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Luís Filipe Rodrigues

Luís Filipe Rodrigues

Articles (286)

Marcelo D2 e a Bamba Social levam “o rap a visitar o samba”

Marcelo D2 e a Bamba Social levam “o rap a visitar o samba”

Marcelo D2 é um pioneiro do hip-hop carioca. Começou a rimar no início dos 90s, quando fundou com Skunk (1967-1994) os Planet Hemp, um nome crucial do rap-rock brasileiro; e lançou-se em nome próprio em 1998, com o álbum Eu Tiro é Onda, seguido em 2003 por um segundo título a solo, A Procura da Batida Perfeita, e a separação dos Planet Hemp – que entretanto se reuniram e até lançaram um novo disco, Jardineiros, no ano passado. Se desde cedo que a influência do samba se ouviu nas suas gravações a solo, isso nunca tinha sido tão óbvio como no último registo, Assim Tocam os Meus Tambores (2020). E o samba vai ouvir-se ainda mais no próximo álbum, Iboru, que foi precedido pelo single Povo de Fé. E nos concertos de quinta-feira, 26, no Hard Club (Porto), e sexta, 27, no Casino Estoril, onde estará ladeado pela roda de samba e orquestra Bamba Social, baseada no Porto. O rapper e vocalista brasileiro e a Bamba Social cruzaram-se pela primeira vez em Portugal em 2018, e dois anos mais tarde gravaram juntos “Cadê Cascais?”, para o álbum Na Fé da orquestra portuense. “Tinha ouvido falar há muito tempo de uma banda que tocava samba no Porto. Até o meu empresário João Dinis me falou deles”, recorda. “Ter o samba por perto é muito importante [para mim]. E essa coisa de ter alguém que toca samba noutros países, esse contacto é sempre bom”, continua. Guarda, por isso, boas memórias dos encontros anteriores. No entanto, a relação vai intensificar-se nos próximos concertos em Portugal. “Vai s

'The Last of Us: Parte II' é uma história de vingança e violência

'The Last of Us: Parte II' é uma história de vingança e violência

★★★★☆ Os dicionários definem "sequela" como "o acto de seguir" ou "consequência", mas também como uma "obra [narrativa] cuja história ou enredo serve de continuação a uma anterior", ou a “lesão, perturbação ou alteração que resulta de uma doença”. E todas estas definições se aplicam a The Last of Us: Parte II, que chegou sexta-feira, 19 de Junho, à PlayStation 4. O primeiro The Last of Us (2013) decorre duas décadas depois de uma infecção fúngica se ter espalhado pelo mundo, tornando os infectados numa espécie de zombies e destruindo os pilares da civilização. O protagonista original é Joel, um contrabandista que parte numa viagem pelos Estados Unidos acompanhado por Ellie, uma adolescente imune à doença. Perto do fim, Joel descobre que ela terá de morrer para ser desenvolvida uma cura e decide condenar todo o mundo e matar dezenas de pessoas com as próprias mãos para a salvar. Enquanto isto se passa, Ellie está anestesiada, e quando finalmente acorda ele mente-lhe, dizendo que a sua imunidade não podia ser replicada. Rolam os créditos finais. Passamos The Last of Us: Parte II a lidar com as consequências desta decisão. O jogo começa pouco depois do final do primeiro capítulo: Joel está a confessar ao irmão o que teve de fazer para salvar a jovem. Passam-se quatro anos e agora o jogador controla Ellie, que vive numa comunidade auto-suficiente com Joel e outras pessoas. Neste período, a relação entre ambos deteriorou-se. Não podemos revelar muito mais detalhes sobre o enredo,

De olhos no futuro, o passado e o presente tocam-se em ‘Crisis Core –Final Fantasy VII– Reunion’

De olhos no futuro, o passado e o presente tocam-se em ‘Crisis Core –Final Fantasy VII– Reunion’

★★★★☆ A maior parte dos RPG (role playing games, ou jogos narrativos) são histórias de fantasia ou ficção científica. Porém a sua maior efabulação é que, neles, o trabalho compensa. No capitalismo, uma pessoa pode passar anos e anos a estudar, a trabalhar e a aperfeiçoar o que faz, e nunca sair da cepa torta – ou quase nunca; é preciso haver a ocasional história de sucesso para convencer os mais crédulos de que o sistema funciona. Nestes jogos, não. Cada combate, cada acção se traduz em ganhos efectivos. Com perícia e uma boa estratégia, é possível ultrapassar a maior parte dos obstáculos, mas também dá para perder umas horas a combater inimigos, sem aprender nada, apenas para o personagem ou personagens ficarem mais fortes, com melhores atributos, e assim reduzir a dificuldade. Isso é nítido e encorajado no novo Crisis Core –Final Fantasy VII– Reunion. Antes de sair Final Fantasy VII Remake (que é muito mais do que um remake), em 2020, o Crisis Core – Final Fantasy VII original era unanimemente considerado o melhor dos sucedâneos, prequelas e continuações do clássico Final Fantasy VII (1997). Mas o título de 2007 estava há muito confinado à descontinuada PlayStation Portable e à emulação. Um problema acrescido pelo facto de o final do jogo de 2020 e o primeiro trailer da futura sequela, Final Fantasy VII Rebirth, agendada para 2023 ou 2024, darem a entender que Zack Fair, o herói (spoiler: a escolha desta palavra é ponderada) desta prequela, está vivo nos remakes, que vão re

O saxofone de Pedro Alves Sousa fala a verdade, fala para todos nós

O saxofone de Pedro Alves Sousa fala a verdade, fala para todos nós

Pedro Alves Sousa está longe de ser um neófito. Anda neste mundo há 36 anos, estreou-se em concerto com 19, lançou o disco de estreia da sua “primeira banda mesmo a sério”, os OTO, em 2008, e ao longo da década passada editou e tocou com vários grupos e pessoas. Ao todo, conta cerca de duas dezenas de títulos na sua discografia pessoal, incluindo um Live at ZDB gravado com um dos grandes decanos do indie rock e da música americana, Thurston Moore (ex-Sonic Youth), e o companheiro de sempre, Gabriel Ferrandini. Quem presta atenção a estas coisas, portanto, já sabe há alguns anos que é um dos músicos que importam e merecem atenção no jazz e na música improvisada portuguesa actual. Mesmo assim, muitos foram apanhados de surpresa por tudo o que fez em 2022. Poucos artistas em Portugal tiveram um ano tão cheio, tão determinante. E tudo indica que em 2023 não vai abrandar a passada. Janeiro arranca com um par de concertos ao lado dos Mão Morta, a 19 na Culturgest e um dia depois no Gnration (Braga), e tem muitos planos na calha. Poucos artistas em Portugal tiveram um 2022 tão cheio como Pedro Alves Sousa, repita-se. Estreou‑se enquanto líder em Março, com Má Estrela, disco merecedor dos mais rasgados elogios, onde se escuta uma música nova e difícil de classificar que transcende o free jazz, encavalitada em electrónica psicadélica e footwork, com vapores de dub. Podia ter passado o resto do ano quieto, ou apenas a revisitar esses temas na companhia de Bruno Silva, Gabriel Ferrandin

Maria Reis: “Muitas vezes não sei o que estou a fazer”

Maria Reis: “Muitas vezes não sei o que estou a fazer”

Desde 2011 que acompanhamos, nestas páginas e fora delas, a carreira de Maria Reis. Com a irmã Júlia, nas Pega Monstro; com o primo Lourenço Crespo, em 100 Leio; com os amigos de infância e adolescência, n’Os Passos em Volta; até fora da Cafetra e do lugar de compositora, durante a sua breve passagem pelos Gala Drop; e nos últimos anos a solo, fomos escutando e escrevendo sobre a sua música. Vimo-la e ouvimo-la a crescer, a alargar horizontes, a apurar a lírica e a composição, a impor-se como uma das melhores escritoras de canções que este país já teve, independentemente do género. Benefício da Dúvida, o quarto registo a solo, entre mini-álbuns e EPs, é o mais recente marco de uma carreira que não dá sinais de perder o fôlego, a inventividade, a relevância. Houve quem lhe chamasse um “álbum pós-traumático”, antes sequer de o podermos ouvir. Mas não é isso que as suas sete canções revelam. E a própria Maria Reis não concorda com a adjectivação. “Acho que [se] escreveu isso por eu falar muito sobre a minha instabilidade emocional”, sugere Maria, nos primeiros minutos de uma longa conversa. “Mas não acho que seja pós-traumático.” Não parece sê-lo, concordamos. Foi, porém, feito no limite, e até possivelmente à beira de um burnout que ficou por diagnosticar. “Não quero estar a dizer que estive mesmo ou que estava à beira de um burnout quando no fundo nunca fui diagnosticada com isso. Mas de facto estava a sentir bastante a pressão.” A síndrome de burnout é, de um modo geral, inco

Concertos de passagem de ano: entre em 2023 embalado por boa música

Concertos de passagem de ano: entre em 2023 embalado por boa música

Dois mil e vinte e dois está a chegar ao fim, e o melhor que pode ser dito sobre o mais recente annus horribilis da década de todas as desgraças é que não foi tão mau como os dois anteriores. Mesmo assim vamos celebrar e, pelo menos por uma noite, acreditar que é desta, que 2023 é que vai ser bom. Se chegou ao dia da festa e ainda não tem planos para despedir-se de 2022, vá a um concerto. Estamos aqui para o ajudar a escolher qual. Recomendado: Adeus 2022, olá 2023 – festas de passagem de ano em Lisboa

Tiago Bettencourt: “Não pensei em viver da música”

Tiago Bettencourt: “Não pensei em viver da música”

Quando um amigo o “convidou para fazer uma banda”, há mais de duas décadas, Tiago Bettencourt não imaginava o que o esperava. “Estava a divertir-me, no fundo. Nunca pensei em seguir carreira, em viver da música. Mas depois lançámos uma maquete e fomos para um concurso”, começa a contar o cantor e compositor outrora dos Toranja. “De repente as pessoas interessaram-se pelo que estávamos a fazer. Talvez porque era em português, tinha umas letras porreiras. Na altura não havia muita gente a cantar na nossa língua. Por isso tivemos logo propostas para fazer coisas.” Dois discos e cinco anos depois da primeira maquete e dos concertos iniciais, os Toranja separaram-se, mas Tiago Bettencourt nunca parou de tocar e começou a comemorar os seus 20 anos de carreira no domingo, 18 de Dezembro, na Casa da Música (Porto). As celebrações continuam na quinta-feira, 22, no já habitual concerto de Dezembro no Coliseu dos Recreios. E continuam em 2023. Passados todos estes anos, Tiago não se imagina a fazer um trabalho das nove às cinco. Mas nem sempre foi assim. “Pensava que ia ser arquitecto. Para a minha família era um bocado impensável eu ser artista”, recorda. “Acho que agora é muito mais aceitável ser-se artista, mas na altura não era. A única profissão dentro das artes que seria aceitável, para um pai e para uma mãe, era arquitectura. Ainda pensei em ser pintor, e até estive pré-inscrito em Belas Artes, em Pintura. Mas acabei por ir para Arquitectura, que foi um curso que adorei.” No enta

Dez consolas e videojogos para oferecer neste Natal

Dez consolas e videojogos para oferecer neste Natal

É verdade que já não passamos tanto tempo fechados em casa como passávamos quando toda a gente tinha medo do... desconhecido (para não usar palavras começadas por "C" nem por "P"). Mas muitos dos que começaram ou voltaram a jogar durante os primeiros anos da década não voltaram a largar os comandos. Por isso, oferecer consolas e videojogos continua a ser uma aposta segura. A pergunta é: quais? E é para o ajudar a responder (e a comprar) que a Time Out está aqui, a recomendar consolas e videojogos para oferecer neste Natal. Não precisa de agradecer. Recomendado: Prendas de Natal para os amigos de quatro patas

Meia dúzia de nomes que gostávamos de ler no cartaz do próximo Super Bock em Stock

Meia dúzia de nomes que gostávamos de ler no cartaz do próximo Super Bock em Stock

O cartaz da edição deste ano não tem o fulgor a que o Super Bock em Stock nos habituou – sobretudo nos anos em que era o Vodafone Mexefest. Sabemos que, a menos de uma semana do festival, não há nada a fazer. Mas, possuídos pelo espírito natalício, decidimos apontar meia dúzia de nomes que deram que falar este ano e vão continuar a dar que falar nos próximos. Não é a primeira vez que fazemos este exercício, e alguns dos artistas sugeridos da última vez acabaram mesmo por passar por outros festivais portugueses, mais tarde. Portanto, é capaz de não ser má ideia prestar atenção também a estas dicas. Não é tarde nem é cedo para vermos estes nomes em Portugal. Recomendado: Meia dúzia de concertos a não perder no Super Bock em Stock

Meia dúzia de concertos a não perder no Super Bock em Stock

Meia dúzia de concertos a não perder no Super Bock em Stock

A culpa, provavelmente, ainda é da pandemia. O que é certo é que o cartaz do festival que mexe com a Avenida Liberdade desde os anos zero deixa um pouco a desejar em 2022. Para compensar, há dois concertos – a apresentação da Casa Guilhermina de Ana Moura, na sexta-feira, e do brilhante Natural Brown Prom Queen de Sudan Archives, outro dos discos do ano, no sábado – que, por si só, já valem os 45€ (em pré-venda) ou 50€ (no próprio dia) que o bilhete custa. Feitas as contas, não nos podemos queixar muito. Até porque há mais uns quantos grupos e artistas que vale a pena ver nesta edição. Quais? Continuem a ler. Recomendado: A libertação de Ana Moura

Nove canções para ouvir enquanto pedala

Nove canções para ouvir enquanto pedala

O título desta lista é meramente alegórico, pois a Time Out não pretende que os seus leitores se envolvam em acidentes de trânsito. As canções que se seguem, embora tendo a bicicleta como assunto, serão desfrutadas com maior segurança se as nádegas do ouvinte estiverem assentes em algo mais estável do que o selim de uma bicicleta e se os ouvidos e os olhos não tiverem de estar concentrados nas manobras de veículos, peões e canídeos. Quem faça mesmo questão de ouvir enquanto pedala poderá recorrer a uma daquelas bicicletas estacionárias dos ginásios. Recomendado: Dez canções para ouvir ao volante

A libertação de Ana Moura

A libertação de Ana Moura

Dois mil e vinte foi um ano de ruptura. Para toda a gente que viu vidas, relações e corpos mudarem e extinguirem-se de um momento para o outro. Mas ainda mais para Ana Moura. Oito anos antes, tinha gravado um dos mais populares discos de fado das últimas décadas (Desfado, 2012); era uma das intérpretes portuguesas com maior alcance internacional; ouvia os elogios e cantava com ícones da pop e do rock mundial como Prince ou os Rolling Stones; aqueles que a rodeavam diziam que nada tinha a provar, nem mais nada a alcançar. Porém, sentia-se inquieta. Essa inquietação traduziu-se em “Vinte Vinte”, tema inspiradíssimo, onde ela se encontrava com Branko e Conan Osiris, e a canção de Lisboa se tornava electrónica e urbana, inspirada pelo sul global e pelos ritmos da sua diáspora. Podia ter sido um episódio único, à parte do resto da sua história. Só que não. Foi o gatilho para deixar a editora Universal, trocar de agente e rodear-se de novos colaboradores. Muitos duvidaram dela, mas não vacilou. Irredutível, passou os últimos anos a construir esta Casa Guilhermina, declaração de intenções, testemunho de coragem e vitalidade artística, disco de ruptura. Claro que esta história não é tão simples nem linear como o parágrafo anterior parece sugerir. Por um lado, há muito que a fadista apontava novos caminhos, mais pop, para o género. Por outro, a ligação e o interesse pela África lusófona não são apenas de agora e fazem parte da sua biografia – a avó materna, Guilhermina, era angolana e

Listings and reviews (22)

Lisboa Games Week

Lisboa Games Week

Três anos depois da última edição física, o Lisboa Games Week volta a ocupar os pavilhões da FIL, no Parque das Nações, entre 17 e 20 de Novembro. Ao longo destes quatro dias, no maior evento de videojogos do país, vai ser possível experimentar e conhecer novos títulos e plataformas de jogos, desde consolas e simuladores de realidade virtual a computadores e telemóveis; mas também experimentar máquinas de arcada vintage e consolas retro.  Os e-sports voltam a ser um dos principais focos da programação, com várias competições a disputarem-se no recinto. Continua também a haver espaço para o cosplay e a cultura pop, com espectáculos de wrestling, bancas de artistas independentes, merchandising e sessões de autógrafos. Há ainda conferências e uma aposta no serviço educativo, para levar os videojogos ao maior número de pessoas. E o maior número de pessoas à FIL.

Sortidos MIL

Sortidos MIL

Ainda falta mais de meio ano para a próxima edição do MIL. Mas, para assinalar o início das candidaturas de artistas para o festival de 2020, o Musicbox decidiu fazer uma espécie de MIL em ponto pequeno, com artistas emergentes do continente europeu. A primeira a subir ao palco, no sábado, será a harpista portuguesa Carolina Caramujo (na foto), que se encontra a gravar o primeiro álbum a solo, com lançamento previsto para Novembro. Segue-se a cantora e compositora indie catalã Núria Graham, que editou em 2017 o disco Does it Ring a Bell? por El Segell del Primavera. Depois é a vez de GENTS, duo dinamarquês de synthpop romântica e nostalgica, cujo novo álgum Humam Connection, deve sair a 11 de Outubro. O último concerto da noite é o de Kukla, cantora eslovena de turbo-pop. Depois há Dj sets de Dinamarca, que apesar do nome é chileno e vive na Suécia, e do português Progressivu.

Built To Spill

Built To Spill

Os Built to Spill ajudaram a definir e a expandir o som do indie rock americano nos anos 90. Liderados por Douglas G. Martsch, cantor, herói da guitarra, principal compositor e único membro permanente do grupo ao longo das décadas, gravaram temas que se tornaram clássicos da canção eléctrica americana e álbuns que mais parecem monumentos, cuja influência foi quase imediata e se continua a sentir. Discos como There’s Nothing Wrong With Love (1993) um disco de indie-pop de guitarras, áspero, conciso e com o coração na lapela, sem o qual os primeiros (e bons) trabalhos dos Death Cab For Cutie nunca teriam existido. Ou Perfect From Now On (1997), o terceiro álbum e o primeiro com o selo da multinacional Warner, com as suas canções paisagísticas e cordilheiras de guitarras que se confundiam com o mapa americano e nas quais escutávamos pontos de contacto com o que os contemporâneos Modest Mouse estavam a fazer. Ou Keep It Like A Secret (1999), o terceiro clássico consecutivo e combinação quase perfeita entre a abordagem mais directa do disco de 1993 com a epicidade do seu sucessor. É precisamente Keep It Like A Secret que ouviremos esta quarta-feira na Zé dos Bois, Um segredo mal guardado depois dos concertos de Oruã e Shaolin Soccer. Doug Martsch e companhia têm celebrado ao vivo os 20 anos do disco, e um dia antes de actuarem no NOS Primavera Sound trazem a Lisboa os segredos mal guardados que são as suas canções. Não faltará nenhuma. Desde clássicos indie efusivos como “The Plan

Ciclo Maternidade

Ciclo Maternidade

Vários artistas da Maternidade vão desfilar pelo palco do Auditório Municipal António Silva, no Cacém, entre sexta-feira e sábado: Filipe Sambado, Bejaflor, Catarina Branco, Aurora Pinho e Vaiapraia. O convite partiu do teatromosca, mas a promotora teve “carta branca” para fazer o que quisesse, garante o cantor e compositor Filipe Sambado. “Optámos por ter só concertos de bandas associadas à Maternidade porque nunca tocámos no Cacém. Nenhum de nós”, diz Rodrigo Araújo, vulgo Vaiapraia, outro dos mentores da agência. Desde finais de 2014 que a promotora Maternidade dá música a Lisboa e ao resto do país. Além de agenciar cantores como Luís Severo, Filipe Sambado e Vaiapraia, entre outros, teve durante muito tempo
uma mensalidade nas Damas, onde deu
a conhecer inúmeros e bons músicos independentes portugueses (chegou recentemente ao fim), e ao longo dos anos trouxe várias bandas estrangeiras a Portugal, em muitos casos pela primeira vez. No Ciclo Maternidade deste fim-de-semana, os concertos começam às quatro da tarde de sexta-feira, na estação ferroviária do Rossio, onde vai actuar a cantora/ compositora indie Catarina Branco, que editou o primeiro EP, ‘Tá Sol, este ano.
 O cantor e produtor de pop caseirinha e electrónica Bejaflor, que se estreou com um belo disco homónimo no ano passado, é o segundo a tocar, a partir das nove no Auditório Municipal António Silva. A noite termina com Filipe Sambado (na foto). “Naquele belo formato solo, muito comunicativo, de guitarra ao peito

Paião

Paião

João Pedro Coimbra, Nuno Figueiredo, Jorge Benvinda, Marlon e VIA são os Paião. E, como o nome sugere, interpretam canções escritas e cantadas por Carlos Paião, um dos maiores nomes da pop portuguesa da década de 80. Depois de um primeiro concerto, no ano passado, durante o Festival da Canção, e da edição de um CD, chamado apenas Paião, apresentam-se ao vivo no Capitólio.

José Pinhal Post-Mortem Experience/ Catarina Branco/ Sreya/ Japo

José Pinhal Post-Mortem Experience/ Catarina Branco/ Sreya/ Japo

Durante muito tempo, a Noite às Novas foi uma das bonitas noites (passe a redundância) da Zé dos Bois. Uma espécie de baile de debutantes em que artistas mais ou menos desconhecidos se davam a conhecer, e por onde ao longo dos anos passou uma legião de gente boa, de Norberto Lobo a Alek Rein ou a Sallim. Entretanto o nome caiu em desuso ali para os lados da rua da Barroca, apesar de a ZDB ter continuado a revelar novos valores e, ocasionalmente, até a juntá-los todos numa só sessão. É o que vai mais uma vez acontecer na sexta-feira. Porque, apesar de o velho nome não ser usado, a ideia é mais ou menos a mesma. Há a recriação do repertório de José Pinhal, nome mais ou menos desconhecido da música ligeira do Norte de Portugal, pela José Pinhal Post-Mortem Experience, que agrega músicos da Favela Discos e dos Equations, e recria o repertório do cantor com destreza e músculo, mas sem qualquer ironia. Pela primeira vez em Lisboa. Vai ouvir-se também a indie-pop caseirinha de Catarina Branco, que vai apresentar o EP de estreia acompanhada pela sua banda. E as canções pop fora do baralho e difíceis de compartimentar de Sreya, que já ouvimos em Lisboa em mais do que uma ocasião e cujo primeiro disco, Emocional, tem mão de Conan Osiris. Depois dos concertos, há um DJ set de JAPO, vulgo Menino da Mãe, vulgo Bernardo Bertrand, pronto para nos fazer dançar com a sua electrónica.

12 anos do Musicbox

12 anos do Musicbox

12 Anos. O número pode não ser redondo, mas não é por isso que o Musicbox não vai assinalar a data com a pompa do costume. As comemorações arrancam pelas 21.30 de quinta-feira, com a habitual entrega de presentes em forma de música gratuita. Neste caso, concertos de Pedro Mafama, cantor e produtor de uma música portuguesa difícil de delimitar, com tanto fado como hip-hop; do duo Môrus, de Alexandre Moniz e Jorge Barata; e dos Sunflowers (na foto), banda portuense de garage-punk com tensão psicadélica. Segue-se, à meia-noite e meia de quinta para sexta-feira, o ponto alto das festividades, a estreia em território nacional de Ms Nina, nome de proa do perreo espanhol, a trabalhar nos campos do trap e do reggaeton mais liberto e futurista. No país aqui ao lado, anda há uns anos a meter o público a dançar com a sua música sugestiva e abertamente sexualizada, mas positiva, questionando ideias heteronormativas de género e domínio. O regresso aos palcos dos Sensible Soccers, agora com uma nova formação, está marcado para sexta-feira. A banda portuguesa vai mostrar as novas composições a incluir num eventual sucessor de Villa Soledade, álbum de 2016 que sintetiza com mestria a vastidão electrónica, ensinamentos krautrock e a synthpop oitentista. Conhecendo o historial deles, o mais certo é vir aí coisa boa. Depois do concerto dos Sensible Soccers, na sexta-feira, a festa continua com Nuno Lopes, sem dúvida o melhor DJ português que também é um actor conhecido, e Dupplo, que é como que

Kiss/ Megadeth

Kiss/ Megadeth

Os Kiss são mais conhecidos do que a música que fazem. Gene Simmons, Paul Stanley e companhia – Tommy Thayer na guitarra e Eric Singer na bateria completam a actual formação, nos lugares e pinturas faciais dos históricos Ace Frehley e Peter Criss – andam nisto desde 1973 e são lendas do hard rock, todavia são mais as pessoas 
que reconhecem as suas caras maquilhadas, as vestes de cabedal e aquela língua do que as que conseguem trautear um par de canções deles. Parece estranho, mas é apenas o reflexo da maneira como a banda superou as limitações da sua música, de nicho, e se tornou uma instituição da cultura popular do Ocidente. Os autores de “I Was Made for Lovin’ You” (a mais conhecida canção dos Kiss, que nem sempre é tocada ao vivo) partilham o cartaz com os Megadeth, que garantiram ainda na década de 80 o seu lugar no pódio do thrash metal californiano e continuam aí para as curvas. Dystopia, de 2016, é o mais recente disco da banda de Dave Mustaine.

Meatbodies

Meatbodies

O nome de Chad Ubovich confunde-se com os Meatbodies, a banda que lidera e à qual já emprestou o nome. Confunde-se também com algum do melhor garage rock californiano dos últimos anos – antes dos Meatbodies, tocou na banda de Mikal Cronin e continua a acompanhar esse ícone garageiro que é Ty Segall, 
nos Fuzz. Mas concentremo-nos nos Meatbodies, que regressam ao MusicBox no sábado e no dia seguinte fazem das suas no festival Milhões de Festa. Editaram este ano Alice, álbum conceptual cuja lírica 
é indecifrável, mas cuja música não desilude: garage rock distorcido, com psicotrópicos à solta na corrente sanguínea. Tão violento como inspirador. Revigorante.

The Divine Comedy

The Divine Comedy

Entre os muitos que já tentaram fazer da música pop uma amálgama de ideias clássicas com sensibilidades modernas, poucos o conseguiram com a imaginação de Neil Hannon. A música dos seus Divine Comedy é um universo sumptuoso de pop orquestral enlaçada com destreza lírica. Mãos menos hábeis não saberiam conferir tanta elegância aos floreados teatrais que ornamentam a sua música, mas Neil Hannon é uma criatura rara, um compositor tão inteligente quanto galhofeiro. Foreverland, aventura-se no mundo romantizado da mundanidade, serpenteado por cordas e sopros. Louva a extraordinariedade dos quotidianos mais vulgares, pintados com referências históricas, melodias sensoriais, letras laboriosas e um coração pop sempre a palpitar. Com referências que vão desde Catarina, a Grande, à Legião Estrangeira Francesa, mas sem deixar de ser um álbum disfarçadamente autobiográfico sobre aquilo que vem depois do “felizes para sempre”. Mesmo quando escreve de forma mais dissimulada, autodepreciativa ou espirituosa, Neil Hannon só escreve canções de amor. É um romântico incurável, que se há-de fazer?

Night Lovell

Night Lovell

O prodigioso rapper e produtor canadiano Night Lovell estreia- -se ao vivo na Zé dos Bois mais perto do final do mês. Apresenta o álbum do ano passado, Red Teenage Melody.

Peixe: Avião

Peixe: Avião

Os Peixe: Avião reinventam-se de disco para disco. No mais recente, Peso Morto, lançado no princípio de 2016, aprofundam a subversão do formato canção tradicional. Para a semana tocam na Galeria Zé dos Bois.

News (347)

António Zambujo e Miguel Araújo ainda não perderam o jeito para encher salas de concertos

António Zambujo e Miguel Araújo ainda não perderam o jeito para encher salas de concertos

Já se estava mesmo a ver. Quando escrevemos em Novembro sobre o reencontro em palco de António Zambujo e Miguel Araújo, agendado para Setembro e Outubro deste ano, avisámos que “o espaçamento temporal entre os três concertos deixava margem para serem marcados mais espectáculos se os bilhetes começarem a voar”. E ei-los aqui, a 22 de Setembro no Coliseu Micaelense, em Ponta Delgada, a 6 de Outubro na Altice Arena, em Lisboa, e, por fim, a 26 do mesmo mês na Super Bock Arena, no Porto. Ainda há bilhetes para as datas anunciadas no ano passado, respectivamente a 23 de Setembro no Coliseu Micaelense, a 7 de Outubro na Altice Arena e a 27 e 28 de Outubro na Super Bock Arena. No entanto, os bilhetes mais baratos já tinham voado. Agora volta a ser possível ver os populares cantores e compositores a partir de 20€ no Porto, 22€ em Lisboa, ou 25€ nos Açores. Quem estiver financeiramente mais desafogado pode pagar até 100€ para os ver de perto no Porto e em Lisboa. Tal como aconteceu da última vez, os concertos serão mais ou menos improvisados. O início e o final das actuações, com algumas das canções mais conhecidas, serão sempre muito parecidos, mas pelo meio vão cantar o que lhes apetecer em cada noite. E agora têm ainda mais canções por onde escolher. António Zambujo lançou um par de álbuns, Do Avesso e António Zambujo Voz e Violão. Já Miguel Araújo deu-nos Giesta, Peixe Azul, As Canções da Esperança e Chá Lá Lá. Coliseu Micaelense (Ponta Delgada). 22-23 Set. 21.30. 25€-40€; Altice

A norte-americana Madonna vai dar mais um concerto na Altice Arena

A norte-americana Madonna vai dar mais um concerto na Altice Arena

Os custos astronómicos da maior parte dos bilhetes para o primeiro concerto de Madonna em Lisboa desde 2020, quando se despediu da cidade, não demoveram os fãs. Horas depois de terem sido colocados à venda, na sexta-feira, já havia secções esgotadas e pouco depois já só havia alguns pacotes VIP, cujos preços ascendem aos 1037,84€. Mas nem tudo está perdido. Na segunda-feira, a promotora Ritmos & Blues anunciou uma segunda data, para 7 de Novembro. Numa publicação partilhada no Instagram da Ritmos & Blues lê-se que, “devido à elevada procura”, vai haver um segundo concerto e os bilhetes vão ser colocados à venda na próxima sexta-feira, no site da MEO Blueticket e nos locais habituais. Não há qualquer referência aos preços, mas devem ser os mesmos do concerto de 6 de Novembro, que começavam nos 45€, para as zonas de visibilidade reduzida, e ascendiam aos 305€, isto sem contar com os bilhetes VIP, que chegam a valer 1037,84€. Quem tiver capitais próprios para adquirir os ingressos, e vontade de se levantar cedo para acampar à porta das lojas ou para guardar um lugar nas filas online, antes de o tráfego ser demais para os servidores, tem assim mais uma oportunidade para ver e ouvir uma das maiores estrelas pop do mundo em Portugal. Em Lisboa, e nos restantes de “The Celebration Tour”, Madonna vai cantar os grandes êxitos assinados ao longo de quatro décadas de carreira. + Madonna regressa a Lisboa em Novembro + Concertos a não perder este ano em Lisboa

Júlia Reis canta ‘Ó Nossa’ em mais uma Matiné Fetra na SMOP

Júlia Reis canta ‘Ó Nossa’ em mais uma Matiné Fetra na SMOP

Apareceu de mansinho, sem grande alarido. No início de Dezembro, a Cafetra enviou um e-mail onde se lia que estava prestes a sair Ó Nossa, o primeiro álbum de Júlia Reis, e passados uns dias estava no Bandcamp para todo o mundo o ouvir. E os fiéis, que pensavam que o Nível Lounge de Putas Bêbadas tinha fechado o ano desta editora com estrondo e chave de ouro, regozijaram. Só ficou mesmo a faltar um momento de celebração comunal daquelas canções, puras e pueris. Vamos tê-lo e partilhá-lo finalmente este domingo, 22, a partir das 17.00, em mais uma Matiné Fetra na SMOP. Para os mais distraídos, Júlia Reis é a baterista de Pega Monstro, foi de Os Passos em Volta, abrilhantou ainda no ano passado o disco da irmã Maria Reis. Deixou Lisboa há já algum tempo, foi mãe, ganhou o pão a fazer pão, honestamente. Parecia que tinha deixado a música para trás, para desconsolo daqueles, tantos, que vibraram com as Pega Monstro e dos outros, poucos, demasiado poucos, que nunca esqueceram o EP de estreia a solo, Só no Fim, editado há dez anos, gravado por Luís Severo quando ainda era O Cão da Morte e masterizado por Leonardo Bindilatti quando ainda escrevia Rabu Mastah em vez de Rabu Mazda. Bons tempos. Bora falar um bocado de Só no Fim, até porque nunca se escreveu sobre ele aqui – apesar de este maduro lhe ter dedicado lençóis de texto em chats privados que foram sendo apagados à medida que relações chegaram ao fim e vidas divergiram. Apenas três canções com charme lo-fi, onda emo e ancorada

‘Painéis de São Vicente’ adornam a mais recente cerveja da Dois Corvos

‘Painéis de São Vicente’ adornam a mais recente cerveja da Dois Corvos

Os Painéis de São Vicente são um dos ex-libris do Museu Nacional de Arte Antiga. Mas estas seis pinturas a óleo e têmpera sobre madeira de carvalho estão actualmente a ser restauradas por uma vasta equipa de especialistas portugueses e estrangeiros, e o projecto só deve estar concluído no próximo ano. Até lá, vai ser possível apreciá-los numa lata de cerveja da Dois Corvos. O recipiente da nova Vicentes, a mais recente criação da cervejeira lisboeta, em parceria com o Museu Nacional de Arte Antiga, está adornado com uma interpretação estilizada desta icónica obra do século XV, que já inspirou desde livros a peças de teatro e cuja autoria é atribuída ao pintor régio Nuno Gonçalves. Porém, o que mais importa é o que está lá dentro, neste caso 44 cl de barleywine, com um teor alcoólico de 14%. A morena em apreço ainda não molhou estes lábios, no entanto, de acordo com as informações partilhadas por João Jesus, responsável pelo marketing e comunicação da Dois Corvos, foi “produzida dando uso à mais antiga receita de que há registo. Tem uma aparência vínica e sabores que remontam aos primórdios desta popular bebida. No palato, entendem-se notas de pão, mel, melaço, caramelo e toffee – características essas que os mais atentos dirão confundirem-se com as das (também centenárias) cervejas trapistas, da Bélgica”. Por agora, esta bomba alcoólica de edição limitada encontra-se à venda apenas no bar do Museu Nacional de Arte Antiga, no taproom da Dois Corvos, em Marvila, e online, em sh

Madonna regressa a Lisboa em Novembro. Mas só vem cá cantar

Madonna regressa a Lisboa em Novembro. Mas só vem cá cantar

Continuam a ser anunciados mais e maiores concertos em Lisboa. Ele já tinha sido Roger Waters a meter os papéis para a reforma; Chico Buarque a acampar durante rês noites no Campo Pequeno; Harry Styles a esgotar sozinho o Passeio Marítimo de Algés; ou a reunião da formação clássica dos Blink-182 (para já não falar dos Coldplay, que vão passar quase uma semana em Coimbra e pelo caminho mandaram abaixo os maiores sites de venda de bilhetes do país). E pelos vistos há mais um nome de peso a juntar à lista das vedetas confirmadas para 2023 em Lisboa: Madonna. Quase dois anos e meio de ter anunciado que ia sair da cidade onde durante outros tantos anos viveu e se queixou da vida, vamos tê-la de volta. Não sabemos ainda se vai ter tempo para se encontrar com Dino D'Santiago, tirar selfies no Tejo Bar e passear a cavalo na Comporta, mas sobra-lhe tempo para cantar na Altice Arena, a 6 de Novembro – é o que importa. E o melhor é que, ao contrário das últimas vezes que cá actuou ao vivo, num Coliseu dos Recreios consecutivamente esgotado, em 2020, não tem um álbum novo para vender, apenas grandes êxitos para recordar. “The Celebration Tour” arranca a 15 de Julho em Vancouver, no Canadá, passa pelos Estudos Unidos no Verão, chega à Europa no Outono e termina a 1 de Dezembro, em Amesterdão. Segundo a própria, nestes concertos, vão celebrar-se os grandes êxitos cantados e assinados ao longo das suas quatro décadas de carreira, e ainda prestar homenagem à cidade

Neste ano novo, há vida (e música) nova no bom e velho Titanic Sur Mer

Neste ano novo, há vida (e música) nova no bom e velho Titanic Sur Mer

Na segunda metade dos anos zero, o Cabaret Maxime de Manuel João Vieira e companhia era uma das melhores casas para descobrir música nova em Lisboa, para acompanhar as bandas e artistas que faziam correr tinta na imprensa. O Titanic Sur Mer, aberto por Manuel João Vieira e os seus sócios no Cais do Gás em meados da década passada, nunca conseguiu recuperar a atenção mediática que o velho Maxime tinha, mas isso parece estar prestes a mudar. Pedro Gomes, que entre 2007 e 2010, organizou com Nelson Gomes, então o seu parceiro na Filho Único, uma dezena de concertos memoráveis no Maxime – Beach House, Bonnie “Prince” Billy, Sic Alps, Sir Richard Bishop e mais nomes preciosos, portugueses e estrangeiros – está desde o final do ano passado a trabalhar no Titanic Sur Mer e esta quinta-feira, 12, começa a partilhar connosco a sua visão para o presente e o futuro da sala do Cais do Gás. O alinhamento desta primeira noite cobre um espectro vasto de sons e ideias (maioritariamente electrónicas), juntando USOF, Nayela, Nazar e DJ Nervoso. Unitedstates (ou apenas USOF), a abrir a noite, é um dos nomes mais entusiasmantes da música ambiental feita hoje em Portugal – ainda em Novembro o vimos dar um belíssimo concerto na Rua das Gaivotas 6. De seu nome João Rochinha, faz música instrumental da boa, da que fala e mexe com quem a ouve, e tem editado pela Rotten Fresh. Depois do seu ruído beatífico, vamos conhecer a pop afro-portuguesa de Nayela, cantora e modelo que tem estado a trabalhar co

Spielberg e ‘Abbott Elementary’ entre os vencedores dos Globos de Ouro

Spielberg e ‘Abbott Elementary’ entre os vencedores dos Globos de Ouro

Depois da atípica edição de 2022, que se realizou à porta fechada, sem transmissão televisiva e com os vencedores anunciados apenas online, a cerimónia de entrega dos Globos de Ouro da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood voltou a ser transmitida pela NBC. E, sem grandes surpresas, Os Espíritos de Inisherin, de Martin McDonagh, e a série Abbott Elementary, transmitida em Portugal pela FOX Comedy, que já tinham sido as produções mais nomeadas, foram as maiores vencedoras, com três prémios cada. Mas foi Os Fabelmans, de Steven Spielberg, que arrecadou os dois principais galardões nas categorias de cinema: Melhor Realizador e Melhor Filme Dramático. Já o Melhor Filme Cómico ou Musical foi Os Espíritos de Inisherin, que se estreia em Fevereiro em Portugal e é outro dos favoritos para os Óscares. Escrito e realizado pelo britânico Martin McDonagh (Três Cartazes à Beira da Estrada), o filme recebeu ainda os Globos de Ouro para Melhor Argumento e Melhor Actor num Filme Cómico ou Musical, entregue a Colin Farrell. A maliana Michelle Yeoh foi considerada a Melhor Actriz num Filme Cómico ou Musical, pela sua prestação noutro dos filmes sensação de 2022, Tudo em Todo o Lado ao Mesmo Tempo, dos Daniels Kwan e Scheinert, que valeu ainda o prémio de Melhor Actor Secundário num Filme a Ke Huy Quan. No cinema destacaram-se ainda Austin Butler, votado Melhor Actor num Filme Dramático por fazer de Elvis Presley em Elvis (HBO), de Baz Luhrmann; e Cate Blanchett, considerada a Melhor

Que se lixe o Natal, temos os blues de The Legendary Tigerman na ZDB

Que se lixe o Natal, temos os blues de The Legendary Tigerman na ZDB

Começou por ser uma deliciosa heresia. Na noite de 24 de Dezembro de 1999, enquanto quase toda a gente estava em casa, a empanturrar-se com a família, Paulo Furtado, então ainda ligado aos Tédio Boys, foi convidado “pelo Rodas para o Natal Comix, que acontecia no dia 24 no Hard Club”, recorda. “Uns anos depois, em 2001, propus ao Natxo [Checa] fazermos o dia 25 na ZDB, que relutantemente aceitou. Na altura não havia nada aberto em Lisboa, e na primeira vez veio muito pouca gente, talvez umas 20/30 pessoas… Mas no ano a seguir já esgotou.” Nunca mais pararam de esgotar. Este ano, os bilhetes para a noite de 25 voltaram a sumir num ápice. Mas há outro concerto na segunda, 26. Hoje, Paulo Furtado não se imagina a fazer outra coisa no Natal. Desde que começou a gritar “Fuck Christmas, I Got The Blues” na Galeria Zé dos Bois, em 2001, só não o fez durante um par de anos – “num não toquei por opção e no outro estive doente”, lembra. Quando lhe perguntam se não se imagina a deixar tocar nesta noite, a resposta é rápida: “Sempre quis fazer estes concertos, e enquanto sentir vontade de os fazer, acontecerão”. Até porque, garante, se não estivesse a tocar, “provavelmente estaria a ver um concerto. Agora há tantos, não é?” Este ano, por acaso, até há menos. A família Cuca Monga decidiu não passar o Natal a tocar no Musicbox, como acontecia na década passada, e sente-se a sua falta. E o vizinho Sabotage, que antes da pandemia também se tinha tornado um destino de eleição para muitos roqu

“A história do jazz português dos últimos 20 anos confunde-se com a história da Festa do Jazz”

“A história do jazz português dos últimos 20 anos confunde-se com a história da Festa do Jazz”

Há muitos e bons festivais de jazz em Portugal. Mas a Festa do Jazz é especial. Ao longo de 20 edições, o ciclo programado por Carlos Martins e promovido pela associação Sons da Lusofonia tem acompanhado o que acontece e está para acontecer no jazz português, seja ele mais consensual ou quase marginal e livre. E vai continuar a acompanhá-lo entre esta sexta-feira, 16, e domingo, 18, sobretudo no Centro Cultural de Belém (CCB), mas também no Picadeiro Real e na vizinha Livraria Ler Devagar da LX Factory, com um programa onde tanto cabem a voz de Salvador Sobral ou as percussões do indiano Trilok Gurtu como o híbrido de jazz e hip-hop do projecto JAZZOPA e a experimentação mais livre das Lantana. Segundo o programador, Carlos Martins, o balanço destes anos é “muito positivo, mas ao mesmo tempo muito desafiante”. E é positivo porque a Festa do Jazz ajudou a criar “uma comunidade, uma rede portuguesa de jazz”; promoveu muitos concertos, estreias e encomendas; assistiu “ao despontar dos grandes músicos de jazz que ganharam o Concurso Nacional de Escolas”; ajudou a “internacionalizar o jazz português, através da Europe Jazz Network”. Mas sobretudo porque há “um livro [publicado em 2020] em que se percebe que a história do jazz português dos últimos 20 anos se confunde com a história da Festa do Jazz”, segundo Carlos Martins. Os maiores desafios, no entanto, continuam a ser criar novos públicos e trazer outros corpos e experiências para dentro do jazz. Nesse sentido, Carlos Martins

Conduzir raramente é tão prazeroso como em ‘Need For Speed Unbound’

Conduzir raramente é tão prazeroso como em ‘Need For Speed Unbound’

Nunca se deve julgar um livro, nem um jogo, pela capa. Mas, às vezes, elas dão pistas do que livros e caixas guardam lá dentro. É o caso da colorida capa de Need For Speed Unbound, cujos elementos visuais são replicados no jogo. O realismo e a fidelidade visual dos carros e dos cenários fundem-se com uma estética inspirada por anime e street art, que molda os protagonistas e certas animações. Apesar de os carros e as roupas terem marcas conhecidas, há uma jovialidade e uma acessibilidade que separam o jogo dos simuladores de condução que dominam o sector, e isso começa na capa. De certa forma, Need For Speed Unbound existe numa liga só sua. E isso faz muito sentido. A Electronic Arts (EA) controla, hoje, algumas das mais populares franquias automóveis e não quer que elas concorram entre si, o que a levou a fundir estúdios e cancelar alguns jogos desde o ano passado. Este é o mais recente testemunho dessa reorganização.  Os estúdios Ghost, que nos últimos dez anos tinham sido responsáveis pelos principais títulos da franquia, foram relegados para um papel de apoio a outras produções, e a Criterion, conhecida pelos bem-amados e espirituosos jogos de carros da série Burnout, voltou a ser colocada ao volante deste e dos próximos Need For Speed. Ao mesmo tempo, absorveu a filial de Cheshire da Codemasters, uma editora com muitos anos de experiência neste sector adquirida no ano passado pela EA. O novo jogo pertence à mesma linhagem que os velh

O Musicbox faz quatro vezes quatro anos e a festa dura quatro dias

O Musicbox faz quatro vezes quatro anos e a festa dura quatro dias

Dezasseis anos. É uma idade bonita, mas sem grande significado para a maioria dos portugueses. No entanto, nos Estados Unidos da América, que há décadas colonizam a nossa imaginação, é uma data especial – quem não se lembra do My Super Sweet 16 da MTV? E no Musicbox, que ocupa desde os anos zero o espaço outrora do Texas Bar, a ocasião também é celebrada com pompa, circunstância e quatro dias de festa, entre 7 e 10 de Dezembro. Com velhos amigos e novos conhecidos, em cima do palco e cá em baixo na pista. Foram 16 anos “a evoluir juntamente com Lisboa”, nas palavras do programador Pedro Azevedo, que se juntou à equipa em 2008, seis meses depois da abertura e contribuiu directamente para esta evolução. “Têm sido anos de muita aprendizagem e cada vez mais responsabilidade para com o público e com a cidade”, continua. “Sentimos que o Musicbox já é um espaço intemporal e daí o [lema] ‘16 years young, 16 years old’. Entre estreias e artistas que acompanhamos desde o início construiu-se um ciclo programático que tanto questiona como desafia a intemporalidade.” O programa arranca na quarta-feira, 7 de Dezembro, com uma série de concertos e DJ sets de entrada livre, algo que Pedro descreve como “uma tradição intermintente”. Entre as nove e a meia-noite, a música vai do screamo dos Hetta, excelente banda do Montijo que nos legou este ano o EP Headlights, ao trap e r&b de mulheres como Cookie Jane, Iolanda (que conquistou todos os que viram o concerto de há um mês e meio, no Lounge, du

Lizzo é o mais recente nome a juntar-se ao cartaz do NOS Alive'23

Lizzo é o mais recente nome a juntar-se ao cartaz do NOS Alive'23

A Everything Is New não pára de juntar nomes ao cartaz do NOS Alive'23. Desde que confirmou a presença dos norte-americanos The Black Keys, na passada quarta-feira, todos os dias úteis é confirmado um novo artista ou banda. Na quinta-feira foi Angel Olsen, na sexta foram os Idles, na segunda avançaram com Tash Sultana, e acaba de ser anunciada a estreia em Portugal de Lizzo. A premiada rapper norte-americana vai subir ao palco principal do Passeio Marítimo de Algés a 7 de Julho, pouco menos de um ano depois da edição de Special, o quarto álbum de estúdio, que chegou ao segundo lugar do top norte-americano. Ao longo das suas 12 canções, assinadas por produtores de topo como Max Martin, Mark Ronson e muitos outros, o r&b, o disco-funk e a synthpop colidem. Os bilhetes para o NOS Alive, que decorre entre 6 e 8 de Julho do próximo ano, já se encontram disponíveis online e nos locais habituais. Além do ingresso diário, à venda por 74€, há também um passe de dois dias, a 148€, e outro que garante o acesso aos três dias do festival por 179€. + O Musicbox faz quatro vezes quatro anos e a festa dura quatro dias + Arcade Fire entre as primeiras confirmações para o MEO Kalorama

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