de 150 marcas de sabonetes diferentes. Nessa altura abriram também 
a produção a novos cosméticos, como pó
 de arroz, água-de-colónia, cremes e loções. A fábrica prosperava e, nas décadas de 50 e 60, e a produção mensal chegou a atingir 36 milhões de sabonetes. Mas depois disso, veio o declínio.

A marca foi recuperada pela portuense Ach. Brito em 2009 e integra agora um segmento de charme e tradição. O espaço está em ruínas, nas mãos do município, a aguardar financiamento para novos projectos.

Rua Nova de Santa Cruz (Braga).

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Campanhã
©Marco Duarte

O caso e as casas de Campanhã

Esta zona da cidade implodiu quando o comboio chegou. A criação do caminho-de-ferro em 1877 e a construção da ponte Dona Maria Pia, no mesmo ano, tornaram Campanhã num local privilegiado para as trocas comerciais entre Lisboa e Porto. Aqui, juntaram-se então fábricas
 e armazéns de diferentes ramos. Havia unidades de moagem, tecelagem, curtumes, destilarias e saboarias, e registos antigos mencionam também a produção de fósforos de cera, palitos e filigrana.

O ritmo intenso que se fez sentir em 
pouco tempo em Campanhã começou a atrair centenas de migrantes, que vinham sobretudo das margens do Douro, à procura de emprego na cidade. Essa afluência fez com que surgisse um novo conceito habitacional ligado à classe trabalhadora e que se tornou típico no século XIX.

As ilhas, como ainda hoje se chamam, eram compostas por uma ou duas filas 
de pequenas casas no interior dos lotes, geralmente só com um piso. Eram construídas em redor das indústrias, em ruas estreitas, e a insalubridade e a falta de condições rapidamente começaram a ser um problema. Em 1939, quando se fez o Inquérito Geral às Ilhas, apurou-se que havia cerca de 40 mil pessoas a viver em quase 14 mil ilhas. Esta conclusão fez com que a partir de 1940 algumas começassem a ser demolidas.

O recente projecto de delimitação da 
área de reabilitação urbana de Campanhã (abrange aproximadamente 112 hectares 
e inclui parte das freguesias do Bonfim e de Campanhã), que tem como objectivo resolver problemas habitacionais e de saúde pública na zona, foi lançando em Março de 2015 e prevê um investimento global de 75 milhões de euros, num prazo de dez anos.

A estratégia territorial agora lançada prevê a estimulação da actividade económica,
 a promoção da mobilidade sustentável, 
a qualificação do ambiente urbano, a responsabilidade ambiental e a inclusão social. Do plano faz ainda parte a construção do Terminal Intermodal de Campanhã, que visa melhorar a rede de transportes do Porto e da zona norte, e também já está em marcha.

Outros roteiros

Ponte romana em Chaves
DR
Viagens

O melhor roteiro da EN2

Quando pensamos em férias, pensamos em praia. Quando pensamos em road trips, pensamos numa viagem longa pela costa Alentejana. Ou, os mais ambiciosos, numa ida aos EUA para fazer a route 66. Em Portugal, quando pegamos no carro é para ir de A para B – não é para percorrer o alfabeto todo. Podemos dizer, armados em chatos, que não há cultura de fruição rodoviária em Portugal. Podemos. Mas não podemos dizer que nos faltam oportunidades para percorrer grandes extensões de alcatrão. Sobretudo quando temos entre nós uma das maiores e mais antigas estradas do mundo: a Estrada Nacional 2. São 738 quilómetros que fatiam o país ao meio, mas que ainda não existem enquanto roteiro turístico – é só alcatrão, uns marcos quilométricos à beira da estrada, umas faixas a promover este itinerário e nada mais. Serve o presente guia para convidar toda a gente a fazer- se à estrada, a conhecer a EN2 e a explorar Portugal. É, também, uma forma de promover o interior do país e fazer com que a expressão “interior do país” deixe de significar apenas desertificação, esquecimento e pobreza. Há muitos “portugais” dentro de Portugal e estão todos unidos por uma linha de setecentos e tal quilómetros que vai de Chaves a Faro. Da próxima vez que pensar em férias, pense na EN2.

Coimbra
©DR
Viagens

Volta a Coimbra em 24 horas

Coimbra demorou a acordar para a modernidade e viveu a última década entretida com a ideia confortável de ser uma cidade de estudantes virada para a movida nocturna. Os bares de shots e bebidas baratas com selecção musical duvidosa, néons e público acabadinho de atingir a maioridade tomaram conta do centro histórico e assim se foi vivendo até a cidade perceber que, sendo maioritariamente da população universitária, também é dos outros todos. A procura turística disparou nos últimos dois anos e com ela apareceram uma série de negócios que, juntamente com os clássicos, deram novo fôlego à vida “coimbrinha”. Traçamos-lhe o roteiro ideal pela cidade dos estudantes, terminando invariavelmente já de manhã. Só lamentamos não termos tido tempo para mais.

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